etária 0 a 6 anos; a identificação da Educação Infantil, enquanto campo intersetorial, interdisciplinar, multidimensional e em permanente evolução.
Cláudia Ribeiro, professora do Departamento de Educação da UFLA, idealizadora do Fórum Sul Mineiro de Educação Infantil, conforme apresentado no capítulo 1, postula que desde 1999 – o Departamento de Educação da UFLA atua articulando o Fórum Sul Mineiro de Educação Infantil integrado ao MIEIB – Movimento Interfóruns de Educação Infantil no Brasil às diversas instituições, órgãos e entidades comprometidas com a Educação Infantil.
Desde então, sistematicamente, entretecendo saberes e fazeres de cidades do sul de Minas Gerais – quase trinta cidades da região – amplia-se sobremaneira a possibilidade de produção de conhecimento na Educação Infantil, campo intersetorial,
interdisciplinar, multidimensional e em permanente transformação. (Ribeiro, 2012, s/p)
A professora explicita que foi para contemplar as demandas do que significa cuidar e educar crianças pequenas que, educadores e educadoras, profissionais da educação infantil organizaram-se nestes Fóruns, que se constituem em espaços suprapartidários articulados por diversos órgãos, instituições, entidades e abertos à sociedade civil e ao debate público e democrático comprometido com a expansão e melhoria da Educação Infantil, situados em todo o Brasil para promover discussões e mobilização de políticas para a infância.
Para ilustrar esse compromisso, a Carta de Princípios do Fórum Mineiro de Educação Infantil47 adotada como documento norteador das ações do Fórum Sul Mineiro no início do
movimento. Neste documento pode-se observar que a motivação, para o movimento, sempre foi a luta coletiva e permanente pela efetivação dos direitos fundamentais das crianças
assegurados pela legislação vigente.
Ao observarmos os princípios básicos contidos na Carta de princípios, temos o Art. 3.º da LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei n. 9394/96 (Brasil, 1996):
I. Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II. Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber;
III. Pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; IV. Respeito à liberdade e apreço à tolerância;
V. Coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; VI. Gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficias; VII. Valorização do profissional da educação escolar;
VIII. Gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino;
IX. Garantia de padrão de qualidade;
X. Valorização da experiência extra-escolar;
47Cf. anexo I, do capítulo 7, desta obra, a Carta de Princípios do Fórum Mineiro de Educação Infantil. Encontra-se disponível
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XI. Vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais. (Brasil, 1996)
A questão que pode ser levantada é: de que modo esses princípios se relacionam com a educação numa perspectiva inclusiva? A resposta pode soar simples, entretanto uma prática pedagógica que seja baseada na liberdade de aprender, no pluralismo das ideias, no respeito à liberdade e apreço à tolerância e, ainda, que garanta padrão de qualidade de ensino para todas as crianças é, absolutamente, uma prática inclusiva. Desta forma, se cada instituição de educação infantil dos municípios integrantes do fórum pautar a prática pedagógica nos princípios apontados acima estaremos percorrendo o caminho rumo à inclusão.
Neste sentido, é possível pensar que um movimento como o Fórum Sul Mineiro de Educação Infantil, pode ter impacto na orientação, reformulação e elaboração das práticas pedagógicas para que, de certa forma, a ação de cuidar e educar seja cada vez mais inclusiva, é animador.
Conforme apresentado nos capítulos 1 e 2, o Fórum Sul Mineiro de Educação Infantil conta com um comitê gestor formado por pessoas ligadas à Educação Infantil e ao Departamento de Educação da Universidade Federal de Lavras, que participa ativamente das ações de organização, articulação e divulgação do movimento numa perspectiva que tem como objetivo o amplo e permanente debate democrático, além de um conjunto de esforços para a promoção de uma concepção séria de Educação Infantil.
Tendo o movimento se constituído como espaço rico em discussões e proposições para essa etapa tão importante da Educação Básica, é interessante avaliar como se deu o percurso da inclusão de crianças com deficiência na educação comum e consequentemente na educação infantil, concomitantemente ao Fórum. Muitas questões emergem dessa reflexão: O que foi e o que tem sido discutido para que esta inclusão se dê de forma efetiva? Que questões o Fórum trouxe sobre a inclusão nestes dezesseis anos de realização? Qual o impacto dos encontros para as práticas pedagógicas na educação da infância?
Para Piaget (1993) a criança se desenvolve mentalmente a partir do aparecimento da linguagem, quando há o que ele chama de interiorização da palavra e da ação, que antes era só perceptiva e motora. Este desenvolvimento se dá através da troca com os adultos, com seus pares e com o mundo, o pensamento surgiria então sob a dupla influência da linguagem e da socialização.
A legislação vigente reforça a ideia da importância da interação, em seu artigo 9.º, a Resolução n.º 5 de 17 de dezembro de 2009, traz que as práticas pedagógicas devem ter como eixos norteadores as interações e as brincadeiras que favoreçam a imersão em diferentes linguagens e progressivo domínio de gêneros e formas de expressão (gestual, verbal, plástica, dramática e musical).
Tanto a resolução, quanto as considerações de Piaget (1993) denotam a importância da socialização para a formação integral de todas as crianças, sendo assim, também para as que possuem alguma deficiência, que claramente devem estar incluídas em quaisquer que sejam as etapas da educação básica, direito garantido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996 e reforçado por outras tantas após.
A partir deste exposto, é importante postular que, segundo levantamento realizado pelo Departamento de Educação da UFLA, à frente da organização destes encontros, o primeiro Fórum foi realizado em 22/05/1999. No referido ano o Brasil era governado