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REPERCUSSÃO DA DECISÃO

No documento O Cabimento dos Embargos de Divergência (páginas 135-138)

4. PROCEDIMENTO DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NOS

4.2 REPERCUSSÃO DA DECISÃO

Providos os embargos de divergência, pois configurado o dissídio jurisprudencial, a Corte definirá qual a tese é juridicamente correta, aplicando-a ao caso concreto que derivou o recurso em análise.

Assim, a Corte entenderá como correta a solução dada no acórdão embargado ou a solução adotada no paradigma. Athos Gusmão Carneiro343 questiona a possibilidade de um terceiro resultado.

Pergunta-se, todavia: será lícito ao órgão julgado chegar a uma terceira orientação, adotando como justa e incidente a solução ‘C’? O STJ, 2ª Seção, no EREsp. n. 130.605, p.m.v., em aresto de que foi relator o Min. Ruy Rosado de Aguiar Jr., entendeu que sim: ‘Tenho como possível, nos embargos de divergência, demonstrado o dissídio que permite o conhecimento do recurso, cuidar a Seção de aplicar o direito à espécie, analogamente ao que acontece no caso do recurso especial (art. 257 do RI), podendo chegar a uma solução diversa daquelas encontradas nos acórdãos em confronto’ (j. em 13.10.1999).

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É o que extrai-se dos artigos 560 e 561, ambos do CPC: “Art. 560. Qualquer questão preliminar suscitada no julgamento será decidida antes do mérito, deste não se conhecendo se incompatível com a decisão daquela. Parágrafo único. Versando a preliminar sobre nulidade suprível, o tribunal, havendo necessidade, converterá o julgamento em diligência, ordenando a remessa dos autos ao juiz, a fim de ser sanado o vício. Art. 561. Rejeitada a preliminar, ou se com ela for compatível a apreciação do mérito, seguir-se-ão a discussão e julgamento da matéria principal, pronunciando-se sobre esta os juízes vencidos na preliminar”. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5869.htm. Acesso em 30/01/2012.

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Neste sentido dispõe o art. 556, do CPC: “Art. 556. Proferidos os votos, o presidente anunciará o resultado do julgamento, designando para redigir o acórdão o relator, ou, se este for vencido, o autor do primeiro voto vencedor. Parágrafo único. Os votos, acórdãos e demais atos processuais podem ser registrados em arquivo eletrônico inviolável e assinados eletronicamente, na forma da lei, devendo ser impressos para juntada aos

autos do processo quando este não for eletrônico”. Disponível em

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5869.htm. Acesso em 30/01/2012.

343 CARNEIRO, Athos Gusmão. Recurso especial, agravos e agravo interno. 6 ed. Rio de Janeiro: Forense,

O autor, no entanto, faz uma ressalva, por conta do princípio basilar da congruência, pelo qual está vinculado o pedido. Dar outra resposta que não esteja dentro do contexto recursal seria uma gritante afronta a esse princípio.

De todo modo, a decisão alcançada no julgamento dos embargos de divergência será aplicada ao caso concreto que culminou o recurso, pois, como efeito natural do ato, produz a substituição do acórdão embargado, seja pelo provimento ou não do recurso.

Eduardo de Albuquerque Parente344 defendeu que, com a criação da súmula vinculante pela Emenda Constitucional 45, de 2004, estaria autorizada uma transformação automática da tese jurídica alcançada no julgamento dos embargos de divergência, no que concerne a matéria constitucional, em súmula obrigatória.

Data venia o raciocínio levantado, o art. 103-A, da CF/88, prevê a necessidade de “reiteradas

decisões” sobre uma determinada matéria constitucional, “motivo por que, dissipada a divergência, só a ulterior aplicação da tese constitucional em casos similares ensejará, de ofício, sua inclusão na súmula de jurisprudência dominante do STF345”.

Fernando Orotavo Neto e Joaquim Pedro Rohr346 entendem que os referidos embargos poderiam adquirir eficácia erga omnes, pela característica de recurso com intuito uniformizador de entendimento, com a convolação de seu julgado em súmula, da forma como acontece com o incidente de uniformização, em que pese não ser assim que ocorre.

Apontamentos merecem ser feitos. Como visto em capítulo próprio, os embargos de divergência são modalidade de recurso extraordinário, pois visa imediatamente unificar o entendimento da Corte sobre direito objetivo, constitucional ou federal. Envolve pontos restritos, tratando sobre o interesse do particular mediatamente.

344

PARENTE, Eduardo de Albuquerque. Jurisprudência: da divergência à uniformização. São Paulo: Atlas, 2006, p. 78.

345

ASSIS, Araken de. Manual dos recursos. 2. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008, p. 855. Além disso, para a edição da súmula vinculante, se faz necessário o quorum de no mínimo oito ministros, o que corresponde a dois terços da composição do STF.

346 OROTAVO NETO, Fernando; ROHR, Joaquim Pedro. Dos recursos cíveis: doutrina, legislação e

Em verdade, ao culminar em um julgamento uniformizado, os embargos de divergência acarretam o surgimento de um posicionamento único sobre determinada questão. É primordial que a jurisprudência do Tribunal esteja unificada, e apenas com a unificação do entendimento da Corte será possível unificar a jurisprudência.

Diante disso, salutar concluir que os efeitos não ficam adstritos às partes embargantes, pois conferem um resultado maior, coerente pela unificação de entendimento. Se o objetivo dos embargos de divergência foi atendido, ou seja, se o entendimento foi unificado, e consequentemente foi unificada a jurisprudência, há de ser considerado que tal julgamento possui status de jurisprudência dominante no Tribunal.

É possível entender dessa forma para os casos em que o julgamento derivou da Corte Especial, no Superior Tribunal de Justiça, ou do Pleno, no Supremo Tribunal Federal, pois são os órgãos máximos naquelas Cortes, os quais irão dizer o que a própria Corte entende sobre determinada interpretação de norma constitucional ou federal.

Quanto ao Superior Tribunal de Justiça, depreende-se do art. 122, § 1º, segunda parte, do regimento interno daquela Corte, que “poderão ser inscritos na súmula os enunciados correspondentes às decisões firmadas por unanimidade dos membros componentes da Corte Especial ou da Seção, em um caso, ou por maioria absoluta em pelo menos dois julgamentos concordantes347” (grifo nosso).

O regramento regimental nos assegura dizer que o resultado unânime nos embargos de divergência diretamente autoriza convolá-lo em súmula pelo Tribunal, o que deve ser observado pelo Tribunal Superior, não só em razão da importância do julgado, mas pela previsão regimental que os obriga atuar de tal maneira.

Araken de Assis348 entende que tais efeitos empregados ao julgamento dos embargos de divergência servem para modificar “o sombrio prognóstico que lhes presidiu o nascimento”, servindo como mecanismo eficaz para erradicar o dissídio interno tão danoso para o destinatário da norma jurídica.

347

BRASIL, Superior Tribunal de Justiça. Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. Organizado pelo Gabinete do Ministro Diretor da Revista – Brasília: STJ, 2012, p. 64.

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Imaginar diferentemente seria permitir que os embargos de divergência atuassem como a antiga revista, já amplamente discutida na presente pesquisa, atuando apenas no caso concreto, sem qualquer funcionalidade para o ordenamento jurídico.

Ora, caso assim o fosse, não poderia ser considerada uma característica dos referidos embargos a unificação da jurisprudência, pois, possuindo forças somente para modificar o caso concreto, não serviria para mais nada além disso, não unificando em absoluto, apenas atravancando um sistema há muito congestionado.

Há de ser reforçado o entendimento de que um julgamento realizado pelo órgão máximo de uma Corte Superior em sede de embargos de divergência, com a devida apreciação sobre o direito objetivo que envolva a questão recorrida em que resida a divergência, deva ser aceito como jurisprudência dominante daquela Corte. Não vemos motivação contrária que nos impeça de concluir tal raciocínio também no âmbito do Supremo Tribunal Federal349.

Alcançado um julgamento unânime, pela Seção ou pela Corte Especial, em sede de embargos de divergência, deve ser o entendimento externado escrito em súmula, como prevê o regramento regimental.

No documento O Cabimento dos Embargos de Divergência (páginas 135-138)