3.5 COMITÊ DE BACIA SEINE-NORMANDIE 107
3.5.1 Robert Galley: seis presidências, 18 anos 108
Robert Galley, aclamado em 2005 como presidente de honra do Comitê, ocupou a presidência do CBSN entre os anos de 1987 e de 2005, tendo sido eleito pelo voto dos membros por seis vezes consecutivas. Nascido em 11 de janeiro de 1921, Galley é um político francês dono de longa biografia política, tendo ocupado em várias ocasiões os cargos de ministro, de prefeito, de senador e de deputado. Ocupando o cargo de deputado da Assembléia Nacional, pelo Départment de l’Aube, na região Champagne-Ardennes, Galley foi nomeado, por seguidas vezes desde 1979, como membro do Comitê, representando as coletividades (ASSEMBLÉE, 2003). Galley foi eleito para presidir aqueles que ficaram conhecidos como o Quarto Comitê, o Quinto Comitê e o Sexto Comitê de bacia Seine-Normandie, coincidentes com mandatos de seis anos dos representantes das três
categorias. O Quadro 1 traz denominações para cada mandato de Galley como presidente do CBSN (CBSN, 2005). As denominações foram feitas de modo arbitrário para delimitar cada período de mandato presidencial e são válidas tão somente no contexto do presente trabalho e serão daqui em diante chamadas em conjunto de Presidências. Estão apresentados também no Quadro 1 o número de reuniões e as datas das sessões iniciais, ou de eleições, e finais das seis Presidências.
Comitê Denominação Reunião inicial Reunião final Número de reuniões Quarto CBSN 1a Presidência 29 set. 1987 23 mai. 1990 6
2a Presidência 30 out. 1990 29 jun. 1993 6 Quinto CBSN 3a Presidência 24 set. 1993 21 dez. 1995 7 4a Presidência 10 jun. 1996 10 jun. 1999 8 Sexto CBSN 5a Presidência 21 set. 1999 25 jun. 2002 7 6a Presidência 27 set. 2002 30 jun. 2005 8
Quadro 1 - As seis presidências de Galley Fonte: Dados compilados pelo autor.
O Comitê deveria ser instalado em uma sessão plenária a cada início de mandato dos representantes. Ao Prefeito da região da Île-de-France, como Comissário da República e Prefeito Coordenador da bacia Seine-Normandie, cabia as responsabilidades de convidar os membros para as reuniões inaugurais e de instalar o Comitê, iniciando os trabalhos de cada legislatura (FRANÇA, 1966a).
O Quarto CBSN foi declarado instalado, em 29 de setembro de 1987, pelo Prefeito Olivier Philip. Compunham esse Comitê 38 representantes indicados pelas coletividades territoriais, 38 pelos usuários e 27 pela administração do Estado e pelo meio sócio- profissional. Para o Prefeito, a estratégia a ser seguida pelo Quarto Comitê, em sintonia com o que fora definido no Quinto-Programa de Intervenções da Agência, deveria contemplar três eixos principais: a eliminação de pontos negros, a contratualização de suporte financeiro e o suporte seletivo à gestão de instalações. Um ponto negro fora definido como um local espacialmente pequeno, mas onde se podia observar um lançamento importante de poluição, fosse pelo volume lançado, fosse pela natureza da substância poluidora. O Comitê deveria orientar a Agência a se concentrar sobre as zonas mais sensíveis do território e a atuar na determinação da natureza e da origem das poluições e na definição do tratamento a ser aplicado, a fim de promover e de sustentar financeiramente ações curativas que fossem necessárias. As orientações de Philip, quanto à contratualização, foram para a adoção de uma linha de trabalho conjunto e coordenado com instâncias locais, visando a diminuir o número de interlocutores e a garantir coerência com as políticas estabelecidas pelos departamentos e municípios. O suporte à gestão, por fim, deveria ter como foco a valorização dos investimentos em obras já concluídas, permitindo a operação em condições ótimas das instalações para coleta e tratamento de esgotos, para captação, tratamento e
distribuição de água e para regulação de fluxo de cursos de água (CBSN, 2005, 29 set. 1987).
O Presidente Galley afirmou, na última reunião do Quarto Comitê, que a legislatura que se findava fora caracterizada por uma gestão da política de águas e um desenvolvimento de atividades jamais registrado desde a Lei de 1964. A duplicação do volume de recursos financeiros disponíveis para execução do Sexto Programa, que proporcionara um aumento dos recursos para obras suportadas pela Agência, foi um fato marcante. Segundo Galley, a duplicação fora fundamentada na consciência e nas ações de mutualidade e solidariedade entre os membros. A execução das obras e os pagamentos haviam sido acelerados e contribuíram de maneira significativa para a redução da poluição hídrica e para a melhoria da oferta dos serviços de água potável. A ação dos membros do CBSN havia sido fundamental para aumentar a confiança da Assembléia Nacional na responsabilidade e na importância do trabalho das Instâncias de bacia. A confiança ficou demonstrada pela relevante participação do Comitê na preparação da Lei de Águas de 1992 (CBSN, 2005, 29 jun. 1993). No período entre 1987 e 1993, segundo a AESN (2003), a urbanização não havia parado de crescer na região da bacia, mas, ao contrário, as poluições, tanto doméstica quanto industrial, estavam regredindo graças a decisões tomadas pelo Quarto Comitê. O CBSN havia atuado para aumentar o interesse público pelas dificuldades enfrentadas pelo setor agropecuário para a preservação ambiental. Ainda, a proteção do meio ambiente litorâneo havia ganhado um lugar importante dentre os trabalhos do CBSN.
O Prefeito Jean-Claude Aurousseau declarou instalado, em reunião realizada no dia 24 de setembro de 1993, o Quinto CBSN. Como grandes eixos das ações a serem tomadas pelo Quinto Comitê, Galley citou, na ocasião, as exigências crescentes da população, o respeito a compromissos internacionais, o atendimento a prazos definidos para entrega de obras e um maior compromisso com a proteção da natureza. O Comitê deveria se esforçar também para que fosse garantido o sucesso na implantação dos instrumentos definidos na Lei de 1992, o que iria exigir a combinação de ações locais com abordagens em escala nacional. Outros desafios a serem enfrentados seriam: a melhoria da operação das instalações de tratamento de efluentes, a luta contra as poluições pluvial e de origem difusa, o progresso na prevenção de poluições acidentais e a eliminação dos dejetos industriais tóxicos (CBSN, 2005, 24 set. 1993).
A composição do Quinto Comitê, inicialmente a mesma do Quarto Comitê, foi alterada pelo Decreto 97-28, de 10 de janeiro de 1997, tendo sido acrescidos um representante das coletividades e um dos usuários (FRANÇA, 1997). Na última reunião do Quinto CBSN, Philippe de Bourgoing, representante das coletividades e presidente da C3P, apresentou um balanço das ações do Quinto CBSN: os avanços ambientais eram encorajadores, o número de cursos de água com qualidade ruim ou medíocre havia sido reduzido, a qualidade das águas litorâneas havia melhorado, os teores de oxigênio dissolvido estavam em patamares menos críticos na maior parte da bacia e os volumes previstos para suporte financeiro haviam sido utilizados. Na mesma ocasião, Pierre-Alain Roche, então Diretor-Geral da Agência, afirmou que ocorrera, nos últimos seis anos, uma melhora geral da qualidade da água na bacia devida à redução do lançamento de agentes poluidores nos cursos de água. Todavia, Roche afirmou também que os estoques de peixes considerados como de excelente ou de boa qualidade ainda eram baixos e que os cardumes de qualidade inferior eram majoritários na bacia (CBSN, 2005, 10 jun. 1999).
O Sexto CBSN foi declarado instalado pelo Prefeito Jean-Pierre Duport em sessão plenária ocorrida no dia 21 de setembro de 1999. O Decreto 99-764, de 6 de setembro de 1999, havia disposto que o Comitê passaria a ser composto por 45 representantes das coletividades, 45 dos usuários e 28 da administração e do meio sócio-profissional (FRANÇA, 1999). O Prefeito elencou como principais desafios a serem enfrentados: a preparação do Oitavo-Programa de Intervenções da Agência e a adaptação da política da água às obrigações a serem definidas pela futura DQA, em especial quanto à gestão de cursos de águas trans-fronteiriços. A gestão da política pelo Comitê seria guiada, para Duport, por demandas sociais e exigências dos cidadãos, pela observação de orientações do Parlamento e pela consideração mais ampla das formas de poluição, notadamente aqueles de origem difusa. Conforme argumentou o Prefeito, o Comitê seria exigido nas discussões sobre mudanças na política em âmbito nacional, tais como as proposições para aplicação de uma taxa geral sobre as atividades poluentes. Na ocasião, Galley declarou que o ritmo dos trabalhos do Sexto Comitê seria definido pelas reformas institucionais da política, pela execução do Sétimo e pela preparação do Oitavo-Programa. Para o Presidente do Comitê, os cidadãos esperavam do Sexto CBSN uma gestão que contribuísse para o alcance de um meio ambiente mais bem preservado, para uma melhoria sensível na qualidade dos cursos de água e dos meios aquáticos e para uma distribuição de água potável que apresentasse todas as garantias para a saúde dos consumidores. Tudo isso deveria ser alcançado democraticamente, com menor custo, participação direta, transparência e eqüidade (CBSN, 21 set. 1999).
Em um discurso de avaliação, feito na derradeira reunião do Sexto CBSN, Galley afirmou que a preservação do consenso na tomada de grandes decisões fora fundamental para o sucesso da gestão da política pelo Comitê. Haviam sido também fundamentais para o sucesso, segundo o Presidente, a dedicação e o engajamento de usuários, de eleitos e de servidores do Estado ao longo de um período de seis anos. Galley citou como avanços da legislatura que se encerrava: a criação de um conselho científico, que apoiou o CBSN sobre problemas específicos e possíveis soluções, as reflexões e contribuições do Comitê para a modernização institucional da política da água, a aprovação do Sétimo-Programa e a consulta ao público sobre ações para melhoria na qualidade e na disponibilidade da água na bacia, tal como fora previsto pela DQA.