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ROSÁRIO E ICONOSTASIS: ORTODOXOS E CATÓLICOS ORIENTAIS

CAPÍTULO II – DISCURSO, FÉ, MEDIAÇÃO E FORMAÇÃO DE IDENTIDADE

3.2 ROSÁRIO E ICONOSTASIS: ORTODOXOS E CATÓLICOS ORIENTAIS

As Igrejas Católicas Orientais estariam num lugar intermediário, entre a tradição Católica Latina, por conta de sua filiação ao Papa de Roma, e as tradições das Igrejas Ortodoxas. Elas passam por um processo de hibridismo130. Não uma mistura de relações entre o moderno e o arcaico, mas um processo que nunca está completo, e propõe múltiplas

129 Depoimento de membro do clero da Igreja Católica Russa da cidade de São Paulo, em entrevista concedida ao autor em 14/2/2010.

130 HALL, Stuart; SOVIK, Liv (Orgs.). Da Diáspora: Identidade e Mediação Culturais. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2009. p.71.

direções e experiências. Isso é evidente no depoimento de AC sobre a retomada do catolicismo armênio na República da Armênia após o fim da União Soviética:

Veja, por exemplo, na Armênia Soviética, Geórgia etc. Os países da antiga União Soviética, terminado depois de 70 anos o Comunismo. Foi fácil reconhecer as cidades que eram Católicas, porque eles tinham o terço e rezavam o terço. A oração da Ave Maria e, consequentemente, o Rosário são tradições Católicas.131

A identificação dos católicos orientais armênios era realizada observando-se o uso que esses fiéis faziam do rosário, diferente do uso entre os apostólicos armênios. Os católicos orientais possuem práticas culturais semelhantes às dos católicos latinos, ao mesmo tempo que partilham certas características com os ortodoxos, como o Rito, as denominações eclesiásticas e as comunidades imigrantes. São iguais, mas diferentes.

Retomando o caso das Igrejas Russas na cidade, cabe notar que ambas têm uma característica singular: são basicamente paulistanas, levando em conta a situação brasileira. A Igreja Ortodoxa Russa no Exílio existe somente na cidade, já que as outras Igrejas Ortodoxas Russas do país estão associadas ao Patriarcado de Moscou. A Igreja Católica Russa nasceu a partir de uma comunidade russa que emigrou para a cidade com a ajuda da Igreja Latina. Talvez justamente por essa condição paulista o diálogo entre elas seja tão reduzido.

RC aponta para a aparente disputa que há entre sua Igreja a Igreja Ortodoxa Russa na cidade:

Chegando aqui ao Brasil, esses padres começaram a divulgar. Divulgar a união, ainda que os ortodoxos não tivessem muita estima nossa, mas com o tempo eles adquiriram bastante estima. [...] Mas ficou um grupo que não se abriu, eles não admitem nada da Igreja Católica. Para eles, a Igreja Católica, os sacramentos não são válidos, a missa não serve e mandam rebatizar, é uma espécie de anabatista [...] então caíram nessa teoria e essa teoria está de pé até hoje.132

A Igreja Ortodoxa Russa no Exílio, identificada aqui como o grupo russo que não se

abriu, de certa maneira, entendeu que a vinda desses imigrantes russos da China com a ajuda

dos padres latinos seria uma forma de trazer esse grupo para dentro da Igreja Católica. Isso seria uma afronta a esse grupo ortodoxo. Como RO afirmou133, a Igreja Ortodoxa Russa na cidade de São Paulo é contra qualquer tipo de aproximação com as demais Igrejas, principalmente a Católica. O fato é que existe entre o cristianismo russo paulistano uma disputa pelos féis.

Porém, as Igrejas Russas em diáspora ligadas ao Patriarcado de Moscou (como a do Rio de Janeiro e a de Buenos Aires) dialogam com os russos católicos de São Paulo e, inclusive, cooperam com esse grupo, uma vez que eles não contam nem com um pároco próprio:

Por exemplo, vinha os padres ortodoxos para celebrar aqui, porque juntos não podem, eles mesmos têm suas leis. Fizeram... Esse padre que morreu aqui fez amizade na Argentina. O representante do Patriarcado de Moscou na Argentina é que comanda também aqui no

132 Depoimento de membro do clero da Igreja Católica Russa da cidade de São Paulo, em entrevista concedida ao autor em 14/2/2010.

Brasil. Nós temos no Rio de Janeiro o padre [...] já veio fazer cerimônia.134

Assim sendo, as filiações da Igreja Católica Russa estabelecida na cidade, no que diz respeito às relações entre russos em diáspora, são com comunidades fora da cidade. O que acarreta dificuldades para a comunidade e para a Igreja.

Contudo, nem todas as aproximações entre as Igrejas que dividem uma mesma comunidade na cidade são tão antagônicas como a relação entre as Igrejas Russas. A aproximação entre a Igreja Católica Ucraniana e a Igreja Ortodoxa Ucraniana parece ser bem cordial. Os depoimentos são consensuais:

É uma proximidade muito grande, são Igrejas irmãs, porque o povo que participa, o povo se conhece, se entende, se acolhe, se respeita, isso que é muito importante. E quando se fala da questão ucraniana, o que prevalece justo e que mais une é a nossa cultura. Tanto ortodoxos quanto católicos, eles se entendem muito bem e de modo especial quando se fala de representatividade da nossa cultura ucraniana, é um laço muito forte que identifica e aproxima. Então não existe naquele espaço distinção.135

Parece que tanto UC como seu colega UO, da Igreja Ortodoxa, mantêm um discurso semelhante:

Essa relação é uma relação bastante forte, bastante intensa porque, em primeiro lugar, eu acho porque temos um clube, uma sociedade aqui

134 Depoimento de membro do clero da Igreja Católica Russa da cidade de São Paulo, em entrevista concedida ao autor em 14/2/2010.

em São Caetano, onde essa sociedade ela já existe desde a década em que os imigrantes vieram para cá, construíram a sociedade juntos. Então foi um elo que já desde o início uniu, ou seja, não existem divergências, não existem brigas, entre aspas, falando: “Eu sou da Igreja Católica Ucraniana”, “Eu sou da Igreja Ortodoxa”. Nesse aspecto, jamais pude ouvir que houve no passado, pelo contrário, as pessoas mais de idade sempre comentam que sempre trabalharam juntas, que tem o grupo folclórico inclusive atuante, eles se apresentam para fora, para até, inclusive, daqui de São Paulo e o grupo folclórico é composto pelas comunidades tanto Católica como Ortodoxa, então isso une bastante.136

UO ratifica a forte relação entre os fiéis das duas Igrejas, inclusive citando a existência do grupo folclórico. Segundo os depoimentos, haveria uma identidade ucraniana que estaria acima das relações entre as Igrejas. No entanto, deve-se ter em mente que nos depoimentos os conflitos e diferenças entre essas Igrejas aparecem de forma sútil, salvo algumas exceções.

Desse modo, deve-se dar atenção às sutilezas, principalmente no que diz respeito à construção da memória dessas Igrejas. Pois a diferenciação entre as Igrejas Católicas Orientais e suas coirmãs Ortodoxas perpassa a criação de um passado que legitime essas diferenças. Isso está presente no depoimento de PO acerca da relação entre a Igreja do Patriarcado Ortodoxo de Antioquia e sua coirmã Igreja Católica Melquita:

Nós temos uma relação maior por causa da comunidade. Os árabes, sírios, libaneses e outros que nas duas Igrejas se conhecem têm os mesmos parentescos, então é natural que nós tenhamos uma relação dentro da própria comunidade sírio-libanesa. Mas, por outro lado, como Igreja nós os vemos como católicos, eles são Católicos

136 Depoimento de membro do clero da Igreja Ortodoxa Ucraniana do município de São Caetano do Sul, em entrevista concedida ao autor em 18/4/2010.

Romanos de Rito Oriental. Não sentimos nem mais próximos, nem mais distantes. Para nós, são Católicos Romanos.137

Segundo PO, existe uma relação próxima entre sua Igreja e a Igreja Melquita, uma vez que ambas, como já mencionado, dividem uma mesma comunidade. Entretanto, essa relação especial entre as duas Igrejas está condicionada à criação de uma memória que legitime o passado de uma Igreja como mais autêntico que o da outra.

No depoimento de PO, os Melquitas são tratados como Católicos Romanos. Assim sendo, todas as características específicas da Igreja Melquita que são divididas com a Igreja do Patriarcado, como o Rito, são desvalorizadas pelo fato de a Igreja Melquita ser uma Igreja Católica Oriental. PO tem como objetivo sugerir que a sua Igreja é aquela que guarda verdadeiramente os preceitos de uma cultura religiosa greco-árabe. Para PO, a Igreja Melquita, por sua associação com a Igreja Católica, teria perdido essas características e se tornado meramente uma Igreja Católica.

Essa memória construída aparece de forma sutil nos depoimentos, em que os membros do clero, invariavelmente, procuram valorizar a trajetória de sua Igreja. No horizonte desses religiosos está presente a luta por legitimar um passado. Eles, como guardiões da memória oficial de suas comunidades e Igrejas, têm por obrigação guardar e valorizar esse passado construído para lembrar a comunidade da ordem divina das coisas138. Quando isso ocorre na relação entre Igrejas Ortodoxas e Igrejas Católicas Orientais coirmãs, a preocupação aprofunda-se. Como no caso da Igreja Católica Armênia e Igreja Apostólica Armênia.

137 Depoimento de membro do clero da Igreja do Patriarcado Ortodoxo de Antioquia da cidade de São Paulo, em entrevista concedida ao autor em 7/7/2010.

Figura 13 - Igreja Católica Armênia de São Gregório na Avenida Tiradentes.139

Na cidade de São Paulo a Igreja Católica Armênia tem como santo padroeiro de sua igreja principal São Gregório o Iluminador. A escolha desse santo é indício da disputa de memória que há entre as duas Igrejas armênias presentes na cidade. Segundo o depoimento de AC: “O Apóstolo da Armênia, São Gregório, lembremos, não era armênio. Nasceu na margem do Mar Negro, no chamado Pontus, que nunca foi parte da Armênia [...].”140 Segundo a tradição católica armênia, São Gregório não era armênio. O santo teria viajado à Armênia para converter os armênios ao cristianismo. Descoberto como cristão, teria sido jogado num poço. Passado doze anos, o rei da Armênia, Tiriades III, estava mentalmente doente:

139 Autor: Felipe Beltran Katz. Data: 16/9/2011.

140 Depoimento de membro da Igreja Católica Armênia da cidade de São Paulo, em entrevista concedida ao autor em 9/3/2010.

Foi acometido de uma grande doença psicológica, que se julgava um animal e vagava pelos pastos, somente a irmã num sonho foi informada que só aquele Gregório, jogado no fosso, poderia curar o seu irmão. Haviam passado doze anos, e lá ele estava vivo, o tiraram e a segunda festa é justamente a saída do fosso. São Gregório curou o rei, e o rei, admirado, quis ter a mesma fé e se converteu, e com ele toda a nação.141

O mesmo rei Tiriades III havia sido um grande perseguidor de cristãos, perseguira inclusive pretendentes cristãs enviadas de Roma:

O rei cometeu vários crimes, inclusive perseguindo as virgens que vinham de Roma, fugindo da perseguição de Roma, e não querendo casar com o rei, as matou. Gaiane, Hripsime, grandes santas que hoje temos as primeiras igrejas na Armênia, foram para essas santas mártires que vinham de Roma.142

Com a explicitação desse trecho, a intenção não é avaliar a veracidade dos fatos apresentados. A disputa de memória é construção, e a elaboração do passado dessas comunidades não é estática, ela perpassa a invenção e, muitas vezes, a obliteração de práticas culturais preexistentes143. O que AC parece tentar evidenciar é que o cristianismo foi trazido de fora da Armênia, e que houve resistência à penetração deste naquela região. São Gregório foi jogado num fosso por doze anos por ser cristão. Gaiane e Hripsime foram mortas por serem cristãs. Com isso, o objetivo é apontar que a Igreja Católica Armênia:

141 Depoimento de membro da Igreja Católica Armênia da cidade de São Paulo, em entrevista concedida ao autor em 9/3/2010.

142 Depoimento de membro da Igreja Católica Armênia da cidade de São Paulo, em entrevista concedida ao autor em 9/3/2010.

Não tem nada de Igreja Nacional, isso surgiu por circunstâncias dos tempos e das circunstâncias políticas dos séculos. Então, é por isso que eu sustento e estou consciente de que nós católicos, embora poucos, 20%, somos aquele resto que permaneceu fiel à Igreja, não Nacional, mas Universal e Católica iniciada por São Gregório o Iluminador.144

A Igreja Católica Armênia está associada a São Gregório, que levou o cristianismo para a Armênia e foi perseguido por isso. Associando a sua Igreja a São Gregório, AC sugere que sua Igreja é mais antiga que a Apostólica Armênia. Que sua Igreja possui mais legitimidade, pois não só é mais antiga, como foi perseguida pelos próprios armênios na busca por cristianizá-los.

Então, em conclusão, o que eu estou convencido e afirmo que nós, armênios católicos, embora sejamos hoje 20% da população armênia no mundo, somos aqueles chamados na Bíblia “o resto de Israel”. Aqueles que ficaram fiéis ao Apóstolo São Gregório, chamado o Iluminador, por ter transmitido a Luz de Cristo ao povo armênio. São Gregório, ele não fundou uma Igreja nacional, e a Igreja Armênia Apostólica hoje, ela se declara Igreja Nacional [...].145

A Igreja Apostólica Armênia seria a Igreja criada por Tiriades, pelo rei, e, portanto, seria nacional. Um rei que, no passado, perseguira os cristãos. A Igreja Católica Armênia foi criada por São Gregório, que havia sido perseguido por Tiriades por tentar implantar o cristianismo na Armênia. Esse arranjo tem por objetivo legitimar uma Igreja Armênia em detrimento de outra. AC não retira a legitimidade da Igreja Apostólica Armênia, mas acredita

144 Depoimento de membro da Igreja Católica Armênia da cidade de São Paulo, em entrevista concedida ao autor em 9/3/2010.

145 Depoimento de membro da Igreja Católica Armênia da cidade de São Paulo, em entrevista concedida ao autor em 9/3/2010.

que a sua Igreja é mais verdadeira, menos mundana, não necessita ser nacional, pois não nasceu na armênia, mas é maior, é universal.

Outra disputa de memória existe entre a Igreja Católica Maronita e a Igreja Ortodoxa Sirian, ambas representantes do cristianismo sírio-aramaico. A Igreja Maronita, como já mencionado, está intimamente ligada à construção de uma identidade libanesa. O fato de os maronitas serem católicos orientais reforça essa identidade peculiar desse grupo em seu lugar de origem:

Assim, para os Maronitas, Líbano e Maronismo tornaram-se sinônimos. Além disso, os Maronitas começaram a considerar a si mesmos como uma comunidade única, que, em relação à religião e cultura, era distinta de um mundo predominantemente Árabe Muçulmano. É este conceito de exclusividade da Comunidade Maronita que é o motivo primário da busca dos Maronitas por uma identidade distinta.146

Para reforçar essa ligação entre as especificidades Católica, Maronita e libanesa, MN ressalta o papel dos Maronitas no Concílio de Calcedônia:

O Concílio de Calcedônia no ano 451 e os principais defensores Orientais eram Maronitas. Principalmente era um importantíssimo bispo, esse bispo chamado Teodoreto de Siro. Ele com o Papa Leão Magno são os principais homens que trataram esse tema: Jesus Cristo, Deus e homem. Esse Concílio de Calcedônia que dá isso. Logo os discípulos de São Maron com Teodoreto de Cyro eram os grandes defensores deste dogma da Igreja. E, de outro lado, o Papa de Roma,

por esta razão, estava em contato contínuo com Leão o Grande, Papa de Roma.147

MN preocupa-se em destacar o fato de que os Maronitas estiveram ao lado do Papa de Roma durante toda a discussão do Concílio de Calcedônia. Isso sugere uma união remota entre sua Igreja e a Igreja Latina, além de marcar a peculiaridade do maronitas na defesa da mesma concepção católica latina de cristianismo148.

Todavia, a tradição sirian ortodoxa apresenta um passado diferente para a Igreja Maronita. Segundo SO:

Inclusive a Igreja Maronita saiu da Igreja Siríaca Ortodoxa no século VII, desde aquele tempo a Igreja Maronita, como era um povo da mesma Igreja, mesmo povo da nossa Igreja, continua celebrando e usando a língua aramaica ou a língua siríaca nos Ritos atuais e em todas as cerimônias.149

No depoimento de SO, a Igreja Maronita está intimamente ligada à Igreja Sirian – seus fiéis eram da mesma Igreja. Assim sendo, não haveria peculiaridades entre a Igreja Maronita e a Igreja Sirian, a não ser o fato de uma estar subordinada ao Papa de Roma e a outra, não. Além disso, SO sugere que a separação entre as Igrejas ocorreu no século VII, ou seja, muito depois do Concílio de Calcedônia.

147 Depoimento de membro do clero da Igreja Católica Maronita da cidade de São Paulo, em entrevista concedida ao autor em 3/2/2010.

148 Tanto as Igrejas Ortodoxas Calcedonianas como a Igreja Católica aceitam as resoluções do Concílio de Calcedônia (451), que discutiu a natureza de Cristo. O Concílio decidiu que Jesus possui duas naturezas (physis): uma humana e outra divina. Os maronitas foram uma das poucas correntes siro-aramaicas do cristianismo que adotaram essa resolução, diferentemente de sua coirmã na cidade. Marcar essa distinção é uma forma de distinguir os maronitas dos demais grupos religiosos do Líbano. PARRY, Ken (et. al.). The Blackwell

Dictonary of Eastern Christianity. Oxford: Blackwell, 1999. p.305-308.

149 Depoimento de membro do clero da Igreja Ortodoxa Sirian da cidade de São Paulo, em entrevista concedida ao autor em 12/2/2010.

Enquanto a Igreja Maronita destaca sua anterioridade como membro da Igreja Católica, sua peculiaridade como membro distinto do cristianismo aramaico, em última instância, como aponta Moosa150, justificaria seu caráter libanês. Já a Igreja Ortodoxa Sirian apresenta uma Igreja Maronita cismática e sem tentas peculiaridades, retirando, de certa forma, o caráter libanês desta. A construção da memória tangencia problemáticas contemporâneas, como o recente conflito libanês. As Igrejas, de certo modo, são espaços de disputa dessa memória. No processo de relacionar passado com presente, a antiguidade de uma Igreja denota sua autoridade e grandeza perante as demais151.

Como já mencionado, as Igrejas Católicas Orientais estão associadas à Igreja Católica Latina. A ligação com esta instituição foi o principal fator de rompimento entre esses grupos e suas antigas comunidades ortodoxas, como sugere o que ocorreu com a comunidade russa católica na cidade. Assim, surgiram disputas de legitimidade pela memória e pelos fiéis. A penetração da Igreja Latina nas demais Igrejas Católicas é notável, destacando-se a cidade de São Paulo, onde a Igreja Latina tem um puder substancial e as outras Igrejas Católicas são minoria. O poder latino, então, se engrandece.

3.3 ENTRE O UNIVERSAL E O PARTICULAR: IGREJA CATÓLICA LATINA E