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3 ASPECTOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA

3.4 INSTRUMENTOS DE PESQUISA

3.4.6 Teste de leitura

O teste de leitura consiste em um importante e rápido instrumento de seleção dos sujeitos de pesquisa, tendo sido escolhido de acordo com o design de um teste de leitura adotado na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação de Lisboa. Composto de duas etapas, identificação de letras e leitura de palavras e pseudopalavras, o teste mostra-se relativamente simples e eficaz para investigar se os sujeitos já leem, ainda que em um nível elementar. Em média, dura aproximadamente de três a quatro minutos.

3.4.6.1T

ESTE DE IDENTIFICAÇÃO DE LETRAS

O subteste inicial do teste de leitura consiste na identificação das letras que compõem o alfabeto do português do Brasil81 fora da ordem canônica e da orientação espacial em que costumam ser aprendidas/ensinadas, ou seja, fora da ordem linear, uma após outra (a, b, c, d, etc.), em sentido horizontal.

As letras, no teste, são apresentadas uma embaixo da outra, em duas folhas, conforme ordem exposta no quadro a seguir:

Quadro 9: Letras na ordem de apresentação do teste de identificação de letras Folha 1 i g e o f r j v q h u Folha 2 d s m l x a n b z t p c Fonte: Elaborado para fins de pesquisa.

O sujeito é informado de que ele deve ler as letras o melhor que souber e o mais rápido que puder, sendo registrados erros e acertos, conforme pode ser observado no comando, transcrito a seguir: “Vou pedir que leia, em voz alta, algumas letras. Gostaria que lesse o melhor que souber e o mais rápido que puder.”

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O ponto de corte estabelecido para eliminação dos sujeitos foi o de 13 letras identificadas. Os resultados dos dois subtestes do teste de leitura são apresentados e discutidos no capítulo seguinte.

3.4.6.2 Teste de leitura de palavras e de pseudopalavras

O teste de leitura de palavras e pseudopalavras visa conferir se, de fato, o sujeito não consegue ler, mesmo em situações em que não atinge o número de acertos no teste anterior, que o eliminaria da amostra.

As palavras foram selecionadas com base na frequência/familiaridade e na ampliação dos níveis de complexidade silábica do PB. As pseudopalavras, por sua vez, encontram-se presentes para confirmar se de fato o sujeito consegue ou não atingir um nível de descodificação dos itens, que também são apresentados um abaixo do outro, em três folhas, na sequência exposta no quadro a seguir:

Quadro 10: Palavras e pseudopalavras na ordem de apresentação do teste de leitura

Folha 1 Folha 2 Folha 3

car vapa tavalo

vaca lasta amiga

bola mesa jalada

nariz benino opressão

Fonte: Elaborado para fins de pesquisa.

Ao sujeito são dadas as seguintes instruções: “Vou pedir que leia, em voz alta, algumas palavras. Algumas dessas palavras não querem dizer nada, mas dá para ler. Gostaria que lesse o melhor que souber e o mais rápido que puder, de cima para baixo.”82

Inicialmente, havia sido estabelecido que fossem eliminados da pesquisa os sujeitos que conseguissem ler um ou mais itens, ou seja, era preciso ter índice zero na tarefa para participar da amostra. Com a pesquisa aplicada às primeiras crianças, porém, constatou-se que, embora elas não obtivessem um índice de identificação de letras que justificasse sua eliminação da amostra e que visivelmente não conseguiam

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Os comandos de todos os testes estão devidamente registrados nas folhas de aplicação e podem ser conferidos nos apêndices.

ler, rapidamente reconheciam os vocábulos vaca e bola, por memorizarem suas formas em decorrência do processo de (pré-)alfabetização recém-iniciado.

Sendo assim, definiu-se que a leitura dos itens mencionados, e somente deles, não justificaria exclusão da amostra.

Ambos os testes são aplicados sem o controle de tempo (ver apêndice H). O risco, porém, de os sujeitos adultos mascararem alguns resultados, seja pelo desejo de fazerem parte da investigação, seja por acreditarem que não leem, em decorrência de baixa autoestima, levou ao estabelecimento de um teste de interferência de leitura, uma espécie de teste confirmativo, que revela se o sujeito que afirma não ler está dizendo a verdade ou não: o teste de Stroop, descrito a seguir.

3.4.7 Teste de Stroop de interferência de leitura

O teste de Stroop consiste no clássico experimento proposto por John Ridley Stroop (1935; 1992) para investigar a interferência de duas informações distintas no processamento da leitura de palavras que nomeiam cores.

De acordo com o teste, ao solicitar que o sujeito diga a cor que vê e desconsidere qualquer outro tipo de informação, o tempo de resposta será menor para (1) do que para (2):

(1) VERMELHO; AZUL; VERDE.

(2) VERMELHO; AZUL; VERDE.

A diferença ocorre devido ao fato de em (1) haver congruência entre a cor e sua nomeação, enquanto em (2) o sujeito tem de processar duas informações divergentes, concentrando-se por responder adequadamente ao que se pede.

O chamado efeito Stroop é utilizado para diferentes propósitos, tais como estudos sobre transtorno do deficit de atenção/hiperatividade (TDA-H), processamento de palavras83, etc., sendo, consequentemente, apresentado sob diferentes designs.

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O teste da presente investigação foi elaborado para ser aplicado por meio do programa E-Prime, o qual consiste em um software desenvolvido por Susan Campbell (2002) para a criação e adaptação de experimentos com diferentes fins. Largamente utilizado em estudos psicológicos, foi adotado para a aplicação de quatro dos testes da bateria de pesquisa: o teste de Stroop, o teste de Cooper, o teste de luminância discreta e o teste de discriminação de imagens. Em relação ao teste de Stroop, os estímulos foram apresentados em três condições de resposta: uma em que a cor vista pelo sujeito é consistente com a nomeação; outra em que a cor vista pelo sujeito é inconsistente com a nomeação e outra em que as cores se alternam em estímulos visuais caracterizados por uma sequência de arrobas:

(3) VERMELHO; AZUL; VERDE.

(4) VERMELHO; AZUL; VERDE.

(5) @@@@;@@@@;@@@@.

Em cada uma das séries, o sujeito deveria dizer o nome da cor que via em 20 itens que se seguiam, sendo o tempo de resposta registrado pelo programa. A média do tempo de resposta nas três diferentes séries deveria ser sensivelmente semelhante, uma vez que o sujeito não lia; diferentemente do que ocorre com sujeitos leitores, em que a média do tempo de resposta em (4) é significativamente maior do que nas outras duas condições, dado o conflito de informações durante o processamento.

Nesse sentido, o teste de Stroop de interferência de leitura foi inserido na bateria da presente pesquisa com o propósito de garantir que os sujeitos selecionados fossem, de fato, não alfabetizados, a fim de que os resultados da pesquisa não ficassem comprometidos.

As três séries do teste aparecem em ordem aleatória, cabendo ao experimentador registrar a ordem em que elas se apresentam, bem como gravar as respostas dadas pelos sujeitos para posterior conferência. O teste dura em média 15 minutos. Mais detalhes se encontram na folha de comando e registro dos resultados, no apêndice I e no capítulo seguinte.