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SUPORTES E MATERIAIS

A. Uma questão de forma

Para um aprofundamento das questões formais dos suportes, relan- çamos a análise de Per Mollerup (2013), que ajusta os três modos de comunicação de Pierre Guiraud, comunicação/representação/obriga- ção, sendo que as mensagens surgem através da tarefa de identificar, explicar e instruir. Desta forma surge o desdobramento dos quatro tipos de sinais:

a.1.) Identificação

São considerados sinais identificadores de edifícios ou de locais espe- cíficos, representando uma identidade estabelecida, a identidade do local ou do espaço, diferenciada de qualquer outro ambiente. Pode ser assim considerado que o próprio nome do local representa todas essas qualidades.

Sendo o objetivo dos sinais de identificar, dar nome aos locais, podem estas ser simples placas toponímicas, como identificação de algo no local (museu) ou a nomenclatura de uma empresa ou negócio. Deste modo, os sinais identificativos alcançam parte do seu significado através do seu contexto, podendo mesmo ser qualificado pela sua localização. De acordo com Mollerup (2013) à parte da indicação geográfica, o sinal identificativo pode ainda expandir o seu significado através da expressão (tipográfica ou visual) com que é constituído. O estilo desta identificação pode, neste contexto, produzir um significado pertinente como algum local com história, aludindo às semelhanças de material ou escolha tipográfica.

No entanto deve ser tido em consideração o facto de a compreensão do sinal identificativo ser passível de condicionamento pela cultura do seu leitor, assumindo-se aqui que os sinais para pessoas com diferen- tes contextos culturais podem provocar leituras diferentes, uma vez que a sua cultura/educação visual modela a compreensão ou ausência de entendimento.

a.2.) Direção

São sinais que indicam a direção de algo, denominados direcionado- res, habitualmente definidos por indicação tipográfica e uma seta. Podem ser considerados como suportes duplamente ou triplamente codificados, uma vez que uma parte do seu significado deriva da pró- pria localização, outra é dada pela direção que indica (seta ou forma- to) e por último, o seu significado em texto ou símbolos representa o que vai ser encontrado. Representam o aqui e o ali num único sinal. Ainda à luz da avaliação de Mollerup (2013) o seu contexto pode torna-lo redundante e supérfluo, caso o objeto ou elemento visado esteja bem visível e identificável nas proximidades.

Sendo a seta o elemento gráfico associado maioritariamente, há ain- da outros, sendo a utilização de um ícone de uma figura humana a sair bastante representativa de saída de emergência. Mas também neste caso, podendo os direcionadores nem conter texto, parte-se do pressuposto que o leitor sabe interpretar o código associado.

Reduzindo um direcionador à sua essência, isolado no trânsito, este apenas indica um pormenor deu um trajeto, não explica o caminho apenas dá uma indicação ou uma ordem de viragem.

Nas situações sem ser de trafego, de sinalética pedonal, as imagens e setas são normalmente acompanhadas por uma pequena descrição do destino associado e do tempo de percurso.

No campo da orientação há ainda as linhas orientadoras inscritas no pavimento, com o intuito de “siga esta linha” evitando a utilização ao longo do percurso de mais informação. Neste caso em específico foi efetuada uma experiência no âmbito do design de uma exposição, onde ao colocarmos uma guia orientadora desde o exterior do edifício até ao interior foi conseguido atrair público, mesmo quando estava a ser terminada a sua colocação, que, considerando a localização do espaço expositivo, não seria de fácil acesso. Este projeto permitiu-nos avaliar a importância deste tipo de direcionador visual num contexto de alguma complexidade urbana.

a.3.) Descrição

São sinais descritivos do local, objeto ou horário, e explicativos de um contexto histórico, localização ou situação.

De acordo com Mollerup (2013) auxiliam na tomada de decisões e ações de forma mais assertiva, permitindo ao leitor/peão ficar mais informado. Estes sinais podem contemplar a indicação temporal, es- tática ou dinâmica, conforme o suporte e a tecnologia que lhe está subjacente. Segundo o autor não são representantes de wayshowing mas sim de placeshowing, no sentido em que determinam o que irá suceder naquele ponto, não indicando um trajeto mas apenas o que acontecerá naquele preciso lugar.

No entanto, esta informação deverá estar em sintonia com a direcio- nal, de forma a que haja uma comunicação coerente e que não seja gerada hesitação por parte do leitor/peão.

“no information is bad, distance given in metres is better, and in- formation given in minutes on static sign is probably still better”. (Mollerup, 2014, p.94)

Estes sinais podem ainda incluir distâncias para locais afastados, uma vez que o leitor/peão pode não ter noção do tempo necessário para efe- tuar o percurso, pelo que a indicação dos minutos será a melhor opção. Num cenário ideal a informação seria sempre dinâmica, sendo al- guns exemplos de referência os sinais integrados nas plataformas de transportes.

Figura 44

Guias no pavimento. Corpus Christi. Arquivo autor

Figura 45

Central de comboio, Tóquio, Japão. Arquivo autor

a.4.) Regulação

Sinais de regulamentação de uma ação.

Todos os sinais no espaço urbano são desenvolvidos de forma a in- fluenciarem os seus leitores. Essa é a sua única função.

Os sinais de regulamentação são os mais evidentes, simplesmente “ordenam” o que devem ou não efetuar. Os proibitivos normalmente surgem como avisos “alta voltagem” com pictogramas que induzem a indicação de morte (exemplos, não tocar).

São sinais autoritários que captam a atenção, salientando-se dois parâmetros estruturais, a tipografia em caixa alta e o bloco de cor, podendo ser acrescidos de luz continua ou intermitente.

Aqui podem também constar os sinais instrutivos, definidores de uma atividade, implicando o cumprimento de uma ação (não fumar). No entanto, após analise da tipologia de sinais/suportes informativos, importa realçar a possibilidade de alguns poderem pertencer a mais do que uma categoria, implicando uma segunda intenção, informati- vo e dissuasor, ou informativo e persuasor.

a.5.) Formato

O autor considera que não há, na maioria dos sinais, qualquer função da forma na orientação, com a exceção das setas indicativas, formas circulares e triangulares que estão intimamente associadas aos sinais de transito de regulamentação, orientação e advertência (Mollerup, 2013).

a.6.) Dimensões

Segundo Mollerup (2013), apresentam-se três requisitos fulcrais, nomeadamente a necessidade de anunciar a sua presença, destacan- do-se; devem constituir uma leitura fácil, no sentido em que a sua dimensão deve permitir área suficiente para que a informação seja le- gível; e devem contemplar uma hierarquia de importância percetível. No entanto ressalva que a sua dimensão deve ser analisada em função do seu enquadramento real, não configurando ruído desnecessário na paisagem onde o suporte se integra.

Para que a sua visibilidade seja a pretendida, a sua localização e im- plementação deverá ser ajustada no local.

a.7.) Diferença entre sinais comerciais e indicadores

Apesar de muitos considerarem que a diferença entre sinais comer- ciais e sinais indicadores é o fator publicitário, persuasivo, há limita- ções, uma vez que por vezes os comerciais indicam e os indicadores persuadem o público/leitor.

Per Mollerup (2013) considera que outra diferença entre estes dois tipos de suporte é a energia despendida, a necessidade de chamar mais a atenção, de cativar, de surpreender.

Os seus componentes (tamanho, tipografia, estrutura, cor e demais Figura 46

Sinalização, Quioto, Japão. Arquivo autor

elementos gráficos) demonstram se o sinal é comercial ou não. Não havendo restrições institucionais (municipais) estes tendem a sobrepor-se a qualquer sinal indicativo.

Aqui surge mais uma vez a convergência entre sinalética publicitária e direcional, que no nosso entender se esbate na real.

a.8.) Suportes eletrónicos, digitais e projeções

De que forma as novas tecnologias alteram a própria forma de viajar e circular? Virão a substituir a sinalética física?

De acordo com Mollerup (2014) esta aliança homem máquina tende a dificultar o desenvolvimento de um mapa cognitivo, que possui como característica fulcral o desenvolvimento de noção de escala.

Nem todos utilizam dispositivos móveis todo o tempo. Por isso o au- tor considera pouco provável que seja totalmente substituída num futuro próximo. No entanto, de acordo com Calori & Vanden-Eynden (2015) há uma maior análise relativa ao melhoramento de disposi- tivos digitais, nomeadamente suportes constituídos por ecrãs que encerram em si a possibilidade de divulgar mensagens e informações de forma dinâmica. Alguns exemplos de utilização são os suportes interativos ou apenas informativos disponíveis em ambientes de transportes, metro, autocarro e aeroporto, nomeadamente sinalética digital, quiosques interativos e suportes móveis.

Figura 47

De acordo com Calori & Vanden-Eynden (2015) a sua capacidade de alteração de informação produz um efeito sedutor na escolha do har- dware, uma vez que possibilita a constante atualização de conteúdos, no entanto, pressupõe algumas limitações ou preocupações, nomea- damente os custos inerentes de produção, colocação e manutenção técnica especializada, bem como o vandalismo, caso seja colocado no interior. Estes podem ser constituídos por displays de LED (diodo emissor de luz) monocromático ou a cores e LCD (display de cristal líquido). A sua utilização tem vindo a aumentar consideravelmente uma vez que, com a evolução da tecnologia, as suas potencialidades quer na configuração quer nas dimensões, promovem a sua aplicação. No entanto, de acordo com Nuno Gusmão (2016; E08) têm que ser realçadas as limitações associadas a este tipo de suportes, tendo em consideração o seu custo, a sua manutenção e constante atualização, o que pode colocar em risco a sua eficácia e o seu real objetivo. Figura 48

Hong Kong Arquivo Autor