SUPORTES E MATERIAIS
C. Uma questão de material
A escolha do material traduz-se na aparência visual do sistema de su- portes (hardware), pelo que deve ser efetuada uma seleção criteriosa com base em alguns fatores decisivos.
A sua aplicação pode assumir texturas e padrões ou pode oculta-los e revesti-los, pode o material ser usado apenas estruturalmente ou no campo dos acabamentos.
Nesta etapa define-se a estratégia de idealização visual do suporte, uma vez que a escolha do mesmo pode traduzir-se na imagem final. Esta escolha também deve refletir alguns valores inerentes ao pro- cesso, nomeadamente raízes históricas das matérias-primas, razões cromáticas ou preocupações ecológicas.
A eleição dos materiais reflete para além das preocupações identitá- rias e ecológicas, o conhecimento das potencialidades dos materiais, as suas características que os tornam mais ou menos adequados à sua seleção.
A unificação dos materiais escolhidos, tal como a coesão visual da
Figura 52
Pista ciclável em belém, Lisboa. Projeto e imagem de arq p-06
forma e da informação é desejável, no sentido de agregação de todo o sistema, entre toda a tipologia de suportes.
Nesta análise, e de acordo com Calori & Vanden-Eynden (2015), a questão da dimensão também se encontra profundamente anexada à escolha dos materiais, uma vez que assumindo o conhecimento da tipologia de fabrico é possível prever os pontos de ligação ou juntas que a estrutura pode antever, podendo provocar uma visível limitação na solução final, caso a estrutura do suporte não seja totalmente re- vestida. Esta medida também contempla uma preocupação ecológica e económica, tendo em consideração a possibilidade de aproveita- mento da matéria-prima para um máximo de utilizações possível e a utilização de materiais já previamente reciclados ou biodegradáveis24.
c.1.) Metal
Amplamente utilizado nas estruturas e acabamento.
Alumínio, com uma cromaticidade mais clara que o aço inoxidável, destaca-se pelo bom acabamento, durabilidade, leveza, mas caro, podendo ser revestido para maior proteção, apesar de não ser neces- sário. Utilizado em estruturas leves.
Aço carbono (carbon steel) – utilizado em estruturas médias e pesa- das, não tendo consistência digna de ser utilizado como acabamento. Possui uma grande durabilidade, sendo um material dispendioso, ne- cessita ainda de revestimento, pintado ou em película.
Aço inoxidável (stainless steel) – sendo um material muito dispen- dioso para a sua utilização em estruturas, é um material amplamente utilizado em acabamentos e revestimento de suportes de pequena e média dimensão. O seu acabamento não necessita de qualquer reves- timento ou pintura, uma vez que não está sujeito à oxidação.
Bronze, cobre, latão - Segundo Calori & Vanden-Eynden (2015) São demasiado caros para a sua utilização em estruturas, sendo assim Figura 53
Letras soltas. Arquivo autor
24 Esta análise está amplamente
documentada pela SEGD, nomeadamente na Green Paper on Sustainability (https:// segd.org/green-resources)
utilizados nas faces visíveis e revestimento de suportes. Boa durabili- dade, pesados, requerem revestimento de proteção, caso o objetivo pretendido não passe pela oxidação natural do material.
c.2.) Plástico e resinas
As suas possibilidades camaleónicas permitem uma vasta utilização, nomeadamente tendo em consideração a possibilidade de transpa- rências, modelação, resistência e leveza.
A sua utilização pode ser efetuada através de folhas ou placas ou em moldes líquidos e formação em vácuo.
Os mais utilizados são o acrílico e o policarbonato, uma vez que assume algumas características do vidro, sem incorporar a sua fra- gilidade de quebra, sendo que a sua variedade cromática bastante abrangente. A sua disponibilização pode contemplar grelhas e filtros de proteção UV (ultravioleta), de forma a um melhor desempenho em ambiente exterior e evitar o seu amarelecimento. No entanto estão sujeitos a uma maior visibilidade de riscos.
Possuindo um bom acabamento final, possuem uma durabilidade média a elevada.
O custo inerente é considerado de médio a elevado.
Outro material derivado amplamente utilizado é o PVC (policloreto de vinil), uma vez que a sua densidade é bastante inferior às anteriores, possui bastante flexibilidade, assumindo no fim de fabrico e manu- seamento uma rigidez e durabilidade considerável.
Há, de acordo com Calori & Vanden-Eynden (2015) uma infinidade de resinas e compostos que se traduzem numa multiplicidade de solu- ções e texturas que poderão tornar o sistema de suportes, o hardware possuidor de características únicas e diferenciadoras.
No capitulo dos casos de estudo (capítulo 5) realçamos alguns exem- plos que evidenciam as capacidades camaleónicas na utilização deste material especifico.
c.3.) Vidro
Material bastante utilizado na proteção da informação de alguns suportes.
Disponível em placas de vários tons, cores e graus de transparências. Uma das suas vantagens é a resistência aos riscos, sendo que na sua utilização é temperado ou laminado no fim de processo.
Laminação de vidro: duas faces de vidro com uma camada de plástico no interior que permite uma maior resistência. Essa camada intermé- dia pode assumir a transparência ou pode suportar a própria infor- mação impressa.
A sua aplicação prevê a utilização de uma estrutura, visível.
Destaca-se pelo seu aspeto distintivo, possui boa durabilidade, é pe- sado, os custos inerentes não são baixos como a utilização do acrílico, sendo que a preocupação de manutenção é limitada à sua limpeza periódica e às zonas limites do suporte.
c.4.) Madeira
Calori & Vanden-Eynden (2015) refere o decréscimo na sua utilização ao longo dos tempos, uma vez que foram substituídos por soluções plásticas semelhantes que não exigem a manutenção a que a madeira deve ser sujeita, nomeadamente em soluções de exterior.
No entanto, o contraplacado, mdf ( medium-density fiberboard, placa de fibra derivada de madeira) ou osb (oriented strand board, aglo- merado de fragmentos de madeira orientada em várias camadas que amplificam a solidez e resistência do material) é bastante utilizado em questões estruturais desde que em ambientes interiores.
c.5.) Acabamento, revestimentos e técnicas
Após breve análise às possibilidades de escolha de materiais, comple- mentamos a investigação de teor técnico com a etapa referente aos acabamentos e revestimentos. Referindo as especificações técnicas por Gibson (2009) e Calori & Vanden-Eynden (2015) são considerados os diversos processos de impressão, nomeadamente através de impressão digital em vinil, acrílico ou vidro, ou gravuras de alto e baixo relevo. A categoria de películas de vinil e adesivos assumem, segundo Calori & Vanden-Eynden (2015), uma destacada importância não só como elementos impressos finais, mas também como ferramentas essen- ciais na ligação entre elementos e acabamentos de um suporte . A película de vinil, policloreto de vinil (PVC), pode assumir a função de revestimento, acabamento final ou de plano de impressão, podendo ser possuir uma face adesiva que permite a fixação de impressões ao suporte de informação. Este material possui vários graus de aderência e caracteriza-se por disponibilizar um número restrito de cores, no caso de vinil de corte. No entanto a possibilidade de impressão per- mite a reprodução de imagens e mensagens sem limitação cromática. A sua utilização no exterior deve contemplar a laminação para que sejam mantidas as suas características originais por um período mais longo. O baixo custo e fácil remoção torna o processo de alteração e substituição simplificado. No entanto em ambiente exterior está sujeito a um maior vandalismo. A sua opacidade também é variável até ao nível máximo de translucidez, produzindo efeitos cromáticos de baixo custo na utilização de grande escala25.
Per Mollerup (2013) destaca a perda de legibilidade das superfícies bri- lhantes devido ao fator refletor consoante a luminosidade existente, enquanto as superfícies mates tornam-se alvo de maior vulnerabilida- de e exigente conservação. Neste contexto, há uma exigência acres- cida na analise de custos de manutenção e equilíbrio de legibilidade. As gravações podendo ser manuais ou mecânicas, assumem cada vez mais as técnicas de laser guiadas por computação digital, assumindo um elevado grau de durabilidade, sendo que o custo efetivo é variável consoante as técnicas e materiais utilizados. Estas podem ser efetua- das por cortes em formas sólidas, através de metal ou plástico fundi- do (drenagem através de moldes), criando efeitos tridimensionais de alto ou baixo relevo, translúcidos ou opacidade variável. No entanto a gravações menos pormenorizadas são ainda amplamente efetuadas por jato de areia ou água gravação por acido (efeito corrosivo), am- bas aplicadas diretamente sobre uma máscara e um stencil.
25 Visível nos casos de estudo 35/63/80 apresentados nos anexos.
Figura 54
Figura 55 Tóquio Arquivo autor
c.6.) Iluminação
Calori (2015) introduz à análise da iluminação o paralelismo com as produções artísticas, uma vez que introduz drama e interesse aos suportes. Caso que na avaliação do território real se pode verificar. No entanto, tal como Mollerup refere, a sua definição e utilização prende-se sempre com o intuito do projeto, com a analise da sua uti- lização, em ambiente diurno ou não, interior ou exterior e com o fator relativo à orçamentação e a hierarquização dos suportes. Ainda há a acrescentar a este fator a associação da iluminação já existente, de forma a ser calculada a real necessidade e os custos de manutenção. Os suportes podem contemplar iluminação externa (ou projetada) ou interna.
Na iluminação projetada/exterior há alguns critérios que convém realçar:
Esta iluminação não contempla a iluminação ambiente, uma vez que se caracteriza unicamente pela incidência propositada para o suporte a iluminar.
Pode, no entanto, contemplar a totalidade do suporte ou apenas incidir num pormenor informativo.
Nesta iluminação, estão incluídas as lâmpadas de halogénio, led, florescente, mercúrio, vapor de sódio, incandescentes ou outras. De- vendo haver controlo na temperatura da cor para o efeito desejado, e tendo em consideração o suporte onde reflete.
A sua colocação pode ser ao nível superior ou inferior, com afas- tamento ou sem afastamento, de forma a tornar-se um elemento mais evidente ou mais discreto, dependendo também aqui do efeito pretendido.
Neste contexto, mas usado em ambiente de circulação automóvel, também há a hipótese de vinil refletor, que captura e intensifica a luz dirigida, de forma a refleti-la (Calori & Vanden-Eynden, 2015). No entanto este material possui uma limitação de cores.
Figura 56
Letras soltas iluminadas Arquivo autor
A iluminação interna é projetada do interior do suporte, amplamente utilizada em suportes de interior ou exterior, e está inserida numa caixa, nomeadamente com proteção fosca de forma a difundir a luz propagada e a ocultar a lâmpada. A luz projetada do interior produz o efeito de máscara nas indicações sobrepostas, em vinil recortado ou produz um efeito difusor por toda a informação contida no suporte, (mupi noite).
Importa referir o uso amplificado da tecnologia led nos dois tipos de iluminação, minimizando o uso das lâmpadas tubulares fluorescentes e neons. Este avanço tecnológico permite também a diminuição de espessura das caixas de luz, reduzindo assim a necessidade de espes- sura do próprio suporte sinalizador (Calori & Vanden-Eynden, 2015). Podemos ainda referenciar o uso de iluminação interna que pode variar ao longo de uma sequência temporal.
Figura 57
iluminação Arquivo autor
O segundo capítulo, designado por “a identificação da cidade”, cir- cunscreveu a introdução dos conceitos no âmbito do design, enun- ciando o aprofundamento do conhecimento teórico e prático dos diversos componentes sobre as singularidades da comunicação visual urbana, através da triangulação entre clarificação terminológica e origens, desenho do programa de wayfinding e especificidades dos grafismos. Assim, procurámos a definição de termos constituintes, a dissecação das suas componentes e recursos operativos, tendo sempre como referência autores determinantes na construção de conhecimento nesta área específica do design.
Adotámos o conceito fulcral de wayfinding, como termo globalizan- te do processo de criação de um programa de comunicação visual urbano.
Considerámos determinante produzir um pequeno preâmbulo onde evidenciássemos algumas das terminologias mais utilizadas, de for- ma a enquadrar a sua utilização ao longo do capítulo, realçando os conceitos de wayfinding, wayshowing, waylosing, legibilidade, mi- cropsicologia (uma vez que sendo wayfinding uma disciplina recente na área do design de informação, alguns fatores orientadores recaem no âmbito da psicologia cognitiva), design gráfico de ambientes e experiencial, design de experiência, turismo de experiência e wayfin- ding semântico (abordado brevemente no capítulo anterior). Estes conceitos surgiram como consequência da investigação dinâmica, que nos foi conduzindo, por variáveis associativas, nomeadamente pela introdução dos conceitos de design de experiência, que conse- quentemente nos levou à especificidade do peão como personagem de turista, obrigando-nos a solidificar conhecimento sobre o próprio turismo de experiência.
Esta introdução de termos neste capítulo, permitiu-nos uma breve exposição à temática a aprofundar, avançando para uma concisa abordagem histórica da origem dos sistemas de comunicação visual, numa linha conceptual que cruza áreas confinantes e diluídas do design gráfico, de informação e de ambientes. Aqui, saltando pro- positadamente a história anterior ao século XX, referenciámos os primeiros exemplos que impuseram necessidade de elaborar soluções comunicativas no contexto da cidade. Com este propósito, passando pela Exposição Universal de Paris de 1900 (e pelos pórticos do metro de Paris de Hector Guimard), pelo movimento holístico definido pela escola alemã da Bauhaus, fizemos referência às obras pictográficas de Harry Beck e Otto Neurath e avançámos para a explanação do pri- meiro projeto de sinalética, no âmbito dos jogos olímpicos do México 68, onde foi possível visualizar uma reflexão conceptual agregadora dos valores históricos e culturais à sintetização de códigos de signos coerentes definidores de uma linguagem pictórica única. Prossegui- mos a nossa análise no campo de ação da história, até às décadas seguintes, onde os termos “arquitectural graphics” deram origem aos termos “signage, supergraphics, environmental graphics”, com a criação da SEGD, Society for Environmental Graphic Design, onde os sistemas de ícones ganharam forma, através da AIGA e a relação entre objetos de um mapa ganhou forma com Jaques Bertin (2011). Avançando posteriormente para a amplificação da disciplina, como consequência do crescimento económico e avanço tecnológico, no