Português GRÁFICO 12
FREqUÊNCIA DE SITUAÇõES VIVIDAS POR CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM DECORRÊNCIA DO USO DA INTERNET (2012) Percentual sobre o total de usuários de Internet de 11 a 16 anos
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12
12
12
12 54
58
63
57
65 17
16
14
19
17 8
9
7
9
4 10
5
4
3
3
MUITO FREQUENTE FREQUENTE POUCO FREQUENTE NUNCA /QUASE NUNCA NÃO RESPONDEU
0% 100%
JÁ TENTOU PASSAR MENOS TEMPO NA INTERNET, MAS NÃO CONSEGUIU PASSOU MENOS TEMPO QUE DEVIA COM A FAMÍLIA, AMIGOS OU FAZENDO LIÇÃO DE CASA POR CAUSA DO TEMPO QUE FICOU NA INTERNET TEM SE SENTIDO MAL
QUANDO NÃO PODE ESTAR NA INTERNET JÁ SE PEGOU NAVEGANDO NA INTERNET SEM ESTAR REALMENTE INTERESSADO NO QUE VIA
JÁ DEIXOU DE COMER OU DORMIR POR CAUSA DA INTERNET
Em suma, ainda que seja grande o desafio metodológico de investigar temas sensíveis, como os tratados pela pesquisa TIC Kids Online, os dados mostram que esses fatores de riscos estão presentes em alguma medida no cotidiano desses jovens. O contato com conteúdos inadequa- dos para a sua idade e as situações reportadas pelos entrevistados são aspectos que merecem atenção, pelos impactos significativos que podem gerar no desenvolvimento desses indivídu- os. Isto reforça a necessidade de promoção de um uso mediado da Internet, que necessita do suporte da escola, das famílias e da sociedade em geral.
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Dentre pais, mães e responsáveis que declararam usar a Internet, a grande maioria o faz em casa (85%), mas também acessam a rede no trabalho ou universidade (20%), em lanhouses (10%) e telecentros (1%). A frequência do uso da Internet está relacionada à situação socioe- conômica da família. No geral, entre pais ou responsáveis que usam a Internet, 44% afirma- ram utilizar todos os dias ou quase todos os dias. Essa proporção de uso frequente é mais alta na classe AB (59%) do que entre os pertencentes às classes C (35%) e DE (8%).
Os pais ou responsáveis dos usuários de 9 a 16 anos reconhecem a importância da escola no provimento de informações sobre uso seguro da Internet. Enquanto 28% declaram obter esse tipo de informação nas escolas, mais da metade dos pais ou responsáveis (55%) elencam esta como a principal fonte onde eles gostariam de obter orientações sobre segurança on-line. Os pais ou responsáveis atualmente contam com o suporte dos familiares e amigos (37%) no pro- vimento de informações sobre o uso seguro e, principalmente, com a televisão, rádio, jornais ou revistas (52%). Tendo em vista a grande demanda por informações, o CERT.br 7 desenvolveu a Cartilha de Segurança para Internet, que contém recomendações e dicas sobre como aumen- tar a segurança na rede. O material pode ser baixado pelo público geral e disseminado entre os interessados, a fim de ampliar os conhecimentos sobre o tema.
A pesquisa TIC Kids Online Brasil também perguntou aos pais ou responsáveis como estes se relacionam com os filhos ou tutelados no que diz respeito ao uso da Internet. Dentre as ativi- dades de mediação, a mais comum segundo a declaração dos pais é a conversa sobre o que os filhos fazem na Internet (Gráfico 13). Apesar de ser a atividade mais mencionada (78%), ainda há 22% de pais que sequer chegam a conversar com seus filhos sobre o uso que fazem.
GRÁFICO 13
TIPO DE ORIENTAÇãO qUE PAIS OU RESPONSÁVEIS COSTUMAM DAR AOS FILhOS PARA O USO DA INTERNET (2012) Percentual sobre o total de pais ou responsáveis
CONVERSA COM OS FILhOS SOBRE O QUE ELES FAZEM NA INTERNET
FICA POR PERTO ENQUANTO ELES USAM A INTERNET SENTA COM OS FILhOS ENQUANTO USAM A INTERNET (APENAS PARA OBSERVAR O QUE ELES FAZEM, SEM PARTICIPAR DO QUE ELES ESTÃO FAZENDO) ESTIMULA OS FILhOS A EXPLORAR E APRENDER COISAS NA INTERNET POR CONTA PRóPRIA REALIZA QUALQUER TIPO DE ATIVIDADE JUNTO COM OS FILhOS NA INTERNET
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 78
57
49
38
37
7 O Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT.br) é um Grupo de Resposta a Incidentes de Segurança para a Internet brasileira, mantido pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). é responsável por tratar incidentes de segurança em com- putadores que envolvam redes conectadas à Internet brasileira. Mais informações em: <http://www.cert.br/sobre/>.
Elaborada pelo CERT.br, a Cartilha de Segurança para Internet está disponível em: <http://cartilha.cert.br/>.
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A segunda forma de mediação mais citada pelos pais ou responsáveis (57%) é ficar por perto enquanto os filhos ou tutelados utilizam a Internet. Em relação às atividades mais interativas de mediação, 37% afirmaram fazer atividades junto com seus filhos na Internet e 38% afirmaram estimular seu filho a explorar e aprender coisas na Internet por conta própria. De maneira com- plementar, os entrevistados também indicaram que tipo específico de orientação já foi dada aos filhos (Gráfico 14). Do total de pais ou responsáveis, 61% afirmaram já ter explicado aos seus filhos porque o conteúdo de alguns sites são bons e outros ruins e 66% já falaram a seus filhos sobre como deveriam utilizar a Internet sem que corram riscos. Por fim, 43% conversaram com seus filhos sobre o que deveriam fazer se algo os aborrecesse na Internet.
GRÁFICO 14
TIPO DE ORIENTAÇãO DADA POR PAIS OU RESPONSÁVEIS PARA O USO DA INTERNET PELOS FILhOS (2012) Percentual sobre o total de pais ou responsáveis
FALOU COMO USAR A INTERNET COM SEGURANÇA, OU SEJA, SEM QUE CORRA ALGUM RISCO OU VEJA ALGO INDEVIDO
FALOU COMO DEVE SE COMPORTAR COM OUTRAS PESSOAS NA INTERNET
EXPLICOU POR QUE O CONTEúDO DE ALGUNS SITES SÃO BONS E OUTROS RUINS
AJUDOU A FAZER OU ENCONTRAR ALGUMA COISA NA INTERNET EM GERAL, JÁ FALOU O QUE DEVE FAZER SE ALGUMA COISA ABORRECER OU ASSUSTAR OS FILhOS NA INTERNET
AJUDOU QUANDO ALGUMA COISA ABORRECEU OU ASSUSTOU OS FILhOS NA INTERNET
0 10 20 30 40 50 60 70 80 66
64
61
45
43
24
Além das estratégias gerais de mediação, os pais ou responsáveis também reportaram sobre o tipo de permissão concedida aos filhos ou tutelados sobre as atividades que realizam na Internet. Para cada atividade, perguntou-se se era permitida sua realização na Internet quan- do o filho quisesse; se era permitida, mas apenas com sua autorização ou supervisão (ou de seu parceiro/outro responsável); ou se era proibida. Os resultados sobre as atividades permi- tidas sem a necessidade de supervisão ou autorização estão elencados a seguir e também no Gráfico 15:
• 54% dos pais afirmaram que os filhos podem ter perfil em redes sociais quando quiserem;
• 52% dos pais afirmaram que seus filhos podem usar mensagens instantâneas (como o MSN) quando quiserem;
• 52% dos pais afirmaram que seus filhos podem baixar músicas ou filmes na Internet quando quiserem;
• 46% dos pais disseram que os filhos podem assistir a vídeos na Internet quando quiserem;
• 33% dos pais afirmaram que seus filhos podem postar fotos, músicas e vídeos na Internet quando quiserem;
• 5% afirmaram que seus filhos podem dar informações pessoais pela Internet.
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GRÁFICO 15
TIPO DE PERMISSãO CONCEDIDA POR PAIS OU RESPONSÁVEIS PARA ATIVIDADES REALIzADAS NA INTERNET PELOS FILhOS (2012) Percentual sobre o total de pais ou responsáveis
4 15 27
54
4 16 27
53
3 19 26
52
4 17 33
46
4 35
28 33
3 77
15 5
PODE FAZER QUANDO QUISER
Só PODE FAZER COM PERMISSÃO OU SUPERVISÃO NUNCA PODE FAZER ISSO
NÃO SABE DIZER
0% 100%
TER SEU PRóPRIO PERFIL EM REDES SOCIAIS, COMO ORKUT E FACEBOOK
USAR MENSAGENS INSTANTÂNEAS, COMO MSN, POR EXEMPLO
BAIXAR MúSICAS OU FILMES DA INTERNET
ASSISTIR VÍDEOS NA INTERNET (NO YOUTUBE, POR EXEMPLO)
COLOCAR OU POSTAR FOTOS, VÍDEOS OU MúSICAS NA INTERNET DAR INFORMAÇÕES PESSOAIS PARA
OUTRAS PESSOAS PELA INTERNET (POR EXEMPLO, NOME COMPLETO, ENDEREÇO OU NúMERO DE TELEFONE)
De forma geral, quando questionados sobre os riscos na Internet, os pais ou responsáveis apre- sentam uma visão distinta daquela declarada por seus filhos em relação ao uso que fazem da Internet. Os dados mostram que apenas 6% dos pais ou responsáveis acreditam que seu filho possa ter passado por alguma situação de incômodo ou constrangimento ao usar a Internet nos 12 meses prévios à pesquisa. Ainda segundo a percepção dos pais, 68% creem ser nada ou pou- co provável que seus filhos passem por alguma situação como essa nos próximos seis meses.
A reduzida percepção dos pais sobre os possíveis riscos na Internet contrasta com a visão dos jovens, que, como vimos, apresentaram um olhar mais crítico sobre a questão: 72% dos usuários de Internet de 9 a 16 anos concordam com a afirmação de que há coisas na Internet que incomodam pessoas de sua idade. Isso aponta para a importância de que o uso seguro da Internet seja colocado em destaque no debate público para que pais e jovens usuários de Internet tenham conhecimento dos possíveis riscos e para que possam utilizá-la melhor, usu- fruindo de seus benefícios e oportunidades.
Os dados também reforçam a necessidade de posicionar esse tema na agenda de prioridade dos decisores públicos, como estímulo à formulação e à implementação de políticas pautadas pela promoção do uso seguro da Internet e pela potencialização das inúmeras oportunidades de desenvolvimento da rede.
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REFERÊNCIAS
COMITÊ GESTOR DA INTERNET NO BRASIL. Pesquisa Sobre o Uso das tecnologias de Informação e comunicação no Brasil: tIc domicílios e empresas 2011. São Paulo: CGI.br, 2012. Coord. Alexandre F. Barbosa.
Trad. Karen Brito. Disponível em: <http://op.ceptro.br/cgi-bin/cetic/tic-domicilios-eempresas-2011.pdf>.
Acesso em: 20 fev. 2013.
. Pesquisa Sobre o Uso das tecnologias de Informação e comunicação no Brasil: tIc educação 2011. São Paulo: CGI.br, 2012. Coord. Alexandre F. Barbosa. Trad. Karen Brito. Disponível em: <http://op.ceptro.br/cgi-bin/cetic/tic-educacao-2011.pdf>.Acesso em: 20 fev. 2013.
LONDON SCHOOL OF ECONOMICS. eU kids online: Enhancing Knowledge Regarding European Children’s Use, Risk and Safety Online. Disponível em: <http://www.eukidsonline.net>. Acesso em: 20 fev. 2013.
ENGLISH
FOREWORD
The rapidity with which children and young people are gaining access to online, convergent, mobile, and networked technologies is unprecedented in the history of technological innovation and diffusion. These changes pose parents, teachers and children the significant task of acquiring, learning how to use, and finding a purpose for the internet within their daily lives.
The benefits are to be found in relation to learning, participation, creativity, and communication.
Such online opportunities are also the focus of considerable public and private sector activity, with diverse and ambitious efforts underway in many countries to promote digital learning technologies in schools, e-governance initiatives, digital participation, and digital literacy.
Along with the benefits, this access has brought exposure to a wide array of online risks, some of which are familiar in the offline world (e.g. bullying, pornography, and sexual exploitation) and some of which are new, or at least substantially reconfigured in the lives of ordinary children (e.g. grooming, abuse of personal data and privacy, geo-location tracking, unwelcome forms of sexual messaging and harassment, and facilitation of self-harm).
The rapid adoption of the Internet and other online technologies presents policy makers, governments, and industry the significant task of identifying the risks associated with Internet use. They must also develop strategies and tools to ensure that any harm associated with such risks is appropriately minimized. In recent years, children have gained access first to dial-up, then broadband and mobile Internet access at home, school, and elsewhere, acquiring new skills and expertise as a result.
The EU Kids Online network now includes 150 researchers in 33 countries in Europe. It produces and publicizes the evidence base that can underpin policy, education, and awareness-raising initiatives nationally, regionally, and internationally. It has been a pleasure to collaborate with the Center of Studies on Information and Communication Technologies (Cetic.br) to enable the conduction of a parallel study in Brazil. The findings are fascinating and important, and we hope they are widely used to help improve children’s use of the Internet in Brazil.
Sonia Livingstone
Director of the EU Kids Online network and professor in the Department of Media and Communications
London School of Economics and Political Science
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