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Políticas Públicas no Brasil e a Pandemia

No documento DIREITOS HUMANOS E DEMOCRACIA (páginas 196-200)

PARA EFETIVIDADE DA AGENDA 2030 E SEUS DESAFIOS EM TEMPOS DE PANDEMIA NO BRASIL

3.1 Políticas Públicas no Brasil e a Pandemia

No Brasil, as de obras de infraestrutura em áreas como saneamento e habitação estão sendo muito discutidas no governo, pois, a necessidade de um aporte para as populações carentes é imprescindível. No atual momento, várias são as cidades que encontram-se em lockdown e, todas em quarentena com distanciamento social.

Com efeito, quanto mais diminuta a disponibilidade de recursos, mais se impõe uma deliberação responsável a respeito de sua destinação, o que nos remete diretamente à necessidade de buscarmos o aprimoramento dos mecanismos de gestão democrática do orçamento público, assim como do próprio processo de administração das políticas públicas em geral, seja no plano da atuação do legislador, seja na esfera administrativa, como bem destaca Rogério Gesta Leal, o que também diz respeito à ampliação do acesso à justiça como direito a ter direitos capazes de serem efetivados e, além disso, envolve a discussão em torno da necessidade de evitar interpretações excessivamente restritivas no que diz com a legitimação do Ministério Público para atuar na esfera da efetivação também dos direitos sociais. (SARLET; FIGUEIREDO, 2007, p. 190)

Objetiva-se unir investimentos com políticas públicas contribuindo também com ações de manutenção de emprego e apoio ao trabalhador, que é a classe mais atingida economicamente. A efetivação dos direitos sociais depende muito da disponibilidade de recursos e orçamento público, portanto, importante a ação estatal.

Nesse ponto, cabe lembrar que como está expresso no Art. 196 da Constituição Federal, o direito à saúde será garantido mediante políticas sociais e econômicas. Ou seja, a própria Constituição reconhece que para garantir a saúde é preciso muito mais que acesso a serviços. Faz-se necessário dispor de políticas

que possibilitem aos indivíduos a moradia adequada, saneamento básico, emprego, renda, lazer e educação. Considerando que a escassez de recursos é fato, verifica-se que não é possível prescindir das políticas quando o objetivo é garantir a observância aos princípios de universalidade, integralidade, igualdade e equidade no acesso aos serviços de saúde. (VIEIRA, 2008, p. 367)

Tal como aduz o autor supracitado, para efetivar o Art. 196 da Constituição Federal são necessários os serviços como saneamento básico, acesso a renda, moradia adequada, lazer e educação. As políticas públicas devem abarcar as necessidades básicas.

A saúde deve ser entendida como um direito social. As políticas públicas de saúde, portanto, não devem estar restritas a um conceito limitado de saúde ou à forma organizacional dos serviços, dicotomizada entre as ações de cunho coletivo e individual, e entre a prevenção e a cura. Partindo-se de uma definição mais abrangente de saúde, não reduzida à esfera biológica do indivíduo, se fazem indispensáveis medidas integrais, que compreendam aspectos sociais e políticos. (BADZIAK; MOURA, 2010, p. 76)

O Brasil e a América Latina em geral são uma região vulnerável devido aos altos níveis de informalidade do trabalho, urbanização, pobreza e desigualdade. No atual momento ainda, se tornou o maior epicentro da pandemia viral Covid – 19.

Assim, é necessário para avaliar em que limites está ocorrendo o provimento judicial a respeito das políticas públicas, em um país como o Brasil, com especificidades próprias, principalmente no que diz respeito às grandes desigualdades econômicas e culturais. É perigoso importar diretamente conceitos cunhados em outros países com contexto cultural e socioeconômico diferentes. O Brasil, que é um país em desenvolvimento não pode transportar diretamente teorias de países ricos. O debate europeu sobre a redução dos direitos conquistados durante o Estado Social não pode ser transferido, porque o Estado Providência nunca foi efetivado plenamente. (LIMBERGER, 157)

As principais medidas aplicadas no Brasil em relação a saúde, foram a detecção de casos que apresentaram os sintomas virais, a criação de hospitais e ambulatórios específicos que isolem os casos detectados. Bem como a promoção inicial da quarentena, tal como alega o relatório da CEPAL E OPAS sobre os impactos da saúde e o Covid-19 na América Latina:

Recomendações medidas específicas de controle de saúde pública, como detecção, isolamento e tratamento rápido de casos, para suprimir a transmissão da comunidade e reduzir a mortalidade, garantindo a continuidade dos serviços sociais e de saúde essenciais e protegendo trabalhadores da linha de frente e populações vulneráveis. (CEPAL; OPS, 2020, p. 10)

A suspensão de atividades não essenciais fora largamente contestada no Brasil, devido ao colapso da economia que fora suscitado pela crise da saúde, com a pandemia. Portanto, as políticas públicas de prevenção restaram um pouco falhas, chegando ao número de quase cem mil mortos já no país devido ao contágio em larga escala, e, pouca capacidade do sistema público de saúde.

Figura 1: Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), com base nos dados diários sobre a doença por coronavírus (COVID-19) fornecidos. (CEPAL; OPAS, 2020, p. 11)

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Nota-se no gráfico acima a curva de contágio nos países da América Latina demonstra que o Brasil fora o segundo país com a curva mais alta ficando atrás apenas dos Estados Unidos. O que é extremamente preocupante para os cidadãos brasileiros e o governo, que deve agir com a máxima urgência para tentar achatar a curva, antes que colapse o sistema de saúde.

200 anos de histórica política brasileira e mais de 25 anos da CF/88, a luta não é mais pela codificação de direitos, mas sim pela sua efetividade, por uma leitura madura que otimize os recursos orçamentários existentes, dos direitos sociais, em geral e do direito à saúde, em particular.

O que torna o direito à saúde de maior complexidade para sua efetividade é a sua dependência com outras políticas públicas. (LIMBERGER, p. 185)

Historicamente o país é marcado pela falta de efetividade das leis positivadas, um exemplo é a Constituição em vigor, que assegura uma imensa gama de direitos fundamentais, que ainda é falha no plano fático. Um exemplo é o gráfico abaixo, que demonstra o pouco valor investido em saúde no ano na pandemia:

Figura 2: Região das Américas (13 países): gastos públicos no primeiro nível de assistência como porcentagem do gasto público total em saúde. (CEPAL; OPAS, 2020, p. 15)

Já, no segundo gráfico há um comparativo dos gastos públicos em saúde na América Latina, El Salvador é o país que mais investiu em infraestrutura e suporte à saúde na pandemia, o Brasil está no ranking do 4º país que menos gastou com a saúde populacional na pandemia.

Figura 3: Região das Américas (13 países): gastos públicos no primeiro nível de assistência como porcentagem do gasto público total em saúde. (CEPAL; OPAS, 2020, p. 11)

O tempo de duplicação e contágio do vírus é extremamente rápido, o Brasil foi destaque, ficando atrás apenas dos Estados Unidos em relação a celeridade. Percebe-se no gráfico acima colacionado, da pesquisa realizada em um conjunto de esforços entre a OPAS e a CEPAL.

Conforme a rapidez do contágio, necessária uma resposta rápida, já que o país demonstrou que não gastou o orçamento em saúde como seria importante, comparado aos outros países da América Latina, também nem importou os produtos necessários para proteger a população contra a epidemia.

Conforma nota-se no gráfico abaixo, o Brasil nem aparece, de tão irrisório o gasto com as importações:

Figura 4: CEPAL; OPAS, 2020, p. 18

Tais dados são alarmantes, carecem de atenção pelas repartições públicas estatais e, população em geral, para que o direito à saúde tão bem positivado na magna carta brasileira aconteça também na prática.

Os países da região compartilham desafios estruturais preexistentes que agravam o impacto COVID-19 e dificultam o enfrentamento desta crise no curto, médio e longo prazo, uma vez que os altos níveis de pobreza e desigualdade, informalidade do trabalho, deficiências institucionais e baixos níveis de coesão social. Essas características, por sua vez, as diferenciam dos países desenvolvidos e devem ser levados em consideração ao avaliar as estratégias implementadas países no contexto da pandemia.

A resposta à pandemia deve ser interpretada como processo dinâmico e os parâmetros para decidir se deve ou não avançar para a próxima fase – ou remonta ao anterior - eles devem ser estabelecidos

No documento DIREITOS HUMANOS E DEMOCRACIA (páginas 196-200)