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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Este trabalho procura analisar a montagem como etapa fundamental do processo de produção de um filme em particular do documentário. Pretendo demonstrar que a edição não é (e nunca foi) um trabalho puramente técnico e depende muito da sensibilidade e principalmente da curiosidade do editor em lidar com a matéria-prima.

Figura 1 - Frames dos créditos iniciais de “Le Joli Mai” (1963)
Figura 1 - Frames dos créditos iniciais de “Le Joli Mai” (1963)

PELÍCULA

O design original foi um fracasso de vendas, mas Serrurier encontrou um editor no Douglas Fairbanks Studios que sugeriu mudanças para transformar o Moviola em uma máquina de edição. A moviola funcionava como uma pequena máquina de projeção individual, na qual a porção do filme passava de um rolo para outro, que era iluminado por uma lâmpada atrás de um visor.

Figura 2 - Fonte: (SERRURIER, 1966, p. 701)
Figura 2 - Fonte: (SERRURIER, 1966, p. 701)

VÍDEO

Em 1970, foi lançado o sistema de edição CMX-600, estabelecendo algumas técnicas de edição de vídeo utilizadas até hoje. Logo a produção de um sistema de edição não linear foi abandonada e só seria retomada anos depois.

Figura 5 - Ampex VRX-1000
Figura 5 - Ampex VRX-1000

DIGITAL

Os primeiros softwares de edição não linear preservaram a lógica do vídeo na medida em que continuaram a respeitar a lógica dos frames por segundo ou mesmo o formato da janela do cinema e dos vídeos. Em 1984, na conferência anual da NAB (National Association of Broadcasters), foram mostrados pela primeira vez dois sistemas de edição não linear que se tornariam a base para o que hoje conhecemos como edição digital: Montage e EditDroid. A linha do tempo presente nos equipamentos de edição digital é uma interface gráfica de tempo que pode ser preenchida com imagens e sons.

A partir daí, os softwares de edição audiovisual não seriam mais vistos como sistemas fechados que hoje são adquiridos para uma única função. Por exemplo, a linha do tempo em um software de edição digital é a representação gráfica de uma cópia de filme que permite o empilhamento de inúmeras trilhas, fato impossível na edição em filme. Em 1989, foram lançadas duas novas máquinas de edição que visavam restaurar a edição não linear e aleatória: Lightworks e Avid.

Como a edição seria totalmente digital, foi necessário digitalizar uma quantidade razoável de horas de matéria-prima para que o profissional de edição pudesse trabalhar de forma não linear e cinematográfica.

Figura 7 - EditDroid - Fonte: EditDroid  Brochure
Figura 7 - EditDroid - Fonte: EditDroid Brochure

VOZ

Esta voz, geralmente masculina, tornou-se uma das características mais marcantes do documentário. Muito além da voz síncrona e da transcrição das cartas, a chegada do som gerou a possibilidade de uma nova camada narrativa: a narração em off. Apesar de sofrer alterações significativas, a narração documental continuou a ser uma das características definidoras do documentário e uma das intervenções de edição mais radicais, pois o texto a ser contado era geralmente construído no.

No início da década de 1960, o gravador NAGRA III passou a ser comercializado com o sistema "Neopiloton", que revolucionaria a produção do cinema mundial, principalmente do documentário, pela portabilidade e sincronização de som e imagem. O atraso de uma década na assimilação dos gravadores portáteis ocorreu pela mesma razão que a transição do silencioso para o sonoro: a diferença entre a velocidade da imagem e do som. Vale lembrar que o realismo não direcionado foi um dos maiores atrativos do cinema ao longo de sua história.

Maioria Absoluta (1963) inaugurou um ramo do cinema documental brasileiro baseado em entrevistas e em vozes, sotaques e histórias pouco ouvidas em outras mídias brasileiras, levando ao cinema de Eduardo Coutinho e construindo o que chamamos de tradição documental brasileira.

Figura 18 - NAGRA III
Figura 18 - NAGRA III

RUÍDOS

Consolidou-se então a preferência por filmes de entrevistas, nos quais o sujeito retratado geralmente se encontrava em ambientes controlados, como um estúdio de TV ou a casa dos entrevistados, fazendo das palavras da entrevista a principal fonte de atenção dos videooperadores. Para isso, tanto os laboratórios de mixagem quanto os cinemas devem ser certificados pela empresa (FLORES, 2013, p. 24). Nessa perspectiva, é necessário que o técnico de som registre alguns segundos de silêncio no início e no final de cada gravação para garantir que a edição tenha silêncio suficiente para ocultar os cortes no áudio, seja durante uma entrevista, seja durante uma entrevista direta. cena do cinema, ou mesmo da ficção (CHION, 2011, 50).

Neste filme, a editora de som Miriam Biderman adicionou som em quase todas as etapas do filme, pois os dois diretores só puderam entrar no palácio com câmera com microfone, sem engenheiro de som ou iluminação, devido a um momento histórico sensível52. o que permitiu apenas a gravação incerta das vozes dos personagens. Para proporcionar uma sensação de cinema direto mais autêntica do que estamos acostumados hoje, foi necessária uma edição de som cuidadosa, focando principalmente na adição de ruído. Aliada à facilidade de criação e manipulação de gravações de áudio em softwares de edição não linear, surgiu um novo recurso: o editor de áudio ou designer de som.

O editor de som é atualmente o responsável por “vestir” a cena, ou seja, a partir dos sons captados no local e/ou obtidos em bancos de som, ele cria uma paisagem sonora que, além de indicar as características sonoras do local, imprime sentimentos nos o espectador.

MÚSICA OU SUA AUSÊNCIA

A versão atualmente mais famosa de "Life of an American fireman" é de uma edição pós-lançamento, quando Porter incorporou essa técnica ao filme. Porter, portanto, não utiliza montagens em que haja alternância entre partes do nível interno e externo para garantir a impressão de simultaneidade. O diretor explora primeiro o uso da montagem paralela em diferentes ambientes, acompanhando ações simultâneas que acontecem à distância e à distância.

É a consolidação de princípios de representação que inscreve o cinema na tradição da literatura e do teatro preocupado com o coeficiente de realidade na composição do imaginário. Na década seguinte, portanto, foram necessárias mais de cem tomadas para produzir um curta-metragem. Neste trecho é possível compreender o processo de trabalho e a importância da edição para obras de não-ficção.

Tecnologicamente, isso se devia à pequena quantidade de matéria-prima que chegava à sala de montagem, o que limitava a interferência da montagem nos resultados dos filmes.

VER E OUVIR O MATERIAL

Uma história comum entre os editores é que a cada lançamento de um novo filme, há uma sensação de incerteza ao se depararem com o desafio de dominar um corpo de matéria-prima que inicialmente parece impossível de conquistar. O madeireiro passou a ser responsável pelo descarregamento dos cartões de memória, backup e organização inicial da matéria-prima ainda no set de filmagem. Porém, por uma série de razões, essas mudanças de atitude não foram suficientes para reduzir o número de horas de matéria-prima que acabava na mesa de edição.

Há também um novo agravante para o aumento de matéria-prima na mesa de edição: a internet. Nessa perspectiva, os especialistas em edição tentam acomodar a enxurrada de matéria-prima que chega à ilha de edição, que não é uma questão apenas brasileira. Segundo a reportagem, os editores são contratados para montar um longa-metragem com mais de 200 horas de matéria-prima em 12 a 15 semanas.

Portanto, quando se trata de documentários, o tempo gasto assistindo e decantando a matéria-prima é diretamente proporcional à qualidade desse filme.

ESCOLHER

Antes do advento do videoteipe e principalmente do digital, a etapa de visualização e seleção da matéria-prima era clara. Antigamente, quando o material era mais curto, às vezes eu pegava um filme de 20 horas, podia assistir o filme duas vezes, a matéria-prima. A princípio, esse excesso de matéria-prima somado às possibilidades de intervenção na imagem proporcionadas pelos sistemas de edição digital pode aparecer como um obstáculo à produção documental ou uma prática que precisa ser corrigida, pelo menos inibida.

Então você tem que esperar acontecer, e às vezes demora, são mil fatores para aquela cena acontecer (..) não tem como tentar controlar ou enquadrar a realidade na sua necessidade de matéria prima. A grande quantidade de matéria-prima que vai parar na sala de edição realça o caráter artesanal da montagem e coloca o editor como protagonista na criação de sentido no documentário. O atual Final Cut, por exemplo, conta com uma biblioteca de imagens baseadas em palavras ou hashtags, que permite nomear um trecho ou mesmo um quadro de matéria-prima com um conjunto de palavras ou frases, tornando-o “pesquisável”, ou seja. A partir dessa classificação por palavras é possível buscar um trecho de um arquivo audiovisual por palavras.

Essa forma de organização e seleção torna a matéria-prima muito mais acessível ao editor, agilizando consideravelmente o processo de trabalho.

A COSTURA OU A MONTAGEM PROPRIAMENTE DITA

Neste contexto, após esta primeira fase de seleção e organização das matérias-primas, seja cronologicamente e/ou por assunto, vem a montagem ou costura da peça propriamente dita. Booth e Murch trabalham em décadas completamente diferentes de cinema americano e em sistemas de edição completamente diferentes, mas ambos descrevem a edição como um ofício, um exercício de encontrar ritmo e significado entre quadros, e comparam repetidamente o processo de edição à costura. O predomínio da edição não linear e não destrutiva e da captação digital de imagem e som tornou a produção audiovisual muito mais acessível, especialmente os documentários brasileiros, que criaram uma série de documentários que sugeriam pensar o cinema como um processo que demonstrava claramente a arte da montagem como bem como a utilização de arquivo pessoal, narração em off e roteiro produzido na sala de edição.

Em 2011, quando a grande maioria do mercado audiovisual já utilizava gravação e edição digital, uma nova mudança chegou na sala de edição: o Final Cut X. Semelhante à tecnologia Betamax, a Apple, visando o mercado consumidor final, abandonou o Final Cut 7 , até então líder de mercado profissional, para lançar uma versão aprimorada do iMovie, seu software de edição essencial. Este trecho ilustra claramente um dos riscos da virtualização do processo de montagem e principalmente da entrada das empresas de informática no mercado audiovisual: a rápida obsolescência dos equipamentos de edição audiovisual.

Em breve será possível ver como as novas alterações no local de corte ficarão visíveis nos filmes.

Figura  20  -  Foto  divulgação  “Estou  me  guardando  para  quando  o  carnaval  chegar”
Figura 20 - Foto divulgação “Estou me guardando para quando o carnaval chegar”

MÁQUINA DO DESEJO

Se, no início, o cinema documentário era “ficcionalizado” através da montagem com o objectivo de criar alguma “autenticidade”, com os cinemas directos, a. Mais do que representar a possibilidade de substituir o editor, os algoritmos e orientar as decisões da inteligência artificial, pois somente com a mediação da inteligência artificial se tornou possível organizar, catalogar e gerenciar uma quantidade tão grande de dados que chega à ilha editorial. Disponível em: https://www.hollywoodreporter.com/business/business-news/documentary-edit-schedules-guidelines-released fbclid=IwAR1A-.

Fernando Meirelles lança manifesto contra a farra digital. https://acervo.oglobo.globo.com/consulta-ao-acervo/?navegacaoPorData. 1 — A O2 completou neste mês um petabyte de capacidade de memória, o que é 4 vezes mais que a memória do UOL ou 1/4 do que o Google tem no mundo. Segunda decisão: Ao final de cada take, o GERENTE deverá informar ao ASSISTENTE GERENTE se o arremesso deve ser registrado ou não.

Como você verá, esse método coloca sobre seus ombros outra responsabilidade que é garantir um relatório da câmera com uma nota sobre o que é útil e o que não é útil nas gravações. Seu tipo de iniciativa e orientação é mais que importante para nós e para nosso novo mercado. A ideia do assistente de direção estar no comando é apenas que você seja a voz de comando no set.

Imagem

Figura 1 - Frames dos créditos iniciais de “Le Joli Mai” (1963)
Figura 2 - Fonte: (SERRURIER, 1966, p. 701)
Figura 3 - "Um Homem com uma Câmera" de Dziga Viértov (1929)
Figura 4 - KEM e Steenbeck ST200
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Referências

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