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Lei de responsabilidade fiscal: históricos e desafios

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Academic year: 2017

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Conferências

A Lei de Responsabilidade Fiscal

do Brasil sob uma

perspectiva internacional

Teresa Ter-Minassian, Joaquim Levy,

Yoshiaki Nakano e Antonio Palocci

Política econômica responsável e

redução do prêmio de risco

Desafios da Lei de

Responsabilidade Fiscal

Paulo Hartung, Tasso Jereissati e

Gilberto Kassab

A Lei de Responsabilidade Fiscal e

a economia brasileira

Guido Mantega

Carlos Ivan Simonsen Leal

José Roberto Afonso

Entrevistas

Gilmar Mendes

Francisco Dornelles

Sergio Quintella

Depoimentos

Lei de

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(4)

Diretor Diretor Técnico Diretor de Controle Vice-Diretor de Projetos Vice-Diretor de Estratégia e Mercado Editor-Chefe Orientação Editorial Coordenadora Editorial Assessoria de produção Revisão e copidesque Tradução Projeto Gráfi co

Impressão Tiragem Fotos

Sede

Primeiro Presidente Fundador Presidente Vice-Presidentes

Carlos Ivan Simonsen Leal

Sergio Quint ella, Francisco Oswaldo Neves Dornelles e Marcos Cint ra Cavalcant e de Albuquerque

Armando Klabin, Carlos Albert o Pires de Carvalho e Albuquerque, Ernane Galvêas, José Luiz Miranda, Lindolpho de Carvalho Dias, Manoel Pio Correa Júnior, Marcílio Marques Moreira e Robert o Paulo Cezar de Andrade

Ant onio Mont eiro de Cast ro Filho, Crist iano Buarque Franco Net o, Eduardo Bapt ist a Vianna, Gilbert o Duart e Prado, Jacob Palis Júnior, José Ermírio de Moraes Net o, José Julio de Almeida Senna e Marcelo José Basílio de Souza Marinho

Presidente Vice-Presidentes

Vogais

Suplentes

Carlos Albert o Lenz César Prot ásio

João Alf redo Dias Lins (Klabin Irmãos e Cia)

Alexandre Koch Torres de Assis, Angélica Moreira da Silva (Federação Brasileira de Bancos), Carlos Moacyr Gomes de Almeida, Edmundo Penna Barbosa da Silva, Eduardo Hit iro Nakao (IRB-Brasil Resseguros S. A), Fernando Pinheiro (Souza Cruz S. A), Heit or Chagas de Oliveira, Jacques Wagner (Est ado da Bahia), Jorge Gerdau Johannpet er (Gerdau S. A), Lázaro de Mello Brandão (Banco Bradesco S. A), Luiz Chor (Chozil Engenharia Lt da), Marcelo Serf at y, Marcio João de Andrade Fort es, Maurício Mat os Peixot o, Raquel Ferreira (Publicis Brasil Comunicação Lt da), Raul Calf at (Vot orant im Part icipações S. A), Ronaldo Mendonça Vilela (Sindicat o das Empresas de Seguros Privados, de Capit alização e de Resseguros no Est ado do Rio de Janeiro e do Espírit o Sant o) , Sandoval Carneiro Junior (CAPES – Coordenação de Aperf eiçoament o de Pessoal de Nível Superior) e Sérgio Ribeiro da Cost a Werlang

Aldo Floris, José Luiz Marques Lino (Cia. Vale do Rio Doce), Luiz Robert o Nasciment o Silva, Ney Coe de Oliveira, Nilson Teixeira (Banco de Invest iment os Crédit Suisse S. A), Olavo Mont eiro de Carvalho (Mont eiro Aranha Part icipações S. A), Pat rick de Larragoit i Lucas (Sul América Companhia Nacional de Seguros), Pedro Henrique Mariani Bit t encourt (Banco BBM S. A), Rui Barret o (Caf é Solúvel Brasília S. A) e Sérgio Lins Andrade (Andrade Gut ierrez S. A)

Presidente Vice-Presidente Vogais

Suplentes

Publ icação periódica da FGV Proj et os.

Os depoiment os e as conf erências são de responsabil idade dos aut ores e não refl et em, necessariament e, a opinião da FGV.

Cesar Cunha Campos Ricardo Simonsen Ant ônio Carlos Kf ouri Aidar Francisco Eduardo Torres de Sá Sidnei Gonzalez

Sidnei Gonzalez Carlos August o Cost a Melina Bandeira

Teresa Borges | Eduarda Moura | Maria João Pessoa Macedo Formas Consult oria | Gabriela Cost a

Elit za Bachvarova | Elvyn Marshall

Dulado Design | www. dulado. com. br Gráfi ca Nova Brasileira

2. 000 exemplares

Banco de Imagem FGV Proj et os | www. shut t erst ock. com | Rogério von Krüger

Praia de Bot af ogo, 190, Rio de Janeiro – RJ, CEP 22250-900 ou Caixa Post al 62. 591 CEP 22257-970, Tel (21) 3799-5498, www. f gv. br

Luiz Simões Lopes

Carlos Ivan Simonsen Leal

Sergio Quint ella, Francisco Oswaldo Neves Dornelles e Marcos Cint ra Cavalcant e de Albuquerque

CONSELHO CURADOR

CONSELHO DIRETOR

FGV PROJETOS

Est a edição est á disponível para downl oad no sit e da FGV Proj et os: www. f gv. br/ f gvproj et os

Inst it uição de carát er t écnico-cient ífi co, educat ivo e fi lant rópico, criada em 20 de dezembro de 1944 como pessoa j urídica de direit o privado, t em por fi nalidade at uar, de f orma ampla, em t odas as mat érias de carát er cient ífi co, com ênf ase no campo das ciências sociais: administ ração, direit o e economia, cont ribuindo para o desenvolviment o econômico-social do país.

(5)

SUMARIO

Editorial

Entrevistas

Cesar Cunha Campos

0 6

José Roberto Afonso

16

Carlos Ivan Simonsen Leal

0 8

A Lei de Responsabilidade Fiscal e a economia brasileira

Ministro Guido Mantega

30

A relevância da Lei de Responsabilidade Fiscal

Sergio Quintella

27

Transparência na administ ração pública

Senador Francisco Dornelles

24

A Lei de Responsabilidade Fiscal: uma escolha acert ada

Ministro Gilmar Mendes

21

Hist órico e perspect ivas sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal

Ministro Nelson Jobim, Ministro Martus Tavares,

Deputado Pedro Novais, Ministro José Jorge e

Senador Alvaro Dias

38

A Lei de Responsabilidade Fiscal do Brasil sob uma

perspect iva int ernacional

Teresa Ter-Minassian, Joaquim Levy,

Yoshiaki Nakano e Deputado Antonio Palocci

61

Polít ica econômica responsável e redução do prêmio de risco

Ministro Henrique Meirelles

8 0

Desa

fi

os da Lei de Responsabilidade Fiscal

Governador Paulo Hartung, Senador Tasso Jereissati e

Prefeito Gilberto Kassab

8 5

Pesquisa de percepção sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal

Carlos Augusto Costa

94

Depoimentos

Conferencias

Reproduzimos a seguir os depoimentos as conferências com

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EDITORIAL

Cesar Cunha Campos

Editorial

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Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que complet ou dez anos no ano de 2010, t em se

revelado uma import ant e f errament a j urídica

para mant er as fi nanças públicas brasileiras

em ordem. Não há dúvidas de que est amos no rumo

cer-t o. Tancer-t o a sociedade civil quancer-t o os governancer-t es escer-t ão cient es das conquist as alcançadas pela adoção dessa Lei.

O consenso criado em t orno dela mudou a cult ura do

país, que hoj e exige explicações, cont as abert as e t

rans-parência. Ent ret ant o, sozinha, a LRF não pode garant ir

o equilíbrio fi scal no longo prazo. Há a necessidade de

que sej am post as em prát ica polít icas fi scais, cambiais e

monet árias que f avoreçam o desenvolviment o do país e

assegurem sua sust ent abilidade.

A LRF abriu caminho em meio ao caos fi scal

vi-gent e at é as décadas de 80 e 90, mas ainda há uma longa

j ornada pela f rent e. A criação do Conselho de Gest ão Fiscal ainda não saiu do papel e sua implant ação pode

represent ar um avanço inst it ucional signifi cat ivo para

o Brasil, a part ir do moment o em que regularia e

har-monizaria os t ermos da LRF em t odas as regiões e

au-t arquias. As emendas, ainda em discussão no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal, t ambém são de

ext rema import ância e urgência. Just ament e por isso, a

Fundação Get ulio Vargas (FGV) organizou o seminário

“ 10 anos de Lei de Responsabilidade Fiscal – Hist órico

e Desafi os” , com a part icipação do Inst it ut o Brasiliense

de Direit o Público (IDP), para cont ribuir com o debat e e discut ir o f ut uro da Lei.

A

Ent re as aut oridades polít icas e especialist as em econo-mia e direit o que debat eram o passado e o f ut uro da LRF,

o Minist ro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes,

ressalt ou a evolução inst it ucional que o Brasil viveu nas

últ imas duas décadas e que possibilit ou um grande

avan-ço econômico. Segundo ele, a LRF mudou a ment alidade

da sociedade e dos gest ores públicos.

Teresa Ter-Minassian, ex-diret ora do Fundo

Mo-net ário Int ernacional (FMI), provou, ao comparar leis de

responsabilidade fi scal em t odo o mundo, que nós,

brasi-leiros, est amos um passo à f rent e de out ros países.

Mas ainda exist em problemas, e a LRF, dinâmi-ca, exige at enção f requent e e adapt ação aos novos – e

ant igos – desafi os. Por sua vez, o pref eit o de São Paulo,

Gilbert o Kassab, dest acou os encargos desproporcionais

cobrados pela União no parcelament o das dívidas

muncipais e est aduais e que podem compromet er os invest i-ment os públicos. Já o Minist ro da Def esa, Nelson Jobim,

levant ou a quest ão da def asagem da f ormação j

urídi-ca em relação às quest ões econômiurídi-cas, e o prof essor

Yoshiaki Nakano, diret or da Escola de Economia de São

Paulo da Fundação Get ulio Vargas (EESP/ FGV), enf at izou a necessidade da criação de um sist ema de gest ão por

re-sult ados e não apenas de cumpriment o legal. O rere-sult ado

dest e event o f oram as valiosas e coerent es cont ribuições

que, com cert eza, nos orient arão para o aperf

eiçoamen-t o da LRF em nosso país.

Boa leit ura!

(8)

ENTREVISTAS

FGV Projetos entrevista

President of FGV Foundat ion (FGV), he was Prof essor at

t he School of Economics of FGV Foundat ion (EPGE/ FGV) f rom 1986 t o 1997, Direct or of FGV-Business f rom 1992 t o

1997, General -Direct or of EPGE/ FGV f rom 1994 t o 1997,

and Vice-President of FGV Foundat ion f rom Sept ember

1997 t o August 2000. Graduat ed in Civil Engineering f rom

t he Engineering School of t he Federal Universit y of Rio de Janeiro (UFRJ), has a mast er’s degree in Mat hemat ical

Economics f rom t he Nat ional Inst it ut e f or Pure and Appl ied

Mat hemat ics (IMPA) of t he Nat ional Council f or Scient ifi c

and Technol ogical Devel opment (CNPq). PhD in Economics

f rom Princet on Universit y, USA. He is al so member of

several execut ive boards of direct ors.

Carlos Ivan Simonsen Leal

President e da Fundação Get ulio Vargas, f oi prof essor da Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE/ FGV) de 1986 a 1997, diret or do FGV-Business de 1992 a 1997, diret or-geral da EPGE de 1994 a 1997, e vice-president e da FGV de set embro de 1997 a agost o de 2000. Graduado em engenharia civil pela Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é mest re em economia mat emát ica pelo Inst it ut o Nacional de Mat emát ica Pura e Aplicada (IMPA) do Conselho Nacional de Desenvolviment o Cient ífi co e Tecnológico (CNPq). PhD em economia pela Princet on Universit y, EUA. É t ambém membro de diversos conselhos empresariais.

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RESUMO

O president e da Fundação Get ulio Vargas, Carlos Ivan Simonsen Leal, f az um levan-t amenlevan-t o do hislevan-t órico de polílevan-t icas mone-t árias e afi rma que a Lei de Responsabi-lidade Fiscal (LRF) é apenas um primeiro passo para o equilíbrio macroeconômico. A lei depende de invest iment os para que possa ser considerada uma solução a lon-go prazo aos desafi os fi scais.

ABSTRACT

The president of FGV Foundat ion, Carl os Ivan Simonsen Leal , surveys t he hist ory of monet ary pol icy and argues t hat t he Fiscal Responsibil it y Law (LRF) is onl y a

fi rst st ep t owards macroeconomic bal -ance. According t he Dr. Carl os Ivan, t he l aw depends on invest ment s so t hat it can be considered a l ong t erm sol ut ion t o

(10)

FGV PROJETOS - A sociedade e a administração públi-ca em geral foram positivamente impactadas com a Lei de Responsabilidade Fiscal. Qual sua opinião sobre a LRF e o que se pode esperar em termos de inovações quanto a fi nanças públicas, tributação e orçamento para o futuro?

Carlos Ivan Simonsen Leal - No fi nal do século XX,

aprendemos que polít icas monet árias independent es

não eram mais possíveis. No século XXI, provavelmen-t e vai-se descobrir que a compeprovavelmen-t ição enprovavelmen-t re as grandes

regiões do mundo vai envolver um aspect o de como é a

sua gest ão fi scal, ou sej a, em que o Est ado est á

inves-t indo, que inves-t ipo de serviço o Esinves-t ado esinves-t á presinves-t ando. Se

isso f or verdade, o equilíbrio macroeconômico que a Lei

de Responsabilidade Fiscal proporciona, às vezes, t em o limit e do t empo, e é necessário t rat ar da component e do

invest iment o. Se a inf raest rut ura nacional não t iver

in-vest iment o e não se aperf eiçoar, a Lei se det eriora, fi ca

menos compet it iva. Com isso as export ações sof rem uma

queda, e, consequent ement e, não se prest a serviços de qualidade, t em-se um PIB menor, port ant o as receit as

do governo vão ser menores e haverá sust ent abilidade.

Ou sej a, a Lei de Responsabilidade Fiscal não

necessa-riament e garant e sust ent abilidade a longo prazo. Ela

garant e sust ent abilidade no curt o, algo em t orno de 5 a 7 anos. Para realment e crescer, é preciso dar um passo,

mais sofi st icado.

FGV PROJETOS - Considerando especialmente as últi-mas décadas, qual a importância da Lei de Responsabi-lidade Fiscal para o Brasil e os fatores mais relevantes sobre o avanço do controle público do país?

Carlos Ivan Simonsen Leal - A Lei de Responsabilidade

Fiscal (LRF) chegou em um moment o que era necessário

t omar alguma medida para que uma cúpula fi scal

pudes-sem cont rolar o processo infl acionário.

Em 1994, quando f oi lançado o plano Real, a

par-t ir da criação de uma moeda espar-t rupar-t ural chamada

Unida-de Real Unida-de Valor (URV), que variava a sua cot ação dia a

dia em relação a moeda da época, o Cruzeiro. Havia uma

regra que est abeleceu que 2. 750 Cruzeiros, equivalia a 1

URV, ref erent e à cot ação do Dólar. Assim f oi sendo criada

essa moeda e f oi se est imulando a convergência de t odas

as indexações. Passados alguns meses, a moeda Cruzeiro

deixou de exist ir, passou por um curso legal, e recebeu o nome de Real. Nest e moment o, se adot ou uma polít ica

agressiva de abert ura das import ações.

De f at o a est abilização inicial de preços obt ida

em 1994 f oi result ado de uma moeda indexada que t irava

o component e indexado da infl ação, devido a uma

polí-t ica de aberpolí-t ura comercial precedida de uma aberpolí-t ura de capit ais, e t ambém de uma polít ica de abert ura de

invest iment o est rangeiro acompanhada de j uros alt os.

Isso f ez com que ent rasse capit al e que f osse possível fi

-nanciar um aument o do defi cit comercial signifi cava que

era possível cont rolar o preço dos produt os import ados,

mant er a infl ação sobre cont role, via j uros alt os, pois

t ambém era possível cont rolar a demanda por produt os

int ernos e os j uros alt os est imulando o câmbio a se

valo-rizar, f azendo com que cont rolássemos o preço dos

pro-dut os negociados com o ext erior.

Essa foi a hist ória inicial, mas essa hist ória não

durou muit o t empo. Já em j aneiro ou fevereiro de 1994

houve uma explosão do defi cit comercial e out ras polít

i-cas t iveram que ser adot adas. Surgiu, ent ão, a ideia de

se fazer, ao longo desse período governament al, a venda

de alguns at ivos, sobret udo na área de ut ilidade

públi-ca, o que de um lado melhoraria muit o a efi ciência da

economia, pois o set or privado seria capaz de

adminis-t rar melhor essas uadminis-t ilidades públicas; e do ouadminis-t ro,

have-ria recursos, mas uma font e de recursos para mant er a

âncora cambial.

Em 1997, esse modelo começou a t er seus

proble-mas com a crise da luz. E passada a reeleição em 1998,

houve muit os problemas, inclusive, mesmo com os j uros

muit o elevados, da ordem de 40% real a. a. , onde em

algum pont o, nessa hist ória t oda, t ivemos que começar a pensar em coisas que lhe dessem - não uma âncora

cam-bial -, mas a verdadeira âncora: a âncora fi scal.

Essa âncora não f oi const ruída de uma vez. Ela

f oi const ruída em et apas. Uma delas f oi a criação da Lei

de Responsabilidade Fiscal, que f oca o defi cit máximo,

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C A D E R N O S F G V P R O J E T O S : L E I D E R E S P O N S A B I L I D A D E F I S C

superavit primário mais alt o. É int eressant e not ar que nenhuma dessas coisas vem em conj unt o. Você

primei-ro f az uma, aí resolve alguns pprimei-roblemas, você vai

em-purrando at é chegar ao insuport ável, aí no insuport avél

você t oma a decisão de f azer a coisa dura, o superavit,

e assim por diant e.

FGV PROJETOS - É indiscutível a contribuição da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para melhorar o estado da arte das fi nanças públicas e inclusive da política econômica no Brasil. Como o Sr. avalia a Lei de Res-ponsabilidade Fiscal?

Carlos Ivan Simonsen Leal - Eu diria que Lei de

Respon-sabilidade Fiscal f oi um t remendo passo de uma série de

passos import ant es: O primeiro diz respeit o ao aj ust e da

dívida dos est ados. O segundo passo import ant e f oi a Lei, dando cert os limit es para alguns gast os dos est ados em

relação à receit a; Consequent ement e, a lei gerou

condi-ções máximas de defi cit e mínimas de superavit, e, em

seguida, as met as de superavit primário, ext remament e

f avorecido em sua execução pelo arcabouço que f oi cria-do pela Lei de Responsabilidade Fiscal, e mais, dada t oda

a hist erese, f oi não só possível est abelecer a met a de

superavit fi scal como t ambém obt er o melhor result ado.

É preciso regoj izar e t ambém avaliar os desafi os que se

colocam por causa da LRF. A LRF não é a solução et erna. o est ado ou município. É claro que essa lei não caiu do

céu. Ela não se ref ere apenas ao defi cit em relação às

receit as, mas t ambém ao t ipo da composição e os limit es

máximos para despesa.

Isso t udo acont eceu após uma int ensa e sof rida renegociação das dívidas dos est ados, a qual f oi

absor-vida pela União da seguint e f orma: a União absorveu

dívidas, propôs dívidas que eram det idas por agent es

privados com o papel da União, e os est ados passaram

a ser devedores da União. Um processo de aj ust e de

longo prazo.

A Lei de Responsabilidade Fiscal t rat ava

des-se processo de aj ust e, dessa dívida para com a União

e t ambém dava as condições e f act ibilidades para que

eles simplesment e não subst it uíssem um defi cit dos

es-t ados por um defi cit da União. Com isso, era possível

t ambém t er mais cont role sobre a qualidade dos gast os

e sobre cert as t aref as da despesa com suas proporções:

uma part e era para a aj uda, out ra part e para a f olha de

pessoal, est a part e não pode passar de um valor, e assim

por diant e. Sob esse aspect o, o que f ez t ambém o país

andar pra f rent e na sua cult ura fi scal f oi simplesment e

a ideia de que nós necessit amos de um superavit

primá-rio mais alt o. É int eressant e not ar que nenhuma dessas

ideias vem em conj unt o. Sob esse aspect o, a out ra coisa

que f ez o país andar pra f rent e na sua cult ura fi scal f oi

simplesment e a ideia de que nós necessit amos de um

É int eressant e not ar que nenhuma dessas

coisas vem em conj unt o. Você primeiro f az

uma, aí resol ve al guns probl emas, você vai

empurrando at é chegar ao insuport ável , aí

no insuport avél você t oma a decisão de f azer

a coisa dura, o superavit , e assim por diant e.

Carl os Ivan Simonsen Leal

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FGV PROJETOS - A Lei de Responsabilidade Fiscal é reconhecida por sua abrangên-cia e rigorosidade até mesmo no exterior. O Sr. consideraria esta Lei como um exemplo a ser seguido por outros países? Quais seriam as possíveis restrições para sua aplicação?

Carlos Ivan Simonsen Leal - Na Europa, o Trat ado de Maast rich, por exemplo, t em

element os parecidos com essa Lei. A grande quest ão é que não se discut e, nesse t ipo

de inst rument o, a qualidade das suas receit as. Aqui est amos f alando do est ado e da

qualidade das suas despesas. Não é só a quest ão do equilíbrio macroeconômico, é o

equilíbrio microeconômico, sobret udo porque exist e uma hipót ese implícit a, sobre a

LRF. O equilíbrio macroeconômico da Lei é f orçosament e de curt o prazo, de 5 a 7 anos

t alvez. Quando se f ala em equilíbrio fi scal de curt o prazo, t omamos o rest o do mundo

como dado, avaliando se o governo gast a mais ou menos do que arrecada. Se gast ar o

que arrecada, ent ão est á t udo equilibrado, mas se gast ar menos do que arrecada, é

superavit ário, se gast ar mais, é defi cit ário. Se f or muit o defi cit ário e não t iver

espe-rança de virar superavit ário, pode não conseguir fi nanciar a dívida, ou provavelment e

gerar infl ação. Se as condições do mundo não mudassem, t udo seria mais simples, mas

acont ece que elas mudam.

FGV PROJETOS - Considerando os quatro pontos cardiais legitimidade, simplicidade, efetividade e temporalidade, mencionados em seu artigo “ O Processo Orçamentá-rio: os quatro pontos cardiais” (Revista Interesse Nacional - Ano 3 - Edição 9 - abril a junho de 2010), como pode ser aprimorado o orçamento público no país?

Carlos Ivan Simonsen Leal - Consideremos o primeiro pont o: Legit imidade. O local

corret o para discut ir o orçament o público é no Congresso Nacional. O orçament o que

é enviado para o Execut ivo deve ser aprovado e deve ser cumprido. Não est ou dizendo que deva exist ir um orçament o mandat ório. Isso é uma t olice. A quest ão é o grau em

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que o orçament o é aut orizat ivo ou não. É claro que nenhum governant e gost aria de

alt erar isso para alguém que viesse depois. Mas a arma do orçament o aut orizat ivo é

muit o f ort e e você não consegue segurar. Isso j á est á sob cont role, mas j á houve

mo-ment os em que sit uações semelhant es aqui e em out ros países fi caram dif íceis.

Em relação à Simplicidade, conf orme eu disse ant eriorment e, o orçament o

pú-blico t em que ser t ransparent e. No caso da educação e da saúde por exemplo, é preciso

ver na rede pública o que se gast a e quais são as t ransversalidades. É preciso ser capaz

de associar os grandes números ao orçament o, às met as a serem alcançadas, e é

pre-ciso medir se essas met as f oram alcançadas ou não. Um orçament o, não vale grande

coisa se ele f or apenas um orçament o fi nanceiro. Deve ser t ambém um proj et o de

re-sult ados a serem alcançados. Não precisa ser muit o det alhist a, mas o orçament o deve

ser obj et ivo e compreensivo. A simplicidade t ambém é import ant e, pois as próprias

regras do processo orçament ário não podem ser casuíst icas. O ideal é que as regras

sej am um pouco mais fl exíveis e a exceção venha dar a int erpret ação. Ao invés de você

dizer: não, não pode isso a não ser que sej a it em A, B, C e D e no it em 2010 ainda est ou f alando sobre esse assunt o.

A Ef et ividade diz respeit o ao f uncionament o do processo orçament ário. Se est e

processo não f echa, se não é possível convergir para uma discussão ant erior, não há

ef et ividade. Os j ovens de hoj e, por exemplo, j á ouviram a discussão de que o

orçamen-t o de um ano só f echou no fi nal do próprio ano, e isso é um absurdo. Nós deveríamos

t er out ros mecanismos. Para os americanos, por exemplo, se o orçament o não est iver

aprovado dia 31 de dezembro, dia 1º de j aneiro o governo pára, o hospit al pára, t udo

pára. É claro que t odos aqueles responsáveis pela sua aprovação t êm int eresse no bom

f uncionament o desses mecanismos. Quando t enho uma regra de duodécimos, pode fi

-car sem aprovação e eu vou rolando pra f rent e. Mas esse “ rolar pra f rent e” signifi ca

que eu dou poder demais ao Execut ivo, o que não é bom para o Execut ivo.

Já a Temporalidade, no f undo, é simples: não exist e um orçament o bom de

go-verno que cont emple apenas as despesas de um ano. É preciso cont emplar as despesas

de um ano e os compromet iment os que ele implica para o ano seguint e, ou para os anos

seguint es. Isso é muit o import ant e.

FGV PROJETOS - Neste mesmo artigo, o Sr. menciona que a Lei de Responsabilidade Fiscal foi um passo importante para o País e que nos leva à discussão da qualidade de receita e despesas. De que forma essa discussão poderá ser mais proveitosa no atual cenário brasileiro?

Carlos Ivan Simonsen Leal - Eu diria que a Lei de Responsabilidade Fiscal f oi um f

an-t ásan-t ico avanço, mas j á esan-t á aan-t é passando um pouco a hora de darmos um passo adianan-t e.

E qual seria esse passo? Se nós vivemos em uma democracia, se nós acredit amos que,

em uma democracia, as decisões devem seguir det erminados princípios, e que essas

decisões polít icas são infl uenciadas pela vont ade da maioria, é import ant e ent ão

come-çar a inf ormar mais as pessoas sobre as consequências da qualidade do gast o público. É

import ant e t ambém que fi quem claras quais as condições de volume para esses gast os.

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A primeira evolução é separar a discussão do equilíbrio macroeconômico de receit as

e despesas, t endo uma est imat iva fi dedigna das receit as, na qual elas serão classifi

-cadas não só de acordo com o seu volume e origem, mas t ambém de acordo com a

sua variabilidade.

Em segundo lugar, é preciso f azer as pessoas ent enderem como é que “ o sapat o

vest e o pé” , ou sej a, t em que haver regras de t ransparência e didat ismo na apresent

a-ção das cont as públicas que permit am a qualquer cidadão, ent ender como est á sendo gast o o seu dinheiro pago em impost os. Aí você t em uma base, e, em seguida, uma

grande evolução. No dia em que a opinião pública começar a ent ender o quant o se

gast a, porque se gast a e qual o ef eit o disso, você começará a t er pressão por cont a do

que est á errado. A discussão do processo orçament ário precisa ser preparada. Se nós

começamos em algum pont o um pouco ant es da LRF, saneament o e reorganização das

cont as públicas ent re os dif erent es ent es f ederat ivos, depois a LRF, depois superavit

primário. O passo seguint e é a discussão de receit a e a t ransparência dos gast os

pú-blicos, e quando eu digo t ransparência não est ou dizendo t ransparência no sent ido de

que as coisas sej am ocult as. Se eu t enho a cont a 1. 2; 1. 3; 1. 4; 1. 5; ABC e essa cont a

t em 100 mil reais, aí vem a cont a 1. 2; 1. 3; 1. 4; 1. 6; 1. 9; 1. 1; DEF, o que essa cont a t em

a ver com a out ra na cont abilidade pública, às vezes, é um mist ério at é para o papa. Isso precisa ser claro, mas hoj e ainda não é. Por int uit o, a discussão precisa est ar

cent rada nest e pont o, porque só assim pode-se dar o passo seguint e que é a discussão

sobre o orçament o público que o Brasil merece t er, onde os números est arão associados

a escolhas de est rat égia e não a escolhas de conveniência. Hoj e em dia, o processo

orçament ário brasileiro, devido ao regime de cont ingenciament os, nos permit e apenas soluções de curt o prazo. Nós precisamos evoluir.

No dia em que a opinião públ ica começar

a ent ender o quant o se gast a, porque

se gast a e qual o ef eit o disso, você

começará a t er pressão por cont a do que

est á errado.

Carl os Ivan Simonsen Leal

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E, para fi nalizar, vem a grande comemoração da LRF, que f oi o que o país que ninguém

acredit ava que f osse capaz de f azer, f ez e agora comemora os seus 10 anos. Port ant o,

acredit o que vamos conseguir programar a modifi cação do nosso processo orçament

á-rio, e de t udo o que vem ant es, para que possamos discut ir a qualidade das receit as, a qualidade das despesas e o proj et o de desenvolviment o nacional.

FGV PROJETOS - A Fundação Getulio Vargas, ao longo de sua história, tem contribu-ído fortemente para a melhoria da gestão pública no Brasil. No âmbito da Lei de Responsabilidade Fiscal, como o senhor acredita que a FGV pode contribuir com os gestores públicos no cumprimento dessas diretrizes e mecanismos de controle da lei?

Carlos Ivan Simonsen Leal - Est a é uma prát ica muit o comum para nós. É claro que

precisamos t er uma compreensão do est ado do desenvolviment o burocrát ico da

ad-minist ração pública brasileira para ent ender como a Fundação Get ulio Vargas pode

auxiliar nesse processo. A Fundação pode aj udar na aplicação da Lei. A primeira ação é aj udar as pessoas a compreenderem e a obedecerem aos procediment os. Não bast a a

vont ade de obedecê-los. Exist e uma série de procediment os de cont role que precisam

ser ent endidos. Em segundo lugar, obviament e, a gent e pode aj udar na int erpret ação

de result ados, j unt o a órgãos cont roladores, porque é um t ema muit o import ant e. E,

em t erceiro lugar, podemos f azer a análise de prospecção do f ut uro, do cumpriment o da Lei f rent e a variáveis econômicas que podem aparecer com mais f requência do que

imaginamos. Ou sej a, nós podemos est imar a sust ent abilidade de um det erminado ent e

f ederat ivo dent ro da Lei suj eit a a parâmet ros que possam ser variáveis.

FGV PROJETOS - Como a LRF, associada a essas políticas fi scais, cambiais e in-ventárias adequadas, pode prover melhores condições para um desenvolvimen-to sustentável e preparar o país para enfrentar futuras crises econômicas em situações adversas?

Carlos Ivan Simonsen Leal - A LRF é uma primeira t rava de segurança. Ela evit a que

se f aça muit a best eira, ou melhor, as best eiras que podem ser f eit as debaixo dela são best eiras de longo prazo, como, por exemplo, não invest ir na inf raest rut ura. Por que

você não invest e na inf raest rut ura? Porque você t em que obedecer à lei e ao mesmo

t empo você não quer deixar de gast ar muit o em out ro lado. A Lei não evit a que você

não f aça alguma coisa que é errada. Apenas evit a que você f aça algumas coisas que são

erradas, mas não t odas.

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(16)

Economist and expert in account ing, hol ds a mast er’s

degree in economics f rom t he Federal Universit y of Rio de Janeiro (UFRJ) and doct orat e in economics f rom t he

St at e Universit y of Campinas (UNICAMP). José Robert o

Af onso is an economist at t he Nat ional Bank f or Economic

and Social Devel opment (BNDES) since 1984, having

been superint endent of t he depart ment of t axat ion and empl oyment and t he pension f und. Current l y, he in t he

Senat e where he serves as Special Technical Advisor.

Expert in publ ic fi nances and f ederal ism, he has publ ished

books and art icl es f ocusing mainl y on f ederal ism, on

decent ral izat ion and fi scal responsabil it y.

José Roberto Afonso

Economist a e t écnico em cont abilidade, mest re em economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e PhD em economia pela Universidade Est adual de Campinas (UNICAMP). José Robert o Af onso é economist a do Banco Nacional de Desenvolviment o Econômico e Social (BNDES) desde 1984, t endo sido superint endent e da área

fi scal e de emprego e do f undo de pensão. At ualment e, encont ra-se no Senado Federal e at ua como consult or t écnico especial. Especialist a em fi nanças públicas e f ederalismo, j á publicou livros e art igos com ênf ase, principalment e, no f ederalismo, na descent ralização e na responsabilidade fi scal.

José Roberto Afonso

FGV Projetos entrevista

(17)

RESUMO

Nest a ent revist a, José Robert o Af onso

det alha a import ância da Lei de

Respon-sabilidade Fiscal (LRF) e ressalva que é

preciso modernizá-la. Segundo ele,

ain-da exist em mecanismos legais que não f oram implement ados, houve ret rocesso

em alguns pont os e novos desafi os

surgi-ram nesses últ imos dez anos. Falt a à LRF,

por exemplo, t er pulso mais fi rme com a

União, pois, em sua visão, ainda const a-t a-se um af rouxamena-t o do cona-t role. José

Robert o dest aca que o Brasil, além de

ser uma democracia, é uma f ederação.

Todos os governos, de t odas as esf eras,

são iguais perant e a lei.

ABSTRACT

In t his int erview, José Robert o Af onso de-t ail s de-t he imporde-t ance of de-t he Fiscal Respon-sibil it y Law (LRF) and emphasizes t hat it is necessary t o modernize it . According t o him, t here are l egal mechanisms t hat have not been impl ement ed, t here has been backsl iding in some areas and new chal l enges have emerged over t he past t en years. It l acks in LRF, f or exampl e, a more st rict pol icy wit h regards t o t he Union, as t here is st il l l oosening of con-t rol . José Robercon-t o emphasizes con-t hacon-t Brazil is a democracy and is al so a f ederat ion in which al l government s of al l l evel s are equal t o t he l aw.

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FGV PROJETOS - O Sr. já se referiu à Lei de Responsa-bilidade Fiscal como “ um divisor de águas nas fi nanças públicas” . Ainda acredita que houve uma mudança de paradigma?

José Robert o Af onso - A LRF mudou a cult ura fi scal do

país e signifi ca mais do que apenas aplicar regras de uma

lei. É uma post ura, especialment e, dos cidadãos e da

mí-dia. A mudança, no ent ant o, não f oi complet ada e ainda

há muit o que se melhorar. Primeiro, cert os disposit ivos legais devem ser regulament ados porque o governo f

ede-ral, em part icular, segue à margem dos principais cont

ro-les. Depois, acont eceram alguns ret rocessos nos últ imos

anos, sobret udo, na quest ão da t ransparência fi scal.

Di-vulgamos mais, mas perdemos abrangência e clareza. Em

t erceiro lugar, surgiram novos desafi os. Depois da

respos-t a à crise fi nanceira global, por exemplo, é preciso

re-gular a maior part icipação est at al na economia. No caso

brasileiro, isso envolve adot ar novas convenções para

superavit nominal e dívida brut a e revisit ar o relaciona-ment o ent re Tesouro, bancos e empresas cont roladoras. Em suma, a LRF não é como uma pirâmide, que se

cons-t ruiu a duras penas, mas se mancons-t ém igual por séculos.

Ela é uma obra dinâmica e que exige at enção f requent e.

FGV PROJETOS - Na sua opinião, após 10 anos, eram esperadas tantas avaliações positivas sobre a LRF, in-clusive de quem, inicialmente, foi contra ela?

José Robert o Af onso - A avaliação posit iva mais

relevan-t e é o apoio popular. Vocalizado pela mídia, relevan-t al apoio f oi

f undament al para que o Congresso aprovasse, com

quo-rum de emenda const it ucional, em pouco t empo, uma

legislação t ão abrangent e e dura em t ermos econômicos.

Agora, uma pesquisa da FGV at est ou que o apoio cont

i-nua fi rme e isso é f undament al para se t ent ar mudar e

melhorar a Lei. Out ra avaliação que merece regist ro é

aquela f eit a no ext erior por especialist as e organismos mult ilat erais. O Brasil f oi o primeiro emergent e a adot ar

a Lei de Responsabilidade Fiscal e ent re meia cent ena de

países. E, ent re meia cent ena de países que adot aram

esse t ipo de legislação nas últ imas duas décadas, a LRF é

considerada uma das mais abrangent es e aust eras,

mes-clando princípios e regras, prevenindo e punindo

exem-plarment e. Agora, sobre quem f ez dura oposição à

apro-vação da Lei na época, acredit o que mudou de opinião

depois que assumiu o governo. Mas não sei se a convicção é out ra mesmo. Temo, por seguidos at os e discursos

ado-t ados pelo governo f ederal que, na práado-t ica, conspiram

abert ament e cont ra preceit os da responsabilidade fi scal.

De qualquer f orma, como se cost uma dizer por aí que

est e é um país de memória curt a, aproveit amos o

aniver-sário de 10 anos para resgat ar e edit ar um document o1

sobre a hist ória da elaboração e implant ação da LRF pela

FGV Proj et os. Vale conf erir os det alhes dessa hist ória.

FGV PROJETOS - Após este período, é natural que a LRF enfrente novos desafi os. Quais são eles? Serão neces-sárias novas leis ou regras?

José Robert o Af onso - O primeiro desafi o é aplicar a Lei

plenament e. Os proj et os de leis ordinárias, por exemplo,

est ão parados no Congresso, porque não int eressam ao

governo f ederal. Assim, é preciso complet ar duas lacunas f undament ais: a criação do Conselho de Gest ão Fiscal e a

imposição de limit es para a dívida pública f ederal, t ant o

consolidada quant o mobiliária. Além disso, é preciso

cor-rigir lacunas e evit ar int erpret ações inadequadas, como o

que comput ar como receit a e como despesa de pessoal.

1A publicação mencionada est á disponível para download no sit e: ht t p:/ / www.f gv.br/ f gvproj et os

(19)

A cont abilidade criat iva f oi ret omada, f elizment e de f

or-ma isolada, por alguns órgãos e por algum t empo, or-mas

j á f ez com que as cont as públicas virassem um f az de

cont a. Há t ambém uma quest ão est rut ural mal resolvida, que é como evit ar a criação de compromissos

permanen-t es sem a devida coberpermanen-t ura fi nanceira a longo prazo. O

aument o cont ínuo da carga t ribut ária pós-LRF at endeu à

compensação fi nanceira que ela exigia, mas há um limit e

para o seu t amanho e para sua – péssima – qualidade. O

impasse é que a sociedade se posiciona cada vez mais, abert a e crescent ement e, cont ra novos aument os de

car-ga. E os governos, seguem criando gast os, como novos

órgãos, mais cargos, mais emprést imos. Na prát ica, não

há rest rição e o céu virou o limit e. Para solucionar esse

quadro, vej o como melhor alt ernat iva encarar t odas as quest ões em uma só propost a, como f eit o com o proj

e-t o de lei de responsabilidade orçamene-t ária e qualidade

fi scal que t ramit a no Senado Federal. É hora de

ampliar-mos essa discussão. Creio que, const ruído um consenso

t écnico – que est á próximo –, haverá espaço polít ico para t al proj et o, especialment e após a posse dos novos

go-vernos em 2011. Eles encont rarão, inevit avelment e, um

cenário fi scal mais dif ícil e delicado do que o assist ido

nos últ imos anos.

FGV PROJETOS - A LRF seria uma condição necessária, mas não sufi ciente para ter contas públicas sólidas?

José Robert o Af onso - A LRF não é uma panaceia.

Sem-pre def endemos essa t ese desde a elaboração do ant e-proj et o de lei. Olhando para t rás, dest acamos que a LRF

marcou, em t ermos inst it ucionais, o coroament o de um

longo e ext enso processo de mudanças nas fi nanças

pú-blicas brasileiras, que começou na criação da Secret

a-ria do Tesouro Nacional e na separação dos orçament os

fi scal e monet ário, e chegou at é a rolagem das dívidas

est aduais e municipais. Em t ermos cult urais, a LRF t

am-bém cobrou uma mudança de post ura – dos cidadãos, dos

eleit ores, dos t écnicos e at é das aut oridades e

legislado-res – e passou-se a acredit ar que seria preciso cuidar das cont as públicas como se f ossem pessoais. Mas, parou por

quê? Esse ref rão do f revo precisa ser aplicado aos dez

anos de LRF. Período em que nada se avançou, nem

com-plet ou a sua regulament ação, nem se modernizaram suas

normas e cont roles. Por isso, insist imos que é j á passada

a hora de ret omar o ciclo de mudanças inst it ucionais. Nem é preciso f alar das ref ormas t ribut ária e

previdenci-ária, que nunca acont ecem a cont ent o. Vale at ent ar para

o orçament o, a cont abilidade e a administ ração pública

como um t odo. Uma lei básica (nº 4. 320) é de 1964, e

ant erior at é a dit adura milit ar. Foi muit o avançada para a época, o que explica sua aplicação quase cinco

déca-das depois, mas é óbvio que precisa ser modernizada.

Levar a responsabilidade para esses out ros campos das

fi nanças públicas f ez-se necessário para que se t ornem

mais sólidos e sufi cient ement e saudáveis para est imular

o desenvolviment o econômico e social.

FGV PROJETOS - A responsabilidade fi scal, mais do que uma obrigação legal, provocou uma mudança de atitu-de dos governantes?

José Robert o Af onso - A Lei mudou e melhorou a at it ude

dos governos, regra geral, em t odas as esf eras

governa-ment ais. No âmbit o local, creio eu, a t ransf ormação f oi

ainda maior por causa da proximidade com a

comuni-dade. Essa mudança se deu graças aos números e inf

or-mações disponíveis, ainda que precisem ser levant ados,

(20)

depurados e propagandeados pela mídia e organismos

não governament ais. É o caso, por exemplo, da

recen-t e iniciarecen-t iva do Índice de Transparência Fiscal, da ONG

Cont as Abert as, que const it ui uma f orma de avaliar a

di-vulgação pela int ernet de cont as e serviços públicos f

e-derais e est aduais. A ideia de que se pode f azer o que se

bem ent ender com as cont as e coisas públicas me parece

ult rapassada, porque t emos inst it uições f uncionando.

Ainda há muit o que melhorar, at enuar a cont abilidade

criat iva, evit ar os dit os “ pequenos assassinat os” nas

re-gras fi scais, repensar e ref orçar as t ravas que impeçam a

f ormação de herança fi scal. Mais uma vez, chamo at

en-ção para o proj et o de lei complement ar que t ramit a no

Senado, que ref orma e endurece a responsabilidade fi

s-cal e t orna mais responsável o processo do orçament o e da cont abilidade.

FGV PROJETOS - A chamada fl exibilização da LRF pode-ria aumentar o endividamento dos estados e municí-pios? De que forma isso aconteceria?

José Robert o Af onso - O único proj et o que preocupa

por fl exibilizar a LRF e induzir o endividament o est adual

e municipal f oi propost o pelo Execut ivo Federal e est á

parado no Senado. O proj et o acaba com a vedação da

LRF que impede um governo de t omar crédit o quando

um de seus poderes ou órgãos est iver acima do limit e de pessoal. Houve uma conf usão dest e com out ros proj et os

que t ramit am no Senado, e at é j á avançaram nas

comis-sões, que mudam a LRF, mas não para fl exibilizá-la. Além

daquela propost a que promove uma ref orma geral das

fi nanças públicas, j á coment ada, há out ra que f oment a

proj et os de invest iment os em modernização de gest ão,

da receit a e, especialment e, da despesa. Mas esse é um

caso excepcional de dívida, porque o ret orno é mais do

que garant ido, com aument o de receit a e redução de

gast os. A LRF j á f acult a esse benef ício às pref eit uras, mas esqueceu dos est ados. E, paradoxalment e, o

gover-no que mais precisa invest ir não pode, porque sua dívida

ou f olha salarial est á acima do limit e.

FGV PROJETOS - Qual é a sua opinião sobre as propostas de que a reestruturação e recomposição do principal das dívidas sejam contratadas sem as restrições pre-vistas pela LRF? E que as operações possam ser garan-tidas pela União mesmo sem a prestação de contas e sem o cumprimento de limites previstos na Lei?

José Robert o Af onso - Elas não t êm cabiment o e

apa-receram na hora errada. Inst it uições e leis precisam ser

respeit adas. Não há dúvidas de que decret o não pode mudar lei, nem lei ordinária pode alt erar lei

comple-ment ar. Mesmo que se invist a nesse campo da exceção,

no limit e, a Just iça rest aurará o est ado de direit o. O

que mais me preocupa são os sinais que se apont am na

direção do af rouxament o do cont role e de que, para se

combat er uma crise ou para se eleger um sucessor, é

aceit ável passar por cima de regras, porque os fi ns j ust

i-fi cariam os meios. Alert o para o f at o de que uma recent e

medida provisória, que f acilit aria o endividament o das

pref eit uras das capit ais sedes de compet ições esport ivas

int ernacionais, não mexeu na LRF. At é porque, não t em

st at us para t ant o. Ela, clarament e, mudou as condições da rolagem da dívida, realizada ant es da LRF, e, como

t al, quebrou a blindagem que o Tesouro Nacional

sem-pre const ruiu para impedir mudanças naqueles cont

ra-t os. Foi aberra-t o um precedenra-t e sério a prera-t exra-t o de que a benesse seria limit ada a um número muit o pequeno de

pref eit uras, mas se esquece que um princípio ref orçado

pela responsabilidade fi scal é o de que, em uma

Federa-ção, de f at o e de direit o, t odos os governos devem ser

t rat ados igualment e diant e da lei. O limit e fi xado pelo

Senado para a dívida das pref eit uras é igual para t odas,

do Rio at é Porciúncula, por exemplo. Quebrar esse

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DEPOIMENTOS

A Lei de Responsabilidade Fiscal: uma escolha acertada

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Bachel or’s and mast er’s degrees in Law at t he Universit y of

Brasil ia (UnB); mast er’s and doct orat e f rom West f äl ische Wil hel ms-Universit ät Münst er, Germany. He was t he

Dist rict At t orney, Legal advisor t o t he General Secret ariat

of t he Presidency of t he Republ ic, Technical Advisor in

t he Special Rapport eur of t he Const it ut ional Review t he

Chamber of Deput ies, Technical Advisor of t he Minist ry Just ice, Chief Deput y f or Legal Af f airs of t he Civil House

Advocat e General of t he Union Minist er and Chairman of

Superior El ect oral Court (TSE). Minist er of t he Supreme

Court (STF), he is one of t he f ounders of Brasil ia Publ ic

Law Inst it ut e (IDP) and current l y he is a Prof essor of Const it ut ional Law f or Undergraduat e and Post graduat e

School of Law and member of t he UnB Edit orial Boards

special ized in l aw. In l ast t wo years presided over t he STF

and t he Nat ional Council of Just ice (CNJ).

Ministro Gilmar Mendes

Graduado em direit o e mest re em direit o e est ado pela Universidade de Brasília (UnB), concluiu t ambém mest rado e dout orado na West f älische Wilhelms-Universit ät Münst er, na Alemanha. Foi procurador da República, consult or j urídico da Secret aria-Geral da Presidência da República, assessor t écnico na Relat oria da Revisão Const it ucional na Câmara dos Deput ados, assessor t écnico do Minist ério da Just iça, subchef e para assunt os j urídicos da Casa Civil, advogado-geral da União, Minist ro e president e do Tribunal Superior Eleit oral (TSE). Minist ro do Supremo Tribunal Federal (STF), um dos f undadores do Inst it ut o Brasiliense de Direit o Público (IDP), prof essor de direit o const it ucional de graduação e pós-graduação da Faculdade de Direit o da UnB, e membro de conselhos edit oriais especializados na área do direit o. Nos últ imos dois anos presidiu o STF e o Conselho Nacional de Just iça (CNJ).

(22)

DEPOIMENTOS

RESUMO

O Minist ro do Supremo Tribunal Federal (STF), Minist ro

Gilmar Mendes, f ez uma ret rospect iva das últ imas duas

décadas republicanas e ressalt ou que o país evoluiu

muit o em t ermos inst it ucionais, o que permit iu, inclu-sive, um grande avanço econômico. At ualment e, Gilmar

Mendes dest aca que conseguimos resolver graves crises

por meio do diálogo e das inst it uições, e que, se a nossa

Const it uição de 1988 abre espaço para a criação de

mui-t as emendas, ela mui-t ambém of erece a opormui-t unidade de f a-zer seu cont role const it ucional. Fat o que assegurou, por

exemplo, a manut enção da divisão básica dos Poderes.

O progresso inst it ucional, com Judiciário f ort e,

Legisla-t ivo independenLegisla-t e, correções devidas e desvios punidos,

é part e de uma nova cara do Brasil. A Lei de Respon-sabilidade Fiscal (LRF) t eria mudado a ment alidade da

sociedade e da administ ração pública e hoj e, depois de

10 anos, é um verdadeiro consenso.

ABSTRACT

(23)

22 | 23 C A D E R N O S F G V P R O J E T O S : L E I D E R E S P O N S A B I L I D A D E F I S C

Inst it ucionalment e, o Brasil é hoj e dif erent e de muit os

países. É import ant e dest acarmos que o país deu salt os

signifi cat ivos em várias áreas, mas especialment e na

econômica. E isso só f oi possível graças à est abilidade inst it ucional que logramos nos últ imos 22 anos, o

perío-do mais longo em nossa vida republicana, com relação à

Const it uição de 1988. Temos t ido problemas muit as

ve-zes – crises polít icas sérias –, mas t emos sabido

resolvê--los. Somos bast ant e criat ivos, e t emos valorado a via do

diálogo e da solução pelas inst it uições.

Logo após o processo const it uint e, que f oi a

eleição do primeiro president e pelo vot o diret o,

passa-mos pela séria crise da comissão do orçament o no meio

do próprio parlament o. Depois t ivemos um

impeach-ment presidencial que f oi t rat ado t ambém de f orma

rigorosa e inst it ucional, e t eve o desat e que nós

conhe-cemos. Enf rent amos dif íceis crises int ernacionais e

ins-t abilidades econômico-fi nanceiras e superamos vários

desafi os, como o Plano Real, sempre at ent os aos nossos

marcos inst it ucionais.

A Const it uição de 1988 sof reu inúmeras ref ormas

e ainda há excesso de emendas const it ucionais no Brasil.

Isso decorre, nós sabemos, não de uma opção polít

ico--fi losófi ca, mas de um modelo const it ucional. Trat a-se de

um t ext o analít ico que reclama por isso. Mas t ambém há

de se not ar que nenhuma emenda const it ucional se f ez para se at ingir as cláusulas pét reas, ou sej a, para mudar

o nosso modo vigent e inst it ucional básico. A divisão de

Poderes f undament ais não f oi af et ada pelas emendas e

isso é um dado import ant e para ser ressalt ado.

É import ant e t ambém dest acar que o Brasil é o país que mais realiza cont role de const it ucionalidade de

emenda const it ucional, o que ocorre, exat ament e, por

cont a dessa caract eríst ica. E, t alvez, por isso o Supremo

Tribunal Federal (STF) t enha out ro dist int ivo no mundo,

que é o de ser a Cort e que mais declarou a inconst it

ucio-nalidade dessas emendas at é agora. Ent ão, são singulari-dades que marcam a nossa experiência.

Passamos por várias crises que t êm sido

resolvi-das dent ro dos marcos inst it ucionais. A Lei de

Respon-sabilidade Fiscal (LRF) é uma dessas opções claras do

Brasil. Muit os dos inf ormat ivos e panfl et os dist

ribuí-dos dest acam a import ância da Emenda Const it ucional nº 19 para a criação dessa lei, que t ambém f oi obj et o de

muit a discussão no STF. A sociedade e os set ores

organi-zados, inclusive, part iciparam desse debat e. At

ualmen-t e, podemos nos apresenualmen-t ar ao mundo como uma nação

dif erenciada e isso se deve ao progresso inst it ucional

que fi zemos: Judiciário f ort e, Legislat ivo independent e,

crença na necessidade de ref orma e de inst it

ucionaliza-ção, padronização de det erminadas condut as, adoção do

mét odo “ f uga para f rent e” , correções devidas e, event

u-alment e, repressão à quaisquer desvios. Mas, sobret udo, est abelecer o país rumo a novos marcos regulat órios em

t odos os âmbit os.

A LRF t raduz essa opção e f az com que nós t

am-bém assumamos a nossa responsabilidade no que

con-cerne, especialment e, ao aspect o fi scal e à quest ão do

defi cit público em relação às gerações f ut uras. Há de se ressalt ar que, hoj e, podemos comemorar esses 10 anos

da lei e verifi car que, aquele ambient e de cont

rovér-sia, que havia na sua promulgação, se t ransf ormou em

(24)

DEPOIMENTOS

Transparência na administração pública

Senat or, he is t he Chairman of t he Monit oring Commission

f or t he Financial Crisis of Empl oyabil it y, and a member of

t he Commit t ee of Economic Af f airs, Const it ut ion, Just ice

and Cit izenship (CCJ); of Educat ion, Cul t ure and Sport s

(CE); of Int ernat ional Rel at ions and Nat ional Def ense (CREDN); of Inf rast ruct ure Services and of t he Joint

Commit t ee on Pl ans, Publ ic Budget s and Audit ing. Lawyer,

hol d’s PhD in Financial Law f rom Federal Universit y

of Rio de Janeiro (UFRJ). He is t he current l eader of

t he Progressive Part y and Vice President of t he FGV Foundat ion (FGV). He st udied publ ic fi nances at Universit y

of Nancy, France, and Int ernat ional Taxat ion at Harvard, in

t he Unit ed St at es. He was a Prof essor at UFRJ f rom 1967

t o 2005, Deput y f or fi ve l egisl at ures, Minist er of Finances

in José Sarney’s government and Minist er of Indust ry, Trade and Tourism; and of Labour and Empl oyment during

Fernando Henrique Cardoso’s government .

Senador Francisco Dornelles

Senador da República, president e da Comissão de Acompanhament o da Crise Financeira e da Empregabilidade; e membro t it ular das Comissões de Assunt os Econômicos, de Const it uição, Just iça e Cidadania (CCJ); de Educação, Cult ura e Esport e (CE); de Relações Ext eriores e Def esa Nacional (CREDN); de Serviços de Inf raest rut ura; e da Comissão Parlament ar Mist a de Planos, Orçament os Públicos e Fiscalização. Advogado, dout or em direit o fi nanceiro pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é o at ual líder do Part ido Progressist a (PP) e vice-president e da Fundação Get ulio Vargas (FGV). Est udou fi nanças públicas na Universidade de Nancy, na França, e t ribut ação int ernacional em Harvard, nos Est ados Unidos. Foi prof essor da UFRJ de 1967 a 2005, deput ado por cinco legislat uras, Minist ro da Fazenda na gest ão José Sarney e Minist ro da Indúst ria, do Comércio e do Turismo, e do Trabalho e Emprego durant e o governo de Fernando Henrique Cardoso.

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RESUMO

O senador Francisco Dornelles pont uou algumas medidas

que t ornaram f act ível a administ ração fi nanceira do país

nos últ imos 25 anos. Ent re os aspect os cit ados est ão as

criações da Secret aria do Tesouro e da lei

complemen-t ar de Finanças Públicas, e a privacomplemen-t ização dos bancos

est aduais. Segundo Dornelles, a fi xação de met as infl

a-cionárias e o câmbio fl ut uant e f oram mais duas prát

i-cas adot adas que surt iram ef eit o e que o governo Lula f ez muit o bem em preservar. E f oi graças à Lei de

Res-ponsabilidade Fiscal (LRF) que a t ransparência ganhou

corpo na administ ração pública e as cont as se t ornaram

mais abrangent es.

ABSTRACT

Senat or Francisco Dornel l es point ed out some measures t hat made f easibl e t he fi nancial administ rat ion of t he count ry over t he past 25 years. Among t he ment ioned issues are t he creat ions of t he Treasury Depart ment and of t he Publ ic Finance compl ement ary Law and t he privat izat ion of st at e banks. According t o Dornel l es, set -t ing infl at ion t arget s and fl oat ing exchange rat es were t wo ef f ect ive pract ices t hat Lul a’s government has done wel l t o preserve. And it was t hrough t he Fiscal Responsibil it y Law (LRF) t hat t ransparency gained ac-cept ance in publ ic administ rat ion and it s account s have become broader.

Inicialment e, cumpriment o a Fundação Get ulio Vargas (FGV) e o Inst it ut o Brasiliense de Direit o Público (IDP) por esse

seminário de 10 anos da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O Brasil conheceu, nos últ imos 25 anos, 89. 707

impor-t animpor-t es medidas que impor-t ornaram f acimpor-t ível a adminisimpor-t ração fi nanceira do país, at é ent ão f ora de qualquer cont role. No

fi nal dos anos 80, no governo Sarney, t ivemos a criação da Secret aria do Tesouro, que f echou as t orneiras exist ent es,

concent rou o caixa e as f ont es de pagament o. Tivemos, ainda, o fi m da cont a moviment o, que concedia ao Banco do

Brasil compet ência e poder. Em 1988, a Const it uição ent ão aprovada fi xou, pelo art igo 64, a compet ência exclusiva

da União para emit ir o Impost o sobre Operações Financeiras (IOF) e vet ou o Banco Cent ral (BC) de conceder, diret a

ou indiret ament e, emprést imo ao Tesouro Nacional. A Assembleia Const it uint e considerou a necessidade de ser criado

um código de Finanças, ideia que evoluiu para uma lei complement ar de Finanças Públicas. Fui president e da

Co-missão de Tribut ação, Finanças e Orçament o da Const it uint e e t ive a oport unidade de assist ir a import ant es debat es

sobre a mat éria.

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Nos anos 90, no governo Fernando Henrique Cardoso, o país conheceu a import ant e

decisão de privat izar os bancos est aduais. Dent ro de uma combinação não igualit

á-ria de infl ação galopant e e indexação, esses bancos t iveram durant e muit os anos a

possibilidade de esconder result ados e, de f orma indiret a, emit ir moeda. O

Progra-ma de Est ímulo à Reest rut uração e ao Fort aleciment o do Sist eProgra-ma Financeiro Nacional

(PROER), cuj a import ância hoj e é pouco reconhecida, f oi uma decisão ext remament e

import ant e e coraj osa, porque salvou o sist ema fi nanceiro e impediu que a poupança

do país virasse pó. A fi xação de met as de infl ação e câmbio fl ut uant e f oram decisões

t omadas no campo das fi nanças, cuj a efi cácia é hoj e reconhecida de f orma unânime.

O governo do president e Lula, at ravés dos Minist ros Ant onio Palocci Filho e Guido

Man-t ega, Man-t eve a grandeza de consolidar as mudanças mencionadas, adminisMan-t rando-as com

grande compet ência.

A LRF, que comemora 10 anos, regula o art igo 163 da Const it uição. E eu gost aria de enf at izar seus aspect os didát ico-administ rat ivos. Ela modernizou a administ ração

fi nanceira do Brasil. Hoj e, difi cilment e t emos no mundo um país com cont as públicas

t ão abrangent es e t ransparent es. No fi nal de cada mês, relat órios det alhados de nat

u-reza fi scal, monet ária, orçament ária e de cont as ext ernas de comércio ext erior est ão

disponíveis. Os est ados est ão seguindo o mesmo caminho e os dirigent es e t écnicos da

administ ração pública da área fi nanceira são alt ament e qualifi cados. No Congresso, a

LRF é quase um mit o, sem receber qualquer t ipo de ameaça. A imprensa acompanha

com grande precisão os dados fi nanceiros públicos e prest a um enorme serviço com

suas crít icas e avaliações. Em t odos os est ados e municípios do país, exist e a ideia

de responsabilidade fi scal. A LRF – a lei de maior import ância no campo das fi nanças

públicas – passou a const it uir um sólido pat rimônio da organização fi nanceira e

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DEPOIMENTOS

A relevância da Lei de Responsabilidade Fiscal

Sergio Quintella

Vice President of FGV Foundat ion (FGV) since 2005,

graduat ed in Engineering at Pont ifi cal Cat hol ic Universit y

of Rio de Janeiro (PUC-Rio), in Economics f rom t he

Universit y of Economics and Finance of Rio de Janeiro (FEFERJ), and in economical engeneering f rom t he Nat ional

School of Engeneering. Overseas Brazil , he hol ds a Mast er’s

in Business Administ rat ion f rom t he Scuol a di Formazione

IPSOA, an MBA in t he same area at Harvard Business School

and an ext ension course in Publ ic Finances at Pennsyl vania St at e Universit y (PSU). Current l y, he is a member of t he

Direct ors’ Board of Pet robras and of t he Technical Council

of t he Nat ional Conf ederat ion of Commerce. He was

t he President of t he Int ernat ional Engineering and Jarí

Company, was a member of t he Nat ional Monet ary Council , and was president of t he Brazil ian Associat ion of Technical

St andards and Regul at ions and of t he St at e Court in

Rio de Janeiro.

Sergio Quintella

Vice-President e da Fundação Get ulio Vargas desde 2005, f ormou-se em engenharia pela Pont if ícia Universidade Cat ólica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), em economia pela Faculdade de Economia e Finanças do Rio de Janeiro (FEFERJ) e em engenharia econômica pela Escola Nacional de Engenharia. No ext erior, f ez mest rado em Administ ração de Empresas na Scuola di Formazione IPSOA, MBA na mesma área na Harvard Business School e curso de ext ensão em Finanças Públicas na Pennsylvania St at e Universit y (PSU). At ualment e, é membro do Conselho de Administ ração da Pet robras e do Conselho Técnico da Conf ederação Nacional do Comércio. Foi president e da Empresa Int ernacional de Engenharia e da Companhia do Jarí. Também f oi membro do Conselho Monet ário Nacional, president e da Associação Brasileira de Normas Técnicas e do Tribunal de Cont as do Est ado do Rio de Janeiro.

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