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Rev. Bras. Anestesiol. vol.67 número3

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Academic year: 2018

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REVISTA

BRASILEIRA

DE

ANESTESIOLOGIA

PublicaçãoOficialdaSociedadeBrasileiradeAnestesiologia

www.sba.com.br

ARTIGO

CIENTÍFICO

Validac

¸ão

da

versão

Brasileira

da

Escala

Comportamental

de

Dor

(

Behavioral

Pain

Scale

)

em

adultos

sedados

e

sob

ventilac

¸ão

mecânica

Isabela

Freire

Azevedo-Santos

a

,

Iura

Gonzalez

Nogueira

Alves

a

,

Manoel

Luiz

de

Cerqueira

Neto

b

,

Daniel

Badauê-Passos

a,c

,

Valter

Joviniano

Santana-Filho

a,b,c

e

Josimari

Melo

de

Santana

a,b,c,

aUniversidadeFederaldeSergipe(UFS),ProgramadePós-Graduac¸ãoemCiênciasdaSaúde,Aracaju,SE,Brasil bUniversidadeFederaldeSergipe(UFS),DepartamentodeFisioterapia,Aracaju,SE,Brasil

cUniversidadeFederaldeSergipe(UFS),ProgramadePós-Graduac¸ãoemPsicologia,Aracaju,SE,Brasil

Recebidoem15deoutubrode2015;aceitoem23denovembrode2015 DisponívelnaInternetem1demarçode2017

PALAVRAS-CHAVE

Estudosdevalidac¸ão; Mensurac¸ãodador; Unidadesdeterapia intensiva;

EscaladeDor Comportamental; EDCbrasileira

Resumo

Justificativaeobjetivos: AEscalaComportamentaldeDor(BehavioralPainScale)éuma

fer-ramenta de avaliac¸ão da dor para pacientes não-comunicativos e sedados em unidade de

tratamentointensivo(UTI).Afaltadeumaescalabrasileiraparaaavaliac¸ãodadoremadultos

sobventilac¸ãomecânicajustificaarelevânciadesteestudoqueteveporobjetivovalidara

ver-sãobrasileiradaEscalaComportamentaldeDor(ECD),bemcomocorrelacionarseusescores

comosregistrosdeparâmetrosfisiológicos,níveldesedac¸ãoegravidadedadoenc¸a.

Métodos: Vinte ecinco pacientesadultos internadosem UTI foramincluídos neste estudo.

A versãobrasileiradaECD(previamente traduzidaeadaptadaculturalmente)eosregistros

dosparâmetrosfisiológicosforamrealizadossimultaneamentepordoisavaliadoresduranteo

repouso,durantealimpezadosolhos(estímulonãodoloroso)eduranteaaspirac¸ão

endotra-queal(estímulodoloroso).

Resultados: Valores elevados do coeficiente de coeficiente de responsividade

(coefici-ente=3,22)foramobservados.OcoeficientealfadeCronbachdoescoretotaldaECDdurante

alimpezadosolhos easpirac¸ãoendotraquealfoide0,8.Ocoeficientedecorrelac¸ão

intra-classedoescoretotaldaECDfoi≥0,8durantealimpezadosolhoseaspirac¸ãoendotraqueal.

HouveumescoresignificativamentemaisaltonaECDduranteaaplicac¸ãodoestímulodoloroso

emcomparac¸ãocomoperíododedescanso(p≤0,0001).Noentanto,nãoforamobservadas

correlac¸õesentredoreparâmetroshemodinâmicos,níveldesedac¸ãoegravidadedadoenc¸a.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](J.M.Santana). http://dx.doi.org/10.1016/j.bjan.2015.11.006

(2)

Conclusões:Esteestudopioneirodevalidac¸ãodaECDbrasileiraapresentaíndicessatisfatórios

deconsistênciainterna,confiabilidadeentreavaliadores,responsividadeevalidade.Portanto,

aversãodaECDbrasileirafoiconsideradauminstrumentoválidoparaserusadoempacientes

adultossedadoseventiladosmecanicamentenoBrasil.

©2016SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eum

artigoOpen Accesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(

http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

KEYWORDS

Validationstudies; Painmeasurement; Intensivecareunits; BehavioralPainScale; BrazilianBPS

ValidationoftheBrazilianversionofBehavioralPainScaleinadultsedated andmechanicallyventilatedpatients

Abstract

Backgroundandobjectives: TheBehavioralPainScaleisapainassessmenttoolfor

uncommuni-cativeandsedatedIntensiveCareUnitpatients.ThelackofaBrazilianscaleforpainassessment

inadultsmechanicallyventilatedjustifiestherelevanceofthisstudythataimedtovalidate

theBrazilianversionofBehavioralPainScaleaswellastocorrelateitsscoreswiththerecords

ofphysiologicalparameters,sedationlevelandseverityofdisease.

Methods:Twenty-fiveIntensiveCareUnitadultpatientswereincludedinthisstudy.The

Bra-zilian Behavioral PainScale version (previously translated and culturally adapted) and the

recording of physiological parameters were performed by two investigators simultaneously

during rest, during eye cleaning (non-painful stimulus)and during endotracheal suctioning

(painfulstimulus).

Results:Highvaluesofresponsivenesscoefficient(coefficient=3.22)wereobserved.The

Cron-bach’salphaoftotalBehavioralPainScalescoreateyecleaningandendotrachealsuctioning

was0.8.TheintraclasscorrelationcoefficientoftotalBehavioralPainScalescorewas≥0.8at

eyecleaningandendotrachealsuctioning.TherewasasignificanthighestBehavioralPainScale

scoreduringapplicationofpainfulprocedurewhen comparedwithrest period(p≤0.0001).

However,nocorrelationswereobservedbetweenpainandhemodynamicparameters,sedation

level,andseverityofdisease.

Conclusions:ThispioneervalidationstudyofBrazilianBehavioralPainScaleexhibits

satisfac-toryindexofinternalconsistency,interraterreliability,responsivenessandvalidity.Therefore,

theBrazilianBehavioralPainScaleversionwasconsideredavalidinstrumentforbeingusedin

adultsedatedandmechanicallyventilatedpatientsinBrazil.

©2016SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.PublishedbyElsevierEditoraLtda.Thisisan

openaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(

http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introduc

¸ão

Os pacientes criticamente doentes com frequência sen-temdoredesconfortoduranteapermanênciaemUnidade deTerapiaIntensiva(UTI).UTIssãocentrosespecializados nos quais os indivíduos estão expostos a diferentes fato-resqueprovocamdoraguda,inclusiveosprocedimentosde rotina,1---5comoaspirac¸ãoendotraqueal,rolamento,punc¸ão

intravenosacentral e periférica.6 Portanto,a avaliac¸ão e

o tratamento da dor em pacientesde UTI sob ventilac¸ão mecânicaforamconsideradosimportanteseestudadosnas últimasduasdécadas.7

ASocietyofCriticalCareMedicine(Sociedadede

Medi-cinadeCuidadosIntensivos)recomendaqueadordeveser rotineiramentemonitorada em todosospacientesadultos internadosem UTI.8 Queixas de dor, parâmetros

fisiológi-cos e escalas para avaliar oscomportamentos típicos dos pacientessãométodosdisponíveisparaaavaliac¸ãodador. Contudo,ospacientesgravesmuitasvezesnãoconseguem secomunicardeformaeficazdevidoàgravidadedadoenc¸a,

ventilac¸ãomecânica,administrac¸ãodesedativose analgési-cosouporestaremcomoníveldeconsciênciareduzido.4,9,10

Poroutrolado,ospacientespodemseravaliadospormeio deparâmetrosfisiológicosedousodetabelascombasenos comportamentostípicos.Porém,osparâmetrosfisiológicos, comopressãoarterial,frequênciacardíaca,saturac¸ão peri-férica de oxigênio e frequência respiratória, parecem ser menosválidosparaavaliaradorempacientesdeUTIdevido à doenc¸a subjacente e ao tratamento com inotrópicos e vasoconstritores.11---13 Portanto, a Sociedade de Medicina

deCuidadosIntensivosaconselhaouso deferramentasde avaliac¸ãodadorquetenhamcomofocoprincipalos indica-dorescomportamentaisdedor.8

Nessecontexto,comoobjetivodequantificaradorem pacientessobventilac¸ãomecânica,aBehavioralPainScale

(BPS)foiprimeiramentevalidadaeminglês.6ABPSfoi

tra-duzidaparaquatroidiomas6,14---16evalidadaemapenasdois

deles.6,15 Vários estudosmostraramque a BPSé confiável

eresponsiva.10,17---25Apesar daimportânciadaavaliac¸ãoda

(3)

há umacarência deestudosbrasileirossobreo tema.Isso ocorre devido à inexistência de escalas validadas em lín-gua portuguesa do Brasil para medir a dor em pacientes deUTI.NoBrasil,a BPSfoi primeiramentetraduzida para o português do Brasil em um estudo preliminar recente-mente publicadopelo nossogrupo.26 Aescalafoiaplicada

empacientessobventilac¸ãomecânicaemostrousermuito promissoracomoferramentaparamediradorempacientes deUTIbrasileiras.Portanto,aimportânciadamensurac¸ão da dor em pacientes sem comunicac¸ão verbal internados em UTIs e a ausência de uma escala brasileira validada paraesse fimdestacam arelevância deste estudo. Consi-derandoopotencialdaBPSparamediradorempacientes sobventilac¸ãomecânica,26esteestudotevecomoobjetivo

analisaraconfiabilidade,responsividadeevalidadedaBPS traduzidaparaalínguaportuguesadoBrasil.

Métodos

Amostra

Fizemos um estudo transversal com um projeto de mensurac¸õesrepetidas em 25 indivíduos sedados e venti-lados mecanicamente,internados em UTI cardíaca deum hospitalpúblico.Otamanhodaamostrafoi estimadocom baseem umaprecisãodocoeficientealfadeCronbach de 0,90±0,05 para umaescala com três subescalas como a BPS.Portanto,devemosavaliarnesteestudoummínimode 25indivíduos.18Todososindivíduosforamlegalmente

repre-sentadospor seusresponsáveisque assinaramo termo de consentimento,poisospacientesestavaminconscientesou emusodemedicamentossedativos.OsComitêsda Univer-sidadeFederaldeSergipeedeÉticadohospitalaprovaram oprotocolodoestudo.

Pacientesqueestavamsedadoseinconscientes,emuso deventilac¸ãomecânicaenoperíodopós-operatório (imedi-atoou tardio) de cirurgia derevascularizac¸ão miocárdica (CRM) ou cirurgia valvar (CV) foram incluídos no estudo. Oscritérios de exclusão forampacientes com idade infe-riora18anose/ou comumadasseguintescondic¸õesque

poderiamalterarasexpressõescomportamentais: tetraple-gia,neuropatiaperiférica,rigidezdevidoàdecorticac¸ãoou descerebrac¸ãoouemusodebloqueadoresneuromusculares duranteaavaliac¸ão.

Procedimentosmetodológicosdevalidac¸ão

A versão brasileira da BPS foi desenvolvida após processo de validac¸ão com base em procedimentos preestabelecidos,27,28comomostradonafigura1.

Osprimeiroscincoprocedimentos(daautorizac¸ãoao pré--teste) foram feitos no estudo preliminar publicado pelo nossogrupo.26 Devido à existênciade dúvidas e à

discre-pância entre os investigadores quanto à adequac¸ão dos significadosdecada itemparaa práticaclínicadurante o pré-teste, uma segunda revisão foi feita pelo comitê de especialistas.Apósessarevisãoechegaremaumconsenso, o‘‘manualdeaplicac¸ãodaversãobrasileiradaBPS’’foi cri-adocomexplicac¸õeseadequac¸ãopráticadossubitens(ver conteúdosuplementardigital,umdocumentodetextocom guiadaversãobrasileiradaBPS).

TreinamentodaequipedeUTI

Paraafasedetestedaversãofinal,quatroprofissionaisda equipedeUTI(trêsfisioterapeutaseumenfermeiro)foram recrutadosetreinadosparaparticiparcomoinvestigadores nesteestudo. Esses profissionais leram individualmente o manualdeaplicac¸ão daversãobrasileira daBPS antesda coletade dados para padronizar a avaliac¸ão. Explicac¸ões paraquaisquerdúvidasforamfornecidasparaevitarviésna interpretac¸ãodositens.

Cadaumdessesprofissionaisdesaúdeexerceuatividades específicas durante a avaliac¸ão. Dois fisioterapeutas fica-ramresponsáveispelaavaliac¸ãodador(registosimultâneo dos escores da BPS) e um pelo registro dos parâmetros fisiológicos(observac¸ãodomonitormultimodal), enquanto o profissional de enfermagem fez os procedimentos de rotina(dolorososeindolores).Paramediraconfiabilidade,

Autorização

Primeira revisão pelo

comitê de especialistas Pré-teste

Teste da versão final

Segunda revisão pelo comitê de especialistas Tradução e síntese Retrotradução

(4)

os profissionais não podiam manter qualquer tipo de comunicac¸ãoentresiduranteesseprocesso.

Coletadedados

Antesdeavaliarador,osdadosdereferência,comoidade esexo,diagnósticosclínicos,usodesedativose/ou analgé-sicosegravidadedadoenc¸a(ApacheII)29foramregistrados

combaseeminformac¸õesdoprontuáriomédico.Onívelde sedac¸ãodopacientefoiavaliadocomasescalasdeRamsaye RASS.30---32 Essasferramentasforamescolhidaspara

estabe-leceraincapacidadedeverbalizac¸ãodosindivíduoscausada porefeitossedativos.

Procedimentosdoestudo

A avaliac¸ão da dor com a versão brasileira da BPS ocor-reu em três momentos: em repouso (paciente estável no leito),durantealimpezadosolhos(LO)comalgodão embe-bidoem sorofisiológicoa0,9% (procedimentoindolor)24 e

durante a aspirac¸ão traqueal (AT) com inserc¸ão do cate-ternasviasaéreas (procedimentodoloroso).24,26,33---35Além

dos escores de dor, os parâmetros hemodinâmicos foram registradosduranteastrêsfasesdeavaliac¸ão.Pressão arte-rialsistólica(PAS),pressãoarterialdiastólica(PAD),pressão arterialmédia(PAM),FCeSpO2forammedidascommétodos nãoinvasivos.

Análiseestatística

OsdadosforamanalisadoscomoprogramaestatísticoSPSS versão22.0(SPSS,Inc.,Chicago,IL)eoGraphPadPrism5

(GraphPadSoftware,Inc.,LaJolla,CA).Osdadosde

refe-rênciaforamexpressosem média±erropadrãodamédia. OtestetdeStudenteo testeexatodeFisher foram usa-dosparacompararotipodecirurgiaeosdadosnoperíodo pós-operatório.

Confiabilidade,responsividadeevalidadeforamas pro-priedadespsicométricasanalisadasna versãobrasileira da BPS.AconfiabilidadeinteravaliadordaBPSfoitestadapelo cálculo dos coeficientes de correlac¸ão intraclasse (CCI) e aconsistência interna foi avaliada com o coeficientealfa deCronbach.Essesforamcalculadosparaoescoretotalda versãobrasileiradaBPSeparacadasubitemduranteLOe AT.Osvaloresentre0,70 e0,80foramconsideradoscomo aceitáveiseosvalores>0,80comobons.36,37

Responsividade é a capacidade de detectar alterac¸ões significativasaolongodotempo.Essecoeficientefoiobtido com a divisão daa diferenc¸a entreos escoresmédios da versãobrasileira daBPSemrepousoeduranteos procedi-mentosdolorosospelodesviopadrão(SD)dosescoresmédios em repouso. Umcoeficiente com valor superior a 0,8 foi consideradosatisfatório.38

Acapacidadedeumaescalaparamediroquesepropõe caracterizaavalidadedoinstrumento.Essacapacidadefoi estabelecidadetrêsformas:construto,critérioeconteúdo. Os escores de dor não foram distribuídos normalmente e, portanto, testes estatísticos não paramétricos foram aplicados. A correlac¸ão de Spearman foi calculada para compararosescoresdaversãobrasileiradaBPSdurantea

AT com parâmetros fisiológicos, escores de Ramsay, RASS e Apache II (validadede construto), enquanto o teste de Friedmaneem seguida opós-testedeDunn foramusados para analisarasdiferenc¸as nosescoresde dordurante os tempos de avaliac¸ão (validade de critério). As revisões semânticas,idiomáticas,conceituaisepráticasdositensda versãobrasileiradaBPSfeitasporumacomissãodeperitos nafasedepré-testeenotestedaversãofinalconsistiram emanálisedavalidadedeconteúdo.28

Osdados hemodinâmicosforamnormalmente distribuí-dos,portanto, paradeterminaralterac¸õesnosparâmetros fisiológicos aolongodotempo(em repouso,duranteLOe AT),Anovasimplesfoifeitaparamedidasrepetidas.Apenas os pacientes com avaliac¸ão completa dos registros foram qualificados para a análise. A significância para todos os testesestatísticosfoiestabelecidaemp≤0,05.

Resultados

Foramincluídosnesteestudo25pacientes.Osdadosbasais (idade, sexo, tipo de cirurgia, pós-operatório, escore ApacheII)sãoapresentadosnatabela1.

Não houve diferenc¸a significativa entre os indivíduos submetidosàCVourevascularizac¸ãodomiocárdiono pós--operatórioimediatooutardio(p≥1,0).Damesmaforma, não observamos influência do tipo de cirurgia e do pós--operatório sobre os parâmetros de gravidade da doenc¸a oude sedac¸ão(p≥0,05). Portanto,o tipodecirurgia e o pós-operatórionãoinfluenciaramosresultados.

Todosos pacientesestavam sedados em infusão contí-nua(midazolamefentanil)nomomentodaavaliac¸ão,uma hora(períodoimediato)oumaisde48horas(períodotardio, 5±1,2 dias)apóso procedimentocirúrgico.Bloqueadores neuromusculareseanalgésicosnãoforamadministradosnas oitohorasqueprecederam aavaliac¸ão paranãointerferir nosdadoscoletados.

Tabela1 Dadosdemográficos(n=25pacientes)

Variável Especificac¸ão

Idade(anos) 60±2,1a

Sexo

Masculino 10

Feminino 15

Tipodecirurgia

CV 12

CRM 13

Períodopós-operatório

Imediato 16

Tardio 9

Ramsay 4,9±0,21

RASS −3,8±0,24

ApacheII 19,12±0,89a

CRM,cirurgiaderevascularizac¸ãomiocárdica;CV,cirurgia val-var;Imediato,umahora(h)apósacirurgia;Tardio,24hapósa cirurgia.

(5)

Tabela2 Variáveisfisiológicasnostrêsmomentosdeavaliac¸ãocomaversãobrasileiradaBehavioralPainScale

Variável Repouso Limpezadosolhos Aspirac¸ãotraqueal Valor-pa

PAS(mmHg) 122,4±3,6 119,4±3,8 123,4±4,2 0,5

PAD(mmHg) 71,5±2,8 69,7±3,9 73,1±3,9 0,4

PAM(mmHg) 82,4±3,1 81,3±3,8 82,8±4,0 0,8

FC(bpm) 82,7±4,0 85,8±4,7 84,7±4,2 0,4

SpO2 97,4±0,3 96,3±0,8 97,2±0,3 0,2

FC,frequênciacardíaca;PAD,pressãoarterialdiastólica;PAM,pressãoarterialmédia;PAS,pressãoarterialsistólica;SpO2,saturac¸ão periféricadeoxigênio.

Dadosexpressosemmédia±erropadrãodamédia.

p≥0,05(Anovasimplesparamedidasrepetidas).

Confiabilidade

Considerandosatisfatóriososvaloresestabelecidosdo coe-ficientealfadeCronbach,36houveumaaltarelac¸ãoentreos

itensdasescalas(consistênciainterna)duranteos procedi-mentosdeLOeAT(alfadeCronbach=0,8cada).

De forma semelhante, valores elevados de CCI foram obtidos paraosescorestotais daversão brasileira daBPS duranteLO(CCI=0,8)eAT (CCI=0,9).Paraosescoresdos subitens,aanáliseresultou emmaiorconcordânciae con-fiabilidadeentreosinvestigadoresparaositensexpressão facialduranteessesmomentos(CCI≥0,8).

Responsividade

O coeficiente calculado resultou em uma boacapacidade dedetectaralterac¸ões naintensidade dadorao longodo tempo. Ovalorobtidofoide3,22; consideradodegrande efeitoparaumaescala.38

Validade

As alterac¸ões das variáveis fisiológicas são apresentadas na tabela2.Nãohouve aumentosignificativoemtodasas variáveisfisiológicasquandoessesvaloresforam compara-dosemrepousoeduranteLOeAT.Avalidadedeconstruto foi avaliada por meio decorrelac¸ões entreos escores de doreosparâmetrosfisiológicos,níveisdesedac¸ãoe gravi-dadedadoenc¸a.Essascorrelac¸õesnãoforamsignificativas (tabela3).

Paraavalidadedecritério,fizemosumacomparac¸ãodos escoresde dorao longodotempo. A figura 2mostra que oescore finaldaversãobrasileira daBPSfoi significativa-mentemaiorduranteoprocedimentodoloroso(AT)doque emrepouso(p≤0,0001).

Discussão

Este estudo pioneiro devalidac¸ão da versão brasileira da

Behavioral Pain Scale (BPS) obteve índices satisfatórios

deconsistênciainterna, confiabilidadeinteravaliador, res-ponsividade e validade. Além disso, as correlac¸ões não significativasentreintensidadedadoreparâmetros fisioló-gicos,níveisdesedac¸ãoegravidadedadoenc¸asugeremque essaferramentadeavaliac¸ãodadoréumpoderoso instru-mentoparadetectaradorempacientesdeUTIbrasileiras.

Tabela3 Correlac¸ãoentreosescoresdaversãobrasileira daBehavioralPainScaleduranteprocedimentosdolorosose

osparâmetrosfisiológicos,níveisdesedac¸ãoegravidadeda

doenc¸a

Aspirac¸ãotraqueal

EscoreBPS

CC Valor-p

PAS 0,35 0,86

PAD −0,83 0,69

PAM −0,17 0,93

FC −0,30 0,89

SpO2 0,11 0,61

Ramsay −0,34 0,10

RASS 0,32 0,12

ApacheII −0,03 0,89

APACHE,AcutePhysiologyHealthChronicEvaluation(Avaliac¸ão de Fisiologia Aguda e Doenc¸a Crônica); CC, coeficiente de correlac¸ãodeSpearman;FC,frequênciacardíaca;PAD,pressão arterial diastólica; PAM, pressão arterial média; PAS, pres-sãoarterialsistólica;RASS,RichmondSedation-AgitationScale

(Escala de Sedac¸ão-Agitac¸ão de Richmond); SpO2, saturac¸ão

periféricadeoxigênio.

10

***

5

Escore BPS

0

Repouso Limpeza dos olhos AT

Figura2 Alterac¸õesdosescoresdaversãobrasileiradaBPS

aolongodotempo:emrepouso,durantealimpezadosolhos

e durante a aspirac¸ão traqueal. Os valores foram expressos

emmediana,percentis25e75.*p0,0001entredescansoe

aspirac¸ão traqueal(teste deFriedman epós-teste deDunn).

(6)

Avalidadedatraduc¸ãoeadaptac¸ãodaBPSparao por-tuguêsdoBrasilfoidemonstradapeloaumentosignificativo dosescoresduranteoprocedimentodoloroso(AT). Consta-tamosquea dorfoimaisintensadurante aAT doque em outrosmomentos,oqueprovaacapacidadedoinstrumento para diferenciar a dor.18 Essas alterac¸ões durante os três

momentosdeavaliac¸ãoconstituemumparâmetroqueindica avalidadedecritérioequefoiusadoemestudosanteriores dessaescalaemoutrosidiomas.10,14,15,17---25,39

A capacidade de detectar alterac¸ões importantes na intensidadedador ao longodotempocorresponde à res-ponsividade.Essapropriedadepsicométricafoiconsiderada excelenteparaa versãobrasileiradaBPScomcoeficiente altoe representativo para essa amostra. De forma seme-lhante, Aissaoui et al.18 evidenciaram alto coeficientede

responsividadeeaplicabilidadedaBPSemlínguainglesa.Em nossoestudo,oescoredaBPSemversãobrasileiradurante aLO foiumpontomaiselevado doque em repouso, mas nãofoisignificativo.Essavariac¸ãonosparâmetros compor-tamentaispodeserjustificadapelareac¸ãodopacienteao toque feito pelo investigador, que não significa uma res-postado organismo à dor. Esse resultado coincide com a observac¸ãodosaumentosnãosignificativosdosescoresde dor medidos com a BPS durante a troca de curativo do cateter,6 avaliac¸ão da temperatura corporal15 e limpeza

dos olhos24,39 quando comparado com o descanso.

Con-trariamente, Rijkenberg et al.22 observaram umaumento

significativo do escore total entre o repouso e o proce-dimentoindolor (higienebucal), bem como procedimento doloroso(rolamento)emindivíduoscriticamentedoentes.22

Uma correlac¸ão dos escores daBPS com dados fisioló-gicos,sedac¸ãoegravidadedadoenc¸anãofoiobservadano presenteestudo.Osvaloresdefrequênciacardíaca,pressão arteriale saturac¸ão nãoforamsignificativamente maiores duranteaATcomoprevisto. Opostamente,Payenetal.6e

Aissaouietal.18 observaram aumentosdapressão arterial

edafrequênciacardíacaduranteoprocedimentodoloroso. Essesautorestambémencontraramumacorrelac¸ãoinversa entreoníveldesedac¸ãoeosescoresdedorregistradospela versãooriginaldaBPS.Nessecontexto,Youngetal.24

relata-ramque,alémdossedativoseanalgésicos,atraqueostomia eoprocedimentocirúrgicoinfluenciaramaintensidadeda dormedidacomaBPS.

Recomenda-se registar os parâmetros hemodinâmicos apenascomoumcomplementoparaaavaliac¸ãodadorou quandoosindicadorescomportamentaisnãoestãopresentes àcabeceiradopaciente.11 Anãocomprovac¸ãodavalidade

decritériodessasvariáveismedidasemUTIssustentaessa recomendac¸ão.12 Portanto,nopresenteestudo não

obser-vamosumacorrelac¸ãosignificativaentreoescorededore osparâmetrosvitais, provavelmentedevido a umamenor especificidadedessasvariáveis.

Osresultadosdeconfiabilidadeforamconsiderados satis-fatóriosduranteLOeAT,comomostradoemoutrosestudos de validac¸ão da BPS.6,15,18,20,24 Valores mais elevados de

CCI (confiabilidadeinteravaliador) foram observadospara osubitem‘‘Expressãofacial’’.Amaiorconcordânciaentre osavaliadoresnesseitempodeestarligadaàfamiliaridade dessesemanalisarasalterac¸õesfaciais(movimentos espe-cíficosdos olhos, sobrancelhas, lábios e bochechas), uma atividade comum para aqueles que observam expressões faciaisdiariamente.40 Evidênciasrecentementepublicadas

apoiamasconclusõesdonossoestudo,quandoafirmamque as expressões faciais são acentuadas durante a aspirac¸ão traqueal.19 Elevar as sobrancelhas,franzir o nariz e virar

a cabec¸a para a direitae paracima sãomovimentos que indicam dor em pacientes que não podem se comunicar verbalmente.19Esseresultadoencorajaaanálisedas

expres-sõesfaciaisparaquantificarador.

A relevância deste estudo para a prática clínica con-sistenaaplicac¸ãodeumaescalavalidadaparamedirador em UTIsbrasileiras.Afacilidadedeuso,obaixo custoe a viabilidadeem língua portuguesapodemcontribuirpara o estabelecimento deprotocolosdeavaliac¸ãoe controleda dorporprofissionaisdeUTInoBrasil.

Em resumo, este estudo fornece evidências de que a versãobrasileiradaBPSapresentaboaconfiabilidade inte-ravaliador,consistênciainterna,validadeeresponsividade. A correlac¸ão não significativa entre os escores da BPS e osde outrasvariáveisreforc¸aa falta decompetência dos parâmetrosvitaisparamensurarador.Portanto,aavaliac¸ão e o controle da dor em UTIs brasileiras são incentivados com o usode escalasválidas para melhorarotratamento intensivo e, consequentemente, promover o bem-estar físicoesocial.

Estudos adicionais que envolvem amostras diferentes deUTI sãonecessários paraprovara reprodutibilidadeda versão brasileira da BPS.Além disso, tais estudos podem contribuir para reforc¸ar a importância de uma avaliac¸ão adequadaparaobomtratamentodadorporprofissionaisde saúderesponsáveisporadultosem estadocríticodesaúde noBrasil.

Sumário

A versão brasileira da BPS apresenta boa confiabilidade interobservador, consistênciainterna, validadee responsi-vidade.Essaescalaéoprimeiroinstrumentovalidadopara avaliaradoremUTIsbrasileiras.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

Agradecimentos

Ao apoio prestadopelo Hospital deCirurgia (Aracaju, SE, Brasil)paraafeituradesteestudo.

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Figura 1 Procedimentos metodológicos de validac ¸ão para a versão brasileira da Behavioral Pain Scale.
Tabela 1 Dados demográficos (n = 25 pacientes)
Tabela 2 Variáveis fisiológicas nos três momentos de avaliac ¸ão com a versão brasileira da Behavioral Pain Scale

Referências

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