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Rev. bras. ortop. vol.52 número4

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(1)

SOCIEDADE BRASILEIRA DE ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA

w w w . r b o . o r g . b r

Artigo

original

Fraturas

da

diáfise

da

clavícula

ainda

são

tratadas

tradicionalmente,

de

forma

não

cirúrgica?

Pedro

José

Labronici

a,∗

,

Fernando

Claudino

dos

Santos

Filho

b

,

Tales

Bregalda

Reis

b

,

Robinson

Esteves

Santos

Pires

c

,

Adriano

Fernando

Mendes

Junior

d

e

Kodi

Edson

Kojima

e

aUniversidadeFederalFluminense,Niterói,RJ,Brasil

bHospitalSantaTeresa,Servic¸odeOrtopediaeTraumatologia,Petrópolis,RJ,Brasil cUniversidadeFederaldeMinasGerais,BeloHorizonte,MG,Brasil

dUniversidadeFederaldeJuizdeFora,HospitalUniversitário,JuizdeFora,MG,Brasil

eUniversidadedeSãoPaulo,FaculdadedeMedicina,InstitutodeOrtopediaeTraumatologia,GrupodeTraumaOrtopédico,SãoPaulo,SP,

Brasil

informações

sobre

o

artigo

Históricodoartigo:

Recebidoem4denovembrode2015 Aceitoem24demarçode2016

On-lineem2dejunhode2016

Palavras-chave:

Fraturasósseas/cirurgia Fraturasósseas/radiografia Clavícula/cirurgia Clavícula/radiografia Placasósseas

r

e

s

u

m

o

Objetivo:Avaliaradecisãodecirurgiõesortopédicossobreemquecasosindicariamacirurgia outratariamnãocirurgicamente.

Métodos:Foramanalisadas20imagensderadiografiascomfraturadoterc¸omédioda claví-cula(AO/OTA15-B)emincidênciaanteroposterior,queforamdivididasemquatrogrupos: 1–fraturadotipoAO/OTA15-B1semdesvio;2–fraturadotipoAO/OTA15-B1comdesvio; 3–fraturadotipoAO/OTA15-B2;4–fraturadotipoAO/OTA15-B3.Aoavaliador,foisolicitado queindicasseotipodetratamento:cirúrgicoounãocirúrgico.

Resultados:Nãohouvecorrelac¸ãoforteentreaquantidadedeindicac¸õescirúrgicaseotempo deatuac¸ãodomédicoavaliadorousuaidade.Verificou-sequeamédiadeindicac¸ãode cirurgiasnototaldaamostrafoide52%.Quandoestudadasasindicac¸õespordiferentes regiõesdoBrasil,nãohouvediferenc¸asignificativa.Nãofoiverificadoqualquerpadrãopara asregiõesbrasileirasnaanáliseporcaso.Mesmodentrodeumgrupo(casosdemesma complexidade),nãofoiverificadoumpadrãoespecíficodeindicac¸ãocirúrgica.

Conclusão:Nãofoiverificadaassociac¸ãoentreaindicac¸ãocirúrgicaeotempodeatuac¸ãodo profissional.AsregiõesSuleSudestesãoasquemaisrecomendamacirurgiadosgrupos 2,3e4.Verificou-sequeemnenhumaregiãofoimantidoomesmoníveldeindicac¸ãode cirurgiasparacasosdomesmograudecomplexidade.

©2016PublicadoporElsevierEditoraLtda.emnomedeSociedadeBrasileirade OrtopediaeTraumatologia.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

TrabalhodesenvolvidonoHospitalSantaTeresa,Petrópolis,RJ,Brasil.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](P.J.Labronici).

http://dx.doi.org/10.1016/j.rbo.2016.03.004

(2)

Are

diaphyseal

clavicular

fractures

still

treated

traditionally

in

a

non

surgical

way?

Keywords:

Fractures,bone/radiography Fractures,bone/surgery Clavicule/surgery Clavicule/radiography Boneplates

a

b

s

t

r

a

c

t

Objective:Toevaluatethedecisionoforthopedicssurgeonsregardingwhichcasestheywould indicatesurgeryornon-surgicaltreatment.

Methods: 20imagesofradiographswithfractureinthemiddlethirdofthecollarbone (AO/OTA 15-B) in anteroposterior view were analyzed, and divided into four groups: group1–fracturetypeAO/OTA15-B1withoutdisplacement;group2–fracturetypeAO/OTA 15-B1 with displacement; group 3–fracture type AO/OTA 15-B2; group 4–fracture type AO/OTA15-B3.Theevaluatorwasrequestedtoindicatethechoiceoftreatment,surgicalor non-surgical.

Results: Therewasnostrongcorrelationbetweentheamountofsurgicalindicationsand theworkingexperienceorageofthemedicalevaluator.Itwasobservedthattheaverageof surgicalindicationsinthetotalsamplewas52%.Whenindicationswerestudiedindifferent areasofBrazil,therewasnosignificantdifferenceamongthem.NopatternfortheBrazilian regionsstudiedwasobservedinthecaseanalysis.Evenwithinagroup(casesofthesame complexity),nospecificpatternofsurgicalindicationwasobserved.

Conclusion: Noassociation between surgical indicationand the length ofprofessional experiencewasfound.TheSouthernandSoutheasternregionswerethosethatmost recom-mendedsurgeriesingroups2,3,and4.Innoregionthesamelevelofsurgicalindicationfor casesofthesamecomplexityratewaskept.

©2016PublishedbyElsevierEditoraLtda.onbehalfofSociedadeBrasileirade OrtopediaeTraumatologia.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introduc¸ão

Asfraturasdaclavículasãolesõescomunseocorrementre 2,6e4%dosadultos.Sãoresponsáveispor44%dasfraturasda cinturaescapular.1–3Issoocorrepelofatodeseressaregiãoa

maisdelgadadaclavículaepornãoestarprotegidaportecido muscular.Otratamentoconservadortemsidorecomendado, demostra baixas taxas de pseudartrose, em menos de 1% doscasos.4,5 Entretanto, a literaturarecentetem mostrado

taxas de pseudartrose superiores a 15% e resultados insa-tisfatórios entre23% e 31%.6–9 Esses resultados podem ser

explicados pela mudanc¸a do seguimento, melhoria das técnicasdediagnóstico, pelasmodificac¸õesdoscritériosde resultadosepeloaumentodagravidadedasfraturas.10

Otratamentocirúrgicotemsidorecomendadoemcertas ocasiões,taiscomoelevadosgrausdedeslocamentoe encur-tamentomaioresdoque20mm.11Comotratamentocirúrgico,

astaxasdepseudartrosevariamentre2%e3%comousode placase0%a10%comhastesintramedulares.Porém, resul-tadosinsatisfatóriosaindavariamde5%a36%doscasos.12–14

Numerososestudos randomizados compararam o trata-mentoconservadorcomocirúrgico.8,15–19Xuetal.19eMckee

etal.20fizeramumametanáliseparadeterminarotratamento

preferido.Essesautoresencontraramaltastaxasde pseudar-troseeconsolidac¸ãoviciosaapósotratamentoconservador.

Opropósitodesteestudofoiavaliaradecisãoentreos cirur-giõesortopédicossobreemquecasosindicariamacirurgiaou tratariamconservadoramente.Ashipótesesforam:Hipótese1 –Avaliarsecirurgiõescommenostempodeexperiência indi-camascirurgiascommaisfrequência.Hipótese2–Avaliarse emdiferentesregiõesdopaísexistediferenc¸adeindicac¸ãode

tratamento.Hipótese3–Avaliarsediferentestiposdefratura interferemnaindicac¸ãodetratamento.

Material

e

métodos

Foidesenvolvidoumprogramadecomputadorquecontinha 20 imagens de radiografiascom fratura doterc¸o médio da clavícula(AO/OTA15-B).Todasasimagenseramdefraturas agudas, somente na incidênciaem anteroposterior, e divi-didas emquatrogrupos: 1 –fratura do tipoAO/OTA 15-B1 semdesvio;2–fraturadotipoAO/OTA15-B1comdesvio;3– fraturadotipoAO/OTA15-B2;4–fraturadotipoAO/OTA15-B3. Cada grupo continha cinco imagens distribuídas aleatoria-mente.Aoavaliador,foisolicitadoqueindicasseotipode tra-tamento,conservadoroucirúrgico.Somenteforamincluídas imagensdefraturasdoterc¸omédiodaclavículaem pacien-tesacimade18anoseabaixode60.Foramexcluídasimagens depacientescomfraturaprévia,exposta,patológicae pacien-tescommorbidadepréviaqueafetavaaextremidadesuperior (incluindoa cintura escapulareapresenc¸a de comprome-timento neurovascular). Foram classificados como médicos experientesosavaliadores≥20anosdeatuac¸ãonaprofissão ecomomédicosnovososavaliadores<de20anosdeatuac¸ão. Comoesteestudoteveoobjetivodeanalisaracondutado avaliador, não foram mencionados idade, gêneroou causa do acidente, para que o avaliador indicasse o tratamento somentecomcritériosradiográficos.

(3)

Tabela1–Númerodeparticipantes,médiadeidade,médiadotempodeatuac¸ãoprofissionalepercentualgeral deindicac¸õescirúrgicas,porregiãodoBrasil

Região Númerode

participantes

Médiadeidade (anos)

Médiadetempode atuac¸ão(anos)

Percentualgeralde indicac¸õesdecirurgia

Brasil 193 43 17,5 52

Centro-Oeste 7 44 13 46

Nordeste 19 46 21 48

Norte 6 41 14 43

Sudeste 130 50 23 52

Sul 31 43 18 55

Fonte:CursosAOtraumaBrasil2014

Tabela2–Percentualdeprofissionaisqueindicamacirurgiaemcadafaixadeclassificac¸ãodotempodeatuac¸ão dosavaliadores

Grupo Caso Tempodeatuac¸ãonaprofissão

até2anos 3a6anos 7a10anos 11a20anos mais

de20anos

1 1 9,1 0,0 4,5 1,7 6,0

2 0,0 4,5 0,0 1,7 1,5

3 13,6 0,0 4,5 15,0 7,5

4 18,2 0,0 4,5 18,3 13,4

5 9,1 13,6 4,5 8,3 9,0

2 1 40,9 50,0 50,0 63,3 59,7

2 90,9 100 95,5 100 95,5

3 68,2 63,6 77,3 66,7 80,6

4 86,4 54,5 86,4 65,0 76,1

5 100 90,9 95,5 93,3 97,0

3 1 77,3 68,2 68,2 73,3 82,1

2 27,3 9,1 4,5 23,3 23,9

3 4,5 4,5 0,0 1,7 0,0

4 95,5 95,5 90,9 96,7 95,5

5 36,4 27,3 27,3 31,7 37,3

4 1 86,4 95,5 90,9 90,0 92,5

2 68,2 40,9 45,5 58,3 56,7

3 86,4 90,9 86,4 83,3 88,1

4 77,3 59,1 77,3 78,3 86,6

5 86,4 54,5 63,6 61,7 71,6

Fonte:CursosAOtraumaBrasil2014.

Resultados

Verificac¸ãodashipóteses

Foiinvestigadaapossibilidadedeexistirumarelac¸ãoentrea respostadoavaliadoreaidadeeentrearespostado avali-adoreoseutempodeatuac¸ãonaprofissão.Ainvestigac¸ão sedeuporduasmetodologias: 1)poranálisede correlac¸ão deSpearmanentreaquantidadederespostasqueindicaram cirurgiadoavaliadoresuaidadeeentreaquantidadede res-postasqueindicaramcirurgiadoavaliadoreotempoqueele temdeatuac¸ãonaprofissão;2)testequi-quadradoque ava-liouaassociac¸ãosignificativaentreaclasseetáriaearesposta decadaquestão.Atabela4mostraoresultadodaanálisede correlac¸ão.Comopodeservisto,nãohácorrelac¸ãoforteentre aquantidadedeindicac¸õescirúrgicaseotempodeatuac¸ão domédicoavaliadorousuaidade.Asanálisesporteste qui--quadradotambémnãomostraramassociac¸õessignificativas entrearespostaeogrupoetárionas20avaliac¸ões.

A figura 1 demonstra os resultados dos avaliadores. Verificou-se que a médiade indicac¸ão de cirurgia no total daamostrafoide52%.Quandoestudadasasindicac¸õespor diferentesregiõesdoBrasil,nãoseobservaramdiferenc¸as sig-nificativasentreasregiões.

Asfiguras2-5demonstramaincidênciade indicac¸ãode cirurgiaparaosdiferentesgruposdefratura.

Conforme demonstradonafigura6,tantoparaaanálise globalquantoentreasregiões,aproporc¸ãoderecomendac¸ão cirúrgicaémuitomenor,comoesperado,nogrupo1.Oscasos dogrupo2receberammaisindicac¸õescirúrgicasdoqueosdo grupo3emtodasasregiõesesónãosuperaramopercentual deindicac¸õescirúrgicasdogrupo4(demaisalta complexi-dade)nasregiõesCentroOesteeNorte.

Afigura7mostraque,emumaanáliseglobal,emtodosas radiografiasdosgrupos2,3e4,osmédicosdaregiãoSule Sudesteapresentammaiorespercentuaisdeindicac¸ão cirúr-gica.

(4)

Tabela3–Percentualdeprofissionaisqueindicamacirurgiaemcadafaixaetáriadosavaliadores

Grupo Caso Faixaetáriadosavaliadores

até29anos 30a39anos 40a49anos 50a59anos mais

de60anos

1 1 5,0 4,5 0,0 3,2 13,0

2 5,0 1,5 0,0 3,2 0,0

3 10,0 9,1 15,1 3,2 4,3

4 10,0 12,1 17,0 6,5 17,4

5 5,0 9,1 7,5 12,9 8,7

2 1 35,0 59,1 54,7 61,3 65,2

2 90,0 98,5 98,1 93,5 100

3 75,0 72,7 64,2 74,2 87,0

4 80,0 74,2 64,2 71,0 82,6

5 100 95,5 94,3 90,3 100

3 1 65,0 77,3 71,7 80,6 82,6

2 15,0 16,7 28,3 22,6 13,0

3 5,0 1,5 1,9 0,0 0,0

4 90,0 97,0 96,2 90,3 100

5 25,0 33,3 35,8 35,5 30,4

4 1 85,0 92,4 86,8 93,5 100

2 60,0 53,0 58,5 58,1 47,8

3 90,0 86,4 83,0 83,9 95,7

4 65,0 77,3 77,4 83,9 91,3

5 60,0 72,7 58,5 71,0 73,9

Fonte:CursosAOtraumaBrasil2014.

complexidade),não foi verificado um padrão específicode indicac¸ãonasregiõesdoBrasil.

Discussão

Nesteestudo,pretendemosresponderàpergunta:Fraturasdo terc¸omédiodaclavículaaindasãotratadastradicionalmente, deformanãocirúrgica?

Pormeiode trêshipóteses,demonstramosquetantoos avaliadoresmenosexperientesquanto osmaisexperientes apresentaram uma uniformidade ao indicar o tratamento cirúrgico. Diferentes regiões do país, mesmo com grandes diferenc¸associoeconômicas,mantiveramumpadrãoparaa indicac¸ão de tratamento. Não foi possível determinar, por

Tabela4–Índicedecorrelac¸ãodeSpearmanentre quantidadedeindicac¸õescirúrgicaseotempode atuac¸ãoeentreaquantidadedeindicac¸õescirúrgicas eaidade

Tempode atuac¸ão

Idade

Quantidadedeindicac¸õesparacasosdo grupo1

-0,01 0,01

Quantidadedeindicac¸õesparacasosdo grupo2

0,08 0,08

Quantidadedeindicac¸õesparacasosdo grupo3

0,03 0,11

Quantidadedeindicac¸õesparacasosdo grupo4

0,04 0,09

Quantidadedeindicac¸õesnototalde casos

0,05 0,10

Fonte:CursosAOtraumaBrasil2014.

meiodascaracterísticasradiográficasdafratura,comoo tama-nho dodesvio,asangulac¸õesea gravidade,podemdefinir tratamento.

A literatura em geral sugere que todas as fraturas da clavícula apresentam bons resultados com o tratamento conservador.4,5RelatosanterioresaHipócratesobservavam

que“quandoafraturadaclavículaésimplesetransversa,o tratamento émais fácil; poroutrolado, quando éoblíqua, otratamentosetornamaisdifícil”.21Recentemente,estudos

demonstram que o tratamento cirúrgico é preferido para casos específicos (especialmente fraturas desviadas).6,9 A

literatura atual, aocomparar ostratamentos, tem relatado queotratamentocirúrgicoreduzastaxasdepseudartrosee consolidac¸ãoviciosasintomáticaeoferecemelhores resulta-dosfuncionais,assimcomoretornoprecoceàatividade.17,20,22

Pieskeetal.23publicaramosresultadossobreapreferênciado

tratamentoparaasfraturasdoterc¸omédiodaclavículaem umapesquisacom142pacientesdaAlemanhaeobservaram umamédiade26%defraturas tratadascirurgicamentepor

52

Indicar

iama cir

urgia (%)

46 48 43

52 55

Brasil

Centro Oeste Nordeste

Nor te

Sudeste Sul

0 20 40 60 80 100

Figura1–Percentualgeraldeindicac¸õescirúrgicas,por regiãodoBrasil.

(5)

0

7 11

Indicar

iama cir

urgia (%)

2 3 7 10

20 40 60 80 100

Brasil

Centro Oeste Nordeste

Nor te

Sudeste Sul

Figura2–Percentualgeraldeindicac¸õescirúrgicas,paraogrupo1–fraturadotipoAO/OTA15-B1semdesvio,porregião doBrasil.Radiografiaquerepresentaogrupo.

0 79

66 79

60

80 81

20 40 60 80 100

Indicar

iama cir

urgia (%)

Brasil

Centro Oeste Nordeste

Nor te

Sudeste Sul

Figura3–Percentualgeraldeindicac¸õescirúrgicas,paraogrupo2–fraturadotipoAO/OTA15-B1comdesvio,porregião doBrasil.Radiografiaquerepresentaogrupo.

0 20

45

40 39 43 46

48

40 60 80 100

Indicar

iama cir

urgia (%)

Brasil

Centro Oeste Nordeste

Nor te

Sudeste Sul

Figura4–Percentualgeraldeindicac¸õescirúrgicas,paraogrupo3–fraturadotipoAO/OTA15-B2,porregiãodoBrasil. Radiografiaquerepresentaogrupo.

76

69 71 67

76 81

20 40 60 80 100

Indicar

iama cir

urgia (%)

Brasil

Centro Oeste Nordeste

Nor te

Sudeste Sul

(6)

100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0

Indicações cir

úgicas (%)

Brasil

Grupo 1 Grupo 2 Grupo 3 Grupo 4

Centro Oeste

Nordeste Norte Sudeste Sul

Figura6–Percentualdecirurgiõesqueindicariama cirurgianoBrasileporregiãodoBrasil,paracadagrupode imagens,definidosegundoacomplexidade.

Fonte:CursosAOtraumaBrasil2014.

ano. Infelizmente, os autores não classificaram o tipo de fratura.Heueretal.10demonstraramqueotratamento

cirúr-gicofoirecomendadoem56%eescolhidoem60%doscasos, provavelmentedevidoàselec¸ãodoscasos,queapresentava uma grande proporc¸ão de fraturas desviadas. Entretanto, esse estudo demonstrou uma grande tendência de que o tratamentocirúrgicosetornamaisusado.

Ahipóteselevantadaeraseavaliadoresexperientes indi-cariam mais o tratamento conservador do que os menos experientes,poishaviaumconsenso,tantonoslivros-texto comonosartigos,sobreaideiadeque“tradicionalmenteas fraturasdaclavículasãotratadasdeformanãocirúrgica”.Já osavaliadoresmenosexperientes,emtese,indicariammaisas cirurgias,devido,entreoutrascausas,aodesenvolvimentode novastecnologias.Nesteestudo,ahipótesedeexistirrelac¸ão entrearespostadoavaliadoreaidadeearespostadoavaliador eotempodeatuac¸ãonaprofissãofoirejeitada.Como demons-tradonosresultados,nãofoiobservadaqualquertendênciaou associac¸ãosignificativaentreosavaliadoresmaisexperientes eosmaisnovos(emrelac¸ãoàidade),oumenosexperientes (emrelac¸ãoaotempodeatuac¸ãonaprofissão).Aindicac¸ão paraotratamentocirúrgiconesteestudoficouem52%,oque estádeacordocomHeueretal.10Opercentualdeprofissionais

queindicamacirurgia,otempodeatuac¸ãodosavaliadores

e a faixa etária dos avaliadores estão demonstrados nas

tabelas2e3.

Outrahipóteselevantadafoiseemdeterminadasregiões dopaís,commaisdificuldadessocioeconômicas,aindicac¸ão decirurgiapoderiavariar.Essahipótesetambémfoirejeitada. Observou-se que, na análiseglobal, mesmo dentro de um mesmogrupo(casosdemesmacomplexidade),nãofoi verifi-cadoumpadrãoespecíficodeindicac¸ãonasregiõesdoBrasil. Osavaliadoresdas regiõesSuleSudestedestacaram-sepor indicar maiscirurgias. Entretanto,para oscasos de fratura simples,aregiãoCentro-Oesteapresentouomaiorpercentual deindicac¸õescirúrgicas(11%),enquantoasregiõesNordestee Norteapresentarampercentuaisde3%e2%,respectivamente, deindicac¸õescirúrgicasparaasimagensdefraturassimples. As regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste apresentaram percentuais de indicac¸ões cirúrgicas abaixo da proporc¸ão global,excetonoscasosdogrupo1,emquearecomendac¸ão cirúrgicafoi maiscomumparaoCentro-Oeste(11%),maior doqueoíndiceglobal,queéde7%.Umfatorrelevante foi a observac¸ão da ausência de um padrão para as regiões brasileiras na análise por caso de mesma complexidade. Esperava-se quecada gruporegionalde avaliadorestivesse percentuaisdeindicac¸õescirúrgicassemmuitavariabilidade dentrodeummesmogrupo,umavezqueasimagensdeum mesmogrupoapresentavamomesmograudecomplexidade. Contudo, foiobservadaaltavariabilidadedas indicac¸õesde cirurgiasdentrodeummesmogrupodecomplexidade.

A hipótese seguinte foi observar se diferentes tipos de fratura modificariam a indicac¸ão de tratamento, se o grau de complexidade orientao tipo de tratamento;ou seja,se quantomaiscomplexaafratura,maioroíndicedeindicac¸ão decirurgia.

Tanto na amostra geral como para as regiõesdo Brasil estudadas,ahipótesedequequantomaiscomplexoocaso maisindicac¸õescirúrgicasocorremtampoucoseconfirmou. Tanto na análise global quanto nas regiões estudadas, a proporc¸ãoderecomendac¸ãocirúrgicafoimuitomenor,como esperadonogrupo1.Oscasosdogrupo2(fraturassimples desviadas)receberam maisindicac¸õescirúrgicas doqueos casos dogrupo 3emtodas asregiõesesó não superaram o percentualdeindicac¸õescirúrgicas dogrupo4(demaior complexidade)nasregiõesCentro-OesteeNorte.

100

90

80

70

60

50

40

30

20

10

0

Indicações cir

úgicas (%)

Brasil

Grupo 1 7 11

2 3 7 10

79

66 79

60 80 81

45 40 3943 46

48 76

697167 7681

5246 48 43

52 55

Grupo 2 Grupo 3 Grupo 4 Global

Centro Oeste Nordeste Norte Sudeste Sul

Figura7–Percentualdecirurgiõesqueindicariamacirurgiaeparacadagrupodeimagensdefinidosegundoa complexidade,noBrasileporregiãodoBrasil.

(7)

Existem algumas limitac¸ões neste estudo, entre elas a selec¸ãodosavaliadores.Foramanalisadasasinformac¸õesde cirurgiões ortopédicosgerais, enão específicos da área de traumaoudecirurgiadoombro.Outralimitac¸ãofoiafalta deinformac¸ãosobregênero,idadeecausadafratura,oque poderia,dealgumaforma,mudaraindicac¸ão.Entretanto,essa faltadeinformac¸ãofoiproposital,poisoobjetivodoestudo foiavaliarradiograficamenteasindicac¸õesdetratamento.Há queseconsiderartambém,obaixonúmerodeavaliadoresdo Centro-OesteeNortedopaís.

Conclusão

Nãofoiverificadaassociac¸ãoentreaindicac¸ãocirúrgicaeo tempodeatuac¸ãodoprofissional.

AsregiõesSuleSudestesãoasquemaisrecomendama cirurgiadosgrupos2,3e4.Dentreascirurgiasdogrupo1, osavaliadoresdaregiãoCentro-Oestesedestacamcomoos quemaisrecomendamacirurgia.Tambémnãofoiverificado qualquerpadrãocaracterísticoparaasregiõesbrasileirasna análiseporcaso.

Mesmodentrodeumgrupo(casosdemesma complexi-dade),nãofoiverificadopadrãoespecíficodeindicac¸ãonas regiõesdoBrasil.

Verificou-sequeemnenhumaregiãoémantidoomesmo níveldeindicac¸ãoparaascirurgiasdomesmograude com-plexidade.

Na opinião dos autores, as fraturas do terc¸o médio da clavículadevem sertratadassegundo oscritériosclínicose radiográficos para conseguiros melhoresresultados,e não meramente,comocitadonamaioriadosartigoselivrostexto, quefraturasdoterc¸omédiodaclavículasãotratadas tradici-onalmentedeformanãocirúrgica.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

r

e

f

e

r

ê

n

c

i

a

s

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Tabela 2 – Percentual de profissionais que indicam a cirurgia em cada faixa de classificac¸ão do tempo de atuac¸ão dos avaliadores
Tabela 3 – Percentual de profissionais que indicam a cirurgia em cada faixa etária dos avaliadores
Figura 5 – Percentual geral de indicac¸ões cirúrgicas, para o grupo 4 – fratura do tipo AO/OTA 15-B3, por região do Brasil.
Figura 7 – Percentual de cirurgiões que indicariam a cirurgia e para cada grupo de imagens definido segundo a complexidade, no Brasil e por região do Brasil.

Referências

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