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Rev. esc. enferm. USP vol.15 número2

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Academic year: 2018

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C O N D U T A B Á S I C A D E E N F E R M A G E M N A D O E N Ç A M E N I N G O C Ó C I C A Yoriko Kamiyama *

K A M I Y A M A , Y . C o n d u t a básica de e n f e r m a g e m n a doença meningocócica. Rev. Esc. Enf. USP, S ã o Paulo, 7 5 ( 2 ) : 1 6 1 - 1 7 1 , 1 9 8 1 .

Descrição dos principais problemas de pacientes portadores da doença meningocócica e da conduta básica de enfermagem no seu controle.

I — I N T R O D U Ç Ã O

A doença m e n i n g o c ó c i c a , causada pela Neisseria meningitidis, v e m constit u i n d o m o constit i v o d e g r a n d e p r e o c u p a ç ã o e n constit r e n ó s , p e l a g r a v i d a d e c o m q u e se m a -n i f e s t a e pelas p r o f u -n d a s repercussões sociais q u e causa a sua -n a t u r e z a co-ntagiosa.

A percepção d a sociedade e m r e l a ç ã o a doenças contagiosas é, d e m o d o g e r a l , a l t a m e n t e n e g a t i v a . Os p r ó p r i o s doentes i n t e r n a d o s e m U n i d a d e s d e Isolamento i n t e r p r e t a m esse tipo d e doença c o m o " u m a das p i o r e s d o e n ç a s " ou "doença q u e todos t e m e m " 8.

Dessa f o r m a , a l é m do t r a u m a físico p r o v o c a d o p e l a patologia, o i n d i v í d u o q u e a d q u i r e t a l tipo de doença e x p e r i m e n t a sérios p r o b l e m a s de o r d e m psico-social tais como: i n s e g u r a n ç a , s e n t i m e n t o d e r e j e i ç ã o , desconforto r e l a c i o n a d o ao isola-m e n t o , preocupações e isola-m r e l a ç ã o à contagiosidade da doença e o u t r o s .

0 receio do contágio atinge t a m b é m a f a m í l i a e, d e m o d o m a i s a m p l o , a co-m u n i d a d e , sobretudo q u a n d o se trata d e e n f e r co-m i d a d e q u e possa i n c i d i r sob f o r co-m a e p i d ê m i c a , c o m o n o caso da doença meningocócica.

Essa d o e n ç a infecciosa a g u d a , c a r a c t e r i z a d a p o r h i p e r t e r m i a , cefaléia inten-sa, v ô m i t o s e m j a t o , sinais d e m e n i n g i s m o , p o r vezes a c o m p a n h a d a d e e x a n t e m a p e t e q u i a l , sufusões h e m o r r á g i c a s , d e l í r i o e c h o q u e , v e m p r e o c u p a n d o a p o p u l a ç ã o b r a s i l e i r a p r i n c i p a l m e n t e e m S ã o P a u l o , e m v i r t u d e dos surtos epidêmicos ocor-ridos n o p e r í o d o d e 1 9 7 1 a 1 9 7 7 .

A l i t e r a t u r a e s p e c i a l i z a d a2'3-9 1 0 identifica-a d a seguinte f o r m a : doença cos-m o p o l i t a ; i n c i d e p r a t i c a cos-m e n t e n o cos-m u n d o todo, e cos-m caráter e n d ê cos-m i c o c o cos-m sur-tos epidêmicos esporádicos; o c o r r e t a n t o e m regiões quentes q u a n t o e m f r i a s , sen-do m a i s c o m u m e m zonas d e c l i m a t e m p e r a d o .

E m r e l a ç ã o à distribuição sazonal, observa-se l i g e i r a elevação n a incidência d u r a n t e a p r i m a v e r a e o i n v e r n o .

N o r m a l m e n t e , o coeficiente d e m o r b i d a d e é de 2 a 4 p o r 1 0 0 . 0 0 0 h a b i t a n -tes, í n d i c e esse q u e se e l e v a a 3 0 o u m a i s e m épocas d e e p i d e m i a .

(2)

A f o n t e de infecção é o h o m e m e a transmissão dá-se pelo contagio direto i n t e r - h u m a n o .

E m b o r a a susceptibilidade ao m i c r o r g a n i s m o seja g e r a l , a m a i o r i a dos indi-v í d u o s c o n indi-v i indi-v e , e m e q u i l í b r i o , com o g e r m e , n o seu eco-sistema, sem se t o r n a r doente.

Existem a l g u n s fatores predisponentes q u e f a v o r e c e m a instalação d a doen-ça tais c o m o : baixa i d a d e , d e s n u t r i ç ã o , doendoen-ças d e base, p r o m i s c u i d a d e , excessivo desgate físico e outros ^9'1 0.

O g e r m e atinge o susceptível p e l a s v i a s aéreas superiores, localizando-se e m seguida n a o r o f a r i n g e , de o n d e , p o r contiguidade, pela v i a h e m á t i c a o u a i n d a acom-p a n h a n d o as bainhas dos n e r v o s c r a n i a n o s , alcança as m e n i n g e s , acom-p r o d u z i n d o sua i n f l a m a ç ã o . P o d e t a m b é m p e r m a n e c e r n a circulação p r o v o c a n d o a m e n i n g o -coccemia.

0 q u a d r o clínico é m u i t o v a r i á v e l , p o r é m as f o r m a s m a i s c o m u n s são as de m e n i n g i t e e meningococcemia, g e r a l m e n t e g r a v e s .

I I — O P A C I E N T E D E D O E N Ç A M E N I N G O C Ó C I C A E S E U S P R O B L E M A S M u i t o s são os p r o b l e m a s e n f r e n t a d o s pelo paciente acometido pela doença meningocócica.

A l é m das lesões patológicas, do desconforto e i n s e g u r a n ç a i n e r e n t e s à pró-p r i a doença, o doente e x pró-p e r i m e n t a sérias pró-preocupró-pações relacionadas à n a t u r e z a t r a n s m i s s í v e l da afecção, tais como: m e d o do a p a r e c i m e n t o de n o v o s casos n a f a m í l i a , s e n t i m e n t o d e v e r g o n h a p o r t e r a d q u i r i d o esse tipo de afecção, sensação de ser i n d e s e j á v e l aos outros, desconforto e estresses gerados pelo t r a t a m e n t o agressivo e pelo a m b i e n t e t r a u m a t i z a n t e que é o i s o l a m e n t o .

A n a l i s a d a s à l u z d a s necessidades básicas h u m a n a s , q u e são p a r â m e t r o s p a r a identificação dos p r o b l e m a s do paciente, as alterações m a i s significativas e m pa-cientes de doença meningocócica são detectadas e m r e l a ç ã o às seguintes necessidades: i n t e g r i d a d e física e cutâneomucosa; r e g u l a ç ã o i m u n i t á r i a , térmica, n e u r o -lógica, v a s c u l a r ; e l i m i n a ç ã o ; m o t i l i d a d e e m e c â n i c a c o r p o r a l ; percepção v i s u a l , a u d i t i v a e dolorosa; a m b i e n t e ; terapêutica; s e g u r a n ç a ; a u t o n o m i a ; i n f o r m a ç ã o ; consideração e necessidade social.

Os p r o b l e m a s encontrados com m a i o r f r e q ü ê n c i a são a seguir descritos.

Sinais e sintomas cia doença

E m g e r a l , 2 a 1 0 dias após a agressão pelo g e r m e , c o m e ç a m a se e v i d e n c i a r os p r i m e i r o s sintomas: f a r i n g i t e , r i n i t e , febre e m a l estar g e r a l . E m seguida, instala-se o q u a d r o de m e n i n g i t e o u de meningococcemia.

Na m e n i n g i t e distinguem-se três síndromes p r i n c i p a i s : 1.° — infecciosa ( m a l estar geral, f e b r e , calafrios, t o x e m i a e p r o s t r a ç ã o ) ; 2 .t o r a d i c u l a r ( r i g i d e z de

(3)

P o d e m t a m b é m s u r g i r sinais e s i n t o m a s de encefalite tais como: convulsões, paralisia, t r e m o r e s , h i p o a c u s i a , ptose p a l p e b r a l , n i s t a g m o , etc. 1.2,3,5,9,10,11^

S e g u n d o a l i t e r a t u r a 3 a m e n i n g i t e meningocócica r e p r e s e n t a 4 0 , 4 % das

me-ningites p u r u l e n t a s .

A m e n i n g o c o c c e m i a caracteriza-se p o r i n í c i o r e p e n t i n o , h i p e r t e r m i a , m i a l g i a , prostração, m a l estar g e r a l , e x a n t e m a p e t e q u i a l e sufusões h e m o r r á g i c a s . Nas f o r m a s f u l m i n a n t e s , f r e q ü e n t e m e n t e sobrevém a m o r t e 1 0

.

Presença de elementos contaminantes

Nas p r i m e i r a s 2 4 h o r a s d o t r a t a m e n t o antibiótico, o doente oferece risco de transmissão do agente etiológico pelo contágio d i r e t o , m e d i a n t e secreções d a oro-f a r i n g e , das lesões cutâneas e p e l o s a n g u e .

Receio da própria doença e preocupações com a sua evolução

O receio da doença, do prognóstico, d a possibilidade de instalação de com-plicações e seqüelas s e m p r e está p r e s e n t e .

Tal receio origina-se à suspeita d a doença e agrava-se q u a n d o é f e i t a a diag-nose. Esta é feita pelo e x a m e clínico consolidado pelo e x a m e l a b o r a t o r i a l do líq u i d o c é f a l o r a líq u i d i a n o constando de: bacterioscopia, c u l t u r a e estudo líq u i m i o -citológico.

H e m o c u l t u r a , pesquisa de a n t i c o r p o s , e x a m e do m a t e r i a l das lesões cutâneas e de secreções de o r o f a r i n g e são feitos segundo a fase da doença, condições clíni-cas do paciente e recursos disponíveis 1 0

.

Na m e n i n g i t e meningocócica, o l í q u i d o c é f a l o - r a q u i d i a n o apresenta-se geral-m e n t e p u r u l e n t o , cogeral-m g r a n d e n ú geral-m e r o de células e de n e u t r ó f i l o s .

A taxa de cloretos e de glicose está d i m i n u í d a e a q u a n t i d a d e de células au-m e n t a d a .

E m g e r a l , a doença meningocócica é i n t e r p r e t a d a pela p o p u l a ç ã o como doença de e x t r e m a g r a v i d a d e e que deixa seqüelas i r r e v e r s í v e i s . F r e q ü e n t e m e n t e são encontrados pacientes q u e , e m b o r a a p r e s e n t a n d o boa e v o l u ç ã o , expressam g r a n d e d ú v i d a q u a n t o à sua r e c u p e r a ç ã o , b e m como receio de se t o r n a r i n v á l i d o s .

R e a l m e n t e , trata-se d e doença g e r a l m e n t e g r a v e . Porisso, c o n f i r m a d o o diag-nóstico ou m e s m o e m cas» d e suspeita, i m e d i a t a m e n t e deve ser i n i c i a d o o trata-m e n t o .

São utilizadas as m e d i d a s g e r a i s de sustentação e de l e v a n t a m e n t o do estado g e r a l , e, como t r a t a m e n t o específico, é a d m i n i s t r a d a P e n i c i l i n a ( P e n i c i l i n a cris-t a l i n a o u A m p i c i l i n a ) p o r v i a endovenosa. Os glicocorcris-ticoscris-teróides são usados p a r a r e d u z i r o e d e m a c e r e b r a l e e m casos de choque ^2 3

.1 0

.

Outros m e d i c a m e n t o s sintomáticos são utilizados tais como: anti-eméticos, anti-térmicos, a n t i c o n v u l s i v a n t e s , anticoagulantes, etc., segundo a necessidade do paciente ^2

-3 9

(4)

O t r a t a m e n t o precocemente i n s t i t u í d o e c o r r e t a m e n t e conduzido é f u n d a -m e n t a l p a r a o êxito n a r e c u p e r a ç ã o do paciente. 0 índice de l e t a l i d a d e , e -m 1 9 7 3 , segundo dados d o Hospital E m í l i o R i b a s citado p o r B A S T O S 2

, foi d e 3 , 4 % em r e l a ç ã o a todos os óbitos p o r essa doença e de 3 , 5 % , se descontadas as m o r t e s o c o r r i d a s n a s p r i m e i r a s 2 4 h o r a s d e i n t e r n a ç ã o .

A s p r i n c i p a i s complicações e seqüelas q u e m u i t o p r e o c u p a m os doentes, fa-m i l i a r e s e equipe de saúde são: fa-m i o c a r d i t e , c h o q u e t o x ê fa-m i c o , c o n j u n t i v i t e , pa-n o f t a l m i a , u v e i t e , coleções s u b d u r a l s , h i d r o c e f a l i a , cegueira, surdez, distúrbios do c o m p o r t a m e n t o , artrites s u p u r a t i v a s , necroses, g a n g r e n a de extremidades, etc 1 > 2

'3

>1 0

.

Desconforto provocado pelo isolamento

A u n i d a d e de isolamento é considerada a l t a m e n t e estressante e m v i r t u d e da restrição da l i b e r d a d e , do espaço e do contato interpessoal. F r e q ü e n t e m e n t e os pa-cientes queixam-se de q u e o isolamento é "semelhante à p r i s ã o " , ambiente que gera "angústia", "desespero" e " n e r v o s i s m o " .

A i n d a , a experiência de t r a b a l h o j u n t o a pacientes contagiosos, mostra que tanto estes q u a n t o seus f a m i l i a r e s t e n d e m a associar o isolamento c o m m a i o r g r a v i d a d e do caso.

A s técnicas de isolamento adotadas pela e q u i p e assistencial são t a m b é m fatores q u e a u m e n t a m o desconforto e estresse dos i n t e r n a d o s7

*8

.

Preocupação, receio e desconforto relativos à natureza contagiosa da doença.

A possibilidade de a p a r e c i m e n t o d e novos casos n a f a m í l i a é u m a d a s maiores preocupações expmaioressas n ã o só pelos pacientes m a s t a m b é m pela f a m í l i a . A m -bos, de m o d o g e r a l , quase n a d a conhecem sobre a doença e mostram-se a l t a m e n t e m o t i v a d o s e m obter i n f o r m a ç õ e s c o r r e t a s e seguras sobre o m a l , p r i n c i p a l m e n t e n o tocante ao prognóstico, m e c a n i s m o de transmissão e m e d i d a de p r o f i l a x i a .

M u i t o s pacientes r e f e r e m ter-se ressentido a r e j e i ç ã o de q u e f o r a m a l v o , q u a n d o d a elucidação do diagnóstico e m o r m e n t e após a i n t e r n a ç ã o 4 , s

.

0 sentimento de ser i n d e s e j á v e l p a r a os outros, de r e v o l t a e d e v e r g o n h a p o r ter a d q u i r i d o u m a afecção de c a r á t e r contagioso é r e f e r i d o p o r numerosos doentes.

P o r o u t r o l a d o , c o m p a n h e i r o s de t r a b a l h o d o paciente, seus chefes e até m e s m o f a m i l i a r e s , em a l g u n s casos, t ê m d e m o n s t r a d o atitudes de afastamento e r e j e i ç ã o , fatos ocorridos com r e l a t i v a f r e q ü ê n c i a d u r a n t e a e p i d e m i a de 1 9 7 1 a 1 9 7 7 .

Não são r a r o s os q u e se p r e o c u p a m c o m a possível recusa d o r e t o r n o ao em-p r e g o o u da reintegração nos g r u em-p o s sociais de o r i g e m , aem-pós a a l t a .

Insegurança

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dependên-cia e a p e r d a de a u t o n o m i a , a incerteza do sucesso do t r a t a m e n t o a percepção de a m e a ç a à v i d a , e a perspectiva de i n t e r n a ç ã o p r o l o n g a d a são fortes componentes q u e a u m e n t a m a i n s e g u r a n ç a do i n d i v í d u o .

Estresse provocado pelo tratamento agressivo.

A p u n ç ã o l o m b a r necessária p a r a o diagnóstico e controle da e v o l u ç ã o , a a d m i n i s t r a ç ã o f r e q ü e n t e e p r o l o n g a d a de m e d i c a m e n t o s p o r v i a i n t r a v e n o s a , a aplicação d e m e d i d a s r í g i d a s de contenção física p a r a e v i t a r quedas do leito, os cuidados de t e r a p i a i n t e n s i v a , p o r vezes necessários são m o t i v o s d e f o r t e estresse p a r a o paciente.

P e l a n a t u r e z a dos p r o b l e m a s e das necessidades afetadas, nota-se q u e , m e s m o s e n d o a doença meningocócica g e r a l m e n t e g r a v e , a assistência d e e n f e r m a g e m

recai p r i o r i t a r i a m e n t e n a á r e a expressiva e n ã o n a i n s t r u m e n t a l .

I I I — C O N D U T A B Á S I C A D E E N F E R M A G E M

É a x i o m a básico da assistência de e n f e r m a g e m a pacientes hospitalizados, i n d e p e n d e n t e m e n t e da patologia de q u e são p o r t a d o r e s , a compreensão d o ser h u -m a n o c o -m o u -m todo bio-psico-social q u e apresenta as necessidades básicas afeta-das p o r a q u e l a situação — estar doente e hospitalizado.

A c o n d u t a de e n f e r m a g e m deve ser dirigida p a r a a t e n d e r globalmente o in-d i v í in-d u o , o r i e n t a in-d a pelos p r o b l e m a s in-de e n f e r m a g e m q u e são os sinais e sintomas indicativos da a l t e r a ç ã o das necessidades básicas p r o v o c a d a s p e l a doença.

C o m o as necessidades básicas são i n t e r r e l a c i o n a d a s , o d e s e q u i l í b r i o de u m a necessidade afeta as d e m a i s , e m m a i o r o u m e n o r g r a u , t a n t o n o n í v e l fisiológico como n o p s i c o - s o c i a l6

. A i n d a , a n a t u r e z a essencialmente social do ser h u m a n o r e c l a m a o a t e n d i m e n t o dos p r o b l e m a s r e l a t i v o s à f a m í l i a e a o u t r o s g r u p o s so-ciais.

0 êxito d a assistência de e n f e r m a g e m repousa n a c o r r e t a identificação dos p r o b l e m a s do p a c i e n t e , n o p l a n e j a m e n t o e n a i m p l a n t a ç ã o de ações p a r a o seu a t e n d i m e n t o .

Ações de enfermagem no atendimento ao paciente com doença meningogócica

1 — I s o l a m e n t o

— I n s t a l a ç ã o e m a n u t e n ç ã o do "isolamento r e s p i r a t ó r i o " , com utilização de q u a r t o i n d i v i d u a l o u p r i v a t i v o p a r a esse tipo de doença, d u r a n t e as p r i m e i r a s 2 4 h o r a s d o t r a t a m e n t o antibiótico. E m casos d e meningococ-c e m i a , o i s o l a m e n t o d e v e r á ser "total".

(6)

do cartão as doenças ou as condições que requerem o referido tipo de

isolamento.

— Suspensão do isolamento após 24 horas de tratamento antibiótico.

— Provimento de todo material necessário, privativo para o paciente e

para os cuidados com o ambiente da unidade.

— Orientação da equipe de enfermagem sobre esse tipo de isolamento.

2 — Assistência na admissão do paciente.

— Admissão direta no quarto.

— Rápida verificação das condições do paciente e atendimento aos

proble-mas prioritários.

— Se o estado do paciente permitir: Diminuição da insegurança do recém

admitido, por meio de atenção psicológica e de orientação precisa sobre

sua situação, o ambiente de isolamento, o mecanismo de transmissão,

a equipe por ele responsável, regulamento do hospital, etc.

3 — Administração de medicamentos.

— Restrição do paciente, se necessário.

— Rápida introdução do medicamento específico e manutenção correta da

administração do esquema de tratamento.

— Manutenção da veia com soro glicosado a 5%.

— Observação das reações ao medicamento.

— Adequação da administração dos medicamentos "se necessário", às

con-dições do paciente e rotinas do hospital.

4 — Cuidados com o ambiente e material.

— Preparo e manutenção de ambiente calmo, limpo e arejado.

— Limpeza concorrente diária.

— Limpeza terminal na alta abrangendo, além da desinfecção química, a

exposição aos raios ultra-violetas durante 2 horas.

— Esterilização, no término de cada plantão, dos panos de chão

utiliza-dos na limpeza da unidade.

— Utilização da técnica de manejo de material contaminado para a

mani-pulação de todo material contaminado, roupas, louça e lixo.

o — Alimentação e hidratação.

(7)

— T r a t a m e n t o das lesões da boca antes das refeições ( l i m p e z a c o m água bicarbonatada a 2% o u 3 % e aplicação de x i l o c a i n a , 1 0 a 1 5 m i n u t o s antes das r e f e i ç õ e s ) .

— I n t r o d u ç ã o de sonda nasogástrica n a i m i n ê n c i a do estado de c o m a . — Cuidados n o r m a i s c o m a a l i m e n t a ç ã o p o r sonda nasogástrica e retirada

d a m e s m a o m a i s cedo possível.

6 — S o n o , repouso e m o v i m e n t a ç ã o .

— M a n u t e n ç ã o da posição a n t á l g i c a adotada pelo paciente.

— P r o t e ç ã o c o n t r a q u e d a s do leito.

— E s t í m u l o à m o v i m e n t a ç ã o e d e a m b u l a ç ã o precoce.

— M u d a n ç a d e decúbito s e g u n d o as necessidades do paciente.

7 — H i g i e n e c o r p o r a l .

— B a n h o c o m á g u a m o r n a e m a m b i e n t e n ã o exposto a c o r r e n t e s de a r . — B a n h o c o m K M n 04 a 1 / 4 0 . 0 0 0 q u a n d o h á lesões cutâneas generalizadas. — C u i d a d o s a h i g i e n e o r a l c o m á g u a b i c a r b o n a t a d a a 2 ou 3 % .

— A p l i c a ç ã o de compressas de álcool o u éter sobre as lesões h e r p é t i c a s , se-g u i d a de embrocação c o m V i o l e t a de G e n c i a n a .

— H i g i e n e o c u l a r com água b o r i c a d a a 2 % , e se necessário, colocação de compressa o c l u s i v a p a r a p r o f i l a x i a d e ú l c e r a d e c ó r n e a .

— L i m p e z a das c a v i d a d e s ( n a r i z , o r e l h a ) , segundo as necessidades do pa-ciente.

— C u r a t i v o s adequados d a s lesões c u t â n e a s . ( K M n 04 1 / 4 0 . 0 0 0 , F u r a c i n ou outros m e d i c a m e n t o s ) .

8 — Observação e a t e n d i m e n t o de p r o b l e m a s especiais.

— estado de consciência;

— agitação e outros sinais e s i n t o m a s específicos; — alterações de c o m p o r t a m e n t o ;

— a l e r g i a a m e d i c a m e n t o s ;

— complicações d a doença ( a r t r i t e s , b r o n c o p n e u m o n i a , g a n g r e n a s , e t c ) ; — a c u i d a d e e condições dos órgãos dos sentidos;

(8)

— evolução das sufusões h e m o r r á g i c a s ; — queixas de d o r , d e s c o n f o r t o e m a l estar e

— sinais e sintomas de a g r a v a m e n t o do estado do paciente.

9 — Controles.

— V e r i f i c a ç ã o da t e m p e r a t u r a , pulso, r e s p i r a ç ã o e pressão a r t e r i a l , t a n t a s vezes q u a n t a s necessárias.

— C o n t r o l e das eliminações ( l í q u i d o gástrico, u r i n a , fezes, secreção nasal, v ô m i t o s ) .

1 0 — A u x í l i o n o a j u s t a m e n t o do paciente à n o v a situação.

— P r o m o ç ã o d a i n t e g r a ç ã o do paciente ao g r u p o social h o s p i t a l a r . — Explicação sobre a doença ( n a t u r e z a , m e c a n i s m o de transmissão,

trata-m e n t o , p r o f i l a x i a ) , i s o l a trata-m e n t o e sistetrata-ma h o s p i t a l a r de i s o l a trata-m e n t o .

1 1 — Orientação d a f a m í l i a .

— Orientação a b r a n g e n d o os itens constantes da o r i e n t a ç ã o do p a c i e n t e , acrescida da explicação sobre os cuidados a serem tomados n o domi-cílio, consideradas as necessidades sentidas pelos f a m i l i a r e s .

1 2 — A t e n ç ã o e apoio psicológico.

— Utilização das técnicas de i n t e r a ç ã o com o paciente ( d e m o n s t r a r r e a l interesse pelo paciente; n ã o d e m o n s t r a r m e d o da doença meningocócica; o u v i r o p a c i e n t e ; c o n v e r s a r e esclarecer d ú v i d a s ; d i m i n u i r os temores e a i n s e g u r a n ç a e m r e l a ç ã o à doença e a hospitalização; p r o m o v e r a in-tegração do paciente ao g r u p o social h o s p i t a l a r ; e t c ) .

1 3 — Recreação.

— P r o m o ç ã o da r e c r e a ç ã o a d e q u a d a às condições e p r e f e r ê n c i a s do pa-ciente, com utilização dos r e c u r s o s disponíveis.

1 4 — C u i d a d o s especiais e m r e l a ç ã o a:

— v ô m i t o s , f e b r e , oscilação d a pressão a r t e r i a l , distúrbios da r e s p i r a ç ã o ; — sondas e drenos;

— p r e v e n ç ã o de necroses, da coagulação i n t r a - v a s c u l a r disseminada, cho-q u e , c o n v u l s ã o , flebites;

— p u n ç ã o l o m b a r ;

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1 5 — P r e p a r o p a r a a l t a .

D e v e ser iniciado precocemente p r o c u r a n d o a t e n d e r aos p r o b l e m a s e preocupações do paciente, suas r e a i s condições e necessidades.

A o r i e n t a ç ã o segura do paciente e da f a m í l i a sobre os itens f u n d a m e n t a i s da d o e n ç a e da p r o f i l a x i a são de i m p o r t â n c i a capital.

1 6 — M a n u t e n ç ã o de v i g i l â n c i a epidemiológica n a c o m u n i d a d e .

O esquema de t r a t a m e n t o antibiótico é v a r i á v e l ; n o e n t a n t o , a m é d i a geral é de a p r o x i m a d a m e n t e 1 0 dias.

No início do t r a t a m e n t o , a dependência do paciente é g r a n d e , exigindo m a i o r contribuição d a e n f e r m a g e m n a prestação de cuidados diretos de assistência e a j u d a .

C o m a e v o l u ç ã o , esse t i p o de c u i d a d o v a i d i m i n u i n d o g r a d a t i v a m e n t e e m i n t e n s i d a d e e extensão, sendo substituído pelos cuidados relativos a: observação, c o n t r o l e , o r i e n t a ç ã o , s u p e r v i s ã o , assistência psicológica e e n c a m i n h a m e n t o s .

E m casos de epidemia existem a l g u m a s diretrizes básicas a serem seguidas n a orientação da c o m u n i d a d e q u a n t o à p r o f i l a x i a da doença meningocócica, q u e são abaixo apresentadas.

P R O F I L A X I A D A D O E N Ç A M E N I N G O C Ó C I C A

A — Recomendações gerais.

1 — P r o c u r a r obter conhecimentos corretos sobre a doença e selecionar i n f o r m a ç õ e s .

2 — O r i e n t a r as pessoas m e n o s esclarecidas, sem a l a r m a r .

3 — T o m a r os devidos c u i d a d o s e, n a existência de casos suspeitos, orien-tar sobre a p r o c u r a de assistência profissional a d e q u a d a .

4 — E v i t a r aglomerações, p r i n c i p a l m e n t e e m recintos fechados. 5 — E v i t a r acesso a doentes e hospitais.

6 — M a n t e r as atividades n o r m a i s .

B — C u i d a d o s relativos ao a m b i e n t e e m a t e r i a l ( o b j e t o s , utensílios, e t c ) .

1 — A e r a ç ã o ( v e n t i l a ç ã o ) a d e q u a d a . 2 — Exposição ao sol.

3 — L i m p e z a rigorosa.

4 — Desinfecção do a m b i e n t e i n c l u s i v e pias, b a n h e i r o s , ralos, piso, e t c , com desinfetantes c o m u n s .

(10)

C — A l i m e n t a ç ã o e h i d r a t a ç ã o .

1 — A l i m e n t a ç ã o n u t r i t i v a e p r e p a r a d a c u i d a d o s a m e n t e . 2 — S u p l e m e n t o s v i t a m í n i c o s n a t u r a i s ( f r u t a s )

3 — H i d r a t a ç ã o a d e q u a d a . D — S o n o e repouso.

1 — E v i t a r excesso d e atividades.

2 — R e p o u s a r a d e q u a d a m e n t e d u r a n t e o d i a . 3 — S o n o a d e q u a d o .

E — Higiene pessoal e v e s t u á r i o .

1 — Cuidadosa higiene pessoal.

2 — Higiene o r a l f r e q ü e n t e ( s e m e x a g e r o ) . 3 — Higiene das cavidades:

— g a r g a r e j o c o m á g u a , água e sabão, água e sal ou l i m ã o , água com sal e l i m ã o .

— l i m p e z a das n a r i n a s : com água ( I n s t i l a ç ã o d e soro fisiológico p a r a m a n u t e n ç ã o das funções p r o t e t o r a s da m u c o s a ) .

— olhos — higiene cuidadosa e se desejado, utilização de colírio n ã o m e d i c a m e n t o s o .

4 — L a v a g e m das mãos

A f r e q ü ê n c i a dos cuidados higiênicos d e v e r á ser de acordo c o m as neces-sidades do i n d i v í d u o ( a t i v i d a d e s , profissão, estado de saúde, a m b i e n t e , e t c ) .

5 — V e s t u á r i o adequado — Cuidados com as r o u p a s .

F — E v i t a r exposição a t e m p e r a t u r a s e x t r e m a s ( i n c l u s i v e alimentos e bebidas geladas o u m u i t o q u e n t e s ) .

G — C u i d a d o s com os dentes e lesões d a pele. T r a t a m e n t o de amigdalites, sinu-sites, otites, etc.

H — Recreação e m ambientes abertos o u v e n t i l a d o s .

I — Não utilização de auto-medicação, sobretudo de antibióticos. J — V a c i n a ç ã o , q u a n d o h o u v e r .

I V — C O N S I D E R A Ç Õ E S F I N A I S

(11)

a t i v i d a d e s d e e d u c a ç ã o p a r a s a ú d e d e s e n v o l v i d a s p e l a e q u i p e a s s i s t e n c i a l j u n t o à c o m u n i d a d e , v i s a n d o s o b r e t u d o a p r e v e n ç ã o d a d o e n ç a , s u a d e t e c ç ã o p r e c o c e e t o m a -d a -d e c o n -d u t a c o r r e t a e m r e l a ç ã o a o t r a t a m e n t o .

K A M I Y A M A , Y . F u n d a m e n t a l s of the nursing care f o r the patients w i t h meningococic di-sease. Rev. Esc. Enf. USP, S ã o P a u l o , 2 5 ( 2 ) : 1 6 1 - 1 7 1 , 1 9 8 1 .

Analysis of the patients problems with meningococic disease and the basic mursing procedure in the control of that disease.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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2. BASTOS, C. O. Meningite meningocócica. In: VERONESI, R. Doenças infecciosas e parasitárias. 6. ed. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 1976. p. 530-5.

3. BITENCOURT, J . M. T. Meningites. In: VERONESI, R. Doenças Infecciosas e parasitárias. 6. ed. Rio de aJneiro, Guarnabara Koogan, 1976. p. 504-29.

4. CUNHA, M. L. M. Problemas básicos de pacientes contagiosas: causas e conseqüências das doenças contagiosas: palestra proferida no Curso de graduação em enfermagem da EEUSP. São Paulo, 1976. (mimeografado).

5. GALVAO, P. A. A. Tratamento das meningites meningocócica. Atual. Méd., São Paulo, Edição Especial 11 (5): 55-62, ago. 1975.

6. HORTA, W. A. Necessidades humanas básicas: considerações gerais. Enf. Novas Dlmens., São Paulo, 1 (5): 266-8, 1975.

7. KAMIYAMA, Y. Assistência centrada na identidade social: aspectos psico-sociais do cuidado de en-fermagem a pacientes de hepatite infecciosa. São Paulo, 1979. (Tese de Livre-Docência — Es-cola de Enfermagem da USP).

8. & NAKAZAWA, C. K. Percepção do paciente contagioso sobre a sua doença e o isola-mento: um estudo preliminar. Enf. Novas Dlmens., São Paulo, 3 (1): 56-63, 1977.

9. ORGANIZAÇÃO PANAMERICANA DE SAÚDE. Profilaxia das doenças transmissíveis. 11. ed. Was-hington, 1973. (Publicação Científica n.° 268).

10. SAO PAULO. Secretaria de Estado da Saúde. Manual de vigilância epidemiológica: normas e ins-truções. São Paulo, Centro de Informações de Saúde, 1978.

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