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Rev. Bras. Anestesiol. vol.66 número6

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Academic year: 2018

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REVISTA

BRASILEIRA

DE

ANESTESIOLOGIA

PublicaçãoOficialdaSociedadeBrasileiradeAnestesiologia

www.sba.com.br

ARTIGO

ESPECIAL

Consenso

Brasileiro

sobre

terapia

hemodinâmica

perioperatória

guiada

por

objetivos

em

pacientes

submetidos

a

cirurgias

não

cardíacas:

estratégia

de

gerenciamento

de

fluidos

---

produzido

pela

Sociedade

de

Anestesiologia

do

Estado

de

São

Paulo

(SAESP)

Brazilian

Consensus

on

perioperative

hemodynamic

therapy

goal

guided

in

patients

undergoing

noncardiac

surgery:

fluid

management

strategy

---produced

by

the

São

Paulo

State

Society

of

Anesthesiology

(Sociedade

de

Anestesiologia

do

Estado

de

São

Paulo

---

SAESP)

Enis

Donizetti

Silva

a,b,c

,

Albert

Carl

Perrino

d

,

Alexandre

Teruya

e,f,g

,

Bobbie

Jean

Sweitzer

h

,

Chiara

Scaglioni

Tessmer

Gatto

i

,

Claudia

Marquez

Simões

a,b,j

,

Ederlon

Alves

Carvalho

Rezende

k

,

Filomena

Regina

Barbosa

Gomes

Galas

j

,

Francisco

Ricardo

Lobo

l,m

,

João

Manoel

da

Silva

Junior

k

,

Leandro

Ultino

Taniguchi

n,o

,

Luciano

Cesar

Pontes

de

Azevedo

a,o,p

,

Ludhmila

Abrahão

Hajjar

a,i,j

,

Luiz

Antônio

Mondadori

q

,

Marcelo

Gama

de

Abreu

r

,

Marcelo

Vaz

Perez

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,

Regina

El

Dib

u

,

Paulo

do

Nascimento

Junior

u

,

Roseny

dos

Reis

Rodrigues

f,p

,

Suzana

Margareth

Lobo

l,m,v

,

Rogean

Rodrigues

Nunes

c,w,x

e

Murillo

Santucci

Cesar

de

Assunc

¸ão

f,∗

aHospitalSírioLibanês,SãoPaulo,SP,Brasil

bSociedadedeAnestesiologiadoEstadodeSãoPaulo(SAESP),SãoPaulo,SP,Brasil cSociedadeBrasileiradeAnestesiologia(SBA),RiodeJaneiro,RJ,Brasil

dYaleUniversity,SchoolofMedicine,NewHaven,EstadosUnidos

eHospitaldeTransplantesdoEstadodeSãoPaulo---EuryclidesdeJesusZerbini,SãoPaulo,SP,Brasil fHospitalIsraelitaAlbertEinstein,SãoPaulo,SP,Brasil

gHospitalMoriah,SãoPaulo,SP,Brasil

hUniversityofChicago,NorthwesternSchoolofMedicine,Chicago,EstadosUnidos

iInstitutodoCorac¸ãodoHospitaldasClínicasdaFaculdadedeMedicinadaUniversidadedeSãoPaulo(INCOR/HCFMUSP),São

Paulo,SP,Brasil

jHospitaldasClínicasdaFaculdadedeMedicinadaUniversidadedeSãoPaulo(HCFMUSP),InstitutodoCâncerdoEstadodeSão

Paulo(ICESP),SãoPaulo,SP,Brasil

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](M.S.C.deAssunc¸ão).

http://dx.doi.org/10.1016/j.bjan.2016.09.013

(2)

kHospitaldoServidorPúblicoEstadual(HSPE),SãoPaulo,SP,Brasil

lFaculdadedeMedicinadeSãoJosédoRioPreto(Famerp),SãoJosédoRioPreto,SP,Brasil mHospitaldeBasedeSãoJosédoRioPreto,SãoJosédoRioPreto,SP,Brasil

nFaculdadedeMedicinadaUniversidadedeSãoPaulo(FMUSP),DisciplinadeEmergênciasClínicas,SãoPaulo,SP,Brasil oInstitutodeEnsinoePesquisadoHospitalSírioLibanês,SãoPaulo,SP,Brasil

pHospitaldasClínicasdaFaculdadedeMedicinadaUniversidadedeSãoPaulo(HCFMUSP),UnidadedeTerapiaIntensiva,

SãoPaulo,SP,Brasil

qA.C.CamargoCancerCenter,SãoPaulo,SP,Brasil rUniversityHospitalCarlGustavCarus,Dresden,Alemanha

sFaculdadedeCiênciasMédicasdaSantaCasadeSãoPaulo,SãoPaulo,SP,Brasil tUniversidadeFederaldeSãoPaulo(UNIFESP),SãoPaulo,SP,Brasil

uUniversidadeEstadualPaulista‘‘JúliodeMesquitaFilho’’(UNESP),DepartamentodeAnestesiologia,SãoPaulo,SP,Brasil vAssociac¸ãodeMedicinaIntensivaBrasileira(AMIB),SãoPaulo,SP,Brasil

wHospitalGeraldeFortaleza,Fortaleza,CE,Brasil

xCentroUniversitárioChristus(UNICHRISTUS),FaculdadedeMedicina,Fortaleza,CE,Brasil

DisponívelnaInternetem7deoutubrode2016

Introduc

¸ão

Adefinic¸ãodoestadofísicodascondic¸õesatuaisdoquadro clínicodopacienteedacirurgiadeemergênciaaqueserá submetido,traduzidadeacordocomaSociedadeAmericana deAnestesiologistas(AmericanSocietyofAnesthesiologists

[ASA]),ajudanaclassificac¸ão,masnãodefinea previsibili-dadedamorbimortalidade.1Escalasdeavaliac¸ãoderiscos cardíacos2erenais3têmsidousadas,entreoutrasmedidas multifatoriaisemultidisciplinares,4,5maselastendemanão apresentar coeficientes de especificidade e sensibilidade que oferec¸am ao prestador de cuidados a previsibilidade realdecomplicac¸õesemortenoperíodopós-operatório.6

Vários estudos retrospectivos, prospectivos e observa-cionais que tentaram analisar a mortalidade no período perioperatório7,8 demonstraram a importância do reco-nhecimento dos riscos do paciente9---11 como uma medida inicialpara estabelecer protocolos e diretrizes relaciona-dos à monitorac¸ão hemodinâmica, à reposic¸ão volêmica (fluidos e transfusão), ao estabelecimento de metas para ressuscitac¸ão (6D1) e ao cuidado multimodal (projeto ERAS/Hit),12---14entreoutrasmedidasquepoderiam possibi-litarinterac¸õesentremonitoramentoeintervenc¸ãoeapoiar atomadadedecisõescomousodediretrizesclínicas.15,16

Além disso,vários outrosestudossugeriram que é pro-vável que essa abordagem altere os desfechos e reduza significativamenteamorbidadeeamortalidade,com bene-fícioshumanosesociaissignificativosinterpretadosdoponto devistademedidasdecusto-eficácia.9

Estima-sequeaproximadamente240milhõesde procedi-mentoscirúrgicossãofeitosanualmenteemtodoomundo, ataxademortalidadepadrãoempaíseseáreascomoEUA, EuropaeBrasilparapacientescommenosde60anos sub-metidos a cirurgias eletivas e sem alterac¸ões crônicas e clinicamentesignificativaséde0,4a0,6%.6,7,17Empacientes derisco(quadroclínico,tipodecirurgiaouumacombinac¸ão de fatores), essa mortalidade em cirurgias não cardíacas pode alcanc¸ar taxas maiores do que 26%.6,7 Não identifi-car ospacientes de risco, a falta de recursos noperíodo perioperatórioeafaltadecuidadopós-operatóriointensivo

estãoentreosfatoresqueexacerbamessamortalidade.6,7,11 Oaprimoramentohemodinâmiconoperioperatóriotem con-tribuído,entreoutrascoisas,parareduc¸õesnamorbidadee namortalidade.

UmestudoretrospectivofeitonoReinoUnidodemonstrou que, dentre os pacientes cirúrgicos padrão e os pacien-tes de risco, o último grupo representava até 80% das mortes de pacientes cirúrgicos e maisde 80% dos gastos totais no Reino Unido. No mesmo estudo, Pearse afirmou que, se os médicos não reconhecerem os pacientes de risco e, portanto, não oferecerem um padrão de cuida-dosglobal,issoaumentarásignificativamenteamorbidade e a mortalidade nessa populac¸ão. Consequentemente, o monitoramentohemodinâmicoeareposic¸ãodefluidossão obrigatóriosempacientesderisco.

Abase datomada dedecisõesé o conhecimento ante-rior sobre pacientes de alto risco, o uso de protocolos guiadospelomonitoramentohemodinâmicodamacroeda microcirculac¸ão,aavaliac¸ãodaperfusãotecidualeos pro-tocolosderessuscitac¸ãocomfluidosetransfusõesbaseadas emdecisõesorientadas,18especialmenteaquelas relaciona-dasàresponsividadedosfluidos.9,16,18,19

(3)

drogasterapêuticassãoprescritasparaumproblema especí-fico,omédicodeveconsiderarcritériossemelhantesparaa administrac¸ãodafluidoterapia.‘‘Zonascinzentas’’existem quandonãoestáclaroseopacienteresponderáà fluidotera-piaounão.Nessesestados,ousodeabordagensfuncionais paraomonitoramentohemodinâmicoe desafiosdefluidos terapêuticosparecejustificado.Parâmetroshemodinâmicos funcionais oferecem informac¸ões únicas sobre a respon-sividade dos fluidos, o que pode facilitar a detecc¸ão da necessidadedefluidoseevitarumacargadesnecessáriade fluidos.Nãopodemosexcluiralgumaslimitac¸ões relaciona-dasa parâmetroshemodinâmicos funcionais(PHFs),como respirac¸ão espontânea,volumecorrentenãopadronizado, pressão não padronizada das vias aéreas/frequência res-piratória, ritmonãosinusal,dUpnegligenciado efalha do corac¸ãodireito.26,27

ATGOperioperatóriavisaaaumentaraentregade oxigê-nio(EO2)durantecirurgiasdegrandeportecomaaplicac¸ão

deummonitoramentohemodinâmicoe intervenc¸ões tera-pêuticassobmedida.Quandofeitacedoenoconjuntocerto depacientescomumprotocolodefinido,temsidomostrado queaTGOreduzamortalidadepós-operatórianogrupode pacientesdemaisaltorisco16 e amorbidade em todosos gruposdepacientescirúrgicos.19,28

Essa diretriz avaliou a eficácia clínica da TGO hemo-dinâmica em reduzir a morbimortalidade em pacientes cirúrgicos,assim como em diminuir asperdas desaúde e financeirasassociadasaela.Tambémpropusemos um con-junto de procedimentos cirúrgicos e fatores de risco do paciente(ouseja,ASA eidade)quepoderiambeneficiara TGO(fig. 1e tabela 1).Assim, aSociedade de Anestesio-logiadoEstadodeSãoPaulo(Saesp)convidouanestesistas eintensivistasenvolvidosemcuidadosperioperatóriospara estabelecerumadiretrizparaomonitoramento hemodinâ-micoearessuscitac¸ãocomfluidosempacientesdealtorisco comoumacontribuic¸ãoparaprofissionaisdasaúdee formu-ladoresdepolíticasenvolvidosnoscuidadosdepacientesde risco.

Ousodecritériosparadefinic¸ãodospacientesderisco no período pré-operatório é de fundamental importân-cia. Após analisar vários estudos e trabalhos publicados na literatura, chegamos à conclusão de que a criac¸ão de uma tabela que associasse riscos maiores e meno-res com o risco cirúrgico aumentaria a sensibilidade e especificidade da caracterizac¸ão do paciente de alto risco.

Nestecontexto,recomendamosousodessatabela asso-ciadaaessamatrizdecuidadoetomadadedecisão.

Critérios de risco pré-operatório Critérios maiores

Idade superior a 70 anos com alguma doença crônica descompensada;

Doença cardiorrespiratória grave prévia (Insuficiência coronariana / DPOC / AVC prévio);

Doença vascular grave envolvendo grandes vasos;

Abdome agudo com instabilidada hemodinâmica;

Grandes perdas sanguíneas (> 500ml ou > 7ml/kg menores 12 anos)

Septicemia;

Insuficiência respiratória (necessidade FiO2 superior a 40% para manter sat > 92% ou tempo de ventilação mecânica superior a 48h;

Insuficiência renal;

Cirurgia oncológica extensa (p. ex: gastrectomia, esofagectomia, cistectomia, ...).

Tempo anestésico superior a 2h;

Cirurgia de urgência/ emergência.

Esofagectomia Gastrectomia

Ressecção Hepática Pancreatectomia Revisão de prótese

de quadril Cirurgia aberta de

aorta Bypass vascular...

Colectomia Fratura de femur

ou quadril

Critérios de risco pré-operatório

Risco paciente Unidade crítica /

monitorização hemodinâmica

(TGO)

Unidade de internação

Unidade crítica / monitorização hemodinâmica

(TGO) Unidade de terapia

intensiva / monitorização hemodinâmica

(TGO) Risco

cirúrgico

Critérios menores

(4)

Tabela1 Procedimentoscirúrgicosparaselecionar pacien-tesquepodemsebeneficiardaTGO

Altoriscocirúrgico Esofagectomia Gastrectomia Ressecc¸ãohepática Pancreatectomia Colectomia Ressecc¸ãoretal Cistectomia

Quimioterapiahipertérmicaintraperitoneal(QtIPH) Fraturadofêmuredoquadril

Revisãodoquadril

Reparoabertodeaneurismaaórticoabdominal(AAA) Desviovascular

Diretrizeserecomendac¸ões

Temsidodemonstradoemmuitasmetanálisesqueousode protocolosparaosuportehemodinâmicoperioperatórioque aumentaaperfusãotecidualreduzadisfunc¸ãodosórgãos, amortalidade e o período de hospitalizac¸ão.29 Esses des-fechosforamespecificamente evidentes quandoaplicados nospacientesmaisdoentes.16Umaspectofundamentalde qualquerprotocoloperioperatórioéousodefluidoterapia, vasopressores e inotrópicos, que também deve ser cen-trado em princípios fisiológicos hemodinâmicos (pré-carga e contratilidade) como uma interac¸ão entre a resposta autonômica a agentes anestésicos e o estado volêmico. Nãohá consenso mundial sobre diretrizes abrangentes da fluidoterapiaquecriem,assim,padrõeslocaisnecessários. Emboraoferec¸amosalgumaorientac¸ão,omédico decidida-mentedeveconsideraraspectoscruciaisparaidentificare tratarpacientes,associadosàsseguintesvariáveis:

(1) Estado do paciente (saúde,idade, fisiologia e comor-bidades):essesfatoressãoalgumasdascaracterísticas que podem alterar a resposta autonômica e, conse-quentemente,osparâmetroshemodinâmicos;portanto, não estão necessariamente relacionados à reposic¸ão de fluidos. Observe que essa considerac¸ão é obriga-tória para pacientes que apresentem condic¸ões como diabetes, disfunc¸ão hepática, aterosclerose avanc¸ada e deplec¸ão volêmica no pré-operatório. Além disso, nãopodemosexcluiraprofundidadedaanestesia asso-ciada a quimiorreceptores periféricos (por exemplo, bloqueio neuromuscular), barorreflexo (por exemplo, opioides), contratilidade cardíaca prejudicada (por exemplo,anestésicosgerais)ousimpatólise(por exem-plo,anestésicosvenosos).30

(2) Risco cirúrgico (procedimento [ver fig. 1 e tabela 1], abordagemeexperiênciacirúrgica).

(3) Escolhademonitoramento:ousodeparâmetros estáti-cos(porexemplo,pressãovenosacentrale/oupressão arterialpulmonar)temsidoassociadoamenor especifi-cidadeesensibilidadequandocomparadocomousode parâmetrosdinâmicos (hemodinâmicafuncional ---VVS (variac¸ão no volumesistólico), delta PP etc.) da res-ponsividadedosfluidoscomoobjetivodemanutenc¸ão do DO2 no período perioperatório. Para pacientes de

altorisco submetidos a cirurgias de médio ou grande porte,osparâmetrosdinâmicosassociadosàTGOestão relacionadosamelhoresdesfechos.31

(4) Biomarcadoresparaaadequac¸ão daperfusãotecidual (monitoramentocontínuodolactato,SvO2,ScvO2,delta

CO2).

Métodos

Estratégiadebusca

FizemosbuscasnoCochraneCentralRegisterofControlled Trials (Central), na Cochrane Library (2015,edic¸ão 5),no PubMed(1966amaiode2015),noEmbase(1980amaiode 2015),naWebofScience(1864amaiode2015)ena Lite-raturaLatino-AmericanaedoCaribeemCiênciasdaSaúde (Lilacs,1982amaio de2015). Nãohouverestric¸ãode idi-oma.Adatadaúltimabuscafoi13demaiode2015.

Atabela1mostraasbasesdedadoseletrônicasdasquais os artigos foramobtidos e o númerototal de referências retornado.

Comoabuscafoi feitatantopor meiodetítulos como depalavrassoltas,eraesperadoquetodososestudossobre TGOempacientescirúrgicosfossemidentificados.

Atabela2mostraaestratégiadebuscabibliográficaque foiadaptadaparacadabasededadoseletrônica.

Critériosdeelegibilidade

Consideramos incluir somente ensaios controlados, ran-domizados (ECRs) ou semirrandomizados (semi-ECRs) e

Tabela2 Estratégiadebusca

((((hemodynamicgoal-directedtherapyORhaemodynamic goal-directedtherapyORhemodynamicgoaldirected therapyORhaemodynamicgoaldirectedtherapyOR goal-directedtherapyORgoaldirectedtherapyOR perioperativehemodynamicoptimizationOR perioperativehaemodynamicoptimizationOR goal-directedhemodynamicORgoal-directed

haemodynamicORgoaldirectedhemodynamicORgoal directedhaemodynamicORoptimizationOR

(5)

controlados que avaliaram todos pacientes adultos (> 18 anos) submetidosa cirurgias nãocardíacase comparamos aTGOcomoscuidadoshabituais.

Semi-ECRssãoECRsemqueaalocac¸ãonostratamentos foi obtida poralternac¸ão,uso deregistros médicos alter-nados, data de nascimento alternada ou outros métodos previsíveisalternados.

A TGO foi definida como o uso de estratégias de aprimoramentohemodinâmicodirecionadas àmelhoria da oxigenac¸ãotecidualpormeiodeumconjuntodeprotocolos duranteoperíodoperioperatórioparareduzira morbimorta-lidade,operíododehospitalizac¸ãoecomplicac¸õesmaiores. UmdosrequisitosparaaTGOconsisteemparâmetros espe-cíficosparaorientaraterapia.

Incluímos estudos que aplicaram a TGO nos seguin-tes momentos: nopré-operatório, nointraoperatório e 0-12horasapósacirurgia.

As intervenc¸ões de TGO analisadas nessas diretrizes foramasseguintes:

1. Administrac¸ãodefluidosisoladamente;e 2. Fluidosevasopressores/inotrópicosjuntos.

Consideramosquaisquerdosesdasintervenc¸õesdescritas anteriormente.Ogrupodecontrolefoiocuidadohabitual ouumaestratégiaconvencionalduranteaterapiaguiadapor objetivos.

Consideramos analisar os seguintes tipos de desfe-chos: mortalidade; morbidades (por exemplo, infecc¸ões; complicac¸õescardiovasculares,pulmonareserenais; vaza-mento em anastomoses; náusea; vômitos); durac¸ão do períododeinternac¸ãohospitalar eperíodo naunidade de tratamento intensivo (UTI); durac¸ão da ventilac¸ão mecâ-nica (foi calculada quando osautores tinham fornecido a médiaeodesviopadrão);eoscustos(comoumadescric¸ão narrativa).

Selec¸ãodeestudos

Doisautoresselecionaram,independentemente,estudosem potencial,avaliaramaqualidadedoensaio eextraíramos dados.

Forc¸adasevidênciasesistemadeclassificac¸ão

erecomendac¸ão

Para a criac¸ão desta diretriz, os estudos citados da lite-ratura foram classificados de acordo com o esquema de classificac¸ão da forc¸a das evidências e da forc¸a da recomendac¸ãodosistemaGrade.32---34

O sistema de classificac¸ão classifica asrecomendac¸ões comofortes(Grade1)oufracas(Grade2)deacordocomo equilíbrioentrebenefícios,riscos,encargosecustoseograu deconfianc¸aemestimativasdebenefícios,riscose encar-gos.Osistemaclassificaaqualidadedasevidências(como refletidonaconfianc¸anasestimativasdeefeitos)comoalta (GradeA),moderada(GradeB), baixa(GradeC)oumuito baixa(GradeD),deacordocomfatoresqueincluemorisco deviés,aprecisãodasestimativas,aconsistênciados resul-tadoseaobjetividadedasevidências.32---34

Para ajudar os leitores,expressamos osresultados das evidênciasGradecomousodeumsistemadecoresnoqual verdeindicaumarecomendac¸ãoforte(ouseja,1),vermelho indicaumarecomendac¸ãofraca(ouseja,2)eamareloindica estudoscomaltaprobabilidadederecomendac¸ãocombase nasevidências,masessarecomendac¸ãofoirebaixadadevido aalgumproblemaemsuasvalidadesinternase/ouexternas (ouseja,1B/Cou2,independentementeseA,BouC).

Métodosusadosparaanalisarasevidências

UmatabeladeevidênciasfoidesenvolvidaparaaTGOcom baseem umaanálise daliteraturaatual eem o consenso deumpaineldeperitos (tabelas3a 7).Quandopossível, calculamosoriscorelativo(RR)paramortalidadee morbi-dade,bemcomoadiferenc¸amédia(DM)entreotempode internac¸ãohospitalarenaUTIeseusintervalosdeconfianc¸a (IC)de 95%.Além disso, o númerode pacientesque pre-cisavam ser tratados para evitar mais um desfecho ruim (porexemplo, onúmerode pacientesque precisavamser tratadosparaqueumsebeneficiasseemcomparac¸ãocom umcontroleemumensaioclínico)foicalculadoparaobter resultadosestatisticamentesignificativos.

Aidademédiacalculadanesteestudobaseou-senaidade médiade ambos os grupos estudados (ou seja,brac¸osde intervenc¸ãoe controle) decada umdos estudosincluídos nestadiretriz.

Resultados

Vertabelas3---7.

Selec¸ãodeestudos

Identificamos12.165citac¸ões,apósremoverduplicatas,por meiodeprocurasnasbasesdedadosparaarevisão origi-nal (fig. 2).Após a triagem portítulo e, em seguida, por resumo,obtivemos cópiascompletas de 600 citac¸ões que eram potencialmente elegíveis para inclusão na diretriz. Foramexcluídos584 estudos,pelas seguintes razões:fora dotema;editoriaisoucartas;revisõesnarrativas; estudos decaso;estudoscardíacos;duplicatas;protocolos publica-dos;eestudosdecoorteecaso-controle.Portanto,15ECRs esemi-ECRspreencheramoscritériosdeinclusãoparaesta diretriz(tabela8).

Comoselecionarpacientesquepodemsebeneficiar daTGO?

GRADE:1C

(6)

Tabela 3 Opc¸ões de tratamento para TGO em pacientes cirúrgicos de acordo com o nível de evidências e o grau de recomendac¸ão

Intervenc¸ão Períododetempo GRADE Situac¸ãoclínica Cristaloidesecoloides(não

especificados)15

Inotrópicos(dopexamina) Intraoperatórioe0-12h apósacirurgia

1A Eletivaenão eletiva Coloides(hidroxietilamido)42 - Intraoperatório 1A Nãoeletiva Coloides(gelatina)3,37 Inotrópicos(dopexamina) 0-12hapósacirurgia 1B Eletiva Coloides(hidroxietilamido)32,46 Inotrópicos(dobutamina)

edrogasvasoativas

Intraoperatórioe0-12h apósacirurgia

1B Eletiva

Coloides(hidroxietilamido)34,40 Inotrópicos(dobutamina) Pré-operatório 1B Eletiva

Fluidos42,48 - Intraoperatório 1B Eletiva

Cristaloidesecoloides39 Comouseminotrópicos (dobutamina)

0-12hapósacirurgia 2A Eletiva

Coloides(hidroxietilamido)46 Inotrópicos(dobutamina) edrogasvasoativas

Intraoperatórioe0-12h apósacirurgia

2A Eletiva

Fluido(coloide)45 Inotrópicos(dobutamina) Intraoperatório 2B Nãoeletiva Coloides47 Inotrópicos(dobutamina) 0-12hapósacirurgia 2B Eletiva Fluido43 Inotrópicos(dobutamina)e

drogasvasoativas(dopamina)

Intraoperatórioe0-12h apósacirurgia

2B Eletiva

Fluido44 - Intraoperatório 2B Eletiva

Grade,grauderecomendac¸ão.

Tabela4 RiscorelativoenúmeronecessárioparatrataramortalidadeempacientescirúrgicosdeTGOdeacordocomograu derecomendac¸ão

Períodoeintervenc¸ão Acompanhamento Riscorelativo(RR)(IC 95%)

NNT Referência

Intraoperatório:fluido(coloides) 30dias 0,50(0,05a5,37) a Benes201012 Intraoperatórioe0-12hapósacirurgia:fluido

(coloideseinotrópicos[dopexamina])

30dias 1,08(0,48a2,43) a Pearse201415

Intraoperatório:fluidoeinotrópicos 30dias Nãoestimável a Cecconi201140 Intraoperatório:fluido(coloides) Nohospital 0,50(0,05a5,08) a Sinclair199742 Intraoperatório:fluido(amidos) 30dias 0,38(0,08a1,67) a Lopes200744 Intraoperatório:fluido 30dias 0,20(0,01a3,97) a Scheeren201348 0-12hapósacirurgia:fluido(gelofusina)

einotrópicos(dopexamina)

28e60dias 0,83(0,30a2,33)e 0,75(0,30a1,89)

a Pearse200537

0-12hapósacirurgia:fluidoeinotrópicos 30dias 1,73(1,24a2,40) 6,2 Donati200747 Intraoperatórioe0-12hapósacirurgia:fluido,

inotrópicosedrogasvasoativas

30dias 0,47(0,14a1,62) a Lobo200043

60dias 0,32(0,10a0,98) 2,8

aOnúmeronecessárioparatratar(NNT)nãofoicalculadoporquenãohouvediferenc¸asignificativaentreosgruposestudados.Quando

nãoháefeitodotratamento,areduc¸ãoabsolutadoriscoézeroeoNNTéinfinito.

ATGOémaiseficazeseguradoqueoscuidados habituaisparareduziramortalidadeemorbidadeem pacientescirúrgicosdealtorisco?

GRADE:1A

Resposta: Sim. O uso de TGO reduz a morbidade em umavariedadedeidadesdepacientesaomesmotempoem quereduzamortalidadesomenteempacientesdealtíssimo risco.15,37---42

Argumentac¸ão:Areduc¸ãodamortalidadecomaTGOem pacientes de alto risco foi vista em pacientes com taxas iniciaisdemortalidade> 20%.41,43 Essa altamortalidade é consistentecomastaxasdemortalidadedepacientes sub-metidosacirurgiasdealtoriscoreportadasanteriormente

(7)

Tabela 5 Tendências para morbidade mais baixa e mais alta em pacientes cirúrgicos de TGO de acordocom o grau de recomendac¸ão:riscorelativoeonúmeronecessárioparaocorrerdano

Período Intervenc¸ão Desfecho Riscorelativo(RR)(IC 95%)

NNT Referência

0-12hapósa cirurgia

Fluido(cristaloides ecoloides)e inotrópicos(com ousemdobutamina)

Morbidadedefinidano POMS(Levantamento demorbidades pós-operatórias)

1,04(0,96a1,11) b Ackland201539

Pulmonar 1,11(0,96a1,29) Renal 1,03(0,91a1,17) Gastrointestinal 1,11(0,89a1,38) Cardiovascular 1,09(0,68a1,74) Hematológica 1,33(0,56a3,16) Dor 1,14(0,98a1,33)

Intraoperatórioe 0-12hapósacirurgia

Fluido(coloides einotrópicos (dopexamina)

Desfechoscompostos (mortalidade pós-cirúrgicaem 30diasecomplicac¸ões pós-operatóriasgraves predefinidasa)

0,84(0,71a1,01) b Pearse201415

Fluido(coloides einotrópicos (dopexamina)

Isquemiaouinfarto domiocárdio

1,24(0,50a3,11)

Paradacardíaca ourespiratória

1,14(0,56a2,29)

Sangramento gastrointestinal

1,62(0,68a3,85)

Fluido(cristaloides, coloides)einotrópicos (dobutamina)

Complicac¸ões 1,13(0,69a1,85) Bisgaard2013a38

0-12hapósa cirurgia

Fluido(cristaloides ecoloides)e inotrópicos(com ousemdobutamina)

Infecc¸ão 0,97(0,66a1,41) b

Ackland201539 Neurológica 0,51(0,24a1,09)

Ferida 0,97(0,20a4,68)

Fluido(coloides) einotrópicos (dobutamina)

Complicac¸ões 0,99(0,26a3,78) b Donati200747 Insuficiência

cardiocirculatória

0,20(0,02a1,64)

Insuficiência respiratória

0,99(0,26a3,78)

Insuficiênciarenal 0,28(90,6a1,31) Insuficiênciahepática 0,25(0,05a1,12) Insuficiência

hematológica

0,14(0,01a2,67)

Fluido(gelofusina) einotrópicos (dopexamina)

Complicac¸ões

(infecc¸ão;respiratória; cardiovascular; abdominal; ehemorragia

pós-operatóriamacic¸a)

0,64(0,46a0,89) 4 Pearse200537

Fluidoeinotrópicos Complicac¸õestotais eimportantes

Total:0,13(0,02 a0,91)

Importante:0,80(0,64 a1,02)

2,8b Cecconi201140

Fluido,inotrópicos edrogasvasoativas

Arritmia 0,14(0,01a2,46) b

Lobo200043 Choque 0,14(0,01a2,46)

Acidentevascular cerebral

0,32(0,01a7,30)

(8)

Tabela5 (Continuac¸ão)

Período Intervenc¸ão Desfecho Riscorelativo(RR) (IC95%)

NNT Referência

Intraoperatório Fluido(amidos) Complicac¸ões respiratórias

0,38(0,23a0,95) 2,5 Lopes200744 Complicac¸õesrenais 0,09(0,01a0,59) 1,5

Arritmia 0,47(0,14a1,57) b Infecc¸ão 0,47(0,21a1,08)

Edemapulmonaragudo 0,19(0,01a3,66) Abdominal 0,31(0,01a7,21)

Fluidoeinotrópicos Sobreviventescom complicac¸ões

0,80(0,54a1,19) b Bartha201347

Fluido (coloides)

Complicac¸õesgraves 0,32(0,15a0,69) 4 Benes201012 Complicac¸ões 0,51(0,33a0,80) 3,6

Fluido Infecc¸ãodeferidas 0,07(0,00a1,11) b Scheeren201348

Inotrópicos

(dobutamina)edrogas vasoativas

Complicac¸ões 0,40(0,20a0,82) 2,22 Bisgaard2013b46

aEmboliapulmonar,isquemiaouinfartodomiocárdio,arritmia,paradacardíacaourespiratória,isquemiademembrosoudedos,

edemapulmonarcardiogênico,síndromedoestresse agudorespiratório,sangramentogastrointestinal,infartointestinal,repartic¸ão daanastomose,íleoparalítico,psicoseaguda,acidentevascularcerebral,lesãorenal aguda,infecc¸ão(fonteincerta),infecc¸ãodo tratourinário, infecc¸ãodo localcirúrgico, infecc¸ão deórgãoou espac¸o,infecc¸ãosanguínea, pneumonianosocomialehemorragia pós-operatória.

b ONNTnãofoicalculadoporquenãohouvediferenc¸asignificativaentreosgruposestudados.Quandonãoefeitodotratamento,a

reduc¸ãoabsolutadoriscoézeroeoNNTéinfinito.

ATGOéeficazeseguraquandoaplicadanoperíodo intraoperatórioparareduziramortalidadeeas morbidadesempacientescirúrgicosdealtorisco? GRADE:1B

Resposta: Sim, a TGO é eficaz e segura quando aplicada no período intraoperatório para reduzir complicac¸ões pós-operatórias em pacientes cirúrgicos dealtorisco.12,15,38,40,42,43,45---48

Argumentac¸ão: Vários estudos sugeriram que a TGO aplicada ao aumento do fluxo sanguíneo pode reduzir as complicac¸ões pós-operatórias. A maioria desses estu-dosfoi feitaduranteo períodointraoperatório.49---51 Todos essesestudoscompartilhavam anecessidadede monitora-mentoavanc¸adocomumasondaesofágica,49,52umcateter arterial43,50,51 ouumcateter na artéria pulmonar (CAP).12 Essesestudosconcluíram queoaprimoramento hemodinâ-micoduranteacirurgiamelhoraosdesfechosempacientes cirúrgicosdealtoriscoetodasasformasdemonitoramento parecemsereficazes.Aterapiaguiadaporobjetivos tipica-menteusaumaferramentademonitoramentoparaavaliar odesempenhocardíacocontinuamente,epormeiodeum conjuntodeinstruc¸õesprotocolizadas,aadministrac¸ãode fluidos e agentes vasoativos é titulada para aprimorar o desempenho cardíaco.Umponto centraldesses estudosé queaTGOnãodeveserdefinidapelapresenc¸aouausência

de um dispositivo de monitoramento, mas por objetivos explícitosdetratamento,comomanutenc¸ãodeíndices car-díacos e parâmetros dinâmicos de volemia. Geralmente, nesses pacientescirúrgicos, aTGO deveser feitadurante todososprocedimentos,desdeainduc¸ãoaté6-24horasna UTI.Recentemente,Pearseetal.15reportaramosresultados doOptimise,umensaiomulticêntricopragmáticoconduzido em17hospitaisqueescolheramaleatoriamente734 pacien-tesdealtoriscosubmetidosacirurgiagastrointestinalpara receberoscuidadoshabituaisouTGOnoperíodo intraopera-tórioeporseishorasapósacirurgia.Aintervenc¸ãotestada nesseestudoconsistiudeumainfusãodedopexaminamais a administrac¸ão debólus de250mL decoloidepara man-ter o volume sistólico (VS) máximo durante o período do estudo. O VS foi determinado com o uso de ummonitor avanc¸ado.Aincidênciadodesfechoprimário---umcomposto de complicac¸ões pós-operatórias pré-especificadas nos 30 dias subsequentes a uma cirurgia --- foi mais baixa no grupoTGO(36,6%vs.43,4%[riscorelativo(RR),0,84(IC95%, 0,71-1,01)];reduc¸ãoabsolutadorisco,6,8%[IC95%,−0,3% a 13,9%]). Essa reduc¸ão, consistente com os benefícios observados em muitos ensaios anteriores,12,38,40,42,43,44---48 ainda foi significativa após o ajuste para os fatores de risco iniciais ou após a exclusão dos 10 primeiros pacientes.

Tabela6 Diferenc¸amédianadurac¸ãodoperíododeinternac¸ãohospitalarenaUTIempacientescirúrgicosdeTGOdeacordo comograuderecomendac¸ão

Intervenc¸ão Tipodedesfecho Diferenc¸amédia(MD)(IC95%) Referência Intraoperatório:fluido ICU −12,00(−34,89a10,89) Scheeren201348

(9)

Tabela7 Característicasdasintervenc¸õesdosestudosincluídosporperíododetempo

Cirurgia eletivaounão eletiva

Tipodecirurgia Idade média

Intervenc¸ão Tipode monitor

Técnica Alvoprincipal Calibrado Grade Referência

Pré-operatórioeintraoperatório

Nãoeletiva Ortopédica 74,7 Fluido

(coloides)

Doppler Minimamente

invasiva

Volume sistólico;tempo defluxocorreto; DC

Sim 1B Sinclair

199742

Eletiva Artroplasiatotal doquadril

66 Fluidoe inotrópicos Sistema Vigi-leo/FloTrac Minimamente invasiva

DO2>600 ml/min/m2

Não 1A Cecconi 201140 Eletiva Intraperitoneal, cirurgiaaórtica aberta importante, renal importante, cirurgiada bexigae histerectomiae ooforectomia porcâncer Não reportada Fluido Não aplicado

Nãoaplicado Nãoaplicado Não aplicado 2B Cuthbertson 201156 Intraoperatório Eletiva Abdominal importantee cistectomia radical 70,5 Fluido (coloides) Sistema Vigi-leo/FloTrac Minimamente invasiva

Variac¸ãono volumesistólico

Não 1B Scheeren 201348

Eletiva Intra-abdominal 66,5 Fluido (coloides) Sistema Vigi-leo/FloTrac Minimamente invasiva

Variac¸ãono volumesistólico

Não reportado

1B Benes201012

Nãoeletiva Ortopédica 85,5 Fluido (coloide)e inotrópicos (dobutamina) Lidco Minimamente invasiva Entregade oxigênio

Sim 2B Bartha 201262 Eletiva Gastrointestinal superiore inferior, hepatobiliar, urológica 62,5 Fluido (amidos)

Variac¸ãoda pressãode pulso

Minimamente invasiva

DeltaPP≤10% Não aplicado

2B Lopes200744

Intraoperatórioe0a12horasapósacirurgia Ambas Gastrointestinal

superiore inferior, intestino delgadocomou sempâncreas, urológica, ginecológica. 71,7 Fluido (coloides)e inotrópicos (dopexamina)

Lidcorapid Minimamente invasiva

Volumesistólico Não 2B Pearse 201415

Eletiva Aórtica 68 Fluido (hidro-xietilamido comocoloide) einotrópicos (dobutamina) e vasopressores

Lidcoplus Minimamente invasiva

DO2 Sim 2B Bisgaard 2013a38 Eletiva Gastrointestinal superiore inferiore vascular 72,5 Fluido (cristaloides, coloides), inotrópicos (dobutamina) edrogas vasoativas

Lidcoplus Minimamente invasiva

DO2 Sim 1B Bisgaard 2013b46

Eletiva Esofagectomia total, gastrectomia, pancreatecto-mia,ressecc¸ão intestinal, aneurisma aórtico abdominal 62,7 Fluido, inotrópicos (dobutamina) edrogas vasoativas (dopamina) Cateterda artéria pulmonar

(10)

Tabela7 (Continuac¸ão)

Cirurgia eletivaounão eletiva

Tipodecirurgia Idade média

Intervenc¸ão Tipode monitor

Técnica Alvoprincipal Calibrado Grade Referência

0a12horasapósacirurgia

Eletiva Vascular,

gastrointestinal superiore inferior, hepatobiliar, urológica

61 Fluido

(gelofusina)e inotrópicos (dopexamina)

Lidcoplus Minimamente invasiva

Índicede entregade oxigênio; volumesistólico

Sim 1B Pearse

200537

Eletiva Aneurisma aórtico abdominal, ressecc¸ão intestinalpor câncer, duodenopancre-atectomia, desvio aortoilíaco

66 Fluido (coloides)e inotrópicos (dobutamina)

Não aplicado

CVC O2Ext(SaO2 ---ScvO2/SaO2)< 27%

Não aplicado

1B Donati 200747

Eletiva Gastrointestinal superior, ressecc¸ão hepáticaou hepatobiliar, gastrointestinal inferiore vascular

68 Fluido (cristaloidese coloides)e inotrópicos (dobutamina)

Lidcoplus Minimamente invasiva

Débitocardíaco Sim 2A Ackland 201539

N.º de registros identificados através de buscas em banco de dados

13.791

PubMed 5.394

EMBASE 7.128

CENTRAL 111

Web of Science 330

LILACS 828

N.º de registros adicionais identificados

através de outras fontes 0

N.º de registros após remover os duplicados 12.165

N.º de registros selecionados 12.165

N.º de textos completos avaliados para elegibilidade 600

N.º de artigos incluídos nesta diretriz 14

N.º de registros excluídos 11.565

N.º de registros excluídos e as razões 586 409 fora do tema

45 revisões 76 relatos de caso ou carta

ao editor 56 estudos observacionais

Figura2 Fluxogramadosestudosavaliadosparaessas dire-trizes.

Osautoresconduziramumaanáliseadicional,incluindo os resultados Optimise, em uma revisão sistemática atualizada.15 Esses resultados fortaleceram ainda mais a conclusão geral de que a TGO de algum tipo provavel-menteébenéficaparapacientesdealtoriscoetempoucos efeitosadversosdocumentados.Achadosdametanálisede 38 ensaios, incluindo dados do estudo Optimise, sugerem que a intervenc¸ão está associada a incidência menor de complicac¸ões(intervenc¸ão,488/1.548[31,5%]vs.controle, 614/1.476[41,6%];RR,0,77[IC95%,0,71-0,83])ereduc¸ões não significativas na mortalidade hospitalar, de 28 dias e de 30 dias (intervenc¸ão, 159/3.215 mortes [4,9%] vs. controle,206/3.160mortes[6,5%];RR,0,82[IC95%, 0,67-1,01])emortalidadenoperíododeacompanhamentomais longo(intervenc¸ão, 267/3.215 mortes[8,3%]vs. controle, 327/3.160 mortes [10,3%]; RR, 0,86 [IC 95%, 0,74-1,00]). EssesachadossãoconsistentescomosrelatóriosdosCentros paraServic¸osMedicare&Medicaid(CentersforMedicare& MedicaidServices)53 e doInstitutoNacionalpara Excelên-ciaemSaúdeeCuidados(NationalInstituteforHealthand CareExcellence),54querecomendaramousodealgoritmos deterapiahemodinâmica.

Tabela8 Basesdedadoseletrônicas,datadaúltimabusca enúmerodereferênciasretornadas

Basesdedados eletrônicas

(11)

ATGOéeficazeseguraquandoaplicadano pós-operatórioparareduziramortalidadeeas morbidadesempacientescirúrgicosdealtorisco? GRADE:1A

Resposta: Sim. Recomendamos aplicar a TGO no pós--operatórioempacientescirúrgicosdealtorisco.

Argumentac¸ão: Estudos têm mostrado que essa estra-tégia pode contribuir para reduc¸ão da morbidade.15,37 A TGOdeveseraplicadanasprimeirasoitohorasdoperíodo pós-operatórioeexigemonitoramentohemodinâmicopara guiar a infusão de fluidos, inotrópicos, vasopressores e vasodilatadores. Em umaanálise de custo-benefício, Ebm et al.55 reportaram que a TGO poderia diminuir os cus-tos em £2.631,77/paciente e em £2.134,86/sobrevivente

no hospital, o que indica que ela é eficaz tanto clinica-mentequantoem termosdecusto.As despesasadicionais com a implantac¸ão podem ser compensadas pela econo-mia obtida com a reduc¸ão dos custos em decorrência da reduc¸ão das taxas de complicac¸ões e do tempo de hospitalizac¸ão.Alémdisso,esseestudomostrouqueaTGO nãosóprolongouaexpectativadevidaajustadapela qua-lidade (0,83 anos ou 9,8 meses), mas também levou a uma projec¸ão de reduc¸ão de custos durante a vida de

£1.285,77,oqueresultouemumataxaincrementalnegativa

decusto-benefíciode£1.542,16/anodevidaajustadopela

qualidade.55

Devemosmonitorarhemodinamicamenteospacientes paraaplicaraTGOempacientesdealtoriscocirúrgico? GRADE:1A15,40,43,44

Resposta: Sim, todo paciente a ser submetido à TGO devesermonitoradohemodinamicamente.Recomendamos qualquer monitor que esteja disponível para estimar o débitocardíaco(DC)oudiferentesferramentasassociadas aoxímetrosdepulso(índice devariabilidade pletismográ-fica---IVP),monitoresdecabeceira(variac¸ãodapressãode pulso---VPP)emonitoresdeDC(variac¸ãonovolumesistólico ---VVS,VS,ofertadeoxigênio---DO2).Alémdisso,têmsido

usadasoutrasferramentasparaguiaroTGO,comooCAP,o Doppleresofágicoeosmétodosdeanálisedacurvadepulso. Vale ressaltarque nenhum monitoramentoinvasivo,como oximetriadepulsocomanálisepletismográficaoumétodos associados a manobras de elevac¸ão das pernas, deve ser usado como um PHF.12,15,37---40,42,43,45---48,56,57 No entanto, algumas das estratégias perioperatórias direcionadas a objetivos falharam porque são baseadas na maximizac¸ão do DC/VS sem considerar a responsividade dos fluidos.58 Ainda assim, Cannesson59 afirmou que ‘‘o feedback dos fornecedores de anestesiologia foi que esse protocolo [o protocoloNICENHSquesugerefluidosparamaximizaroVS] osforc¸avaaadministrarmaisfluidosdoqueachavamque deveriaseradministradoeoslíderesdasequipesdecidiram incluiravariac¸ãonovolumesistólico(VVS)comoogatilho paraaadministrac¸ãodefluidosparaaumentaraadesãode clínicos’’.59

Argumentac¸ão: Todososestudosusaram algumtipo de dispositivo paramonitorar osparâmetros hemodinâmicos. Paraaplicar a TGO,primeiroé necessárioestabelecerum protocolo para obter entrega de oxigênio e evitar hipo-perfusão tecidual e muitos protocolos foram publicados na literatura.Em geral, sãousados fluidos e inotrópicos.

Fluidosdevemseradministradosquandoospacientes reque-remumaumentodesuaperfusãoetambémsãoresponsivos aovolume.60

A responsividade a fluidos pode ser avaliada por meio daVPP, VVS, IVP ou pela compressibilidade da veia cava superior.Éimportanteajustarecertificar-sedequeos parâ-metrosdos pacientessejam elegíveis paraa avaliac¸ãode variáveis de responsividade a fluidos, sem gatilhos respi-ratórios,arritmias ou cirurgias de peito aberto e volume correntede pelomenos8mL/kgestimadopelaaltura.No períodopós-operatório,seopacienteestiveremrespirac¸ão espontânea, é possível usar uma estratégia chamada de ‘‘elevac¸ãopassivadaspernas’’comoumamaneirade alte-rarapré-cargaventricularassociadaàmedic¸ãodaalterac¸ão novolumesistólico,queofereceummeioprecisodeguiar aterapiaealíquotasdefluidosempacientesdealtorisco. Ospacientessãoconsideradosresponsivosseodébito car-díaco aumentar de10 a 15% a partir dos valoresiniciais. Quandoparâmetrosdinâmicos(VPP;IVP; VVS)nãopodem serusados, é necessárioummonitor de DC para quantifi-caralterac¸õesnovolumesistólicoounoDO2. Umaspecto

importanteaserevitadoaoaplicaraTGOéasobrecargade fluidos,ouseja,quandoospacientesnãoobtêmbenefícios apartirdaadministrac¸ãodefluidos;casocontrário,nãohá aumentonodébitocardíaco.

QueferramentasdevemserusadasparaaTGO? GRADE:1A

Resposta: Recomendamos qualquer monitor que esteja disponívelparaestimarodébitocardíacooudiferentes fer-ramentasassociadasaoxímetrosdepulso(IVP),monitores decabeceira(VPP)emonitoresdeDC(VVS,VS,DO2).Para

aplicar a TGOadequadamente, o médico deveconfiar no aprimoramentodo VS baseado no aprimoramento daDO2

ou da VPP (a primeira requer um monitor de DC, mas a últimanão). Alémdisso,outrasferramentastêmsido usa-das para guiar a TGO, como o CAP, o Doppler esofágico e métodos de análise dacurva de pulso. Portanto,todos essesmétodospodemserusados,poistêmsidoassociados areduc¸õesna morbidade ou/e na durac¸ão do períodode hospitalizac¸ão.12,15,37---40,42,43,45---48,56

(12)

feitas,quando necessário.É preferível usar umamedic¸ão contínuadetodasasvariáveishemodinâmicasporque não queremosperdertempoparacorrigirquaisquer instabilida-desouparaatingirumobjetivo.Osmonitoresquefazemum monitoramentocontínuododébitocardíacosãopreferíveis, embora não existam dados para demonstrar a superiori-dade de medic¸ões contínuas do débito cardíaco sobre o monitoramento intermitente. Essas medidas poderiam se justificar,noentanto,casomudanc¸asrepentinaspudessem serdetectadasmaiscedoeintervenc¸õespudessemserfeitas prontamente.14

QuemorbidadesassociadasaousodaTGOsão reduzidas?

GRADE:1B

Resposta: A TGO aplicada no perioperatório reduz as seguintescomplicac¸õesapósacirurgia:infecc¸ões,feridas, sangramento gastrointestinal e falha cardiocirculatória e insuficiênciaspulmonar,neurológica,renalehematológica (tabela5).

Argumentac¸ão: Procedimentos cirúrgicos em pacientes de alto risco estão associados a uma alta incidência de complicac¸õespós-operatórias.FoiprovadoqueaTGO dimi-nui significativamente o número de pacientes cirúrgicos queapresentamcomplicac¸õespós-operatórias.Trintaeum estudoscom 5.292 participantes foram incluídos em uma publicac¸ão daCochranede 201261 para descreveros efei-tos do aumento do fluxo sanguíneo perioperatório com o usode fluidos com ou sem inotrópicosou drogas vasoati-vas.Onúmerodepacientescomcomplicac¸õesfoireduzido pelaintervenc¸ão,comumRRde0,68(IC95%0,58a0,80). Adurac¸ãodahospitalizac¸ãofoi reduzidanogrupo de tra-tamento, em média, em 1,16 dia (IC 95% 0,43 a 1,89, p=0,002).Além disso, astaxasdetrês morbidades foram reduzidaspelo aumentodo fluxo sanguíneoglobal: insufi-ciência renal, com um RR de 0,71 (IC 95% 0,57 a 0,90); insuficiênciarespiratória,comumRRde0,51(IC95%0,28 a0,93);einfecc¸õesdeferidas,comumRRde0,65(IC95% 0,51a0,84).Essesdadosindicamque,emcada100 pacien-tesexpostosaotratamento,pode-seesperarque13em100 evitemumacomplicac¸ão,doisem100evitem comprometi-mentorenal,cincoem100eviteminsuficiênciarespiratória equatroem100eviteminfecc¸ãodaferidapós-operatória.

Uma busca atualizada na literatura, publicada recen-tementepor Pearse,15 identificou 38ensaiosque incluíam 6.595 participantes, com 23 ensaios que incluíram 3.024 participantes e forneceram dados sobre morbidades pós--operatórias.Complicac¸ões forammenosfrequentes entre pacientestratadosdeacordocomumalgoritmodeterapia hemodinâmica (intervenc¸ão, 488/1.548 [31,5%] vs. con-trole, 614/1.476 [41,6%]; RR, 0,77 [IC 95%, 0,71-0,83]). A intervenc¸ão também estava associada a uma inci-dência reduzida de infecc¸ão pós-operatória (intervenc¸ão, 182/836 [21,8%] vs. controle, 201/790 [25,4%]; RR, 0,81 [IC 95%, 0,69-0,95]) e uma durac¸ão reduzida do período de hospitalizac¸ão (reduc¸ão média, 0,79 dias [IC 95%, 0,96-0,62]).Houve reduc¸ões nãosignificativasna mortali-dade hospitalar,com 28 dias e com 30 dias(intervenc¸ão, 159/3.215[4,9%] vs.controle, 206/3.160 [6,5%];RR,0,82 [IC95%,0,67-1,01])enamortalidadenoperíodode acompa-nhamentomaislongo(intervenc¸ão,267/3.215mortes[8,3%]

vs. controle,327/3.160 mortes[10,3%]; RR,0,86[IC 95%, 0,74-1,00])(tabela5).

Háumbomcusto-benefícionousodaTGOem comparac¸ãocomotratamentohabitualparareduzira mortalidadeemorbidadesempacientescirúrgicosde altorisco?

GRADE:1C

Resposta:A implantac¸ão daTGOem pacientes cirúrgi-cosdealtoriscosubmetidosacirurgiaseletivasdegrande porteéeficaztantoclinicamentequantoemtermosdecusto em comparac¸ãocom otratamento padrão. A implantac¸ão de custos adicionais podeser compensada pela economia obtidacomareduc¸ãodoscustosemdecorrênciadareduc¸ão dastaxasdecomplicac¸õesedotempodehospitalizac¸ão.62

Argumentac¸ão: Vários estudos mostraram que a implantac¸ão daTGOem pacientescirúrgicosde altorisco foi eficaztanto clinicamentequanto emtermos decusto. Fenwick63 comparou métodos para aprimorar a entrega de oxigênio (com o uso de adrenalina ou dopexamina) para reduzir os riscos associados a cirurgias eletivas de grandeporteempacientesdealtoriscoeparacompararos custoseocusto-benefíciodessasabordagens.Aanálisedo custo-benefíciorelacionouadiferenc¸anocustoàdiferenc¸a nos anos devida porum períodode acompanhamentode doisanos.Ebm55sugeriuqueaTGOempacientescirúrgicos dealtoriscodeveserexploradamaisafundoparacontero aumentonoscustosassociadosàassistênciamédica.62,64

Discussão

Odesafiovolêmico

Umdesafiovolêmicoéumadasmelhoresferramentasqueo anestesistatemparaavaliararesponsividadeafluidos.Para isso,umamudanc¸anapré-carga(bólusdefluido)deveser induzida ao monitorar mudanc¸as subsequentes novolume sistólico,débitocardíacoenosíndicesdinâmicos,comoVPP, IVPeVVS.65

Ousodeumbólusdefluidoofereceduasvantagens:

1. Umamaneiradeavaliararespostadeumpacientea flui-doscomasmudanc¸as nosíndicesdinâmicoseestáticos devolume,fluxoeoxigenac¸ão;e

2. Umamudanc¸anoaumentodovolumeintravasculare fre-quentemente umaumento necessário no fluxo (débito cardíaco).

Umbólusdefluidoéumtesteprovocativodacirculac¸ão, semelhanteaousodeumafunc¸ãostepnaengenhariapara definirumsistema.Um‘‘teste’’queusaumapequena quan-tidadedefluido(bólus)paraavaliarsearesponsividadedo volumepodereduzir o risco deumaestratégia excessiva-mente liberal de fluidos e as possíveis consequências da sobrecarga de fluidos. Essasferramentas ajudama deter-minarosrequisitospara umaterapiaadicional defluidos, impedeconsequênciasdeletérias dasobrecarga defluidos pormeiodaadministrac¸ãodirecionadadepequenos volu-mes.

(13)

clínicosavaliemseumpacientetemumareservasuficiente depré-cargaparaaumentarovolumesistólicocommais flui-dos.Afluidoterapia deveserconsiderada(Rahbari)66 após umarespostapositivaaumdesafiovolêmico.Emcontraste comumúnicodesafiovolêmico,fluidostambémpodemser administradosdemaneiracontroladacombaseemum algo-ritmoerepetirodesafiovolêmico,contantoquehajauma resposta positiva. Essa abordagem controlada é chamada de ‘‘maximizac¸ão do volume sistólico’’ e é a pedra fun-damentaldamaioriadosprotocolos deterapiaguiadapor objetivos(Noblett).67Portanto,aúnicarazãoparafazerum desafiovolêmicoéaumentarovolumesistólicodeum paci-ente;seesseincrementonãoocorrer,é provávelqueuma administrac¸ãoadicionaldefluidossejaprejudicial.Oúnico excessodefluidos quepodeseradministradocomo desa-fiovolêmico éa quantidadeusadaquando opaciente não responde.

Um desafio volêmico deve compreender quatro ordens separadas:otipodefluidoaseradministrado;ovolumedo fluido a ser administrado; a taxa de infusão; e regras de paradaseefeitosadversosforemvistosantesquea quanti-dadetotaldobólussejaadministrada.Parainfusõesrápidas debólusmuitopequenosdefluido(porexemplo,250mLde cristaloideporumadoisminutos),regrasdeparada prova-velmentenãosãonecessárias.Noentanto,seforemusadas quantidadesmaioresdefluidosoutemposdeinfusão maio-res,éimportanteterregrasclarasdeparadaparaprevenir insuficiênciadocorac¸ãodireitoouedemapulmonar.

Embora nãoesteja disponívelconsensosobreo tipoou adosagemexatadaadministrac¸ãodefluidos,osbólussão entreguesmaisrapidamenteaumataxarápida(5-10 minu-tos) com uma avaliac¸ão rápida da resposta fisiológica. A magnitudedessarespostaajudaadeterminaraeficáciado desafio volêmico, assim como os requisitospara fluidote-rapiasadicionais.Considerandotodosessesaspectos,essa abordagemevitaasconsequênciasdeletériasdasobrecarga volêmica.Opicoeasustentac¸ãodamelhorianasvariáveis dinâmicas e estáticas após um bólus de fluido dependem tantodoestadofisiológicoquantodacomposic¸ãodofluido. Alémdisso,asustentac¸ãodarespostaapósobóluspodeser reduzidanapresenc¸adehemorragiacontínua.

Recomendamosterapiaembólusemvezdeinfusão con-tínuaquandooobjetivoformelhorarapressão,aperfusãoe aentregadeoxigênio.Deveocorrerumapadronizac¸ãopara obólusdefluidoemrelac¸ãoàcomposic¸ãoeaovolumedo fluido,àtaxadeinfusãoeaotempodeavaliac¸ãopós-bólus. Asvariáveisusadasparaavaliaraeficáciadobólusdefluido devemincluiralterac¸õesadequadasnodébitocardíacoou novolumesistólicoe,quandoadequado,índicesdinâmicos deresponsividadeafluidos.

Limitac¸õesdosíndicesdinâmicos

Asmedic¸õesdaresponsividadeafluidosnãopodemser usa-das em todos os pacientes e, em muitos pacientes, não podemserusadasem todososmomentos.Osíndices dinâ-micos têm um alto valor preditivo na determinac¸ão da responsividade a fluidos; noentanto, critérios específicos devem ser atendidos para usar esses índices para avaliar a responsividade a fluidos. Movimentos intraoperatórios, equipamentoeletrocirúrgicoeartefatosfisiológicos(ruído)

podeminterferirnainterpretac¸ãoprecisadosíndices dinâ-micos.Quatrolimitac¸õesprimáriaspodemexistirnousode índicesdinâmicos.

Em primeiro lugar, arritmias (por exemplo, fibrilac¸ão atrial)impedemo usodoIVP, VPP,VVS e VOP(velocidade daondadepulso)parapreveraresponsividadeaovolume, enquanto a variabilidade daveia cava inferior e superior permanece precisa. A mesma limitac¸ão do IVP, VPP, VVS e VOP é observada em sujeitos que mostram níveis vari-adosde esforc¸osinspiratóriosespontâneos.Novamente,a variabilidadedodiâmetrodaveiacava inferiore superior aindaé preditiva da responsividade ao volume durante a respirac¸ão espontânea. Em segundo lugar, se os volumes correntesforemmenoresdoque8mL/kg,ovalornegativo preditivodoIVP,VPP,VVSeVOPédiminuído,enquanto valo-reslimiarescom>13%devariac¸ãoretêmseuvalorpreditivo positivo.Emterceirolugar,diminuic¸õesacentuadasna com-placênciadaparedetorácicareduzemosvalorespreditivos positivosdetodososíndices,enquantoahipertensão intra--abdominalpodemascararahipovolemia,masnãoalterará ovalorpreditivodaresponsividade aovolumedesses índi-ces.Emquartolugar,noestabelecimentodecorpulmonale agudo,com acentuadainterdependência ventricular, será observadoumvalorpositivoparadoxaldeIVP,VPP,VVS ou VOP,queaumentarámaiscomaressuscitac¸ãocomfluidos. Esseaumentoocorredevidoàinspirac¸ãoporpressão posi-tivadiminuirovolumediastólicofinalnoventrículodireito e permitir um maior enchimento ventricular esquerdo e, portanto,ummaiorvolumesistólico.Noentanto,a maior pressão de pulso ou volume sistólico ocorrerá durante a inspirac¸ão,enquanto empacientesresponsivosaovolume, maiorpressãodepulsoouvolumesistólicoocorrerádurante aexpirac¸ão.

Comopoucos clínicos controlam asalterac¸ões nofluxo e na pressão relativas à fase de respirac¸ão, se sabe que o paciente tem hipertensão pulmonar e cor pulmonale, é melhor não usar índices dinâmicos isoladamente para avaliararesponsividade aovolume.Estudos recentestêm demonstrado que o uso intraoperatório de VPP/VVS foi inconclusivonaidentificac¸ãode25%dospacientesque pre-cisavamdefluidosparasersubmetidosàanestesiageral.68 OusodessesíndicesempacientesdeUTIparaavaliara res-ponsividadeafluidoséaindamaisproblemático,somente2% dospacientesdeUTIatendemaoscritériosestabelecidos.69 Portanto,quandoíndices dinâmicossão usadospara guiar a fluidoterapia, algumas medidas da eficácia da perfusão aumentadadevemserconsideradas.Nessescasos,ecomas limitac¸õesdetodososíndicesdinâmicoslistadosacima,é indicadofazerumdesafiovolêmicoouumtestedeelevac¸ão passiva das pernas para identificar a responsividade ao volume.

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cardíaco dinamicamente e em tempo real independente-mente domodode ventilac¸ão.71,72 A execuc¸ãodo EPP,no entanto,requerumamaiormudanc¸adeposic¸ão,oque geral-menteatornaimpraticávelparausointraoperatório.

Noentanto,existem casosnocentrocirúrgico(CC) em quealterac¸õesposturaispodeminduzirumaresposta hemo-dinâmica quepode servircomo manobradiagnósticapara responsividadeafluidos.

Implicac

¸ões

Recomendamos que os parâmetros hemodinâmicos sejam usados como parte integral dos protocolos de TGO. No entanto,aslimitac¸õesdecadaíndice dinâmicodevemser consideradas.Apresenc¸adaresponsividadeafluidosnãoé umaindicac¸ão paraa administrac¸ão defluidos; a decisão finaldeadministrarfluidos deveser apoiadapela necessi-dadeaparentedemelhoriahemodinâmica,pelapresenc¸ade responsividadeafluidosepelaausênciaderiscosassociados.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

Agradecimentos

OsautoreseaSociedadedeAnestesiologiadoEstadodeSão PauloeaSociedadeBrasileiradeAnestesiologiagostariam deassinalaropapelfundamentalexercidopelos colaborado-resAdrianaMoussadeMarco,AndréSilvaMonteirodeBarros Maciel,AngelaMigueldaSilva,CarlaRobertaSilvadeSouza, JuliaTomoeMimuraRodriguezePatriciadosSantosBueno, alémdoapoiotécnicodaAxiabioConsultoriaEconômicano estudodecusto-efetividade.

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Figura 1 Matriz para definic ¸ão de pacientes de alto risco. 35
Tabela 1 Procedimentos cirúrgicos para selecionar pacien- pacien-tes que podem se beneficiar da TGO
Tabela 3 Opc ¸ões de tratamento para TGO em pacientes cirúrgicos de acordo com o nível de evidências e o grau de recomendac ¸ão
Tabela 5 Tendências para morbidade mais baixa e mais alta em pacientes cirúrgicos de TGO de acordo com o grau de recomendac ¸ão: risco relativo e o número necessário para ocorrer dano
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