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J. Pediatr. (Rio J.) vol.93 número2

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www.jped.com.br

ARTIGO

ORIGINAL

Effects

of

a

psychological

intervention

on

the

quality

of

life

of

obese

adolescents

under

a

multidisciplinary

treatment

Camila

R.M.

Freitas

a

,

Thrudur

Gunnarsdottir

b

,

Yara

L.

Fidelix

a

,

Thiago

R.S.

Tenório

a,c

,

Mara

C.

Lofrano-Prado

d

,

James

O.

Hill

e

e

Wagner

L.

Prado

f,∗

aUniversidadedePernambuco,ProgramadePós-Graduac¸ãoemEducac¸ãodeFísica,Recife,PE,Brasil bUniversityofAkureyri,Akureyri,Islândia

cInstitutoFederaldeEducac¸ão,CiênciaeTecnologiadoSertãoPernambucano,SerraTalhada,PE,Brasil dUniversidadedeSãoPaulo,InstitutodePsicologia,SãoPaulo,SP,Brasil

eUniversityofColorado,AnschutzCenterforHealth&Wellness,Denver,EstadosUnidos

fUniversidadeFederaldeSãoPaulo(Unifesp),DepartamentodeCiênciasdoMovimentoHumano,Santos,SP,Brasil

Recebidoem27dejaneirode2016;aceitoem24demaiode2016

KEYWORDS Multidisciplinary intervention; Obeseadolescents; Psychological counseling

Abstract

Objective: Toinvestigatetheeffectsofmultidisciplinarytreatmentwithandwithout psycho-logicalcounselingonobeseadolescents’self-reportedqualityoflife.

Methods: Seventy-six obese adolescents (15.87±1.53 y) were allocated into psychological counselinggroup(PCG;n=36)orcontrolgroup(CG;n=40)for12weeks.Allparticipants recei-vedthesamesupervisedexercisetraining,nutritionalandclinicalcounseling.Participantsin PCGalsoreceivedpsychologicalcounseling.QOLwasmeasuredbeforeandafter12weeksof interventionbyGenericQuestionnairefortheEvaluationofQualityofLife(SF-36).

Results: ThedropoutratewashigherinGC(22.5%)whencomparedwithPCG(0.0%)(p<0.001). After12weeks,participantsfromPCGpresentslowerbodyweight,relativefatmassandhigher freefatmass(p<0.001forall)comparedtoGC.QOLimprovedamongadolescentsfromboth groups(p<0.05),however,abetterQOLwasreportedfromthoseadolescentsenrolledinPCG.

DOIserefereaoartigo:

http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2016.05.009

Comocitaresteartigo:FreitasCR,GunnarsdottirT,FidelixYL,TenórioTR,Lofrano-PradoMC,HillJO,etal.Effectsofapsychological interventiononthequalityoflifeofobeseadolescentsunderamultidisciplinarytreatment.JPediatr(RioJ).2017;93:185---91.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](W.L.Prado).

(2)

Conclusion: Theinclusionofapsychologicalcounselingcomponentinmultidisciplinary treat-mentforadolescentobesityappearstoprovidebenefitsobservedforimprovedQOLascompared withtreatmentwithoutpsychologicalcounseling.

©2016SociedadeBrasileiradePediatria.PublishedbyElsevierEditoraLtda.Thisisanopen accessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/ 4.0/).

PALAVRAS-CHAVE Intervenc¸ão multidisciplinar; Adolescentesobesos; Aconselhamento psicológico

Efeitosdeumaintervenc¸ãopsicológicasobreaqualidadedevidadeadolescentes

obesosemtratamentomultidisciplinar

Resumo

Objetivo: Investigarosefeitosdotratamentomultidisciplinarcomesemaconselhamento psi-cológicovoltadoparaaqualidadedevidadeadolescentesobesos.

Métodos: Foramalocados76adolescentesobesos(15,87±1,53ano)emumgrupode aconse-lhamentopsicológico(GAP;n=36)eumgrupodecontrole(GC;n=40)por12semanas.Todos receberamomesmotreinamentofísicosupervisionadoeaconselhamentonutricionaleclínico. OsparticipantesnoGAPtambémreceberamaconselhamentopsicológico.Aqualidadedevida foiavaliadaantesedepoisdas12semanasdeintervenc¸ãopormeiodoQuestionárioGenérico deAvaliac¸ãodaQualidadedeVida(SF-36).

Resultados: OabandonodotratamentofoimaiornoGC(22,5%)em comparac¸ãocomoGAP (0,0%)(p<0,001).Após12semanas,osparticipantesdoGAPapresentammenorpesocorporal, massa gordarelativaemaiormassa livre degordura(p<0,001 paratodos)em comparac¸ão comoGC.Aqualidadedevidamelhorouentreosadolescentesdeambososgrupos(p<0,05); contudo,umamelhorqualidadedevidafoirelatadapelosadolescentesincluídosnoGAP.

Conclusão: :Ainclusãodeaconselhamentopsicológiconotratamentomultidisciplinardos ado-lescentesobesospareceproporcionarbenefíciosobservadosnamelhoriadaqualidadedevida, emcomparac¸ãocomotratamentosemaconselhamentopsicológico.

©2016SociedadeBrasileiradePediatria.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eumartigo OpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4. 0/).

Introduc

¸ão

Aobesidadeeosfatoresderiscoassociadossetornaramuma grandepreocupac¸ãodesaúdepública.1---4Aprevalência

mun-dialdosobrepesoentrecrianc¸aseadolescentes(5e17anos) é estimada em 21,4% para as meninas e 22,9% para os meninos.5NoBrasil,aprevalênciadesobrepeso/obesidade

infantileemadolescentesvariaentre4%e37%nas diferen-tesregiões.6

Estudos mostraram que a obesidade na adolescência estáassociadaaumaumentonaprobabilidadede depres-são,ansiedadeedistúrbiosalimentares,quepodemafetar a qualidade de vida.7---9 Os estudos demostraram menor

qualidade de vida nos domínios de funcionamento físico, psicossocial,emocional e escolarentrecrianc¸as e adoles-centes obesos, em comparac¸ão com seuspares com peso normal10---12eotratamentocomportamentalmultidisciplinar

afetapositivamenteaqualidadedevidadessapopulac¸ão.13

Defato,asintervenc¸õescomportamentais multidisciplina-res,compostasporatividadefísicaregular,aconselhamento nutricionalepsicológico,sãoamplamenteaclamadascomo aabordagemmaisefetivanotratamentodaobesidade.14,15

Ademais,essasintervenc¸õesparecemsermaisefetivasem crianc¸as/adolescentesdoqueemadultos.16

A melhoria nopeso e nocorpo é comum, como resul-tado de um tratamento comportamental multidisciplinar

daobesidade.10 A melhorianobem-estar psicológico ena

qualidade de vida também é comum.8,9,17---19 A melhoria

(3)

407 adolescentes registrados

Avaliações no início do estudo

Entrevista motivacional

Grupo de aconselhamento psicológico (GAP) (n = 36) Grupo de controle (GC) (n = 40)

12 semanas – avaliações

36 adolescentes 27 adolescentes

- 335 excluídos, não atenderam aos critérios de inclusão

Figura1 Fluxodeparticipantesduranteoprocessodeestudo.

Métodos

Amostra

Os participantes do estudo de ambos os gêneros foram recrutadosentre2011e2012pormeiodepropagandasna mídia local (jornal, rádio e televisão) na área urbana de Recife,Brasil.OestudofoiaprovadopeloComitêdeÉtica da Universidade de Pernambuco(#154/09) e foi obtidoo consentimentoinformadodospais/guardiãolegaledo par-ticipante.Oscritériosdeinclusãodosparticipantesforam: faixa entre 13 e 18 anos; desenvolvimento puberal: Tan-ner3-4;20,21 obesidade:IMC>percentil95;22 e ausênciade

condic¸ões pré-existentes que restringiriama participac¸ão em umprograma de exercícios.Os critériosadicionais de exclusãonoestudo incluíramgravidez,presenc¸ade hiper-tensão e/ou outra condic¸ão metabólica (como diabetes tipoII,hiperlipidemia)eusodemedicamentosparaperda depeso.

Protocolodoestudo

Foram examinados 407 adolescentes. Durante a primeira visita laboratorial,os possíveisparticipantes foram orien-tadosaautoavaliare relatarseudesenvolvimentopuberal percebidoe aalturaeo pesoforammedidos.Nasegunda visita,foifeitaumaentrevistasemiestruturadaindividual, porumpsicólogo,comoitoperguntas.Aentrevistaavaliou

osmotivospara abusca dotratamento de perdade peso e as barreiras relacionadas à perda de peso. Durante a terceira visita, os adolescentes foram submetidos a um exame médico e ECG em repouso; 332 adolescentes não atenderamaoscritériosdeinclusãocombasenos resulta-dosdosexames;76adolescentesobesos (27meninose49 meninas) que atenderam a todos os critérios de inclusão foi incluído noestudo. Após o teste no início do estudo, os participantes foram alocados ao grupo de aconselha-mentopsicológico(GAP)(n=36)ougrupodecontrole(GC) (n=40)para12semanasdeintervenc¸ãomultidisciplinarque incluiusessõesdetreinamentofísicosupervisionadoe acon-selhamentonutricional e clínico (fig. 1). Os participantes incluídosnoGAPtambémreceberamaconselhamento psi-cológico(fluxo de participantes por meio do processo de estudomencionadonafig.1).

Tratamentomultidisciplinar

Aconselhamentoclínico

Oacompanhamentomédicofoifeitoumavezpormêspor umendocrinologista.Issoincluiuumexamefísicopara moni-torarosparâmetrosclínicosefacilitaraparticipac¸ãogeral noestudo.

Educac¸ãonutricional

(4)

alimentarsaudável,dietasdeperdadepeso,produtosdiet emcomparac¸ãocomlight,func¸ãodosmacroe micronutri-entes e informac¸ões nutricionais. Apesar de não ter sido feitaprescric¸ãoespecíficaparaingestãodeenergia,os par-ticipantesforamincentivadosareduziraingestãocalórica emgeraleacompanharumadietaequilibradarecomendada peloMinistériodaSaúde.Onutricionistanãoteve conheci-mentodaalocac¸ãonosgrupos.

Treinamentofísicoaeróbicosupervisionado

Osadolescentesforamsubmetidosaumprogramade exer-cícios administrado em uma esteira e supervisionado por educadores físicos três vezes por semana (36 sessões no total).Aintensidade dotreinamentofísico (50%a 60% do consumo máximo de oxigênio VO2max) foi individualizada, combasenolimiarventilatório1(LV1)decadaadolescente, obtidopormeiodeumtesteincrementalem umaesteira com inclinac¸ão fixa de 1%.23 Todas as sessões de

exercí-ciostiveramumgastocalóricodefinidoem350Kcal(1.050 Kcal/semana)eadurac¸ãofoideterminadacomosegue:

TempodaSessãodeExercícios(mín.)

=350 Kcal/(VO2 naintensidade-alvo×1MET).

Aconselhamentopsicológico

Foideumahoraporsemanaempequenosgrupos(≈9 ado-lescentes) por um psicólogo clínico. Juntamente com a motivac¸ãopsicológica paraconformidade,foramincluídos ostemasdassessõesrelacionadosaimagemcorporal, distúr-biosalimentares(sintomaseconsequências),relac¸ãoentre osalimentoseassensac¸ões,problemasfamiliaresesociais, humor,ansiedadeedepressão.

Medic¸ões

Todososparticipantesforamsubmetidosaomesmo proto-colode avaliac¸ão, noinícioe notérmino das 12semanas detratamento.Asavaliac¸õesforamfeitasduranteum horá-riosemelhantedodia paraevitar influênciacircadiana.O mesmoavaliadorconduziuasavalic¸õesnasduascoortes.

Desenvolvimentopuberal

Cadaparticipante recebeudesenhos doscincoestágiosde desenvolvimentodas mamas,genitaledepelos pubianos. Eles foram orientados a olhar para os desenhos, ler as descric¸õesexplicativas,pensarsobreseupróprio desenvol-vimentofísicoeaparênciaemcomparac¸ãocomosdesenhos eescolheraquelequemaisseparecessecomseuestágiode maturidadefísica.

Composic¸ãoantropométricaecorporal

Osparticipantesforampesadoscomroupaslevesenenhum sapatoem uma balanc¸a Filizola (modelo 160/300, Brasil) com precisão de 0,1kg. A estatura foi medida com pre-cisão de 0,5cm por umestadiômetro de parede (balanc¸a Filizola,modelo160/300,SP,Brasil).Foicalculadooíndice de massa corporal (IMC) (kg/m2).22 As dobras do tríceps,

subescapularepanturrilha medialforammedidascomum compassodecalibre(compassodecalibre,Lange,CA,EUA) compressãoconstante(10g.mm-2)eresoluc¸ãode1mm,no

hemisfériodireitoelasforamdeterminadasemtríplice(foi

usadoovalormédio).A composic¸ão corporalfoiestimada porequac¸õesespecíficasdecadasexo.24

Questionário Genérico de Avaliac¸ão da Qualidade de Vida:EstudosobreosResultadosMédicosSF-36

OSF-36, traduzido para o português e validadopara a populac¸ãobrasileira,25foiusadoparaavaliaraqualidadede

vida dosadolescentes. Oinstrumentoé multidimensional. Eleconsistede36itensevisaaavaliargenericamentea qua-lidadedevida.Oquestionáriotemoitosubescalasdevários itens:func¸ãofísica,desempenhofísico,desempenho emo-cional,dorcorporal,saúdegeral,vitalidade,func¸ãosocial, saúdemental, maisumamedida deumitemde mudanc¸a autoavaliadanoestadodesaúdenoúltimoano.

Procedimentosestatísticos

TodasasanálisesforamfeitascomosoftwareStatistica®7.0 paraWindows®.Anormalidadefoiverificadapelotestede Shapiro-Wilkeosdadosestãoapresentadosemmédia±DP. Asdiferenc¸asnosresultadosentreoshorários(noiníciodo estudo e 12 semanas) e os grupos foram analisadas com Anova(análisedevariância)bidirecionalcomomtestepost hoc de Duncan. Devido às diferenc¸as no início do estudo entre os grupos para % de massa gorda, funcionamento físico, percepc¸ão da saúde geral e média das dimensões dequalidadedevida,foramfeitasanálisesadicionaiscom Ancova(análisedecovariância),nasquaisosvaloresdebase foramincluídoscomocovariáveis.Oníveldesignificânciafoi estabelecidoemp<0,05.

Resultados

Dos76 adolescentesqueparticiparam doestudo, 100%do GAP(n=36)e67,5%doGC(n=27)concluíramas12 sema-nasdeterapiamultidisciplinar(p<0,001).Noinício,foram observadasdiferenc¸asentreosgruposparaalturae massa gordarelativa(%demassagorda)(p<0,05paraambos).

A terapia multidisciplinar foi efetiva na reduc¸ão do IMC(GAP=2,6%eGC=0,5%;F1,61=37,05,p<0,001),massa gorda (GAP=24% e GC=10,3%; F1,59= 12,78, p<0,001) e para aumentar a MLG (GAP=21,2% e GC=13,5%; F1,60= 55,34, p<0,001). Contudo, no fim das 12 sema-nas, os participantes do GAP apresentaram menor peso corporal (2,3%, F1,61=7,03, p<0,001), % de massa gorda (GAP=13,7%, F1,59=12,78, p<0,001) e maior MLG (GAP=7,7%,F1,60=55,34,p<0,001)em comparac¸ão como GC(tabela1).

Comomostraatabela2,osadolescentesdosgruposGAP e GC apresentaramuma melhoriageral nas dimensõesde qualidade devida,como funcionamento físico,percepc¸ão dasaúdegeral,vitalidadeemédiadasdimensões.Contudo, osvaloresmaisaltosdequalidadedevidadivulgada volun-tariamenteforamobservadosemadolescentesincluídosno GAP.

Discussão

(5)

Tabela 1 Efeitosdaterapiamultidisciplinarcome semaconselhamento psicológicosobreacomposic¸ão antropométricae corporalemadolescentesobesos

Iníciodoestudo 12semanas Efeitosobreogrupo Efeitotemporal Efeitosobreainterac¸ão

MC(kg)

GAP 91,26±11,22 89,16±11,98b 0,022 0,001 0,010

GC 95,87±10,33 96,72±10,98c

IMC(Kg1m2)

GAP 34,48±3,88 33,61±3,92b 0,505 <0,001 0,222

GC 34,55±3,36 34,40±3,73b

MLG(kg)

GAP 44,14±7,50 53,51±8,72b <0,015 <0,001 0,029

GC 42,03±5,20 47,73±4,56b,c

%massagordaa

GAP 51,61±8,39 39,23±8,46b <0,001 <0,001 0,002

GC 56,04±5,89 50,28±4,76b,c

GAP,grupodeaconselhamentopsicológico;GC,grupodecontrole,IMC,índicedemassacorporal;MC,massacorporal;MLG,massalivre

degordura;%demassagorda,massagordarelativa.

p≤0,05.

a Ancova(análisedecovariância).

b Emcomparac¸ãocomoiníciodoestudo

c Emcomparac¸ãocomoGAP.

devidaemcomparac¸ãocomumtratamentoquenãoinclui aconselhamentopsicológico.Alémdisso,oaconselhamento psicológicopodereduzirataxadeabandono.

As discussões dos tópicos, como aceitac¸ão social e automotivac¸ão, podem ter incentivado os adolescen-tes a modificar ainda mais seu estilo de vida, os ter tornado mais conscientes da importância da atividade física e da nutric¸ão,10,11,26---29 o que leva a mudanc¸as

positivas na composic¸ão corporal, conforme observado no presente estudo, que foram identificadas como um fator protetor contra o desenvolvimentode doenc¸as (por exemplo, hipertensão,diabetes, dislipidemiae problemas cardiovasculares)1,2,4,26---29etambémamelhoraraqualidade

devidadaspessoas.30

Em média, os estudos publicados de programas que abordam asmudanc¸as no estilo de vida relatam que 50% dos pacientes abandonaram precocemente o estudo ou não concluíram o tratamento. Neste estudo, o aconse-lhamento psicológico parece ter sido importante para a conclusãodo tratamento.No presenteestudo, osmotivos para abandono precoce ou conclusão do tratamento não foram investigados, porém estudos futuros devem consi-derar os motivos para o abandono precoce e fatoresque contribuemparaaconclusãodotratamento.

Apesardesaberqueapráticaregulardeexercíciosfísicos melhoraaqualidadedevida,7,9,27 estudosrecentes

sugeri-ram queo acréscimodeumcomponente comportamental e intervenc¸ão nutricional proporciona a maior mudanc¸a na qualidade devida entrepessoas obesas.3,10,12,13 Nesses

estudos,os adolescentescom sobrepeso relataram menor qualidade de vida em comparac¸ão com seus pares com pesonormal.Issofoiobservadonãoapenasemseuescore total,mastambémnosdomíniosfísicos, sociais, psicosso-ciaise escolares,conforme avaliadopeloPedsQL 4.0.Isso

sugerequeumamenor qualidadedevidaafetaos adoles-centesdiariamente.8Aspessoasobesassãomaisvulneráveis

ainjustic¸associais(porexemplo,bullying,discriminac¸ãona escola,isolamentosocial)esãomaispropensasaalterac¸ões faciais,oquepoderesultaremmenorqualidadedevida.

Asintervenc¸õescomportamentaisquevisarama promo-vermudanc¸asnoestilodevida(aumentaraatividadefísica emelhoraraqualidadealimentar)estãoidentificadascomo efetivasnamelhoria daqualidade devida,em adolescen-teseadultos.Deve-sedestacarque,aocompararosgrupos desteestudo,observou-sequeaquelesquereceberam acon-selhamentopsicológicorelataramumamaiorqualidadede vida em alguns domínios (funcionamento físico, aspecto físico, percepc¸ão da saúde geral, média das dimensões). Osresultadosdesteestudosãocompatíveiscomoutrosque demonstram que o tratamento da obesidade deve focar nasmudanc¸as do estilo devida e deve serfeito por uma equipemultidisciplinar.7---9 Contudo, até o momento, este

é o primeiro estudo que avaliao efeito do acréscimodo aconselhamentopsicológiconessetipodeintervenc¸ão mul-tidisciplinar.

(6)

Tabela2 Efeitosdaterapiamultidisciplinarcomesemaconselhamentopsicológicosobreaqualidadedevidaemadolescentes obesos

Iníciodoestudo 12semanas Efeitosobreogrupo Efeitotemporal Efeitosobreainterac¸ão

Funcionamentofísicoa

GAP 82,50±15,18 91,80±11,22c 0,781 <0,001 0,881

GC 72,00±23,19b 80,55±18,51b,c

Aspectofísico

GAP 79,16±27,05 87,50±21,12 0,021 0,705 0,062 GC 74,62±28,51 67,59±29,26b

Dor

GAP 78,86±19,18 78,83±18,85 0,044 0,665 0,658 GC 70,12±19,26 72,03±21,05

Percepc¸ãodasaúdegerala

GAP 66,13±22,40 74,63±19,93c 0,162 <0,001 0,454

GC 51,22±25,57b 62,56±17,71b,c

Vitalidade

GAP 66,25±20,54 77,50±13,54c 0,008 <0,001 0,410

GC 56,50±24,13 68,33±16,40c

Funcionamentosocial

GAP 81,59±20,59 86,11±19,31 0,545 0,071 0,733 GC 76,25±21,52 83,79±22,68

Aspectoemocional

GAP 77,77±32,85 87,96±19,76 0,002 0,368 0,252 GC 68,33±38,45 62,96±31,12b

Saúdemental

GAP 75,88±20,47 81,44±16,89 0,480 0,003 0,430 GC 71,80±25,17 80,37±13,58c

Médiadedimensõesa

GAP 76,36±15,54 83,22±11,53c 0,091 <0,001 0,839

GC 67,97±16,57b 72,22±14,53b,c

GAP,Grupodeaconselhamentopsicológico;GC,grupodecontrole.

p≤0,05.

aAncova(análisedecovariância).

b Emcomparac¸ãocomoGAP.

c Emcomparac¸ãocomoiníciodoestudo.

Financiamento

ConselhoNacionaldeDesenvolvimentoCientíficoe Tecnoló-gico(CNPq).

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

Agradecimentos

A coleta de dados foi feita pelo Grupo de Estudos em Nutric¸ãoeExercício(Gene)naUniversidadedePernambuco.

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Figura 1 Fluxo de participantes durante o processo de estudo.
Tabela 1 Efeitos da terapia multidisciplinar com e sem aconselhamento psicológico sobre a composic ¸ão antropométrica e corporal em adolescentes obesos
Tabela 2 Efeitos da terapia multidisciplinar com e sem aconselhamento psicológico sobre a qualidade de vida em adolescentes obesos

Referências

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