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Rev. bras. ortop. vol.52 número3

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Academic year: 2018

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rev bras ortop.2017;52(3):359–362

SOCIEDADE BRASILEIRA DE ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA

w w w . r b o . o r g . b r

Relato

de

caso

Perfurac¸ão

tardia

da

artéria

ilíaca

externa

após

cirurgia

de

revisão

acetabular:

uma

soluc¸ão

simples

para

uma

complicac¸ão

rara

André

Rodrigues

,

Joana

Freitas,

Isabel

Pinto,

Sérgio

Sampaio

e

Rui

Pinto

CentroHospitalarSãoJoão,Porto,Portugal

informações

sobre

o

artigo

Históricodoartigo:

Recebidoem17deabrilde2016

Aceitoem2demaiode2016

On-lineem1demaiode2017

Palavras-chave:

Artroplastiadequadril

Parafusosósseos

Lesõesdosistemavascular

Procedimentosendovasculares

r

e

s

u

m

o

Aslesõesvasculares,emboramuitoraras,sãoumadascomplicac¸õesmaisdevastadorasno

contextodeumaprótesedoquadril,peloqueoseudiagnósticocorretoéfundamentalpara

evitardanosirreversíveisaopaciente.

Apresentamosocasodeumamulherbrancade70anoscomummembroinferior

isquê-micocausadoporumaperfurac¸ãotardiadaartériailíacaexternadevidoaumparafuso

acetabular.

Oproblemafoiresolvidosimplesmentecomocortepartedoparafuso,oqueevitououtras

opc¸õescirúrgicasquepoderiamsermuitomaisagressivasparaopaciente.

Aavaliac¸ãoclínicacuidadosapermitiuumdiagnósticocorretoeumtratamentocriativo

atempodepreveniroutrasconsequênciasparaopaciente.

©2016SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublicadoporElsevierEditora

Ltda.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http://

creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Late

screw

perforation

of

external

iliac

artery

following

acetabular

revision.

A

simple

solution

for

a

rare

complication

Keywords:

Arthroplasty,replacement,hip

Bonescrews

Vascularsysteminjuries

Endovascularprocedures

a

b

s

t

r

a

c

t

Vascularlesions,althoughquiterare,areoneofthemostdevastatingcomplicationsinthe

contextofahipprosthesis.Therefore,thecorrectdiagnosisiscrucialtopreventirreversible

damagetothepatient.

Theauthorspresentthecaseofa70-year-oldCaucasianwomanwithanischemiclower

limbasconsequenceofalateperforationofexternaliliacarteryduetoanacetabularscrew.

Theissuewasresolvedbysimplycuttingpartofthescrew,avoidingothersurgicaloptions

thatwouldbemuchmoreaggressiveforthepatient.

DOIserefereaoartigo:http://dx.doi.org/10.1016/j.rboe.2016.05.004.

TrabalhodesenvolvidonoCentroHospitalarSãoJoão,Porto,Portugal.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](A.S.Rodrigues).

http://dx.doi.org/10.1016/j.rbo.2017.03.009

0102-3616/©2016SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eumartigoOpenAccess

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rev bras ortop.2 0 1 7;52(3):359–362

Carefulclinicalevaluationallowedforacorrectdiagnosisandatimelycreativetreatment,

preventingfurtherconsequencestothepatient.

©2016SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublishedbyElsevierEditora

Ltda.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(http://

creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introduc¸ão

A artroplastia total do quadril (THA) tem uma taxa de

complicac¸õesbaixaeaincidênciadelesãovascularéainda

menor.1–3Aslesõesvascularespodemterefeitosdevastadores

que,senãoforemimediatamenteidentificados,podem

even-tualmentelevaràamputac¸ãooumesmoaoóbito.3,4Osautores

apresentamumcasodeumparafusoacetabularqueresultou

emlesãoecompressãodaartériailíacaexternaesquerdae

isquemiadomembroinferioresquerdo.

Relato

de

caso

Umamulherde70anoscompareceuaopronto-atendimento

para avaliac¸ão de inchac¸o progressivo do membro inferior

esquerdodesdequeelatinhaacordado,associadoadorno

abdome e nos membros inferiores. Ela negou dispneia ou

outrossintomas.Ela tambémnão apresentavahistóricode

traumaenãohaviafeitoatividadefísicaincomumnosdias

anteriores.

Em 2007, ela foi submetida auma artroplastia total de

quadrilnãocimentadaparaotratamentodeosteoartritedo

quadril.Apósumintervalodeseisanossemdor,apaciente

comec¸ouaapresentardornavirilha,quefoientão

investi-gada.Diagnosticou-sesolturaassépticaacetabulare,portanto,

apacientefoisubmetidaacirurgiaderevisãoacetabularem

2014(trêsmesesantesdeseapresentaraesteservic¸ode

emer-gência). No pós-operatório, observou-se infecc¸ão da ferida

cirúrgica que foi prontamente tratada com antibióticos de

largoespectroedesbridamentocirúrgico.Ambasascirurgias

nãoapresentaramintercorrênciasenostrês meses

seguin-tesapacienteestavabem,retornou aotrabalhoefoicapaz

desustentarcarga nomembro.Elanãoapresentava outros

antecedentesmédicosrelevantes.

Ao seradmitida no presente hospital, o exame médico

indicou membro inferior esquerdo doloroso e pálido, com

hipoestesiaepulsodiminuído.Apacienteestavahipotensae

osexameslaboratoriaismostraramhemoglobinade4,9,sem

outrasalterac¸õesrelevantes.Atomografiacomputadorizada

(TC)pélvicaindicouumhematomavolumosopróximoao

ili-opsoasesquerdoatéàbordasuperiordofemur,quelevpoa

umaoclusãoquasecompletadoeixovascularilíaco-femoral

(fig.1).Aprótesedequadrilpareciaestarbemposicionada,

apesardasdificuldadesdeavaliac¸ãocausadasporartefatos

deimagem(fig.2).Umdosparafusosacetabularesperfuroua

corticalinternacomextensãointrapélvica(fig.3).

Os cirurgiões vasculares sugeriram que a isquemia no

membroesquerdosedeviaaumsangramentoarterialdoeixo

ilíaco-femoral,combinadacomumhematomacompressivo.

Imediatamente,foipropostacirurgiavascular.

Figura1–Tomografiacomputadorizadamostrahematoma

intrapélvico.

Figura2–Componenteacetabularsemsinais

deafrouxamento.

Adotou-se a abordagem retroperitoneal da fossa ilíaca

esquerda.Apósadrenagemdohematoma,observou-seque

umparafusoacetabularestavaemestreitaproximidadecom

aartériailíacaexternaesquerda(fig.4).Solicitou-seaos

cirur-giõesortopédicosqueassumissemocontrole.

Dadaaurgênciadacirurgia,aequipeortopédica

simples-mentecortouoparafusoproeminentecomumcortedebarra

geralmenteusadoemcirurgiasdacolunavertebral,paraque

o parafuso ficasse no limite cortical interno do acetábulo

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Figura3–Parafusoacetabularintrapélvico.

Figura4–Parafusoacetabularemproximidade

comaartéria.

a artéria sem necessidadede revascularizac¸ão. Não foram

observadossinaisdepseudoaneurisma.

O pós-operatório transcorreu bem, com melhoria do

edemaeda dor. Umano maistarde,apaciente apresenta

vascularizac¸ão adequada e boa deambulac¸ão assistida por

muleta;aprótesepermanecenoposicionamentoprévio.

Discussão

Aliteraturaapresentadescric¸õesdelesõesvasculares

asso-ciadas acirurgias de quadril primárias oude revisão, mas

suaincidênciaéinferiora1%emtodos os casosde

artro-plastiatotaldequadril(ATQ).3–7Ascausasmaiscomunssão

lesãoda artériafemoralcomum,devido aomau

posiciona-mentodoafastadoroudofiodecerclagem.8–12Outrosrelatos

incomunsdelesõesvascularesforamencontradosna

litera-tura,taiscomolesãodaartériailíacaexternaapósremoc¸ão

Figura5–Porc¸ãodoparafusoquefoicortada.

complicadaouATQcronicamenteinfectada,desenvolvimento

depseudoaneurisma ilíacoexternoefemoralsuperficialou

atémesmoumalesãovascularilíacaexternadiretaetardia

apósumaperfurac¸ãoporumimplanteacetabulardeslocado

medialmente.9–14

Noentanto,atéondesesabe,estaéaprimeiravezqueuma

perfurac¸ão tardia da artériailíaca externa esquerdadevido

aumparafusoacetabularérelatadasemafrouxamentodos

componentesacetabularesesemformac¸ãode

pseudoaneu-risma.

Duranteacirurgiaderevisãoàqualapacientefoi

subme-tida,umdosparafusosacetabularespermaneceuemposic¸ão

equivocada e próximo à artéria ilíaca externa esquerda.

Acredita-se queessa proximidadelevoua umalesão

repe-titiva,masainda assimleve,da artéria. Comoos sintomas

iniciaramapenastrêsmesesapósaúltimacirurgia,esse

pode-riaserumprimeiroperíododeumarespostainflamatórianos

arredoresdaartéria,oquepodetercontroladoosurgimento

desintomasmaispreocupantes.Ainfecc¸ãotambémpodeter

contribuídoparaesseprimeiroperíodo.Noentanto,umavez

queafaseinflamatóriadesapareceueapacientecomec¸oua

fazermaisatividadefísica,apreexistentefragilidadeda

arté-rialevouàsuaruptura.Hopkinsetal.15tambémacreditavam

queainfecc¸ãodesempenhavaumpapelcrucialcomoumfator

predisponentearupturaarterialapósATQ,umavezque,em

suaausência, umaperfurac¸ão produziriafibrose da parede

arterial,comconsequenteestenoseoutrombose.

Outros autores também demonstraram a relac¸ão entre

pseudoaneurismaerupturadaartériailíacaexternaeinfecc¸ão

apósATQ.15–18Noentanto,nopresentecaso,nãose

encon-trou evidência que indicasse pseudoaneurisma. Isso pode

ser devidoao tratamentoimediato emumafase inicial da

infecc¸ão;portanto,aindaexistemdúvidassobreessarelac¸ão.

Nesse tipode situac¸ão clínica,a rapidezno diagnóstico

e notratamento écrucial. Aapresentac¸ão clínicacom dor

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sugerirtrombose venosaprofunda.Noentanto,aquedade

hemoglobina e a tomografia computadorizada pélvica que

indicouhematoma volumoso com consequente oclusãodo

eixovascularilíaco-femoralfoialtamentesugestivade

rup-tura vascular. Isso demonstraque, emboraa apresentac¸ão

clínicainicialàsvezespossasersemelhante,aetiologiaeo

tratamentosubsequentessãototalmenteantagônicos.

Kongetal.19relataramocasodeumaapresentac¸ãotardia

dalesãodaartériailíacaporumparafusoacetabulardetectada

emumacirurgiaderevisãodezanosapósoprimeiro

proce-dimento.Naquelecaso,oparafusoqueestavamalorientado

nãofoialteradoeaequipevascularfezumarevascularizac¸ão.

Nopresentecaso,optou-seporcortarapartedoparafusoque

estavaforadoosso,apesardainexistênciaderelatos

seme-lhantes.Esse foiumprocedimentosimples, queresolveuo

problemarapidamente,evitouanecessidadedeumacirurgia

maisagressiva,comoseriaumanovarevisãodoquadril.

Apresenc¸adeinchac¸oedornomembroinferiorem

paci-entescomhistóricode prótesedequadrildeve sersempre

avaliadaomaisrapidamentepossível,tendoemcontaque

nemtodasassituac¸õessãotrombosevenosaprofunda.Outras

complicac¸õesvascularesjáforamrelatadasedevemser

con-sideradasnaavaliac¸ãodessespacientes.

Osautoresrelataram umaapresentac¸ão poucousualde

uma perfurac¸ão tardia da artéria ilíaca externa esquerda

devidoaumparafusoacetabular,semafrouxamentode

com-ponentesacetabularesesempseudoaneurismaassociado.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

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Imagem

Figura 1 – Tomografia computadorizada mostra hematoma intrapélvico.
Figura 3 – Parafuso acetabular intrapélvico.

Referências

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