SOCIEDADE BRASILEIRA DE ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA
w w w . r b o . o r g . b r
Artigo
Original
Efeitos
da
habilidade
ambulatória
pré-operatória
e
da
educac¸ão
cirúrgica
do
paciente
sobre
a
qualidade
de
vida
e
os
resultados
funcionais
após
artroplastia
total
do
joelho
夽
Sunil
K.
Dash
a,
Nishit
Palo
a,b,∗,
Geetanjali
Arora
c,
Sidharth
S.
Chandel
de
Mithilesh
Kumar
eaHi-TechMedicalCollege,DepartmentofOrthopaedics,Odisha,Índia
bCareHospitals,DepartmentofOrthopaedics,Odisha,Índia
cHi-TechMedicalCollege,DepartmentofAnatomy,Odisha,Índia
dJaypeeHospital,DepartmentofOrthopaedics,Noida,Índia
eCareHospitals,DepartmentofPhysiotherapy,Odisha,Índia
informações
sobre
o
artigo
Históricodoartigo:
Recebidoem15demaiode2016 Aceitoem20dejunhode2016
On-lineem26dejunhode2017
Palavras-chave:
Artroplastia,substituic¸ão,joelho Fenômenosbiomecânicos Articulac¸ãodojoelho Qualidadedevida Resultadodotratamento
r
e
s
u
m
o
Objetivo:Analisarprospectivamente oefeitodoestado ambulatório pré-operatórioeda
educac¸ãocirúrgicadopacientesobreosresultadosfuncionaisedastrêsdimensõesda qua-lidadedevida(QV;dor,func¸ãofísicaesaúdemental)apósaartroplastiatotaldojoelho (ATJ).
Métodos:AnálisecomparativadaQVedosresultadosfuncionaisempacientessubmetidos
aartroplastiatotaldejoelhoentrejaneirode2014ejunhode2015.Paracompararosefeitos doestadoambulatóriodopacienteeoconhecimentosobreoprocedimentocirúrgicona qualidadedevidaenosresultadosfuncionaisapósATJ,osquestionáriosSF-36,CESD10,EVA, KSS,KSFSeWomacforamusados,bemcomoosescoresdeFriedmaneWyman,10MWTe otestedecadeirade30segundos,nopré-operatórioeum,trêseseismesesapósacirurgia.
Resultados: Oestudoincluiu168joelhosde154pacientes:46,75%homense53,24%mulheres.
52,38%dosjoelhosapresentaramOAdegrauIIIe40,47%dosjoelhos,OAdegrauIV.No períodopré-operatório,oSF-36PCSfoi33,2eoMCSfoi35,4.AmédiadoKSSedoKSFSem mulheresfoide37,3(16,2)e31,5(13,8),respectivamente;noshomens,foide49,2(18,4)e42,5 (15,7),respectivamente.OsescoresmédiosdoWomacforam64,2paraasmulherese56,5 paraoshomens.OsescoresmédiosdaEVAeCESD10foram8,8e8,2nasmulherese6,9e6,4 noshomens,respectivamente.Noprimeiro,terceiroesextomesespós-operatórios,foram observadasmelhoriassignificativasnaQVenamédiadosescoresSF-36,CESD10,EVA, KSS,KSFS,WomaceFriedmanneWyman,bemcomono10MWTenotestedecadeirade 30segundos.Pacientescommelhoratividadefuncionalpré-operatóriaecomcompreensão
DOIserefereaoartigo:http://dx.doi.org/10.1016/j.rboe.2016.12.011.
夽
TrabalhofeitoemtrêscentrosemBhubaneswar,Odisha,Índia.
∗ Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](N.Palo).
http://dx.doi.org/10.1016/j.rbo.2016.06.008
satisfatóriasobreaATJobtiveramresultadosfuncionaismelhoresealcanc¸aramumaboa qualidadedevida(p<0,01).
Discussão: CirurgiõesexplicamaospacientescandidatosaATJoprocedimentocirúrgico,a
naturezadosimplantes,comooprocedimentoafetariaoestilodevidaequaisdevemseras expectativasemrelac¸ãoaoresultadodaATJ.Essasconsiderac¸õescruciaisdevemaumentar aconfianc¸adopaciente,aumentaroseuenvolvimentoeasuacooperac¸ãonoprocessode reabilitac¸ãopós-cirúrgica,melhorarassimsuaqualidadedevida,seusresultadosfuncionais esuaexperiênciaapósaATJ.
Conclusão:CandidatosàATJcomboacapacidadeambulatóriapré-operatóriaecompreensão
dacirurgiaapresentammelhorqualidadedevidanoperíodopós-operatórioinicialede longoprazo.Oestilodevidaeograudecompreensãodopacienteemrelac¸ãoàcirurgia aumentamsignificativamenteacapacidadefuncionalpós-operatória.
©2016SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublicadoporElsevierEditora Ltda.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http:// creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Effects
of
preoperative
walking
ability
and
patient’s
surgical
education
on
quality
of
life
and
functional
outcomes
after
total
knee
arthroplasty
Keywords:
Arthroplasty,replacement,knee Biomechanicalphenomena Kneejoint
Qualityoflife Treatmentoutcome
a
b
s
t
r
a
c
t
Objective: Prospectivelyanalyze theeffectofpreoperativewalking statusandthe
pati-ent’ssurgicaleducationonfunctionaloutcomesandthethreedimensionsofqualityof life(QoL)(pain,physicalfunction,andmentalhealth)afterelectivetotalkneearthroplasty (TKA).
Methods: Acomparative analysisontheQoLandfunctionaloutcomesinpatientswho
underwenttotalkneearthroplastybetweenJanuary2014andJune2015.Tocompareeffects ofthepatient’swalkingstatusandknowledgeofthesurgicalprocedureonQoLand func-tionaloutcomesfollowingTKAbymeansofSF-36questionnaire,CESD10,VAS,KSS,KSFS, WOMAC,aswellasFriedmannandWymanscores,10MWT,and30-secondtimedchairtest, assessedbeforetheoperationandone,three,andsixmonthsaftertheoperation.
Results: Therewere168kneesin154patients:46.75%menand53.24%women.52.38%of
kneeshadgrade-IIIOAand40.47%ofkneeshadgrade-IVOA.Preoperatively, SF-36PCS was33.2andMCSwas35.4.MeanKSSandKSFSinfemaleswas37.3(16.2)and31.5(13.8); inmalesitwas49.2(18.4)and42.5(15.7),respectively.MeanWOMACscoreswere64.2in femalesand56.5inmales.MeanVASandCESD10scoreswere8.8and8.2infemales, and6.9and6.4inmales,respectively.Postoperativelyatthefirst,third,andsixthmonth, significantimprovementsinQoLandmeanSF-36,CESD10,VAS,KSS,KSFS,WOMAC,and FriedmannandWymanscoreswereobserved,aswellasinthe10MWTand30stimedchair testscores.Patientswithbetterpreoperativefunctionalactivityandsatisfactory unders-tandingofTKApresentedabetterfunctionalperformanceandachievedagoodqualitylife (p<0.01).
Discussion: SurgeonseducateTKAcandidatesregardingthesurgicalprocedure,thenature
ofimplants,andhowtheprocedurewouldaffecttheirlifestyleandwhattheirexpectations fromTKAshouldbe.Thesecrucialconsiderationsshouldboosttheirconfidence,enhancing theirinvolvementandcooperationinpost-surgicalrehabilitation,therebyimprovingtheir QoL,functionalresults,andpostTKAexperience.
Conclusion: TKAcandidateswithgoodpreoperativewalkingabilityandunderstandingof
kneearthroplastyhavebetterQoLinearlyandlatepost-surgeryperiods.Patient’slifestyle andunderstandingsignificantlyenhancesthepostoperativefunctionalability.
©2016SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublishedbyElsevierEditora Ltda.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(http:// creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Introduc¸ão
Aosteoartrite,especialmentedequadrilejoelho,afetaa qua-lidade de vida (QV) do indivíduo, não apenas fisicamente,
mastambémemocionalesocialmente,limitaatividadescomo andar,subirescadasecuidadopessoal.1
grauavanc¸ado.AATJéoprocedimentocirúrgicomaiseficaz parareduzirador,aumentaracapacidadefuncional,corrigira deformidadeemelhoraraQVdopaciente4–8noscasosdefalha
dotratamentoconservador.9Asmelhoriadadore
funcionali-dadesãoobservadasemmaiorgrauduranteosprimeirostrês aseismesesapósacirurgia.10,11
Amaioriadospacientesrelatoumelhorianadorefunc¸ão dojoelhoapós ATJ,12–14 enquanto que15% a30%não
rela-taram melhoria15,16 ou observaram agravamento da dor e
estadofuncionalapósacirurgia.Osresultadosdesfavoráveis podemdecorrer de comorbidades médicaspré-operatórias, sexo,estadodesaúdemental,15,16 níveldeapoiosocial,17,18
obesidade,19estilodevidasedentário,pacientenão
deambu-lador,pacientesacamadosougrandetempodeesperaatéa ATJ.20
Esses pacientes podem não tolerar o estresse operató-rio e apresentam menor participac¸ão ecooperac¸ão com a fisioterapiapós-operatória,são,portanto,privadosdosbelos resultadosdaATJ.Essespacientesmuitasvezesapresentam dorpersistente,inchac¸o,rigidez,dificuldadedecaminharou fazeratividadesrotineiras,ficaminsatisfeitosemcomparac¸ão com outrospacientes queapresentam resultados bastante positivosapósacirurgia,comdoroudesconfortomínimos.
VáriosestudoscorrelacionaramosresultadosdeATJscom váriosfatorespré-cirúrgicosecomórbidos.10–17Noentanto,há
naliteraturapoucosrelatossobreosefeitosdoestado deam-bulatóriopré-operatórioedoníveldeeducac¸ãodospacientes acercadoprocedimentonosresultadosfuncionaiseQVapós acirurgiaempacientessubmetidosatratamentocirúrgico.
Assim,esteestudoanalisouprospectivamenteoefeitodo estadodeambulatóriopré-operatórioedaeducac¸ãocirúrgica dopacientesobreosresultadosfuncionaiseastrêsdimensões daQV(dor,func¸ãofísicaesaúdemental)apósATJeletiva.
Material
e
métodos
Umestudodecoorteprospectivofoifeitoempacientes sub-metidosaATJs unilateraisprimárias parao tratamento da osteoartritedojoelho.Ospacientesforamrecrutadose acom-panhadosentrejaneirode 2014eoutubro de2015emtrês centrosemBhubaneswar,Odisha,Índia.Foifeitaumarevisão prospectivade168joelhosem154pacientescomosteoartrite dejoelhointernadosparaATJ,paraavaliaroefeitodoestado deambulatóriopré-operatórioedaeducac¸ãocirúrgicado paci-entesobre os resultados funcionaiseQV após ATJeletiva. Duranteoestudo,14pacientesnecessitaramdeATJ contra-lateral em até 12 meses após o primeiro procedimento. O estudofoiaprovadopelocomitêdeéticainstitucionaletodos ospacientesassinaramotermodeconsentimentoantesde suainclusãonoestudo.
Osseguintescritériosdeexclusãoforamaplicados: analfa-betismofuncional,doenc¸asinflamatóriasououtrascondic¸ões musculoesqueléticasgraves (taiscomoartritereumatoidee ciatalgia),doenc¸a metabólica ou neoplásica,psicopatologia grave,infecc¸ãodojoelhooucomorbidade(definidacomoum diagnóstico, talcomo insuficiência cardíacaoudoenc¸a res-piratória,cujagravidade impedisseaparticipac¸ãototalnos procedimentos).
Comumprotocolopadronizado,doiscirurgiões(SKDeNP) selecionaramospacientesecoletaramoconsentimento infor-mado eseus detalhes. Todasascirurgias foramfeitas pela mesmaequipecirúrgica.
Atécnicacirúrgicafoiamesmaemtodososcasos:uma abordagem anteromedial sem recapeamento patelar com guiadecorteintramedularfemoraletibial.Oscomponentes femoral e tibial foram cimentados. Em todos os pacientes usou-se a prótese PFC® SigmaTM KneeSystem (Ortopedia DePuy, Warsaw,IN,Estados Unidos)padrão ouestabilizada posteriormente.
MedidasdedesfechodeQV
A capacidade funcional foi avaliada pelo Western Ontario
and McMaster Universities Osteoarthritis Index (Womac), pela
classificac¸ãoderesultadofuncionaldeFriedmanneWyman,
peloKneeSocietyScore(KSS),peloWalkingStatusGrading,pelo
testedecaminhadade10metros(10MWT)epeloquestionário
ShortForm-36(SF-36)parasaúdefísica.
Func¸ãolocomotora
A func¸ão locomotora foi avaliada pelo Walking Status Gra-ding,10MWTepelotestedesentar-levantar dacadeiraem 30segundos.Asaúdegeral,aforc¸adosmembrosinferiores, aamplitudedemovimentoeaadesãoaoexercíciotambém foramavaliados.
Doredisfunc¸ãosocial
Adoredisfunc¸ãosocialforamavaliadaspelaescalaanalógica visual(VAS)epelaEscaladeDepressãodoCentrodeEstudos Epidemiológicos(CESD10),respectivamente.
Tambémforamincluídosotempodeesperaparaa cirur-gia(emsemanas)eotempodeinternac¸ão(emdias).Todos ostestesforamfeitoseosdadosforamregistradosantesda cirurgia e um mês, três meses e seis meses após a cirur-gia,pormeio deconsulta presencial e,quandoapropriado, avaliac¸ão dos registros médicos do hospital. Dados sobre ascomplicac¸õesperioperatóriasepós-operatórias,cuidados pós-hospitalareseodestinonaalta,adesãoaoexercícioeao protocolodereabilitac¸ãoforammensuradosnasentrevistas deseguimento.
Metodologia
flexãoecaminhadaautônomacombengalasouandadorno momentodaaltahospitalar.
OsprocedimentosdeATJ,reabilitac¸ãoeoutrostratamentos forampadronizadosdeacordocomosprotocolosdo hospi-tal.Ospacientesforamtratadoscomheparinadebaixopeso molecularcomoprofilaxiaparaeventostromboembólicospor ummês; quatrodoses de cefuroxima1,5gforam adminis-tradascomoprofilaxiaantibiótica.Ospacientesretornaram aohospital15diasapósacirurgiaparaverificac¸ãodaferida cirúrgica eremoc¸ão da sutura. Nas visitasde acompanha-mentonoprimeiro,terceiroesextomêsapósacirurgiaforam feitas radiografias, avaliac¸ão clínica, revisão da medicac¸ão efisioterapia;ospacientes preencheramumquestionárioe receberammotivac¸ãoeaconselhamento.Visitasdomiciliares foramfeitasquandonecessário.Osresultadosforam tabula-dosaosseismesesdeacompanhamento.Osseguintestipos decomplicac¸õesmaioresforamavaliadosapósaalta hospi-talar:rigidezdojoelho,deformidadedomembroinferior,dor, fraquezadomúsculoextensor,infecc¸ãosuperficialetrombose venosaprofunda.
Análiseestatística
OtestedeMann-WhitneyfoiusadoparacompararaQVentre ospacientescomstatusdeambulatórioeamplitudede movi-mento dojoelho (satisfatório vs. insatisfatório)epacientes comboacompreensãocirúrgica(satisfatóriavs.insatisfatória) noprimeiro,terceiroesextomêsapósacirurgia.Otestetde Studentparaamostrasindependentesfoiusadopara compa-rarosescoresdedoisgruposnamesmavariável.Asvariáveis foramtabuladasnosoftwareExcel.Osdadosforam analisa-dosdeformadescritivaeorganizadosemtabelasegráficos. Umvalordep<0,05foiconsideradoestatisticamente signi-ficativo.Os intervalosde confianc¸ade 95% foram medidos quandoapropriado.TodasasanálisesforamfeitascomSPSS, versão13.0.(SPSSInc.;Chicago,IL,EstadosUnidos).
Resultados
Caracterizac¸ãodaamostra
Aamostra foicomposta por168 joelhos em154pacientes: 72homens(46,75%)e82mulheres(53,24%).Duranteoperíodo doestudo,foinecessáriofazerATJcontralateralem14 pacien-tes:novehomens(64,28%)ecincomulheres(35,71%).Aidade dospacientesavaliadosvariouentre62anos(mínimo)e92 anos(máximo),commédiade76±6.
Fatoresclínicos
Entreospacientesavaliados,96(62,33%)foramafetadosno ladodireitoe44(28,57%)noesquerdo.Duranteoperíododo estudo,14pacientes(9,09%)tiveramafecc¸ãobilateralematé 12mesesapósprimeiroprocedimento.Dototaldepacientes, 114(74,13%)eramcasados,40(25,98%)eramviúvose45% esta-vamempregadosnomomentodaapresentac¸ãoaohospital.
Dos168joelhos,12(7,14%)apresentavamosteoartritede grau II, 88 (52,38%), osteoartrite de grau III e 68 (40,47%), osteoartritedegrauIV(fig.1)deacordocomaclassificac¸ão radiológica(tabela1).
180
160
140
120
100
80
60
40
20
0
Osteoartrite 168
0
12 88
68
Joelhos: 168 Grau.1 Grau.2
Grau.3 Grau.4
Figura1–Padrãodeosteoartritedojoelho(n=154).
Tabela1–Classificac¸ãoradiográficadedoenc¸aarticular degenerativa
Grau Descric¸ão
Joelhos
0 Normal
1 Aparenteestreitamentodoespac¸oarticularepossível desenvolvimentodeosteófitos
2 Osteófitosbemdefinidosepossívelestreitamentodo espac¸oarticular
3 Osteófitosmúltiplosmoderados,estreitamentobem definidodoespac¸oarticular,algumaescleroseepossível deformidadedasextremidadesósseas
4 Grandesosteófitos,estreitamentodoespac¸oarticular evidente,esclerosegraveedeformidadeestabelecidadas extremidadesósseas.Cistossubcondraispodemestar presentes.
Quadris
0 Normal
1 Possívelestreitamentodoespac¸oarticularmedialmente epossíveisosteófitosaoredordacabec¸afemoral 2 Estreitamentobemdefinidodoespac¸oarticularinferior,
osteófitosbemdefinidoseescleroseleve
3 Estreitamentoevidentedoespac¸oarticular,levepresenc¸a deosteófitos,algumaescleroseeformac¸ãodecistos, deformidadedacabec¸afemoraleacetábulo
4 Perdaevidentedoespac¸oarticularcomescleroseecistos, deformidadeevidentedacabec¸afemoraleacetábuloe presenc¸adeosteófitosgrandes
Fonte:AdaptadodoConselhoparaaOrganizac¸ãoInternacionalde CiênciasMédicas,1963(*apudWeinsteinSL,BuckwalterJA. Rheu-maticdiseases:diagnosisandmanagement.Turek’sorthopedics: principlesandtheirapplication,6aedic¸ão,p.154).
A tabela 2 apresenta os valores pré-operatórios de amplitude de movimento do joelho, nível educacional e comorbidades. Acomorbidademaisfrequentemente
obser-vadafoidiabetesmellitusnasmulheres(62,1%)ehipertensão
Tabela2–Característicasclínicasdaamostra
Variáveis Mulheres(82) Homens(72)
N % N %
1.Joelho(amplitudedemovimento)(n=168)
0–60◦flexão 42 51,2 28 38,8
61–80◦flexão 21 25,6 22 30,5
81–100◦flexão 12 14,6 13 18,0
100–120◦flexão 7 8,5 9 12,7
2.Escolaridade(n=154)
EnsinoFundamentalcompleto ouincompleto
17 20,7 10 13,8
EnsinoMédiocompletoou incompleto
33 40,3 18 25,0
EnsinoSuperiorcompleto 20 24,3 26 36,2
Pós-graduac¸ão 12 14,7 18 25,0
3.Comorbidades(n=154)
Hipotireoidismo 26 31,7 18 25
Diabetesmellitus 51 62,1 38 52,7
Hipertensão 45 54,8 43 59,7
Doenc¸adeParkinson 2 2,4 5 6,9
Alzheimer 3 3,6 8 11,1
Tabela3–Escoresfuncionaisdojoelhoeescoresdedor esaúdementalnoperíodopré-operatório
Variáveis Joelhofeminino
(92)
Joelho masculino(90)
Média DP Média DP
1.EscoreWomac
Dor 14,3 4,2 13,6 3,8
Funcionalidade 44,7 14,6 38,5 10,5
Rigidez 5,2 1,6 4,4 1,8
2.KSS
Escoredojoelho 37,3 16,2 49,2 18,4
EscoredeFuncionalidade 31,5 13,8 42,5 15,7
3.Testedecadeirade30 segundos
3 1,2 4 2
4.EVA 8,8 1,2 6,9 2,9
5.CESD10 8,2 1,4 6,4 2,4
N % N %
6.EscoreFriedmann–Wyman
Bom 17 20,7 10 13,8
Razoável 33 40,3 18 25,0
Ruim 20 24,3 26 36,2
7.Estadodeambulatório
GrauIV 8 8,6 9 10
GrauIII 12 13,0 11 12,2
GrauII 41 44,8 41 45,6
GrauI 31 33,6 29 32,2
médiainicialdoSF-36PCSfoi33,2edoMCSfoi35,4.Atabela3
apresenta os resultados dos escores funcionais (Womac, escore de Friedmann-Wyman, KSS, Walking Status Grading, testedecadeirade30segundos)edosescoresdedoresaúde mental(VAS,CESD10)noperíodopré-operatório.
Astabelas4e5apresentamosresultadosdosescores fun-cionais(Womac,escoredeFriedmann-Wyman,KSS,Walking
StatusGrading,testedecadeirade30segundos)edosescores
dedoresaúdemental(VAS,CESD10)parahomensemulheres noprimeiro,terceiroesextomêspós-operatório.
Observou-se melhoria significativa nos resultados do
KSS, Walking Status Grading, teste de cadeirade 30
segun-dos, Womac, Friedmann-Wyman, 10MWT, EVA e CES D10 no período pós-operatório eno primeiro (p=0,02), terceiro (p=0,04)esexto(p=0,02)mêsdeacompanhamento.No ter-ceiromêspós-operatório,observou-semelhoriasignificativa namédiado10MWT,tantonavelocidadeautosselecionada, queaumentoupara0,5m/s,quantonavelocidaderápida,que aumentoupara0,9m/s(p<0,01).AQVdospacientespassou asermoderadamenteboa,tantofísicacomomentalmente;a médiadoSF-36PCSfoide47,4edoMCSde59,2(p<0,01).
Amotivac¸ãodopacienteeacompreensãodoprocedimento cirúrgico foram avaliadas pelos cirurgiões-primários como satisfatórias ou insatisfatórias. Pacientes com escolaridade igualousuperioraoEnsinoFundamentalcompleto apresen-tarammelhoradesãoeenvolvimento.Issopodeseratribuído aointeresseeaosníveisdeatividadedessespacientes.
Alémdisso,pacientescommelhoratividadefuncional pré--operatóriaecompreensãosatisfatóriadaATJapresentaram bonsresultadosfuncionaiseboaQVnoprimeiro,terceiroe sextomêsapósacirurgia(p<0,01).
Discussão
Aosteoartrite,adoenc¸aarticularmaiscomum,está relacio-nadaàidade,afetaacimade80%daspessoascommaisde 55anos.21Émaiscomumemmulheres,especialmenteapós
amenopausa.Aosteoartritedosjoelhosécomumeseurisco estáfortementeligadoaoíndicedemassacorporal.21Os
sin-tomasincluemdoraoandar,levantardeumacadeiraesubir oudescerescadas,alémderigidezapósperíodosderepouso. Comosurgimentoouaumentodador,háumatendência natu-ralareduzironíveldeatividadefísica,oqueporsuavezreduz a massaeaforc¸adomúsculo,podecausar diminuic¸ão da estabilidadedaarticulac¸ão,pioriadadegenerac¸ãoarticulare subsequentedeclínionostatusfuncional.Essedeclíniopode causarimportantesconsequênciassistêmicas,afetaasaúde cardiovascular, saúde emocional e sensac¸ão de bem-estar. Paraquebraresseciclo,éprecisoumaabordagem multipro-fissionaldirecionadaaeducaropacienteeafamília,alterar oestilodevidadopaciente,oferecerdispositivosdeapoioe prescreverfisioterapiaefarmacoterapia.
Aheterogeneidadedaosteoartritedecorredevários fato-resque podemcontribuir para danos nacartilagem.AATJ éoprocedimentocirúrgico maiseficazparareduziradore aumentara capacidadefuncional,corrigir adeformidadee melhoraraQVdopaciente4–8emcasosdefalhadotratamento
conservador.9NoCanadá,ondeforamfeitas8.734ATJsentre
2004-2005emaisde10.000cirurgiasem2006-2007, estima--se quemaisde20.000ATJs serãofeitasaté 2020,comum custoanualdeUS$230milhões.22Dentreosváriospotenciais
fatores de risco para a dor persistente, limitac¸ões funcio-nais einsatisfac¸ão clínicaapós procedimentos ortopédicos eletivosbem-sucedidos, podemoscitarainfecc¸ão, instabili-dade,afrouxamentodaprótese,maiortempodeesperapara cirurgia,20 falta de informac¸ão cirúrgica, sexo feminino,23
depressão,15ansiedade,6,16,24obesidade19 esíndromededor
Tabela4–Escoresfuncionaisdojoelhoemmulheresnoprimeiro,terceiroesextomêspós-operatório
Variáveis Primeiromês Terceiromês Sextomês
Média DP Média DP Média DP
1.EscoreWOMAC
Dor 6,3 1,2 3,2 1,1 2 0,8
Funcionalidade 21 8,6 16,4 6,4 10,2 7,8
Rigidez 3,8 1,1 2,2 0,8 1,8 1
2.KSS
Escoredojoelho 64,2 12,4 72,8 16,8 78,2 17,2
EscoredeFuncionalidade 55,8 10,6 64,2 12,4 68 12,8
3.Testedecadeirade30segundos 4 1,8 4 2 5 2,4
4.EVA: 5,8 2,2 4,2 1,4 3 0,8
5.CESD10: 4,2 0,8 3,4 1 2,8 0,6
6.EscoreFriedmann–Wyman N % N % N %
Bom 48 52,3 52 56,5 64 69,5
Razoável 40 43,4 38 41,3 26 28,2
Ruim 4 4,3 2 2,2 2 2,2
7.Estadodeambulatório
GrauIV 32 8,6 37 41,1 63 70,0
GrauIII 30 13,0 33 36,7 19 21,1
GrauII 22 44,8 16 17,7 8 8,9
GrauI 6 33,6 4 4,5 0 0
Tabela5–Escoresfuncionaisdojoelhoemhomensnoprimeiro,terceiroesextomêspós-operatório
Variáveis Primeiromês Terceiromês Sextomês
Média DP Média DP Média DP
1.EscoreWOMAC
Dor 5,3 1,2 2,8 1,4 1,4 0,9
Funcionalidade 23 8,6 14 6,4 8 6,4
Rigidez 3,6 1,4 1,8 1 0,6 1,6
2.KSS
Escoredojoelho 73,2 16,8 82,4 12,7 8,2 10,2
EscoredeFuncionalidade 62,8 14,9 74,3 15,2 82 7,5
3.Testedecadeirade30segundos 4 2,1 5 1,8 6 1,2
4.EVA 4,8 1,4 3,8 1,1 2,6 0,6
5.CESD10 3,8 0,5 3,2 1,2 1,8 0,8
6.EscoreFriedmann–Wyman N % N % N %
Bom 54 60,0 58 64,5 72 80,0
Razoável 33 36,6 30 33,3 16 17,3
Ruim 3 3,3 2 2,2 2 2,2
7.Estadodeambulatório
GrauIV 24 8,6 32 34,8 54 58,6
GrauIII 32 13,0 40 43,6 28 30,4
GrauII 32 44,8 18 19,5 8 8,6
GrauI 4 33,6 2 2,1 2 2,1
Hudaket al.25 listaram várias suposic¸ões que levamos
pacientesa rejeitar acirurgiade artroplastiatotal; em pri-meirolugar,algunsparticipantesencaramaosteoartritenão como uma doenc¸a, massim como partenormal do enve-lhecimento.Emsegundolugar,apesardeseremcandidatos aATJ de acordocom critérios médicos, muitos participan-tes acreditavam que o procedimento exigiria um nível de doreincapacidadesuperioraoseu nívelatual. Emterceiro lugar, alguns participantes acreditavam que seus médicos recomendariam a cirurgia se eles solicitassem ou poten-cialmente fossem se beneficiar com ela. Para melhores resultados pós-cirúrgicos, essas questões devem ser abor-dadas em reuniões pré-operatórias entre o cirurgião e o paciente.
ruins;elestambémgeralmentenãoficamsatisfeitoscomos resultadosdacirurgiaeparticipammenosdostratamentosde reabilitac¸ãopós-cirúrgico.
Oscirurgiõesdeartroplastiadevemsercapazesde distin-guirentrepacientescomestilosdevidasedentários,escores pré-operatóriosruinsebaixacompreensãodoprocedimento cirúrgico,queprovavelmenteapresentarãodorpersistentee insatisfac¸ãoclínica,daquelesquesãorealmentepropensosa melhorarcomaATJ.Oscirurgiõespodemorientarpacientes doprimeirogrupoaparticipardeintervenc¸õesnãocirúrgicas apropriadasetreinamentofísico,dartempoparamelhorara QV(física,mentalesocial)antesdaintervenc¸ãocirúrgica.
Oscirurgiõestambémdevemincorporareabordaresses tópicos emdiscussões com os candidatos a ATJ, educá-los sobre o procedimento cirúrgico, a natureza dos implantes e como o procedimento afetaria seu estilo de vida e o que devem esperar da cirurgia. Essas considerac¸ões cruci-aisdevemaumentaraconfianc¸adospacientesemelhoraro seuenvolvimentoecooperac¸ãonareabilitac¸ãopós-cirúrgica, melhorarassimasuaQV,seus resultadosfuncionaisesua experiênciaapósaATJ.
Conclusão
Candidatos a ATJ com bom estado deambulatório pré--operatórioe boa compreensão do procedimento de artro-plastia do joelho têm uma melhor QV no pós-operatório precoceetardio.Oestilodevidaeacompreensãodo paci-ente aumentam significativamente a capacidade funcional pós-operatória.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
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