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ARTIGO
ORIGINAL
Food
consumption
of
children
younger
than
6
years
according
to
the
degree
of
food
processing
夽
Ediana
Volz
Neitzke
Karnopp
a,
Juliana
dos
Santos
Vaz
b,
Antonio
Augusto
Schafer
c,
Ludmila
Correa
Muniz
b,
Rosângela
de
Leon
Veleda
de
Souza
b,
Iná
dos
Santos
c,
Denise
Petrucci
Gigante
ce
Maria
Cecilia
Formoso
Assunc
¸ão
c,∗aUniversidadeFederaldePelotas(UFPEL),FaculdadedeNutric¸ão,ProgramadePós-graduac¸ãoemNutric¸ãoeAlimentos,
Pelotas,RS,Brasil
bUniversidadeFederaldePelotas(UFPEL),FaculdadedeNutric¸ão,Pelotas,RS,Brasil
cUniversidadeFederaldePelotas(UFPEL),DepartamentodeMedicinaSocial,ProgramadePós-graduac¸ãoemEpidemiologia,
Pelotas,RS,Brasil
Recebidoem16deoutubrode2015;aceitoem6deabrilde2016
KEYWORDS
Foods; Nutrition; Child,preschool; Publichealth
Abstract
Objective: Toevaluatefoodintakeaccordingtothedegreeofprocessing,stratifiedbyfamily incomeandage,inarepresentativesample ofchildren youngerthan6yearsinthecityof Pelotas,RS,Brazil.
Methods: Cross-sectional population-based study carried out with 770 children aged 0---72months ofagelivingintheurbanarea ofPelotas.The dietaryintakeofchildren was assessedby24-hrecalladministeredtomothersorguardians.Theenergyintakewasestimated andeachfooditemwasclassifiedaccordingtothefoodprocessingdegree.Foodconsumption wasstratifiedbyage(youngerthan24months;24months;orolder)andassociationsbetween quintilesoffamilyincomeandrelativecontributionofeachfoodtototalenergywereperformed bylinearregression.TheWaldtestwasappliedtotestlineartrendacrossgroups.
DOIserefereaoartigo:
http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2016.04.007
夽 Comocitaresteartigo:KarnoppEV,VazJS,SchaferAA,MunizLC,SouzaRL,SantosI,etal.Foodconsumptionofchildrenyoungerthan
6yearsaccordingtothedegreeoffoodprocessing.JPediatr(RioJ).2017;93:70---8. ∗Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](M.C.Assunc¸ão).
Results: Themeanenergyintakewas1725.7kcal/day.Themeancontributionofprocessedand ultraprocessedfoodswas19.7%amongchildrenyoungerthan24monthsand37%inthoseaged 24monthsorolder,whilethemeanconsumptionofnaturalandminimallyprocessedfoodwas 61%and44%,respectively. Amongchildren aged24months orolder,agreaterconsumption ofcannedfoods,cheeseandsweetswasobservedasfamilyincomequintilesincreased,while breadsweremoreconsumedbythosechildrenbelongingtothelowerincomequintiles. Conclusion: Ahighcaloriccontributionofultraprocessedfoodsindetrimenttoalower con-sumptionofnaturalandminimallyprocessedfoodswasobservedinthedietofchildrenyounger than6years.
©2016PublishedbyElsevierEditoraLtda.onbehalfofSociedadeBrasileiradePediatria.Thisis anopenaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(http://creativecommons.org/licenses/ by-nc-nd/4.0/).
PALAVRAS-CHAVE
Alimentos; Nutric¸ão; Pré-escolares; Saúdepública
Consumoalimentardecrianc¸asmenoresdeseisanosconformeograude
processamento
Resumo
Objetivo: Avaliaroconsumoalimentarconformeograudeprocessamento,segundoarendae afaixaetária,emumaamostrarepresentativadecrianc¸asmenoresde6anosdePelotas(RS), Brasil.
Métodos: Estudo transversal conduzido com770 crianc¸as até 72 meses residentesna zona urbanadePelotas.Oconsumoalimentardascrianc¸asfoiavaliadoporrecordatóriode24horas, aplicadoàsmãesouaosresponsáveis,eoconsumocalóricodosalimentosfoiestimadodeacordo comograudeprocessamento.Oconsumoalimentarfoiestratificadoporfaixaetária(menos de24meses;24mesesoumais)easassociac¸õesentrerendafamiliareaparticipac¸ãorelativa dosalimentosnototaldecaloriasdiáriasforamconduzidasporregressãolinearsimples.Fez-se otestedeWaldparaavaliartendêncialinearentreosgrupos.
Resultados: Amédiadeconsumofoi1.725,7Kcal/dia.Aparticipac¸ãocalóricaprovenientedo grupodealimentosultraprocessadosfoide19,7%nascrianc¸ascommenosde24mesese36,1% naquelascom24mesesoumais,enquantoqueacontribuic¸ãodogrupodealimentosinnaturae minimamenteprocessadosfoide61,2%e44,1%%,respectivamente.Nascrianc¸ascom24meses oumaisobservou-semaiorconsumodedocesconformeoaumentodarendafamiliar,enquanto que ospãesforam maisconsumidos entreascrianc¸aspertencentes aosmenores quintisde renda.
Conclusão: Observou-seelevadaparticipac¸ãocalóricadealimentosultraprocessadosem detri-mentodomenorconsumodealimentosinnaturaeminimamenteprocessadosnaalimentac¸ão decrianc¸asmenoresde6anos.
©2016PublicadoporElsevierEditoraLtda.emnomedeSociedadeBrasileiradePediatria.Este ´
eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/ by-nc-nd/4.0/).
Introduc
¸ão
O interesse pelo consumo alimentar na infância é cres-cente,tendoemvistaquenosprimeirosanosdevidaocorre a formac¸ão dos hábitos alimentares.1,2 Práticas alimenta-res inadequadas adotadas em idades precoces podem ter repercussõesnegativasem curtoe longoprazo e compro-meterocrescimentofísicoeodesenvolvimentoinfantil,3,4 assim como representam risco para a obesidade e outras complicac¸ões.5---7
Nos últimos anos, a prevalência de excesso de peso e obesidade na populac¸ão brasileira aumentou de maneira considerável, segundo dados da Pesquisa de Orc¸amentos Familiares(POF),doInstitutoBrasileirodeGeografiae Esta-tística(IBGE),feitaem2008-2009.Osnúmerostambémsão preocupantesentrecrianc¸asde5a9anos,dentreasquais 33,5%têmexcessodepesoe14,3%encontram-seobesas.8A
substituic¸ãodealimentoscaseirosenaturaisporalimentos processadospodeserumdosfatoresresponsáveispelas ele-vadasprevalênciasdeexcessodepesoobservadasnogrupo infantil,por seremalimentosde elevadadensidade ener-gética,ricosemgordura,ac¸úcaresesódio.Fatorescomoa globalizac¸ão,oritmodevidaacelerado,opoderdecompra eotrabalhodamulher foradolartambémpodem contri-buirparaasmudanc¸asocorridasnoshábitosalimentaresdas famíliasbrasileiras.9---11 Nomesmo sentido,ainfluênciado mercadopublicitário,pormeiodepropagandas,embalagens erótulosatrativos,estimulaoconsumoexcessivode produ-tosindustrializados,principalmenteentreascrianc¸as.12---14
primeirogrupoécompostopelosalimentosinnaturae mini-mamenteprocessados(exemplo:frutas,vegetais,carnese feijões).Osegundocaracteriza-seporalimentosda culiná-riaprocessadaouingredientesdaindústriaalimentícia,isto é,substânciasextraídasdealimentose usadasnopreparo ecozimentodepratoscompostos(exemplo:óleosvegetais, sal,ac¸úcares).Oterceiroécompostoporprodutos alimen-tícios com a adic¸ão de sal ou ac¸úcar ououtra substância deusoculinárioaalimentosinnaturaparatorná-los durá-veis e mais agradáveisao paladar (exemplo: vegetais em conserva,frutasem caldaecristalizadas,sardinhaeatum enlatados,queijos). Oquarto éformado porprodutos ali-mentíciosultraprocessados,comoalimentosprontosparao consumoouprontosparaaquecer,cujoprocessamentovisa àdurabilidade,acessibilidade,conveniênciaeao apelode serumalimentoprontoparaconsumo.
Considerandoqueaintroduc¸ãoprecocedealimentos pro-cessadose ultraprocessados na dietainfantil,assim como obaixo consumo dealimentos in naturaouminimamente processados,pode repercutirde formanegativa na saúde dacrianc¸a, o presente estudo tem como objetivo avaliar o consumo alimentar conformeo grau deprocessamento, segundoarendaeafaixaetária,emumaamostra represen-tativadecrianc¸asmenoresde6anosdeumacidadedosul doBrasil.
Métodos
Em 2008, foi conduzido um inquérito transversal de base populacional,em Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil, que compôs uma série temporal de quatro inquéritos de um estudo com o objetivo de avaliaro efeito dafortificac¸ão das farinhas de trigo e milho na ocorrência de anemia em crianc¸as menores de 6 anos. Detalhes metodológicos do estudo são encontrados em publicac¸ão anterior.17 Nos 40 setores censitários estudados, selecionados de forma sistemática com probabilidade proporcional ao tamanho, foramencontradas850crianc¸as menores deummês a72 meses.Dessaforma,foramincluídasnoestudo799crianc¸as, querepresentaram94%daamostra.Paraopresenteestudo, ascrianc¸asforam agrupadasporfaixa etária:menoresde 24mesese24mesesoumais.
O consumo alimentar das crianc¸as foi avaliado por um recordatório de 24 horas, aplicado às mães ou aos responsáveis, em um dia da semana não subsequente a domingos e feriados, por equipe de nutricionistas treina-das.Frequentavamcreches119crianc¸as.Orecordatóriofoi complementadopelamãeoupeloresponsável.Asmedidas caseirasobtidasforamtransformadasemgramasou milili-trosparaanálisedesuacomposic¸ãonutricional.Oconsumo deóleovegetalfoipadronizadoem15mlparacadarefeic¸ão salgada.
O conteúdo energético dos alimentos foi analisado no programaADSNutri(ADSNutri(2006)NutritionalSystem, ver-são9.0;Brasil),18queusaaTabelaBrasileiradeComposic¸ão de Alimentos,19 complementada pela Tabela do Departa-mentodeAgriculturadosEstadosUnidosdaAmérica.20Para ascrianc¸asaindaamamentadas,masquetambémrecebiam outrotipodeleitee/ourecebiamalimentos complementa-res,foifeitoumcálculodecontribuic¸ãoenergéticadoleite materno.21Posteriormente,osalimentosconsumidosforam
classificadosemquatrogrupos,deacordocomaextensãoe opropósitodeseuprocessamento,queseguiramaproposta do guiaalimentar para apopulac¸ão brasileira.16 Grupo 1: Alimentosinnaturaeminimamenteprocessados(vegetais, frutas frescas, raízes e tubérculos; grãose cereais; legu-minosas; frutas secas, sucos de frutas ou sucos natural; oleaginosassemsalouac¸úcar;farinhas,macarrãoemassas frescas; carnes;leitefresco,pasteurizado ou ultrapasteu-rizado ou em pó, iogurte (sem adic¸ão de ac¸úcar); ovos; chás, café e água potável);Grupo 2: Ingredientes culiná-riosprocessados(óleosvegetais,manteiga,banhadeporco, gordura de coco, ac¸úcar branco, demerara ou mascavo; sal refinado ou grosso); Grupo 3: Alimentos processados (alimentos em conserva; frutas em calda e cristalizadas, geleias;carnesecaetoucinho;sardinhaeatumenlatados; queijos);Grupo4:Alimentosultraprocessados(pães,bolos e produtos panificados; biscoitos, sorvetes, chocolates, balas e guloseimas em geral; barras de cereal; cereais matinaiscomadic¸ãodeac¸úcar;iogurtesebebidaslácteas adoc¸ados e aromatizados; bebidas energéticas; produtos congelados e prontos para aquecimento [massas, pizzas, hambúrgueres],extratosdecarnedotiponuggets,salsichas e outrosembutidos, pratos pré-preparados; molhos pron-tos;gorduravegetalhidrogenada[margarinasehalvarinas], salgadinhos;molhos;snacksdocesesalgados;refrigerantes e sucos industrializados; carnes, sopas enlatadas e desi-dratadas,macarrãopré-pronto;fórmulasinfantis,leitesde seguimento,alimentosparabebês;adoc¸antesartificiais).
Algumasinformac¸õessociodemográficasforamobtidasdo estudoprincipaleusadascomocovariáveisnapresente aná-lise:sexodacrianc¸a,escolaridadematernaemanos(até4, 5-8,9-11,≥12anos)erendafamiliaremquintis(obtidapelo
somatóriodarendadetodososmoradoresdodomicílio). Inicialmente,calculou-seamédiadiáriadeenergia(Kcal) ingeridapelas crianc¸ase ocorrespondenteerropadrão. A mesma estimativa foi calculada segundo quintis derenda familiar(1◦ quintil menorrendae 5◦ quintilmaiorrenda), com o intuito de identificarse a renda tem influênciano consumodealimentossegundoograudeprocessamento.Em umsegundomomento,calculou-seacontribuic¸ãorelativade cadaumdosquatrogruposemrelac¸ãoaototaldaestimativa energéticadiáriadecadacrianc¸a,assimcomoacontribuic¸ão relativa individualdecadaalimento em relac¸ãoà estima-tivaenergéticatotal.Ambasasestimativasforamanalisadas de acordo com os quintis de renda familiar e estratifi-cadas por grupo etário (< 24 meses e com 24 meses ou mais).
OsdadosforamanalisadosnoprogramaestatísticoStata (StataCorporation,CollegeStation,versão12.0;EUA),com o uso do comando svy em todas as análises, tendo em vista acomplexidadedoprocessodeamostragem,que foi feitoemmúltiplosestágios.Aassociac¸ãoentrerenda fami-liare participac¸ãorelativa decadagrupodealimentosno totalenergéticofoifeitaporregressãolinearsimples. Fez--se o testede Wald paratendência linearpara avaliaras diferenc¸asentreosgrupos.Assumiu-seumnívelde signifi-cânciade5%paratodasasanálises.
Tabela1 Consumocalóricodecrianc¸asmenoresde24meses,segundoclassificac¸ãodosalimentosdeacordocomaextensão eopropósitodoseuprocessamentoindustrial.Pelotas,RS,2008(n=214)
Gruposdealimentos/alimentos Kcal/dia/crianc¸a
Média(EP)
Totaldecalorias(%) Média(EP)
Alimentosinnaturaeminimamenteprocessados 793,73(25,18) 61,29(1.4)
Arroz 49,19(4,17) 3,07(0,25)
Carnes(nãopeixe) 77,67(7,88) 4,96(0,47)
Feijão 78,85(10,86) 4,59(0,48)
Leite 280(14,59) 23,45(1,55)
Frutas 60,10(4,72) 4,39(0,32)
Massas 22,35(5,57) 1,27(0,28)
Raízesetubérculos 11,18(1,73) 0,82(0,13)
Vegetais 8,96(1,39) 0,77(0,13)
Peixes 1,41(1,41) 0,06(0,06)
Ovos 3,58(1,26) 0,02(0,07)
Farinhas 6,41(2,3) 0,54(0,19)
Outrosa 243,18(20,4) 20,2(1,91)
Ingredientesculináriosprocessados 218,74(12,43) 15,67(0,79)
Ac¸úcar(sacarose) 53,32(5,41) 4,44(0,51)
Óleosvegetais 164,98(10,95) 11,2(0,67)
Gorduraanimal 0,42(0,23) 0,02(0,01)
Alimentosprocessados 3,52(1,7) 0,24(0,11)
Geleias 0,06(0,04) 0,00(0,00)
Conservaseenlatados 2,43(1,57) 0,16(0,1)
Queijos 1,02(0,62) 0,75(0,48)
Alimentosultraprocessados 303,42(24,07) 19,71(1,29)
Pães 33,6(4,88) 1,98(0,26)
Biscoitos 40,12(5,8) 2,63(0,34)
Doces 31,38(5,86) 1,81(0,32)
Refrigerantes 7,16(1,91) 0,44(0,11)
Embutidos 12,42(6,59) 0,53(0,28)
Molhos 0,14(0,1) 0,00(0,00)
Outrosb 178,58(16,95) 12,29(1,13)
Todososalimentos 1.368,63(45,34)
Kcal,calorias;EP,erropadrão.
a Sucosdefrutanatural;amendoim;lentilha;sopasedemaispreparac¸õesculináriascaseiras(purês,tortadelegumes,panquecas,
entreoutros);bolosepãescaseiros;chásecafés;aveiaemflocos;mel.
b Sucosindustrializados;papasindustrializadas;suplementoseformulasinfantisempó;farinhalácteadecereais;carnes
processa-das(empanados,nuggets,hambúrgueres);macarrãoprocessado(cupnoodlesetalharim);temperosindustrializados;flocosdemilho ac¸ucarados;salgadinhosdotipochips;cereaisembarraadoc¸ados;pizzas;achocolatadosempó;bebidasdesoja;adoc¸antesartificiais; requeijão;iogurtesebebidaslácteasadoc¸adasearomatizadas.
Resultados
Das799crianc¸asincluídasnoestudooriginal,foram anali-sadas770,apósaexclusãode29emaleitamentomaterno exclusivo.Observou-seque52%dascrianc¸as eramdosexo masculino,72,5%tinhamidadeigualousuperiora24meses, 53% das mães tinham até oito anos completos de estudo e amédiaderenda familiareradeR$1.326(mediana de R$860).Amédiadiáriadoconsumoenergéticofoide1.725,7 Kcal.Osalimentosultraprocessadoscontribuíramcom32% dototaldeenergiaeorestante,14%dototalenergético diá-rio,foiprovenientedeingredientesculináriosprocessadose 5,2%dealimentosprocessados(dadosnãoapresentadosem tabelas).
Entreosmenoresde24meses,amédiadoconsumo ener-géticofoide1.368,6Kcal.Foramprovenientesdealimentos
in natura ou minimamente processados 61%, representa-dos principalmente pelo leite(23,4%). A contribuic¸ão dos alimentos ultraprocessados foi de 19,7% do total energé-tico diário, 12,9% de alimentos classificados como outros (comosucosindustrializados,papasindustrializadas, suple-mentose fórmulasinfantis em pó),seguidospor biscoitos (2,6%),pães(1,9%)edoces(1,8%).Osingredientesculinários processadoscontribuíramcom15,7%dototaldeenergia diá-ria,obtidos,sobretudo,apartirdosóleosvegetais(11,2%) (tabela1).
Tabela2 Contribuic¸ãocalóricarelativadosgruposdealimentos,classificadosdeacordocomaextensãoeopropósitodoseu processamentoindustrial,paraoconsumocalóricodecrianc¸asmenoresde24meses,segundoquintisderendafamiliar.Pelotas, RS,2008(n=214)
Gruposde alimen-tos/alimentos
Quintisderendafamiliar-%(EP) p-valorc
1◦ 2◦ 3◦ 4◦ 5◦
Alimentosinnaturae minimamente processados
56,26(3,5) 58,13(2,33) 69,0(2,63) 60,14(0,5) 62,64(3,72) 0,154
Arroz 3,51(0,53) 2,57(0,46) 2,87(0,47) 2,72(0,5) 3,8(0,81) 0,769
Carnes(nãopeixe) 3,87(0,93) 4,5(0,85) 5,38(1,10) 3,76(1,04) 7,61(1,23) 0,058
Feijão 5,01(0,9) 4,98(1,33) 3,5(1,08) 3,83(0,8) 5,77(1,35) 0,977
Leite 19,11(2,52) 24,24(2,82) 23,38(3,71) 29,83(4,79) 20,24(2,52) 0,399 Frutas 3,56(0,77) 3,14(0,59) 5,37(0,78) 4,3(0,68) 5,74(0,77) 0,020 Massas 1,37(0,87) 1,3(0,57) 1,23(0,66) 0,89(0,31) 1,59(0,71) 0,983 Raízesetubérculos 0,61(0,19) 0,96(0,29) 0,76(0,23) 0,56(0,19) 1,27(0,49) 0,421 Vegetais 0,43(0,18) 0,58(0,17) 0,49(0,14) 0,68(0,24) 1,78(0,56) 0,026
Peixes 0,31(0,3) 0,0(0,0) 0,0(0,0) 0,0(0,0) 0,0(0,0) 0,314
Ovos 0,06(0,06) 0,03(0,03) 0,28(0,22) 0,39(0,21) 0,25(0,2) 0,103
Farinhas 0,44(0,24) 0,0(0,0) 1,61(0,85) 0,15(0,15) 0,47(0,28) 0,750 Outrosa 221,44(4,42) 18,38(3,94) 26,94(4,14) 16,02(4,67) 17,87(3,94) 0,480
Ingredientesculinários processados
17,64(1,94) 20,02(1,97) 13,06(1,09) 15,54(1,8) 11,61(1,6) 0,005
Ac¸úcar(sacarose) 5,61(1,37) 5,96(1,46) 4,56(1,04) 3,64(0,81) 2,16(0,65) 0,010 Óleosvegetais 11,98(1,41) 14,02(1,74) 8,49(1,05) 11,9(1,83) 9,42(1,18) 0,114
Gorduraanimal 0,04(0,03) 0,03(0,03) 0,0(0,0) 0,0(0,0) 0,03(0,03) 0,576
Alimentosprocessados 0,0(0,0) 0,24(0,19) 0,02(0,01) 0,73(0,52) 0,19(0,12) 0,157
Geleias 0,0(0,0) 0,01(0,01) 0,0(0,0) 0,0(0,0) 0,01(0,01) 0,627
Conservaseenlatados 0,0(0,0) 0,04(0,04) 0,0(0,0) 0,6(0,5) 0,15(0,11) 0,132
Queijos 0,0(0,0) 0,19(0,19) 0,01(0,0) 0,13(0,13) 0,03(0,03) 0,967
Alimentos
ultraprocessados
22,57(33,42) 19,02(2,23) 15,03(2,28) 20,53(2,46) 21,73(3,96) 0,954
Pães 2,58(0,6) 1,7(0,53) 2,12(057) 2,35(0,75) 1,03(0,35) 0,177
Biscoitos 4,11(1,08) 2,78(0,65) 2,4(0,83) 1,43(0,42) 2,44(0,63) 0,067
Doces 2,01(0,73) 1,02(0,74) 1,33(0,49) 2,41(0,92) 2,36(0,71) 0,379
Refrigerantes 0,67(0,33) 0,72(0,29) 0,27(0,18) 0,0(0,0) 0,54(0,3) 0,269
Embutidos 0,26(0,17) 0,1(0,1) 0,69(0,48) 1,54(1,25) 0,0(0,0) 0,458
Molhos 0,0(0,0) 0,0(0,0) 0,03(0,03) 0,01(0,01) 0,0(0,0) 0,294
Outrosb 12,92(2,73) 12,68(2,14) 8,16(1,57) 12,77(1,72) 15,35(4,14) 0,655
EP,erropadrão.
aSucosdefrutanatural;amendoim;lentilha;sopasedemaispreparac¸õesculináriascaseiras(purês,tortadelegumes,panquecas,
entreoutros);bolosepãescaseiros;chásecafés;aveiaemflocos;mel.
b Sucosindustrializados;papasindustrializadas;suplementoseformulasinfantisempó;farinhalácteadecereais;carnes
processa-das(empanados,nuggets,hambúrgueres);macarrãoprocessado(cupnoodlesetalharim);temperosindustrializados;flocosdemilho ac¸ucarados;salgadinhosdotipochips;cereaisembarraadoc¸ados;pizzas;achocolatadosempó;bebidasdesoja;adoc¸antesartificiais; requeijão;iogurtesebebidaslácteasadoc¸adasearomatizadas.
c TestedeWalddetendêncialinear.
ao maior quintil de renda. Quanto à participac¸ão dos ingredientesculinários processados,o consumo deac¸úcar apresentourelac¸ãosignificativaeinversacomosquintisde renda.Jáoconsumo dealimentosprocessadose ultrapro-cessadosnãodiferiuconformeosquintisderenda(tabela2). Emrelac¸ãoàscrianc¸ascom24mesesoumais,amédia diária de energia foi de 1.873,6 Kcal. Menos da metade (44,2%) desse percentual energético foi proveniente do grupodosalimentosinnaturaeminimamenteprocessados, principalmentedoleite(13,8%),dacarne(7,4%),dofeijão
(6,5%)edoarroz(5,8%).Acontribuic¸ãodosalimentos ultra-processadosfoide36,1%dototalenergéticodiário,14,9% provenientesdealimentosclassificadoscomooutros(como sucosindustrializados,papasindustrializadas,suplementos e fórmulas infantis em pó), seguidos de biscoitos (6,2%), pães(5,6%)edoces(5,4%).Dototalenergéticodiário,13% foramprovenientesdeingredientesculináriosprocessados, amaioriadeóleosvegetais(10,4%)(tabela3).
Tabela3 Consumocalóricodecrianc¸ascom24mesesoumais,segundoclassificac¸ãodosalimentosdeacordocomaextensão eopropósitodoseuprocessamentoindustrial.Pelotas,RS,2008(n=556)
Gruposdealimentos/alimentos Kcal/dia/crianc¸a
Média(EP)
Totaldecalorias(%) Média(EP)
Alimentosinnaturaeminimamenteprocessados 825,56(19,25) 44,16(0,72)
Arroz 106,33(3,55) 5,82(0,18)
Carnes(nãopeixe) 140,18(6,2) 7,4(0,31)
Feijão 125,82(7,88) 6,54(0,37)
Leite 246,13(8,14) 13,84(0,46)
Frutas 57,23(3,55) 3,09(0,18)
Massas 38,14(4,94) 1,92(0,23)
Raízesetubérculos 9,22(1,47) 0,49(0,07)
Vegetais 10,07(1,04) 0,55(0,56)
Peixes 3,25(2,63) 0,15(0,11)
Ovos 13,11(1,67) 0,72(0,09)
Farinhas 0,72(0,31) 0,35(0,15)
Outrosa 181,66(11,71) 9,39(0,55)
Ingredientesculináriosprocessados 235,96(5,96) 13,33(0,35)
Ac¸úcar(sacarose) 50,38(2,63) 2,81(014)
Óleosvegetais 182,73(5,14) 10,38(0,31)
Gorduraanimal 2,84(0,99) 0,13(0,04)
Alimentosprocessados 1,12(1,64) 0,57(0,08)
Geleias 1,24(0,50) 0,06(0,02)
Conservaseenlatados 3,73(1,06) 0,18(0,05)
Queijos 6,14(1,06) 0,32(0,05)
Alimentosultraprocessados 694,59(20,41) 36,10(0,80)
Pães 102,26(6,09) 5,61(0,34)
Biscoitos 124,65(10,24) 6,2(0,45)
Doces 109,19(9,19) 5,37(0,37)
Refrigerantes 36,3(3,09) 2,09(0,18)
Embutidos 35,65(6,46) 1,69(0,25)
Molhos 3,58(0,97) 0,18(0,05)
Outrosb 282,93(12,48) 14,93(0,6)
Todososalimentos 1.873,58(28,61)
EP,erropadrão.
a Sucosdefrutanatural;amendoim;lentilha;sopasedemaispreparac¸õesculináriascaseiras(purês,tortadelegumes,panquecas,
entreoutros);bolosepãescaseiros;chásecafés;aveiaemflocos;mel.
b Sucosindustrializados;papasindustrializadas;suplementoseformulasinfantisempó;farinhalácteadecereais;carnes
processa-das(empanados,nuggets,hambúrgueres);macarrãoprocessado(cupnoodlesetalharim);temperosindustrializados;flocosdemilho ac¸ucarados;salgadinhosdotipochips;cereaisembarraadoc¸ados;pizzas;achocolatadosempó;bebidasdesoja;adoc¸antesartificiais; requeijão;iogurtesebebidaslácteasadoc¸adasearomatizadas.
não variou conforme quintis de renda. Entretanto, ao analisar a participac¸ão de cada alimento isoladamente, observou-se que o consumo de arroz e feijão diminuiu significativamente com o aumento darenda e o de leite aumentou.Quantoàparticipac¸ãodosingredientes proces-sadosnadieta,oac¸úcareosóleosvegetaisapresentaram relac¸ão inversa com os quintis de renda. Com relac¸ão ao grupo de alimentos processados e ultraprocessados, o consumo aumentou conforme os quintis de renda, foi significativosomentenogrupodosprocessados.Aoanalisar isoladamenteaparticipac¸ãodecadaalimentodogrupodos ultraprocessados,oconsumodepãesdiminuiudeforma sig-nificativacomoaumentodarenda, enquantoqueosdoces e os outros alimentos, como achocolatados em pó,sucos industrializados, iogurtese bebidaslácteas, apresentaram umarelac¸ãosignificativapositivacomarenda(tabela4).
Discussão
Tabela4 Contribuic¸ãocalóricarelativadosgruposdealimentos,classificadosdeacordocomaextensãoeopropósitodoseu processamentoindustrial,paraoconsumocalóricodecrianc¸ascom24mesesoumais,segundoquintisderendafamiliar.Pelotas, RS,2008(n=556)
Gruposde alimen-tos/alimentos
Quintisderendafamiliar-%(EP) p-valorc
1◦ 2◦ 3◦ 4◦ 5◦
Alimentosinnaturae minimamente processados
44,13(1,57) 43,49(1,56) 44,72(1,66) 44,26(1,62) 44,48(1,67) 0,775
Arroz 7,01(0,37) 5,81(0,36) 5,83(0,47) 5,46(0,39) 4,9(0,38) <0,001 Carnes(nãopeixe) 7,31(0,71) 7,62(0,59) 7,29(0,75) 7,45(0,69) 7,28(0,72) 0,921
Feijão 8,25(0,89) 7,03(0,9) 5,46(0,66) 6,9(0,86) 4,98(0,72) 0,011
Leite 11,72(0,88) 13,02(1,05) 15,24(1,0) 13,97(1,15) 15,53(1,11) 0,008 Frutas 2,95(0,38) 3,18(0,42) 2,93(0,42) 3,17(0,41) 3,27(0,39) 0,616 Massas 2,08(0,55) 2,7(0,74) 2,33(0,48) 0,94(0,22) 1,54(0,04) 0,073 Raízesetubérculos 0,58(0,19) 0,33(0,1) 0,78(0,22) 0,43(0,19) 0,31(0,09) 0,390 Vegetais 0,49(0,09) 0,61(0,14) 0,45(0,09) 0,78(0,14) 0,45(0,14) 0,791
Peixes 0,51(0,51) 0,0(0,0) 0,03(0,03) 0,17(0,17) 0,0(0,0) 0,409
Ovos 0,87(0,24) 0,35(0,12) 0,97(0,27) 0,78(0,21) 0,62(0,15) 0,893
Farinhas 0,0(0,0) 0,0(0,0) 0,11(0,05) 0,13(0,01) 0,05(0,04) 0,233
Outrosa 9,27(1,27) 8,62(1,11) 9,08(1,19) 9,62(1,32) 10,41(1,29) 0,427
Ingredientesculinários processados
15,54(0,9) 14,0(0,61) 13,26(0,69) 12,58(0,81) 10,95(0,87) <0,001
Ac¸úcar(sacarose) 3,82(0,35) 2,95(0,32) 2,92(0,32) 2,38(0,31) 1,86(0,3) <0,001 Óleosvegetais 11,7(0,81) 10,7(0,52) 10,24(0,6) 10,05(0,76) 8,97(0,78) 0,013 Gorduraanimal 0,01(0,01) 0,34(0,17) 0,09(0,05) 0,14(0,08) 0,1(0,08) 0,995
Alimentosprocessados 0,1(0,53) 0,3(0,12) 0,59(0,21) 0,96(0,23) 0,97(0,23) <0,001
Geleias 0,01(0,01) 0,04(0,03) 0,16(0,1) 0,01(0,01) 0,09(0,06) 0,356
Conservaseenlatados 0,01(0,00) 0,08(0,04) 0,22(0,11) 0,37(0,17) 0,25(0,13) 0,018
Queijos 0,08(0,05) 0,18(0,11) 0,2(0,09) 0,57(0,16) 0,62(0,17) <0,001
Alimentos
ultraprocessados
33,2(1,79) 36,37(1,70) 35,59(1,66) 36,71(1,84) 38,68(2,03) 0,056
Pães 6,97(0,96) 6,28(0,82) 5,76(0,7) 4,85(0,64) 4,09(0,54) 0,004
Biscoitos 5,39(0,97) 7,96(1,32) 6,46(0,98) 6,12(0,84) 5,19(0,83) 0,502
Doces 3,40(0,53) 5,95(1,06) 5,38(0,81) 6,37(0,86) 5,9(0,88) 0,023
Refrigerantes 2,07(0,38) 2,06(0,38) 2,03(0,5) 1,89(0,35) 2,41(0,47) 0,712
Embutidos 1,43(0,43) 0,1(0,1) 1,33(0,19) 2,24(0,84) 1,39(0,03) 0,991
Molhos 0,28(0,15) 0,12(0,05) 0,07(0,03) 0,37(0,18) 0,06(0,03) 0,590
Outrosb 13,64(1,12) 11,78(1,03) 14,6(1,38) 14,85(1,38) 19,61(1,64) 0,001
EP,erropadrão.
asucosdefrutanatural;amendoim;lentilha;sopasedemaispreparac¸õesculináriascaseiras(purês,tortadelegumes,panquecas,
entreoutros);bolosepãescaseiros;chásecafés;aveiaemflocos;mel.
b sucosindustrializados;papasindustrializadas;suplementoseformulasinfantisempó;farinhalácteadecereais;carnes
processa-das(empanados,nuggets,hambúrgueres);macarrãoprocessado(cupnoodlesetalharim);temperosindustrializados;flocosdemilho ac¸ucarados;salgadinhosdotipochips;cereaisembarraadoc¸ados;pizzas;achocolatadosempó;bebidasdesoja;adoc¸antesartificiais; requeijão;iogurtesebebidaslácteasadoc¸adasearomatizadas.
c TestedeWalddetendêncialinear.
o estabelecimento de hábitos não saudáveis nas idades posteriores.
O aumento da participac¸ão de alimentos processados e ultraprocessados e a reduc¸ão de alimentos in natura e minimamenteprocessados naalimentac¸ão brasileira é um fenômenoobservado nos últimostrês inquéritos nacionais dedespesasfamiliares.10APesquisaNacionalde Demogra-fiaeSaúde(2006/2007),conduzidacom crianc¸asmenores de5 anos, observou umbaixo consumo diário de alimen-tosin natura--- comoverduras, legumese carnes---, além
menosde2anoscomiambiscoitos,bolachasouboloeque 32,3%tomavamrefrigeranteousucoartificial.23Esses resul-tados reforc¸am a tendência de crescimento do consumo de alimentosultraprocessados na populac¸ãoinfantil, com consequentereduc¸ãonoconsumodealimentosinnaturae minimamenteprocessados.
Emrelac¸ãoaosalimentosinnaturaeminimamente pro-cessados,observa-sequeaparticipac¸ãodefrutasevegetais apresentou uma associac¸ãopositiva com a renda familiar somente entre as crianc¸as com menos de 24 meses, ao passo que no grupo etário maior a participac¸ão relativa reduz-senosmaioresquintis,perde-seaassociac¸ãocoma renda. Dessaforma,osdadospodemsugerirque amenor participac¸ão de frutas e vegetais na alimentac¸ão infantil possanãoserapenasumaquestãoderendafamiliar.Defato, obaixoconsumodefrutasevegetaiséigualmenteobservado emcrianc¸asdepaísesmaisricos.1,2Outrosfatores,comoa introduc¸ãotardiadefrutasevegetaisnaalimentac¸ão com-plementar da crianc¸a e o hábito de consumo de frutas e vegetaispelasmães,podeminterferirnaspreferências ali-mentaresdascrianc¸as.1,24---26
Em contraponto, a participac¸ão relativa do leite na alimentac¸ãonãoapresentavadiferenc¸aconformeosquintis derendaentreascrianc¸asmenoresde24meses.Aopasso quenogrupoetáriomaioraparticipac¸ãorelativa doleite reduzemtodososquintisderendaeaassociac¸ãopositiva comarendapassaasersignificativa.Éinteressantenotar aindaqueaparticipac¸ãodearrozefeijãotorna-seinversae significativacomosquintisderendatambémnogrupo etá-rio maior.Famílias commenor poderaquisitivo tendem a manterumaalimentac¸ãomaistradicional,àbasedofeijão earroz.27
Em relac¸ão aos ingredientes culinários processados, o consumo de ac¸úcar manteve uma associac¸ão significativa inversacomosquintisderenda,em ambososgrupos etá-rios.Aparticipac¸ãodosóleos vegetaisapresentourelac¸ão inversaesignificativacomarendasomenteentreascrianc¸as acimade24meses.Diferentementedosóleosvegetais,que contribuemcomofonteimportantedeácidosgraxos essen-ciais na alimentac¸ão infantil, o ac¸úcar é um ingrediente praticamenteisentodenutrienteseoseuconsumonão con-tribuiparaamelhoriadovalornutritivodapreparac¸ãoque éacrescido.Frequentemente,o maiorconsumo deac¸úcar e gordurasé usualmenteassociado àpopulac¸ãodemenor renda.27,28
De forma contrária, apesar de os alimentos ultrapro-cessados apresentarem elevada densidade energética e não agregarem valor nutricional de forma significativa, observaram-sediferenc¸asnaparticipac¸ãorelativadecertos alimentosemrelac¸ãoaosquintisderendaapenasentreas crianc¸asmaioresde24maiores.Entretanto,aparticipac¸ão relativa de refrigerantes e biscoitos aumentou entre as crianc¸asdessamesmafaixaetária,semdiferenc¸aentreos quintis de renda. Por outro lado, a participac¸ão relativa dedocesaumentouconformeosquintisderendafamiliar. Outros estudos brasileiros também mostraram a influên-ciado poderaquisitivo familiar noconsumo de alimentos ultraprocessados.3,29
Umadaslimitac¸õesnopresenteestudoéousodo recor-datóriode24horasdesomenteumdiadasemana,oquenão permiteconsiderar a variabilidade doconsumo alimentar. Outralimitac¸ãoasersalientadarefere-seàclassificac¸ãodos
alimentosquantoaograu deprocessamento.Porsetratar deumestudocomdadossecundários, oplanejamento ini-cialnãopreviaaclassificac¸ãodosalimentosconformeoseu graudeprocessamento.Entretanto,ométodorecordatório exigeorelatodetalhadodos alimentosconsumidos,oque possibilitoua classificac¸ãodamaioria dos itens;em casos de dúvida, optou-se por uma classificac¸ão conservadora, que caracterizou como alimentos processados e ultrapro-cessadossomente aquelessem apossibilidade depreparo caseiro.Apesardaspossíveislimitac¸ões,opresenteestudo foicapazdecoletarinformac¸õesdetalhadasdaalimentac¸ão e identificar diferenc¸asimportantes no consumo entre as faixasetáriasestudadas.
Opresenteestudoreforc¸aasdiscussõesacercada cres-centeparticipac¸ãodeultraprocessadosnaalimentac¸ãodos brasileiroseaimportância deumamaioratenc¸ãona qua-lidadeda dieta decrianc¸as menores de 6anos. Osdados revelamqueemumafaixaetáriaprecocedapopulac¸ãose observamaiorparticipac¸ãorelativadealimentos ultrapro-cessados em detrimento domenor consumo dealimentos
innaturaeminimamenteprocessados.Osresultados apre-sentadospodem ser usados por profissionais de saúde na orientac¸ãodospaissobreaalimentac¸ãoinfantil,assimcomo poreducadoreseprofissionais envolvidosnoplanejamento doscardápiosemescolasdaeducac¸ãoinfantil.
Financiamento
ConselhoNacionaldeDesenvolvimentoCientíficoe Tecnoló-gico(CNPq).
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
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