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Parte VI – Conclusões, contributos e recomendações

4. A importância do turismo jovem e a sua relevância no alojamento hostel 1 Introdução

4.2. Turismo jovem, backpackers e hostels 1 Turismo jovem

4.2.3.2. Definição e conceito do alojamento hostel

Nem sempre consensual, a noção de hostel tem vindo a ser trabalhada por alguns autores, muitas delas, derivando do conceito de youth hostel (albergue ou Pousada de Juventude). Como refere Bourget (2012) “a palavra hostel tem a virtude de gerar diferentes reações, do terror a memórias carinhosas e tudo o que se encontre no meio”. De acordo com o Prontuário Turístico (Domingues, 2013) hostel é um “termo porque são conhecidos alguns estabelecimentos hoteleiros de tarifas moderadas, geralmente utilizados por grupos de jovens”28 (p. 170). Domingues adota igualmente uma outra

designação para hostel, no caso, living lounge hostel. Tal como reportado pelo autor trata-se de uma “designação ampliada de hostel, utilizada com finalidades de marketing, que abrange um conceito diferente e tradicional de hostel porque aceita hóspedes que ultrapassam a idade convencional da juventude” (p. 196). Sempre de acordo com o autor, este tipo de alojamento tem tido um grande desenvolvimento nos grandes centros urbanos, prefencialmente em edifícios antigos, o que os permite facilmente adaptarem-se ao mercado e oferecer um maior número de quartos. Domingues (2013) considera ainda que “as tarifas são normalmente atrativas, tanto para jovens como para adultos”.

Também na edição do Dicionário Técnico de Turismo, Domingues (1990) considera hostel como uma unidade de tarifas moderadas que dá resposta a necessidades de pernoita de jovens, em contexto de férias ou deslocações, com finalidades desportivas ou culturais. Esta definição, até pelas reuniões levadas a cabo no âmbito da investigação junto das Pousadas de Juventude de Lisboa e Porto, encaixa na perspetiva da Pousada de Juventude, em especial quanto à sua utilização como meio de pernoita para provas desportivas ou eventos culturais (onde se inclui, igualmente, estadas longas por estudo). A HI define “A hostel is good quality budget accommodation that offers a comfortable night's sleep in a friendly atmosphere at an affordable price. Hostels also provide the perfect way to get to know a country at low cost and meet many like-minded travellers

28 Na anterior edição do Prontuário Turístico (Domingues, 1997) hostel era definido como o “nome

porque são conhecidos alguns estabelecimentos hoteleiros de tarifas moderadas, geralmente utilizados por gente jovem (p. 156). Na primeira edição do Prontuário, de 1982, a designação de hostel ainda não constava (Domingues, 1982).

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while using the communal facilities such as the bar or lounge, the kitchen. Hostels offer a wide range of accommodation including shared rooms (either single sex or mixed) and private rooms. Private rooms are becoming increasingly popular at our hostels, making hostels open to families and couples as well as individuals and groups.” (Hostelling International, s.d.)

Como se depreende da definição acima, existem alguns aspetos que caracterizam um hostel e que merecem ser realçados: ambiente (friendly atmosphere), preço (affordable price, low cost), facilidades partilhadas (bar, lounge, kitchen), quartos partilhados (shared rooms) e, não menos importante, o conhecimento de outros viajantes (meet many like-minded travellers).

Num contexto mais científico, são vários os autores que deram contributos positivos para a definição de hostel, muitos deles, associados à definição de turismo jovem ou backpacker (onde esta temática tem vindo a ser trabalhada com muito mais profundidade de investigação que o conceito de hostel, como já mencionado).

Nash et al. (2006) consideram hostels como um alojamento económico promovendo um segmento específico de turistas conhecidos como backpackers. Também Dallen e Teye (2009) consideram os hostels como alojamentos quase sempre associados a jovens mochileiros (backpackers) e a alguns turistas independentes que viajam com um orçamento restrito, à procura de um alojamento mais barato e que querem, muitas vezes, conviver com outras pessoas da sua categoria sócio-económico e estrato etário (p. 213). De acordo com Swift (2002), citado em Lemaresquier (2008), hostels são um alojamento económico que oferece aos viajantes mais sensíveis ao custo (cost-conscious travellers) “uma alternativa mais barata e divertida que os hotéis”.

Também Mancini (2005), citado em Saraiva (2013), embora num contexto mais urbano, define hostel como um meio de alojamento frequentado por estudantes ou por aqueles com orçamentos reduzidos, oferecendo, por norma, acomodação a baixo custo nas cidades maiores. Alguns hostels solicitam aos hóspedes para trazerem a sua roupa de cama ou para realizarem algumas pequenas tarefas em troca de alojamento barato (p. 74).

Cadilhe (2010) salienta, pela sua longa experiência enquanto viajante do mundo, que os hostels são um lugar fantástico para conhecer outros viajantes, trocar informações e

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fazer novos amigos, do mesmo modo que Catalão (2010), citado em Saraiva (2013), enfatiza o ambiente de descontração e informalidade que alavanca a mais-valia da experiência de quem fica num hostel.

Aquando de uma das muitas reportagens televisivas sobre hostels e sobre o seu sucesso nas cidades de Lisboa e Porto (TVI, 2014), Benedita Vasconcellos, proprietária do Goodmorning Lisbon Hostel, considerava um hostel como “um hotel com um “s” de socializing”, colocando, mais uma vez, a tónica no ambiente e na experiência da partilha entre hóspedes. Esta afirmação encontra-se em linha com a posição de Douglass (2013) ao afirmar que o termo ho(s)tel personifica um produto híbrido que combina os serviços de um hotel com a informalidade e a cordialidade de um hostel.

Esta nova tendência, que combina a elegância, modernidade e serviço de hotel (wi-fi gratuito, pequeno-almoço, restaurante, casas de banho privadas e alternativas menos agitadas que os dormitórios) com o ambiente de um hostel foi já batizada de poshtel (Holliday, 2014).

Tal como na procura, com novas tendências e novos “rótulos”, também a oferta se vai adaptando às necessidades do mercado. Do mesmo modo que assistimos à “hibridização” do mercado das companhias aéreas, também no alojamento se começa a assistir a idêntica tendência, embora mais condicionada pela vertente legal na definição dos estabelecimentos hoteleiros e do alojamento local. A mistura do ambiente mais informal de um hostel com a elegância, qualidade e funcionalidade dos serviços de um hotel parece ser mais um dos diferentes caminhos para dar resposta às necessidades dos clientes.