OBJETIVOS:
• Estudar conteúdos químicos a partir de experimentos (alguns análogos) para identificação preliminar de drogas de abuso.
• Discutir os aspectos políticos, econômicos, culturais e sociais do tráfico internacional de drogas.
CONTEÚDOS:
• Leis brasileiras que tratam do uso e do tráfico de drogas;
• Aspectos gerais da violência relacionada ao tráfico de entorpecentes;
• Exames preliminares e definitivos e ocorrência de falsos-positivos e falsos-negativos; • Estrutura química de algumas drogas (grupos funcionais);
• Reações químicas (ácido/base, complexação, precipitação e oxidação/redução).
METODOLOGIA:
A metodologia proposta para esta atividade é a de uma AULA LÚDICA-EXPERIMENTAL com casos fictícios (conforme o exemplo a seguir), após discussão com os estudantes sobre a problemática da violência relacionada ao tráfico de drogas (esta atividade introdutória pode ser realizada no formato de uma roda de conversa, visando contextualizar os conhecimentos a serem construídos com a atividade lúdica-experimental).
Para tanto, sugere-se ao professor dividir a turma em grupos e entregar a cada um deles um caso fictício envolvendo a possível presença de drogas ilícitas, pedindo-lhes que realizem os procedimentos experimentais necessários. Ao final, os estudantes podem registrar suas análises e conclusões num relatório a ser entregue (como um laudo técnico, resguardadas as devidas distinções).
A partir de então, se houver disponível no laboratório solução de tiocianato de cobalto II (usada no teste de Scott, como exame preliminar para identificação de cocaína, derivados e substâncias análogas), pode-se proceder a realização dos testes com algumas substâncias lícitas que apresentam resultados falsos-positivos (como é o caso da lidocaína e da prometazina, que podem ser adquiridas em farmácias na forma de gel e comprimidos, respectivamente).
No entanto, caso não haja disponibilidade do reagente do teste de Scott, pode-se realizar algumas analogias experimentais, partindo-se de materiais de fácil aquisição, que sejam comumente encontrados nos laboratórios, como é o caso da solução aquosa de bromotimol (indicador ácido-base), do hidróxido de cálcio [Ca(OH)2] em pó e do amido (ou da farinha de trigo).
Por sua vez, a reação do bromotimol com o hidróxido de cálcio produz resultado semelhante ao positivo do teste de Scott (quando este indica a presença de cocaína ou substâncias análogas), com o surgimento da cor azul. Já a reação do bromotimol com o amido (ou a farinha de trigo) se assemelha com o resultado negativo, não ocorrendo mudança de coloração (ou a depender do pH, se este for ácido, a coloração pode ficar entre o amarelo e o verde claro, mas nunca azul (Quadro
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DICA: pode-se entregar, a cada grupo, uma caixa com sachês de comprimidos de prometazina (substância permitida por lei,
mas que resulta em falso-positivo no teste de Scott), se o reagente utilizado for o tiocianato de cobalto II. Caso se opte pela analogia experimental (com o uso de solução de azul de bromotimol), cada grupo deverá receber uma caixa com sachês contendo pequenas quantidades de hidróxido de cálcio. Além disso, visando aumentar um pouco mais a complexidade da atividade, pode-se fornecer aos grupos, independemente do reagente/teste realizado, pós brancos diversos (como amido, farinha de trigo, pó de giz ou leite em pó) igualmente armazenadas em sachês (com objetivo de identificar a ocorrência de resultados negativos).
Durante uma inspeção de rotina num aeroporto brasileiro, policiais federais interceptaram uma mala suspeita, ao qual não continha as informações necessárias para seguir viagem. A bagagem seguiria para o Marrocos, que é notadamente uma das principais rotas estratégicas para o tráfico internacional de entorpecentes. Após passar pelo scanner e dar mais motivos para os policiais ficarem ainda mais desconfiados da ocorrência de tráfico de drogas, os cães farejadores foram levados a examinar a mala. Todavia, ao contrário do que se esperava, os cães não emitiram nenhum sinal característico que indicasse a presença de material ilícito.
Não convencidos, os agentes da Polícia Federal solicitaram a presença do proprietário da bagagem, ao qual descobriram ser uma médica chilena, de 66 anos, que prestava serviço voluntário há mais de dois anos no referido país de destino. Em seguida, na presença da dona da mala, os agentes abriram a bagagem e se deparam com dezenas de caixas de medicamentos, cada uma contendo cinco sachês cheios de um pó branco. Os peritos federais foram acionados para examinar o material.
Diante do caso, quais testes devem ser realizados para constatar ou descartar a presença de substâncias ilícitas? Explique quais procedimentos devem ser adotados e os justifique conceitualmente. Por fim, como poderia ser descartada a hipótese de falso-positivo para uma substância permitida por lei?
* Este caso forense foi adaptado de uma caso criminal real descrito no Capítulo 2 – A Perícia em Locais de Crime (VELHO et al., 2017c), do fantástico livro intitulado Ciências Forenses: uma introdução às principais áreas da Criminalística moderna, organizado por Velho et al. (2017d).
Quadro 4. Comparação entre os resultados do teste de Scott e da analogia experimental para a presença de drogas.
TESTE RESULTADO POSITIVO RESULTADO NEGATIVO
Exame preliminar (Teste de Scott)
Coloração azul com precipitação (Com a presença de estruturas com aminas
terciárias ou de sais de amônio quaternário, como a cocaína e a lidocaína)
Sem mudança de coloração (Sem a presença de estruturas com aminas
terciárias ou de sais de amônio quaternário, como a cocaína e a lidocaína)
Analogia experimental Coloração azul
(pH básico pela presença de Ca(OH)2)
Sem mudança de coloração ou mudança de cor entre o amarelo e o verde claro (A depender do pH do amido ou da farinha de trigo, todavia não apresentará cor azul)
CASO FORENSE:
Figura 38. Teste de Scott, antes (A) e após (B) a aplicação de tiocianato de cobalto II, e analogia experimental,
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Por fim, reafirma-se que a analogia experimental se refere ao efeito visual (mudança de cor), uma vez que as substâncias e as reações químicas produzidas são diferentes do exame preliminar com tiocianato de cobalto II. Portanto, é crucial que o professor explique aos estudantes sobre as diferenças, estabelecendo comparações e explorando conceitualmente o teste de Scott em relação aos resultados da analogia experimental.
PROCEDIMENTO DE AVALIAÇÃO:
Para a avalição do processo de ensino-aprendizagem, propõe-se a análise da participação dos estudantes na roda de conversa (especialmente na construção dos argumentos) e na resolução dos casos forenses fictícios – inclusive a forma como realizaram os procedimentos experimentais e os relacionaram com os conceitos químicos estudados.
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR:
CONCEIÇÃO, V. N.; SOUZA, L. M.; MERLO, B. B.; FILGUEIRAS, P. R.; POPPI, R. J.; ROMÃO, W. Estudo
do teste de Scott via técnicas espectroscópicas: um método alternativo para diferenciar cloridrato de cocaína e seus adulterantes. Revista Química Nova, v. 37, n. 9, 2014, p. 1538-1544.
IPÓLITO, A. J.; OLIVEIRA, M. F. Testes rápidos para detecção de substâncias entorpecentes. In MARTINIS, B. S.; OLIVEIRA, M. F. (Orgs.). Química Forense Experimental. São Paulo-SP: Cengage Learning, 2015.
VIEIRA, M. L.; VELHO, J. A. Exame preliminar e definitivo de drogas de abuso. In BRUNI, A. T.; VELHO, J. A.; OLIVEIRA, M. F. (Orgs.). Fundamentos de Química Forense: uma análise prática da
Química que soluciona crimes. Campinas-SP: Millennium Editora, 2012.
ATENÇÃO: possíveis obstáculos epistemológicos e pedagógicos!
Assim como já foi discutido no ROTEIRO DE ATIVIDADE DIDÁTICO-PEDAGÓGICA do Capítulo
2, é importante que sempre ao tratar desse tipo de assunto, deva-se fazê-lo de forma bastante
responsável, uma vez que nem sempre se conhece a realidade dos estudantes, aos quais estes (ou pessoas próximas à eles) podem já ter vivenciado situações delicadas, relacionadas ao consumo e/ou ao tráfico de drogas. Assim, deve-se compreender que este tipo de atividade é mais uma possibilidade de discussão de temáticas com relevância pedagógica e social.
Quanto ao uso da analogia experimental, é importante que o professor esclareça aos estudantes as diferenças existentes com o exame preliminar, explorando conceitualmente cada uma das reações químicas (dispensando atenção necessária para a identificação de possíveis obstáculos à aprendizagem e eventuais erros conceituais). Isso se faz necessário para que a atividade não se esvazie de significado, mas que possibilite a construção de novos conhecimentos.
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