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Elementos de destaque informativo

parece poder dissociar-se do objectivo de compreender e, mais longínquo, do objectivo de explicar Daí que a própria descrição deva

5.2 Elementos de destaque informativo

Neste tópico considerou-se como elementos de destaque informativo de uma notícia: se possui chamada na primeira página, o tamanho do artigo, o tamanho dos títulos, ante - título e sub - título, o estilo do título utilizado, os elementos gráficos que possui, etc. A título de exemplo, coloca-se de seguida alguns exemplos de artigos onde facilmente se verifica o que é isto do muito ou pouco destaque informativo104.

A utilização da chamada na primeira página é considerada como um dos elementos mais importantes na atenção dada ao artigo, uma vez que é sobre a primeira página que recai o primeiro olhar do leitor/ público.

Verifiquemos de seguida, como é que cada jornal utilizou a chamada na primeira página.

Quadro III.

Utilização da Chamada na primeira página por cada um dos jornais

Primeira página Jornal ( Frequência / %) Primeira página Jornal de Notícias n % Jornal Público n % Jornal Expresso n % Total em linha Média % Com chamada na primeira página 35 18,4 44 27 7 17,1 20.8 Sem chamada na primeira página 75 39,5 67 41,1 22 53,7 44.7 Ultima 65 34,2 46 28,2 8 19,5 27 Primeira e última página 15 7,9 6 3,7 4 9,8 7 Total 190 100 163 100 41 100 100

Fonte: Elaborada pela autora.

Ao olharmos para este indicador, constatamos que a relevância das notícias sem chamada na primeira página tem sido a mais utilizada pelos diferentes jornais analisados (JN-39,5%; P-41,1%; Exp.-53,7%).

Foram seleccionados três textos jornalísticos que põem em evidência o que consideramos ser destaque informativo, relativo ao assunto «droga».

A droga como tema de primeira página não é muito utilizado. Se considerarmos apenas a capa dos jornais, propriamente dita, então a percentagem ainda é menor. Aqui estamos também a considerar o tema da primeira página da capa do "Local", suplemento dos jornais diários, (Notícias e Público).

É precisamente o "efeito de raridade" da notícia de primeira página sobre a droga que torna o seu aparecimento muito significativo: quando aparece é de suspeitar que se trata dum facto relevante, já que a «droga» não se encontra banalizada como tema de primeira página.

Quadro IV.

Dimensão dos artigos de cada um dos jornais

Dimensão

Jornal ( Frequência / %) Dimensão Jornal de Noticias

n % Jornal Público n % Jornal Expresso n % Total em linha Média % ? V* página 53 27,9 29 17,8 1 2,4 16 %a1/2 página 72 37,9 90 55,2 10 24,4 39,16 !4a 1 pág. 36 18,9 15 9,2 5 12,2 13,43 1pág. 20 10,5 23 14,1 18 43,9 22,83 ? 1 pág. 9 4,7 6 3,7 7 17,1 8,5 Total 190 100 163 100 41 100 100

Fonte: Elaborada pela autora.

Verifica-se através deste indicador que a «droga» vem ao longo dos tempos adquirindo uma importância considerável, na medida, em que quase metade dos artigos publicados (39,16%) nos três jornais era de dimensão % a

1/2 página, contudo, e porque muitas vezes se verifica o recurso aos elementos

gráficos como suporte da notícia, regista-se 22,83% de artigos que ocupam uma página. De realçar, que o jornal Expresso, porque tem uma vasta equipa jornalística e porque faz uso recorrente de material fotográfico, como forma de ilustrar publicamente as notícias que traz a público, foi o que apresentou um número mais elevado de artigos de uma página (43,9%) e superior a uma página (17,1%).

Quadro V.

Dimensão dos títulos utilizados por cada jornal Dimensão do título

Jornal ( Frequência / %) Dimensão do título Jornal de Notícias

n % Jornal Público n % Jornal Expresso n % Total em linha Média % 1 coluna 70 36,8 49 30,1 2 4,9 24 2 colunas 92 48,4 102 62,6 28 68,3 59,7 3 a 4 colunas 26 13,7 11 6,7 9 22,0 14 5 a 6 colunas 2 1,1 1 0.6 2 4,9 2,2 Total 190 100 163 100 41 100 100

Fonte: Elaborada pela autora.

Este é um outro indicador que nos permite inferir sobre a relevância que é atribuída a estes artigos. Assim, são os títulos com duas colunas que assumem maior relevo (59,7%), seguidos dos que apenas ocupam uma coluna (24%). Os títulos que exibam 3 a 4 colunas, tem tido alguma utilização por parte do Jornal Expresso, sendo os títulos dos artigos com 5 a 6 colunas praticamente menosprezados por parte dos jornais diários.

Quadro VI.

Dimensão dos caracteres dos títulos utilizados por cada jornal Dimensão dos caracteres do título Jornal ( Frequência / %) Dimensão dos caracteres do título Jornal de Notícias n % Jornal Público n % Jornal Expresso n % Total em linha Média % Pequeno 57 30 52 31,9 8 19,5 27 Médio 101 53,2 82 50,3 24 58,5 54 Grande 32 16,8 29 17,8 9 22,0 18,8 Total 190 100 163 100 41 100 100

Fonte: Elaborada pela autora.

No que se refere à dimensão dos caracteres do título, constata-se que 54%, isto é, metade dos artigos analisados, tem caracteres de título de média dimensão, cerca de 58,5% encontravam-se no jornal Expresso, 53,2% no jornal de Notícias e 50,3 do jornal Público. Os caracteres de pequena

dimensão representam 27% da média de artigos analisados, sendo os de dimensão grande, mais elevados no jornal Expresso (22%).

Quadro VII.

Área dos Títulos utilizados por cada jornal

Área do título

Jornal ( Frequência / %) Área do título Jornal de Notícias

n % Jornal Público n % Jornal Expresso n % Total em linha Média % Título Isolado 51 26,8 47 28,8 7 17,1 24 Título + sub-título ou ante-título 95 50,0 81 49,7 27 65,9 55 Título + ante-título + sub-título 44 23,2 35 21,5 7 17,1 20 Total 190 100 163 100 41 100 100

Fonte: Elaborada pela autora.

Denota-se claramente o enriquecimento que estes artigos adquirem na forma como são expostos, uma vez que, 55% da média dos artigos publicados utilizaram o título + sub-título ou ante-título. O título isolado, pode revelar a falta de espaço, a pouca importância que se atribui à noticia, ou por vezes o facto da informação obtida para redigir a notícia ser tão escasso que não suscite, uma grande confiança ou validade à mesma. Os três jornais analisados são coincidentes nesta dimensão, todos atribuem a este indicador a maior percentagem em termos de frequências.

Todavia a diferença entre o número de títulos isolados e o número de títulos com ante ou sub-título, não é muito significativa, como podemos verificar pelas médias obtidas - 24% e 20%.

No que diz respeito ao tipo de títulos e de ante ou sub títulos, verifica- se no JN, títulos algo susceptíveis, de imediato retiram-se as ilações principais do cariz da notícia, senão vejamos: «Flagelo Social - Sida aumenta entre Toxicodependentes»; «Prostituição, droga e sida aos 17 anos, "Miguel" ilustra a ligação entre o aumento da infecção entre os jovens portugueses e a toxicodependência»; «Despesismo e Droga, preocupam partidos»; «Acusados de tráfico saíram em liberdade, rede desmantelada pela PSP, no Bairro de S. Gens, em Matosinhos, leva apenas um arguido para a cadeia»; «Traficante apanhado em Gaia», (estes títulos foram retirados de artigos referentes ao ano 2000).

No jornal Público, em artigos referentes ao ano 2001, observam-se títulos mais genéricos, mas essencialmente técnicos, senão vejamos: «Precisamos de uma verdadeira política sobre toxicodependência»; «Maioria apoia as "salas de chuto" - Sondagem revela que droga continua a ser a primeira preocupação»; «Padre Maia critica opções do Governo sobre a droga - contra as salas de chuto, padre Maia, defende criação de "enfermarias sociais" com internamentos involuntários para toxicodependentes de longa duração»; «Judiciária apreende 115 quilos de Heroína - 1400 mil doses individuais, foi a maior apreensão deste ano e uma das maiores de sempre»; «Heroína, uma prisão no interior das celas - A circulação de drogas duras nas cadeias portuguesas encerra um drama que envolve guardas, "dealers" e até familiares de reclusos que, contra a sua vontade, se transformam em peças fundamentais do tráfico. O desespero da dependência alimenta uma engrenagem oleada pelo lucro do negócio, a coacção e a impotência das autoridades. Os depoimentos que o Público hoje divulga obrigam a uma reflexão sobre as propostas do Governo para a criação de salas de injecção assistida ou de troca de seringas nas prisões.»

No jornal Expresso, há uma permanente procura por não se apresentarem títulos nem ante ou sub-títulos evasivos ou demasiadamente emocionais, observam-se os títulos das notícias referentes ao ano de 2001: «Vindos do fim da rua - Ex-toxicodependentes mudam de vida e reintegram-se nos caminhos do trabalho»; «O fim do casal - Cerca de mil casas novas para realojar as mais de mil famílias que viviam no velho bairro. 20 milhões de contos foi o que custou acabar com a miséria e a droga no Casal Ventoso. O bairro mais polémico da capital está finalmente a morrer»; «Hitler, outra vez - O "yaba" já ultrapassou a Heroína na Tailândia. Em Portugal, as autoridades estão preocupadas e atentas».

Quadro VIII.

Utilização de elementos gráficos em cada jornal

Inclusão de elementos gráficos Jornal ( Frequência / %) Inclusão de elementos gráficos Jornal de Notícias n % Jornal Público n % Jornal Expresso n % Total em linha Média % Com fotografia 84 44,2 44 27,0 24 58,5 43 Sem fotografia 101 53,2 113 69,3 13 31,7 51 Quadros estatísticos 5 2,6 6 3,7 4 9,8 5,3 Total 190 100 163 100 41 100 100

Fonte: Elaborada pela autora.

Em relação aos elementos gráficos, um dos elementos primordiais para a revelação da importância de um artigo, a maior parte (51%) dos artigos não possuía qualquer elemento gráfico. Da percentagem já significativa que os possuía (58,5%), pertencia ao jornal Expresso, seguido do jornal de Notícias (44,2%) e por último do Público (27%). Pelo que parece ser o Expresso o jornal que acaba por dar mais destaque a este tipo de elemento.

A fotografia é o elemento gráfico com maior realce. Às vezes era suficiente um artigo, para trazer a ilustrá-lo duas ou três fotografias. A fotografia é um "meio de informar1'™5, isto é, se a notícia é meramente denotativa,

informa, em princípio, sobre o real, os adereços, ditam-lhe visibilidade, influem no modo como a notícia é percebida. Informar é justamente formalizar a sua leitura, informando sobre o modo como deve ser percebida a notícia, por isso, se diz "que uma imagem, vale mais de mil palavras". Se, como diz Imbert, "o

discurso res-poiA.de a um modo de existência semiótico no qual há uma reaiídade

representada"106, a fotografia revela-o na sua extensão. Mas para além da

fotografia, também há a forma (semântica e especial) de intitular. A fotografia é um sub-código central da linguagem jornalística. É táctica que propõe conotações e que gera impressões.

A violência da realidade que atravessa também os artigos, informações, fotografias e imagens é cada vez menos um fenómeno que se declara de forma directamente observável e mensurável e mais um clima, uma atmosfera, ou,

para utilizar o termo de Maffesoli107, uma "nebulosa" gerada por um conjunto de

símbolos e representações que se ligam em cadeia, de tal forma, que já perderam de vista sua referência original de significação.

Quanto à identificação dos artigos, pode-se concluir que desde princípios do ano 2000, que há uma preocupação por parte da equipa editorial do jornal em fornecer a identificação de quem é o redactor da notícia. Esta realidade não foi apresentada em números, porque não foi analisada em termos estatísticos, deve-se, no entanto, referir que na maior parte dos artigos analisados, estes estavam identificados.