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4 ENCAMINHANDO CONSIDERAÇÕES

Ethos e direitos humanos:

4 ENCAMINHANDO CONSIDERAÇÕES

Ethos e diversidade cultural são a razão da própria educação em e para direitos humanos. Não podemos pensar em eixos temáticos de ensino fragmentados nos espaços educacionais. Precisamos pensar na to- talidade, os fatos, seres, ideias interligadas entre si, pois o ser humano é uma totalidade. É nesse sentido que o Ministério da Educação (MEC), por meio do Conselho Nacional de Educação (CNE), definiu as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica (Resolução n° 4/2010), que assim se refere ao currículo:

Art. 13. O currículo, assumindo como referência aos princípios educacionais garantidos à educação, assegurados no artigo 4º desta Resolução, configura-se como o conjunto de valores e práticas que proporcionam a produção, a socialização de significados no espaço social e contribuem intensamente para a construção de identidades socioculturais dos educandos. Essas diretrizes refletem uma preocupação voltada ao ser huma- no em sua totalidade enquanto diverso. Busca-se inserir o sentido da alteridade4, jeito próprio de se fazer humano, relação intersubjetiva e res-

ponsável pelos outros.

Nesse sentido, a grande questão que se apresenta é: Como pen- sar/fazer uma educação escolar em, com e para a dignidade humana e construir o diálogo entre e com saberes na elaboração de conhecimentos com e para a cidadania?

A escola precisará tornar-se lugar de conhecimento de saberes teóricos e práticos; das convivências prazerosas; dos conflitos em relações e interações; do reconhecimento dos diferentes em suas diferenças; da cumplicidade e da sabedoria em exercícios de alteridade; da construção de identidades dialógicas, não lineares e analíticas; da percepção da cul- tura como espaço da construção de valores sociais, epistêmicos e étnicos; do reconhecimento de que somos seres humanos com direitos e deveres. Nessa direção, as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica (BRASIL, 2010) afirmam no

4 Todos somos seres humanos diferentes entre nós, que portamos inúmeras diferenças

em nós e entre nós. Para vivermos bem, é preciso que cada um entenda as suas próprias diferenças, e depois nas múltiplas relações, entender e visualizar que as diferenças nos constituem e enriquecem nossas convivências com os diferentes.

Art. 20. O respeito aos educandos e a seus tempos mentais, socioemocionais, culturais e identitários é um princípio orientador de toda a ação educativa, sendo responsabilidade dos sistemas a criação de condições para que crianças, adolescentes, jovens e adultos, com sua diversidade, tenham a oportunidade de receber a formação que corresponda à idade própria de percurso escolar.

A escola ao assumir e incorporar essa diretriz poderá ser um tem- po/espaço/lugar do ethos da solidariedade e da responsabilidade para o livre e pleno desenvolvimento de todos os educandos, contemplando to- das as etnias, culturas e expressões religiosas e não religiosas. Mas como conhecer, respeitar e conviver com os diferentes ethos religiosos e não religiosos sem ferir e violar os direitos e deveres de estudantes e educa- dores?

Em primeiro lugar, todos os seres humanos interagem com os outros de muitos modos, e são esses modos de interação que devemos descobrir e respeitar. A escola é o lugar do encontro de diversos ethos, portanto, inúmeras visões de mundo se apresentam mutuamente. O edu- cador é o interlocutor dos mais variados mundos e modos de vivê-lo. É certamente nisso que reside o sucesso do aprendizado e da vivência dos direitos humanos. O educador precisa permitir e viabilizar que os diversos ethos dialoguem entre si e sobre si, pois são mundos e diferentes formas de leitura desses mundos trazidas pelos sujeitos a partir das suas expe- riências e interpretações.

Em segundo lugar, o ethos é a expressão dos saberes de cada um, seus dilemas e crises. É também o lugar das manifestações do sagrado e do profano, das ciências e do bom senso. A escola tem o privilégio de ser o habitat do humano em seus múltiplos aspectos, respeitando e reconhe- cendo sua diversidade. É uma questão de justiça respeitar a todos pelo simples fato de serem humanos. Nisso reside a luta por uma educação em/com/para os direitos humanos, pois, acima de tudo, direitos humanos é construir sujeitos de e com direitos e deveres.

REFERÊNCIAS

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Capítulo III

Relações

interculturais,

diversidade religiosa

e educação: desafios

e possibilidades

PALAVRAS INICIAIS

A presença nas escolas de crianças, adolescentes e jovens per- tencentes a famílias e comunidades que professam diferentes crenças re- ligiosas e não religiosas coloca a necessidade de se desenvolver propos- tas educacionais para trabalhar pedagogicamente com temáticas relativas à diversidade religiosa.

A educação para a cidadania no contexto da escola pública impli- ca também o desenvolvimento de atitudes de tolerância, reciprocidade e civismo na relação entre pessoas que professam diferentes opções relati- vas à religião.

Este é um desafio educacional que pretendemos aqui analisar sob uma perspectiva intercultural, no sentido de buscarmos desenvolver formas criativas, críticas e dialógicas de relações entre grupos e contextos culturais religiosos e não religiosos.