4 Apresentação e discussão dos resultados
Gráfico 4 – Argumentos quanto ao LDD em relação ao tempo de magistério e faixa etária.
4.3 Estratégias para ensino ativo em Matemática
4.3.1 Estabelecendo uma comunidade de aprendizagem
Num primeiro momento de planejamento de investigação, a proposta foi a realização de um programa de formação aos moldes dos programas realizados na primeira e segunda fase da coleta de dados. No entanto, ao refletir sobre o tema de ensino ativo, a proposta de formação tradicional ficou desconexa. Fazia mais sentido pensar no conceito de uma comunidade de aprendizagem como um grupo de professores envolvidos com a aprendizagem de seus estudantes e, também, “com o desenvolvimento profissional de todo o grupo por meio de uma atitude constante de estudo e reflexão sobre os conteúdos de ensino” (Guerta & Camargo, 2015, p. 609). Então, era preciso buscar caminhos para envolver os professores em torno de propósitos de aprendizagem e desenvolvimento profissional comuns (Cross, 1998). Nessa direção, o primeiro passo dado foi contatar os gestores das unidades escolares em que atuavam os professores entrevistados na fase anterior. Uma vez que os gestores entenderam os objetivos do projeto houve maior acesso aos professores em questão. Assim, os professores foram contatados e, após alguns esclarecimentos iniciais, eles foram convidados para um encontro presencial para que todos se conhecessem e juntos estabelecer os objetivos de uma experiência colaborativa de aprendizagem. Assim, a parte central do encontro foi dedicada a oportunizar aos professores falarem de suas realidades e experiências.
Os dois principais problemas e angústias destacadas na fala dos professores foram: a) Desinteresse dos estudantes – por mais que se esforcem para aproximar os
temas curriculares da realidade dos estudantes, esses ainda demonstram pouco interesse. Cada vez, os estudantes retornam menos às tarefas solicitadas e, menos ainda, demonstram estudar por si mesmos os temas propostos.
b) Tempo – o tempo em sala de aula é muito pouco, tendo em vista tudo o que se tem para ensinar e fazer. Além disso, a excessiva carga de trabalho da maior parte do grupo é um fator a ser considerado.
O desinteresse dos estudantes retratado reflete uma realidade bem mais ampla que extrapola os limites da realidade brasileira (Cousins-Cooper et al., 2017; Sampaio, 2015). Por outro lado, a excessiva carga de conteúdos e de trabalho dos professores são uma realidade bem comum ao contexto brasileiro (Horikawa & Jardilino, 2010). Após esse momento em que todos se expressaram sobre suas realidades, a discussão foi direcionada às expectativas para a prática docente. Nessa direção dois outros desafios foram destacados:
a) Feedback – todos reconhecem que é importante ter um feedback do nível de aprendizagem dos seus estudantes a tempo de ajustarem as estratégias de ensino. No entanto, com muitos estudantes em sala e várias turmas a serem atendidas, as provas acabam sendo a melhor forma para avaliar a aprendizagem, mas sem possibilidades de ajustes na rota.
b) Atendimento pessoal – todos admitem que o atendimento pessoal ainda é o meio mais efetivo de ensinar. Mas, sem que os estudantes estudem previamente, atendê-los individualmente se torna uma tarefa extenuante e pouco efetiva. A exposição é o recurso mais usado e entendem que usam bem e são reconhecidos por isso.
Esses problemas serviram como mola propulsora para um diálogo sobre os objetivos do projeto de pesquisa do qual estavam sendo convidados a participar. Foi apresentado um pouco do conceito de ensino ativo e ideias para a otimização do tempo em classe, desafio e envolvimento dos estudantes e feedback rápido e prático. Dessa forma, foi discutido um cronograma preliminar de temas a serem tratados em encontros por videoconferência.
Também foram apresentados alguns recursos digitais (EDpuzzle, ExplainEverything, Socrative, Geogebra) e outros foram sugeridos por eles (Desmos) numa troca de experiência bem interessante. Nesse contexto, foi apresentada a plataforma Edmodo que já era conhecida de um professor e foi bem recebida como possibilidade para interação entre a equipe. Por fim, foi solicitado pelos professores que qualquer proposta de implementação em sala de aula ocorresse no primeiro semestre do ano seguinte.
Foi proposto encontros semanais por videoconferência e um novo encontro presencial ao fim do ano. Com base nas observações feitas, foi elaborado um plano de ação com
temas e atividades para o projeto (Quadro 7 ). Nesse planejamento, foi priorizado o tema de videoaulas por ser esse o tema que mais empolgou os professores nesse primeiro contato.
Quadro 7 – Planejamento da interação com professores colaboradores
Data Tema para discussão Recursos práticos Atividade prevista
01/09 Uso de videoaulas Edpuzzle Editar um vídeo, com quizzes e
notas.
08/09 Expondo conteúdos ou resolvendo exercícios...
Recursos para gravação de vídeos: aplicativos para tablet
e celular
Gravar uma videoaula de um tema que possa usar com seus
estudantes. 15/09 Vídeos e o livro didático Associando o vídeo com os
recursos do livro didático
Partilhar um vídeo com os estudantes 22/09 Desafiar os estudantes Proposta de criação de
vídeos pelos estudantes Trocas de experiências 29/09 Método socrático Socrative – Interação rápida Criar quiz no Socrative com 5
questões 06/10 Atividades colaborativas Socrative – Atividade em
equipes
Desenvolver uma atividade em sala com o Socrative 20/10 Aprendizagem ativa e
questionamento
Interação sem uso de recursos digitais
Uso de estratégias de interação em sala de aula 27/10 Geometria dinâmica e
aplicativos matemáticos
Atividades com Geogebra e Desmos
Troca de experiências com aplicativos educacionais 03/11 Aplicativos úteis Aplicativos gerais úteis em
contextos matemáticos
Escolher um aplicativo para apresentar aos estudantes
Assim foram dados os primeiros passos para o estabelecimento de uma comunidade de aprendizagem batizada pelos professores de “Matemática Inter@tiva”. Nas seções seguintes são descritos os processos de construção da proposta de ensino ativo no contexto da comunidade de aprendizagem estabelecida. Estão distribuídos de acordo com os grandes temas tratados e possuem como fontes de dados os memoriais dos encontros (anexo 14), os registros das interações (anexo 15), a avaliação registrada pelos professores participantes (anexo 17) e pesquisas feitas com os estudantes (anexo 16).