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John Stroup e a organização da Pentecostal Church of Christ

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Aos 19 anos se casou com Sarah Ellen Thomas (Stroup) em 31 de outubro de 1872 e foram morar numa terra de cerca de 8000 m² que Joseph Stroup lhes dera John Stroup tinha o

2.2 John Stroup e a organização da Pentecostal Church of Christ

A caminhada de John Stroup como pregador pentecostal o levaria a organizar a Confe- rência da Pentecostal Church of Christ, na cidade de Advance (atual Flatwoods), Kentucky. A ocasião era um sábado, dia 10 de maio de 1917. As comunidades das igrejas fundadas por ele, como as de Portsmouth, Huntington, Cattlestsburg, Flatwoods e outros lugares estavam pre- sentes. Na ocasião Stroup foi eleito, por unanimidade, o Bispo presidente. A Conferência faria um trabalho de arrolamento das igrejas iniciadas por ou ligadas a John Stroup e dos ministros a elas associados. Um dos ministros mais antigos a ser ordenado em 1918 na Conferência da PCC foi John Collins, cujas credenciais haviam sido invalidadas pela Methodist Episcopal Church.

A iniciativa era justificada pela intenção também de fundar uma igreja que preservaria a experiência do “pleno evangelho de Jesus Cristo”, em seu poder e pureza. Nas palavras de Miller, a demanda criada pelo batismo pentecostal, com o Espírito Santo, gerou a necessidade

70 MILLER. John believes in givin.

de uma igreja com este perfil para acolher os fiéis naquela região.72 Além disso, é recordado como um valorizador da expansão missionária, apesar de não ter visto isso acontecer em vi- da.73

Miller atribui a Stroup o fato de ter sido um dos primeiros pregadores de Pentecostes na região do vale de Ohio, e fala igualmente sobre a forma com que isso contribuiu ao surgimen- to das igrejas, em meio às perseguições e exclusões por parte das denominações.74

Chester Miller se refere ainda ao senso de unidade pregado por John Stroup, que apesar de ter fundado uma nova denominação, não a considerava a única verdadeira, e nem nutria sentimentos de que seus seguidores teriam um lugar especial no céu por causa disso.75

O nome da organização, The Pentecostal Church of Christ, se explica numa publicação de mesmo título, de autoria John Stroup.76 O autor caminha por dizer que Jesus fundou uma igreja de Cristo pentecostal no Novo Testamento, e que todas as outras, como metodista, presbiteriana, etc, seriam desdobramento dela. Argumenta tanto sobre os aspectos que envol- vem a “Igreja de Cristo”, como o porquê dela ser, essencialmente “Pentecostal”, justamente por remeter ao dia de Pentecostes e à doutrina neotestamentária. O nome parece vir no sentido de afirmar que a PCC era, na verdade, uma forma de recuperar a igreja primitiva.

Sobre a escolha do nome da igreja, é importante ressaltar também o texto Why the Ori-

ginal Name of this Church Must Be Retained, em que se afirma que ele veio de Deus:

Artigo I. A Pentecostal Church of Christ não deve mudar o seu nome

original, ou se associar a qualquer outra igreja ortodoxa; (mas outras igrejas ortodoxas podem vir até nós), por três razões: em primeiro lugar, porque foi uma ordem do Senhor; segundo, porque de três testemunhos definitivos foram dados a três pessoas diferentes, em três momentos diferentes.

A primeira mensagem foi dada à irmã Stanley, de Catlettsburg, Ky., Depois de uma semana de jejum e oração, para saber se esta era a verdadeira igreja. Esta mensagem, como os outros, era excepcional e definitiva. A segunda mensagem foi dada à irmã Sullivan na Assembleia em Huntington, W. Va., A mensagem foi dada em línguas e interpretada por ela, como sendo esta a verdadeira igreja de Cristo.

A terceira mensagem foi dada ao bispo e fundador da igreja, depois de muita ansiedade para saber se esta era a verdadeira igreja. O poder de Deus veio sobre ele e a voz do Senhor falou com ele, dizendo: “Esta é [a Igreja].” Terceira razão, por causa da prosperidade que atendeu seus esforços e pela maneira que Deus colocou o Seu selo sobre cada conferência.77

72 THE PENTECOSTAL WITNESS. Novembro de 1950, p. 8. 73 Ibidem, novembro de 1950, p. 8.

74 Ibidem, maio de 1957, p. 1. 75 Ibidem, novembro de 1950, p. 8.

76 STROUP, John. The Pentecostal Church of Christ. Kenowa: The Pentecostal Witness, s.d. 32 p.

77 PENTECOSTAL CHURCH OF CHRIST. The Manual and Annex of the Pentecostal Church of Christ. 1917.

Apesar da idealização comum dada aos fundadores e sua obra por seus seguidores, os registros não deixaram de mencionar os revezes já nos primeiros anos. No mês de agosto de 1917, por exemplo, John Stroup ordenou quatro diáconos, mas somente um permaneceria na primeira Conferência, em setembro de 1917, a qual presidiu em Huntignton, West Virginia.

Em 1920 escreveu um artigo contra o ensinamento unicista, intitulado “Warning to all God’s Children”. John Stroup visitou em agosto de 1920 a igreja em Vernon Furnace onde re- cebeu 18 membros para a Conferência da PCC. É possível que Daisy Miller, mãe de Chester Miller, importante líder da PCC anos mais tarde, fosse uma delas. Ela foi salva, santificada e batizada com o Espírito Santo em Vernon Furnace, no final de 1919.

Chester Miller anota com destaque a ocasião de 20 a 23 de agosto de 1924, em que o bispo John Stroup presidiu a 8ª Conferência Anual em Advance, KY. Em seu relatório para a Conferência mostra alguns aspectos da PCC que são interessantes para entender a Igreja, co- mo a rotina de seu presidente que incluía reuniões de avivamento e pregações em tendas. Faz- se também menção a mulheres ativas no ministério como a irmã Wagoner e a irmã Addis.78

De Redline, KY, datando 10 de dezembro de 1925, John Stroup escreveu de próprio pu- nho uma carta bem curta a um casal de amigos, os Risner. O endereço é desconhecido. O bis- po relatou que esteve pregando para uma boa audiência, e que na ocasião 44 se inscreveram para fazer parte da igreja, e 34 nomes estavam em suas mãos, motivo pelo qual estava anima- do. Esperava estabelecer uma assembleia no local, onde havia 4 ou 5 “santos batizados” com os quais disse que já poderia começar. Afirmou que tudo estava indo melhor do que o espera- do e encerra dando conselhos para que fizessem tudo o que pudessem pela causa de Jesus e que estava feliz em poder saber deles.

Uma pequena nota de Chester Miller indica outro episódio de protagonismo feminino no ministério de Stroup: uma Bible School ocorreu em Portsmouth, em um inverno, prova- velmente em 1926. A escola ocorreu no andar de cima da casa de Albert Palmer, dirigida por Mary Jackson com a ajuda da irmã Hill, ex-missionária para a Índia.

O credo doutrinário e o funcionamento da igreja estão descritos num documento intula- do The Manual and Annex of the Pentecostal Church of Christ, escrito a partir em 1917, por John Stroup.

O manual – a primeira parte do livreto – expõe primeiro as doze declarações de fé da igreja ou “The faith of this Church”, da qual se destacam os artigos 4 e 6, respectivamente, que revelam as tendências teológicas de que é herdeira: “Cremos na santificação como a se-

gunda obra da Graça”79 e “Cremos que há três ordenanças para a Igreja: Batismo em Água, Ceia do Senhor e Lava-Pés”.80. A lógica de Ordenanças rompe com o sentido de sacramen-

to.81

Os temas listados como artigos de fé e mais outras duas seções destinadas a explanar a Ceia do Senhor e o Lava Pés, são recomendados para leitura nas assembleias trimestrais (des- tinadas a estes ritos), feitas pelo Elder (no Brasil se traduziu por ancião ou presbítero) respon- sável, conforme indica o artigo 11, “para que conheçam o ensinamento da Pentecostal Church of Christ”. A adesão à igreja também poderia ser condicionada à aceitação do manual e suas orientações quanto à doutrina trinitária, o batismo e os dízimos.82

Sobre o batismo, apesar da herança metodista, reconhece apenas a forma de batismo por imersão, e somente para pessoas “justificadas”. Quanto à celebração da Ceia do Senhor, acon- tecia a cada três meses, em casas particulares, seguida pelo lava-pés.83

Os oficiais que “governam a verdadeira Igreja de Cristo são Bispos, Anciãos e Diáco- nos”.84 Ao bispo cabe supervisionar e cuidar de toda a igreja e acompanhar e ordenar os de-

mais ministros, com o auxílio destes. Os anciãos devem cuidar da igreja local para a qual fo- ram designados, celebrar ceia, casamento e funerais e pregar a Bíblia. A tarefa destinada aos diáconos merece atenção, pois a eles cabia o cuidado dos pobres e das viúvas, principalmente de dentro da própria igreja. Dentre eles se separava um secretário e um tesoureiro. Todos de- veriam apresentar um relatório de atividades na Conferência Anual, ocasião na qual apenas os oficiais tinham voz. Ministros de outras igrejas eram aceitos na Conferência desde que res- pondessem satisfatoriamente a algumas questões doutrinárias.

Outra categoria de ministros, ou melhor, ministras, é a de Profetisas. Elas não se enqua- dravam na categoria de oficiais, mas poderiam ser remuneradas pela igreja tal como os ofici- ais. São mulheres reconhecidas como portadoras do dom de profecia, e autorizadas a profeti-

79 PENTECOSTAL CHURCH OF CHRIST. 1917. p. 3 80 Ibidem, p. 4

81 Vale a pena aqui abrir-se um parêntese para explicar a dinâmica das ordenanças entre pentecostais dos EUA.

Em geral, preferiram o termo ordenanças em lugar de sacramentos, por quererem evitar dizer que há uma eficá- cia contida nos próprios meios. A maioria optou pelo uso de suco de uva não-fermentado por conta do ensino da abstinência total do álcool e os problemas contextuais com alcoolismo, e pressupõe a reconciliação em lugar de ser meio de obtenção do perdão, como na lógica sacramental. Sobre o lava pés, alguns optaram por manterem es- ta prática em obediência ao que Jesus ensinou na última ceia como um ato de humildade, comunhão e serviço, “transcendendo barreiras societais de raça, nacionalidade, gênero, e classe social.” (HUNTER, H. D. BUR- GESS; MAAS: 2002, p. 947-946).

82 PENTECOSTAL CHURCH OF CHRIST. 1917, p. 13 83 Ibidem, p. 5

zar (predizer eventos futuros, ensinar ou pregar85) mediante uma carta de recomendação. Res- salta-se que nenhuma profetisa teria recomendação caso não fosse casada ou fosse esposa de um homem que tem “duas esposas vivas” (divorciado ou equivalente). Fala-se ainda de minis- tros leigos.

O manual descreve a igreja como uma congregação de pessoas “nascidas de novo” que adoram a Deus em espírito e em verdade. Não se trata do edifício. As pessoas que a compõem são a igreja.86

A guarda do Sabbath era também algo que não poderia ser quebrado, porém, ele era correlato não ao sábado judaico, mas ao “primeiro dia da semana”, ou domingo87. Na mesma página defende a prática de dar dízimos como um ensinamento bíblico.

Pregadores de outras denominações ortodoxas (evangélicas e protestantes) poderiam ser recebidos, desde que não falassem contra as doutrinas defendidas pela PCC. Seriam rejeita- dos, porém, pregadores oriundos das seguintes tradições: Ciência Cristã, Espiritualismo, Cato- licismo e de qualquer grupo que não reconhecesse Deus como trindade.

A outra parte, o Anexo, que foi acrescentado numa edição posterior para ser uma espé- cie de continuidade do manual, indica ainda algumas questões doutrinárias e administrativas. Chamamos atenção para o sistema de governo: o Official Board de cada igreja local é com- posto pelo pastor, diáconos, curadores e superintendente da escola dominical, sendo o pastor o presidente deles, e o responsável por manter a lista de membros.

O sucessor de Stroup foi Martyn Alexander Hay (1874-1952), ou M. A. Hay, casado com Mary Jane Hay. Converteu-se aos 22 anos de idade, e depois de um ano e meio começou a pregar. Por vários anos foi membro da Enterprise Association of Regular Baptists, e serviu uma vez como seu moderador. Depois de 14 anos de sua conversão, teve a experiência de santificação enquanto estava em oração, em seu lar. Em 5 de outubro de 1925 recebeu o ba- tismo com Espírito Santo, e no ano seguinte (1926) se uniu à PCC. Serviu como secretário, pastor e foi peça chave para organização e construção da igreja em Lyra. Quando da morte de Stroup, foi eleito Bispo da organização e permaneceu no cargo por nove anos, resignando em 1938 por razões de saúde. Segundo o próprio Hay, sua vida podia ser resumida em ciclos de 14 anos. Foi santificado após 14 anos de conversão. Batizado com Espírito Santo após 14 anos de santificado. Perguntava-se o que aconteceria depois dos próximos 14 anos.88 De fato,

85 Ibidem, p. 20. 86 Ibidem, p. 12 87 Ibidem, p. 14

retirou-se do ministério após seu 3º ciclo de 14 anos, e partiu desta vida no fim do 4º ciclo de 14 anos, isto é, 56 anos após sua conversão!

Eldon Lindsey Cyrus ou simplesmente E. L. Cyrus, o terceiro bispo da PCC (1938- 1954), obteve sua primeira licença de ministro pelos Batistas Regulares, em 1916. No mesmo ano recebeu o batismo com Espírito Santo. Em 1919 foi ordenado ministro pela PCC, tendo pastoreado por 16 anos e servido como secretário geral. Eleito bispo em 1938, foi também membro do corpo diretor da PFNA (Pentecostal Fellowship of North America). Segundo Mil- ler, seu estilo pentecostal de pregação era bem quisto pelas igrejas na região.89

Cyrus pertencia à PCC desde 1918 e comentou, que entre as principais coisas que lhe chamavam atenção na instituição, se poderia listar as seguintes:

Em primeiro lugar, o seu ensinamento do Novo Nascimento, pelo qual somos libertos de nossos pecados e feitos herdeiros do Reino de justiça de nosso Deus. Em segundo lugar, a santificação, uma experiência definitiva para todos os remidos. O Batismo do Espírito Santo com a evidência de falar em línguas, conforme o Espírito conceder. A ressurreição dos mortos na vinda do Senhor. E a cura de doenças conforme nós orarmos e crermos.90 Durante os anos de 1966 a 1968 houve um período experimental de fusão entre as con- ferências da PCC e a da Pentecostal Holiness Church. Mesmo que a fusão se concretizasse, não haveria alteração no nome de nenhuma das duas. Lindsey T. Hayes, na página do jornal The Pentecostal Witness de dezembro de 1967, elenca no texto de duas páginas, “Why I favor merger with the Pentecostal Holiness Church”,91 as diversas vantages que a união poderia tra-

zer em termos de recursos humanos, financeiros e políticos, além de apontar as similitudes te- ológicas, históricas e doutrinárias entre ambas as denominações. A união não se concretizaria, no entanto.

Em agosto de 1964 um tabernáculo foi erigido pela PCC em London, Ohio, e o prédio denominado John Stroup. Na ocasião o jornal deu informações sobre a então situação da con- ferência e a interação da mesma com as outras organizações:

No início, era apenas uma organização de ministros, mas mais tarde a necessidade de organizar as igrejas foi reconhecida. Dos primeiros dias da Pentecostal Church of Christ para cá, se espalhou em seis estados e [avançou] para o campo missionário estrangeiro. Também entrou em comunhão com outros grupos de fé semelhante, como a Emmanuel Holiness Church, a Pentecostal Holiness Church, e da Church of God Mountain Assembly, bem como tomar parte na Pentecostal Fellowship of North America e da National Association of Evangelical.92

89 Ibidem, p. 6

90 THE WITNESS AND MESSENGER. Maio de 1957, p. 6. Tradução do autor. 91 Idem, dezembro de 1967, p. 3

3 A Igreja de Cristo Pentecostal no Brasil: personagens

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