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Ser humano

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1 Época da redação estrangeira (1959-1970): Ernst Grimm

1.2 Período de 1967 a 1970: santificação e trabalho

1.2.8 Ser humano

A definição de ser humano perpassa pela teologia: “O homem foi criado à ima- gem de Deus. Esta não pode ser uma imagem física de Deus porque Ele não possui imagem física (João 1:18; 4:24). Antes é a imagem racional, moral e espiritual do Criador.”465

A condição humana de pecado é um dos aspectos mais importantes a ser conside- rado na visão das igrejas evangélicas, e a revista segue a mesma lógica: “O pecador tem que ser levado a um encontro pessoal com Jesus. Diz o Salmista: Provai e vede que o Senhor é bom. Sem uma experiência pessoal jamais podemos chegar ao conhecimento da graça de Jesus.”466 Faz-se ainda uma contraposição entre o erro humanoe o remédio

divino: “O fracasso do homem trouxe pecado e morte. A promessa de Deus trouxe vida e esperança.”467Todavia, quem é discípulo de Jesus (os crentes) devem ter um posicio-

namento diferente: “Pelo seu testemunho se conhece um discípulo verdadeiro de Cristo. [...] Devemos seguir à Justiça, piedade, fé, amor, constância, e mansidão. Tôdas es-

462 GRIMM. Cristo domina a morte. Lições para a Escola Dominical. n. 33, 1968. p. 4. 463 Id. Pedro e Pentecostes. Ibid. n. 34, 1970. p. 34.

464 Id. Isaias profetiza do redentor. Ibid. n. 31, 1967. p. 36. 465 Id. Eva, a mãe de todos os viventes. Ibid. n. 34, 1970. p. 64.

466 Id. Os discípulos de João Batista seguem a Jesus. Ibid. n. 31, 1967. p. 9. 467 Id. Eva, a mãe de todos os viventes. Ibid. n. 34, 1970. p. 64.

sas virtudes são frutos da santificação.” 468 Nessas duas afirmações se vê o papel que

cabe ao ser humano. Enquanto pecador, precisa de uma experiência pessoal com a graça de Jesus, e depois deve seguir na santificação, que inclui as qualidades mencionadas acima. Em outro momento esta afirmação é dita de outra forma, apontando para a espe- rança celestial, mas na busca de toma-la como exemplo para a vida aqui: “Deve ser o

ardente desejo de cada crente buscar a santificação, e viver uma vida santificada aqui

nesta terra. Devemos acostumar-nos aqui nesta vida com a santidade que existe no céu.”469 É tarefa humana também a obediência: “O homem deve cumprir com a vontade

de Deus manifesta nas Escrituras. Como sabemos que Jesus Cristo salva? Pelas Escritu- ras, naturalmente. [...] Tudo que Deus quer do homem é obediência. A fé só se torna re- alidade pela obediência.”470

A ação humana é potencializada pelo batismo do Espírito Santo ou a “experiência pentecostal”:

O poder do Espírito Santo foi derramado a fim de que a humanidade perdida possa ser beneficiada pela sua atuação. Todo e qualquer crente santificado, ao receber o batismo com Espírito Santo torna-se uma fonte de águas vivificadoras (ao menos deve ser assim). Não podemos imaginar um crente, batizado com o Espírito Santo, ainda cheio de problemas do “velho homem”. Seria uma contradição.471

Veja-se ainda: “Em verdade, êles também eram só seres humanos, com tôdas as suas fraquezas, mas, tendo feito a experiência pentecostal aquêles homens transforma- ram-se em baluartes do Evangelho de Cristo.”472

Em contrapartida, a dependência de Deus parece ser uma verdade predominante quando se fala das ações humanas no mundo:

Ezequias levou a carta recebida à casa do Senhor, estendeu-a pe- rante o Senhor e orou ao Senhor! A inclinação humana é de gritar a

injustiça perante todos os homens. Se algum de nós tivesse recebido uma carta malcriada e insultante, o primeiro reflexo seria o de mostra- la aos parentes e aos irmãos da Igreja e queixar-se da injustiça recebi- da. A Palavra de Deu nos aconselha: Irmãos, não vos queixeis uns

aos outros, para não serdes julgados. [...] O crente em Cristo entre-

ga seus problemas ao Senhor, confia n’Êle, e o mais Êle fará! [...] O

nosso Deus pelejará por nós! 473

468 GRIMM. O testemunho de João Batista. Lições para a Escola Dominical. n. 31, 1967. p. 9. 469 Id. O Rei e o casamento. Ibid. n. 33, 1968. p. 74-75.

470 Id. Cristo ensina sobre as Escrituras. Ibid. n. 34, 1970. p. 17. 471 Id. O rio de Deus. Ibid. n. 32, 1967. p. 15.

472 Id. Cristo o mestre glorioso. Ibid. n. 33, 1968. p. 20.

A lição fala de um contexto interno, da vivência comunitária: não se deve queixar dos problemas a outras pessoas da igreja. Se em parte isso garante a privacidade dos in- divíduos perante a congregação, o aspecto da vivência comunitária da confissão parece esquecido e, na relação com o mundo fora da igreja, pode sugerir passividade e silenci- amento diante de demandas políticas e sociais, enfatizando-se a ação de Deus que peleja por nós.

1.2.9 Satanás

Satanás e seus agentes, os demônios são, via de regra, personagens importantes no pentecostalismo, especialmente notáveis em seus atos de exorcismo. O exorcismo, porém, não foi um fato muito registrado ao longo dos documentos históricos e mesmo doutrinários da ICPB. Apesar de presente, o papel do diabo parece ser periférico, secun- dário.

A ação demoníaca aparece na revista e é dedicada a ela uma explicação racional, ainda que seja para dizer que a razão não dá conta. Da mesma forma, se explica a lógica da atuação dos demônios, seres pessoais e inteligentes:

Há coisas que a razão e o juízo humanos não podem explicar. Uma de- las é a possessão demoníaca. Devemos lembrar que a palavra daimo-

nos em grego significa um ser inteligente. Os demônios são seres de

consistência espiritual semelhante ao ser humano, modificando a sua personalidade no sentido negativo e oposto a Deus onde residirem demônios não há lugar para o Espírito Santo, e vice-versa. Só Jesus

Cristo pode libertar o homem da possessão demoníaca.[...] Devemos

lembrar, também, que um demônio expulso pode voltar e trazer sete

piores consigo quando achar a casa vazia.474

Na edição e 1970 a figura do diabo aparece um pouco mais. A princípio ele é o causador de problemas muito presentes na visão de Grimm, como a indiferença e o mundanismo. Este último principalmente: “Uma perseguição sempre traz consigo gran- des vitórias. Por isso o inimigo usa outra arma para derrubar a Igreja - o mundanismo e indiferença.”475

As intenções de Satanás são as de neutralizar os que pregam o arrependimento: “[Paulo] foi prêso porque pregava o arrependimento. Satanás não agüenta aquêles que

474 GRIMM. Cristo domina a tempestade. Lições para a Escola Dominical. n. 33, 1968. p. 4. 475 Id. Paulo em Corinto. Ibid. n. 34, 1970. p. 37.

pregam o arrependimento. Procura sujá-los da maneira mais eficiente e colocá-los fora de combate.”476

Outras obras e intenções satânicas são apontadas (devorar, enganar, trazer falsas doutrinas, tristezas, tribulações, divisões, rebeldias, desânimo e falsa confiança), bem como a maneira com que os crentes devem reagir:“Na presença do mal devemos erguer alto a bandeira da justiça (Isaías 59:19 - Almeida).”477

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