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Mercado de trabalho para mulheres no Brasil

Na década de 2000, a mulher, gradativamente foi ganhando espaço no mercado de trabalho. Durante os anos 90 a início de 2000 a realidade do Brasil, estava atrelada a uma evolução econômica, que tinha como base a implementação da flexibilização do emprego, visando à expansão e crescimento econômico. Contudo, esse processo resultou na precarização do emprego e na desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho, dessa forma afetando com mais intensidade a força de trabalho feminina no mercado de trabalho brasileiro.

A participação feminina tem aumentado no mercado de trabalho desde começo da década de 2000. Porém, no contexto da flexibilização a mulher está inserida no mercado em grande parte, no trabalho doméstico e no trabalho informal, ou seja, a mulher ganhou maior espaço no mercado, mas esses trabalhos não são valorizados, reconhecidos e bem remunerados. Pelo contrário, em maioria são mal remunerados e com alta instabilidade, aspectos que contribuem para que permaneça uma desigualdade entre os sexos no mercado de trabalho, fortalecendo a divisão sexual do trabalho, ou seja, a segregação e a hierarquia entre trabalhos ditos femininos e masculinos.

Entre 2006 a 2009 as taxas referentes à ocupação e participação da mulher no mercado de trabalho foram crescentes. Porém a partir de 2010, as mulheres possuem alguns indicadores que demonstram uma piora nos resultados das pesquisas. A este propósito, citamos a taxa de participação feminina no trabalho que teve uma queda cuja manutenção ocorreu até o ano de 2013.

2400 Nesse trabalho através de um recorte de gênero, tivemos como objetivo mostrar as relações de gênero no mercado de trabalho, apontando alguns dados quantitativos, como a ocupação, desocupação, a formalidade e informalidade. É importante recorrermos aos indicadores socioeconômicos para observarmos que a precarização é ainda mais forte quando realizamos análises sexuadas.

Tabela 1 - Taxa de ocupação das pessoas de 16 anos ou mais de idade, por sexo (%)

Ano 2006 2007 2008 2009 2011 2012 2013

Homem 93,7 94,1 95,0 94,0 95,3 95,5 95,1

Mulher 89,1 89,4 90,5 89,2 91,0 91,9 91,6

TOTAL 91,7 92,0 93,1 91,9 93,4 93,9 93,6

Fonte: IBGE/PNAD. Elaboração: IPEA/DISOC.

De acordo com os dados da tabela acima, percebe-se que a quantidade de mulheres ocupadas de 2006 a 2013 teve um crescimento, contudo isso não significa dizer que o total do percentual de mulheres que estão ocupadas está em condições favoráveis de emprego. Os indicadores fazem-nos perceber, também, que mesmo havendo um aumento da inserção da mulher no trabalho ao longo dos anos, isso não significa que ela se equiparou com o percentual de homens ocupados, como é visto acima, em 2013 a taxa de ocupação masculina é de 95,1% enquanto a ocupação feminina só chega a 91,6%. Mostrando-nos assim a desigualdade existente entre homens e mulheres no mercado de trabalho.

Tabela 2 - Taxa de desocupação das pessoas de 16 anos ou mais de idade, por sexo (%)

Ano 2006 2007 2008 2009 2011 2012 2013

Homem 6,3 5,9 5,0 6,0 4,7 4,5 4,9

Mulher 10,9 10,6 9,4 10,8 9,0 8,1 8,4

TOTAL 8,3 8,0 6,9 8,1 6,6 6,1 6,4

Fonte: IBGE/PNAD. Elaboração: IPEA/DISOC.

Ao analisar a taxa de desocupação de acordo com os sexos, nota-se que houve uma redução significativa no período de 2006 a 2013 para ambos os sexos, as taxas femininas de

2401 10,9 em 2006 passa para 8,4 em 2013, enquanto as taxas masculinas reduziram de 6,3% para 4,9% no mesmo intervalo.

Entretanto, novamente comprovando a contínua desigualdade entre os sexos no mercado de trabalho, os percentuais nos mostram a diferença entre o nível de desemprego feminino em relação ao masculino. No período total da pesquisa, a desocupação feminina permanece sempre superior à desocupação masculina.

Conclusão

Em observância as políticas analisadas, pode-se dizer que as políticas de emprego para mulheres no Brasil estão centradas sobre bases que se concentram na capacitação, informação e formalização, pois o processo de geração de emprego e incentivo ao mercado está pautado na elevação do contingente trabalhadores e trabalhadoras especializados, para uma posterior distribuição no mercado de trabalho e na criação de leis e decretos que ampliem a formalização dos trabalhadores e trabalhadoras em estado informal, pois este aspecto amplia a receita lucrativa do estado e traz a possibilidade de maior controle sobre a produtividade do mercado.

O Estado utilizou essas políticas públicas com o argumento de favorecer o crescimento econômico, dessa forma as políticas públicas de emprego implicaram na flexibilidade do emprego e do trabalho, prejudicando diretamente a força de trabalho feminina. A flexibilização de forma geral tende a precarizar o mercado de trabalho, pois aumenta a exploração das trabalhadoras e trabalhadores, agravando, relativamente, as condições de trabalho, o que penaliza os salários e flexibiliza a jornada de trabalho. Para as mulheres, a flexibilização atinge-as com mais intensidade, aumentando as desigualdades entre os sexos no mercado de trabalho.

Referências

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