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Capítulo III. Eventos profissionais

II. 3 Modelo conceptual

Apresentamos neste ponto o modelo conceptual da investigação, ou seja, a estrutura que envolve os conceitos relacionados com o estudo e as possíveis relações entre si (Durbarry, 2018a; Veal, 2018). Os modelos conceptuais podem ser apresentados de forma gráfica ou narrativa, podem ser simples ou elaborados, do senso comum ou baseados na teoria, descritivos ou causais (Miles & Huberman 2013 cit. por Veal, 2018). No mínimo, haverá uma lista inicial de conceitos relevantes, com os quais quem investiga está preocupado e sem o que seria difícil saber que questões colocar ou que tópicos explorar.

Mesmo correndo o risco de parecer inconsistente apresentar um modelo conceptual numa investigação indutiva, em que, como referimos anteriormente, a teoria deriva dos dados, ao invés de usar os dados para comprovar teorias pré-existentes, na prática, raramente se consegue recolher dados sem, no mínimo, ter em mente um modelo explicativo informal. De outro modo, como seria possível a quem investiga saber que dados recolher (Veal, 2018)? Por outro lado, os modelos conceptuais também podem resultar de um processo indutivo se a questão de investigação incluir porquê? ou como? (Veal, 2018), no sentido em que é necessário mostrar as relações entre os diferentes conceitos.

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Na perspetiva de Veal (2018), o desenvolvimento de um modelo conceptual deve integrar os quatro passos a seguir apresentados, embora nem sempre este processo seja linear, ou seja, pode ter avanços, recuos ou ajustes, até se chegar à versão final:

1.º Explorar e explicar as relações entre conceitos

As relações entre conceitos podem representar relações de poder, fatores influenciadores, fluxos de informação, ou simplesmente uma sequência de elementos num processo. Pode ser visto como um mapa mental ou árvore de relevância, sumarizando a discussão que poderá ser explanada em termos narrativos.

2.º Identificar a lista de conceitos

Os conceitos são representações gerais do fenómeno a estudar, os quais emergem da discussão das relações e do processo do mapa conceptual.

3.º Definir conceitos

Os conceitos devem ser claramente definidos para o propósito da investigação. Podem ser usadas definições já existentes, mas é recorrentemente necessário selecionar e adaptá-los à especificidade da investigação.

4.º Operacionalizar os conceitos

Tratando-se de conceitos qualitativos, a operacionalização destes envolve decidir como é que o conceito será identificado, descrito ou avaliado na aplicação dos métodos de recolha de dados. Acaba por apresentar as implicações práticas da definição e que limites lhes são dados, importante também para que quem participa na investigação tenha a clara consciência do que se está a estudar.

O modelo que apresentamos, por um lado, orientou a revisão da literatura e, por outro, é o resultado desse trabalho e dos inputs que foram sendo dados durante o trabalho de campo (Durbarry, 2018a; Veal, 2018), tal como indicámos na explicação do processo de investigação no capítulo I. Por uma questão de organização e fluência do texto, apresentamos na Figura 5, na página seguinte, o modelo conceptual, identificando os conceitos de base da investigação e a relação entre eles, sendo que a sua discussão e a apresentação dos modos de operacionalização serão destacadas na revisão da literatura (Durbarry, 2018a), nomeadamente nos capítulos III e IV.

39 Figura 5 – Modelo conceptual da Tese

(produção da autora)

Enquadrada no contexto do turismo e, mais especificamente, no turismo de negócios, a presente Tese pretende compreender se e como o género poderá influenciar as tomadas de decisão, bem como as representações de género que podem enquadrar estas ações, e as relações interpessoais que se estabelecem no contexto da produção deste tipo de eventos. Neste sentido, foram identificados os principais atores do fenómeno a estudar, os quais são característicos deste contexto.

Do lado da procura, será importante compreender as relações que se estabelecem entre o cliente, isto é, as pessoas que representam entidades que contratam serviços de gestão de eventos, e quem presta o serviço diretamente, ou seja, quem gere os eventos, ou indiretamente, isto é, os recursos humanos envolvidos na produção, os quais, na maior parte dos casos, são contratados em outsourcing pelas empresas que organizam os eventos profissionais, frequentemente encarados como fornecedores ou parceiros.

Do lado da oferta, para além destas interações com o cliente, será também importante compreender as relações que se estabelecem entre os CEO que gerem as empresas que organizam eventos profissionais, analisando o modo como se envolvem na gestão da sua equipa e tomam decisões em termos de contratação destas pessoas (tendo em conta a estrutura do mercado que será analisada no capítulo III). Será ainda importante analisar as

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relações e interações entre quem gere os eventos e as equipas que os operacionalizam, nas áreas específicas que nos propomos estudar, ou seja, acolhimento, comidas e bebidas, audiovisuais e entretenimento. As relações entre estes fornecedores/parceiros também serão analisadas.

No que diz respeito à abordagem ao género, para além das abordagens e perspetivas aplicadas, daremos mais atenção às temáticas analisadas no capítulo IV, ou seja, as masculinidades e feminilidades, divisão no trabalho, as relações de poder que se estabelecem e a comunicação e linguagem.

Serão ainda analisadas as políticas formais que as empresas envolvidas no processo têm em relação às temáticas referidas anteriormente, na sua relação com as práticas descritas pelos diferentes intervenientes e observadas pela investigadora.

II. 4 Síntese

Neste capítulo sobre a metodologia da parte teórica pretendemos, em primeiro lugar, explicar o enquadramento teórico que esteve na base da revisão bibliográfica, no sentido de demonstrar quais foram as nossas bases em termos da aplicação deste método, bem como justificar a abordagem que pretendemos nos capítulos seguintes.

Quanto à apresentação do modelo conceptual, pretendeu-se enquadrar, relacionar e justificar os temas trabalhados nos capítulos III e IV, os quais sustentam o trabalho de campo apresentado na Parte II.

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CAPÍTULO III. Eventos profissionais

III. 1 Introdução

O presente capítulo visa apresentar o enquadramento teórico no que aos eventos profissionais diz respeito. Sendo este um tema central na investigação, considera-se que a discussão de conceitos, identificação das características desta área de negócio, bem como a sua organização e intervenientes no processo, são fundamentais para que se possa compreender o fenómeno e, assim, enquadrar teoricamente o objeto de estudo da investigação.