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O S D ECRETOS 13.821/2009, 14.052/2010 E 14.657/2011, DO M UNICÍPIO DE B ELO

CAPÍTULO 6 O RECEBIMENTO DE PROJETOS EM SETORES ESPECÍFICOS DE

7.2 O S D ECRETOS 13.821/2009, 14.052/2010 E 14.657/2011, DO M UNICÍPIO DE B ELO

HORIZONTE

Os atos normativos editados no Município de Belo Horizonte são tomados como exemplo da tentativa de se estabelecer distinções do que sejam os procedimentos de manifestação de interesse (PMIs) e as manifestações de interesse da iniciativa privada (MIPs). A grande peculiaridade é que a distinção se dá sob a égide outro ato normativo específico, que já seria apto a reger o procedimento para o recebimento de estudos relativos a concessões em âmbito municipal.

Na data de 23 de dezembro de 2009, foi publicado o Decreto Municipal 13.821, regulamentando as disposições da Lei de Concessões, da Lei 9.074 e da Lei de PPPs para dispor sobre a apresentação de projetos de PPPs e outras formas de exploração de serviços e bens públicos por particulares.

As pessoas físicas ou jurídicas interessadas em apresentar projetos básicos e executivos para tais empreendimentos deveriam atender às disposições do decreto (em conformidade com seu art. 1º).

Nos termos do Decreto Municipal 13.821, o Poder Executivo deveria identificar as potencialidades econômicas do Município e sua rede de bens, serviços e empreendimentos passíveis de exploração por particulares, podendo publicar edital de credenciamento, individualizando os projetos para os quais se disporia a receber a colaboração de particulares (arts. 2º e 3º).

Os interessados deveriam apresentar, na forma e prazo estipulados no edital de credenciamento, o requerimento de autorização, indicando o projeto para o qual se credenciariam, acompanhado da demonstração de sua qualificação técnica (art. 5º). Na hipótese de existir mais de 1 (um) para o mesmo empreendimento, a Administração autorizaria ambos, obrigando-se a, posteriormente, selecionar, mediante critérios prévios e objetivos, aquele que melhor atenderia aos interesses da localidade e às necessidades de seus cidadãos (art. 7º).

O Decreto Municipal 13.821 já havia previsto a lógica do PMI. Tal aspecto, contudo, foi repetido pelo Decreto Municipal 14.052. Nele, o PMI inicia-se com a publicação, no Diário Oficial do Município, do aviso para recebimento dos estudos, contendo o resumo do objeto que se pretende desenvolver, o prazo para apresentação das manifestações e a página da rede mundial de computadores em que estarão disponíveis o texto integral do procedimento e as demais normas aplicáveis (art. 6º). A manifestação dos interessados deverá ser apresentada conforme os termos e condições fixados no instrumento de solicitação (art. 7º).

Em sentido semelhante, o Decreto Municipal 14.657 estabeleceu que, a critério do Prefeito Municipal, poderá ser apreciada MIP para o desenvolvimento ou aprofundamento de estudos relativos a projetos, que tenham sido objeto de proposta preliminar já autorizada ou com escopo similar ao de projeto em exame pela Administração Direta e Indireta do Poder Executivo local (art. 1º, § 2º).

A autorização da MIP será concedida sem caráter de exclusividade e o seu deferimento se dará com a publicação, na imprensa oficial, da autorização de serviço, cujo extrato conterá resumo do objeto e prazo para apresentação dos estudos (art. 5º, V). A autorização não impede qualquer outra pessoa de apresentar proposta de estudos técnicos, de viabilidade e de realização de atividades de apoio especializado para o mesmo projeto (art. 6º).

7.2.1ASELEÇÃO DOS PROJETOS

Embora os Decretos 14.052 e 14.657 tenham sido publicados posteriormente, as disposições para a qualificação técnica dos interessados e para a seleção dos projetos apresentados são veiculadas, genericamente, pelo Decreto 13.821. Este prevê que o edital de credenciamento para o recebimento de estudos e demais documentos pela Administração Pública local estabelecerá requisitos mínimos de qualificação técnica (art. 4º), os quais

deverão ser pertinentes à participação dos interessados em projetos para empreendimentos semelhantes, referentes à modelagem, vulto e complexidade (art. 4º, parágrafo único).

Para a seleção de projetos, o Poder Executivo constituirá comissão, formada por representantes do Poder Público e da sociedade civil (detentores de notória especialização na área pertinente ao empreendimento), que ficará responsável pela elaboração dos critérios prévios e objetivos a serem observados no julgamento (art. 8º).

Não há, nos atos normativos, o estabelecimento dos critérios que serão levados em consideração para a avaliação da documentação apresentada: eles serão definidos nos documentos de credenciamento para a apresentação dos estudos e nos atos de autorização, especificamente em relação às MIPs em que haja mais de um interessado autorizatário.

7.2.2ODIREITO AO RESSARCIMENTO E A POSSIBILIDADE DE PARTICIPAÇÃO NA LICITAÇÃO

O Decreto 13.821 prevê que a elaboração dos projetos não gerará ônus financeiro ao Município de Belo Horizonte, mas outorga ao selecionado o direito de perceber o ressarcimento devido pelo vencedor da licitação, nos termos do art. 21 da Lei de Concessões (art. 10). Ademais, nas justificativas para a elaboração do decreto, há as considerações a respeito do art. 31 da Lei 9.074, permitindo-se que aqueles que tenham apresentado os estudos no âmbito do PMI e da MIP possam participar da licitação para a exploração econômica do empreendimento.

Tais aspectos são ratificados pelos Decretos 14.052 e 14.657, ao permitir que os participantes dos PMIs e os proponentes das MIPs não estarão impedidos de se apresentar como licitantes nas licitações promovidas pelos órgãos ou entidades competentes (art. 3º, § 5º, do Decreto 14.052; art. 2º, § 5º, do Decreto 14.657).

Adicionalmente, caso os estudos realizados em decorrência dos PMIs e das MIPs sejam acolhidos, conforme decisão do Poder Executivo Municipal, o ressarcimento das despesas incorridas pelo autorizatário ficará a cargo do vencedor do processo licitatório e será feito de acordo com os valores indicados do instrumento de manifestação de interesse ou no pedido de autorização (art. 11, § 2º, do Decreto 14.052; art. 9º do Decreto 14.657).

7.2.3ORECONHECIMENTO DE DIREITOS AOS INTERESSADOS

Diferentemente dos Decretos 13.821 e 14.657, os quais são silentes a respeito do tema, o Decreto 14.052 prevê que os participantes do PMI serão responsáveis pelos custos

financeiros e demais ônus decorrentes de sua manifestação de interesse, não fazendo jus a qualquer espécie de ressarcimento, indenizações ou reembolsos por despesa incorrida, nem a qualquer remuneração pelo órgão ou entidade solicitante, salvo disposição expressa em contrário (art. 11).

A disposição é semelhante à contida no Decreto Estadual 12.653 e possibilita que os instrumentos de credenciamento e de chamamento para a apresentação de estudos, bem como – por analogia – os atos de autorização referentes às MIPs, estabeleçam direitos subjetivos aos interessados (tais como o direito de recurso contra decisões realizados ao longo do procedimento, sobre a avaliação e seleção dos estudos e contra atos do Poder Público que representam a violação a deveres de boa-fé administrativa).

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