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Observações das reuniões realizadas com a Coordenadora –CRE/Cidade Baixa

3) Práticas de orientação e assistência – Caracterizam-se por atividades de orientação aos familiares e crianças hospitalizadas, quer seja de forma individual ou através de

3.4 O PROCESSO DA PESQUISA DE CAMPO

3.4.4 Observações das reuniões realizadas com a Coordenadora –CRE/Cidade Baixa

O Hospital da Criança solicitou o acompanhamento da pesquisa através de relatório proposto pelo Comitê de Ética que solicitava informações sobre onde a pesquisa havia sido socializada, artigos publicados e número de alunos/pacientes abordados. Já em relação a instituição parceira do projeto, desde a minha entrada no hospital, solicitou a participação em reuniões para oferecer sugestões, críticas ao projeto de educação no hospital, colaborar com a organização científica do trabalho realizado pelas professoras e auxiliar no estreitamento de vínculos da Coordenação com a Universidade Federal da Bahia. Por considerar essas ações como constituintes do trabalho, minha implicação com esta área de estudos, e pela negociação de acesso ao campo de estudo, essas ações foram realizadas no período de um ano, na etapa de coleta de dados, pois não consegui ficar indiferente às solicitações. Todavia, quando senti que estava sofrendo pressões no meu trabalho, para que a tese fosse escrita com aproximações políticas da instituição que contratava as professoras, resolvi me afastar do campo de pesquisa e exercer a construção do conhecimento crítico que defendo em educação. Barbier (2002) considera que o pesquisador necessita ter a escuta sensível para compreender o contexto pesquisado, todavia, quando sentir que existe interesse diverso, o caminho mais adequado é o do afastamento:

A escuta sensível reconhece a aceitação incondicional do outro. Ela não julga, não mede, não compara. Ela compreende sem, entretanto, aderir às opiniões ou se identificar com o outro, com o que é anunciado ou praticado. A escuta sensível afirma a coerência do pesquisador. Este comunica suas emoções, seu imaginário, suas perguntas, seus sentimentos profundos. Ele está “presente”, quer dizer, consistente. Ele pode não mais aceitar trabalhar com um grupo, se algumas condições se chocarem com seu núcleo central de valores, sua filosofia de vida (BARBIER, 2002, p. 94)

As reuniões que participei durante um ano eram realizadas na Coordenadoria Regional de Educação, CRE/Cidade Baixa, que localiza-se no bairro do Uruguai, em Salvador. As reuniões eram realizadas na CRE e a dinâmica era quase sempre a mesma. As nossas reuniões eram sempre interrompidas por ligações de telefone que a coordenadora atendia a todo momento, por professores e diretores que procuravam a coordenadora para resolverem problemas administrativos, etc. Essas reuniões não eram sistemáticas, só

ocorriam quando as professoras solicitavam à coordenadora para discutir problemas da escola no hospital, apresentar algum trabalho científico ou organizar as festas da escola, ou quando a coordenadora solicitava. Tentou-se estabelecer um cronograma para as reuniões, porém nunca foi cumprido. Estas reuniões não foram filmadas pois não eram o foco principal de investigação deste trabalho, mas foram consideradas como elementos integradores deste estudo.

Cabe destacar, que logo que iniciei a pesquisa, conforme me haviam solicitado em relação ao estreitamento com a Universidade, orientei as professoras e a Coordenadora a participarem do Grupo de Estudos de História Social de Criança na UFBA, coordenado pela Profa. Dra. Joseania Freitas, que ocorria quinzenalmente na UFBA. As professoras participaram dos primeiros encontros do Grupo, no período da tarde na UFBA, mas depois acabaram priorizando as aulas no hospital. A Coordenadora e uma monitora da CRE, participaram deste grupo e em outras atividades, como alunas especiais da disciplina “História Social da Criança”, também com a Profa. Dra. Joseania Freitas, do Programa de Pós Graduação em Educação da UFBA e no curso de Extensão “ Inclusão oficial da história e da cultura negra no currículo escolar das séries iniciais.”

As principais reuniões que participei foram: 1) reunião do dia 23/08/2002 para entrega e discussão de relatório produzido pela pesquisadora apresentado à Coordenadora e às professoras referente às observações realizadas neste período das aulas das professoras; 2) Reunião dia 12/09/2002 de organização do trabalho científico para o VII Fórum de parceiros da prefeitura realizado em 29/10/02 na qual o Projeto “Vida e Saúde” foi apresentado; 3) Reunião dia 02/10/2002 de preparação para o evento de comemoração de um ano da escola no hospital em 06/10/2002; 4) Reunião dia 13/11/2002 para preparação da primeira Semana de Inclusão organizada pela Regional Cidade Baixa no Bonfim de 17 a 19/11/2002; 5) Reunião dia 30/01/2003 para apresentação de trabalho na Jornada Pedagógica de Classes Hospitalares no CAP- Centro de Aperfeiçoamento Pedagógico aos Professores da Rede Municipal na Pituba com todas as Classes Hospitalares de Salvador de 03 a 07/02/2003; 6) Reunião dia 10/03/2003 para preparação da apresentação no Congresso de Psicologia da Faculdade Ruy Barbosa de Salvador ocorrido de 11 a 14/04/2003; 7) Participação no VIII Fórum de Parceiros da Prefeitura, dia 19/08/2003; 8) Reunião pedagógica dia 23/08/2003 e preparação para o 2º aniversário da escola e 9) Reunião dia 03/09 para preparação do evento de comemoração dos 2 anos da escola no hospital e entrega do relatório sobre o trabalho; (ANEXOS S,T,U,V,X).

O que foi possível verificar nesses encontros, é que pouco se discutia sobre os problemas dos alunos no hospital e as questões pedagógicas do projeto. As reuniões ficavam centradas em resolver conflitos existentes entre as duas professoras, organizar textos para apresentação do projeto em eventos científicos e preparação das festas no hospital. Embora considere que questões administrativas também façam parte do projeto político pedagógico da escola, creio que se dedicava muito tempo a resolver esses aspectos administrativos e os alunos eram esquecidos. Como as reuniões tinham um espaçamento muito grande entre uma e outra, os problemas ficavam acumulados e ficavam sempre em abertos para serem resolvidos. Posteriormente, muito pouco se resolvia ou se encaminhava propostas para solução dos problemas e as discussões acabavam encerrando naqueles momentos. Não existia um acompanhamento sistemático do trabalho das professoras. Considero também que essas reuniões deveriam ser realizadas no próprio hospital para que a coordenadora pudesse vivenciar um pouco daquele contexto, escutar, conhecer um pouco a realidade das crianças e dos adolescentes hospitalizados e da dinâmica do hospital, aspecto este que considero fundamental para o entendimento da condição das professoras, dos alunos e de um projeto educativo.