SOCIEDADE BRASILEIRA DE ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA
w w w . r b o . o r g . b r
Artigo
Original
Caracterizac¸ão
e
aspectos
clínicos
de
pacientes
com
traumatismo
raquimedular
submetidos
a
cirurgia
夽
João
Simão
de
Melo-Neto
a,b,c,∗,
Lara
Eduarda
Leite
Vidotto
b,
Fabiana
de
Campos
Gomes
d,
Dionei
Freitas
de
Morais
ce
Waldir
Antonio
Tognola
caFaculdadeCeres(Faceres),DepartamentoMorfofuncional,SãoJosédoRioPreto,SP,Brasil
bInstitutoMunicipaldeEnsinoSuperiordeCatanduva(IMES),Catanduva,SP,Brasil
cFaculdadedeMedicinadeSãoJosédoRioPreto(Famerp),DepartamentodeNeurociências,SãoJosédoRioPreto,SP,Brasil
dFaculdadedeMedicinadeSãoJosédoRioPreto(Famerp),UnidadedePesquisaemGenéticaeBiologiaMolecular,SãoJosédoRioPreto,
SP,Brasil
informações
sobre
o
artigo
Históricodoartigo:
Recebidoem26deabrilde2016 Aceitoem28dejulhode2016
Palavras-chave:
Epidemiologia
Traumatismosdamedulaespinal Fusãovertebral
Fraturasdacolunavertebral Mortalidade
Traumatologia
r
e
s
u
m
o
Objetivo:Identificarascaracterísticasdepacientescomtraumatismoraquimedular(TRM) submetidosacirurgia.
Métodos:Foramselecionados321pacientescomTRM.Asvariáveisclínicase sociodemográ-ficasforamcoletadas.
Resultados: Foramsubmetidos acirurgia211pacientes.Aquedaeaslesõesnasregiões cervicalsuperiorelombossacralforamassociadascomtratamentoconservador.Pacientes comlesõesnasregiõescervicalinferior,piorstatusneurológicoelesõesinstáveisforam associados comcirurgia. Indivíduosoperadosforamassociadoscomcomplicac¸õesapós tratamento.Posteriormente,osautoresavaliaramseidadeinfluenciavaascaracterísticas dos pacientessubmetidosa cirurgia.Sujeitoscom<60 anosforamassociados com aci-dentemotociclísticoeodiagnósticodefratura-luxac¸ão.Subsequentemente,analisaram-se ascaracterísticasdossexosnessespacientes.Mulheresquesofreramacidente automo-bilístico foram associadascom cirurgia.Mulheres foram associadas comparaparesia e diagnósticomorfológicodefraturaexplosão,principalmentenasregiõesdetransic¸ão toraco-lombarelombossacral.Homensqueapresentaramtraumatismocrânioencefálicoetorácico foramrelacionadosacirurgia.Essesindivíduostiveramumpiorstatusneurológicoeforam associadosàcomplicac¸ão.Homenseregiãocervicalforammaisafetados;portanto,esses pacientesforamanalisadosisoladamente(n=92).Apresenc¸adecomplicac¸õesaumentou apermanênciahospitalar.Apresenc¸adediagnósticosmorfológicossimultaneamente,pior statusneurológico,tetraplegia,alterac¸ãosensório-motorafoiassociadacomcomplicac¸ões. Pneumoniaetraumatismotorácicoforamassociadoscommortalidade.
DOIserefereaoartigo:http://dx.doi.org/10.1016/j.rboe.2016.07.003.
夽
EstudoconduzidonaFaculdadedeMedicinadeSãoJosédoRioPreto(Famerp),DepartamentodeNeurociências,SãoJosédoRioPreto, SP,Brasil.
∗ Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](J.S.Melo-Neto).
http://dx.doi.org/10.1016/j.rbo.2016.07.008
Conclusão: Essesfatorespossibilitaminvestimentos emprevenc¸ão, reabilitac¸ãoe trata-mento.
©2016SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublicadoporElsevierEditora Ltda.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http:// creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Characteristics
and
clinical
aspects
of
patients
with
spinal
cord
injury
undergoing
surgery
Keywords:
Epidemiology Spinalcordinjuries Spinalfusion Spinalfractures Mortality Traumatology
a
b
s
t
r
a
c
t
Objective: Toidentifythecharacteristicsofpatientswithspinalcordinjury(SCI)undergoing surgery.
Methods: Previously,321patientswithSCIwereselected.Clinicalandsocio-demographic variableswerecollected.
Results: Atotalof211patientsweresubmittedtosurgery.Fallandinjuriesintheupper cervicalandLumbossacralregionswereassociatedwithconservativetreatment.Patients withlesionsinthelowercervicalspine,worseneurologicalstatus,andunstableinjuries wereassociatedwithsurgery.Individualsundergoingsurgerywereassociatedwith compli-cationsaftertreatment.Theauthorsassessedwhetherageinfluencedthecharacteristicsof patientssubmittedtosurgery.Subjectswith<60yearsofagewereassociatedwith motorcy-cleaccidentsandthemorphologiesofinjurywerefracture-dislocation.Elderlyindividuals wereassociatedtofall,SCIinthelowercervicalspineandthemorphologyofinjurywas listhesis.Subsequently,theauthorsanalyzedthegendercharacteristicsinthesepatients. Womenwhosufferedcaraccidentswereassociatedtosurgery.Womenwereassociatedwith paraparesisandthemorphologicdiagnosiswasfracture-explosion,especiallyinthe thora-columbartransitionandLumbossacralregions.Menwhopresentedtraumaticbraininjury andthoracictraumawererelatedtosurgery.Theseindividualshadaworseneurological statusandwereassociatedtocomplications.Menandthecervicalregionweremost affec-ted,thereby,thesesubjectswereanalyzedseparately(n=92).Thepresenceofcomplications increasedthelengthofhospitalstay.Thesimultaneouspresenceofmorphological diagno-sis,worstneurologicalstatus,tetraplegia,sensory,andmotoralterationswereassociated withcomplications.Pneumoniaandchesttraumawereassociatedwithmortality.
Conclusion: Thesefactorsenableinvestmentsinprevention,rehabilitation,andtreatment. ©2016SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublishedbyElsevierEditora
Ltda.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(http:// creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Introduc¸ão
Otermotraumatismoraquimedular(TRM)refere-sealesões dacolunavertebralquepodemcausarconsequências transi-tóriasouirreversíveis,dependedostecidosafetadosdurante o trauma.1–3 As complicac¸ões clínicas do TRM têm sido
avaliadas3–5 com o objetivode melhorar as intervenc¸ões e
obter um melhor prognóstico para esses pacientes, redu-ziroscustossocioeconômicoseamortalidade.Noentanto, poucosestudosabordaramascaracterísticaseosaspectos clí-nicosdepacientessubmetidosacirurgia.Apenasumestudo descritivo6conduzidonoBrasilfoiencontrado,oque
demons-traanecessidadedecompreendermelhoressapopulac¸ãoe determinarondeosinvestimentosparaaprevenc¸ãoe trata-mentodevemserfeitos.Alémdisso,osfatoresculturaiseas diferenc¸asregionaisnãodevemsernegligenciados.7
Vários métodosde instrumentac¸ãoefixac¸ão podemser usadosempacientescomTRM.Noentanto,atécnicausada dependedopaciente,dascaracterísticasdalesãoeda experi-ênciadocirurgião.Deformageral,instabilidadesposteriores
devem ser tratadas com artrodese posterior e instabili-dades anteriores com artrodese anterior. No entanto, em casos de lesão discoligamentar completa, recomenda-se a fixac¸ãocircularoucombinadaparaseobterumaestabilizac¸ão adequada.8
Aintervenc¸ãocirúrgicapromoveadissecc¸ãoearetrac¸ão das várias estruturas para exposic¸ão da colunae correc¸ão dalesão instalada,9resultapossivelmenteemoutraslesões
teciduais e, consequentemente, em um aumento das complicac¸õesclínicasemortalidade.
Portanto,oobjetivodesteestudofoi identificaras carac-terísticas e os aspectos clínicos de pacientes com TRM submetidosacirurgia.
Metodologia
Entre 2008 e2012, 312 pacientes com TRM foram sele-cionados. Uma avaliac¸ão inicial foi feita para confirmar o diagnósticodeTRM.Ospacientesforamsubmetidosàanálise radiológicacomtomografiacomputadorizadae/ou ressonân-ciamagnética.2
Foramanalisadasasseguintesvariáveis:sexo;idade; eti-ologia,morfologiaetopografiadoTRM;estadoneurológico; estadosindrômico;lesõesassociadas;complicac¸ões;durac¸ão dahospitalizac¸ãoeóbitos.
Oestudoincluiupacientes com lesãona regiãocervical superior(C1-C2), cervicalinferior(C3-C7), torácica(T1-T10), toracolombar(T11-L2)elombossacral(L3-S1).3Aclassificac¸ão
morfológicadaslesõesfoifeitadeacordocomametodologia sugeridaporDenis.10 Oestadoneurológicodepacientesfoi
classificadodeacordocomaescaladaAmericanSpinalInjury Association(ASIA).11Ascomplicac¸õesclínicasapresentadasno
prazode30diasdeinternac¸ãoforamregistradas.3
Inicialmente, as variáveis frequentemente apresentadas pelos pacientes submetidos a cirurgia foram relatadas. Avaliaram-seentãoosfatoresmaiscomumenteassociadosà cirurgia,quandocomparadoscomotratamentoconservador: idade,sexoemorbidade/mortalidadeempacientes submeti-dosaotratamentocirúrgiconacolunacervical.
A análise dos dados foi feita por meio de estatística descritiva e inferencial. Os resultados descritivos foram expressoscomomédia±desviopadrão(distribuic¸ão paramé-trica),medianacomvaloresmínimoemáximo(distribuic¸ão não paramétrica) e frequências absolutas e relativas. A normalidade dos dados foi analisada com o teste de Kolmogorov-Smirnov. Dados com distribuic¸ão paramétrica foramanalisadospelotestetnãopareadoedadosnão para-métricospelotestedeMann-Whitney.Aassociac¸ãoentreas variáveisfoiavaliadacomoddsratio(OR)comumintervalode confianc¸a(IC),foiconfirmadapelotesteexatodeFisher.Um valorde p≤0,05 foi consideradoestatisticamente significa-tivo.AanáliseestatísticafoifeitapormeiodoprogramaInstat (version3.0,GraphPad,Inc.,SanDiego,CA,EstadosUnidos).
Resultados
OsindivíduoscomTRMsubmetidosacirurgia(n=211)eram oriundosdaredeprivadadesaúde(18%)edosistemapúblico desaúde(82%).Foramexaminadospacientesde65cidades. Em relac¸ão à etnia, 85% dos pacientes eram brancos, 8% mulatose4%negros.Essedadonãofoirelatadoem3%dos pacientes.Oníveldeinstruc¸ãofoiclassificadocomo analfa-beto(4%),ensinoprimário(59%),ensinomédio(26%)eensino superior(11%).Oestadocivilmaisfrequentementeobservado foisolteiro(47%),seguidoporcasado(38%),viúvo(8%)e divor-ciado(4%).Emsetepacientes,oestadocivilnãofoirelatado. Aocupac¸ãodospacientesfoi distribuídaentreempregados (83%),trabalhadoresdomiciliares(7%),desempregados(5%), estudantes(4%) e aposentados (1%). Quanto àreligião dos pacientes,76%eramcatólicosromanos,10%evangélicos pro-testantes,5%católicosortodoxos,5%agnósticose4%outras religiões.
Alémdisso,observamosqueospacienteseram principal-mentedosexomasculino(77%),tinhamsidointernadosapós sofrerumacidentedecarro(41%),apresentavamtraumatismo
crânio-encefálico como lesão associada (12%), tinham a coluna cervical inferior como região mais afetada (49%), apresentaram cervicalgiacom parestesia(22%), diagnóstico morfológico de fratura-luxac¸ão (34%) e estado neurológico ASIA-E(39%).As intervenc¸õescirúrgicas foramdistribuídas entreartrodeseanterior(51%)eposterior(46%),laminectomia descompressiva (4%)e corpectomia(9%). Desses pacientes, 10% necessitaram de mais de um procedimento cirúrgico simultaneamente.
A figura1apresentaos fatoresmaisassociados à cirur-giaquandocomparadoscomotratamentoconservador,como idade,sexoemorbidade/mortalidade,emhomenssubmetidos atratamentocirúrgiconaregiãocervical.
Tratamentocirúrgicoouconservador
Os pacientes foram inicialmente analisados para verifi-car quais eram os critérios mais associadas às opc¸ões de tratamento, cirurgia (n=211) ou conservador (n=110). A caracterizac¸ão e os fatores preditivos são mostrados na
tabela 1. A idade médiadospacientes submetidos a cirur-gia(44,5[11-93]anos)foisignificativamentemaior(p=0,0004, Mann-Whitney) do queaqueles submetidos ao tratamento conservador (36 [5-89] anos). Dentre todas asetiologias do TRM,quedafoiassociadaaotratamentoconservador.
Apresentaramlesõesemduasregiõesconcomitantemente 35 indivíduos. Indivíduos com TRM nas regiões cervical superior elombossacralforam referidos principalmente ao tratamento conservador, enquanto que os pacientes com lesões na região cervical inferior foram mais associados à cirurgia. Nesse contexto, oestado sindrômico mais associ-adoaotratamentoconservadorfoidorcervicaledorsalcom parestesia, enquantoparaparesia,paraplegia equadriplegia forammaisrelacionadosàcirurgia.Ospacientescommelhor estadoneurológicoforammaisfrequentementeassociadosao tratamentoconservador,enquantoaquelescompiorestado neurológicoforammaisrelacionadosaotratamentocirúrgico. Alterac¸õessensoriomotorasforamobservadassetevezesmais frequentementeempacientesoperados.
Quanto às lesões associadas, ocorreram 180 eventos, 31pacientescomduaslesõese15comtrêslesões simulta-neamente.Ospacientesadmitidoscomlesõesassociadasnos membrosinferiores etraumatismo crânio-encefálico foram encaminhadosparatratamentoconservadordeforma signifi-cativamentemaior.
Odiagnósticomorfológicodaslesões,feitoporexamede imagem, mostrou que os pacientes com fratura linear do corpovertebral efratura decompressão foram encaminha-dosparatratamento conservador.Noentanto,os pacientes com fratura-explosão,fratura-luxac¸ãoelisteseforam enca-minhados para cirurgia. Apresentaram dois diagnósticos morfológicos32indivíduos,enquantotrêstiveramtrêslesões simultâneas.
Tratamento (n=321)
Conservador (n=110) Cirurgia (n=211)
Pacientes jovens Pacientes idosos
Cervical inferior
- Paraparesis - Paraplegia - Tetraplegia
Estado neurológico pior
- Fratura-explosão - Fratura-luxação
- Listese
Alteration sensorimotor
Complicações
Hospitalização prolongada
Estado neurológico pior Queda
Cervical inferior
Listese
Mortalidade
Acidente automobilístico
- Fratura-luxação - Traumatismo
crânio-encefálico - Trauma torácico
Complicações - Pneumonia
Hospitalização prolongada
Tetraplegia Idade
Etiologia
Topografia
Estado sindrômico
Estado neurológico
Mortalidade
Alteração sensorimotora
Lesão associada
Complicações
Hospitalização
Mortalidade
Estado neurológico pior
Alteração sensorimotora
Hospitalização prolongada
Cervicalgia Topografia
Estado neurológico pior
Simultaneous lesions
Alteration sensorimotor
Trauma torácico
Complicações - Pneumonia Estado neurológico melhor
Acidente automobilístico
Paraparesia
Fratura-explosão
Sexo
Homens (n=163) Idade
<60 anos (n=182) ≥60 anos (n=29)
Cirugía cervical (n=92)
Alta hospitalaria (n=63)
Complicações (n=29) Mortalidade (n=11)
Mulheres (n=48)
Queda
- Cervical superior - Lombossacral
- Cervicalgia com parestesia - Dor dorsal com parestesia
Estado neurológico melhor
- Fratura linear no corpo vertebral - Fratura por compressão
- Membro inferior - Traumatismo crânio-encefálico
Tabela1–Distribuic¸ãodeindivíduos(tratamentoconservadorecirurgia)deacordocomaetiologia,topografia, morfologiadalesão,oestadoneurológiconomomentodainternac¸ão(ASIA),estadosindrômico,aslesõesassociadas aoTRM,complicac¸ões,amortalidadeeoutrasvariáveis
Conservador, n=110(%)
Cirúrgico, n=211(%)
Total, n=321(%)
OR IC p(testedeFisher)
Etiologiadalesão
Acidenteautomobilístico 39(35) 86(41) 125(29) 1,253 0,777–2,019 0,2109 Mergulhoemáguarasa 04(04) 09(04) 13(04) 1,181 0,355–3,925 0,5225 Quedaaosolo 37(34) 51(24) 88(27) 1,590 0,959–2,637 0,0481b
Tirodearmadefogo 03(03) 06(03) 09(03) 1,044 0,256–4,258 0,6282
Acidentedemotocicleta 13(12) 36(17) 49(15) 1,535 0,777–3,033 0,1404
Esportes 08(07) 13(06) 21(07) 0,837 0,336–2,085 0,4342
Atropelamento 03(03) 05(02) 08(02) 0,866 0,203–3,693 0,5561
Outrosa 03(03) 05(02) 08(02)
Morfologia
Fratura-explosão 08(07) 68(32) 76(24) 6,063 2,792–13,168b <0,0001b
Fraturaporcompressão 51(46) 05(02) 56(17) 35,614 13,592–93,314b <0,0001b
Fratura-luxac¸ão 01(01) 71(34) 72(22) 55,279 7,556–404,40b <0,0001b
Fraturanoselementosposteriores 07(06) 21(10) 28(09) 1,626 0,669–3,955 0,1927
Tirodearmadefogo 03(03) 06(03) 09(03) 1,044 0,256–4,258 0,6282
Fraturalinearnocorpovertebral 10(09) 02(01) 12(04) 10,450 2,247–48,606b 0,0006b
Listese 08(07) 43(20) 51(16) 3,263 1,475–7,219b 0,0013b
Fraturaodontoide 07(06) 07(03) 14(04) 1,981 0,676–5,799 0,1630
Lesãodocomplexoligamentarposterior 02(02) 06(03) 08(02) 1,580 0,314–7,967 0,4439
Contusãomedular 08(07) 08(04) 16(05) 1,990 0,726–5,457 0,1385
Outros 05(05) 07(03) 12(04)
Númerodeeventos 111 244 355
Topografia
Cervicalinferior(C3-C7) 30(27) 104(49) 134(42) 2,592 1,574–4,269b <0,0001b
Lumbossacral(L3-S1) 14(13) 12(06) 36(11) 2,418 1,077–5,430b 0,0261b
Torácica(T1-T10) 20(18) 40(19) 60(19) 1,053 0,581–1,908 0,4967
Transic¸ãotoracolombar(T11-L2) 36(33) 62(29) 98(31) 1,169 0,712–1,921 0,3109 Cervicalsuperior(C1-C2) 25(23) 13(06) 38(12) 4,480 2,187–9,175b <0,0001b
Númerodeeventos 125 231 351
Estadoneurológico
ASIA-A 05(05) 63(30) 68(21) 8,939 3,476–22,989b <0,0001b
ASIA-B 02(02) 10(05) 12(04) 2,687 0,578–12,488 0,1589
ASIA-C 05(05) 35(17) 40(12) 4,176 1,586–10,994b 0,0010b
ASIA-D 05(05) 18(09) 23(07) 1,959 0,707–5,427 0,1377
ASIA-E 89(81) 83(39) 172(54) 6,536 3,771–11,329b <0,0001b
Coma 04(04) 02(01) 06(02) 3,943 0,711–21,886 0,1075
Estadosindrômico
Cervicalgiacomparestesia 35(32) 47(22) 82(26) 1,628 0,972–2,728 0,0432b
Coma 04(04) 02(01) 06(02) 3,943 0,711–21,886 0,1075
Dordorsalcomparestesia 49(45) 32(15) 81(25) 4,493 2,640–7,649b <0,0001b
Dorlombar 07(06) 10(05) 17(05) 1,366 0,505–3,694 0,3539
Paraparesia 02(02) 31(15) 33(10) 41,006 9,585–175,43b <0,0001b
Paraplegia 01(01) 27(13) 28(09) 15,170 2,032–113,24b 0,0001b
Tetraparesia 06(05) 23(11) 29(09) 2,013 0,795–5,101 0,0948
Tetraplegia 06(05) 37(18) 43(13) 3,686 1,504–9,033b 0,0014b
Outrosa 02(02) – 02(01)
Lesãoassociada
Traumaabdominal 05(05) 05(02) 10(03) 0,510 0,144–1,801 0,2296
Membroinferior 13(12) 08(04) 21(07) 3,401 1,364–8,479b 0,0070b
Membrosuperior 10(09) 14(07) 24(07) 1,407 0,604–3,281 0,2800
Traumafacial 05(05) 14(07) 19(06) 0,670 0,235–1,912 0,3142
Lesõesdocourocabeludo 01(01) 05(02) 06(02) 0,378 0,044–3,278 0,3308 Traumatismocrânio-encefálico 26(24) 26(12) 52(16) 2,202 1,207–4,020b 0,0079b
Traumatorácico 10(09) 24(11) 34(11) 1,283 0,590–2,791 0,3350
Outrosa 05(05) 05(02) 10(03)
Indivíduoscomlesõesassociadas 46(42) 73(35) 119(37)
Complicac¸ões 18(16) 54(26) 72(22) 1,758 0,972–3,179 0,0391b Alterac¸ãosensoriomotora 19(17) 124(59) 143(45) 6,826 3,878–12,016b <0,0001b
Mortalidade 10(09) 15(07) 25(08) 0,765 0,332–1,765 0,3355
e infecc¸ão do trato urinário (8%); entretanto, não houve diferenc¸aentreospacientesnãocirúrgicos.
Após a admissão, a permanência hospitalar foi signi-ficativamente maior em indivíduos submetidos a cirurgia (7[1-127]dias) quando comparados com aqueles que rece-beram tratamento conservador (3 [1-112] dias). As demais variáveisnãoforamsignificativamentediferentes.
Tratamentocirúrgicodeacordocomaidade
Emseguida,verificou-seopapeldavariávelidade,<60anos (5-59,n=182)ou≥60anos(60-89,n=29),nascaracterísticas dospacientessubmetidosacirurgia,deacordocomatabela2. Pacientes<60anosestiverammaisassociadosaacidentesde motocicleta(p=0,023,testedeFisher),enquantoqueos indi-víduosidososestiveramduasvezesmaisassociadosaqueda (OR:1,622,IC:1,622–8,248,p=0,002,testedeFisher).
O TRM na região cervical inferior foi observado três vezesmaisempacientesidososdoqueempacientesjovens (OR: 2,593, IC: 1,120–6,000; p=0,018, teste de Fisher). Em relac¸ãoàtopografiaeaodiagnósticomorfológico,19pacientes apresentaram duas lesões simultâneas. Quanto à morfolo-gia das lesões, fratura-luxac¸ão (OR: 3,641, CI: 1,215–10,916; p=0,010, teste de Fisher) e listese (OR: 2,865, IC: 1,234-6,647,p=0,015,testedeFisher)foramsignificativamentemais relacionadasapacientescom idade<60anose≥60anos, respectivamente.
Apresentaramduaslesõesconcomitantese24pacientese quatro,trêslesões;27pacientestiveramduascomplicac¸ões simultâneas e sete três complicac¸ões. No entanto, não se observou diferenc¸a nas lesões e complicac¸ões associadas entreosdiferentesgruposetários(p>0,05).
Operíododehospitalizac¸ãofoisemelhanteentreos dife-rentesgruposetários(p=0,071,Mann-Whitney).Noentanto, aprobabilidadedemortefoicincovezesmaiornogrupode pacientesidosos (OR:5,014,IC:1,634–15,386;p=0,008, teste deFisher).Asdemaisvariáveisnãoforamsignificativamente diferentes.
Tratamentocirúrgicodeacordocomosexo
Subsequentemente, analisaram-se as características de ambosossexos(♂n=163;♀n=48)empacientessubmetidos acirurgia.Acaracterizac¸ãoeosfatorespreditivossão apre-sentadosnatabela3.Aidademédiadasmulheresoperadas (37[6-84]anos)nãofoisignificativamentediferente(p=0,160, teste de Mann-Whitney) da idade média dos homens (36 [5-89] anos). Mulheres que sofreram acidentes de carro foram três vezes mais frequentemente submetidas àintervenc¸ãocirúrgica.
Apresentaram dois diagnósticos morfológicos simultâ-neos 19 indivíduos; 19 tiveram duas lesões associadas ao TRMecinco,trêslesões.Homenscomtraumatismo crânio--encefálicoetraumatorácicoestiverammaisrelacionadosà cirurgiadoquemulheres.
Apresentaramlesõesemduasregiõesconcomitantemente 20 indivíduos.A topografia da lesãofoi dividida em região cervicalsuperior(6%), cervicalinferior(49%),torácica(19%), transic¸ãotoracolombar(29%)etransic¸ãolombossacral(6%).
Não foram observadas diferenc¸as quanto à região afetada entreossexos.
Aoanalisarossintomas,observou-sequeparaparesiafoi trêsvezesmaisfrequenteemmulheres.Aindaassim,o diag-nósticomorfológico defratura-explosãofoimaisobservado emmulheres,especialmentenatransic¸ãotoracolombarena regiãoinferiordascostas(OR:18,4,CI:4,266–79,371;p=0,0001, testedeFisher).
Oshomensapresentarampiorestadoneurológicoe tive-ram três vezes mais complicac¸ões do que as mulheres, especialmenteemrelac¸ãoàpresenc¸adepneumoniaapósa cirurgia;20pacientestiveramduascomplicac¸õessimultâneas, enquantoquesetetiveramtrês.Adurac¸ãodainternac¸ãodos homens(8[1-127]dias)foisignificativamentemaiordoquea dasmulheres(5[1-34]dias).Asdemaisvariáveisnão apresen-taramdiferenc¸assignificativas.
Morbidade/mortalidadeemhomenssubmetidos atratamentocirúrgicoapósTRMnacolunacervical
Conforme observado anteriormente, os homens ea região cervical foram os mais acometidos e mais suscetíveis a complicac¸ões,foram,portanto,analisadosseparadamente.As
tabelas4e5apresentamacaracterizac¸ãoeosfatores prediti-vos.
Foram analisados 92 homens. Eles foram divididos em dois grupos:pacientesquenãoapresentaramcomplicac¸ões (n=63) e aqueles que apresentaram complicac¸ões (n=29). A média de idade (sem complicac¸ões=41±17 anos; com complicac¸ões=46±20 anos) foi semelhante (p=0,162, testetnão pareado). Indivíduos com complicac¸ões apre-sentaram maior tempo de internac¸ão (p<0,0001, teste de Mann-Whitney). A principal causa de TRM em ambos os gruposfoiacidenteautomobilístico,correspondeua43%dos indivíduos(tabela4).
Asprincipaismorfologiasdetraumaforamfratura-luxac¸ão (37%)elistese(34%).Seisindivíduosapresentaramduaslesões morfológicasassociadasaoTRM(tabela4).Apresenc¸adedois diagnósticosmorfológicossimultâneosdelesãoaumentoua associac¸ão com complicac¸ões pós-operatórias.A topografia maisprevalentedelesãofoiC6(n=58),seguidaporC5(n=45), C7(n=27),C4(n=24),C3(n=12),C2(n=10)eC1(n=1). Qua-tropacientesapresentaramlesõesemquatrovértebras,11em três,61emduase16emapenasuma.Alémdisso,dez pacien-tesapresentaramsimultaneamentelesãovertebralnacoluna torácica.
Ostatusneurológicomaiscomumdeacordocomaescala ASIAfoiE(35%),seguidoporA(33%).Entretanto,indivíduos sem complicac¸ões apresentaram predominânciade ASIA-E (41%),enquantoASIA-A(69%)foimaisassociadoapacientes comcomplicac¸ões(tabela4).
Tabela2–Distribuic¸ãodeindivíduos(<60e≥60anos)submetidosaotratamentocirúrgico,deacordocomaetiologia, topografia,morfologiadalesão,oestadoneurológiconomomentodainternac¸ão(ASIA),estadosindrômico,aslesões associadasaoTRM,complicac¸õeseamortalidade
<60anos(n=182) ≥ 60anos(n=29) Total(n=211)
Etiologiadalesão
Acidenteautomobilístico 76(42) 10(34) 86(41)
Mergulhoemáguarasa 09(05) – 09(04)
Quedaaosolo 37(20) 14(48) 51(24)
Ferimentoporarmadefogo 06(03) – 06(03)
Acidentedemotocicleta 35(19) 01(03) 36(17)
Esportes 12(07) 01(03) 13(06)
Outrosa 07(04) 03(10) 10(05)
Morfologia
Fratura-explosão 58(32) 10(34) 68(32)
Fraturaporcompressão 05(03) 01(03) 06(03)
Fratura-luxac¸ão 67(37) 04(14) 71(34)
Ferimentopordearmadefogo 06(03) – 06(03)
Listese 32(18) 11(38) 43(20)
Fraturaodontoide 07(04) – 07(03)
Lesãodocomplexoligamentarposterior 05(03) 01(03) 06(03)
Contusãomedular 06(03) 02(07) 08(04)
Outros 14(08) 01(03) 15(07)
Númerodeeventos 200 30 230
Topografia
Cervicalinferior(C3-C7) 84(46) 20(69) 104(49)
Lumbossacral(L3-S1) 12(07) – 12(06)
Torácica(T1-T10) 35(19) 04(14) 39(18)
Transic¸ãotoracolombar(T11-L2) 56(31) 06(21) 62(29)
Cervicalsuperior(C1-C2) 13(07) – 13(06)
Númerodeeventos 200 30 230
Estadoneurológico
ASIA-A 56(31) 07(24) 63(30)
ASIA-B 08(04) 02(07) 10(05)
ASIA-C 27(15) 08(28) 35(17)
ASIA-D 17(09) 01(03) 18(09)
ASIA-E 72(40) 11(38) 83(39)
Coma 02(01) – 02(01)
Estadosindrômico
Cervicalgiacomparestesia 38(21) 09(31) 47(22)
Dordorsalcomparestesia 30(16) 02(07) 32(15)
Dorlombar 09(05) 01(03) 10(05)
Paraparesia 26(14) 05(17) 31(15)
Paraplegia 25(14) 02(07) 27(13)
Tetraparesia 19(10) 04(14) 23(11)
Tetraplegia 32(18) 05(17) 37(18)
Outrosa 03(02) 01(03) 04(02)
Lesãoassociada
Traumaabdominal 05(03) – 05(02)
Membroinferior 07(04) 01(03) 08(04)
Membrosuperior 15(08) 02(07) 17(08)
Traumafacial 14(08) – 14(07)
Lesõesdocourocabeludo 05(03) – 05(02)
Traumatorácico 19(10) 03(10) 22(10)
Traumatismocrânio-encefálico 23(13) 02(07) 25(12)
Outrosa 04(02) 01(03) 05(02)
Indivíduoscomlesõesassociadas 68 05 73
Complicac¸ões
Atelectasia 05(03) – 05(02)
Choquehipovolêmico 03(02) – 03(01)
Instabilidadehemodinâmicatardia 02(01) 02(07) 04(02)
Infecc¸ãodotratourinário 12(07) 04(14) 16(08)
Pneumonia 19(10) 04(14) 23(11)
Infecc¸õesdeferidascirúrgicas 02(01) 01(03) 03(01)
Sepsia 02(01) 01(03) 03(01)
Outrosa 29(16) 02(07) 31(15)
Pacientesqueapresentaramcomplicac¸ões 44(24) 10(34) 54(26)
Mortalidade 09(05) 06(21) 15(07)
Tabela3–Distribuic¸ãodeindivíduos(homensemulheres)submetidosaotratamentocirúrgico,deacordocom
aetiologia,topografia,morfologiadalesão,oestadoneurológiconomomentodainternac¸ão(ASIA),estadosindrômico, aslesõesassociadasaoTRM,complicac¸õeseamortalidade
Mulheres(n=48) Homens(n=163) Total(n=211) OR IC p(testedeFisher)
Etiologia
Acidenteautomobilístico 28(58) 58(36) 86(41) 2,534 1,313–4,891b 0,0042b
Mergulhoemáguarasa – 09(06) 09(04) 5,964 0,341–104,44 0,0930
Quedaaosolo 11(23) 40(25) 51(24) 1,094 0,511–2,344 0,4917
Ferimentoporarmadefogo 01(02) 05(03) 06(03) 1,487 0,170–13,054 0,5873 Acidentedemotocicleta 06(13) 30(18) 36(17) 1,579 0,615–4,054 0,2344
Esportes 02(04) 11(07) 13(06) 1,664 0,356–7,785 0,3985
Outrosa – 10(06) 10(05)
Morfologia
Fratura-explosão 21(44) 47(29) 68(32) 1,936 0,997–3,759 0,0380b
Fraturaporcompressão 01(02) 05(03) 06(03) 0,672 0,077–5,901 0,5873
Fratura-luxac¸ão 16(33) 55(34) 71(34) 0,982 0,496–1,943 0,5522
Fraturanoselementosposteriores 07(15) – 07(03) 4,649 0,261–82,934 0,1593 Ferimentoporarmadefogo 01(02) 05(03) 06(03) 0,672 0,077–5,901 0,5873
Listese 07(15) 35(21) 42(20) 1,602 0,661–3,879 0,2011
Fraturaodontoide – 07(04) 07(03) 4,649 0,261–82,934 0,1593
Lesãodocomplexoligamentarposterior 01(02) 05(03) 06(03) 1,487 0,170–13,054 0,5873
Contusãomedular 02(04) 06(04) 08(04) 1,138 0,222–5,830 0,5782
Outros 02(04) 07(04) 09(04)
Númerodeeventos 58 172 230
Estadoneurológico
ASIA-A 09(19) 54(33) 63(30) 2,147 0,970–4,754 0,0385b
ASIA-B 03(06) 07(04) 10(05) 0,673 0,167–2,710 0,4064
ASIA-C 10(21) 25(15) 35(17) 0,688 0,304–1,558 0,2441
ASIA-D 06(13) 12(07) 18(09) 0,556 0,197–1,571 0,2002
ASIA-E 20(42) 63(39) 83(39) 1,134 0,589–2,182 0,4153
Coma – 02(01) 02(01) 1,502 0,071–31,834 0,5959
Estadosindrômico
Cervicalgiacomparestesia 12(25) 35(21) 47(22) 0,820 0,386–1,742 0,3683 Dordorsalcomparestesia 08(17) 24(15) 32(15) 0,863 0,360–2,069 0,4483
Dorlombar 02(04) 08(05) 10(05) 1,187 0,243–5,789 0,5936
Paraparesia 13(27) 18(11) 31(15) 2,992 1,340–6,682b 0,0078b
Paraplegia 03(06) 24(15) 27(13) 2,590 0,745–9,010 0,0918
Tetraparesia 04(08) 19(12) 23(11) 1,451 0,469–4,494 0,3628
Tetraplegia 06(13) 31(19) 37(18) 1,644 0,642–4,212 0,2064
Outrosa 04(08) 02(01) 06(03)
Lesãoassociada
Traumaabdominal 01(02) 04(02) 05(03) 1,182 0,129–10,842 0,6807
Membroinferior 03(06) 05(03) 08(04) 0,475 0,109–2,064 0,2640
Membrosuperior 01(02) 15(09) 16(08) 4,764 0,613–37,046 0,0834
Traumafacial 01(02) 13(08) 14(07) 4,073 0,519–31,981 0,1293
Lesõesdocourocabeludo 01(02) 04(02) 05(03) 1,182 0,129–10,842 0,6807
Traumatorácico 01(02) 20(12) 21(10) 6,573 0,858–50,338 0,0259b
Traumatismocrânio-encefálico 02(04) 24(15) 26(12) 3,971 0,903–17,461 0,0356b
Outrosa 02(04) 05(03) 07(07)
Indivíduoscomlesõesassociadas 13 60 73
Complicac¸ões
Choquehipovolêmico – 03(02) 03(01) 2,115 0,107–41,698 0,4591
Infecc¸ãodotratourinário 02(04) 14(09) 16(08) 2,161 0,473–9,865 0,2487
Pneumonia – 23(14) 23(11) 16,224 0,966–272,41 0,0018b
Infecc¸õesdeferidascirúrgicas 01(02) 02(01) 03(01) 1,713 0,152–19,318 0,5409
Sepsia – 03(02) 03(01) 2,115 0,107–41,698 0,4591
Outrosa 03(06) 32(20) 35(17)
Pacientesqueapresentaram complicac¸ões 05(10) 49(30) 54(26) 3,696 1,380–9,898b 0,0035b
Mortalidade 02(04) 13(08) 15(07) 1,993 0,434–9,162 0,2931
IC,intervalodeconfianc¸a;OR,oddsratio. a Menosdetrêsindivíduosemcadacategoria.
Tabela4–Distribuic¸ãodeindivíduos(comesemcomplicac¸ões)submetidosaotratamentocirúrgico,deacordocom aetiologia,topografia,morfologiadalesão,oestadoneurológiconomomentodainternac¸ão(ASIA),estadosindrômico, aslesõesassociadasaoTRM,complicac¸õeseamortalidade
Semcomplicac¸ões, n=63(%)
Complicac¸ões, n=29(%)
Total, n=92(%)
OR IC p(testede Fisher)
Etiologiadalesão
Acidenteautomobilístico 29(46) 11(38) 40(43) 0,716 0,292–1,761 0,505 Mergulhoemáguarasa 05(08) 04(14) 09(10) 1,856 0,459–7,498 0,456 Quedaaosolo 12(19) 07(24) 19(21) 1,352 0,469–3,895 0,588 Acidentedemotocicleta 07(11) 03(10) 10(11) 0,923 0,221–3,860 1,000 Esportes 06(10) 04(14) 10(11) 1,520 0,394–5,863 0,720
Outros 04(06) – 04(04) – – –
Morfologia
Fratura-explosão 10(16) 01(03) 11(12) 0,189 0,023–1,556 0,163 Fratura-luxac¸ão 21(33) 13(45) 34(37) 1,625 0,661–3,998 0,354 Fraturalinearnocorpovertebral 02(03) 03(10) 05(05) 3,519 0,555–22,328 0,321 Listese 23(37) 08(28) 31(34) 0,662 0,523–1,735 0,481 Fraturaodontoide 05(08) 01(03) 06(07) 0,661 0,046–3,718 0,661 Contusãomedular 02(03) 04(14) 06(07) 4,880 0,839–28,378 0,076
Outros – 05(17) 05(05) – – –
Númerodeeventos 63 35
Estadoneurológiconomomentodainternac¸ão
ASIA-A 10(16) 20(69) 30(33) 11,778 4,174–33,233b <0,0001b
ASIA-B 03(05) 01(03) 04(04) 0,714 0,071–7,180 1,000
ASIA-C 13(21) 02(07) 15(16) 0,285 0,060–1,357 0,132
ASIA-D 09(14) - 09(10) 0,097 0,005–1,731 0,053
ASIA-E 26(41) 06(21) 32(35) 0,371 0,133–1,039 0,063
Coma 02(03) – 02(02) 0,417 0,019–8,970 1,000
Estadosindrômico
Cervicalgiacomparestesia 29(46) 06(21) 35(38) 3,270 1,172–9,124b 0,016b
Paraparesia 02(03) 01(04) 03(03) 1,089 0,095–12,527 1,000
Tetraparesia 16(25) 03(10) 19(21) 0,339 0,090–1,273 0,164
Tetraplegia 11(18) 19(65) 30(31) 8,982 3,288–24,536b <0,0001b
Outrosa 05(08) – 05(07) – – –
Lesãoassociada
Membroinferior 01(02) 02(07) 03(03) 4,593 0,399–52,861 0,233
Membrosuperior 06(10) 02(07) 08(09) 0,704 0,133–3,719 1,000
Traumafacial 08(13) 01(03) 09(10) 0,245 0,029–2,063 0,264
Lesõesdocourocabeludo 02(03) 02(07) 04(04) 2,259 0,302–16,898 0,588
Traumatorácico 04(06) 03(10) 07(08) 1,702 0,355–8,155 0,674
Traumatismocrânio-encefálico 15(24) 05(18) 20(22) 0,667 0,216–2,053 0,592
Outrosa 02(03) 01(03) 03(03) – – –
Indivíduoscomlesões associadas
27 11 38
Doisdiagnósticosmorfológicos simultâneosdelesão
06(10) 06(07) 35,128 1,902–648,600b 0,0007b
Alterac¸ãosensoriomotora 34(54) 23(80) 57(62) 3,270 1,172–9,124b 0,023b Mortalidade 02(03) 09(31) 11(12) 13,725 2,733–68,915b 0,0004b
IC,intervalodeconfianc¸a;OR,oddsratio.
a Apenasumindivíduoemcadacategoria.
b Estatisticamentesignificativo.
tabela 4, o traumatismo crânio-encefálico foi o trauma maiscomumnessa populac¸ão(semcomplicac¸ões=15,com complicac¸ão=6).Otraumatorácicofoiasegundalesãomais frequentemente associada a pacientes com complicac¸ões (14%). Entretanto, apenas o trauma torácico apresentou associac¸ão com a mortalidade (tabela 5). Dois pacientes sofreramtrêslesões,14duaseosdemais(n=32)apenasuma lesãoassociadaaoTRM.
As complicac¸ões mais comumente observadas foram pneumonia(66%),infecc¸ãodotratourinário(31%),atelectasias
Tabela5–Distribuic¸ãodeindivíduos(óbitoealtahospitalar)submetidosaotratamentocirúrgico,deacordocom aetiologia,topografia,morfologiadalesão,oestadoneurológiconomomentodainternac¸ão(ASIA),estadosindrômico, aslesõesassociadasaoTRM,complicac¸õeseamortalidade
Óbito(n=11) Altahospitalar(n=81) OR IC p(testedeFisher)
Lesãoassociada
Membrosuperior 02(18) 06(07) 2,778 0,486–15,885 0,244
Traumafacial – 08(10) 0,376 0,020–6,970 0,589
Traumatorácico 03(27) 02(02) 14,813 2,146–102,24b 0,011b
Traumatismocrânio-encefálico 02(18) 14(17) 1,278 0,245–6,658 0,672
Outrosa 02(18) 05(06) – – –
Indivíduoscomlesõesassociadas 06 32
Estadoneurológiconomomentodainternac¸ão
ASIA-A 10(91) 20(25) 30,500 3,671–253,41b <0,0001b
ASIA-B – 04(05) 0,749 0,038–14,852 1,000
ASIA-C 01(09) 14(17) 0,479 0,057–4,049 0,685
ASIA-D – 09(11) 0,332 0,018–6,102 0,593
ASIA-E – 32(40) 15,101 0,859–265,41 0,007b
Coma – 02(02) 1,383 0,062–30,674 1,000
Estadosindrômico
Cervicalgiacomparestesia – 35(43) 17,559 1,000–308,34 0,003b
Paraparesia – 03(04) 1,025 0,050–21,179 1,000
Tetraparesia 02(18) 17(21) 1,108 0,218–5,638 1,000
Tetraplegia 08(73) 22(27) 7,152 1,738–29,430b 0,005b
Outrosa – 07(09) – – –
Doisdiagnósticosmorfológicossimultâneosdelesão 03(27) 03(04) 10,125 1,746–58,726b 0,019b Alterac¸ãosensoriomotora 11(14) 34(42) 31,667 1,803–556,210b 0.0002
IC,intervalodeconfianc¸a;OR,oddsratio.
a Apenasumoudoisindivíduosemcadacategoria.
b Estatisticamentesignificativo.
ASIA-Efoimaisassociadoàaltahospitalar(tabela5).A tetra-plegia, asalterac¸õessensoriomotoras ea presenc¸ade dois diagnósticosde lesão morfológicaforammaisassociadas à mortalidade.Acervicalgiafoimaisassociadaàaltahospitalar (tabela5).
Discussão
Para identificar ascaracterísticas eos aspectos clínicosde pacientes comlesão medularsubmetidos acirurgia, foram analisadas asvariáveis mais associadasa cirurgia, quando comparadas com o tratamento conservador: idade, sexo e morbidade/mortalidadeemhomenssubmetidosatratamento cirúrgicocervical.
A causa mais frequente de TRM foi acidente de carro, mas essa não foi uma variável determinante na escolha dotratamento. A queda foi mais associada ao tratamento conservador;em pacientes submetidos a cirurgia, a queda esteve mais associada a pacientes idosos. O aumento do riscodequedanosidosos podeserdevidoàfraqueza mus-culoesquelética, diminuic¸ão da propriocepc¸ão e equilíbrio, comprometimentocognitivoevisual,polifarmáciaedoenc¸as associadas.12Alémdisso,fatoresculturaisediferenc¸as
regio-naisnãodevemsernegligenciados.7
Quantoaosegmentoafetado,asregiõescervicalsuperiore lombossacralforammaisassociadasaotratamento conserva-dor.Possivelmentedevidoaotamanhodocanalvertebralna colunacervical superioreàelevadaestabilizac¸ãofornecida aos ligamentos da articulac¸ão atlanto-occipital, as lesões
nessaregiãosãoestáveiseraras.Emrelac¸ãoàregiãolombar (L3-L5), um melhor prognóstico pode ser explicado pelo fatodequeocorpovertebralémaislargo,pelaquantidade de músculos, pela orientac¸ão das facetas articulares, pela estabilidade pélvica e pelos ligamentos ilio-lombares.13 A
regiãocervicalinferiorfoiamaisafetadanosindivíduosque necessitaramdecirurgiaeaidadefoiumfatordeterminante. Nessaregião,oselementosósseoseligamentaressão com-pletamente responsáveis pela estabilizac¸ão das vértebras segmentareseocanalémaisestreito;portanto,oTRMpode sermaisgrave.13Assim,osegmentoafetadodeterminaqual
tratamentoémaisadequado.
Quando submetidos a exames de imagem, observou-se umaassociac¸ãodefraturalineardocorpovertebralefratura decompressãocomotratamentoconservador;poroutrolado, listese,fratura-explosãoefratura-luxac¸ãoforammais associ-adosacirurgia.Aintervenc¸ãocirúrgicapodeestarrelacionada à necessidadedeestabilizara colunavertebralpara preve-nir lesões neurológicas ou deformidades na região lesada. Nessecontexto,aimobilizac¸ãoimediataapósqualquertipo detraumaéextremamenterelevante.13
Listese e fratura-luxac¸ão foram mais frequentemente observadasemidososeemindivíduoscomidade<60anos, respectivamente.Essasmorfologiaspromovemfalhasdastrês colunasdeDenis,10aslesõessãomaisinstáveis8,14 epodem
resultaremumprognósticoruimparaopaciente.
Listeserefere-seaodeslizamentoanteriorouposteriorem relac¸ãoàvértebrainferior.15Observou-senopresenteestudo
pro-gressivadas facetasarticularesedosdiscosintervertebrais noprocessodeenvelhecimento,15podejustificaramorfologia
maisassociadaapacientesidosos.
Empacientesmaisjovens(<60anos),oacidentede moto-cicleta foi um fator determinante para a necessidade de cirurgia.DeacordocomOliveiraetal.,16essespacientesnão
usaramequipamentos de seguranc¸aapropriados ou estive-ramenvolvidosemalgumtipo deinfrac¸ão detrânsito,são maissusceptíveisaopolitrauma.Portanto,aetiologiadalesão podejustificaramorfologia(fratura-luxac¸ão)associadaaessa populac¸ão,comapresenc¸adelesõesnosossosetecidosmoles adjacentes.Essesresultadosindicamanecessidadede investi-mentosemeducac¸ãoparaotrânsitocomomeiodeprevenc¸ão. Além disso, os pacientes mais idosos foram significati-vamentemaissubmetidosacirurgiaeapresentarammaior mortalidade.Esse resultado podeser explicado pela maior prevalênciadecomorbidadesnessespacientes.17
AsmulherescomTRMforammaisassociadasà necessi-dadedecirurgiaepresenc¸adefratura-explosão.Noentanto,o tratamentonãocirúrgicotemsidorecomendadodevidoaum prognósticofuncionalsatisfatórioapósessediagnóstico mor-fológicodelesão.18Afratura-explosãoenvolve aconstric¸ão
axialdocorpovertebral,émaisfrequenteemumaltograu deflexão,comcaracterísticacominutiva,envolveaplaca ter-minalsuperioreamargemposteriordocorpovertebralcom retropulsão do fragmento para o canal vertebral.19 A
ele-vadataxadecirurgiaemmulheresobservadasnopresente estudosedeveprovavelmenteànecessidadede descompres-sãodeelementosneuraisparapreservaroumelhorarafunc¸ão neurológica.13Portanto,umaavaliac¸ãoradiológicapode
aju-darnaescolhadeumaterapiaadequada.
Noshomens,apresenc¸adedoisdiagnósticosmorfológicos simultâneosdelesãofoiassociadaamaiormortalidade, inde-pendentementedamorfologia.Essetipodelesãorequerfusão espinhalmultinível;otratamentoémaistraumáticoparao paciente,envolvemaiortempocirúrgicoemaiorperdade san-gueintraoperatória.20Essesfatorestornamospacientesmais
vulneráveisaevoluirparaóbito.
Durante a avaliac¸ão clínica, as mulheres foram mais frequentemente associadas a paraparesia, devido à maior incidênciadefratura-explosão natransic¸ão toracolombare regiãolombar.13Essamorfologiaéfrequentementeobservada
quando a amostra está associada a acidentes automobi-lísticos. Esses resultados foram demonstrados no presente estudo.Oestadoneurológico,oestadoclínico(paresiaeplegia) e as func¸ões sensorial e motora foram variáveis associa-dasàescolhadotratamento,quandonegativas.Noentanto, quandoosindivíduosforamanalisadosdeacordocomosexo, observou-se que pior estado e alterac¸ões sensoriomotoras foramsignificativamentemaisfrequentesentreoshomens, foiumfatordeterminanteparaapresenc¸adecomplicac¸ões emortalidadequandosubmetidosàcirurgianacoluna cervi-cal.CheneChen21indicamqueessesfatoresdeprognóstico
devemseranalisadosemconjuntocomosexamesde ima-gem.Apresenc¸adefraturasinstáveisnacolunavertebralé determinantenaescolhadotratamento.
Em indivíduos submetidos ao tratamento conservador, as lesões associadas no membroinferior e o traumatismo crânio-encefálicosãomaisfrequentes.Entreospacientes sub-metidosàcirurgia, politraumafoi maisobservadoentreos
homens,alesãocerebraltraumáticaeotraumatorácicosãoos maiscomuns.Amaiorincidênciadepolitraumanoshomens estárelacionadaàmaiorfrequêncianaconduc¸ãodeveículos motorizadoseàmaiorvulnerabilidadeàviolênciaurbana.22
Portanto, acaracterizac¸ãodessespacientespodecontribuir paraprojetossociaiseeducacionaisquedevemser implan-tadosparareduzirsuaincidência.
A tetraplegia e o trauma torácico foram mais associa-dosa complicac¸ões emortalidadeemhomenssubmetidos à cirurgia na região cervical. Esses indivíduos apresentam maiscomplicac¸õesapós oTRM,especialmentepneumonia, estãoassociadosàmortalidadequandosubmetidosa cirur-gianaregiãocervical.Essasvariáveisestãorelacionadas,uma vezqueotraumatorácicoalteraamecânicapulmonar.Além disso, apneumoniapodesercausadapelaparalisiado dia-fragma (inervac¸ão: nervo frênico, nível medular: C3-C5) e deficiênciafuncionaldosmúsculosacessóriosnarespirac¸ão. Um desequilíbrio da func¸ão autonômica pode resultar em hipertrofia das glândulas mucosasnas vias aéreas inferio-reselevaràhipersecrec¸ãopulmonar.3,23Aimobilidadepode
influenciar outrascomplicac¸ões clínicas,24 o que destacaa
importânciadafisioterapiaprecocenessespacientes. Variáveis como tratamento cirúrgico, sexo masculino e presenc¸adecomplicac¸õescontribuíramparaummaiortempo deinternac¸ão.Afisioterapiaintensivatemdemonstradoser essencialnareduc¸ãodotempodepermanênciahospitalare doscustos,25 com foconareabilitac¸ão motora,intervenc¸ão
respiratóriaenousoderecursosdeeletroterapiapara esti-mularosmúsculosemdesusoapósadenervac¸ão,26prevenir
complicac¸ões clínicas,promoverumamaiorindependência funcionaleresultaremmelhorqualidadedevida.26
Conclusão
Essascaracterísticascontribuemparaummelhormanejono diagnósticodospacientes,possibilitamumtratamentomais adequadoeumaintervenc¸ãomaisrápida.Alémdisso,idadee sexoapontamparaparticularidadesquedevemser conside-radasduranteomanejoclínico.
Portanto, a caracterizac¸ão dos pacientes submetidos à cirurgiacontribuidiretamenteparaumamelhorassistência etratamento.Oconhecimentodessesfatorespossibilitaum melhorprognóstico,proporcionamelhoresinvestimentosna prevenc¸ão,reabilitac¸ãoetratamentoadequadodepacientes comTRMsubmetidosacirurgia.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
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