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Rev. Bras. Anestesiol. vol.67 número1

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Academic year: 2018

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REVISTA

BRASILEIRA

DE

ANESTESIOLOGIA

PublicaçãoOficialdaSociedadeBrasileiradeAnestesiologia

www.sba.com.br

ARTIGO

CIENTÍFICO

O

efeito

de

levobupivacaína

intra-articular

na

cartilagem

do

ombro

em

doses

diferentes---estudo

experimental

Mustafa

Soner

Özcan

a

,

Mahmut

Kalem

b

,

Meneks

¸e

Özc

¸elik

c

,

Ercan

¸ahin

S

d,∗

,

Sanem

C

¸akar

c

,

Nazlı

Hayırlı

e

,

Oya

Evirgen

c

e

Feyhan

Ökten

c

aOccupationalDiseasesHospital,DepartmentofAnesthesiologyandReanimation,Ankara,Turquia bAnkaraUniversity,FacultyofMedicine,DepartmentofOrthopedics&Traumatology,Ankara,Turquia cAnkaraUniversity,FacultyofMedicine,DepartmentofAnesthesiologyandReanimation,Ankara,Turquia dBülentEcevitUniversity,FacultyofMedicine,DepartmentofOrthopedics&Traumatology,Zonguldak,Turquia eAnkaraUniversity,FacultyofMedicine,DepartmentofHistologyandEmbriology,Ankara,Turquia

Recebidoem26demaiode2015;aceitoem17deagostode2015 DisponívelnaInternetem28desetembrode2016

PALAVRAS-CHAVE

Articulac¸ão glenoumeral; Condrólise; Levobupivacaína

Resumo

Justificativaeobjetivo:Nesteestudooobjetivofoiexaminarosefeitoshistológicose

morfo-métricossobreaestruturadacartilagemdaaplicac¸ãointra-articulardelevobupivacaína em articulac¸ãodoombro.

Métodos: Trintaecincoombrosde20coelhosNewZealand,machoseadultos,foramusados

paraoestudoedivididos emcincogrupos desete.OsgruposforamdefinidoscomoL1,L2, L3eL4,consistiramem ombrosdireitosnosquais levobupivacaínaa0,25%e0,5%foi admi-nistrada;oGrupoC,queconsistiuemombrosesquerdos,foiogrupocontrole;osgruposS1e S2,queconsistiramemombrosesquerdos,receberamsoluc¸ãosalinaa0,9%.Osanimaisforam sacrificadosnosegundoeno15◦dia;asarticulac¸õesglenoumeraisforamavaliadas macroscopi-camentee,emseguida,amostrasdecartilagemforamcoletadas.Asamostrasforamavaliadas comoescoredeMankinehistomorfometricamente.Mediu-seaespessuradacartilagementre acamadasuperficialea‘‘linhademaré’’(tidemark)eaespessuradacartilagemcalcificada entreatidemarkeoossosubcondral.

Resultados: Macroscopicamente,observou-seno 15◦ dia queo líquidoarticular havia

redu-zidoemtodosos grupos.Apósaavaliac¸ãomicroscópica,omaiorescoredeMankin(média: 3,14±2,1/14) foi observado no grupo L4 (15◦ dia levobupivacaína a 0,5%), considerado estatisticamentesignificativo(p<0,05).Nenhumadiferenc¸aestatisticamentesignificativafoi determinadaentreosoutrosgrupos.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](E.S¸ahin). http://dx.doi.org/10.1016/j.bjan.2016.09.008

(2)

Conclusões: Histologicamente,comoomaiorescoredeMankinfoiobservadonoGrupoL4,isso indicaqueemumaúnicainjec¸ãointra-articulardelevobupivacaínaumaconcentrac¸ãobaixa deveserselecionada.

Níveldeevidência:Nível5,estudoemanimais.

©2016SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eum artigo OpenAccess sobumalicenc¸aCCBY-NC-ND (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

KEYWORDS

Glenohumeraljoint;

Chondrolysis; Levobupivacaine

Theeffectofintra-articularlevobupivacaineonshouldercartilageatdifferent doses---experimentalstudy

Abstract

Backgroundandobjectives: Inthisstudyitwasaimedtoexaminethehistologicaland

morpho-metric effectsoncartilagestructure ofintra-articularapplicationoflevobupivacainetothe shoulderjoint.

Methods:IntwentyNewZealandadultmalerabbits,35shoulderswereusedforthestudyand

preparedin5groupsof7.ThesegroupsweredefinedasGroupsL1,L2,L3andL4whichwere rightshouldersadministeredwith0.25%and0.5%levobupivacaine, GroupCwhichwereleft shouldersasthecontrolgroupandGroupsS1andS2whichwereleftshouldersadministered with0.9%saline.Onthe2ndand15thdaystheanimalswerekilled,theglenohumeraljoints wereevaluatedmacroscopicallythencartilagesamplesweretaken.Thesesampleswere evalu-atedwithMankinscore,andhistomorphometricallybymeasuringthethicknessofthecartilage between the superficial cartilage layer and the tidemark and the thickness of calcified cartilagebetweenthetidemarkandthesubchondralbone.

Results:Macroscopically, onthe15thdaythejointfluidwasseentohavereducedinallthe

groups.Aftermicroscopicevaluation,thehighestMankinscore(mean:3.14±2.1/14)wasin the L4 group (15th day 0.5% levobupivacaine) and was found tobe statistically significant (p<0.05).Nostatisticallysignificantdifferencewasdeterminedbetweentheothergroups.

Conclusions: Histologically,asthehighestMankinscorewasintheL4group,thisindicatesthat

inasingleintra-articularinjectionoflevobupivacainealowconcentrationshouldbeselected.

Levelofevidence: Level5,animalstudy.

©2016SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.Publishedby ElsevierEditoraLtda.Thisisan openaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introduc

¸ão

Embora atualmente haja um melhor entendimento dos

mecanismosdadoreevidênciasdeavanc¸osnotratamento,

ainadequac¸ãomédicanocontrole dador noperíodo

pós--operatóriopermaneceeamaioriadospacientesqueixa-se

de dorapós a cirurgia.1 O tratamento insuficienteda dor

é umdos fatores que afetam o processo de recuperac¸ão

dopacientee,porestenderapermanênciahospitalar,tem

umefeitonegativonastaxasdemorbidadeemortalidade.

Oobjetivo maisimportante notratamento dador no

pós--operatórioéproporcionarumaanalgesiaeficaz,semcausar

qualquerefeitosecundáriograve.Portanto,paraevitaros

efeitos colaterais de doses elevadas de morfina, que é o

padrão-ouro da analgesia preventiva, programas de

blo-queiosdenervosperiféricos,deinfiltrac¸ãodolocaldaferida

edeanalgesiamultimodalforamdesenvolvidos.Nesse

con-texto, a injec¸ão intra-articular é uma das técnicas mais

populares.

A administrac¸ão intra-articular de anestésico local em

injec¸ãoúnicaouinfusãocontínuaéummétodoamplamente

usado de controle da dor em artroplastias de ombro e

joelho.2,3 O método é usado para obter tanto analgesia

noperioperatório quanto anestesia local e regional.4---7 O

anestésicolocalusadocommaisfrequênciaparainfiltrac¸ão

intra-articular é a bupivacaína.8 A injec¸ão de diferentes

doses de bupivacaína por via intra-articular mostrou que

esseagenteanestésicolocaléeficazemanestesiano

intra-operatório e analgesiano pós-operatório.4,9---12 Porém, em

estudos in vitro, um efeito condrotóxico de bupivacaína

associadoàdoseeaotempofoirelatado,motivopeloqual

seuusoélimitado.13---17

Emestudosanteriorescomvoluntários,levobupivacaína

mostrousertãoeficazcomobupivacaína,proporcionaefeito

analgésico mais prolongado e forte e com menos

toxici-dade cardiovasculare nosistema nervoso central.18---21 No

entanto,háumnúmerolimitadodeestudosqueavaliamo

usointra-articular delevobupivacaína em artroscopias de

ombroejoelho.22---24

Oobjetivodesteestudofoiexaminar,histológicae

mor-fometricamente,osefeitosdaaplicac¸ãointra-articularde

(3)

Material

e

métodos

A aprovac¸ão para o estudo foi concedida pelo Comitêde

ÉticaemExperimentac¸ãoAnimaldauniversidade.Oestudo

foi feito noLaboratório de Morfologia Animal no Campus

da Universidade com 20 coelhos Nova Zelândia, machos

adultos,entre12-15mesesecompesomédiode3kg.Como

usodeambososombrosdoscoelhos,35ombrosforam

pre-paradosem cincogruposdesete.Adesignac¸ãodosgrupos

foifeitade modo cegoe após o procedimentoas orelhas

forametiquetadas com a letra e o númerodo grupo; em

seguida, osanimais foram alojados, dois em cada gaiola.

OsombrosdireitosdoscoelhosforamdefinidoscomoGrupo

Lparareceberlevobupivacaínaa0,25%e0,5%;osombros

esquerdosforamdefinidoscomoGrupoC(controle)e

aque-les que receberam soluc¸ão salina a 0,9% foram definidos

comoGrupoS.

Osgruposlevobupivacaínaesalinaforamsubdivididosno

Dia2(levobupivacaínaa0,25%e0,5%comogruposL1eL2

e Grupo S1) e noDia15 (levobupivacaína a 0,25% e 0,5%

comogrupos L3e L4 e Grupo S2) paraa coletade

mate-rial de necropsia. Comonão havia dados preliminares de

referência,quedefinissemovolumecapsulardaarticulac¸ão

glenoumeraldocoelhooumostrassemcomoeemquedose

levobupivacaínadeviaseradministradaaoscoelhos,os

estu-dos clínicos e experimentais de bupivacaína em coelhos

foramlevadosemconsiderac¸ãoeaquantidadeaser

admi-nistradafoicalculadaem0,5mLpara3kg.15,25

Procedimentocirúrgico

Apósseishorasdejejum,asedac¸ãoeaanalgesiados

ani-maisforam obtidasmedianteadministrac¸ãointramuscular

decloridratode xilazina(5mg.kg−1)e cloridrato de

ceta-mina(5mg.kg−1).Apósapreparac¸ãoestéril, aarticulac¸ão

glenoumeralfoilocalizadaporpalpac¸ão.Comuminjetorde

insulina decalibre38G, primeiro o espac¸o daarticulac¸ão

foi confirmado por aspirac¸ão do líquido intra-articular e

depoisoagente experimentalfoi injetadonoespac¸o

arti-cular.Asdosespreviamentedefinidasdelevobupivacaínaa

0,25%foramadministradasaosombrosdireitosde10

coe-lhoselevobupivacaínaa0,5%aosombrosdireitosdosoutros

10coelhos.NaCla 0,9%foi administradana dose definida

paraosombrosesquerdosde10coelhos.Osombrosdos

ani-maisforamentãoseparadosemsete gruposdecincopara

a coleta de material de necropsia nos dias 2e15 após o

procedimento.

Análisemacroscópicaeamostragemdacartilagem

Oscoelhosforamsacrificadosnosdias2e15comdose

ele-vada de agente anestésico (tiopental sódico 150mg.kg−1)

porviaintraperitonealeasarticulac¸õesglenoumeraisforam

abertas.Apósaavaliac¸ãomacroscópicadasuperfíciee da

cor da cartilagem articular glenoumeral e daquantidade

delíquido sinovial intra-articular, amostras de cartilagem

foramcoletadasdacabec¸adoúmero,comumtrocarte

afi-adode4mmdediâmetro,queéusadoparaatransferência

de cartilagem em cirurgia ortopédica (mosaicoplastia). A

opc¸ãopelousonãofoicausarqualquerdanoiatrogênicoao

campodacartilagem.

Tabela1 SistemadeGraduac¸ãoHistológica/Histoquímica (HHGS)

1.Estrutura

(A)Normal 0

(B)Irregularidadesdasuperfície 1 (C)Irregularidadesdasuperfícieedopannus 2 (D)Fissurasnazonadetransic¸ão 3 (E)Fissurasnazonaradial 4 (F)Fissurasnazonacalcificada 5 (G)Desorganizac¸ãocompleta 6

2.Células

(A)Normal 0

(B)Hipercelularidadedifusa 1

(C)Clonagem 2

(D)Hipocelularidade 3

3.Colorac¸ãocomsafranina-O

(A)Normal 0

(B)Reduc¸ãoleve 1

(C)Reduc¸ãomoderada 2

(D)Reduc¸ãograve 3

(E)Semcoranteobservado 4

4.Integridadedalinhademaré

(A)Intacta 0

(B)Atravessadaporvasossanguíneos 1

OescoredoHHGS deMankin éa somadeestrutura,células, colorac¸ãocomsafranina-Oeintegridadedalinhademaré.

Análise

histológica

Asamostrascoletadasdetecidodacartilagemforam

colo-cadasemsoluc¸ãodeformalinatamponadaa10%paraexame

emmicroscópiodeluz.Após48horasdefixac¸ãonasoluc¸ão,

asamostrasdetecidoforamdescalcificadasemumasoluc¸ão

dedescalcificac¸ãocontrolada,preparadaem proporc¸ãode

1:1deácidofórmicoa8%eácidoclorídricoa8%.Emseguida

aoprocessodedescalcificac¸ão,asamostrasdetecidoforam

desidratadas em umasériegraduada de etanole

embebi-dasemparafina.Assec¸õesde7␮mextraídasdosblocosde

parafinaforamcoradascomhematoxilina-eosina(HE)para

examederotinaecoradascomtricromodeGomoriemuma

etapaecorantedeGiemsaparaavaliaramatriz

extracelu-lardacartilagem.Oscortesforamanalisadosefotografados

com microscopia de luz (Leica DM 3000 fotomicroscópio)

paraaestruturahistomorfológica.

Paramensurac¸õeshistomorfométricas,assec¸õescoradas

com HE de cada animal foramselecionadas. Três campos

foramaleatoriamenteselecionadosemcadasecc¸ãoe,com

o uso de um micrômetro ocular em ampliac¸ão de 10×,

a espessura da cartilagem entre a camada superficial da

cartilagem e a tidemark (linha de maré --- entre camada

profundadacartilagemezonacalcificada)eaespessurada

cartilagemcalcificadaentreamarcademaréeoosso

sub-condral foram medidas.Para obter umapadronizac¸ão, as

mensurac¸õesforamfeitasemparalelo àscolunas de

célu-las da cartilagem. Em cada secc¸ão, o número de linhas

de marés foi registrado. Todas as sec¸ões foram

avali-adas por dois histologistas experientes, cegados para a

(4)

a

S

D M

S

CCZ

CCZ S

M

D M

D

CCZ

b

c

Figura1 Fotomicrografiadacartilagemarticulardosgruposcontrole(a),S1(b)eS2(c).S,zonasuperficial;M,zonamédia;D, zonaprofunda;CCZ,zonadecartilagemcalcificada;seta,linhademaré;HE,10×obj;barras,100␮m(enseada40×,barra:30␮m).

Histológica/Histoquímica (Histological-Histochemical

Gra-dingSystem [HHGS])de Mankine os pontos noescore de Mankinforamregistrados(tabela1).

Análiseestatística

Todososdadosforamcomparadosentreosgrupos

separa-damente,comousodotestedeKruskal-Wallis.Aespessura

dacartilagementreacamadasuperficialealinhademaré

e a espessura da cartilagem calcificada entre a linha de

marée o osso subcondral foramestatisticamente

analisa-dascom oteste Anova.Umvalor-p<0,05foiaceito como

estatisticamentesignificativo.

Resultados

Avaliac¸ãomacroscópica

Aaparênciadaarticulac¸ãoglenoumeralexpostadurantea

experiênciafoiexaminada.Macroscopicamente,a

superfí-ciearticulareraregularealterac¸õesanormais decornão

foram observadas em todos os grupos. O líquido sinovial

intra-articularestavaclaroena consistência,masa

quan-tidadeerapequena.Quandoosgruposforamcomparados,

observamosqueolíquidointra-articularnosombrosdos

coe-lhos que foram necropsiados no 15◦ foi reduzido ao que

poderiaserdescritocomonenhum.

Avaliac¸ãomicroscópica

Nogrupocontrole(GrupoC)enosgruposaosquaissoluc¸ão

salina (0,5mL) foi administrada por via intra-articular

(grupos S1-2) era normal a aparência das células

carti-laginosos e da estrutura das camadas superficial, média

(transicional)eprofunda(radial)dacartilagemhialinaeda

zonadecartilagemcalcificadadassec¸õesdecartilagem

exa-minadas.Observamosquealinhademaré(alinhadaáreade

transic¸ão)estavaininterruptaeescuracomcorantebasófilo

(fig.1,A-C).

No grupo que recebeu levobupivacaína a 0,25% e

necropsia no segundo dia (Grupo L1), observamos leve

irregularidade na superfície da cartilagem, um número

aumentadodelinhasdemarée hipertrofiadecondrócitos

nacamadamédia.Nogrupoquerecebeulevobupivacaínaa

0,5%(GrupoL2),observamosquebrasdispersasnalinhade

maréeirregularidadenascolunasdecondrócitosnacamada

profunda (figs. 2 A e 2 B). Houve umaumento nos

esco-res de Mankin de ambos os grupos, em comparac¸ão com

o grupo controle. Quando as características da colorac¸ão

comGiemsaforamexaminadas,observamosquehouveuma

reduc¸ão na matriz extracelular da cartilagem corada em

ambasasdoses,emcomparac¸ãocomogrupocontrole.Nas

preparac¸ões coradas com tricromo, o grupo que recebeu

levobupivacaínaa0,5%(GrupoL2)apresentoucolorac¸ãona

estruturadamatrizextracelularnaáreadecartilagem

cal-cificada(figs.3A-D).

Nogrupoquerecebeulevobupivacaínaa0,25%e

necrop-siano15◦dia(GrupoL3)houveirregularidadenasuperfície

da cartilagem e hipocelularidade e no grupo que

rece-beu levobupivacaína a 0,5% (Grupo L4) houve aumento

do número de linhas de maré e reduc¸ão do número de

células nas camadas média e profunda (fig. 4). Quando

as características das colorac¸ões com Giemsa e tricromo

foramexaminadas,observamosquehouveumareduc¸ãona

colorac¸ãodamatrizextracelulardacartilagememambasas

a

b

D

(5)

a

b

c

d

CCZ

CCZ h

v

h

Figura3 Colorac¸ãodamatrizextracelulardacartilagemarticulardosgruposC(a),L1(b),L2(ced).(a)Seta,linhademaré; estrelas,colorac¸ãonormaldamatrizextracelular;CCZ,zonadecartilagemcalcificada;h,margensdocanal;v,canaldeValkmann. (bec)Estrelas,reduc¸ãonacolorac¸ãodamatrizextracelulardacartilagem,Giemsa.(d)Estrelas,estruturadamatrizextracelular naáreadecartilagemcalcificada,tricromodeGomori,10×obj,barras:100␮m.

a

S

M

D

CCZ

M S

D

b

Figura4 FotomicrografiadacartilagemarticulardosgruposL3(a)eL4(b).S,zonasuperficial;M,zonamédia;D,zonaprofunda; CCZ,zonadecartilagemcalcificada;setas,linhademaré;estrelas,hipocelularidade;setagrossa,irregularidadedasuperfície,HE, 10×obj,barras:100␮m(enseada:váriasmarcasdemarés,40×obj,barra:30␮m).

a

b

CCZ

CCZ

CCZ

BM

BM BM

c

(6)

Tabela2 Dadoshistopatológicoseanáliseestatísticadosgrupos

Controle Levobupivacaínaa0,25% Levobupivacaínaa0,5% Salina0,5mL p Dia2(L1) Dia15(L3) Dia2(L2) Dia15(L4) Dia2(S1) Dia15(S2)

Média±DP Escorede

Mankin(0-14)

0,86±0,378 3,57±1,134 4,43±1,718 3,86±1,215 5±1,155a 0,86±1,069 3,14±2,193

CS-MMb(

␮m) 280±68,07 260±75,41 272±45,11 221±56,02 282±97,30 276±55,60 222±49,29 n.s. MM-OSCc

(␮m)

90±18,70 73±24,67 79±30,20 98±13,19 88±13,61 96±10,42 71±18,40 n.s.

N◦deMM Mediana (min-max)1 (1-4) Mediana (min-max)2 (1-4) Mediana (min-max)3 (2-5) Mediana (min-max)3 (1-4) Mediana (min-max)2 (1-5) Mediana (min-max)1 (1-4) Mediana (min---max) 3(2---5)

n.s.

a OescoremaisaltodeMankinfoiobservadonoGrupoL4(p<0,05).

b Espessuradacartilagementreacamadasuperficial(CS)ealinhademaré(MM).

c Espessuradacartilagemcalcificadaentrealinhademaré(MM)eoossosubcondral(OSC).

doses,emcomparac¸ãocomogrupocontrole,efissurasque

seestendiam dasuperfícieatéaregião médiatransicional

foramobservadas. Nos preparados corados com tricromo,

oGrupoL3apresentoucolorac¸ãoreduzidadamatriz

extra-celularnaáreadacartilagemsuperficialehipocelularidade.

NoGrupoL4,colorac¸ãofoiobservadanaestruturadamatriz

extracelularna áreadacartilagemcalcificada(fig. 5).Um

aumentofoi observadonoescore deMankinem ambos os

grupos, em comparac¸ão com o grupo controle, e o maior

escore foi observado no Grupo L4 (p<0,05) (figs. 4 e 5)

(tabelas1e2).

OescoredeMankinfoimaiornosgruposL1,L2eL3doque

nosgruposcontroleeS1eadiferenc¸afoiestatisticamente

significativa(p<0,05).OescoredeMankindoGrupoS1foi

semelhanteaodogrupocontrole.Aoexamehistológicodo

GrupoS2,oescoredeMankinfoiestatisticamentealto,em

comparac¸ãocomodogrupocontrole(p<0,05).

Nãohouvediferenc¸aestatisticamentesignificativaentre

osgruposna comparac¸ãodosvaloresmédios daespessura

dacartilagementreacamadasuperficialealinhademaré

e daespessura dacartilagem calcificada entre a linhade

maréeoossosubcondral(p>0,05).

Não houve diferenc¸a estatisticamente significativa na

comparac¸ão entreos grupos de estudo e controle quanto

aonúmerodelinhasdemaré(p>0,05).

Discussão

Embora a administrac¸ão de anestesia local por via

intra--articularnoperíodoperioperatóriosejavistacomosegura,

há muitos estudos recentes que examinaram os efeitos

dosanestésicoslocaissobreacartilagemarticular.13---17,25---29

Estudos anteriores foram orientados a chamar a atenc¸ão

de ortopedistas e anestesiologistas parao potencial dano

que poderiaocorrerna cartilagem articularcom ouso de

aplicac¸ãointra-articulardeanestesialocal,isoladamenteou

comoutrosmedicamentosecomoinjec¸ãoúnicaouinfusão

contínua.Comoumdosresultadosdeumaanáliseconduzida

por Piperet al., sobrea condrotoxicidade de anestésicos

locais, relatou-se queas doseselevadas devem ser

evita-dasequeosresultadosdeumaúnicainjec¸ãointra-articular

nãoeram esclarecedores e havia necessidade de estudos

adicionais.25

EmumestudoconduzidoporBakeretal.,oefeitoinvitro

em24horasdedosesdiferentesdebupivacaína,ropivacaína

e levobupivacaína foi avaliado em cultura de

condróci-tos humanos e os autores relataram que um aumento

significativo do nível de danos aos condrócitos foi

obser-vado nos grupos com doses elevadas de anestésico local.

Relatou-se que o efeito condrotóxico foi dependente da

dose.27 De forma semelhante, em um estudo conduzido

por Güngör et al., diferentes concentrac¸ões de

bupiva-caína e levobupivacaína foram adicionadas a culturas de

células cartilaginosas de ratos e, após 48horas,

relatou--se que o efeito condrotóxico foi dependente da dose.28

No presente estudo, em paralelo com esses dois estudos

mencionados, observamos que nos grupos que receberam

diferentes concentrac¸ões de levobupivacaína em injec¸ão

intra-articular única, tanto nosegundo quantonodécimo

quintodia,acartilagemfoiafetada.

O escore de Mankin foi significativamente alto no

GrupoL4.Diferentementedosestudosanteriores,aoexame

histológico,oGrupoL4apresentouformac¸ãodefissurasque

seestendiamparaacamadamédiatransicional,aparência

hipocelular, irregularidade na linha de maré, grau leve e

moderadodeperdadacolorac¸ãonamatrizextracelularda

cartilagem. Como pareceu haver uma degenerac¸ão maior

dacartilagem articular,pensamos que o efeito

condrotó-xicopoderiapersistiraolongodotempo.Considerandoque

o dano à cartilagem pode ser desenvolvido ao longo do

tempocom o uso de levobupivacaína intra-articular, esse

achadotambém mostra a necessidadede usá-la em dose

baixa. Corroborandoos achados de nosso estudo, Molinos

etal.consideraramqueoefeitocondrotóxicode

levobupi-vacaínafoidependentedotempoe,apósartroplastiatotal

dejoelho, colheram amostras de cartilagem humana que

foramexpostaspor15,30e60minàlevobupivacaínaa0,5;

bupivacaínaa0,5%esorofisiológicoa0,5%emculturasde

células.Omaiorefeitocondrotóxicoobservadoocorreuapós

umahoradeexposic¸ãoàlevobupivacaína.29

Em nosso estudo, a observac¸ão macroscópica de

reduc¸ãodolíquidosinovialem todososgruposdeestudo,

(7)

nutric¸ãoreduzidadacartilagemdevidoàdiluic¸ãodolíquido

podesero efeito tóxicode levobupivacaínae esseefeito

ficariamaisevidentena fasetardia. Acartilagem hialina,

querevestea superfície dasarticulac¸õessinoviais,é uma

estrutura avascular que depende do líquido sinovial para

proverasnecessidadesmetabólicas.Qualquerlíquido

inje-tadonoespac¸oarticularpodemudaracomposic¸ãodolíquido

sinovialoudiluí-loe,nessecaso, anutric¸ãodacartilagem

articular é interrompida. Como a cartilagem articular do

joelhoé espessae a cavidadeintra-articular é ampla,há

umapossibilidademenor deprejudicara nutric¸ãoda

car-tilagemarticularquepoderiaocorrerdevidoàpressãoeà

diluic¸ãodolíquido.Devidoàestruturaanatômicae

histoló-gicadacartilagemarticulardoombro,acredita-sequeuma

únicainjec¸ãointra-articularcomdoseelevadadeanestésico

localpoderiacausarumdanomaioraessaarticulac¸ão.

Comonenhumadiferenc¸aestatisticamente significativa

foiobservadanasmedidas dascamadasdacartilagem em

comparac¸ão com as do grupo controle, pode-se pensar

que não houve alterac¸ão referente à espessura das

camadasdacartilagem.Osvaloresforamsemelhantes aos

relatadosnaliteraturaemestudosqueavaliaramacamada

calcificadadacartilagem.30

Emboraaprincipallimitac¸ãodenossoestudotenhasidoa

escolhadeummodeloanimalquenãorepresentaasituac¸ão

clínica,poislidamoscomombroslesionadosoucom

patolo-gias,oestudo demonstrouque,em injec¸ão intra-articular

únicadelevobupivacaína,umaconcentrac¸ãobaixae

quan-tidadepequenadototaldelíquidointra-articulardevemser

preferidas, considerandoos efeitos condrotóxicos a longo

prazo.

Conclusão

Embora estudos adicionais devam ser feitos para

recomendac¸ões finais, de acordo com o nosso estudo,

a abordagem clínica com dose única de levobupivacaína

administrada por via intra-articular deve incluir doses

baixasparaartroscopiadeombro.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

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Imagem

Tabela 1 Sistema de Graduac ¸ão Histológica/Histoquímica (HHGS)
Figura 1 Fotomicrografia da cartilagem articular dos grupos controle (a), S1 (b) e S2 (c)
Figura 3 Colorac ¸ão da matriz extracelular da cartilagem articular dos grupos C (a), L1 (b), L2 (c e d)
Tabela 2 Dados histopatológicos e análise estatística dos grupos

Referências

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