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Rev. Bras. Anestesiol. vol.67 número6

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Academic year: 2018

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RevBrasAnestesiol.2017;67(6):555---564

REVISTA

BRASILEIRA

DE

ANESTESIOLOGIA

PublicaçãoOficialdaSociedadeBrasileiradeAnestesiologia

www.sba.com.br

ARTIGO

CIENTÍFICO

Dispersão

axilar

de

anestésico

local

após

bloqueio

interfascial

torácico

guiado

por

ultrassom

-

estudo

radiológico

e

em

cadáver

Patricia

Alfaro

de

la

Torre

a

,

Jerry

Wayne

Jones

Jr.

b

,

Servando

López

Álvarez

c

,

Paula

Diéguez

Garcia

c

,

Francisco

Javier

Garcia

de

Miguel

d

,

Eva

Maria

Monzon

Rubio

e

,

Federico

Carol

Boeris

f

,

Monir

Kabiri

Sacramento

g

,

Osmany

Duany

h

,

Mario

Fajardo

Pérez

i,∗

e

Borja

de

la

Quintana

Gordon

j

aTajoUniversityHospital,Madri,Espanha

bUniversityofTennesseeHealthScienceCenter/RegionalOneHealth,CollegeofMedicine,DepartmentofAnesthesiology,TN,

EUA

cHospitalComplexoHospitalariodeACoru˜na,Coru˜na,Espanha

dHospitalGeneraldeSegovia,DepartamentodeAnestesia,Segovia,Espanha

eTajoUniversityHospital,DepartamentodeAnestesia,Madri,Espanha

fHospitalUniversitarioParcTauliSabadell,Sabadell,Espanha

gHospitalUniversitáriodeGuadalajara,Guadalajara,Espanha

hPrimaryCareandChronicPainManagementAttending,DepartmentofVeteransAffairs,Muskogee,OK,EUA

iHospitalUniversitariodeMóstoles,Madri,Espanha

jHospitalUniversitariodeMóstoles,DepartamentodeAnestesia,Madri,Espanha

Recebidoem23defevereirode2015;aceitoem14deabrilde2015 DisponívelnaInternetem1desetembrode2017

PALAVRAS-CHAVE

Anestesiapor conduc¸ão; Axila;

Músculosintercostais; Bloqueiodoplexo braquial;

Nervosintercostais; Excisãodelinfonodo; Ultrassonografia

Resumo

Justificativa: Osanalgésicosoraisàbasedeopioidestêmsidousadosparaomanejodaanalgesia nosperíodosperiepós-operatóriodepacientessubmetidosàlinfadenectomiaaxilar.Aregião axilaréumazonadifícildebloquearenãoháregistrodeumatécnicadeanestesiaregional específicaqueoferec¸aoseubloqueioadequado.

Métodos: Apósaaprovac¸ãodoConselhodeÉticainstitucional,estudosanatômicose radiológi-cosforamfeitosparadeterminaradeposic¸ãoedisseminac¸ãodeazuldemetilenoeanestésico local,respectivamenteinjetadosnaaxilaviaplanointerfascialtorácico.Examesderessonância magnéticaforamentãofeitosem15de34pacientesprogramadosparacirurgiademama uni-lateralqueenvolveriaqualquerumdosseguintesprocedimentos:esvaziamentoaxilar,biópsia delinfonodosentinela,biópsiadelinfonodoaxilaroumamassupranumerárias,paraverificara deposic¸ãoeotempodepropagac¸ãodasoluc¸ãodentrodoplanointerfascialtorácicoinvivo. Resultados: Estudosradiológicoseemcadáveresmostraramqueainjec¸ãodeanestésicolocale azuldemetilenoviaplanointerfascialtorácicocomatécnicaguiadaporultrassomresultaem

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](M.F.Pérez).

http://dx.doi.org/10.1016/j.bjan.2016.10.009

(2)

deposic¸ãoconfiávelnaaxila.Nospacientes,ainjec¸ãodeanestésicolocalproduziuumbloqueio sensitivoaxilarconfiável.Esseachadofoicorroboradoporestudosderessonânciamagnética quemostraramsinaishiperintensosnaregiãoaxilar.

Conclusões:Essesachadosdefinemascaracterísticasanatômicasdobloqueiodaregiãoaxilar edestacamopotencialclínicodessesnovosbloqueios.

©2016SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eum artigoOpen Accesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND( http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

KEYWORDS

Anesthesia, conduction; Axilla;

Intercostalmuscles; Brachialplexusblock; Intercostalnerves; Lymphnodeexcision; Ultrasonography

Axillarylocalanestheticspreadafterthethoracicinterfacialultrasoundblock---a cadavericandradiologicalevaluation

Abstract

Background: Oralopioidanalgesicshavebeenusedformanagementofperi-andpostoperative analgesiainpatientsundergoingaxillarydissection.Theaxillaryregionisadifficultzonetoblock anddoesnothaveaspecificregionalanesthesiatechniquepublishedthatoffersitsadequate blockade.

Methods:After institutionalreview boardapproval,anatomicandradiological studies were conducted todetermine the depositionand spreadofmethylene blueand local anesthetic injectedrespectivelyintotheaxillaviathethoracicinter-fascialplane.MagneticResonance Imagingstudieswerethenconductedin15of34patientsscheduledforunilateralbreastsurgery thatentailedanyofthefollowing:axillaryclearance,sentinelnodebiopsy,axillarynodebiopsy, orsupernumerarybreasts,toascertainthedepositionandtimecourseofspreadofsolution withinthethoracicinterfascialplaneinvivo.

Results:Radiologicalandcadavericstudiesshowedthattheinjectionoflocalanestheticand methyleneblueviathethoracicinter-fascialplane,usingultrasoundguidetechnique,results inreliabledepositionintotheaxilla.Inpatients,theinjectionofthelocalanestheticproduced areliableaxillary sensoryblock.Thisfinding wassupportedbyMagneticResonanceImaging studiesthatshowedhyper-intensesignalsintheaxillaryregion.

Conclusions:These findings define the anatomiccharacteristics ofthe thoracic interfascial planenerveblockintheaxillaryregion,andunderlinetheclinicalpotentialofthisnovelnerve block.

©2016SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.PublishedbyElsevierEditoraLtda.Thisisan openaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense( http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introduc

¸ão

Os pacientes submetidos à cirurgia axilar sofrem diver-sos tipos de dor e desconforto no pós-operatório.1 Até o

momento não há uma técnica de anestesia regional gui-ada por ultrassom que proporcione o bloqueio adequado docompartimentoaxilar.Obloqueioparavertebraltorácico (BPT)éaprincipaltécnicadeanestesiaregionalusadaem cirurgiade mama,2,3 masnão fornece analgesiacompleta

à parede torácica anterior e lateral devido a inervac¸ões dosnervossupraclaviculares(C4---C5),peitoral lateral[PL] (C5---C6),peitoral medial[PM](C8---T1)e braquial cutâneo medial [BCM] (C8---T1).4 A dor crônica que ocorre após a

dissecc¸ãoaxilar(DA) muitasvezesé oresultado de trata-mentoinadequadodadoragudanopós-operatório.5---7

ConformedescritoporMooreeDalley,8aaxilatemquatro

paredes,dasquaistrêssãomusculares(fig.1).Ainervac¸ão sensorialcutâneadaaxilaéfornecidapelosnervos intercos-tobraquiais(nICB)ebraquial-cutâneomediano(nBCM).

No presente estudo, discutiremos três técnicas inter-fasciaistorácicas guiadasporultrassom.9---13 Essastécnicas

foramrecentementedescritas,com efeitos encorajadores

sobreobloqueiodosaferentesneuraisdaparedetorácica, apesardos poucos casosrelatados.8---11 Porém,as

caracte-rísticasanatômicasdetalhadaseadispersãodoanestésico local(AL)nessesbloqueiosinterfasciaisguiadospor ultras-som ainda não foram determinadas. A nossa hipótese foi que ainjec¸ão deALnoplanointerfascial daparede torá-cicaanterolateralproduziriapropagac¸ãosuficientenafáscia axilardevidoàconexãointerfascialdosmúsculosque for-mamaparedeaxilar.Essaabordagempodeajudaradiminuir a doraguda nopós-operatório de pacientessubmetidos à dissecc¸ãoaxilar econstituirumaopc¸ão paraoutras técni-casusadasparaforneceranalgesiaapóscirurgiademama. Consideramosfáceisessastécnicasdebloqueios interfasci-ais: são bloqueios superficiais e a ecoanatomia é fácil de entender.9---11,13---17

O bloqueio Pec14 parece ser particularmente útil para

pacientes com expansores de mama colocados durante a cirurgia reconstrutiva de câncer de mama ou próteses subpectorais.13

Aabordagemanteriorparaobloqueiofascialdo serrátil--intercostal(BFSI)15envolveainjec¸ãodeALentreomúsculo

(3)

Dispersãoaxilardeanestésicolocalapósbloqueiointerfascial 557

Ápice

Parede posterior

Base

Base

MPMM

mpm mSA LD mBB

Parede posterior

Parede medial

Parede anterior

2º U

E

s

t

e

r

n

o

Clavícula

Figura1 Oslimitesdaaxila.MPM,músculopeitoralmaior;mpm,músculopeitoralmenor;mSA,músculoserrátilanterior;LD,

latissimusdorsi;mBB,músculobícepsbraquial;U,úmero.

doBFSIfoirelatadamedianteosachadosdescritosemdois estudos observacionais com pacientes não submetidos à cirurgiareconstrutivademama.11,15

Dissecc¸ão cadavéricae estudo radiológico foramfeitos comoobjetivodecaracterizarainjec¸ãodoBFSI,bemcomo avaliarapropagac¸ãodeagentesanestésicoslocaisinjetados atravésdesseplanointerfascial.

Métodos

Foram recrutados para participar do estudo radiológico 34 pacientes consecutivos (33 mulheres e um homem) agendadosparacirurgiaaxilar.Afaixafoide18a80anos. Após aprovac¸ão do conselho de revisão institucional, os termos de consentimento assinados foram obtidos antes de se fazerem todos os bloqueios torácicos interfasciais guiados por ultrassom e em cinco dos 34 pacientes para os exames de ressonância magnética (RM). O período do estudofoidesetembrode2013amaiode2014.

Oscritériosdeinclusãoforam:pacientesagendadospara esvaziamentoaxilar,biópsiadenódulosentinela,biópsiade nódulo axilar, mama supranumerária axilar ouexcisão de melanoma.

Oscritériosdeexclusãoforam:pacientesquese recusa-ramoueramincapazesdecooperarcomoestudo,pacientes com alergia conhecida a AL e/ou a opioides, distúrbios hemorrágicos, doenc¸ahepática ourenalsignificativa, dia-betes,históriadeabusodedrogasouálcool,querecebiam anticoagulantesecomdoremusocrônicodeanalgésicosou corticosteroides.

Acessointravenoso(IV)foiestabelecidoemonitorac¸ãode rotina(ECG,pressãoarterialnãoinvasiva,saturac¸ãode oxi-gênio)foiusada.Todosospacientesreceberammidazolam (1---2mg IV)antesdobloqueio.Nopré-operatório, os paci-entesforamsubmetidos ao BFSIipsilateralvia abordagem

anteriorcominjec¸ãoúnica,referidocomobloqueiotorácico interfascialguiadoporultrassom(fig.2).

Os bloqueios guiados por ultrassom foram feitos no Departamento deRadiologia, antesda cirurgia, com uma agulhaparabloqueioLocoplex(Vygon,Ecouen,Franc¸a)de 100mm,17grause25Geumdispositivodeultrassom Min-dray M7(Mindray Medical, Madri,Espanha) com sondade alta frequência(6---13MHz). O volumetotal deanestésico localfoiinjetadosobvisualizac¸ãoguiadaporultrassomem temporeal.

A reduc¸ão da temperatura sentida nos dermátomos T1---T3 foi determinada como uma indicac¸ão de bloqueio axilar bem-sucedido. Um observador imparcial avaliou a extensãodobloqueio.Aperdadesensibilidadefoiavaliada deformasuaveeagudacomostestescomalgodãoepicada deagulha,respectivamente.

Os pacientes foram então transferidos para a sala de operac¸ãoeaanestesiageralfoiinduzidacominfusão alvo-controlada(TCI)depropofoleremifentanil,adependerda idadeedacondic¸ãofísicadopaciente.Máscaraslaríngeas apropriadascombasenopesoforaminseridas.

A ventilac¸ão controlada foi mantida com vistasa uma pressãofinaldeCO2entre35---40mmHg.Ossinaisvitaisdo

paciente permaneceram dentrode 20%dos valores basais duranteaoperac¸ão.AanestesiafoimantidacomTCIde pro-pofole remifentanile mistura de oxigênio/arcom frac¸ão inspiradade oxigênio (FiO2) de 40%. Osvalores do índice

bispectralforam mantidos entre 40 e 60. Dosesbolus de remifentanil(5---10mcg.kg−1) foramadministradas sempre

que a pressão arterial média ou a frequência cardíaca excedesse 20% dos valores basais pré-operatórios. Todos ospacientes receberamondansetron(4mgIV),30minutos antesdofimdoprocedimento,parapreveniraparecimento denáuseasevômitospós-operatórios(NVPO).

(4)

mpm

mSA c 2

c 3 MPM

A

B

FP

FCP

Clavícula

D

C

Figura 2 AbordagemanteriordobloqueiodoPIFSguiadoporultrassomantesdetumorectomianoquadranteexternoebiópsia

donódulosentinela.(A)Imagemquemostraoposicionamentodasondaeainserc¸ãodaagulha.(B)Imagemultrassonográficada paredetorácicaanteriorquemostraomúsculo peitoralmaior(MPM),músculopeitoralmenor(mpm), músculoserrátilanterior (mSA),fásciaclavipeitoral(FCP),fásciapeitoral(FP)eascostelas(c).(C,D)Mostraaáreadeperdasensorialnaparedetorácica lateralanterior10minapósainjec¸ãodeanestésicolocalentreo mSA eomúsculointercostalexterno.

um período de observac¸ão de 24 horas. A analgesia foi for-necida via analgesia controlada pelo paciente (PCA) com morfina (1 mg.mL−1), ajustada embolusde 1 mg e período de

bloqueio de 10 minutos (min). O consumo máximo de mor-fina em quatro horas (h) foi fixado em 24 mg. Além disso, os pacientes receberam viaIVacetaminofeno (1 g) e keto-profeno (25 mg) a cada oito horas. Náusea ou vômito com durac¸ão superior a 10 min foram tratados com ondansetron (4 mg). O consumo de morfina, bem como a administrac¸ão de medicamento antiemético e a incidência de efeitos adversos (náusea, vômito, prurido, sedac¸ão, dor de cabec¸a e hipoten-são), foi registrado.

Os dados da analgesia no pós-operatório foram coletados com a Escala Visual Analógica (VAS), bem como os dados durante o movimento restrito do ombro (fig. 3), e clas-sificados em três graus (restrito, moderado, livre) a cada quatro horas, a partir da chegada do paciente na SRPA e durante todo o período de estudo de 24 horas. A avaliac¸ão inicial da dor na SRPA foi VAS = 0 (VAS: 0 = sem dor, 10 = pior dor imaginável). Os dados foram coletados por um obser-vador imparcial que não estava de outra forma envolvido no estudo. Os pacientes foram monitorados durante todo o tempo de sua internac¸ão hospitalar para complicac¸ões relacionadas ao BFSI (pneumotórax, lesão da artéria mamá-ria externa) e sinais de toxicidade do AL, bem como dor

30

25

20

15

Pacientes (n)

10

5

0

2

1 3

0

Recuperação 12 horas 24 horas Alta

Figura 3 Escore VAS (0---3) durante a abduc¸ão do brac¸o para a

(5)

Dispersãoaxilardeanestésicolocalapósbloqueiointerfascial 559

Figura4 Dissecc¸ãoanatômicadaparedetorácica

anterola-teral.Apósainjec¸ãodoazuldemetileno,ocorantepenetrou naaxila.(A)Injec¸ãoentreomúsculoserrátilanterior(SA)eo músculointercostalexterno(abordagemanteriordoPIFS).PM, músculopeitoralmaior;pm,músculopeitoralmenor;números ordinaiscorrespondentesàsconsecutivascostelas.

no local da injec¸ão. Após 24 horas de pós-operatório e sem complicac¸ões cirúrgicas ou anestésicas, os pacientes receberamaltahospitalar.Ospacientesreceberam acetami-nofenooral(1g)maiscetoprofeno(25mg)acadaoitohoras etramadol(50mg)acadaquatrohorasparausoresidencial. Apósreceberaaprovac¸ãodoComitêdeÉticalocaleos termosdeconsentimentoassinadosdosparentesdos cadá-veres,comopartedeumprogramadedoac¸ãodaUniversidad AutonomadeMadrid,novecadáveresforamembalsamados deacordocomatécnicaclássicae mantidosem tempera-turaambientepor24horasantesdasinjec¸õesedissecc¸ões. Os cadáveres foram colocados em posic¸ão supina, com o brac¸o em abduc¸ão, para se fazer a abordagem anterior doBFSI.Foraminjetados20mldeazuldemetileno(0,2% diluídoem água destilada)comumaagulhaparabloqueio (17graus,25G,100mm)edispositivodeultrassomcomuma sondadealtafrequência.Aquantidadetotaldocorantede contrastefoiinjetadasobvisualizac¸ãoguiadaporultrassom emtemporeal.Acolocac¸ãodetodasasagulhasfoifeitapelo mesmoinvestigador, proficienteeexperiente naanestesia regionaltorácica guiadaporultrassom. Assistênciapara a injec¸ãodasoluc¸ãofoiprovidenciada.Adispersãoaxilardo corante(visãomacroscópica)foiavaliadaeadissecc¸ãofoi feitapordoispesquisadoresexperientesemdissecc¸ão cada-vérica, entre15 e 30 minutosapós a injec¸ão docorante (fig.4).

Técnicas

de

anestesia

regional

guiada

por

ultrassom

Abordagemanteriorparaobloqueiofascialdo serrátil-intercostal(BFSI)guiadoporultrassom

Comopacienteemposic¸ãosupina,umasondalinearé posi-cionadaabaixodo terc¸o externodaclavícula(fig. 2)para identificar, no plano superficial, os músculos peitorais, a artériatoracoacromialeaveiacefálicaque seencontram entreeles.Noplanoprofundo, omúsculoserrátil anterior (mSA) é identificado, apoiado sobre as costelas. A agu-lha é então introduzida no plano de medial para lateral e a ponta é colocada entre o mSA e o músculo intercos-tal externono nível dasegunda costela. Foraminjetados 20mldelevobupivacaínaa0,25%+epinefrina1:200.000sob visualizac¸ãodiretaemtemporeal,fragmentou-seovolume total,aspirou-seacada3mLparareduziroriscodeinjec¸ão intravascular e minimizar o desconforto do paciente na hidrodissecc¸ão(fig.2A).

Estudo1:Determinac¸ãodapropagac¸ãodainjec¸ão duranteBFSIcomRM

Oobjetivodesteestudofoideterminarapropagac¸ãoaxilar dainjec¸ãocomaabordagemanteriordoBFSI.Nossoestudo deimagemconsistiuemumaRMfeitaimediatamenteapósa injec¸ãodoAL.NossoradiologistausousequênciasdeRMpara mostrarimagensponderadasemT2,comsupressãode gor-dura,fezsecc¸õestorácicasaxiaisecoronaisdesdeasregiões supraclavicularesatéadobrainframamária.Omesmo radi-ologista,proficienteem RM torácica, analisou asimagens efezumrelatório sobreapropagac¸ãodoALinjetadonos planostorácicosinterfasciais(fig.5AeB).

Estudo2:Validac¸ãodoBFSIguiadoporultrassom

emmodelodecadáver

Oobjetivodesteestudofoivalidar atécnicaregional gui-ada por ultrassom descrita, demonstrou que resultou na deposic¸ão do corante dentro dos planos interfaciais torá-cicoslaterais queatingiramaaxila.Aabordagemanterior doBFSIguiadopor ultrassomfoi feitaem nove cadáveres embalsamados(fig.4).

Resultados

(6)

Figura5 (A)RMT2---sequênciadeimagemponderadanasubtrac¸ãodegordura:secc¸õesaxialesagitalatravésdaparedetorácica imediatamenteapósainjec¸ãodoanestésicolocal.(A,B)Vistasaxialesagitalquemostramapropagac¸ãodoanestésicolocalentre omúsculoserrátilanterioreomúsculointercostalexternoapósaabordagemanteriordoPIFS.(C)Diagramaquemostraadirec¸ão daagulhaemlinhapontilhadaeapropagac¸ãodoanestésicolocal(roxo).(D)Visãosagitaldaparedetorácica(T3)quemostrao anestésicolocalentreomúsculo serrátilanterior(mSA) eomúsculointercostalexterno(mIE),músculosubclávio(mSC),fáscia peitoral(FP),fásciaexternatorácica(FET),músculopeitoralmenor(mpm),artéria,veiaenervointercostal(A,V,N).

Tabela1 Característicasdaspacientes(n=34)

Característicasdaspacientes(n=34)

Feminino/masculino 33/1

Idade 46(22---68)

IMC 24(18---35)

ASAI/II/III 2/30/2

Procedimentocirúrgico

Biópsiaaxilar 4

Reintervenc¸ãodoesvaziamentode linfonodosaxilares

2

Melanoma 1

Lumpectomiacomnódulosentinela 23 Mastectomiacomesvaziamento

axilar

4

Dadosexpressosemnúmerosabsolutosoumedianascom inter-valos interquartis (25 a 75). ASA, Sociedade Americana de Anestesiologistas;IMC,índicedemassacorporal.

Estudo1:Validac¸ãodastécnicasdeBFSIguiadopor ultrassomcomRM

Emcincopacientesdenossoestudo,osexamesdeimagem (ponderadaemT2,comsubtrac¸ãodegordura,vistasaxiale coronal)mostraramclaramenteapresenc¸adeumsinal hipe-rintenso(correspondenteaoAL)entreosplanosinterfasciais

naparedetorácicaanteriorelateral.ObservamosqueoAL propagou-separaaaxila,cobriuosterritóriosdonervo inter-costobraquialedonervobraquialcutâneomedial(nBCM)em 34/34pacientes.

Nospacientesque receberamaabordagemanteriordo BFSI,oALpropagou-separaoplanointerfascialdaparede torácicalateraleatingiuaaxila.Ospacientesforam moni-toradosduranteessesbloqueiosepor24horasparasinaisde toxicidadedoanestésicolocal.UsamosimagensEco-Doppler emtemporealparaevitarainjec¸ãointravascular.Nãohouve sintomasesinaisreconhecidosdessacomplicac¸ãoem qual-querpaciente.Nãoobservamosparalisiadonervotorácico longo (nTL) em qualquer dos pacientes. Déficit motor do plexobraquialnãofoiobservadoemqualquerpaciente. O nervo BCM e os territórios dos nervos intercostobraquiais forambloqueadosemtodosospacientes,atingiramoterc¸o superiordobrac¸omedial.Todosospacientesrelataram des-conforto apósocontato daagulhacomo ossoe quandoa hidrodissecc¸ãodoALiniciou.

Estudo2:Validac¸ãodastécnicasdeBFSIguiadopor ultrassomemcadáver

(7)

Dispersãoaxilardeanestésicolocalapósbloqueiointerfascial 561

Naabordagem anteriordo BFSI,oazulde metilenofoi encontradonaaxilaemtodososcadáveres.OsnervosICB, BCMeosterritóriosintercostaisdeT1aT3foramcorados. Observamostambémqueocontrasteatingiualinhaaxilar posterior.

Discussão

Esteestudoradiológicoecomcadáveravaliouedemonstrou a viabilidadedouso deabordagens guiadas porultrassom paraobloqueiodaregiãoaxilar,atravésdosplanos interfas-ciaisentreosmúsculosdaparedeaxilarmedial.Osachados mostram que a abordagem anterior do BFSI fornece um potencialespac¸onoqualoALpodeserdepositadoparaobter o bloqueio sensorial dos nervos ICB e BCM. Esses estudos tambémindicamque épossível injetarALnoplano inter-fascial doserrátil (PIFS) in vivocom técnicasguiadas por ultrassom. Essasdescobertas mostramque aparede torá-cicamedialofereceummeiofácildealcanc¸araregiãoaxilar devidoàcomunicac¸ãooupermeabilidadedosplanos inter-faciaistorácicos.

Ocompartimentoaxilaréumaregiãodifícildebloquear. Emboraobloqueioparavertebraltorácico(BPVT)sejaa téc-nicapadrão-ouroparacirurgiademama,usamosessesnovos bloqueiosinterfasciaistorácicosguiadosporultrassom. Des-crevemos aqui a obtenc¸ão de analgesia após cirurgias de mama e axilar com bons resultados.9,11,15-17 A infiltrac¸ão

pre-incisionalde ALreduza dor nasprimeirashoras após cirurgiasdemamaedeaxilae,portanto,essaabordagem tornou-seumprocedimentopadrãoemnossaunidade.5,6Em

estudoconduzidoporCampbelletal.,osautoresconcluíram queainfiltrac¸ãodeALduranteacirurgiademamatemum acentuadoefeitopoupadordeopioide,combenefícios sig-nificativos para o paciente, reduza carga detrabalho de enfermagemeoscustoscommedicamentos.19Sidiropoulou

etal.20avaliaramaeficáciaanalgésicaeoconsumode

mor-finadasduastécnicasapós mastectomiaeconcluíramque ainfiltrac¸ãocontínua deanestésicolocalna feridaé uma opc¸ão eficaz para analgesia paravertebral após mastecto-miacomdissecc¸ãoaxilar.Essesnovosbloqueiosinterfasciais torácicosguiadosporultrassompodemteralgunsaspectos semelhantesaosdainfiltrac¸ãonolocaldaferida,masusam menosALeumcatetertambémpodesercolocadoantesda cirurgiasemcausarinterferêncianocampocirúrgicoeassim reduziradornopós-operatórioportempoprolongado.16

Osanalgésicosopioidesoraistêmsidotradicionalmente usados para fornecer analgesia nos períodos peri- e pós--operatório de pacientes submetidos a dissecc¸ão axilar. Estudos anteriores avaliaram os efeitos da administrac¸ão peri- e pós-operatória de AL. Os resultados obtidos por Rawlani,21emestudoduplo-cego,randômicoeprospectivo,

corroboramaeficáciadabombacomanestésicolocalpara reduzirador,o usodenarcóticose anáuseaevômito no períodopós-operatóriodemulheres submetidasàreduc¸ão demama.Scott22comparouaeficáciadaadministrac¸ão

con-tínuadebupivacaínaviaaxilarversustratamentocirúrgico padrão ou placebo em pacientes submetidas à dissecc¸ão de linfonodosaxilares. As pacientes tratadas cominfusão contínua de bupivacaína apresentaram escores de dor significativamente menores. Anecessidade deanalgésicos opioides no pós-operatório tambémfoi significativamente menor no grupo bupivacaína. O uso da administrac¸ão

contínua de bupivacaína após a dissecc¸ão de linfonodos axilaresdiminuisignificativamenteadoreanecessidadede analgésicosopioides,comreduc¸ãoconcomitantedenáusea esedac¸ão.Esseestudoforneceevidênciaencorajadorados benefícios terapêuticos da infusão contínua de anestesia locale podeser um complemento valioso para pacientes cirúrgicos que precisam da dissecc¸ão de linfonodos axi-lares (DLNA), inclusive aquelas com câncer de mama e melanoma.Strazisar5 observouque ainfusãodaferida no

grupoAL(versusgrupoanalgesiapadrãoàbasedeopioide) resultouemumareduc¸ãomaiordadoragudaepossibilitou o menor consumo de opioides, além de uma tendência paraareduc¸ãodadorcrônicanogrupoAL.Fajardoetal.16

avaliaramainfusãodelevobupivacaínaa0,125%(5mL.h−1)

nafáscia interpeitoralde pacientessubmetidasà mastec-tomiaeesvaziamentoaxilareencontraramboaanalgesiae menorconsumodeopioides.Diéguezetal.,11emjaneirode

2013,publicaramumartigoem espanholsobreumestudo observacionalcom30pacientesagendadasparadissecac¸ão nãoreconstrutivademamaeaxilaqueavaliouainfiltrac¸ão de AL na linha axilar média em pacientes submetidas à cirurgiademama.Osautoresdemonstraram aeficácia da injec¸ãodeALguiadaporultrassomentreomúsculoserrátil anterior (mSA) e o músculo intercostal externo (mIE), bloqueio denominado BRILMA (em espanhol: bloqueo de lasramasintercostalesenlalíneamediaaxilar).Diéguez11

descobriu que a injec¸ão de 15mL de levobupivacaína a 0,25%(3mLemcadaespac¸ointercostal)forneceanalgesia adequada nos períodos tanto intraoperatório quanto pós--operatório.Em2013,Blancoetal.23fizeramobloqueiodo

serrátilemdoisníveisdiferentesemquatrovoluntários sau-dáveis.OprimeirofoisuperficialparaomSA,semelhanteà técnicadebloqueioPecII,11 publicadaem2012.Essa

abor-dagemtemcomo objetivobloquear pelomenososnervos peitorais,osramosintercostobraquiaiseintercostais.

Emsetembrode2012,Fajardopublicouumestudo des-critivo e observacional com 44 mulheres agendadas para cirurgiademama,15 nasquaiselecombinouobloqueiodos

ramoscutâneoslateraleanteriordosnervosintercostais.O objetivodesseestudofoiavaliaraextensãodoALatravésda RMapóssuainjec¸ãoguiadaporultrassomentremSAemIE. Observou-seque,namaioriadaspacientes,oAL propagou--separaaaxilaesobaparedetorácicalateraleposterior, entreosdermátomosT7eT7,umresultadocomparávelao deBlancoetal.23 Acreditamosque ainjec¸ão deAL entre

mSAemIE é maisvantajosa doqueasinjec¸ões superfici-aisnomSAporquepodeevitaraparalisiatransitóriadonTL eprovavelmente atingir umapropagac¸ão atéos dermáto-mosmaisdistais.Ainjec¸ãodeALentreomúsculopeitoral menor(mpm)eomSA(bloqueioPecII)tambémtemumaboa propagac¸ão,massuapropagac¸ãoparaalémdeT3éerrática porqueo tecido adiposoaxilar podelimitar a propagac¸ão doAL.Emnossapráticaclínica,abandonamosessebloqueio emcirurgiademamaporqueaspacientesqueixaram-sede dornaáreadocomplexodomamilo-areolar.

ObloqueioPecII12 atingepropagac¸ão axilaradequada.

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domSAporduas razões:conseguir umamaiorpropagac¸ão dentro do plano serrátil-intercostal e assim bloquear o segundoe terceiro nervos intercostais (nICB),para evitar a possibilidade de paralisia transitória do nTL, que leva a umaescápula aladaque pode ser confundida com uma lesãocirúrgicadessenervo.

O plano interfascialserrátil (PIFS) é umespac¸o neuro-vascularpequeno, poucodistensívelentreo mSAe omIE, contémosramoscutâneosintercostaislateraisperfurantes dosnervosintercostais.

AfracadispersãodoBFSI,juntamentecomos movimen-tos respiratórios, permite que o AL seja extensivamente dispersodentrodesseplano.

Gostaríamos de unificar os conceitos para evitar con-fundirnossosleitores.UsamosotermoBFSI9,15,17,24 emvez

de BRILMA11 porque para os leitores de outras línguas é

maisfácilentender, masainjec¸ão noplanointerfascial é a mesma. O mSA mantém várias relac¸ões anatômicas na parede torácica, da mesma forma que o músculo trans-versoabdominalnaparedelateraldoabdomemantémuma relac¸ãoanatômicacomomúsculooblíquointerno.OmSA, naparede torácicalateral, seligaàscostelas e entra em contatocomomIE,écobertopelomúsculopeitoralmaior (MPM),mpmelatissimusdorsiedepoisficaentrelac¸adocom omúsculooblíquoexternonaparedetorácicaanteroinferior. Portanto,onome‘‘planoserrátilanterior’’seriaincorreto, poisnãodescreveoplanointerfascialespecíficonoqualo anestésicolocalédepositado.

Wahba25avaliouobloqueioparavertebraltorácico(BPT)

versusbloqueiodonervopeitoral em relac¸ãoao consumo demorfinae eficáciaanalgésicaapósmastectomiaradical modificada.

Concluiu-se que tanto o consumo de morfina em 24h quantooescorededornasprimeiras12h foram significa-tivamentemenoresnogrupobloqueioPecemcomparac¸ão comoBPTapósmastectomia.Esseresultadoé contraditó-rio, nãocorresponde a outros resultadospublicados.2,18,26

Combasenaevidênciaatual,oBPTéatécnicapadrão-ouro paracirurgiademama,apesardosresultadosencorajadores dessenovobloqueiointerfascialtorácico.2,18Deacordocom

nossaexperiência,obloqueioPecII nãoforneceanalgesia adequadaparamastectomiaeoALdificilmenteultrapassa oníveldeT3---T4.AcreditamosqueobloqueioPecIIéuma boatécnicaparacirurgiaaxilar,masnãoparamastectomia. AabordagemlateraldoBFSIfoirecentementeavaliada comométodoparaobteranalgesiaapóscirurgiademama, braquiterapiademamaedrenagemtorácica.9,11,15,17,24Para

melhorar essa técnica, usamos uma agulha longa para avanc¸á-laatravésdoPFSIcomaabordagemlateraleusara hidrodissecc¸ãoparadepositaroALomaisdistalmente pos-sível.Ascostelassãoreferênciasanatômicasimportantesno ultrassomparaevitarapunc¸ãopleuraloupulmonar.Ousode analgesiaesedac¸ãoaliviaodesconfortodapacientedevido àpunc¸ãodomSA,contatocom operiósteo dascostelas e hidrodissecc¸ãodo planointerfascial. Para fazera aborda-gemlateral doBFSI, preferimosposicionar a paciente em decúbitolateraloucolocarumtravesseirosobotórax por-queotecidomolependeriaeadistânciaentreapeleeas costelaséreduzida.Alémdisso,descansaramãoquesegura asondasobre aparede torácica lateraltornará a técnica maisestável.

Para melhorar esses bloqueios, agora usamos agulhas finaseafiadaspara‘‘injec¸ãoúnica’’eagulhasTuohypara colocarcateterescontínuos.

Essebloqueiointerfascialtorácicoguiadoporultrassom éumatécnicasimplesedeexecuc¸ãorelativamenterápida, poisésuperficialesonograficamentefácildeentender,além deterumasonoanatomiareprodutívelnagrandemaioriados pacientesepoderserexecutadaempacientessobanestesia geral.Embora essesnovosbloqueiossejamtécnicas geral-mentefeitasporanestesiologistas,enfermeirosanestesistas comtreinamentoembloqueioregionalecirurgiõesficariam confortáveisparafazeressesbloqueios.

Esses bloqueios também podem ser opc¸ões adicionais quando as circunstâncias são desfavoráveis para a BPVT (coagulopatia, intolerância à simpatectomia ou incapaci-dade de posicionar um paciente adequadamente). Além disso,podemserdestinadosparacirurgiaunilateralou seg-mentarepodemabrangerváriosdermátomoseaaxilacom uma injec¸ão. Também podem ser facilmente executados comobloqueioscontínuosdenervosperiféricosatravésde cateteresquandoumaanalgesiaprolongadaénecessária.De acordocomnossaexperiênciae emdiscussõescomnossos cirurgiões,essesbloqueiosnãointerferemnocampo cirúr-gicoporqueoALédepositadoentreosplanosinterfasciais. Essesbloqueiospodemabrirnovasportasparaainvestigac¸ão sobrearecorrênciadecâncerdemamaeaincidênciadedor crônicaapóscirurgiademama.27 Nomomento,nãotemos

dadosclínicossuficientesparacompararessastécnicascom outrastécnicasusadasempacientessubmetidasàcirurgia demama.

Consideramosque esses novosbloqueios podemter as seguintes indicac¸ões,de acordocom nossaexperiência: o bloqueioPecIpodeserusadoemcirurgiadeprótese sub-peitoral com ou sem abordagem axilar, bem como para cirurgia axilar. Lembramos que tambémé necessário blo-quear os nervos intercostais, portanto esse bloqueio não deve ser usadocomo a única técnica anestésica. A abor-dagem anterior doBFSI pode ser usada para cirurgia não reconstrutiva demama e em combinac¸ão com o bloqueio Pec I em pacientes submetidas à cirurgia reconstrutiva e paraprótesesubpeitoralparabloquearosramosintercostais lateraiseosnervospeitorais.AabordagemlateraldoBFSI podeserusadaparamastectomia,lumpectomiae esvazia-mentoaxilar,alémdepoderserumaopc¸ãoparaosretalhos dograndedorsal. OALdepositadonesseplano iráse pro-pagarpelosmúsculosintercostais;dessaforma,bloqueará osramosintercostaisanteriorelateral,produziráaperda sensorial de toda a mama e se difundirá anterior e pos-teriormente sob a caixa torácica, atingirá a linha axilar posterior.

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Dispersãoaxilardeanestésicolocalapósbloqueiointerfascial 563

Conclusões

Emnossaopinião,esteestudoofereceaprimeiradescric¸ão detalhada das características anatômicas dos bloqueios interfasciais torácicos para obter o bloqueio sensorial da axila (bloqueios via plano da fáscia interpeitoral [IPFP]e BFSI).

Essastécnicasinovadoraspodemsetornaropc¸ões anal-gésicasamplamenteusadasemcirurgiaaxilardevidoàbaixa taxadecomplicac¸õeseàtécnicacaracterísticadepunc¸ão únicaquepermiteobloqueiosimultâneodevários dermá-tomos. Osbenefícios adicionaisdessas técnicasincluem a aplicabilidadeapacientesambulatoriaiseaqueles submeti-dosabloqueiosneuraxiaiseofatodepoderemseraplicadas com seguranc¸a em pacientes sob anestesia geral e de o tempogastoparaobloqueio(5---10min)nãoafetarotempo cirúrgico.

Esses bloqueios também podem reduzir a incidência de dor crônica após dissecc¸ão axilar,5,6,28,29 a

probabili-dade de recorrência tumoral, os estímulos nocivos, bem como atenuar a resposta ao estresse cirúrgico.29,30

Estu-dosdemonstraram queaspacientescomcâncer demama que receberama combinac¸ão debloqueio denervos mais anestesiapara acirurgiaapresentaram menorrecorrência decâncerdoqueaquelasquereceberamapenasanestesia geral.31---33Alémdisso,aspacientesquereceberambloqueio

denervosprecisaramdemenosopioidesparaalíviodadorno pós-operatório.Aguardamososresultadosdeestudos obser-vacionais e ensaiosclínicoscontrolados e randômicosque sãonecessários para confirmarseastécnicasde bloqueio interfascialtorácicosãoapropriadasparaapráticaclínica rotineiraedeterminaraquantidademínimadeAL34

neces-sáriaparaobloqueio,bemcomoasconcentrac¸õesséricas dosanestésicoslocais.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

Agradecimentos

Às famílias que participaram do programa de doac¸ão de cadáveresdaUniversidad AutonomadeMadrid.Ao Depar-tamentodeAnatomiadaUniversidadAutonomadeMadrid, especialmenteaoDr.FranciscoClascáCabré,professorde anatomiaeembriologiahumana,eoAndrésOlayaCéspedes, técnicodeanatomia,pelocontínuoapoio.AosDrs. Tomis-lavStanic,LuisValdéseCarlosSalazarpelaajudanarevisão destemanuscrito.

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Imagem

Figura 1 Os limites da axila. MPM, músculo peitoral maior; mpm, músculo peitoral menor; mSA, músculo serrátil anterior; LD, latissimus dorsi; mBB, músculo bíceps braquial; U, úmero.
Figura 2  Abordagem anterior do bloqueio do PIFS guiado por ultrassom antes de tumorectomia no quadrante externo e biópsia  do nódulo sentinela
Figura 4 Dissecc ¸ão anatômica da parede torácica anterola- anterola-teral. Após a injec ¸ão do azul de metileno, o corante penetrou na axila
Tabela 1 Características das pacientes (n = 34) Características das pacientes (n = 34)

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