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Braz. j. . vol.83 número6

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Academic year: 2018

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BrazJOtorhinolaryngol.2017;83(6):720---722

www.bjorl.org

Brazilian

Journal

of

OTORHINOLARYNGOLOGY

RELATO

DE

CASO

The

facial

palsy

as

first

symptom

of

the

temporal

bone

lung

cancer

metastasis

A

paralisia

facial

como

primeiro

sintoma

de

metástase

de

câncer

pulmonar

no

osso

temporal

Dragoslava

Djeric

a

,

Ivan

Boricic

b

,

Nada

Tomanovic

b

,

Ljiljana

Cvorovic

a

,

Srbislav

Blazic

a

,

Miljan

Folic

a,

e

Igor

Djoric

c

aUniversityofBelgrade,FacultyofMedicine,ClinicalCenterofSerbia,ClinicforOtorhinolaryngologyandMaxillofacialSurgery,

Belgrado,Sérvia

bUniversityofBelgrade,FacultyofMedicine,InstituteofPathology,Belgrado,Sérvia cClinicalCenterofSerbia,DepartmentofRadiology,Belgrado,Sérvia

Recebidoem19deagostode2015;aceitoem17desetembrode2015 DisponívelnaInternetem30demar�ode2017

Introduc

¸ão

Ocâncer de pulmão geralmente é disseminadopelas vias linfática e hematogênica. Cerca de um quinto dos ade-nocarcinomas de pulmão recentemente diagnosticados apresentam metástases distantes em órgãos como cére-bro, glândulas suprarrenais, fígado e ossos.1 No entanto,

asmetástasesde câncer depulmão noosso temporal são bastanteraras e,como tal, representam umdesafio diag-nóstico substancial. As manifestac¸ões clínicas da doenc¸a metastáticanoossotemporalsãoquasesempreobscurase podemincluirsintomascomoperdaauditiva,zumbido, ver-tigem, paralisiafacial, otalgia, otorreia e dorde cabec¸a. A ocorrênciade lesão lítica noosso temporal (mesmo na ausênciadeumtumorprimárioconhecido)devesersempre

DOIserefereaoartigo:

http://dx.doi.org/10.1016/j.bjorl.2015.09.007

Comocitaresteartigo:DjericD,BoricicI,TomanovicN, Cvoro-vicL,BlazicS,FolicM,etal.Thefacialpalsyasfirstsymptomof thetemporalbonelungcancermetastasis.BrazJOtorhinolaryngol. 2017;83:720---2.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](M.Folic).

A revisão por pares é da responsabilidade da Associac¸ão BrasileiradeOtorrinolaringologiaeCirurgiaCérvico-Facial.

considerada comouma possívelmetástase, especialmente em pacientesidosos.Osautoresapresentamumcasoraro deparalisiafacialotogênicaemetástasenoossotemporal comomanifestac¸ãoinicialdocâncerdepulmãoediscutem o diagnósticoe aspossíveisdificuldades.Este trabalhofoi aprovadopeloComitêdeÉticadaClínicade Otorrinolarin-gologiaeCirurgiaBucomaxilofacial.

Relato

de

caso

Paciente do sexo feminino, 73 anos, apresentou-se com paralisiafacialperiféricaeotalgia,tratadasdurante apro-ximadamentedoismesesem centrodesaúdedecuidados primários. Depois de uma resoluc¸ão incompleta dos sin-tomas, a paciente foi admitida em nosso centro para examesadicionaiseacompanhamento.Oexame otomicros-cópico da orelha esquerda revelou membrana timpânica hiperemiada com a pars flaccida proeminente. A paci-entetambémapresentavaparalisiafacialesquerda(escala de House-Brackmann, grau 3), perda auditiva condutiva esquerda (gap aéreo-ósseo, 30dB), timpanometria tipoB, taxa elevada de proteína C reativa (60mg/L) e leucoci-tose (14×106/L). A temperatura corporal estava normal

e não apresentava náusea ouvertigem. De acordo com o laudomédico,apacientefoitratadadebronquiteobstrutiva

(2)

Thefacialpalsyasfirstsymptomofthetemporalbonelungcancermetastasis 721

Figura1 (A)TCdeossostemporais:mucosaespessanascélulasmastoideas.(B)Presenc¸adeumalesãolíticaexpansivadoosso temporal;observeadestruic¸ãodoápicedamastoide.

crônicaeosteoporose,comcontroleregulare acompanha-mento.

A tomografia computadorizada (TC) do osso temporal revelou espessamento da mucosadas células mastóideas, lesão osteolítica na mastoide esquerdae osso occipital e umaimagem heterogêneanas estruturas daorelha média (fig.1).Otratamentocomantibióticosintravenosos (Ceftri-axona2g/dia)foifeitosemqualquermelhoriadossintomas. A paciente nãoapresentava sinais ousintomasda doenc¸a maligna;radiografiadetóraxnãomostravasinaisdecâncer depulmão.

Oprocedimentocirúrgicoincluiumastoidectomia, para-centese e colocac¸ão de tubo de ventilac¸ão foram feitas. Observamos a presenc¸ade tecidode granulac¸ão friávele amolecido no antro e na mastoide; os fragmentos foram enviadosparaanálisehistopatológica.

As análises histopatológica e imuno-histoquímica reve-laram a presenc¸a de células atípicas raras positivas para citoqueratina e TTF-1 (fig. 2). Portanto, o caso foi diag-nosticadocomometástasedecarcinomadepulmão.TCde tórax,broncoscopiaeanálisehistopatológicadeamostrasdo

Figura 2 Análise imuno-histoquímica: células tumorais atí-picas que mostram positividade nuclear forte e difusa para oanticorpo TTF-1. Estreptavidina-biotina,ampliac¸ão original 400×.

pulmãoforamfeitas em seguida:essasanálises adicionais confirmaramo diagnósticode umadenocarcinoma pulmo-narlocalizadonosegmentoapicaldopulmãoesquerdo.Em muito pouco tempo, nossa paciente (que na época tam-bémapresentavalinfonodomegaliamediastinalbilateral)foi subitamenteaóbito,antesdequalquertratamento oncoló-gicoespecífico.

Discussão

Metástases em osso temporal são relativamente raras; os sítios primários mais comuns são, geralmente, mama, pulmão, rim e estômago.2---5 O padrão de propagac¸ão

metastática para o osso temporal pode envolver as viaslinfática/hematogênica,carcinomatoseleptomeníngea metastática difusa ou extensão direta do tumor.2 O

cân-cerdepulmãonormalmentesepropagaporviasanguínea; na região da cabec¸a e pescoc¸o, geralmente em direc¸ão ao cérebro.1,2,5 Em nossocaso, a propagac¸ão metastática

ocorreudevidoàdisseminac¸ãolinfática/hematogênicadas célulastumorais,quetambémcausoulinfadenopatia medi-astinal.Devidoàdisseminac¸ãohematogênica, êmbolosde célulastumoraispodemfavorecerapropagac¸ãoparaoápice petrosodoossotemporal,quetemmedulaósseairrigadapor umaredecapilardefluxolento.

O exame clínicode pacientes com metástase em osso temporalpodemostrar vários achados, taiscomo: edema detecidomoleretroauricular ouedema dasestruturasdo tecidodocanalauditivoexterno,inflamac¸ão(comoaotite média com efusão), perfurac¸ão da membrana timpânica, otalgia, paralisiafacial entreoutros. Em alguns casos, as metástases em osso temporal podem até não apresentar sintomas.6,7

A paralisia do nervo facial pode ser causada por uma variedadedecausas.Em cercadedoisterc¸osdoscasos,a etiologiaéidiopáticaouinfecciosa.8Outrascausasincluem

(3)

722 DjericDetal.

prolongadasãoumaindicac¸ãoparaa explorac¸ão donervo facial.9 Durantea cirurgiadepacientesidososcom lesões

líticasdoossotemporal,amostrasparaanálise histopatoló-gicasãoobrigatórias.Encontramos namastoideumtecido amolecido, friável propenso a hemorragia, enviado para análisehistopatológica.

As radiografiasdetóraxsãomenossensíveise específi-casdoqueasvarredurasporTCparaocâncerdepulmão. Emnossocaso,aradiografiadetóraxnãomostrouqualquer sinal de neoplasia. As análises histopatológica e imuno--histoquímica permitiram um diagnóstico preciso, com a identificac¸ão do local primário. Além disso, TC, broncos-copia e exame histopatológico confirmaram o diagnóstico deumadenocarcinomapulmonarprimário.Todooprocesso diagnósticodurouquasetrês mesesenossapacientefoia óbitosemtratamentoespecíficodocâncer.

Conclusão

Doenc¸ametastáticadevesersempreconsideradaem paci-entescomparalisiadonervofacialquetambémapresentem história de doenc¸a maligna. O nosso caso é bastante sin-gular: a paralisia facial otogênica foi uma manifestac¸ão inicialdocâncerde pulmão;a paralisiafacialfoio resul-tado de metástase no osso temporal. Portanto, devemos sempre excluir uma possível metástase de osso temporal empacientesidososcom(emesmosem)históriadedoenc¸a maligna,especialmentequandoháevidênciadeosteólisedo ossotemporal.4---7

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

Agradecimentos

Este trabalho foi apoiado, em parte, pelo Ministério da Ciênciasérvio(Projeton.◦ 175.026).

Referências

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Imagem

Figura 1 (A) TC de ossos temporais: mucosa espessa nas células mastoideas. (B) Presenc ¸a de uma lesão lítica expansiva do osso temporal; observe a destruic ¸ão do ápice da mastoide.

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