www.bjorl.org
Brazilian
Journal
of
OTORHINOLARYNGOLOGY
ARTIGO
ORIGINAL
The
potential
role
of
amlodipine
on
experimentally
induced
bacterial
rhinosinusitis
夽
Arzu
Tatar
a,∗,
Mukadder
Korkmaz
b,
Muhammed
Yayla
c,
Elif
Polat
d,
Hakan
Uslu
e,
Zekai
Halici
fe
Secil
N.
Parlak
daAtaturkUniversity,MedicalFaculty,DepartmentofOtorhinolaryngology,HeadandNeckSurgery,Erzurum,Turquia bOrduUniversity,MedicalFaculty,DepartmentofOtorhinolaryngology,HeadandNeckSurgery,Ordu,Turquia cKafkasUniversity,MedicalFaculty,DepartmentofPharmacology,Kars,Turquia
dAtaturkUniversity,MedicalFaculty,DepartmentofEmbryologyandHistology,Erzurum,Turquia eAtaturkUniversity,MedicalFaculty,DepartmentofMedicalMicrobiology,Erzurum,Turquia fAtaturkUniversity,MedicalFaculty,DepartmentofPharmacology,Erzurum,Turquia
Recebidoem16dejaneirode2016;aceitoem9deagostode2016 DisponívelnaInternetem7dejunhode2017
KEYWORDS
Rhinosinusitis; Non-antibiotic; Amlodipine; Antioxidants; Guineapig
Abstract
Introduction:Antibioticsarefrequentlyusedforthetreatmentofrhinosinusitis.Concernshave beenraised regardingtheadverseeffectsofantibioticsandgrowingresistance. Thelackof developmentofnewantibioticcompoundshasincreasedthenecessityforexplorationof non--antibioticcompoundsthathaveantibacterialactivity.Amlodipineisanon-antibioticcompound withanti-inflammatoryactivity.
Objective: Inthisstudyweaimedtoinvestigatethepotentialroleofamlodipineinthe treat-mentofrhinosinusitisbyevaluatingitseffectsontissueoxidativestatus,mucosalhistologyand inflammation.
Methods:FifteenadultalbinoguineapigswereinoculatedwithStaphylococcusaureusand tre-atedwithsaline,cefazolinsodium,oramlodipinefor7days.Thecontrolgroupwascomposedby fivehealthyguineapigs.Animalsweresacrificedafterthetreatment.Histopathologicalchanges wereidentifiedusingHematoxylin-Eosinstaining.Inflammationwasassessedby Polymorpho-nuclear Leukocyte infiltration density. Tissue levels of antioxidants (superoxide dismutase, glutathione)andanoxidativeproduct(malondialdehyde)weredetermined.
Results:In rhinosinusitis induced animals, amlodipine reduced loss ofcilia, lamina propria edema and collagendeposition compared to placebo (saline) andalthough notsuperior to cefazolin, amlodipine decreased polymorphonuclear leukocyte infiltration. The superoxide
DOIserefereaoartigo:http://dx.doi.org/10.1016/j.bjorl.2016.08.006
夽 Comocitaresteartigo:TatarA,KorkmazM,YaylaM,PolatE,UsluH,HaliciZ,etal.Thepotentialroleofamlodipineonexperimentally inducedbacterialrhinosinusitis.BrazJOtorhinolaryngol.2017;83:619---26.
∗Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](A.Tatar).
ArevisãoporparesédaresponsabilidadedaAssociac¸ãoBrasileiradeOtorrinolaringologiaeCirurgiaCérvico-Facial.
dismutaseactivityandglutathionelevelswerereduced,whereasthemalondialdehydelevels wereincreasedsignificantlyinallthree-treatmentgroupscomparedtothecontrolgroup. Amlo-dipinetreatedgroupshowedsignificantlyincreasedsuperoxidedismutaseandglutathionelevels anddecreasedmalondialdehydelevelscomparedtoalltreatmentgroups.
Conclusion:Thenon-antibioticcompoundamlodipinemayhavearole inacuterhinosinusitis treatmentthroughtissueprotective,antioxidantandanti-inflammatorymechanisms.
© 2016 Associac¸˜ao Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia C´ervico-Facial. Published by Elsevier Editora Ltda. This is an open access article under the CC BY license (http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).
PALAVRASCHAVE
Rinossinusite; Nãoantibiótico; Amlodipina; Antioxidantes; Cobaia
Opapelpotencialdaamlodipinanarinossinusitebacterianainduzida experimentalmente
Resumo
Introduc¸ão:Antibióticossãofrequentementeusadosparaotratamentoderinossinusite. Ques-tõestêmsidolevantadassobreosefeitosadversosdosantibióticosearesistênciacrescente. A falta de desenvolvimento de novos compostos antibióticos aumentou a necessidade da explorac¸ãodecompostosnãoantibióticosquetêm atividadeantibacteriana.Aamlodipinaé umcompostonãoantibióticocomatividadeanti-inflamatória.
Objetivo:Oobjetivodesseestudofoiinvestigaropapelpotencialdaamlodipinanotratamento darinossinusite,avaliandoseusefeitossobreoestadooxidativodotecido,histologiadamucosa einflamac¸ão.
Método: QuinzecobaiasalbinasadultasforaminoculadascomStaphylococcusaureuse trata-dascomsoluc¸ãosalina,cefazolinaouamlodipinadurantesetedias.Ogrupocontroleincluiu cinco cobaias saudáveis. Os animais foram sacrificados após o tratamento. Alterac¸ões his-topatológicasforamidentificadas comacolorac¸ãodehematoxilina-eosina. A inflamac¸ãofoi avaliada pela densidade de infiltrac¸ão de leucócitospolimorfonucleares. Foram determina-dososníveisteciduaisdeantioxidantes(superóxidodismutase,glutationa)eumprodutode oxidac¸ão(malondialdeído).
Resultados: Emanimaiscomrinossinusiteinduzida,aamlodipinareduziu aperdadoscílios, edemadalâminaprópriaedeposic¸ãodecolágenoemcomparac¸ãocomogrupoplacebo(soluc¸ão salina)eemboranãosejasuperioràcefazolina,aamlodipinadiminuiuainfiltrac¸ãode leucó-citospolimorfonucleares.Osníveis deatividadedasuperóxidodismutaseeglutationaforam reduzidos,enquantoosníveisdemalondialdeídoaumentaramsignificativamentenostrêsgrupos detratamentoemcomparac¸ãoaogrupocontrole.Ogrupotratadocomamlodipinaapresentou aumentosignificantedosníveisdesuperóxidodismutaseeglutationaediminuic¸ãodosníveis demalondialdeídoemcomparac¸ãocomtodososgruposdetratamento.
Conclusão:Ocompostonãoantibióticoamlodipinapodeterumpapelnotratamentoda rinos-sinusiteagudaatravésdemecanismosprotetoresdetecido,antioxidanteseanti-inflamatórios. © 2016 Associac¸˜ao Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia C´ervico-Facial. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Este ´e um artigo Open Access sob uma licenc¸a CC BY (http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).
Introduc
¸ão
Arinossinusiteécaracterizadapelainflamac¸ãodasmucosas sinusalenasal.Éumdosproblemasdesaúdemaiscomuns, responsávelpormaisprescric¸õesambulatoriaisde antibióti-cosdoquequalqueroutradoenc¸a.1Ambososfatores, hos-pedeiroe ambientais,desempenham papel importante no desenvolvimentodarinossinusite.Afisiopatologiada rinos-sinusiteagudaenvolve umasériedealterac¸õesquelevam à obstruc¸ão do óstio sinusal, a edema e a inflamac¸ão da mucosa,aestasedemuco,aoprejuízodotransporte muco-ciliareainfecc¸ãomicrobiana.Osobjetivosdotratamento sãoreduzirainflamac¸ão,erradicarainfecc¸ão,melhorara drenagemearejamentodos seiosparanasaiserestaurara func¸ãomucociliar.2 Terapiasmedicamentosascomunspara
rinossinusite aguda incluem antibióticos, irrigac¸ão nasal comsoluc¸ãosalina,descongestionantes,anti-histamínicos, mucolíticos, corticoides tópicos ou sistêmicos e drogas anti-inflamatórias. Há pouca evidência que apoie o uso de descongestionantes e anti-histamínicos, embora pos-sam ajudar a reduzir a rinorreia e a congestão nasal. A irrigac¸ãonasal comsoluc¸ãosalinaé rotineiramenteusada narinossinusiteagudaepodemelhoraradepurac¸ão muco-ciliar,masa evidência aindaé limitada paraapoiara sua indicac¸ão.3,4
resistênciabacteriana. Umametanálisedeensaiosclínicos randomizadosmostrouqueousodeantibióticospara rinos-sinusite agudaoferece umpequeno benefícioterapêutico em relac¸ãoao placebo,com aumentonorisco deeventos adversos.5
Espécies reativasde oxigênio (ROS) sãoproduzidas em condic¸ões fisiológicas e suaproduc¸ão e atividade antioxi-dantesãoequilibradas.OacúmuloexcessivodeROSprovoca peroxidac¸ão de lipídeos e proteína e pode levar a danos e morte celular. As células superam esse estresse oxida-tivopormeiodemecanismosdedefesaantioxidantes,que incluemsuperóxidodismutase(SOD),glutationaperoxidase (GPx),catalase(CAT),glutationa(GSH)eperoxirredoxinas. O malondialdeído (MDA),umprodutode peroxidac¸ão lipí-dica,é,portanto,umbomindicadordodanocelular.Estudos recentesmostraramqueasROSatuamcomosegundos men-sageiros paraa ativac¸ãoda inflamac¸ão, desempenham ali umpapel.6,7
A amlodipina (AML) é uma diidropiridina tipo L, bloqueadora de canal de cálcio, com significativa ati-vidade antibacteriana contra várias cepas de bactérias gram-positivas e gram-negativas. É supostamente o mais poderosodosmedicamentoscardiovascularescomatividade antibacteriana.8,9 Também já foi relatadoque a AML tem atividadeanti-inflamatóriaedemonstradoqueelaminimiza a lesão de isquemia-reperfusão, melhora o estado oxida-tivoemlesõesdeisquemia-reperfusãodeíleoinduzidasem coelhos.10
O crescimento daresistência bacteriana aos antibióti-cos e a falta de estudosde novos compostos antibióticos têmaumentadoanecessidadedeexplorac¸ãodecompostos não antibióticos que apresentem atividade antibacteri-ana, como a AML. Tanto na sinusite aguda como na crônica, a inflamac¸ão e o edema levam à obstruc¸ão dos óstios sinusais, o que agrava ainda mais a doenc¸a. Supõe-se que os efeitos anti-inflamatórios e antibacte-rianos da AML possam ser benéficos no tratamento da rinossinusite.
O objetivo do presente estudo foi investigar possíveis efeitos da AML noestado oxidativo, inflamac¸ão e integri-dadedotecidoemummodeloanimalderinossinusiteaguda induzidaexperimentalmente.
Método
Animais
Foramusadas20cobaiasadultasalbinasesemevidênciade infecc¸õesdotratorespiratóriosuperior.Cadaanimalpesava 330-370g e todos foram obtidos do Ataturk University’s
ExperimentalAnimal LaboratorynoMedicinaland
Experi-mentalApplicationandResearchCentre.Asexperiênciase
osprocedimentoscomanimaisforamfeitosdeacordocom asdiretrizes nacionaisparaousoecuidadodeanimaisde laboratórioeoestudofoiaprovadopeloComitêLocalde Cui-dadoscomAnimaisdaAtaturkUniversity’s(n◦2.014-1/12).
Ascobaiasforamalojadasemgaiolasdeplásticodetamanho padrão,forradascomserragem,localizadasem umquarto com ar-condicionado a 22◦±1◦C e ciclos de luz/escuro
de 12:12h. As cobaias receberam alimentos e a água da torneira foi fornecida adlibitum. O tempode adaptac¸ão
antes da experiência foi de duas semanas. Os animais foramdivididosaleatoriamenteemquatrogrupos(cinco ani-maisporgrupo): umgrupo serviucomo controle negativo (GrupoC;semrinossinusiteinduzida,tratadosapenascom injec¸õesintraperitoneais[IP]desoluc¸ãosalina);outroteve rinossinusiteinduzida,masfoitratadoapenascominjec¸ões desoluc¸ãosalinaIP(GrupoS;controlepositivo);outro apre-sentourinossinusiteinduzidaefoitratadocomamlodipina oral (GrupoSA); e umgrupo teverinossinusiteinduzida e foi tratado com cefazolina (Grupo SC). Os animais foram sacrificadosdepoisdesetedias.
Desenvolvimentodomodeloanimal
Uma esponja de celulose Merocel (Medtronic Xomed, Jacksonville,FL,EUA)foicortadacommicropinc¸as. Micro-tesourasforamusadasparadarformae inserirumpedac¸o deesponjanasnarinas. Todososcincoanimaisdos grupos S,SC,eSA,masnãodogrupoC,receberamcetamina(im, 50mg/kg;KetalarPfizer,Istambul,Turquia)ediazepam(im, 2mg/kg; Diazem,Deva, Istambul, Turquia). O dorsonasal foi esterilizado com iodopovidona e esponjas de gelatina foraminseridasnacavidadenasaldireita.Asnarinasforam então inoculadas com Staphylococcus aureus (0,5mL) por meiodeumaseringahipodérmica(Staphylococcusaureus, cepa ATCC25923 foi suspensa em uma concentrac¸ão de 900×106UFC [unidades formadoras de colônia] por mL). Vinteequatrohorasapósainoculac¸ãobacteriana,oMerocel foiremovidodascavidadesnasais.Apresenc¸adesecrec¸ão nasalpurulentafoiobservadanascavidadesnasaisdos ani-mais.
As cobaiasforam tratadas duas vezespor dia, durante setedias,com injec¸ão desoluc¸ãosalinaIP nosGrupo S e Cecefazolina desódio(i.m.,50mg/kg/dia) nogrupo SC. O Grupo SA foi tratado por via oral com 5mg/kg/dia de amlodipina (dissolvida em soluc¸ão salina, duas vezes por dia),durantesetedias.Osanimaisforamentãosacrificados comuma dose letal detiopental de sódio e decapitados. Odorsonasalexternofoiesterilizadocomcotonete embe-bidoemiodopovidonaeapósaelevac¸ãodapeleasparedes nasaislateraiseosseiosmaxilaresforamretiradosda cavi-dadenasaldireita.Amucosadasparedeslateraisnasaisfoi armazenadaa−80◦Cparaanálisebioquímica.
Análisehistopatológica
Analisesemiquantitativa
A área de 50 m2 foi diferenciada por meio de uma microlâmina com aumento de 40x para cada corte. As alterac¸ões histopatológicas noparênquima e estroma das partes de tecidos foram determinadas com aumento de x40emdezáreasmicroscópicasescolhidasaleatoriamente por um examinador cego. Posteriormente, a média arit-méticafoiestabelecidasemiquantitativamente,deacordo comSimseketal.11 Edemadelaminaprópria,perdaciliar, vasodilatac¸ão,númerodecélulascaliciformesedeposic¸ão decolágenoforammarcados.Apontuac¸ãofoideterminada eclassificada como ausente=0,leve=1, moderada=2, ou acentuada=3.12
Análiseestereológica
Asanálisesestereológicasforamfeitascomumaestac¸ãode trabalhodeestereologia,queconsistiuemumsoftwarede estereologia(StereoInvestigator,versão9.0, MicroBrightFi-eld,Colchester,VT,EUA),ummicroscópioópticomodificado (LeicaDM4000 B, Alemanha) e umsistema mecânico que podiamoverocorteemambasasdirec¸õesxey.Ométodo estereológicodofracionadoróticofoiusadoparacontar leu-cócitos polimorfonucleares (LPMNs) na lâmina própria de seiscortesdetecidoparacadacobaia.Oscortesforam exa-minadoscomumaumentode40x,emlenteLeicaPlanApo (NA=1,40).AdensidadedosLPMNsfoiestimadadeacordo comodefinidoporKaraetal.13
Análisebioquímica
Amostrasda mucosada parede nasallateral que mediam 0,5 cm2 foram usadas para a análise bioquímica. A ati-vidade de superóxido dismutase (SOD),14 os níveis de Glutationa(GSH)15eomalondialdeído(MDA)16foram medi-dos em duplicata para cada sobrenadante da amostra e padrõesemtemperaturaambiente,comummétodo modi-ficadoe um leitorde Elisa. Aabsorbância média decada amostrae o padrão foram calculados. Uma curva padrão foi representada graficamente e a equac¸ão de relac¸ão linear obtida a partir da absorbância dos padrões. As concentrac¸õeslinearesdeSOD,GSHeMDAforam calcula-dasdeacordocom essaequac¸ão.OsresultadosparaSOD, GSH e MDA nos tecidos foram expressos como U/mg de proteína,mmoL/mL de proteína e nmoL/mg deproteína, respectivamente. Todos os dados são apresentados como média±desviopadrão(DP),baseadosemmgdeproteína.As concentrac¸õesdeproteínaforamdeterminadaspelométodo de Lowry, segundo padrões de proteínas comerciais (kit proteínatotal-TP0300-1KT; Sigma Chemical Co., Munique, Alemanha).
Análiseestatística
Todososdadosforamexpressoscomomédiadogrupo±DP eanalisadoscomoprogramaSPSS(IBMSPSSStatistics20.0, IBMCorporation,Somers,NY,EUA).Otestede Kolmogorov--Smirnov foi aplicado para análise da distribuic¸ão dos dados. Os dados histopatológicos estereológicos
e semiquantitativos foram analisados pelo teste não paramétrico de Kruskal-Wallis, seguido pelo teste U de Mann-Whitney.Otesteparamétricodeanálisedevariância (Anova) e o teste de LSD para a separac¸ão média foram usadosparaanalisarosdadosbioquímicos.Umvalorcrítico designificânciadep<0,05foiusadoaolongodoestudo.
Resultados
Resultadoshistopatológicos
GrupoC(Controle)---aestruturaepitelialobservadaera nor-mal. Não foi observada perda ciliar. Foi observada pouca infiltrac¸ãodecélulasinflamatóriasnalâminaprópria, sem edema(fig.1,tabela1).
Grupo S (rinossinusite+soluc¸ão salina) --- foram obser-vadas alterac¸ões morfológicas acentuadas nas células epiteliais.Perdaciliar,aumentodonúmerodecélulas cali-ciformes e edema da lâmina própria foram detectadas nesse grupo. Por outro lado, um maior número de célu-lasdegenerativasnoepitélio,comcitoplasmaeosinofílicoe núcleoscondensados,foiobservado.Vasodilatac¸ãoemveias e aumentodainfiltrac¸ãodeneutrófilosem lâminaprópria foramassinalados.Diferentementedosoutrosgrupos,foram observadasinfiltrac¸õesdemacrófagoseadeposic¸ãode colá-genoestavaaumentadanessegrupo(fig.1,tabela1).
Grupo SC (rinossinusite+cefazolina sódica) --- nenhuma perdaciliarfoidetectada.Onúmerodecélulascaliciformes eadeposic¸ãodecolágenoforammenoresdoquenoGrupo S.Adilatac¸ãodosvasosfoisimilaràdoGrupoC.Essegrupo apresentouomaiorníveldeedemadelâminaprópria.Havia menoscélulasdegenerativasnoepitéliodoquenoGrupoS. Diferentementedosoutrosgrupos,oaumentodascélulasdo tecidoconjuntivofoiacentuado(fig.1,tabela1).
Grupo SA (rinossinusite+amlodipina) --- esse grupo assemelhou-se mais ao Grupo C do que os outros grupos experimentais.Perdaciliarnãofoidetectada.Onúmerode célulascaliciformesfoimenordoquenoGrupoS,enquanto adeposic¸ãodecolágenoeedemadelâminaprópriaforam semelhantesaoGrupoC.Avasodilatac¸ãofoimaiordoque nosoutrosgrupos experimentais,masonúmerodecélulas degenerativasnoepitéliofoimenor(fig.1,tabela1).
Resultadosestereológicos
Aanáliseestatísticamostrouquehouvediferenc¸as significa-tivasentretodososgrupos(p<0,05).Quandoasdensidades numéricasmédiasdeLPMNsforamcomparadasemtodosos grupos, observou-seque o Grupo S teve o maior valor. O valordoGrupoSAfoiseguidopelodoGrupoS;enquantoo GrupoSCtevevalorsimilaraodoGrupoC(tabela2).
Resultadosbioquímicos
Grupo C
Grupo S
Grupo SC
Grupo SA
V
V
E
L.P
Figura1 Micrografiadetecidosparatodososgrupos.E,epitélio;LP,lâminaprópria;V,vasodilatac¸õesnasveias,estrelaamarela; célulascaliciformes,estrelavermelha;edemadelâmina,setaverde;neutrófilos,setavermelha;macrófagos,setalaranja;células epiteliaisdegenerativas,setaamarela;cílios,colorac¸ãoH&E.
Tabela1 Resultadosestatísticosdaavaliac¸ãosemiquantitativadasalterac¸õeshistopatológicasemtodososgrupos
Grupos N◦ deindivíduos ELP PC V NCC DC
C 5 0,14±0,07d 0,09±0,11d 0,12±0,04d 1,11±0,10d 0,14±0,05d
S 5 1,12±0,20c 2,90
±0,10a 2,85
±0,19b 2,94
±0,16a 2,91
±0,10a
SC 5 2,06±0,16a 0,40±0,09b 1,70±0,27c 1,18±0,18c 1,07±0,06b
SA 5 1,08±0,21b 0,16
±0,09c 2,92
±0,08a 1,98
±0,47b 1,01
±0,17c C,grupocontrole;DC,deposic¸ãodecolágeno;ELP,edemadelâminaprópria;NCC:númerodecélulascaliciformes;PC,perdadecílios; S,gruporinossinusite+soluc¸ãosalina;SA,gruporinossinusite+amlodipina;SC,gruporinossinusite+cefazolina;V,vasodilatac¸ão. Médiasnamesmacolunacomletrassobrescritasdistintassãoestatisticamentediferentesentresi(p<0,05).Osvaloresapresentadosna tabelasãoexpressosemmédia±desviopadrão.FoiusadotestedeKruskal-Walliscompostosevaloresforamconsideradossignificativos quandop<0,05(todososgrupos).
Tabela2 Resultadosestatísticosdasdensidadesnuméricas deinfiltrac¸ãodeleucócitospolimorfonucleares(LPMN)nos gruposdetratamentoecontrole
Grupos LPMN(média±DP)
C 1,405±0,034d
S 4,105±0,062a
SC 1,796±0,008c
SA 2,514±0,064b
Médiasnacolunacomletrassobrescritasdistintassão estatisti-camentediferentesentresi(p<0,05).Osvaloresapresentados natabelasãoexpressosemmédia±desviopadrão. Foiusado testedeKruskal-Walliscompostosevaloresforamconsiderados significativosquandop<0,05(todososgrupos).
C, grupo controle; S, grupo rinossinusite+soluc¸ão salina; SA, grupo rinossinusite+amlodipina; SC, grupo rinossinu-site+cefazolina.
em todos os três grupos de tratamento, em comparac¸ão como grupode controle.Nos grupos de tratamento,SOD (p<0,004) e GSH (p<0,003) foram maiores no Grupo SA, seguidopeloGrupoSC,eforammenoresnogrupoS.Osníveis deMDA(p<0,003p)forammaisbaixosnoGrupoSA,seguido pelogrupoSC,eforammaioresnogrupoS.
Discussão
60
50
40
30
20
10
0 C d
a
b
c
SC S
Grupos
Atividade de SOD U/ml
SA
Figura2 Atividadedesuperóxidodismutase(SOD)dos gru-pos de estudo. Todos os grupos mostraram uma diferenc¸a estatística entre si. O Grupo S apresentou a menor ativi-dadedeSOD.C,grupo controle;S,gruposinusite; SC,grupo sinusite+cefazolina;SA,gruposinusite+amlodipina.Usamosa análisedevariância(Anova)eotestedeLSD(diferenc¸amínima significativa)evaloresforamconsideradossignificativosquando
p<0,05(todososgrupos).Asbarrasnasdiferentesséries apre-sentadasporletrasdistintas(a,b,c,ed)sãoestatisticamente diferentesentresi.
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0 C d
a b
c
SC
S SA
Grupos
Nível de GSH mmol/ml
Figura3 Níveisde glutationa(GSH) nos grupos de estudo. Todososgruposmostraramumadiferenc¸aestatísticaentresi. OGrupoSapresentouomenorníveldeGSH.C,grupocontrole; S,gruposinusite;SC,gruposinusite+cefazolina;SA,grupo sinu-site+amlodipina. Usamosa análisede variância (Anova) eo testedeLSDevaloresforamconsideradossignificativosquando
p<0,05(todososgrupos).Asbarrasnasdiferentesséries apre-sentadasporletrasdistintas(a,b,c,ed)sãoestatisticamente diferentesentresi.
bactériasresistentes àsterapiasantibióticas atuaisé uma ameac¸a clínica em todo o mundo. O desenvolvimentode novosagentesantibacterianosparamodular arespostaao estressede drogas em bactérias e mecanismos de defesa do hospedeiro é essencial. Embora o nosso estudo tenha sidodirecionadoàrinossinusitenaformaaguda,osefeitos protetores de tecidos e anti-inflamatórios da AML podem terumpapelnaprevenc¸ãodoprolongamentodadoenc¸ae progressãoparaoestadocrônico.
Compostos medicamentosos usados no tratamento de doenc¸as não infecciosas, mas que apresentam proprie-dades antimicrobianas, são chamados não antibióticos. Esses compostos são divididos em duas classes: os que têm atividade antibacteriana direta são chama-dos ‘‘antimicrobianos não antibióticos’’, enquanto o segundo grupo é formado por ‘‘compostos adjuvantes’’
3,00
2,50
2,00
1,50
1,00
0,50
0,00
S
C SC
Grupos
Nível de MDA mmol/ml
a
d
c
b
SA
Figura 4 Níveis de malondialdeído (MDA) nos grupos de
estudo.Todososgruposmostraram umadiferenc¸a estatística entresi.OGrupoSapresentouomaiorníveldeMDA.C,grupo controle; S, grupo sinusite; SC, grupo sinusite+cefazolina; SA,gruposinusite+amlodipina.Usamosaanálisedevariância (Anova)eotestedeLSDevaloresforamconsiderados significa-tivosquandop<0,05(todososgrupos).Asbarrasnasdiferentes sériesapresentadasporletrasdistintas(a,b,c,ed)são esta-tisticamentediferentesentresi.
e ‘‘moduladores de macrófagos’’.18---20 Os compostos não antibióticosmaisconhecidossãoasfenotiazinas;21a clorpro-mazina;atioridazina;22,23omedicamentoanti-inflamatório diclofenaco;24 os anti-histamínicos, tais como prometa-zina e difenidramina; e as drogas cardiovasculares, tais como amlodipina, dobutamina, lacidipina, nifedipina e oxifedrina.25---27Omecanismoexatodeac¸ãodos antimicrobi-anosnãoantibióticosnãofoideterminado,mastemsido pro-postoqueelespossammodificarapermeabilidadecelulare afetarasbombasdeefluxodepotássioedecálcioem bac-tériassensíveis.Aresistênciabacterianatambémtemsido revertida pela adic¸ão de medicamentos não antibióticos, taiscomoasfenotiazinaseaclorpromazina,umantibiótico aoqualasbactériassãoinicialmenteresistentes.19
Temsidorelatadoque aamlodipina detéma atividade antibacteriana mais poderosa dentre os não antibióticos cardiovasculares.11Estudosinvitrotambémsugeriramque osantagonistasdecálciodediidropiridinafuncionamcomo antioxidantes e reduzem a oxidac¸ão induzida por leucó-citos de lipoproteínasde baixadensidade.28 Também tem sido sugerido que a AML melhora a disfunc¸ão endotelial emdiabetespormeiodemecanismosantioxidantese anti--inflamatórios.29 Foi demonstradoqueela ageem sinergia comantibióticose tematividadeantimicrobiana in vivoe
invitrocontraváriasbactérias.25
combaterasROS.Nopresenteestudo,osníveisdeSODeGSH forammaioresnogrupodecontrolesaudável,seguidopelos GruposSA,SCeS.OsníveisdeMDA,queindicamdano teci-dualpelaperoxidac¸ãolipídica,forammaisbaixosnogrupo controle,seguidopelosGruposSA,SCeS,emordem cres-cente.Emnossoestudo,aAMLapresentoumaiormelhoria doestadooxidativodoquecefazolinasódica.Essesachados sugeremqueaAMLmelhorouosmecanismosdedefesa anti-oxidantes,reduziuosníveisdeMDAeevitouassimodano tecidualcausadoporROS.
Embora osmecanismos dedefesadohospedeiro sejam formasbásicasparaeliminarmicrorganismospatogênicos,a gravidadedadoenc¸ainfecciosaprecisaseradicionalmente controlada por mecanismos de protec¸ão suplementares, que limitam a extensão do dano tecidual. Isso é cha-mado de tolerância à doenc¸a, um fenômeno biológico baseado principalmente na protec¸ão de autotecidos de ataquesdosistemaimunológico. Ocontrole dedano teci-dual é um importante componente dos mecanismos de defesa do hospedeiro contra a infecc¸ão, pois reforc¸a a func¸ão de barreira das células epiteliais para impedir o acesso de agentes patogênicos aostecidos do hospedeiro elimita agravidadedadoenc¸aseminterferirnacargado patógeno.30
Sugere-sequeafisiopatologiadasinusitecrônicaenvolve umaresposta imune disfuncionalque ocorre entre o hos-pedeiro e o ambiente, localmente, no nível da mucosa. Defeitos na barreira mecânica e aumento da colonizac¸ão microbiana levamà ampliac¸ão da estimulac¸ão dosistema imunitário e da inflamac¸ão. Alguns relatos indicam um estadooxidativoalteradonasinusitecrônica.Kassimetal. relataramqueareduc¸ãodosníveisdeglutationaera signi-ficativamentemenor em casos graves desinusite crônica, maserasemelhanteemcasoslevesecontroles.31Também observaramníveissignificativamentediminuídosdeSODem casoslevese graves,em comparac¸ãocom indivíduos con-trole, commaior diminuic¸ão em casos graves. Umestudo conduzidoporWesterveld etal. relatoureduc¸ão significa-tivanosníveisdeglutationaemamostrasdemucosaobtidas de pacientes com sinusite crônica, em comparac¸ão com controles saudáveis, mas, no estudo, não foram forneci-dasinformac¸õessobreagravidadedadoenc¸a.32Amelhoria do estado oxidativo da mucosa sinonasal e a diminuic¸ão da inflamac¸ão e dos danos nos tecidos podem potencial-mentecontribuirparaotratamentodarinossinusiteaguda e podem impedir a progressão da doenc¸a para o estado crônico.
O exato mecanismo de ac¸ão antimicrobiana da AML aindaprecisaserplenamenteesclarecido.Noentanto,uma reduc¸ão nasconcentrac¸õesinibitóriasmínimas de antibió-ticos pelo seu uso pode torná-la um composto auxiliar benéficoparaotratamentodeinfecc¸õesbacterianasgraves ourecalcitrantesdotratorespiratóriosuperior.AAMLpode melhoraroestadoantioxidanteeaintegridadedostecidose diminuirainflamac¸ãoassociadaàrinossinusitebacteriana. Essemedicamentopode,portanto,terumpapelpotencial notratamentodarinossinusite,controlaosdanosaostecidos elimitaagravidadedadoenc¸a.
Osresultadosdo presenteestudoindicaramque aAML melhorouasatividadesdaSODeGSH ediminuiuosníveis de MDA, melhorouassim o estado oxidativo e diminuiu a peroxidac¸ãolipídicanamucosasinonasal.
Conclusão
OpresenteestudoavaliouoefeitodaAMLsobreainflamac¸ão eoestadooxidativodamucosasinonasalcomoumagente único. A combinac¸ão de AML e antibiótico pode produzir uma reduc¸ão mais dramática do estresse oxidativo e da inflamac¸ãoeagiremsinergiacomoantibiótico. Acredita-mosqueestudosfuturoscomdiferentesmicro-organismos equeinvestiguemoefeitodaAMLcoadministradacomum antibiótico,tantoemmodelosagudoscomoemcrônicosda rinossinusite,seriambenéficos.
Aprovac
¸ão
ética
Osexperimentoseprocedimentoscomanimaisforamfeitos de acordo com as diretrizes nacionais para o uso e cui-dadodeanimaisdelaboratórioeoestudofoiaprovadopelo ComitêLocaldeCuidadoscomAnimaisdaAtaturk
Univer-sity’s(número2014-1/12).
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
Agradecimentos
Ao Prof. Hasan Turkez, da Erzurum Technical University, pelasanálisesestatísticas.
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