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REVISTA
BRASILEIRA
DE
REUMATOLOGIA
Artigo
original
Investigac¸ão
de
polimorfismos
no
gene
MEFV
(G138G
e
A165A)
em
pacientes
adultos
com
febre
mediterrânica
familiar
Mustafa
Ferhat
Öksuz
a,∗,
Mutlu
Karkucak
b,
Orhan
Görukmez
c,
Gökhan
Ocako ˘glu
d,
Abdulmecit
Yıldız
e,
Mehmet
Ture
f,
Tahsin
Yakut
fe
Kamil
Dilek
aaUludagUniversity,FacultyofMedicine,DepartmentofInternalMedicine,DivisionofRheumatology,Bursa,Turquia bSakaryaUniversity,EducationandResearchHospital,DepartmentofMedicalGenetics,Sakarya,Turquia
cSevketYilmazEducationandResearchHospital,DepartmentofMedicalGenetics,Bursa,Turquia dUludagUniversity,FacultyofMedicine,DepartmentofBiostatistics,Bursa,Turquia
eUludagUniversity,FacultyofMedicine,DepartmentofInternalMedicine,DivisionofNephrology,Bursa,Turquia fUludagUniversity,FacultyofMedicine,DepartmentofMedicalGenetics,Bursa,Turquia
informações
sobre
o
artigo
Históricodoartigo:
Recebidoem13dejunhode2015 Aceitoem25desetembrode2015
On-lineem21defevereirode2016
Palavras-chave:
Febremediterrânicafamiliar GeneMEFV
Polimorfismo
r
e
s
u
m
o
Objetivo:Identificaram-semutac¸õesnogenedafebremediterrânica(MEFV)relatadascomo responsáveispelafebremediterrânicafamiliar(FMF).Esteestudotevecomoobjetivo deter-minarafrequênciademutac¸õesnoMEFVnaregiãosuldomardeMármaraeinvestigar oimpactodos polimorfismosgenéticosG138G(rs224224, c.414A>G)eA165A (rs224223, c.495C>A)nosachadosclínicosdadoenc¸a.
Métodos:Foramincluídosnesteestudo116pacientescomdiagnósticodeFMFe95indivíduos nogrupocontrole.Usou-seométododeanálisedasequênciadeDNAparaidentificaras 10mutac¸õesmaisprevalenteslocalizadasnoséxons2e10dogeneMEFV.
Resultados: Comoresultadodaanáliseda mutac¸ãoMEFV,amutac¸ãomaiscomumfoia mutac¸ãoalélicaM694V,comumataxadefrequênciade41,8%.Quandoosgruposde pacien-tesecontrolesforamcomparadosemtermosdefrequênciadeambososalelospolimórficos (alelopolimórficoG,observadonoG138GeoalelopolimórficoA,observadonoA165A),a variac¸ãoobservadafoiestatisticamentesignificativa(p<0,001).Verificou-sequeostipos demutac¸ãonoMEFVnãotinhamrelac¸ãocomosachadosclínicosnemcomaamiloidose (p>0,05).
Conclusões:Quesetemconhecimento,esteestudoéoprimeirofeitonaregiãosuldomar deMármaraquerelataafrequênciademutac¸õesnoMEFV.Osachadosindicamqueos poli-morfismosG138GeA165Apodemterumimpactosobreoprogressodadoenc¸a.Acredita-se quesãonecessáriosmaisestudosqueabranjamummaiornúmerodecasoseinvestiguem ospolimorfismosdogeneMEFV.
©2016ElsevierEditoraLtda.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCC BY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
∗ Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](M.F.Öksuz).
http://dx.doi.org/10.1016/j.rbr.2015.09.006
Investigation
of
MEFV
gene
polymorphisms
(G138G
and
A165A)
in
adult
patients
with
familial
Mediterranean
fever
Keywords:
FamilialMediterraneanfever MEFVgene
Polymorphism
a
b
s
t
r
a
c
t
Aim:VariousmutationshavebeenidentifiedintheMediterraneanFever(MEFV)genewhich isreportedtoberesponsiblefromFamilialMediterraneanFever(FMF).Inourstudy,weaimed todeterminethefrequencyoftheMEFVmutationsinourregionandtoinvestigatethe impactofG138G(rs224224,c.414A>G)andA165A(rs224223,c.495C>A)genepolymorphisms ontheclinicalfindingsofthedisease.
Methods: OnehundredandsixteenpatientsdiagnosedwithFMFand95controlsubjects wereincludedinthisstudy.WeusedtheDNAsequenceanalysismethodtoidentifythe mostprevailing10mutationslocatedinexon2and10ofMEFVgene.
Results: AsaresultoftheMEFVmutationanalysis,themostcommonmutationwasthe M694Vmutationallelewithafrequencyrateof41.8%.Whenthepatientsgroupandcontrol groupwerecomparedintermsoffrequencyofbothpolymorphicalleles(Gpolymorphic allele,observedinG138GandtheApolymorphicallele,observedinA165A),thevariation wasobservedtobestatisticallysignificant(p<0.001).ItwasfoundthattheMEFVmutation typeshavenorelationwithclinicalfindingsandamyloidosis(p>0.05).
Conclusions: Toourknowledge,ourstudyisthefirststudyintheSouthernMarmararegion thatreportsthefrequencyofMEFVmutations.Ourfindingsimplythatthepolymorphisms ofG138GandA165Amayhaveanimpactonprogressofthedisease.Wethinkthatmore studies,havinghighernumberofcasesandinvestigatingthepolymorphismsofMEFVgene, areneeded.
©2016ElsevierEditoraLtda.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-ND license(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Introduc¸ão
Afebremediterrânicafamiliar(FMF)éumadoenc¸a inflama-tóriahereditáriaautossômicarecessivaqueafetaaspessoas daregiãodoMediterrâneo,incluindoturcos,armênios,judeus nãoAshkenazieárabes. Caracteriza-seporepisódios recor-rentesdeperitonite,febre,erupc¸õescutâneas,artriteeoutras inflamac¸õesserosas.1–3 Emboraas crisessejam
autolimita-das,emalgunspacientesaFMFcausaaamiloidosetipoAA, quelevaàinsuficiênciarenal.Aamiloidosecomumentecausa danosemoutrosórgãos,alémdeinsuficiênciarenal.O prog-nósticoédeterminadopelacomplicac¸ãodeamiloidoseAA. Osepisódios inflamatórioseaamiloidose renal podemser prevenidospelotratamentocomcolchicina.2,4–6
A FMF é causada por mutac¸ões no gene MEFV. Esse gene está localizado no brac¸o curto do cromossomo 16 e é composto por 10 éxons. A proteína codificada por esse geneédenominadapirina/marenostrina;estápresentequase exclusivamentenosneutrófiloseemseusprecursores.Essa proteína está envolvidana regulac¸ãoda inflamac¸ão, apop-tosee/ousecrec¸ãodecitocina.4,7,8Asquatromutac¸õesmais
comuns,M694V,V726A,M680IeM694I,sãoencontradasno éxon 10 do gene. Outra mutac¸ão, a E148Q, é encontrada noéxon2.Essascinco mutac¸õessãoencontradasemmais de dois terc¸os dos casos.2,9 Diversos estudos
demonstra-ramqueamutac¸ão M964Vestá associadaàdoenc¸a grave, caracterizadaporinícioprecoce, frequênciaelevadade cri-ses,necessidadedealtasdosesdecolchicinaealtafrequência deamiloidoseempacientesnãotratados.AE148Qé encon-tradaempopulac¸õesemqueaFMFérara.Amutac¸ãoE148Q tambémécomum,masseupapelnadoenc¸aécontroverso.
AmaiorpartedosespecialistasemFMFserefereaelacomo umamutac¸ãoquecausadoenc¸aleve.2,11–13Muitos
polimor-fismos,comooD102D(rs224225,c.306T>C),G138G(rs224224, c.414A>G),A165A(rs224223,c.495C>A)eR202Q(rs224222, c.605G>A), são encontrados no éxon 2 do gene MEFV. Os polimorfismos D102D, G138G eA165A são sinônimos vari-antes. Emumestudo,Bas¸arslanetal.14 informaramqueas
frequências alélicasdospolimorfismos G138G eA165Asão maioresempacientescomFMF.Emoutroestudo,Akaretal.15
citaramqueosportadoresdoalelo138Glytinhammaior pro-pensãoaodesenvolvimentodeamiloidose eacrescentaram que não houve diferenc¸a estatisticamente significativaem termosdopolimorfismoG138Gentrepacienteseindivíduos saudáveis.14,15
O presente estudo teve como objetivo determinar a frequência de mutac¸ão no MEFV na região sul do mar de Mármaraeinvestigaroimpactodospolimorfismosgenéticos G138GeA165Asobreosachadosclínicosdadoenc¸a.
Material
e
métodos
Amostra
Foram analisados retrospectivamente os prontuários de pacientes com FMF acompanhados pelo Departamento deMedicinaInternadaFaculdadedeMedicinada Universi-dadedeUludag,emBursa,Turquia.
verificadoclinicamente(combasenoscritériosdeTel Hasho-mer) e foi identificada mutac¸ão no gene MEFV. O grupo controlefoicompostopor95indivíduosemquemaFMFfoi excluídaclinicamenteenãofoiidentificadamutac¸ãonogene MEFV.Coletaram-sedadosdemográficosdogrupode pacien-tesegrupo controle.OestudofoiaprovadopeloComitêde ÉticadaUniversidadedeUludag.
IsolamentodoDNAeanálisedogeneMEFV(éxons2e10)
Coletaram-se amostras de sangue do grupo de pacientes egrupocontrole,queforamcolocadasemtuboscomEDTA. ODNAgenômicofoiextraído dosanguetotalcomo kitde isolamentodeDNAdiferentedeacordocomasinstruc¸õesdo fabricante(Dr.ZeydanlıLifeSciences,Ltda.,Turquia;RTARTA LaboratuvarlarıBiyolojikÜrünlerIlac¸veMakineSan.Tic.A.S., Gebze,Kocaeli,Turquia).
Os fragmentos de DNA com dois éxons do gene MEFV (éxons2e10)foramamplificadosporreac¸ãoemcadeiada polimerase(PCR),comprimersespecíficos.AamostrasdePCR foramanalisadasporsequenciamentodiretodoséxons2e10 dogeneMEFV noanalisadorde DNAABI-3130(AppliedBio systems,EUA). Apóssequenciamento,osdadosforam ana-lisadospormeio dosoftwaredeanálisedosequenciamento deDNAv.5.2àprocurademutac¸ões(E148Q,M694V,M680I, V726A,K695R,M694I,R761M,A744S)epolimorfismosdoéxon 2(G138GeA165A)maisfrequentes.
Análiseestatística
As idades foram representadas como valores medianos (mínimo-máximo)eforamcomparadasentreosgruposcomo testeUdeMann-Whitney.Nacomparac¸ãodasvariáveis cate-góricas,foramusadosostestesdequi-quadradodePearson, qui-quadradodeYateseexatode Fisher.Todas asanálises estatísticasforamfeitascomoprogramaSPSS13.0(Chicago, IL).Asignificânciaestatísticafoifixadaemp<0,05.
Resultados
Oestudofoicompostopor116adultoscomFMF(61dosexo feminino,55domasculino)e95indivíduosdogrupocontrole (51dosexofeminino,44domasculino).Nãohouvediferenc¸a estatisticamentesignificativanosexoouidadeentreosgrupos (p=0,9ep=0,4,respectivamente).Ascaracterísticas demográ-ficaseclínicasdospacientescomFMFsãomostradasnatabela 1.Alémdisso,10pacientes(8,6%)tinhamdoenc¸arenalcrônica e15(12,7%)tinhamproteinúria.
Afrequênciadascincomutac¸õesnoMEFVmaiscomuns nesteestudoéapresentadanatabela2.
Adistribuic¸ãodosgenótiposdogeneMEFV(homozigoto, heterozigotoeheterozigotocomposto)émostradanatabela 3.Adistribuic¸ãodosgenótipos(G138GeA165A)foi significa-tivamentediferenteentreosgrupos depacientes comFMF econtroles(p<0,001,tabela4).Paraopolimorfismogenético G138G,afrequênciadoaleloGfoide68%nogrupodepacientes comFMFe46%nogrupocontrole(fig.1).Paraopolimorfismo genéticoA165A,afrequênciadoaleloAfoide67%nogrupo depacientes com FMF e45% no grupocontrole (fig.2). As
Tabela1–Característicasclínicasdogrupodepacientes comFMFegrupocontrole
FMF n=116(%)
Controlen=95(%) p
Gênero femi-nino/masculino)
61(52,6)/55(47,4) 51(53,7)/44(46,3) 0,9
Idade(anos)a 30(18-79) 30(18-71) 0,4
Dorabdominal 114(98,3) -
-Febre 127(74,1) -
-Artrite/artralgia 46(33,6) -
-Exantemado tipoerisipela
14(12,1) -
-Dortorácica 14(12,1) -
-Amiloidose 7(6) -
-a Mediana(mínimo-máximo).
Tabela2–Frequênciasalélicasdasmutac¸õesmais frequentementeencontradas
Mutac¸ão Frequênciaalélicaa
M694V 41,8%(97/232)
M680I(L/C) 14,6%(34/232)
V726A 6%(14/232)
K695R 3,4%(8/232)
E148Q 2,1%(5/232)
a Totaldealelos=232.
Tabela3–Distribuic¸ãodasmutac¸õesnoMEFV
Mutac¸õesnoMEFV Númerodepacientes %
M694V/N 38 32,7
M694V/M694V 20 17,2
M680I(L/C)/N 11 9,4
M694V/M680I(L/C) 10 8,6
V726A/N 7 6
K695R/N 6 5,4
M680I(L/C)/M680I(L/C) 5 4,3
M694V/V726A 5 4,3
E148Q/N 4 3,4
M694V/M694I 2 1,7
M680I(L/C)/V726A 2 1,7
M694V/E148Q 1 0,9
M694V/R761M 1 0,9
M680I(L/C)/R761M 1 0,9
K695R/K695R 1 0,9
A744S/N 1 0,9
R761M/N 1 0,9
Total 116 100
N,normal.
frequênciasalélicasdeambosospolimorfismosforam esta-tisticamentediferentesentreosgrupos(p<0,001).
Não houve relac¸ão estatisticamente significativa entre
quaisquer mutac¸ões ou polimorfismos (G138G e A165A) e
Tabela4–Distribuic¸ãodogenótipoMEFVentreos gruposFMFecontrole
FMF n=116
Controle n=95
p
Polimorfismo genético G138G (rs224224, c.414A>L)
<0,001
Genótipo A/A
12(10,30) 30(65,70)
Genótipo A/L
50(43,10) 43(31,30)
Genótipo G/G
54(46,60) 22(3)
Polimorfismo genético A165A (rs224223, c.495C>A)
<0,001
GenótipoC/C 12(10,30) 30(31,60) GenótipoC/A 53(45,70) 44(46,30) GenótipoA/A 51(44) 21(22,10)
100 90 80 70 60 50
40 32
68 54
46
Frequência do alelo A (%)
Frequência do alelo G (%) 30
20 10 0
Grupo controle Grupo FMF
Figura1–Distribuic¸ãodasfrequênciasalélicasdo
polimorfismogenéticoG138G(rs224224,c.414A>G)dogene MEFVnogrupodepacientescomFMFegrupocontrole.As barrasbrancasrepresentamafrequênciadoaleloAeas barrascinzasrepresentamafrequênciadoaleloG emambososgrupos.
100
90
80
70
60
50
40 33
67 55
45
Frequência do alelo C (%)
Frequência do alelo A (%)
30
20
10
0
Grupo controle Grupo FMF
Figura2–Distribuic¸ãodasfrequênciasalélicasdo polimorfismogenéticoA138A(rs224223,c.495C>A) dogeneMEFVnogrupodepacientescomFMFegrupo controle.Asbarrasbrancasrepresentamafrequência doaleloC,easbarrascinzasrepresentamafrequência doaleloAemambososgrupos.
Discussão
No presente estudo, avaliaram-se as frequências das
mutac¸ões genéticas no MEFV, a frequência alélica dos
polimorfismos G138G e A165Ae as manifestac¸ões clínicas
da doenc¸a em116 pacientes adultos com FMF que vivem
emBursa,naregiãodosuldomardeMármara,naTurquia.
Encontrou-se uma frequência significativamente maior do
aleloGnopolimorfismoG138GedoaleloAnopolimorfismo A165A.Noentanto,nãofoipossívelencontrarumaassociac¸ão significativa entre esses polimorfismos eas características clínicasdessespacientes.
Aprevalênciaestimadadadoenc¸anaTurquiaéde0,1%.
Noentanto,comomuitospacientesnãosãodiagnosticados,
acredita-sequepossasermaior.Aindanãoháumexame labo-ratorialespecíficoparaodiagnósticodeFMF.Naatualidade, odiagnósticoéfeitocombasenascaracterísticasclínicasdo paciente,comoachadosclínicos,etnia,históriafamiliar, res-postaàcolchicinaetc.10,16
NoTurkishFMFStudyGroup,osachadosclínicosem paci-entescommaisde18anosincluemdorabdominal(93,7%), febre (92,5%), artrite (27,1%) e exantema do tipo erisipela (10,4%).Emoutroestudo,feitoporKas¸ifo ˘gluetal.,os acha-dosclínicosforamdorabdominal(94,6%),febre(91,9%),artrite (39,8%)eexantemadotipoerisipela(23,7%).17,18
Observam--sesinais/sintomasclínicos–alémdafebre–emincidências semelhantesnosestudos.Porcausadousoregularde colchi-cinaedousodefármacosanti-inflamatóriosnãoesteroides comoaparecimentodadorabdominal,afrequênciadefebre encontradapodesermaisbaixadoqueareal.
Apesardafaltadeinformac¸ãoemrelac¸ãoàfrequênciatotal demutac¸ãonosestudosfeitosemnossopaís,asfrequências demutac¸ão nessasdiferentesregiõesforamdescritaspelos estudosfeitosnessasregiões.OTurkishFMFStudyGroup ava-lioumuitospacientesepessoassaudáveisem2005.Deacordo comesseestudo,foifeitaanálisegenéticaem1.090 pacien-tes;asmutac¸õesmaiscomunsforamdetectadasnasseguintes frequências:M694V51,4%,M680I14,4%eV726A8,6%.17Com
basenoestudofeitopeloTurkishFMFStudyGroup, considera--se queo diagnóstico genéticoda FMF podeser feitopela determinac¸ãodessastrêsmutac¸õesnamaiorpartedos paci-entes(cercade74%).
Em estudos feitos em várias regiõesda Turquia, foram descritosresultadossemelhantesàsfrequênciasencontradas pelo Turkish FMF Study Group. Gunes¸ac¸ et al.19 relataram
que asmutac¸õesmaiscomunsem90pacientes nas proxi-midades daregiãode C¸ukurovaforamaM694V(51,66%),a M680I(17,22%),aV726A(10,55%) eaM694I(1,66%).Emum estudoconduzidoporAkaretal.20naregiãodaAnatólia
cen-tral,asfrequênciasdamutac¸ãoM694V,M680I,V726AeM694I foramdeterminadascomode43,5%,12%,11,1%e2,8%, res-pectivamente. Em outro estudo feito emErzurum, Ertekin et al.21 determinaram quea mutac¸ãoM694V (51,3%)era o
tipo maiscomum de mutac¸ão. Esse tipoera seguido pelas mutac¸ões M680 (7,3%), V726A (4,9%), E148Q(4,9%) eR761H (2,4%),respectivamente.Deacordocomumestudofeitopor Yilmazetal.22 nasproximidadesdeAnkara,asmutac¸õese
estudosrecentes,afrequênciadasmutac¸õesM694V,M680Ie V726Aforamdeterminadascomode33,7%,15,5%e5%, res-pectivamente,porYigitet al.23 naregiãodomarNegro; as
frequênciasdasmutac¸ãoM694V,E148Q,V726AeM680Iforam determinadascomode47,6%,16,75%,12,95%,11,94%, respec-tivamente,porAkinetal.2naregiãodoEgeu.Emoutroestudo
recentefeitoemAncara,Doganetal.3relataramasmutac¸ões
efrequênciascomodeM694V42,05%,E148Q19,27%eM680I 16,27%.Nopresenteestudo,asfrequênciasdemutac¸ãoforam semelhantesàsencontradaspeloTurkishFMFStudyGroup.
AFMFéumdiagnósticoclínico,quepodeserapoiado,mas nãoexcluído,pelotestegenético.Osautoresrecomendaramo usodetestesgenéticossomenteemcasosatípicos,quandohá dúvidasemrelac¸ãoaodiagnósticoclínico.24Acredita-seque
conhecerotipodemutac¸ãoéútilparaconfirmaro diagnós-ticoedeterminarotratamentodascomplicac¸õesquepodem ocorrercombasenostiposdemutac¸ão.OspacientescomFMF quecarregam dois dosalelos que comumenteapresentam mutac¸ão (homozigotos ou heterozigotos compostos), espe-cialmente paraamutac¸ão M694Voumutac¸ões naposic¸ão 680-694noéxon10,devemserconsideradosemriscodeter umadoenc¸amaisgrave.24Ospacienteshomozigotosparaa
mutac¸ãoM694Vestãoemriscodedoenc¸adeinícioprecoce edesenvolvimentodeamiloidosecomocomplicac¸ão.18
Tam-bémsesabequeaamiloidoseimpõeumriscodeinsuficiência renal.Relata-sequeaintroduc¸ãodecolchicinareduz signi-ficativamenteascomplicac¸õesempacientesdiagnosticados clinicamenteemumafaseprecoce.25,26
Emum relatório doTurkish FMF StudyGroup, as quei-xasarticularesforamsignificativamentemaisfrequentesnos pacientes homozigotos para M694V/M694V, enquanto não houvediferenc¸aestatisticamentesignificativanaanálisede correlac¸ãoentreasmutac¸õeseachadosclínicoscomofebre, dorabdominaleamiloidose.17
Nopresenteestudo,nãofoiencontradacorrelac¸ão esta-tisticamente significativa entre os tipos de mutac¸ão e as frequênciasde doenc¸a renal crônica,amiloidose, proteinú-riaesintomascomofebre,dorabdominal,artralgia,artritee exantemadotipoerisipela.Quesetemconhecimento,o pre-senteestudoéimportanteporseroprimeiroadescrevera frequênciademutac¸õesnoMEFVnaregiãodosuldomarde Mármara.
Afalhaemdefinirexatamentearelac¸ãogenótipo-fenótipo dasmutac¸õesclássicasconhecidastematraídoaatenc¸ãopara polimorfismos nos quais a importância clínica não é bem conhecida.Na literatura, a relac¸ão entre os polimorfismos G138G(rs224224),A165A(rs224223),R202Q(rs224222)noéxon 2dogeneMEFVeadoenc¸aesuascomplicac¸õesédescritaem umapequenaquantidadedeartigos.14,15,27
Emumestudofeitonopaís,Ozturketal.relataramque portaropolimorfismoR202Qnãotemquaisquerefeitossobre aFMF,mastambémafirmaramqueasmutac¸õesnoéxon10 destegeneafetamossintomasdadoenc¸a.27
Em um estudo feito por Akar et al.15 foram incluídos
124pacientescomFMFe81controlessaudáveis.Foi investi-gadoopolimorfismoAla138Gly.Entreosgruposdepacientes econtroles,nãohouvediferenc¸aestatisticamente significa-tiva em termos de polimorfismo e Ala138Gly. Noentanto, quando47pacientescomamiloidoseforamcomparadoscom outrospacientesnosquaisaamiloidosenãofoidetectada,foi
observadadiferenc¸aestatisticamentesignificativaemtermos dopolimorfismoAla138Gly;relatou-seaindaqueoalelo poli-mórficodo138Glyempacientes comFMFesteve associado à amiloidose. No estudo conduzido por Bas¸arslan et al.,14
asfrequênciasdosalelospolimórficosdoG138G(rs224224)e A165A(rs224223)nospacienteserammaiselevadasdoqueno grupocontrole.
Nopresenteestudo,houvediferenc¸asignificativaem ter-mosdospolimorfismosG138GeA165Aquandocomparados pacientes eindivíduos saudáveis. Além disso, no presente estudo, ao contrário de outros estudos, foi investigada a relac¸ãoentreospolimorfismosG138GeA165Ae caracterís-ticas clínicas, como febre, dor abdominal, artrite/artralgia, exantemadotipoerisipela,doenc¸arenalcrônica,proteinúria eamiloidose.Noentanto,nãohouveassociac¸ão estatistica-mentesignificativa.Opequenotamanhodaamostraestudada esuaidade(todosos indivíduoserammaiores de18anos) podemterafetadoosresultados.
Nopresenteestudo,houvediferenc¸aestatisticamente sig-nificativaentreogrupodepacienteseogrupocontroleem relac¸ão aos polimorfismos G138G e A165A. Esses achados precisam seravaliados emestudosposteriores,com maior númerodecasosedadosdeseguimentoparadeterminara relac¸ãoentreofenótipoeasimplicac¸õesaodesenvolvimento decomplicac¸õesdadoenc¸ademodoclaro.
Entre aslimitac¸õesdopresenteestudoestão odesenho transversal,otamanhorelativamentepequenodaamostraea pequenaquantidadedepacientescomamiloidose(sete),além daexclusãodepacientescommenosde18anos.Acredita-se que sãonecessários outrosestudoscom amostras maiores emetodologialongitudinalpara elucidaro papelexato das mutac¸õesedospolimorfismosnocontextoclínicoe prognós-ticodepacientescomFMF.
Em conclusão, que setem conhecimento, este é o pri-meirorelatodaregiãosuldomardeMármaraadeterminar as frequências de mutac¸ões no MEFV. Observou-se que as frequênciasdemutac¸õesnoMEFVemnossaregiãosão simila-resàsencontradasnaliteratura.Alémdisso,foramobservados alelospolimórficosdoG138GeA165Aemmaiorfrequênciaem pacientescomFMFemcomparac¸ãoaoscontroles.Noentanto, nãoseobservouqualquerassociac¸ãoentreessasmutac¸õesou polimorfismosnessespacientes.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
r
e
f
e
r
ê
n
c
i
a
s
1.EceA,C¸akmakE,UlucaÜ,Kelekc¸iS,Yolbas¸ ˙I,Günes¸A,etal. TheMEFVmutationsandtheirclinicalcorrelationsin childrenwithfamilialMediterraneanfeverinsoutheast Turkey.RheumatolInt.2014;34(2):207–12.
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