JPediatr(RioJ).2017;93(3):308---310
www.jped.com.br
CARTAS
AO
EDITOR
Autism
in
2016:
additional
discovery
夽Autismo
em
2016:
descoberta
adicional
CaroEditor:
PosareVisconti1recentementepublicaramsuarevisão
bio-médica na área de pesquisa em autismo em 2016 com umfoco especialna func¸ão hipotéticadefatores ambien-tais, como poluic¸ão atmosférica. Os autores pesquisaram a literatura recente disponível na Biblioteca Nacional de Medicinados Estados Unidos (PubMed)em busca de hipó-tesesinteressantespublicadasentre1◦ dejaneirode2013
e 20 de agosto de 2016 (preferencialmente estudos de caso-controlequeenvolvessemparticipanteshumanos)com palavras-chave. Embora os autores tenham identificado umaestratégiadebusca, suaanálise nãoconsiderou uma minianáliserecém-publicadaque identificaopapel deum poluente atmosférico agrícola específico, o óxido nitroso (N2O), na etiopatogenia do autismo e em distúrbios do desenvolvimentoneurológicodeformamaisgeral.
Fluegge2sugeriurepetidamentequeaexposic¸ãoaoN
2O ambiental pode aumentar a suscetibilidade a distúrbios do desenvolvimento neurológico, inclusive transtornos do espectroautista (TEA)e transtorno dodéficit deatenc¸ão com hiperatividade (TDAH). Uma análise epidemiológica inicialrevelouumaassociac¸ãoentreousodopesticida gli-fosatoeTDAH,porémanálisesposterioresdesensibilidade constataramqueaassociac¸ãoprovavelmentedependia do níveldeurbanizac¸ãodaregiãoedaforteassociac¸ão especí-ficadoglifosatocomfertilizantesnitrogenadoseemissões presumíveisdeN2O.2 Essasconstatac¸ões foram reproduzi-dasemumaanálisedeinternac¸õesporTEA(comunicac¸ão pessoal). Os mecanismos hipotéticos de interesse ineren-tes a essas associac¸ões incluíram os alvos farmacológicos conhecidos da exposic¸ão a N2O de baixo nível, inclu-sive o antagonismo do receptor NMDA (Receptor de N-metil-D-aspartato),oestímulodaliberac¸ãodepeptídeos opioidescentrais e a supressão daatividade colinérgica.3
AanáliseéparticularmenteconsiderávelporqueoN2Onão foiconsideradoporPosareVisconti,1 assimcomoos
estu-dos que incluem sua análise como poluente atmosférico capazdecausarconsequênciasadversasàsaúdehumanae,
DOIserefereaoartigo:
http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2016.12.001 夽
Comocitaresteartigo:FlueggeK.Autism in2016:additional discovery.JPediatr(RioJ).2017;93:308---9.
emespecial,autismo.Portanto,éinteressantelera suges-tão dos autores para investigar se há uma diferenc¸a na prevalência de autismo entre nac¸ões expostas a baixos níveis em comparac¸ão com as expostas a altos níveis do poluente.
Tianetal.4relataramrecentementeastaxasdemudanc¸a
anuais de diversos fatoresambientais em diferentes con-tinentes e constataram aumentos significativos no uso de fertilizantes nitrogenados na América doNortede 1981 a 2010ereduc¸õessignificativasnaEuropanomesmoperíodo. Comoousodefontesdenitrogênioantropogênicaséo con-tribuinteambientalmaisdiretamenteatreladoàsemissões de N2O,5 essa diferenc¸a continental nouso de fertilizan-tes nitrogenados há décadas é especialmente reveladora e sugere emissões de N2O americanas derivadas dos fer-tilizantes nitrogenados mais altas em comparac¸ão com a Europa, fato confirmado pelo Painel Intergovernamental sobreMudanc¸asClimáticas(IPCC,2015).6Essadistinc¸ão
geo-gráficapodeexplicaradinâmicadiferencialnaprevalência deTEA.
EstudosepidemiológicosdebasepopulacionaldaEuropa indicam que grande parte do aumentona prevalência de TEAentre1980e2003 podeseratribuídoamudanc¸asnas práticas administrativas e de divulgac¸ão,7,8 ao passo que
aprevalência deTEAnoReinoUnidonosanos posteriores podeterseestabilizado.9Essesdadosdefendema
possibi-lidadedequeoaumentonaprevalênciaregistradadeTEA podesercausadomaispormudanc¸asadministrativas. Con-tudo, o aumento pronunciado na prevalência de TEA nos Estados Unidosentre2000 e2012, em especial,nãopode serprontamenteatribuídoaqualquerevoluc¸ãonoscritérios diagnósticos,poisnenhumaalterac¸ãoformalfoiintroduzida ouadotada nessetempo, embora nãopossaser desconsi-deradoqueoaumentonaprevalênciadeTEAnessetempo podeseratribuídoapráticasduradourasdesubstituic¸ãoou acúmulodediagnósticosiniciadasnasdécadasanteriores.10
Portanto, isso abre a possibilidade de que contribuintes ambientaisseculares,comoN2Oambiental,podemterum papelnaetiopatogeniadeTEAdeformadiferentenos con-tinentes.Emvistadessapesquisa,PosareVisconti1devem
expandirsuavisãosobreafunc¸ãodapoluic¸ãoatmosférica comoumfatorderiscodeTEA.Selevarmosemcontaque o N2Onãoé considerado umpoluente prejudicial àsaúde humanapelaliteraturanemporrepresentantesdegoverno, parecenecessáriaumareavaliac¸ãodessepoluente ambien-talespecífico.
Conflitos
de
interesse
CARTASAOEDITOR 309
Referências
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http://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK332896/
KeithFluegge
InstituteofHealthandEnvironmentalResearch, Cleveland,EstadosUnidos
E-mail:[email protected]
2255-5536/
©2016SociedadeBrasileiradePediatria.PublicadoporElsevier EditoraLtda.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCC BY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Authors’
reply:
‘‘Autism
in
2016:
additional
discovery’’
夽Resposta
do
autor:
‘‘Autismo
em
2016:
descoberta
adicional’’
CaroEditor:
Fluegge, em sua carta,1 comentou sobre nossa revisão a
respeito da etiopatogenia do transtorno do espectro do autismo(TEA)edestacouopossívelpapeldeumgás polu-enteatmosféricoedeefeitoestufa,oóxidonitroso(N2O), bemconhecidocomogásdoriso,usadoemcirurgiaporsuas propriedades analgésicas e anestésicas.2 Em 2006, Cohen
considerou ahipótese deenvolvimento doN2O na etiopa-togeniadoTEA,observouquequantidadeselevadasdeN2O nosanguepodemexplicarorisoincontroladoeoaltolimiar dedordetectadoemalgunsindivíduoscomTEA.2Poralguns
anos,essahipótesepassoudespercebida,apesardemuitos estudosteremsidofeitos,principalmentenosEstados Uni-dosdaAmérica(EUA),parainvestigarapossívelassociac¸ão entreváriospoluentesatmosféricoseumaumentonorisco deTEA.Osdadosdessesestudossugeremoenvolvimentoda
DOIsoforiginalarticles:
http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2016.12.002,
http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2016.12.001.
夽 Como citar este artigo: Posar A, Visconti P. Authors’ reply:
‘‘Autism in 2016: additional discovery’’. J Pediatr (Rio J). 2017;93:309---10.
exposic¸ãoprecoceaváriospoluentesatmosféricos(inclusive ozônio,óxidonítrico, dióxidodenitrogênio, monóxido de carbono,dióxidodeenxofre,particuladodediesel,alguns metaispesados,solventesaromáticos)naetiopatogeniado TEA.Recentemente,Flueggemencionou,porváriasvezes, ateoriadeque aexposic¸ãoprecoceao N2Opode aumen-taro risco de distúrbiosdo desenvolvimentoneurológico, inclusiveosTEAs,e,emumarevisão,eledescreveuem deta-lhesvários possíveismecanismosetiopatogênicospormeio dosquaisoN2Opodelevaradistúrbiosdodesenvolvimento neurológico,inclusivedesregulac¸ãodopaminérgica; antago-nismodoreceptorN-metil-D-aspartato(NMDA);ativac¸ãodo receptorkappa-opioide;einibic¸ãocolinérgicados recepto-res␣7.3
Acreditamosqueéválidoqualqueresforc¸oparamelhorar o entendimento da etiopatogenia dos TEAs e, principal-mente, as causas de sua prevalência drasticamente cres-centeobservadanasúltimasdécadas,pelomenosnosEUA.4