PERCEPÇÕES FORMATIVAS DO PIBID: CONSIDERAÇÕES A PARTIR DAS VIVÊNCIAS DAS BOLSISTAS
Elaine Braga Evaristo Cintra (PIBID-UENP)1, Francine Do Campo1(PIBID -UENP), Debora Mendes de Pinho (PIBID-UENP)2, Thaís de Sá Gomes Novaes
(Orientadora)3, e-mail: [email protected] Pibid de Iniciação a Docência.2Bolsista Pibid de Supervisão. 3Bolsista Pibid Coordenação de área.
Universidade Estadual do Norte do Paraná/ Campus de Cornélio Procópio/ Centro de Ciências Humanas e da Educação/Pedagogia.
Ensino, Subprojeto de Pedagogia
Palavras-chave: Pibid, Formação de professores,Relação teoria-prática.
Introdução
O Pibid (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência) é um projeto que tem por interesse o aperfeiçoamento e a valorização da formação de professores para a educação básica. Fazem parte deste programaestudantes de licenciaturas de diversos cursos, professores da educação básica e professores do ensino superior.
Os estudantes, no início de sua formação acadêmica são inseridos no ambiente das escolas públicas, orientados pelos coordenadores (professores do ensino superior) e supervisores (professores da educação básica) a desenvolverem atividades didático-pedagógicas nas salas de aula. Além disso, todos os envolvidos no programa participam de encontros semanais que são destinados para estudos, discussão e planejamento das atividades.
Nesse sentido, um dos objetivos do Pibid é “contribuir para a articulação entre teoria e prática necessárias à formação dos docentes, elevando a qualidade das ações acadêmicas nos cursos de licenciatura”(CAPES, 2017).
Segundo Pimenta (2006, p.20) “[...] é importante desenvolver nos alunos, futuros professores, habilidades para o conhecimento e a análise das escolas, espaço institucional onde ocorre o ensino e a aprendizagem”. Considerando que os cursos de licenciaturas ainda seguem o modelo tradicional de formação, caracterizado pela dissociação teoria-prática (PIMENTA; LIMA, 2004), o Pibid contribui para o desenvolvimento destas habilidades, pois possibilitam aos acadêmicos a aproximação com a realidade concreta das escolas e aos supervisores/professores em exercício, o desenvolvimento formativo no processo de ensino.
Para tanto, o texto está organizado em duas partes: na primeira descreveremos o caminho trilhado para a realização da pesquisa; na segunda, apresentaremos e discutiremos as percepções relatadas pelas bolsistas. Por fim, teceremos algumas considerações, sem o objetivo de findar a discussão dos achados da pesquisa.
O caminho da pesquisa
Nos cursos de formação docente, é muito comum, ouvirmos dos acadêmicos afirmações que remetem a uma dissociação entre teoria e prática como: “ser professor se aprende na prática” ou “na prática a teoria é outra”. Isso acontece, pois, mesmo que exista um esforço na organização curricular, no sentido de garantir a articulação entre esses dois conceitos a formação de professores, como afirma Pimenta e Lima (2004, p.33), nem fundamenta teoricamente a atuação do futuro profissional nem toma a prática como referência para fundamentação teórica. Dessa forma, tal situação aponta para uma formação inicial docente fragmentada, em que o acadêmico não tem claro a indissociabilidade entre teoria e prática e a sua importância para o desenvolvimento de uma prática pedagógica consciente.
Durante a graduação o contato que o acadêmico possui com a instituição escolar é fragmentado, com carga horária mínima. Restrita em algumas observações e docências, que acabam suprimidas em poucas experiências, em decorrência do tipo de relação existente entre a instituição de ensino e o estagiário. Mesmo nos cursos de formação de professores que já superaram o modelo tradicional,no qual os primeiros anos do curso eram destinados à aprendizagem de conhecimentos “teóricos” e os anos finais à
aprendizagem de conhecimentos “práticos”, a inserção do acadêmico na escola
ainda é um desafio para os cursos de formação de professores.
Com o Pibid o contato com a escola é diferenciado, pois o docente em formação observa e participa de diversas situações do cotidiano escolar e tem a liberdade de sugerir ações que, em parceria com a instituição de ensino e com o professor, podem se transformar em grandes experiências teórico-práticas que contribuem tanto para a formação inicial do futuro docente quanto para a formação contínua do professor supervisor, além de valorizar a instituição escolar que abre as portas ao projeto e o transformar em um ambiente mais rico em aprendizagem para os alunos.
No caso do Pibid-pedagogia da UENP/Campus Cornélio Procópio, as bolsistas participam semanalmente das atividades nas escolas, vivenciando a docência em duas modalidades: anos iniciais do ensino fundamental e curso de formação de professores em nível médio. Justamente para contrapor a antiga forma dos cursos de formação de professores, as bolsistas podem ingressar no Pibid desde o primeiro ano do curso.
profissional e pessoal solicitamos a15 bolsistas do referido subprojeto Pibid que respondessem a um questionário com três questões dissertativas:
1. Quais as suas expectativas formativas com o ingresso no PIBID? Quais conhecimentos esperava adquirir?
2. Como você avalia o PIBID para sua formação profissional e formação de estudante?
3. Como você avalia as experiências do Pibid e as experiências do curso de graduação?
O objetivo do questionário era de identificar as expectativas iniciais das participantes no momento em que foram inseridas ao programa, e se essas expectativas iniciais foram alcançadas.Por fim, caracterizar a contribuição do Pibid para a formação profissional e formação como estudante.
Das bolsistas que se submeteram ao questionário, 13 são de iniciação a docência e, portanto, acadêmicas do curso de pedagogia e, duas (2) são bolsistas de supervisão e, por isso, professoras da educação básica. Seis (6) ingressaram no programa cursando a primeira sériedo curso de pedagogia e sete (7) ingressaram cursando a segunda série do curso.
As percepções formativas do Pibid apresentadas pelas participantes da pesquisa serão discutidas a seguir.
Algumas percepções formativas sobre o Pibid
As respostas apresentadas na primeira questão - Quais as suas expectativas formativas com o ingresso no PIBID? Quais conhecimentos esperava adquirir? – revelam que as preocupações das acadêmicas estavam na aprendizagem do trabalho docente em si, uma vez que, de modo geral, o que as bolsistas esperavam era aprender técnicas de ensino, metodologias novas e diferenciadas, contribuições para a prática e como ensinar. Conforme descrevem os relatos abaixo:
Pensava que iria aprender métodos de ensino.
Esperava adquirir conhecimentos como, uso adequado das metodologias de ensino [...].
Conhecimentos que só teria com aprofundamentos, como utilizar outras metodologias que nos ajude na sala de aula. Conhecer e vivenciar novas experiências pedagógicas.
[...] procedimentos metodológicos, os conhecimentos das diversas disciplinas e como aplicá-los em sala.
de professores: o conhecimento da realidade escolar por parte dos futuros professores.
No entanto, assemelham-se aos resultados apresentados por Bernadete Gatti et al (2014), isto é, a possibilidade de experimentar formas didáticas diversificadas e de criar modos deensinar - características dos projetosPibid – são tidas como valorosas para a formação inicial de professores.
ParaVanessa Moretti (2010), é no trabalho docente e nas ações intencionais que tenham por objetivo dar conta dos desafios cotidianos do ensinar, que o professor vai formar-se professor. Essa dimensão da formação no desenvolvimento de ações intencionais e consciente apareceu na questão de número dois, nas quais as bolsistas tinham que expor a contribuição do Pibid para sua formação profissional e formação de estudante.
[...] pude aprender de forma significativa. Vale ressaltar que o Pibid proporciona experiências de articulação entre o conhecimento científico e as práticas de conteúdo aplicadas em sala de aula.
O Pibid além de nos proporcionar uma experiência profissional [...] nos traz a prática e a teoria desenvolvidas no curso em sala de aula, dando ênfase na docência em como é a atuação do professor e o espaço sala de aula [...].
[...] as experiências que tive no programa até então foram bem mais significativas do que se não estivesse no programa.
O Pibid é fundamental para a formação estudantil e profissional, pois possibilita aos alunos experiências na área que poderãoexercer futuramente. Por seu intermédiovivenciamos experiências diferenciadas, conseguimos relacionar algumas disciplinas com as situações que encontramos ao participar do programa, é uma ferramenta indispensável para qualquer aluno que deseja se tornar um profissional de excelência.
Portanto consideramos que as participantes tinham a dimensão de que é por meio das ações intencionais que forma-se à docência, ou seja, pensavam que a perspectiva de aprender metodologias dava-se na vivência em si de ser professor.
As alunas afirmam também que o aprendizado no programa permite um conhecimento que contextualiza sua vivência acadêmica, ajudando-as no desenvolvimento dos conteúdos apresentados durante o curso de pedagogia, além disso, promove a relaçãoda teoriacom a prática.
As respostas da questão trêsmostram que as bolsistas expuseram a importância do Pibid na formação acadêmica. Apontaram que seria muito enriquecedor que todos os estudantes do curso tivessem a oportunidade de ingressar no projeto, pois proporciona experiências e troca de conhecimentos que o curso não oferece,como demonstraos seguinte depoimentos:
[...] as experiências são enriquecedoras para a formação. Lamento por nem todo mundo poder participar.
[...] o ideal seria que todos os alunos pudessem participar.
Novamente, os relatos corroboram com os resultados apresentados por Gatti et al (2014), de que há o reconhecimento, por parte dos bolsistas Pibid, de que o contato orientado com a escola e a sala de aula contribuicom a formação dos alunos de graduação agregando maior sentido à formação acadêmica,muitas vezes contribuindo para uma troca de conhecimento mais significativonas aulas e atividades da universidade, e ainda para a melhoria no desempenho dopróprio estudante.
Conclusões
Apesar da breve discussão realizada, por conta do espaço limitado para análises mais profundas, as respostas das bolsistas, de modo geral, demonstraram a importância da participação no Pibid para a sua formação enquanto futuras professoras.Pelas experiências adquiridas, por irem semanalmente às escolase participarem das atividades docentes puderam fazer relação entre a teoria e a prática nas observações e intervenções pedagógicas realizadas.
As bolsistas relataram também o quanto o Pibid contribui e qualificao desempenho acadêmico nas outras atividades do curso, por que apresentam condições de aprendizagem que as diferencia das demais estudantes e mudam seu olhar para a escola. Como bem descreve Roseli Fontana e Maria Nazaré daCruz(1997, p.3):
Na escola tem mais gente: merendeira, servente, secretário, inspetor... O salário está baixo. A vida está dura. Mas escola é lugar de ensinar e de aprender.
Agradecimentos
Agradecemos a agência de fomento Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e a Universidade Estadual do Norte do Paraná(UENP). Ao Pibid pedagogia, que nos proporcionou a oportunidade de participarmos do programa e às bolsistas que aceitaram participar da pesquisa respondendo o questionário.
Referências
COMISSÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DO NÍVEL SUPERIOR. CAPES, 2017.Disponível
em:http://www.capes.gov.br/educacao-basica/capespibid/pibid
GATTI, Bernadete Angelina; ANDRÉ; Marli Eliza Dalmazo Afonso de; GIMENES, Nelson Antonio Simão; FERRAGUT, Laurizete. Um estudo avaliativo do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid). 2014. Disponível em:
<https://www.capes.gov.br/images/stories/download/bolsas/24112014-pibid-arquivoAnexado.pdf>. Acesso em: 22 jul. 16.