V EVENTO INSTITUCIONAL DO PIBID
“Em defesa do PIBID e da valorização docente”
07-11-2017
–
campus Jacarezinho - PR
OS CONDICIONANTES DA AÇÃO DOCENTE EM AULAS DE CIÊNCIAS E
BIOLOGIA
: PERCEPÇÕES DE ESTUDANTES DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS
QUE PARTICIPAM DO PIBID
Rosa Shizue Abe
1, Maria Ida Lima
2, Solange Margarida Campioto
3, Priscila dos
Santos Ferreira Amarante
4, Gilberto Chudzik
5, Maria de Fátima de Lima Conceição
6,
Lindalva Pereira
7, Rodrigo de Souza Poletto
8,Lucken Bueno Lucas
9.
1,2,3,4,5,6Professores Supervisores (PIBID/UENP),
7,8,9Coordenadores de Área
(PIBID/UENP).
Universidade Estadual do Norte do Paraná/
Campus
de Cornélio Procópio/ Centro de
Ciências Humanas e da Educação.
Ensino: Subprojeto de Ciências/Biologia
Campus
Cornélio Procópio.
Palavras-chave: programa Institucional de bolsas de iniciação à docência (PIBID),
formação inicial de professores em Ciências e Biologia, condicionantes da ação
docente.
Introdução
A formação e a prática docente são temáticas que instigam o trabalho de
pesquisadores, como Nóvoa (2009), Tardif (2012), Gauthier (2006), Freire (2009),
Pimenta (1999), e muitos outros. No entanto, entendemos ser necessário o
desenvolvimento de ações que implementem os resultados dessas pesquisas no
escopo da formação docente.
No Brasil o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID)
tem como pano de fundo incentivar a formação de professores com qualidade e
compromisso social com vistas à melhoria da educação, objetivando o
aperfeiçoamento e a valorização da formação de professores no âmbito da Educação
Básica.
O Programa PIBID concede bolsas a estudantes de licenciatura participantes
de projetos de iniciação à docência, desenvolvidos por Instituições de Educação
Superior (IES) em parceria com escolas de Educação Básica da rede pública de
ensino.
No âmbito de nossa realidade institucional o Subprojeto PIBID Ciências/
Biologia da UENP
Campus
Cornélio Procópio tem como integrantes: três
coordenadores de área da IES, quarenta e um bolsistas (estudantes de curso de
licenciatura do 1º ao 5º anos) e seis supervisores (docentes de Ciências e Biologia de
quatro escolas públicas estaduais da Educação Básica).
As atividades que caracterizam o referido subprojeto são pautadas em um
referencial teórico que propõe o estudo e a percepção dos
condicionantes da ação
docente
: gestão de conteúdo, gestão de classe e gestão da aprendizagem, com base
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De acordo com Gauthier (2006, p.197) gestão de conteúdo consiste no “[...]
conjunto de operações que o mestre lança mão para levar os alunos a aprenderem o
conteúdo”. Esse mesmo autor complementa a gestão de classe como “[...] um
conjunto de regras de disposições necessárias para criar e manter um ambiente
ordenado favorável tanto ao ensino quanto à apr
endizagem” (GAUTHIER, 2006, p.
240).
Em acréscimo, agrega-se aos condicionantes uma outra gestão, a gestão da
própria aprendizagem, alicerçada nos pressupostos de Arruda, Lima e Passos (2011)
que personalizam o professor não somente como gestor de conteúdo e de conflitos,
mas de sua própria aprendizagem e composição profissional.
Esse arcabouço teórico delineou as ações pedagógicas do subprojeto em
questão, servindo de estrutura básica para os registros em diário de campo
semanalmente preenchidos pelos licenciandos a partir de suas participações em
aulas de Ciências e Biologia com os supervisores. Esses diários suscitam discussões
e reflexões sobre os condicionantes da prática docente (gestões de conteúdo, de
classe e de aprendizagem) observados nessas aulas.
Sendo assim, o licenciando ao adentrar no ambiente escolar compreende a
dinâmica do ofício do professor, observando as aulas do supervisor que acompanha,
tomando para si construções para sua identidade como futuro docente. Desse modo,
o PIBID busca integrá-lo na dinâmica do seu futuro
locus
de trabalho,
oportunizando-lhe momentos pontuais de participação em práticas pedagógicas sob a orientação do
supervisor.
Nas palavras de
Nóvoa (2009), é preciso “[...] devolver
a formação de
professores aos professore
s”, fazendo alusão à importância dos professores mais
experientes na formação inicial de outros professores, como no caso dos bolsistas de
iniciação PIBID. No mesmo sentido, Feldman (2009, p.72) em defesa à formação de
professores evidencia que: “As pessoa
s não nascem educadores, se tornam
educadores, quando se educam com o outro [...]”.
Assim, o presente trabalho busca evidenciar as possíveis contribuições do
subprojeto do curso de Ciências/Biologia da UENP -
Campus
Cornélio Procópio, do
Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), na formação inicial
professores de Ciências e Biologia. A pesquisa de cunho qualitativo foi desenvolvida
por meio da aplicação de questionário e fundamentada em trabalhos de autores como
Gauthier (2006), Tardif (2012), Arruda, Lima e Passos (2011), tendo como foco os
condicionantes (gestões de classe, de conteúdo e da aprendizagem) na atuação de
práticas para alunos da Educação Básica. Para tanto, propomos uma questão
norteadora:
Quais as contribuições da experiência da inserção em práticas pontuais
dos pibidianos de Ciências Biológicas nas aulas de Ciências/Biologia sob a
orientação do supervisor do PIBID, considerando a formação inicial à docência?
A seguir, apresentamos os encaminhamentos metodológicos e os resultados
da investigação.
Materiais e Métodos
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modalidades didáticas e uma análise qualitativa do Programa Institucional de Bolsas
de Iniciação à Docência (PIBID).
A coleta de dados contou com aplicação de um questionário a dois pibidianos
que participaram de práticas em sala de aula oportunizadas pelo subprojeto PIBID,
teorizadas nos três condicionantes anteriormente explicitados.
Para este estudo foram considerados alguns excertos textuais das respostas
categorizadas, conforme orientações da Análise Textual Discursiva (MORAES,
GALIAZZI, 2006). Para sigilo das identidades dos licenciandos, eles foram
codificados em P1 e P2.
Esclarecemos que os dois pibidianos participantes da pesquisa são
estudantes do 5º ano de um curso de licenciatura em Ciências Biológicas da UENP,
sendo que um deles participa do PIBID desde 2014 (início do programa no
Subprojeto) e o outro, desde 2015.
A coleta de dados versou sobre uma aula prática na qual os pibidianos
auxiliaram os supervisores no âmbito da gestão de conteúdo, de classe e da
aprendizagem.
Uma das aulas teve contribuições de P1, com a temática “Reprodução
dos vegetais”, na
qual foram utilizados os seguintes materiais: flor de hibisco, bisturi,
microscópio, quadro de giz, giz, lâminas, lamínulas e roteiro da aula voltada a alunos
do Ensino Médio (Biologia). No caso de P2 a aula versou sobre “Protozoários”, em
uma turma de 7º ano do Ensino Fundamental II. Foram usados os seguintes
materiais: conta-gotas, microscópio, lâmina, lamínula, água, quadro de giz, giz,
sulfite, lápis, lápis de cor.
Considerando essas aulas práticas e das gestões, os participantes da
pesquisa (P1 e P2) responderam ao seguinte questionário: 1) Descreva sua
experiência de docência (planejamento, execução e avaliação) em uma prática em
sala de aula oportunizada pelo PIBID; 2) Após a execução da aula prática e
considerando os condicionantes propostos pelo subprojeto PIBID Ciências/Biologia
do qual você participa, quais são suas reflexões quanto à: Gestão de conteúdo?
Gestão de classe? Gestão da própria aprendizagem? 3) Quais as contribuições que o
PIBID proporciona na sua formação docente inicial?
A seguir, apresentamos os dados obtidos e categorizados.
Resultados e Discussão
Considerando os encaminhamentos da Análise Textual Discursiva, as respostas dos
questionários foram transcritas e categorizadas por afinidade semântica (de sentido).
Ao todo, foram geradas oito categorizas, todas elas sistematizadas ao longo
do processo de analise, conforme o Quadro 1.
Categorias Fragmentos textuais
Contributos das aulas práticas
Pude perceber que aulas práticas têm uma grande importância no processo de ensino e aprendizagem dos alunos, uma vez que por meio delas se consegue o interesse, motivação, interação e participação dos alunos. P1
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[…] é uma aula diferenciada e por isso os alunos ficam agitados. Acredito que toda essa agitação é causada por se tratar de uma aula diferente,
aula que foge do tradicional; com ela o aluno coloca a “ mão na massa” e
acaba brincando de cientista. P2
Teoria aprendida na
prática
A aula prática é um método que consegue tornar conteúdos abstratos mais fáceis de se compreender, pois os alunos conseguem ver de perto os fenômenos, situações e relacionar com o seu cotidiano. P1
Ela (aula prática) é uma ferramenta de extrema importância no aprendizado do aluno, possibilita que o aluno coloque em prática aquilo que aprendeu na teoria, ou o que não aprendeu na teoria, aprendam com a prática.P2
Importância do planejamento
O planejamento prévio deste tipo de aula (aula prática) é de grande importância e a cooperação dos alunos também é um fator de relevância. P1
O planejamento é a parte fundamental da aula prática, é preciso criar um roteiro do que será feito e dito para que o professor não fique perdido durante o desenvolvimento da prática e consiga atingir o seu objetivo. P2
Gestão do conteúdo
A gestão de conteúdo foi algo tranquilo, devido ao fato de ser um conteúdo já visto na graduação nas aulas de botânica, sendo assim fácil de se trabalhar com os alunos, pois já havíamos estudado e conhecíamos o conteúdo a fundo. P1
Gestão de classe
Já a gestão de classe tivemos um pouco de dificuldade, pois a turma era numerosa, os alunos gostavam de conversar e pelo fato do laboratório ser um local diferente da sala de aula, a dispersão era algo constante. Porém com o auxílio da professora supervisora conseguimos controlar a turma e a aula fluiu como planejada. P1
Eu acho uma atividade difícil para o professor, pois além de desenvolver a prática ele tem que colocar ordem na sala, pois em aula prática os alunos ficam muito agitados e conversam muito podendo às vezes atrapalhar o desenvolvimento da prática. P2
Inserção no ambiente
escolar
Tive a oportunidade de conhecer o dia-a -dia de um professor e o que é preciso saber para lidar com a variedade de alunos e suas realidades. P1 Para mim, o ideal é que todos os professores tenham pelo menos um pibidiano para auxiliá-los no desenvolvimento das aulas práticas, pois assim fica mais fácil do professor dar a prática e ainda fazer a gestão de classe. P2
Construção da identidade profissional
O PIBID me ajudou a construir meu perfil de docente, por meio da construção de uma forma de pensar curiosa, observadora, reflexiva e analítica. P1
Hoje tenho uma percepção diferente de quando entrei no curso. Quando entrei não tinha nenhuma pretensão de ser professora; por causa da vivência em sala de aula, essa ideia inicial mudou. P2
Contribuições do PIBID na formação inicial Gestão da própria aprendizagem
O PIBID me oportunizou a experiência com a realidade educacional na rede pública de ensino, porque muitas vezes, acadêmicos de licenciatura terão ali sua primeira experiência profissional. P1
Aprendi que é preciso se organizar e se planejar para uma aula prática e ter sempre um plano B caso a aula não saia como o planejado, ter domínio do conteúdo ministrado, saber responder possíveis pergunta dos alunos, saber fazer a gestão de classe, ter paciência com os alunos. P2