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Capítulo III – A INTERACÇÃO COMO FACTOR DE PROMOÇÃO DA APRENDIZAGEM 41

3.2.   As principais teorias da aprendizagem 47

3.2.2.   A aprendizagem como processo social e culturalmente mediado 52

Poder-se-á dizer que é impossível compreender o comportamento humano e a aprendizagem sem ter em conta o seu contexto social, uma vez que um dos processos mais relevantes no ser humano no que diz respeito à aprendizagem é aquele que é feito por observação ou imitação de modelos, i.e., a aprendizagem social (Gonçalves, 2003).

A temática da aprendizagem social está relacionada com o processo de socialização, através do qual o indivíduo modifica o seu comportamento para que este fique de acordo com as expectativas que os membros do seu grupo têm acerca dele (Gonçalves, 2003). O conhecimento será, assim, construído de forma social, através de esforços colaborativos na direcção de objectivos partilhados, ou através de diálogos e desafios trazidos pelas diferenças de perspectivas das pessoas: “Intelligence is accomplished rather than possessed” (Pea, 1993: 50).

A aprendizagem como um processo interactivo, onde os indivíduos aprendem uns com os outros dentro de um determinado contexto social, pode encontrar-se na Teoria da Aprendizagem Social de Bandura (1976) onde se enfatiza a importância da observação e da imitação dos comportamentos, atitudes e reacções emocionais dos outros:

“(…) most human behavior is learned observationally through modelling: from observing others, one forms an idea of how new behaviors are performed, and on later occasions this coded information serves as a guide for action” (Bandura, 1977:22, apud Couros, 2003: 5).

A Teoria da Aprendizagem Social dá um relevo especial aos processos simbólicos e cognitivos e ao papel que desempenham na aquisição e reprodução do comportamento podendo, por isso, ser considerada uma teoria interaccionista assente no conceito de que o comportamento é aprendido (Gonçalves, 2003). Observando que as teorias que invocam os impulsos como principais motivos dos comportamentos não consideraram a enorme complexidade do

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Wiki Conectivism, Siemens (2008), disponível em http://ltc.umanitoba.ca/wiki/Situating_Connectivism

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comportamento humano, sendo por esse motivo alvo de críticas, Bandura (1976) defende que o pensamento, a afectividade e o comportamento humano podem ser fortemente influenciados pela observação, bem como pela experiência directa. A Teoria da Aprendizagem Social surge como um modelo behaviorista e cognitivista, na medida em que procura explicar o comportamento humano como sendo uma interacção contínua e recíproca entre influências comportamentais, cognitivas e ambientais (Couros, 2003), onde as influências relativas exercidas por estes factores interdependentes difeririam de acordo com as situações e os comportamentos. Em algumas situações o ambiente influenciaria o comportamento, noutras seriam os factores pessoais que prevaleceriam na regulação dos acontecimentos ambientais (Bandura, 1976). Neste modelo de determinismo recíproco, o comportamento, o pensamento e outros factores pessoais e acontecimentos ambientais operam como determinantes interactivos que influenciam cada um dos outros bidireccionalmente – é devido a esta bidireccionalidade que o indivíduo pode ser considerado, simultaneamente, como produto e produtor do seu ambiente (Wood e Bandura, 1989).

Na Teoria da Aprendizagem Social, Bandura (1976) defende que praticamente todos os fenómenos de aprendizagem por experiência directa sustêm-se na observação do comportamento dos outros e das consequências que para eles resultam. Esta capacidade de aprender por observação tornaria os indivíduos capazes de adquirirem repertórios comportamentais extensos e coordenados, sem terem necessidade de passar por um processo trabalhoso de tentativa e erro (ib, 1976). Os indivíduos poderiam, assim, aprender pela observação do comportamento dos outros e pelos resultados que advêm desses comportamentos, sendo os novos padrões de resposta adquiridos quer por experiência directa quer por observação (Bandura, 1976). Pela exposição às actividades de modelos significativos e ao apreender as consequências das suas acções, o indivíduo desenvolve representações simbólicas dessas actividades que irão servir de guia a comportamentos futuros em acções semelhantes ou em contextos idênticos. O registo mental retirado da experiência permitir-lhe-á a generalização e transferência de comportamentos e respostas a situações novas (Gonçalves, 2003).

A teoria da aprendizagem social avança diversos mecanismos através dos quais as recompensas e as punições observadas modificam o pensamento, os sentimentos e as acções dos outros. Os acontecimentos que implicam consequências podem variar dentro de um grande número de dimensões, que incluem o tipo de comportamento que é modificado, as características do modelo e dos agentes responsáveis pelo reforço, o tipo e a intensidade das consequências, a sua justificação, o contexto no qual os comportamentos ocorrem e as reacções dos modelos aos efeitos experienciados (Bandura, 1976). Relativamente ao auto-reforço, esta abordagem defende que o reforço auto-controlado aumenta o desempenho principalmente pela sua função motivacional – o indivíduo cria, por si próprio, factores de motivação, persistindo nos seus esforços até que a sua performance corresponda aos standards que definiu. Esta capacidade torna-os capazes de exercer um certo controlo sobre os próprios sentimentos, pensamentos e acções,

A interacção como factor de promoção da aprendizagem

sendo o comportamento desta forma controlado pela interacção de fontes pessoais e exteriores de influência.

Segundo a teoria da aprendizagem social, os indivíduos funcionam como agentes activos da sua própria auto-motivação. Os objectivos relativamente fáceis não representam desafio suficiente para originar muito interesse enquanto que os moderadamente difíceis mantêm um nível de esforço elevado e dão satisfação à medida que os objectivos vão sendo alcançados. Já os objectivos situados para além da capacidade do indivíduo são desencorajantes. O auto-reforço conduz a um processo no qual os indivíduos aumentam e mantêm o próprio comportamento, recompensando-se com gratificações controladas por eles próprios quando atingem um nível de desenvolvimento auto-definido. A inclusão dos processos de auto-reforço na teoria da aprendizagem aumenta consideravelmente o poder explicativo dos princípios do reforço aplicados ao funcionamento humano (ib, 1976).