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CAPÍTULO 4: DESCORTESIA VERBAL

4.8 As três provas do discurso: o logos o ethos e o pathos

Outro aspecto explorado pelos políticos, que, segundo Blas Arroyo (2011), consiste nos “três pilares clássicos da retórica aristotélica”192, prevalentes no trabalho de persuasão empreendido pelos oradores, diz respeito ao emprego de três provas argumentativas, as quais perfazem as práticas discursivas da comunicação política. Trata-se do apelo ao logos, por meio do qual se recorre às capacidades intelectuais do auditório; a criação de um pathos, a partir do qual se inspira a comoção do auditório, assim como a construção de um ethos, pelo qual se erige a imagem do político honesto e competente (BLAS ARROYO, 2011).

Mais de dois milênios depois, esses recursos servem também para explicar uma boa parte do trabalho dialético desempenhado pelos candidatos em seus enfrentamentos eleitorais. Em outras palavras, nos debates face a face, os políticos devem aplicar com êxito as três regras clássicas da retórica: a) o apelo ao logos, isto é, às capacidades do auditório. B) a apresentação de um ethos ajustado à imagem de político competente e honesto, tanto no desempenho das funções públicas, como no plano discursivo. C) a criação de um pathos comovente, capaz de afetar as emoções da audiência (BLAS ARROYO, 2011, p. 288).193

192 Tradução nossa da versão em espanhol: En la creación de esas imágenes de competencia y honestidad, los

políticos se sirven de estratégias que cabe situar en los três pilares clásicos de la retórica, las apelaciones aristoteleanas a la razón (logos), la moral (ethos) y, no menos importante, las emociones (pathos) (BLAS ARROYO, 2011, p. 238).

193 Tradução nossa da versão em espanhol […] más de dos milênios después, estos recursos sirven también para

explicar uma buena parte de la labor dialéctica desplegada por los candidatos en sus enfrentamentos electorales. O dicho de otra manera, en los debates cara a cara los políticos deben aplicar con éxito las trés reglas clásicas de la retórica: a) La apelación al logos, esto es, a las capacidades del auditório. b) La presentación de un ethos ajustado a la imagen de político competente y honesto, tanto en el desempeño de las funciones públicas como en el plano discursivo. c) La creación de un pathos conmovedor, capaz de afectar a las emociones de la audiencia. (BLAS ARROYO, 2011, p. 288).

Nessa direção, de acordo com Blas Arroyo (2011), no discurso político, os oradores devem ser capazes de empregar, com êxito, o que o autor denomina como as três regras

clássicas da retórica: como o apelo ao logos, ao ethos e ao pathos – que contribuem para a

construção da imagem de honestidade e competência, além da efetivação de um discurso bem articulado, capaz de promover a adesão do auditório. Assim, para o autor, no complexo processo de construção da imagem desejada, os políticos recorrem ao emprego das “três provas do discurso”194, uma vez que não se deve restringir o discurso eleitoral, tão somente, ao ataque. As intervenções dos candidatos devem balizar-se em argumentos, na apresentação de propostas e, sobretudo, na construção de uma imagem crível, de um candidato capaz de argumentar de forma convincente:

Dos políticos se espera que sejam capazes de argumentar convenientemente e de seduzir a um público do qual depende em última instância a sorte do jogo eleitoral. No entanto, em que consiste essa capacidade de sedução no debate eleitoral? (BLAS ARROYO, 2011, p. 240).195

De acordo com Blas Arroyo (2011), o político que pretende erigir um discurso eficaz, demonstrando possuir certa habilidade dialética, deve ser capaz, também, de fazer uso de argumentos diversificados, fundamentados em certos tipos de raciocínios, cujo apelo ao intelecto e à razão do auditório promovam a imagem de um debatedor dotado de capacidades intelectuais. Dentre esses recursos, Blas Arroyo (2011) assinala o emprego de silogismos, argumentos quase-lógicos, comparações, argumentos baseados em contradições, perguntas retóricas, uso de tautologias, apelo a dados numéricos, além de outros tipos de provas, por meio das quais o orador busca organizar suas intervenções no embate político de maneira lógica e sistemática. Trata-se do apelo à razão (Blas Arroyo, 2011).

Ademais, o apelo ao logos do auditório permite ao orador realizar ou reforçar atos ameaçadores à imagem do candidato oponente, conforme assinala Blas Arroyo (2011), que procede ao exame do enfrentamento político entre os candidatos Rodríguez Zapatero e Rajoy:

Em um de seus momentos mais brilhantes durante o primeiro debate com Rodriguez Zapatero, Rajoy recorre a argumentos [...] para maltratar a imagem de seu adversário. Mediante uma série extensa de perguntas retóricas [...] o líder da oposição critica a grandeza de seu rival, a quem apresenta como um político inconsistente e

194Aristóteles denomina o ethos, o logos e o pathos como as três provas ou argumentos mais importantes,

engendrados pelo discurso persuasivo (REBOUL, 2004).

195 Tradução livre do original em espanhol: De los políticos se espera que sean capaces de argumentar

covenientemente y de seducir a un público de quien depende en última instancia la suerte del juego electoral. Ahora bien, en que consiste esta capacidad de seducción en el debate electoral? (BLAS ARROYO, 2011, p. 240).

contraditório, capaz de dizer e fazer uma coisa e se opor a ela para permanecer no poder (BLAS ARROYO, 2011, p. 298).196

Importa assinalar, ainda, a distinção feita por Blas Arroyo (2011) que, partindo dos estudos de Aristóteles acerca da retórica na política, assinala haver, dentre os recursos de que se faz uso para a realização da descortesia, os relacionados às provas racionais – que apelam à razão e à inteligência do público-alvo – bem como às provas “não técnicas”. No que concerne às “provas não técnicas”, observa-se que, conquanto o discurso político seja permeado por recursos que remetem à razão, mediante o uso de argumentos que se assemelham ao pensamento lógico, como os dados matemáticos e estatísticos, entre outros recursos retóricos, como as perguntas retóricas, as figuras e argumentos de autoridade, Blas Arroyo (2011) reconhece que as emoções desempenham um importante papel na construção de um discurso que cumpre a função de promover a adesão do eleitorado. Desse modo, um estudo do pathos no debate político mostra-se, segundo o autor, de suma importância, visto que, no processo de mobilização do eleitorado, os debatedores procedem, frequentemente, ao apelo à subjetividade do auditório que lhes podem ser suscitadas.

Desse modo, segundo Blas Arroyo (2011), o apelo ao pathos contribui, de modo efetivo, para a formulação de um tipo de intervenção voltada para as emoções que se podem engendrar no auditório. A esse respeito, o autor faz as seguintes considerações:

Os especialistas em comunicação política sabem que o meio televisisvo favorece o apelo às emoções na relação entre os políticos e seu público. No caso do debate, embora essa intimidade entre ambos os participantes seja, logicamente, ilusória, não deixa, por isso, de ser menos afetiva (BLAS ARROYO, 2011, p. 305).197

Conforme Blas Arroyo (2011), o apelo ao pathos apresenta um papel premente no pleito eleitoral, uma vez que as habilidades relacionadas ao desempenho do orador em ser capaz de suscitar a emoção do público, mediante recursos diversos, afiguram-se, muitas vezes, mais profícuas se comparadas à sua competência discursiva no que tange ao âmbito intelectual, em se tratando dos efeitos de persuasão promovidos e, consecutivamente, da adesão do auditório.

196 Tradução nossa do original em espanhol: En uno de sus momentos más brillantes durante el primero debate con

Rodriguez Zapatero, Rajoy acude a argumentos [...] para maltratar la imagen de su adversario. Mediante una serie extensa de preguntas retóricas[...] el líder de la oposición vapulea la talla de su rival, al que presenta como un político inconsistente y contradictorio, capaz de decir y hacer una cosa y la contraria con tal de mantenerse en el poder (BLAS ARROYO, 2011, p. 298).

197 Tradução nossa em espanhol: Los expertos en comunicación política saben que el medio televisivo favorece la

apelación a las emociones en la relación entre los políticos y su público. En el caso del debate, aunque esa intimidad entre ambos participantes sea, logicamente, ilusoria, no por ello deja de ser menos efectiva (BLAS ARROYO, 2011, p. 305).

Outro aspecto destacado por Blas Arroyo (2011), ao analisar debates eleitorais realizados na Espanha, diz respeito ao fato de que o apelo às emoções pode ser resultado de um estilo discursivo particular, diferenciando, assim, candidatos que optam por um discurso mais atrelado ao logos ou, por outro lado, focam-se na execução de um discurso mais alicerçado em táticas relacionadas às emoções. No caso do debate eleitoral, observa-se que o apelo às emoções se dá, de forma mais incisiva, nas intervenções que constituem os turnos de fechamentos, nos quais os candidatos fazem um resumo geral de suas propostas e, concomitantemente a isso, apresentam uma intervenção marcada por aspectos vinculados a um viés linguístico-discursivo mais subjetivo. Nesses turnos, pode-se verificar que os candidatos buscam, amiúde, pedir votos, apresentar propostas voltadas para um bem comum, sendo essas manifestações discursivas mais orientadas para o futuro (Blas Arroyo, 2011).

Outro ponto importante, mencionado por Blas Arroyo (2011), reside no fato de que se busca estreitar, no embate eleitoral, laços com a audiência por parte dos políticos, mediante a realização de estratégias de aproximação do telespectador, a partir da construção de uma imagem colaborativa, com o propósito de estabelecer alianças e coalizões com o eleitor em potencial. Para isso, de acordo com o autor, os candidatos fazem uso de uma estratégia deveras profícua no discurso político, que diz respeito à manipulação da deíxis pronominal. Nessa direção, consideramos que o emprego de pronomes pessoais inclusivos pode contribuir para a promoção de relações mais estreitas com o auditório, situando-o em um mesmo plano de interesses, na medida em que, ao inclui-lo no mesmo âmbito de referência pessoal, o debatedor intenta reforçar os laços com seu público-alvo. Trata-se do que Blas Arroyo (2011) denomina como uma “retórica da efusividade”, manobra dialética pela qual, segundo o autor, objetiva-se despertar emoções distintas no eleitor:

O emprego de um nós inclusivo, no qual a audiência desempenha um papel central (ganhar juntos), serve ´para reforçar uma retórica de efusividade, com alusões ao sacrifício (trabalhando muito duro) e ao otimismo no futuro (vamos sair dessa crise e vamos sair melhores [...] (BLAS ARROYO, 2011, p.307, grifos nossos).198

Outro aspecto destacado por Blas Arroyo (2011), relativo ao apelo ao pathos, concerne ao que o autor denomina de personalização. Trata-se de uma estratégia que se configura na tentativa de reforçar vínculos de aproximação ou de comprometimento em relação ao eleitorado, mediante o emprego de fórmulas pessoais em primeira pessoa. Ademais, observa-

198 Tradução nossa do original em espanhol: El empleo de un nosotros inclusivo, en el que la audiencia desempeña

un papel estelar (ganar juntos), sirve para reforzar una retórica de efusividad, con las alusiones al sacrificio (trabajando muy duro) y al optimismo en el futuro (vamos a salir de esta crisis y vamos a salir mejores[...] (BLAS ARROYO, 2011, p. 307).

se que, frequentemente, utiliza-se no trabalho de persuasão verificado no pleito eleitoral o que diversos teóricos (Blas Arroyo, 2011; Bolívar, 2015; 2013) denominam como coloquialismo, faceta discursiva que consiste em fazer uso de uma linguagem mais informal e coloquial, bastante semelhante à utilizada pelo telespectador, com vistas a alcançar um número maior de eleitores.

Cumpre observar que esse fato linguístico-discursivo é evidenciado, também, nos estudos de Bolívar (2013), em sua análise acerca do uso dos pronomes pessoais na dinâmica do discurso político venezuelano, no qual se debruça sobre o seguinte fato discursivo: “As diferenças de um “eles” e de um “nós”, típicas de processos de polarização” (BOLÍVAR, 2013, p.169).199 Assim como Blas Arroyo (2011), Bolívar (2013) assinala a relevância de uma análise da dinâmica pronominal no discurso político, considerando seus efeitos de aproximação e de distanciamento, assim como os de afetividade e de polarização. Ademais, a autora observa que o apelo ao personalismo, veiculado pelo emprego deliberado de pronomes de primeira pessoa pelos interlocutores no discurso político, sugere a emergência de fatos linguístico-discursivos específicos que consolidam propósitos ou finalidades de cunho persuasivo, como a evocação de uma figura forte no discurso, contribuindo, ainda, para desvelar a construção de uma imagem marcadamente autoritária.

Além desse fato linguístico-discursivo, os estudos de Blas Arroyo (2011) evidenciaram que, em interlocuções entre políticos, ocorre o emprego de outro recurso: trata-se da

ambiguidade referencial, utilizada pelos interactantes de modo estratégico. A ambiguidade

referencial, isto é, o apelo à possibilidade de oscilações no que tange ao uso dos pronomes pessoais e sua multiplicidade em se tratando da referenciação dos participantes de um dado evento comunicativo, permite observar de que modo os políticos buscam investir-se da responsabilidade em relação a determinados atos ou, em contrapartida, procuram atribuir sua responsabilidade a outrem, no caso, a um “eles”. Trata-se, pois, da possibilidade de proceder à dissolução da responsabilidade pessoal por um ato em particular em uma “instância coletiva”, fato que engendra, no discurso político, formas diversas de referenciação, as quais colaboram ora para acentuar um ato de ameaça, ora para dirimir a força ilocutória de um enunciado, de maneira estratégica.

Assim como Bolívar (2013), verifica-se que Blas Arroyo (2011) analisa a questão da afetividade, depreendida de casos em que se procede à ambiguidade referencial, considerando efeitos discursivos distintos, decorrentes do emprego de uma primeira pessoa na interação, 199 Tradução nossa da versão original em espanhol: Las diferencias entre ELLOS y NOSOTROS, propias de

sobretudo, de um “eu”, pelo qual o político pode assumir as responsabilidades por um evento, ou mesmo destacar-se de forma individual, construindo uma imagem forte, com vistas a estabelecer relações de afetividade com o auditório.

Outro aspecto mencionado por Blas Arroyo (2011), no que tange ao embate eleitoral, consiste no apelo à vida privada200 de modo deliberado, recurso utilizado, amiúde, por candidatos cujos discursos se inserem em um plano mais pessoal, marcado pela subjetividade, como estratégia para assegurar uma maior aproximação em relação ao eleitor, segundo Blas Arroyo (2011). Nesse caso, apresentam-se fatos da vida cotidiana e privada, a fim de expor valores que se julgam compartilhados por uma maioria, como os relacionados à família, à carreira e, até mesmo, à vida conjugal do debatedor.

Ao analisar a exploração da exposição do plano pessoal em debates eleitorais por candidatos distintos, Blas Arroyo (2011) assinala que alguns políticos procedem à narrativa de histórias – trata-se, segundo o autor, de “estratégias narrativas” – a partir das quais se intenta construir o que pode se denominar como “um sentimento de comunidade coletiva” (Blas Arroyo, 2011).

Outro aspecto, referente às três provas engendradas no discurso político, observadas por Blas Arroyo (2011), consiste na construção da imagem. Conforme assinala o autor, no que concerne à construção da imagem no discurso político, faz-se necessário que os oradores procedam à apresentação de um ethos, ao qual se atribuam valores positivos. A apresentação de um ethos que instigue credibilidade corresponde à construção de uma imagem relacionada ao político competente, honesto e, consecutivamente, capaz de gerir, de modo favorável, as funções públicas que lhe serão conferidas, caso seja eleito (Blas Arroyo, 2011). O político deve, pois, apresentar o ethos201 de um candidato dotado de habilidades, a imagem de um sujeito no qual a nação poderá depositar confiança ao longo de sua gestão.

Em todo caso, a retórica clássica nos adverte há séculos de que a capacidade de persuasão não depende somente da utilização de técnicas destinadas a apelar ao intelecto (logos), mas também à integridade moral (ethos) [...] (BLAS ARROYO, 2011, p. 459).202

200 Vale ressaltar que essa questão é, também, abordada por Charaudeau (2016), para o qual os políticos,

frequentemente, evocam sentimentos de forma estratégica, em uma mistura de dois âmbitos: o privado e o público, em um processo designado pelo autor como “subjetivação do político”: “Nesse ambiente, misturam-se espaço privado e espaço público, religião e política, sexo e poder” (CHARAUDEAU, 2016, p. 89).

201 Acerca do ethos, Blas Arroyo (2011) faz as seguintes considerações: “La presentación de un ethos ajustado a

la imagen de político competente y honesto, tanto en el desempeño de las funciones públicas como en el plano discursivo” (BLAS ARROYO, 2011).

202 Tradução da versão original em espanhol: En todo o caso, la retórica clásica nos advierte desde hace siglos de

que la capacidad de persuasión no depende solo de la utilización de técnicas destinadas a apelar al intelecto (logos), sino también, a la integridad moral (ethos) [...] (BLAS ARROYO, 2011, p. 459).

O ethos apresenta-se, assim, como um procedimento retórico a partir do qual os oradores buscam estabelecer relações de confiança com um tipo de participante cuja importância, no debate eleitoral, reside na atribuição do sucesso ou do fracasso dos debatedores. É para esse público que estão voltados os valores ideológicos que subjazem ao fazer discursivo dos candidatos, assim como à construção da imagem do líder que inspira credibilidade que, por meio de mecanismos linguístico-discursivos diversos, é construída e veiculada pelo discurso político.

A audiência, portanto, torna-se um elemento decisivo no discurso político, isto é, o participante para o qual as mensagens são finalmente dirigidas [...] para alcançar isso, o político deve estabelecer algum tipo de aliança com o auditório a ser abordado, dando a impressão de que ele ou ela representa as preocupações e desejos de suas origens (BLAS ARROYO, 2010 , p. 413).203

Segundo Blas Arroyo (2011), os ethé vinculados à integridade moral, à competência e honestidade são, dentre outros tipos de ethos apresentados no discurso político, aqueles que promovem e estreitam relações de identificação e confiança, entre candidatos e auditório.

Não obstante, Blas Arroyo (2011) assinala que, dentre os três recursos de persuasão –

ethos, logos e pathos – o mais explorado, no debate político eleitoral, consiste no apelo às

emoções da audiência, pelo fato de que se trata de um enfrentamento dialético que, segundo o autor, é veiculado pela mídia para uma parcela significativa de telespectadores, uma “mass

media”, a que se busca sensibilizar com o intuito de garantir sua adesão. Nessa direção, a mídia,

conforme ressalta Blas Arroyo (2007) apresenta, pois, um papel de suma importância nas escolhas discursivas dos participantes: “Hoje, o debate político é fortemente condicionado pela poderosa influência da mídia de massa” 204(BLAS ARROYO, 2007, p. 409).

Para alcançar seus objetivos, os políticos devem fazer uso de diversos modos de persuasão que são reconhecidos desde a antiguidade na tradição retórica: o logos, que é a força e relevância dos argumentos exercidos pelo que persuade; o ethos, que é a credibilidade do persuasor, e o pathos, que apela para a emoção. Embora todos esses elementos estejam frequentemente presentes no discurso persuasivo, na política, o componente emotivo torna-se especialmente importante [...] é freqüentemente usado pelos oradores mais carismáticos, com efeitos hipnóticos sobre a audiência e, possivelmente, com consequências trágicas, como a história nos mostrou (BLAS ARROYO, 2007, p. 415).205

203 Tradução nossa da versão do original em inglês: The audience therefore becomes a decisive elemente in political

discourse, that is, the participant to whom the messages are ultimately addressed[...] to achive this, the politician must establish some kind of aliance with the audience being addressed by giving the impression that he or she representes their backgrounds concerns and desires (BLAS ARROYO, 2007, p. 413).

204 Tradução nossa da versão original em inglês: Today, political debate is strongly condicioned by the powerful

influence of the mass media (BLAS ARROYO, 2007, p. 409).

205 Tradução nossa do original em inglês: To achive their goals, politicians must make use of several modes of

persuasion that have been recognized since ancient times in the Aristotelian tradition: the logos, wich is the force and relevance of the arguments wielded by the persuader; the ethos, wich is the persuader’s credibility, and the

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