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Casamento e divórcio (7:10-16)

1 Coríntios 7:1-

3. Casamento e divórcio (7:10-16)

Ora, aos casados, ordeno, não eu mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido n(se, porém, ela vier a separar-se, que não se case, ou que se reconcilie com seu marido); e que o marido não se aparte de sua mulher. nAos mais digo en, não o Senhor: Se algum irmão tem mulher incrédula, e esta consente em morar com ele, não a abandone; ue a mulher que tem marido incrédulo, e este consente em viver com ela, não deixe o marido. uPorque o marido incrédulo é santificado no convívio da esposa e a esposa incrédula é santificada no convívio do marido crente. Doutra sorte os vossos filhos seriam impuros; porém, agora, são santos. í5Mas, se o descrente qidser apartar-se, que se aparte; em tais casos não fica sujeito à servidão, nem o irmão, nem a irmã; Deus vos tem chamado à paz. wPois, como sabes, ó mulher, se salvarás a teu marido? ou como sabes, 6 marido, se salvarás a tua mulher?

Na mente de Paulo surge uma outra pergunta vital, embora ela não esteja no texto: como devem agir aqueles que, sendo casados "na felicidade ou na desventura", sentem agora que não precisam do casamento ou que cometeram um erro ao casar-se, ou que seriam bem mais eficientes no serviço do Senhor sem as responsabilidades do casamento? Há muitos casos desse tipo na igreja hoje. A questão exige, portanto, uma resposta clara, sobretudo porque, numa era de divórcio fácil, é muito tentador adotar uma atitude laissez-faire diante de um relacionamento conjugal difícil, em vez de empenhar-se no poder que Deus fornece, na convicção de que ele é capaz de fazer brotar algo valioso e bom de uma concha vazia.

Paulo faz um desafio inequívoco aos casais que vêem poucas esperanças no seu casamento: Ora, aos casados, ordeno, não eu mas o

Senhor, que a mulher não se separe do marido (se, porém, ela vier a separar- se, que não se case, ou que se reconcilie com o seu marido); e que o marido não

se aparte de sua mulher (vs. 10-11).

A frase de Paulo, não eu mas o Senhor, é evidentemente decisiva. Estaria ele dizendo que recebeu comunicação direta do Senhor nesse ponto? Nesse caso, como aconteceu isso? através de uma visão? de uma mensagem? de um sonho? ou que outro meio? Estaria ele traçando algum contraste menos radical entre suas próprias decisões (tomadas, sem dúvida, sob muita oração) e a inequívoca autoridade divina? A mudança dessa ênfase no versículo 12 aumenta ainda mais a polêmica, quando ele diz: digo eu, não o Senhor. Existem outras frases, dentro do capítulo 7, que poderiam ser (e foram) interpretadas como indicadores de certa ambivalência na própria mente de Paulo quanto à autoridade ou procedência do seu ensino em diferentes estágios: por exemplo, em 7:6, "isto vos digo como concessão e não por mandamento"; em 7:25, "com respeito às virgens, não tenho mandamento do Senhor; porém dou minha opinião como tendo recebido do Senhor a misericórdia de ser fiel"; em 7:40, "será mais feliz se permanecer viúva, segundo a minha opinião; e penso que também eu tenho o Espírito de Deus".

Obviamente, aqui há espaço para diversas opiniões acerca dessas frases. Em sua totalidade, os comentários de Barret27 parecem sensatos e coerentes: onde Paulo tinha de transmitir palavras realmente ditas por Jesus, ele as citou explicitamente. Barret observa que 1 Coríntios foi escrita antes dos evangelhos; e Paulo não teria conhecido, necessariamente, mais do que algumas poucas palavras proferidas por Jesus. Sem dúvida, ele parece citar bem poucas, e se o apóstolo sabia mais do que aquilo que citou, talvez ele só tenha mencionado aquelas em que os ensinamentos de Jesus discordavam consideravelmente dos ensinamentos judeus prevalecentes; e, na questão particular do divórcio, sabemos que os ensinamentos de Jesus eram totalmente diferentes das escolas rabínicas de Hillel e Shammai (as duas mais influentes) e do próprio ensino contido no Antigo Testamento.

Certamente hão há nenhuma necessidade, ou justificativa para se traçar uma divisão entre os conselhos de Paulo e os verdadeiros ensinamentos de Jesus, como costumam fazer alguns autores. A expressão no versículo 12: não o Senhor, não tem a intenção de indicar que Paulo está dizendo alguma coisa diferente, muito menos contrária, daquilo que o próprio Senhor teria dito. Certamente ele não considerava que suas próprias palavras não tinham autoridade, qualquer que seja o sentido da declaração do versículo 40 ("e penso que também eu tenho o Espírito de Deus"); Paulo realmente espera ser recebido com mais do que mero respeito. Ele era um apóstolo,

independentemente do que os coríntios pudessem pensar a respeito de suas credenciais apostólicas.29

Retomando diretamente à questão do casal cujo casamento está em crise, Paulo repete categoricamente as palavras de Jesus: "Quem repudiar sua mulher e casar com outra, comete adultério contra aquela. E se ela repudiar seu marido e casar com outro, comete adultério." O compromisso matrimonial entre um homem e uma mulher é para toda a vida, é confirmado pelo próprio Deus e não pode ser desfeito, muito menos destruído, por simples seres humanos. "Portanto, o que Deus juntou não o separe o homem."30

No Evangelho de Mateus31 há uma só justificativa (e apenas uma) para o divórcio de cônjuges cristãos: adultério, fornicação, porneia. Por que Paulo não menciona isso aqui? Não sabemos. A causa pode ser simples: uma vez que geralmente se aceita que Marcos foi o primeiro evangelho a ser redigido, talvez Paulo só conhecesse a versão marcana dos ensinos de Jesus. Por outro lado, a porneia que assolava Corinto poderia fornecer essa justificativa a tantos casamentos dentro da igreja, devido à conduta passada de inúmeros casais cristãos, que mencioná-la sem ter oportunidade de um aconselhamento pastoral face a face com cada casal poderia colocar em perigo muitos casamentos bons. Os cristãos de Corinto não estavam tão firmemente enraizados na realidade da regeneração e da renovação no Espírito Santo, a ponto de terem a estabilidade necessária para lidar com um parceiro que revolvesse um passado cheio de lama, durante uma briga doméstica amarga, numa noite difícil, após uma semana ruim no serviço.

A forma básica de Paulo tratar a questão dos cristãos que buscam o divórcio é, portanto, muito simples: "Não o façam. O Senhor o proibiu expressamente; portanto nem se permitam ao luxo de acalentar essa possibilidade." Se esta é a ordem expressa do Senhor, não há nenhum benefício em flertar mentalmente com uma coisa que extrapola os limites de modo tão claro. Se, como acontece muitas vezes, um casal cristão pensa que cometeu um erro ao se casar, então é importante que aceitem a autoridade do ensinamento do Senhor e se dediquem ao seu relacionamento na convicção de que, se o fizerem, Deus pode transformá-lo em algo novo e vital.

Convém também apreciar devidamente o parêntese que Paulo abre no versículo 11: se, porém, ela vier a separar-se, que não se case, ou que se

reconcilie com seu marido. Em outras palavras, Paulo reconhece que um

casamento entre dois cristãos sinceros pode chegar a um impasse. Quando ele está arruinado, devem-se considerar dois cursos de ação:

a primeira opção é separar e permanecer solteiro. O conselho de Paulo em 7:40, ali aplicado a uma situação um tanto diferente, indica que esta pode ser a melhor opção a seguir. A outra opção, depois de ficarem separados por algum tempo - provavelmente para permitir que respirem um pouco mais livremente e reorganizem a dinâmica de seu relacionamento - é fazer a devida reconciliação, para reconstruírem um casamento melhor e mais forte. As duas opções — a primeira, sendo um reconhecimento realista do inevitável, e a segunda, um compromisso genuíno em busca de um verdadeiro progresso — têm a bênção de Paulo. Contudo, de maneira alguma o apóstolo apóia a hipótese do divórcio.32

A seguir, Paulo ataca um problema que devia ser muito comum em Corinto: um cristão recém-convertido casado com uma incrédula ou vice-versa. Isso sempre acontece onde o evangelho é proclamado com poder. Quando um dos cônjuges se converte, surge uma imensa, e às vezes intolerável, tensão entre os dois. O parceiro cristão dpscobre um modo de vida totalmente novo e se compromete com novos padrões, com uma nova fidelidade, com novas prioridades, com novos desejos: ele (ou ela) é "uma nova criatura".33 Os ajustes necessários são enormes. Haverá muitas frustrações, muita incoerência e grandes mal­ entendidos. As vezes o novo cristão se sentirá dividido.

Da mesma forma, o incrédulo dificilmente entende o que aconteceu; e ao que parece (pelo menos estatisticamente), o marido é quem descobre que está vivendo com um outro tipo de mulher santa. O impacto devastador desse acontecimento, mesmo naquilo que poderíamos chamar genuinamente de um ótimo casamento, não pode ser subestimado. Um cirugião neurologista da Cidade do Cabo explicou-o de maneira muito comovente. Quando lhe perguntaram o que julgava mais difícil de aceitar em sua esposa recém-convertida a Cristo, ele destacou duas coisas: primeiro, ela já não era a pessoa pela qual ele havia se apaixonado e com quem decidira casar-se; segundo, havia um outro Homem em casa, a quem ela consultava o tempo todo, em cada decisão que precisava tomar, e cujos conselhos e instruções ela resolvera seguir. Ele já não era o chefe de sua própria casa: Jesus dava as ordens e dominava a situação.

Paulo estava bastante consciente da existência dessas tensões em muitos lares de Corinto. Ele também reconhecia que diversos fatores externos, e ainda mais a sua declarada preferência pela vida de solteiro, exerciam uma pressão muito forte sobre o cônjuge crente no sentido de que ele desistisse e começasse uma nova vida, sem todos os atritos e o pesado fardo de um jugo desigual.34 E bem provável que

o cônjuge cristão se inclinasse a desprezar, ou até mesmo rejeitar, o cônjuge não-convertido. Pedro julgou necessário dedicar palavras especiais para as esposas cristãs que tinham maridos não-convertidos: "Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vossos próprios maridos, para que, se alguns ainda não obedecem à palavra, sejam ganhos sem palavra alguma, por meio do procedimento de suas esposas, ao observarem o vosso honesto comportamento cheio de temor."35 A ênfase de Pedro no comportamento, mais do que nas palavras, é fundamental neste contexto.

Tendo reconhecido a realidade da situação em Corinto, Paulo enfatiza a necessidade de dar uma atenção especial ao casamento, da mesma forma que os casais cristãos que enfrentam problemas precisam se empenhar para melhorar o casamento. Ele apresenta, então, quatro razões para o seu conselho: a realidade da santificação, a situação dos filhos, a possibilidade de conversão e a santidade do casamento.

a) A realidade da santificação (14)

Porque o marido incrédulo é santificado no convívio da esposa e a esposa incrédula é santificada no convívio do marido crente.

O tempo do verbo traduzido por é santificado é o perfeito, e indica um relacionamento estabelecido no passado que ainda está em vigor.36 Assim, quando um se converte a Cristo e nasce de novo, o outro se toma "santificado" de modo especial. Os coríntios provavelmente pensavam que a incredulidade de um cancelava a crença do outro.' Paulo insiste exatamente no oposto: a crença de um leva o parceiro incrédulo a um relacionamento diferente com o Senhor. E virtualmente impossível definir com exatidão o que vem a ser esse relacionamento, mas, com certeza, é alguma indicação de um sinal especial para Deus. Não se pode afirmar que Paulo se refira à "salvação", porque a possibilidade de isso acontecer é um outro incentivo, diferente, para que se dedique com afinco ao casamento (v. 16).

Apesar de toda a incerteza que precisamos carregar, também precisamos dar atenção à palavra traduzida por santificação, no grego

hegiastai, que é o passivo perfeito do verbo "santificar" usado em 6:11,

onde Paulo diz aos coríntios: "fostes santificados". Esta também é a raiz da qual obtemos a qualificação de Paulo para cada cristão: hagios

("santo"). Se ele quisesse usar uma palavra grega com menos significado teológico, sua mente fértil certamente a teria encontrado. Talvez o caminho mais certo para interpretar a palavra seja recordar o verdadeiro contexto de Corinto: Paulo está lidando cum um grupo de rigoristas que consideram o sexo como pecado em qualquer situação. É provável que ele esteja defendendo a "santidade" da relação sexual e, também, do nascimento de filhos em casamentos entre cristãos e não-cristãos. Çalvino comenta: "A piedade de um contribui mais para "santificação" do casamento, do que a impiedade do outro para torná-lo impuro."37

b) A situação dos filhos (14)

Já notamos que Paulo usa o mesmo radical (hagia) para descrever a situação dos filhos de um casal, quando apenas um cônjuge é crente. Para Paulo, este argumento finaliza o assunto, pois ele o considera evidente por si mesmo. Paulo parece se ater às convicções e ao costume dos judeus, os quais consideram que os filhos participam da aliança. "Enquanto não tiver idade bastante para tomar sobre si a responsabilidade, o filho de um pai crente deve ser considerado cristão. A santidade do pai ou da mãe abrange a criança."38

A propósito, os judeus traçam a sua ascendência através da mãe, sob o fundamento prudente de que, normalmente, a identidade da mãe da criança é evidente, mas nem sempre se pode precisar quem é o pai. Se os filhos de uma judia são incluídos na aliança do povo especial de Deus, Paulo argumenta que os filhos de um pai (ou mãe) cristão também são "santos". Paulo também coloca a razão pela qual tais crianças são consideradas "santas" ao dizer: Doutra sorte os vossos

filhos seriam impuros (v. 14). A última palavra desse trecho (akatharta),

não fala apenas de um não-relacionamento com o Senhor, mas também indica uma verdadeira impureza que o próprio Paulo não acredita ser uma descrição exata da condição dos filhos criados numa comunidade cristã. Na verdade, Paulo apresenta a lógica dessa convicção de maneira sólida em suas instruções às famílias cristãs em Efésios 5 e 6 e Colossenses 3, onde ele trata os filhos dos crentes como estando "no Senhor", e assume que esse status é o fundamento da educação cristã deles.

c) A possibilidade de conversão (16)

manutenção de um convívio assim tão desigual, Paulo insiste em que se apeguem à real possibilidade de que o milagre da conversão finalmente leve a família à unidade em Cristo.31’ Tal possibilidade, que ocorre em inúmeros casos, é o maior dos incentivos para que se empenhe no casamento, mesmo durante longos períodos de aparente obstinação.

A maneira como Paulo expõe o caso deixa a questão totalmente em aberto: Pois, como sabes, ó mulher, se salvarás a teu marido? ou como sabes,

ó marido, se salvarás a tua mulher? A resposta simples é que ninguém

o sabe, mas temos todo o incentivo para alimentar tal esperança. E provável que a própria abertura das perguntas feitas à mulher e ao marido tenha a intenção de garantir a soberania de Deus no processo de salvar pessoas. De fato, o próprio apóstolo usa a mesma linguagem mais tarde: "Fiz-me tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar alguns."40 O sentimento que permeia este versículo foi muito bem expresso por Michael Green: "Se um de vocês converteu- se enquando casado, então há motivos para se supor que o bondoso Senhor esteja operando em sua família. Ore e tente viver uma vida coerente, de modo que se o seu parceiro não for ganho por suas palavras, ele o seja sem que se diga nenhuma palavra, mas pela santidade de sua vida."41

d) A santidade do casamento (15)

Há um outro incentivo para que se procure m elhorar esse relacionamento, apesar de todos os problemas a ele inerentes. Isso se encontra implícito nas instruções de Paulo para que o parceiro cristão jamais tome a iniciativa de acabar com o casamento. Mesmo que o cônjuge incrédulo esteja pouco interessado em manter os votos matrimoniais e a própria instituição do casamento, o parceiro cristão preserva a santidade e o caráter indissolúvel desse compromisso.

Somente após defender estes quatro pontos com certa veemência é que Paulo menciona a possibilidade de separação. Ele sempre orienta o cristão a tomar o caminho da fé e da esperança antes de desistir. É o parceiro incrédulo que deve chegar à conclusão de que é impossível dar continuidade ao casamento, e a implicação contida em toda a passagem é que a base de tal incompatibilidade está na fé do cristão. É exatamente aqui que as racionalizações podem começar a se intrometer, decidindo optar pela separação.

Deus vos tem chamado à paz (v. 15). Para ele, este parece ser o princípio

dominante. Temos visto várias vezes, nesta carta, a importância máxima da vocação divina: e o próximo grande parágrafo (7:17-24) retoma o mesmo tema. Aqui Paulo lembra aos coríntios que estão experimentando grande tensão e sofrimento nos lares que a essência do chamado de Deus para cada um deles é um convite, na verdade uma convocação, à paz, na qual deseja que eles habitem diariamente. Essa paz não consiste em simples ausência de discórdia ou o fim das discussões: ela abrange a integridade e a cura de todos os nossos relacionam entos. E trágico reconhecer que existem certos relacionam entos intratáveis, onde o cristão nunca chega a experimentar a paz de Deus: em tais casos não fica sujeito à servidão, nem

o irmão, nem a irmã. Para Paulo, a prioridade mais importante e

absoluta é que os filhos de Deus conheçam a paz criativa do Senhor; por isso, se for para duas pessoas continuarem se desgastando sob um jugo desigual, que se separem.

Mas continua o dilema quanto ao significado real da frase: não fica

sujeito à servidão (literalmente, "não está escravizado"). Poucos cristãos

questionariam a legitimidade de uma separação permanente de duas pessoas incompatíveis, em circunstâncias extremas, quando todas as soluções concebíveis já foram tentadas. Mas será que a frase apóia o divórcio como uma separação definitiva? (isto é, a pessoa estaria livre dos votos matrimoniais?) E se o divórcio é uma opção válida, existe também a possibilidade de um novo casamento (obviamente, com um crente; cf. 7:39) ? Qual é, exatamente, a liberdade a que Paulo se refere? Parece evidente que o parceiro cristão não está obrigado a continuar "segurando mecanicamente um relacionamento que o outro parceiro deseja desfazer".42 Mas será que esse cristão fica assim “sujeito” ou “condenado" a viver escravizado, como uma pessoa divorciada, sem perspectiva alguma de um novo casamento? Essa é uma questão sobre a qual os cristãos de todas as convicções provavelmente concordam em discordar. Uma consideração que, acima de todas as outras, evita que essa grande discussão degenere em uma ética teológica alienada da realidade é a gránde possibilidade de Paulo estar, de fato, escrevendo a partir do trauma de sua própria experiência.

4. A vocação cristã (7:17-24)

Ande cada um segundo o Senhor lhe tem distribuído, cada um conforme Deus o tem chamado. E assim que ordeno em todas as igrejas. lsFoi alguém

chamado, estando circuncíso? não desfaça a circuncisão. Foi alguém chamado estando incircunciso? não se faça circuncidar. 19A circuncisão em si não é nada; a incircuncisão também nada é, mas o que vale é guardar as ordenanças de Deus. 20Cada um permaneça na vocação em que fo i chamado. 21Foste chamado sendo escravo? não te preocupes com isso; mas, se ainda podes tornar-te livre, aproveita a oportunidade. 22Porque o que fo i chamado no Senhor, sendo escravo, é liberto do Senhor; semelhantemente o que foi chamado, sendo livre, é escravo de Cristo. 23Por preço fostes comprados; não vos torneis escravos de homens. 24Irmãos, cada um permaneça diante de Deus naquilo em que foi chamado.

Este parágrafo registra uma espécie de divagação dentro dos ensinamentos de Paulo sobre os diferentes relacionamentos dentro da família de Deus. O apóstolo, de fato, insiste numa atitude básica de contentamento diante de qualquer destino que Deus nos tenha reservado, mesmo que isso inclua circunstâncias que provoquem desgastes e frustrações. Nesse sentido, ele insiste que se encarem as outras tensões~cTa vida da mesma forma que o casamento. Há três prioridades básicas na mente do apóstolo; e todas permeiam os ensinamentos contidos no restante do capítulo: a necessidade dg sermos firmes em qualquer situação; a necessidade de sermos flexíveis quanto às coisas materials~e a necessidade de sermos livres de