1.4. Organização da Tese
2.1.2. Competências para a ALV: Linhas Orientadoras
2.1.2.1. Competências em TIC
Na literatura, as opções escritas – alfabetização digital, competências digitais, literacia digital, competências TIC, literacia TIC – aparecem para designar de uma forma quase identitária o conjunto de capacidades, conhecimentos e atitudes que se revelam indispensáveis à boa utilização das tecnologias de informação e comunicação. Em conformidade com as já apresentadas Competências-Chave do Referencial dos cursos EFA, adotamos a designação Competências em TIC.
Como já referimos, as Competências em TIC relacionam-se não só com um conjunto de capacidades para trabalhar com as TIC, como com um vasto campo de boas práticas que devem ser aplicadas não só em contexto educativo, como também em contexto profissional e pessoal. Assinalamos: (i) utilização das tecnologias (computador, ipad, PDA’s, GPs, etc.) como uma ferramenta para pesquisar, organizar, avaliar e comunicar informação; (ii) gestão do fluxo de informação a partir de conjunto alargado de fontes; (iii) acesso à informação de forma eficiente (tempo) e eficaz (fontes); (iv) avaliação da informação e utilização crítica da mesma; (v) compreensão ético legal do acesso e utilização da informação; e (vi) criação e integração adequada de informações e expressões em ambientes multiculturais (cf. Partnership for 21 st
century Skills em http://www.p21.org/overview).
Esta aprendizagem deve começar o mais cedo possível, como adverte Ala-Mutka e colaboradores (2008), e ser continuadamente desenvolvida, sobretudo no que diz respeito à utilização crítica nos níveis de criatividade, confiança, segurança e privacidade. De acordo com os resultados do Eurostat (2008), 11% dos jovens da União Europeia entre 16-24 anos de idade e 71% dos adultos com idade entre os 55-74 anos demonstraram poucas capacidades no uso das TIC. Veja-se ao nível da(o): (i) privacidade e segurança - 79% dos utilizadores jovens da internet não são cuidadosos na partilha de informações privadas enquanto 40% dos utilizadores adultos (idade superior a 50 anos) de redes sociais dariam as suas informações reais de contacto (OCLC, 2007); (ii) uso ético e legal - 32% dos adolescentes são vítimas de cyberbullying (Lenhart, 2007), (iii) criação e utilização (crítica) de conteúdo - 34% dos usuários de internet europeus decidiram, não comprar um produto, com base em informações de um blog Os números revelam uma realidade preocupante porquanto os níveis de educação se apresentam como um fator de diferenciação das referidas capacidades. A título de exemplo: dos 40% de população da União Europeia que não têm atividade na internet, apenas 12% referem-se a adultos altamente qualificados e 63% a adultos com baixa escolarização ou nenhuma (Eurostat, 2008).
Neste contexto, em Portugal, a estratégia adotada no âmbito do Plano Tecnológico da Educação para o desenvolvimento de Competências TIC, tomou como base a análise de diferentes
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referenciais internacionais5 e desenhou à escala nacional o Programa de Formação e Certificação de Professores em TIC (apresentado mais à frente na secção 2.4.1.). Neste sentido espera-se que “por ação direta ou indireta dos seus professores e numa perspetiva de isomorfismo, é suposto que os alunos venham a adquirir e desenvolver as mesmas competências no seio da própria escola” (Costa, 2008). O referencial apresentado contempla as seguintes competências TIC, sistematizadas na tabela seguinte:
Detém conhecimento atualizado sobre recursos tecnológicos e seu potencial de utilização educativo.
Acompanha o desenvolvimento tecnológico no que implica a responsabilidade profissional do professor.
Executa operações com Hardware e sistemas operativos (usar e instalar programas, resolver problemas comuns com o computador e periféricos, criar e gerir documentos e pastas, observar regras de segurança no respeito pela legalidade e princípios éticos, …)
Acede, organiza e sistematiza a informação em formato digital (pesquisa, seleciona e avalia a informação em função de objetivos concretos…)
Executa operações com programas ou sistemas de informação online e/ou off-line (aceder à Internet, pesquisar em bases de dados ou diretórios, aceder a obras de referência, …)
Comunica com os outros, individualmente ou em grupo, de forma síncrona e/ou assíncrona através de ferramentas digitais específicas.
Elabora documentos em formato digital com diferentes finalidades e para diferentes públicos, em contextos diversificados.
Conhece e utiliza ferramentas digitais como suporte de processos de avaliação e/ou de investigação.
Utiliza o potencial dos recursos digitais na promoção do seu próprio desenvolvimento profissional numa perspetiva de aprendizagem ao longo da vida (diagnostica necessidades, identifica objetivos)
Compreende vantagens e constrangimentos do uso das TIC no processo educativo e o seu potencial transformador do modo como se aprende
5UNESCO (2008). ICT Competency Standards for Teachers. Policy Framework: UNESCO.
Department of Education/Training and the Arts. (2000). Smart Classrooms Professional Development Framework. State of Queensland. Queensland Government.
ICTRN (2001). Building an ICT Research Network: Helping to Create Schools of the Future, Helping to Create Schools of the Future. London: BECTA.
ISTE (2000). Technology Standards and Performance Indicators for Teachers. (http://www.iste.org/AM/Template.cfm?Section=NETS).
European Computer Driving Licence Foudation. (2008). ECDL Foudation website. (http://www.ecdl.org/publisher/index.jsp).
Tabela 2.1. PTE: Competências TIC para Professores (adaptado de Costa 2008, p. 12)
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A leitura da tabela anterior, conduz-nos na reflexão de que o papel das instituições de educação e formação no desenvolvimento das Competências TIC é cada vez maior, associado à consciencialização dos seus agentes para o acréscimo funcional e educativo das TIC. Nesta perspetiva, a recente revisão de aprendizagem com TIC apresentada no trabalho de Ala-Mutka (2009) - Review of Learning in ICT- enabled Networks and Communities – mostra que pelos sucessivos avanços tecnológicos na área das redes de informação e das ferramentas colaborativas, é cada vez maior o número de comunidades online. Os vários exemplos relatados evidenciam que as TIC têm proporcionado diferentes tipos de comunidades (ver subseção 2.4.3 desta revisão) que se têm apresentado como modelos pedagógicos e sociais de aprendizagem, em geral, e de uma forma particular de ALV. Os resultados, deste mesmo estudo, revelam que há razões para acreditar que as comunidades online sejam processos de aprendizagem e meios de desenvolvimento de competências, tão intrínsecas à participação online como: comunicação, colaboração, criatividade, inovação e pensamento crítico. Aliás, na opinião da autora, as comunidades online ainda não assumiram a referida importância nos sistemas e instituições educativas porque ainda existe uma falta de consciencialização, reconhecimento e envolvimento por parte destes (sistemas e instituições educativas) em aproveitar a oportunidade de novas abordagens de aprendizagem e potenciar a construção e desenvolvimento de competências, suporte básico para novas formas de trabalho e emprego centrados numa perspetiva de ALV (cf. Ala-Mutka, 2009, p. 5-7)