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CAPÍTULO 2 – REFERÊNCIAL TEÓRICO

2.1. ASPECTOS GERAIS DO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

2.1.2. Ação

2.1.3.5. Formação, suspensão e extinção do processo

Todo processo judicial possui início, meio e fim, assim como, comparando ao ser humano, nasce, desenvolve e morre; dessa forma, as fases que conduzem o processo representam o exercício da função jurisdicional.

O nascimento do processo, ou a formação do processo, se dá com a propositura da ação. Nos termos do artigo 263 do Código de Processo Civil, a formação do processo ocorre no instante em que a petição inicial é distribuída perante o órgão judicial competente para solucionar o conflito de interesses, quando houver mais de uma vara no foro, ou ainda no instante em que o magistrado despacha a petição inicial, quando existe apenas uma vara do foro.

A relação processual no ato da propositura da petição inicial é bilateral, estabelecida entre o autor e o Juiz, reclamando a citação do réu. Considerando o fato de a citação ser um pressuposto do processo, logo, este será formado e passará a existir quando verificada a citação válida, que torna prevento o Juiz, induz litispendência e faz litigiosa a coisa, mesmo que seja incompetente o Juiz, constitui em mora o devedor e interrompe a prescrição. Com a citação do réu, a relação processual se completa, vinculando autor, Juiz e réu, bem como assegura ao Estado o exercício pleno do poder jurisdicional. Embora não estejam preenchidos os requisitos da petição inicial, depois da citação não se pode negar a existência do processo, diante da ausência de pressuposto de desenvolvimento válido regular do processo e não de pressuposto da sua constituição.

Com a citação válida do réu decorre a estabilidade do processo; não mais poderá ser modificado o pedido da causa de pedir, como não é permitida a substituição das partes, salvo quando a lei determine. Além disso, o Juiz não poderá

ser alterado, por haver vinculação pela propositura da ação ao órgão jurisdicional. Todavia, é possível alterar os pedidos, nas seguintes hipóteses: antes da citação por ato unilateral e livre do autor, e depois da citação, quanto autor e réu concordarem, mas jamais depois da fase de saneamento.

A suspensão do processo ocorre quando há uma paralisação temporária, sem pôr fim, dos atos processuais por um acontecimento voluntário e não provocado para afastar a causa que a determinou. Em regra, durante a suspensão do processo não é permitido realizar atos processuais, salvo quando forem atos de urgência, seja deferir liminares ou antecipar a tutela, para evitar o perecimento do próprio direito em debate. O desrespeito a essa proibição legal leva à inexistência jurídica do ato praticado. Os preceitos da suspensão do processo são aplicados nas ações de conhecimento, de execução e nas cautelares, e nas subespécies das ações condenatórias, constitutivas, declaratórias, mandamentais e executivas lato sensu.

O Artigo 265 do Código de Processo Civil determina as causas de suspensão do processo, são elas: morte ou perda da capacidade processual de qualquer das partes, do seu representante legal ou do seu procurador; convenção das partes; oposição de exceção de incompetência do juízo, da câmara ou do tribunal, bem como suspeição ou impedimento do Juiz; prejudicialidade de outra causa; aguardo da demonstração de fato ou da produção de prova delegada a outro juízo; motivo de força maior; demais casos previstos em lei.

Para que ocorra a suspensão do processo é necessário que o Juiz ordene através de decisão judicial. Trata de decisão declarativa, que considera suspenso o processo no momento em que ocorreu o fato que a motivou e não apenas a partir de seu reconhecimento nos autos. Assim que cesse o efeito extraordinário que causou a suspensão do processo, este se restabelece normalmente. Porém, existem casos em que a lei determina o término automático da suspensão do processo, por exemplo, na hipótese de exceção de incompetência. Mas se o termo de suspensão for impreciso, como ocorre na situação de força maior, a retomada da marcha processual depende de uma nova deliberação do Juiz que mande intimar as partes.

Por último, sobre a suspensão do processo é importante mencionar que não ocorre durante as férias forenses, tão somente ocorre é a suspensão do curso do prazo processual.

Sobre o encerramento do processo desse modo Machado (2004, p. 335- 336) ensina:

Todo processo nasce e se desenvolve com fim de morrer mediante o proferimento de sentença. Se a relação processual foi constituída e desenvolvida validamente e estavam as condições da ação, profere o juiz sentença de mérito (art. 269). Se a relação processual padece de vícios de constituição ou validade ou, se perfeita, falta condição da ação, profere o juiz sentença terminativa (art. 267).

Assim, a relação jurídico-processual deve ser encerrada pelo órgão de jurisdição, monocrático ou colegiado, por sentença ou acórdão, sem apreciação do direito discutido, sempre que se verificar as hipóteses previstas no artigo 267 do

Código de Processo Civil. Assinale que o objetivo social da extinção do processo

sem julgamento do mérito descansa na necessidade de permitir ao Poder judiciário livrar-se de causas processualmente inviáveis.

De acordo com o artigo supracitado, as causas de extinção do processo sem julgamento do mérito são: indeferimento da inicial nos termos do artigo 295 do mesmo Diploma Legal; quando o processo ficar parado durante mais de 01 (um) ano por negligência das partes; por abandono da causa por mais de 30 (trinta) dias; ausência de pressupostos processuais; o acolhimento de perempção, litispendência e coisa julgada; quando não concorrer qualquer das condições da ação; pela convenção de arbitragem; pela desistência da ação por ato unilateral do autor; pela intransmissibilidade da ação; quando ocorrer confusão entre o autor e réu; e nos demais casos prescritos neste Código, por exemplo, o não-cumprimento da incapacidade processual ou irregularidade de representação.

A sentença que termina o processo sem julgamento de mérito não faz coisa julgada material, pelo fato de não ter apreciado a substância controvérsia estabelecida entre as partes em torno da lide. Seu efeito é apenas de coisa julgada formal, o que impede que a parte volte a postular novo julgamento dentro do mesmo processo, depois de exaurida a possibilidade de impugnação recursal.

A petição inicial do novo processo só será despachada se comprovar o pagamento ou o depósito das custas processuais e dos honorários advocatícios devidos pela extinção do feito anterior.

Ressalte-se que se o autor der causa, por 03 (três) vezes, à extinção do processo por não promover os atos e diligências que lhe competir, ou abandonar a causa por mais de 30 (trinta) dias, não poderá intentar nova ação contra o réu com o mesmo objeto, ficando-lhe ressalvada, entretanto, a possibilidade de alegar em

defesa o seu direito. Estabelece, portanto, a figura da perempção da ação que é literalmente a morte da ação.

A iniciativa da extinção do processo incumbe ao réu, que deve alegar os pressupostos processuais, as condições da ação, a perempção, litispendência e coisa julgada, na primeira oportunidade em que falar nos autos, e será colhida de ofício pelo Juiz em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não for proferida definitivamente a sentença de mérito. Caso o réu assim não o faça, incorrerá em preclusão; nem mesmo o juiz poderá reconhecê-la mais tarde, e o réu ficará responsável pelas custas que desnecessariamente acarretou pelo retardamento da alegação.

O artigo 269 do Código de Processo Civil prevê as hipóteses de extinção do processo com julgamento de mérito, são elas: quando houver acolhimento ou rejeição do pedido do autor pelo Juiz; quando houver o reconhecimento do pedido pelo réu; quando as partes transacionarem; quando o Juiz pronunciar a decadência ou a perempção e quando o autor renunciar ao direito sobre que se funda a ação.

Contudo, este artigo não esgota os casos de extinção do processo com julgamento do mérito; é o que acontece com o despejo por falta de pagamento.