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4. A LEI GERAL DA COPA E SEUS IMPACTOS NO ORDENAMENTO JURÍDICO E

4.1 O processo legislativo da Lei Geral da Copa

Em 19 de setembro de 2011, a Presidência da República do Brasil apresentou à Câmara dos Deputados, por meio da Mensagem nº 389/2011, o Projeto de Lei (PL) nº 2.330/2011, acompanhado da Exposição de Motivos n.º 15, de 16-09-2011. Por meio desse PL, a Lei ordinária de nº 12.663, também conhecida por Lei Geral da Copa, iria posteriormente ingressar no ordenamento jurídico brasileiro.

O texto da Exposição de Motivos nº 1596 foi assinado por 09 (nove) Ministros de Estado e

pelo Advogado-Geral da União (AGU)97 e, em seguida, encaminhado à Presidência da República

96 PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. Subchefia de Assuntos Parlamentares. Exposição de Motivos nº 00015/ME/MRE/MTE/MJ/MF/MDIC/MC/MINC/AGU/MP. Disponível em:

em 16 de setembro de 2011. A sua redação já mostrava que a lei que poderia se originar do referido projeto conteria as disposições estabelecidas pela FIFA no tocante à realização da Copa do Mundo FIFA 2014 e da Copa das Confederações FIFA 2013. Naquela mesma data, a Presidência da República encaminhou o PL ao Congresso Nacional. No texto da referida Exposição de Motivos, os Ministros de Estados, ao explicar à presidente da República o conteúdo do PL, afirmaram:

Excelentíssima Senhora Presidenta da República,

Temos a honra de submeter à apreciação de Vossa Excelência o anexo Projeto de Lei Geral que dispõe sobre medidas relativas à Copa das Confederações FIFA 2013 e à Copa do Mundo FIFA 2014, que serão realizadas no Brasil.

2. Tais medidas se fazem necessárias para a efetivação dos compromissos

assumidos pelo Governo Federal perante a FIFA, quando da escolha do País como sede das Competições.

3. O Capítulo I (Das Disposições Preliminares) trata das definições acerca de entidades, pessoas, locais, objetos e eventos abrangidos pelo presente projeto. É importante

mencionar que tais definições observam o Caderno de Encargos elaborado pela FIFA, sendo similares às definições utilizadas na Lei n° 12.350, de 20 de dezembro de

2010, que dispõe sobre as medidas tributárias para realização da Copa das Confederações FIFA 2013 e Copa do Mundo FIFA 2014. Tal padronização se mostra

indispensável à segurança jurídica nas relações envolvendo as Competições.

4. O Capítulo II (Proteção e Exploração de Direitos Comerciais) é dividido em cinco seções, conforme a seguir explicitado.

4.1. Na Seção I, é concedida aos Símbolos Oficiais da FIFA a qualidade de “Marca de Alto Renome” e “Marca Notoriamente Conhecida”, nos termos dos artigos 125 e 126, da Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996, além de definidas regras e prazos para depósitos de pedidos e concessão de registros de marcas diferentes daqueles determinados naquela Lei, possibilitando um tratamento mais célere e favorável à FIFA.

4.2. A Seção II trata das áreas de restrição comercial e vias de acesso, prevendo que a

União deverá colaborar com os entes federativos competentes para assegurar, durante os Períodos de Competição, a divulgação das marcas da FIFA e outras atividades promocionais nos Locais Oficiais de Competição. A redação proposta

atende o disposto no artigo 30, inciso I, da Constituição Federal, que atribui aos Municípios competência para “legislar sobre assuntos de interesse local”. Considerando esta competência legislativa, privativa dos Municípios, o dispositivo do anexo Projeto de Lei não poderia estabelecer regras definidas, o que caracterizaria invasão de competência, razão pela qual a redação proposta é abrangente.

[...]

9. O Projeto de Lei Geral, dessa forma, atende aos compromissos assumidos pelo

Brasil com a FIFA. Está, pois, apto a ser enviado ao Congresso Nacional.

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Projetos/ExpMotiv/EMI/2011/15%20ME%20MRE%20MTE%20MJ%20MF %20MDIC%20MC%20MINC%20AGU%20MP.htm>. Acesso em: 19 de novembro de 2013.

97 Assinaram o texto da Exposição de Motivos nº15 Orlando Silva de Jesus Junior (Ministro de Estado do Esporte),

Antonio de Aguiar Patriota (Ministro de Estado das Relações Exteriores), Paulo Roberto dos Santos Pinto (Ministro de Estado do Trabalho, Interino), José Eduardo Martins Cardozo, (Ministro de Estado da Justiça), Guido Mantega, (Ministro de Estado da Fazenda), Fernando Damata Pimentel, (Ministro de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Paulo Bernardo Silva, (Ministro de Estado das Comunicações), Anna Maria Buarque de Hollanda (Ministra de Estado da Cultura) e Miriam Aparecida Belchior, (Ministra de Estado do Planejamento) e Luis Inacio Lucena Adams (Advogado-Geral da União).

10. São essas, portanto, Senhora Presidenta, as razões que justificam o presente Projeto de Lei que ora submetemos à elevada consideração de Vossa Excelência, com a solicitação de que esta proposta seja encaminhada ao Congresso Nacional, a fim de que se converta em Lei. (Grifos nossos).

Na redação da referida Mensagem, o Poder Executivo já dava sinais do seguimento das diretrizes da FIFA para a realização do mundial de 2014 no Brasil, na medida em que o referido Poder destinava à apreciação do Parlamento brasileiro um projeto voltado claramente ao atendimento dos interesses de uma entidade privada internacional, chegando ao ponto de assegurar à Presidência que o PL “observava o Caderno de Encargos elaborado pela FIFA”, como se isso fosse bastante para que o Parlamento brasileiro editasse uma lei sobre a matéria, dando claro sinais da subordinação do Estado brasileiro aos interesses privados da referida entidade.

Além disso, bastante preocupante se mostrava o modo que o Executivo brasileiro defendia os interesses privados da entidade esportiva, julgando aceitável o comprometimento dos entes federativos do Brasil a, conforme o que foi destacado, cumprir o papel de “divulgar as marcas da FIFA”, como se a República brasileira fosse mais uma agência de publicidade contratada pela poderosa organização internacional.

Além disso, ao propor o referido PL, o Poder Executivo se comprometia, com a justificativa de garantir a “segurança jurídica nas relações envolvendo as Competições”, a assegurar a todo custo os compromissos assumidos perante a FIFA no momento da candidatura do país ao evento, mesmo que para isso tivesse que violar, ainda que temporariamente, diversas disposições estabelecidas pela Constituição Federal de 1988, bem como por diversos outros dispositivos do ordenamento jurídico nacional, suprimindo ou mitigando temporariamente vários direitos conquistados historicamente pelo povo brasileiro.

No Congresso Nacional, o Projeto de Lei nº 2330/2011 inicialmente tramitou98 na Câmara

dos Deputados, tendo sido apresentado ao Plenário da referida Casa legislativa em 19 de setembro de 2011 e publicado no Diário da Câmara dos Deputados no dia seguinte. Na Câmara, segundo o Regimento Interno da Câmara dos Deputados (RICD)99, foi criada, em 03 de outubro

98 As informações contidas no presente trabalho sobre o processo legislativo da Lei Geral da Copa são de acesso

público, conforme a Lei de Acesso à Informação, Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011. A tramitação completa do projeto se encontra no portal da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Disponível em: <http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=520245>. Acesso em: 19 de novembro de 2013.

99 O Regimento Interno da Câmara dos Deputados (Resolução nº 17 de 1989), em seu art. 34, assim dispõe:

de 2011, uma Comissão Especial para o exame da admissibilidade e do mérito do PL, que envolveria as Comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, Relações Exteriores e de Defesa Nacional, Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, Defesa do Consumidor, Turismo e Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para a Comissão Especial criada foi designado como relator o deputado Vicente Cândido (PT-SP), o que ocorreu no dia 11 de outubro do mesmo ano. Formada essa Comissão Especial, foram apresentados diversos requerimentos para a realização de audiências públicas e seminários, além de convites para que diversas pessoas comparecessem à Câmara dos Deputados para colaborar nos trabalhos da Comissão.

Foram convidados pela Comissão o presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero; o presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, Rubens Lopes Costa Filho; o presidente da Federação Paranaense de Futebol, Hélio Pereira Cury; o Ministro do Esporte, Orlando Silva; o presidente da CBF, Ricardo Teixeira; o embaixador do Brasil para a Copa, Edson Arantes do Nascimento (Pelé); o Ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota; o secretário-geral da FIFA, Jerome Valcke; o Secretário da Receita Federal do Brasil, Carlos Alberto Freitas Barreto; e o Ministro da Fazenda, Guido Mantega.

A referida Comissão também determinou a realização de conferências públicas e de seminários em diversos estados brasileiros, que seriam organizados pelos procuradores-gerais de cada um deles.

Para participar dos trabalhos da comissão foram convidadas representantes de órgãos públicos, de empresas e de algumas organizações com o objetivo de debater o PL. Nesse sentido, foram chamados à Câmara a fim de discutir o conteúdo do PL: a Procuradora-Geral da União, o Advogado-Geral da União e os Procuradores-Gerais dos Ministérios Públicos dos Estados de São Paulo, Amazonas, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Bahia.

Além deles, também foram convidados a participar de audiências públicas na Câmara a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a Associação Brasileira de Artigos Esportivos (MOVE), a diretoria da Nike do Brasil, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR), o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), o Conselho Nacional dos Direitos do Idoso, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), a

II - proposições que versarem matéria de competência de mais de três Comissões que devam pronunciar-se quanto ao mérito, por iniciativa do Presidente da Câmara, ou a requerimento de Líder ou de Presidente de Comissão interessada.

Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (PROTESTE), o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, a União Nacional dos Estudantes (UNE), a Associação Brasileira de Rádio e Televisão (ABERT), além dos Ministros de Estado da Justiça, do Esporte, das Relações Exteriores, e de representantes da CBF e da FIFA. Destacamos que, apesar das discussões tratadas com as citadas entidades, as discussões com a sociedade brasileira permaneceram bastante limitadas, não havendo ampla divulgação do que ocorria nem ampla participação de movimentos sociais nas discussões do referido PL.

Durante os trabalhos da Comissão, em 29 de novembro, a Mesa Diretora da Câmara determinou que ao Projeto de Lei nº 2.330/2011, fosse apensado o PL nº 2.686/2011, de autoria do Deputado Luís Tibé, (PT do B/MG), que dispunha sobre as garantias do pagamento de meia- entrada a estudantes e idosos nos megaeventos FIFA que seriam realizados no Brasil.

Em 06 de dezembro de 2011, o relator do projeto, deputado Vicente Cândido (PT/SP), apresentou seu parecer defendendo a “constitucionalidade, juridicidade e boa técnica legislativa” do PL da Lei Geral da Copa, defendendo a sua aprovação, bem como a do PL 2.686/2011 a ele apensado, que versava sobre a meia entrada. No dia 28 de fevereiro de 2012 o parecer do relator foi aprovado pela Comissão Especial.

O trâmite do projeto, que contou com a realização de diversas audiências, seminários e debates com a sociedade civil, foi considerado excessivamente lento pelo governo brasileiro. Nesse sentido, no Poder Legislativo diversas pressões eram exercidas, tanto internas, por parte do Executivo, quanto internacionais, por parte da FIFA. Dessa forma, visando acelerar a tramitação na Câmara dos Deputados, em 06 de março, foi apresentado naquela Casa legislativa o Requerimento nº 4.504/2012, que propunha a tramitação do PL nº 2.330/2011 em Regime de Urgência. O requerimento seria aprovado no dia seguinte e aceleraria a tramitação do PL da Lei Geral da Copa na Câmara dos Deputados do Brasil.

A Mesa da Câmara, ainda em 06 de março, por considerar a temática do PL nº 2.686/2011 era diversa do PL nº 2.330, determinou que fossem desapensados os dois Projetos de Lei. Tal medida foi mais uma estratégia para acelerar a tramitação do PL naquela Casa legislativa. Na sessão plenária do dia 28 de março foram apresentadas 67 (sessenta e sete) emendas ao PL, tendo na mesma sessão, o relator emitido parecer favorável a apenas 15 (quinze) delas. Após a discussão das emendas, o texto final foi votado e aprovado pelo Plenário da Câmara. Em 30 de março de 2012, através do Ofício nº 94/12/PS-GSE, o PL foi enviado ao Senado Federal.

No Senado Federal100, o Projeto da Lei Geral da Copa foi protocolado em 02 de abril de

2012 sob o nome “Projeto de Lei da Câmara (PLC) nº 10/2012”. O mesmo foi distribuído às Comissões de Educação, Cultura e Esporte, Assuntos Econômicos, e Constituição, Justiça e Cidadania. A relatoria do PL foi distribuída à senadora Ana Amélia (PP-RS). Naquela Casa legislativa revisora foram realizadas duas audiências públicas, nas quais foram ouvidos o Ministro do Esporte, o Procurador de Justiça de Minas Gerais e também Presidente da Comissão Nacional de Prevenção e Combate à Violência nos Estádios, além do Secretário Adjunto do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.

No dia 08 de maio de 2012, foi lido e aprovado o Requerimento nº 400/2012, através do qual alguns senadores solicitavam a imediata a urgência na tramitação do PL naquela Casa. Para a tomada da medida, diversos acordos políticos foram feitos, tendo sido o resultado de intensas pressões que no Senado foram feitas pelo Poder Executivo, interessado que a Lei Geral da Copa tivesse um trâmite bem mais célere do que o que havia tido na Câmara dos Deputados, especialmente com a proximidade da Copa das Confederações FIFA 2013, evento-teste da Copa do Mundo FIFA 2014, que ocorreria em junho de 2013, a pouco mais de um ano daquela data.

Na prática, o referido Requerimento reduziu os debates do PL que poderiam ocorrer no Senado Federal, num contexto em que diversas mudanças já estavam sendo implementadas em cada um dos 12 (doze) estados-sede do mundial de 2014. Assim, com o regime de urgência, a tramitação do projeto dispensou o seu exame que seria realizado pelas quatro Comissões Temáticas (Comissões de Constituição, Justiça e Cidadania, Assuntos Econômicos, Meio Ambiente, Defesa do Consumidor, e Fiscalização e Controle), levando-o diretamente para o Plenário do Senado Federal.

Naquela época, o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), disse à imprensa101 que o texto do PL da Lei Geral da Copa deveria passar sem modificações pela Casa

para ir diretamente à sanção presidencial, sem novo exame na Câmara. Na ocasião, anunciou que a intenção era evitar que se perdesse tempo com a discussão de um ponto que segundo ele era o mais polêmico do PL, a autorização para a venda de bebidas alcoólicas nos estádios nos dias dos jogos dos eventos FIFA.

100 Disponível em: <http://www.senado.gov.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=104814>. Acesso em 19

de novembro de 2013.

101 APROVADA urgência para votação da Lei Geral da Copa. Portal de Notícias do Senado Federal, 08 de maio

de 2012. Disponível em <http://www12. senado.gov.br/noticias/materias/2012/05/08/aprovada-urgencia-para- votacao-da-lei-geral-da-copa> Acesso em: 06 de novembro de 2013.

No Senado Federal foram apresentadas 39 (trinta e nove) emendas ao PL, das quais apenas 05 (cinco) foram aprovadas, quatro delas meras emendas de redação, o que revela a ausência de maiores discussões sobre o conteúdo do PL e o objetivo dos parlamentares de sua aprovar o projeto da forma mais rápida possível.

O senador Pedro Taques (PDT-MT), que apresentou 10 (dez) das 39 (trinta e nove) emendas ao projeto, em entrevistas concedidas à imprensa102 comentou que a FIFA estaria se

sobrepondo à soberania nacional do Brasil ao ditar seus interesses econômicos ao parlamento brasileiro para que fossem normatizados na forma de leis.

Ao fim da sessão legislativa do dia 09 de maio de 2012, a redação final do projeto era aprovada com a edição do Parecer nº 477/2012. Seguindo o curso do processo legislativo, o Projeto deveria ainda ser sancionado pelo Executivo. Em 16 de maio daquele ano, o Ofício SF nº 954 era encaminhado à Ministra de Estado Chefe da Casa Civil, contendo a Mensagem SF nº 87/12, direcionada do Senado Federal à Presidência da República. Por sua vez, a comunicação da Câmara dos Deputados ocorreu com o Ofício SF nº 955, de 15 de maio de 2012, endereçado ao Primeiro-Secretário da Câmara dos Deputados, no qual era formalmente comunicado àquela Casa que o Projeto da Lei Geral da Copa havia sido finalmente encaminhado à sanção presidencial.

A presidente da República, Dilma Rouseff, por meio da Mensagem nº 243, de 05 de junho de 2012, que foi endereçada ao Senado Federal, decidiu vetar alguns pontos do Projeto de Lei que a ela fora submetido. Ao todo, foram 06 (seis) vetos: o artigo 26 §3o, que reservava o total de

10% (dez por cento) do total de ingressos dos jogos da Copa das Confederações FIFA 2013 e da Copa do Mundo FIFA 2014 para a categoria 04 (quatro) nas partidas em que participasse a seleção brasileira de futebol; o artigo 26, §9o, que suspendia a aplicação das gratuidades e de

descontos em ingressos que estivessem vigentes nas legislações estaduais e municipais nos eventos FIFA; os artigos 59 e 60, que dispunham sobre o trabalho dos voluntários, por considerar a Presidência que tais disposições já existiam na legislação trabalhista brasileira; e os artigos 48 e 49, que dispunham sobre a emissão de vistos, por considerar desnecessária a criação de outras exigências legais para a emissão dos vistos dos envolvidos nos eventos de 2013 e 2014.

102O senador Pedro Taques (PDT/MT), em entrevista ao jornal O Globo, afirmou: “Não somos um República de

banana. Não podemos presentear a FIFA com essas ofensas à nossa legislação porque a FIFA não é o maior exemplo de integridade”. SENADO aprova Lei Geral da Copa e texto vai à sanção da presidente. O Globo, Rio de Janeiro, 09 de maio de 2012. Disponível em <http://oglobo.globo.com/esportes/senado-aprova-lei-geral-da-copa-texto-vai- sancao-da-presidente-4849996> Acesso em: 06 de novembro de 2013.

Com o veto parcial feito pela Presidência da República, a parte não vetada foi sancionada e promulgada no dia 05 de junho de 2012, tendo assim sido formalmente finalizado o processo legislativo da Lei Ordinária nº 12.663/2012. A referida lei foi publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte, em 06 de junho de 2012. Segundo o art. 71 da Lei Geral da Copa, a mesma entrou em vigor naquela mesma data, a de sua publicação.

Com relação à parte vetada, o Congresso Nacional foi comunicado dos vetos através do Ofício nº 257/12(CN), e, em 07 de novembro de 2012, foi composta uma Comissão Mista de deputados e senadores, incumbida de emitir um parecer sobre o veto presidencial. Segundo o Regimento Comum do Congresso Nacional, a referida Comissão deveria apresentar relatório sobre o veto até o dia 27 de novembro daquele ano, o que não foi feito. Até a conclusão do presente trabalho, a referida Comissão não havia apresentado nenhum relatório acerca dos vetos apresentados pela Presidência da República.

Dessa forma, a Lei Ordinária nº 12.663/2012, conhecida por Lei Geral da Copa, entrava formalmente no ordenamento jurídico brasileiro, concretizando através de uma norma jurídica os diversos acordos que haviam sido firmados entre o governo brasileiro e a FIFA. Tal norma iria acarretar os mais diversos impactos na vida de milhões de brasileiros, que iriam ter que suportar das mais variadas formas os ônus da ocorrência do megaevento Copa do Mundo FIFA 2014.

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