Capitulo II – Referencial teórico
5. As TIC no processo de ensino e de aprendizagem a mudança expectável
5.5. Ferramentas e potencialidades da Web 2.0
5.5.8. Outros recursos: CourseWare Ser e e quadros interativos
Courseware Sere
O Courseware Sere foi desenvolvimento tendo como objetivo corresponder ao estipulado no contexto da Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (2005-2014) nomeadamente, no que se refere à necessidade de se reorganizar as práticas educativas dos professores, recorrendo-se a diferentes metodologias e a diferentes recursos didáticos adequados ao público-alvo (alunos) e aos conteúdos a lecionar, numa perspetiva inter, multi e transdisciplinar, utilizando abordagens holísticas orientadas por problemas atuais. Destaca-se ainda o facto de este recurso pretender colmatar a inexistência de meios didáticos informatizados (software e/ou hardware com fins educativos) para a aprendizagem das Ciências no 1º e 2º Ciclos do Ensino Básico.
Nesta linha, o recurso foi concebido para a utilização, em sala de aula, por alunos e professores do 1.º e 2.º Ciclos do Ensino Básico (a partir dos 8 anos), particularmente do 3.º ao 6.º anos de escolaridade. A sua exploração consiste num jogo de papéis (role play), em que os utilizadores desempenham o papel de exploradores, de modo a compreenderem os problemas que advêm da exploração dos recursos naturais de forma insustentada e a refletirem em soluções para estes problemas.
Este Courseware encontra-se online no endereço http://sere.ludomedia.pt, e é constituído por um conjunto de recursos didáticos, como um software educativo (CD-ROM e online), Guiões de Exploração Didática – Professor, os Guiões de Registo – Aluno/Utilizador e o Manual do Utilizador. Através do site tem-se acesso a informação e diferentes recursos relacionados com o tema do Courseware que se encontram disponíveis na mediateca.
É ainda possível que os utilizadores interajam uns com os outros através de fóruns e de outras comunicações online, contribuindo desta feita para a partilha e construção conjunta do conhecimento. O Courseware Sere foi desenvolvido por uma equipa multidisciplinar da Universidade de Aveiro (investigadores em Didática das Ciências e em Tecnologia Educativa, em parceria com a empresa Ludomedia).
Quadros interativos
O primeiro quadro interativo do mundo surgiu em 1991 e foi apresentado pela empresa SMART Technologies Inc.(MacKall, s/d).
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O quadro interativo é uma combinação de um painel de visualização de grandes dimensões com um dispositivo de entrada, tendo aproximadamente as dimensões de um quadro normal. As informações provenientes do computador são apresentadas pelo projetor num quadro que, essencialmente, funciona como um monitor (Flaherty, s/d).
Existem diferentes QI, de diferentes marcas, com software específico e com determinadas características similares, mas com algumas diferenças. Vejamos mais ao pormenor algumas das marcas utilizadas em Portugal (Quadro 21):
Quadro 21 - Tipos de quadros interativos (adaptado de Loureiro, 2010)
Para além dos QI anteriormente apresentados, existem ainda duas opções portáteis disponíveis no mercado e que são o Mimio Interactive (figura 23) e o eBeam Edge (figura 24).
19 Promotor: C.M.Porto; Parceria: Universidade de Aveiro, Projeto P-Mate e Porto Digital
Q ua dr os Int er at iv os Empresa
proprietária Características Software utilizado Observações
Sm
ar
tboa
rd
Smart Sensível ao toque, dado que pode
funcionar com o toque do dedo e/ou uma caneta Smart
Notebook (Gratuito);
Compatível com Windows,
Mac e Linux Ma gi cB oa rd/ St ar boa rd
Hitachi Multi-toque e reconhecimento de
gestos: Usa a mão para interagir
com o quadroa, dois dedos para apagar ou para aumentar e diminuir com a função zoom.
Starboard (exige licença)
Compatível com Windows,
Mac e Linux.
Pode ser utilizado em QI de
outras marcas, para tal, deve adquirir-se o Software Chameleon
Pode ser utilizado por até três
utilizadores. A interação estabelece-se através de um sensor de imagem e infravermelhos. Int er W rit e
Interwrite Interação com caneta Interwrite
através de precisão por eletromagnetismo
Worspace (Pago e com
atualização online)
Compatível com Windows,
Mac e Linux. C la sus Projeto Crescer interativo19
Interação com caneta A-migo
Compatível com Windows e
Linux.
Primeiro software a ter
compasso digital;
Permite enviar emails
Pr
om
et
he
an Promethean Interação com caneta ActivInspire (Gratuito) Compatível com Windows e
Linux mediante a compra de uma licença
O SW pode ser utilizado em QI de outras marcas e permite abrir
ficheiros flipcharts do SW.
Referencial Teórico
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Trata-se de dispositivos portáteis que se fixam a qualquer superfície (quadro cerâmico, painel de madeira, etc.) e que se transforma num quadro interativo20. O Mimio interage com o software MimioStudio, utilizando a
caneta Mimio Mouse.
Figura 23 - Dispositivo Mimio e caneta
O Mimio Interactive interage através de uma caneta que possui três botões, com funções similares aos de um rato tradicional, ou seja, o botão frontal equivale ao botão esquerdo do rato e os dois botões laterais têm a função, respetivamente, de botão direito do rato e de cursor sem clicar.
O Mimio pode ser ligado ao computador através de uma porta USB ou através de Wireless, não sendo necessário nenhum tipo de configuração ou autenticação para efetuar uma ligação sem fios. Tem um alcance de aproximadamente dez metros.
eBeam Edge
Figura 24 - Dispositivo eBeam Edge21
Em termos de funcionalidade é similar ao Mimio, também possui uma caneta interativa que funciona como um rato. Este dispositivo liga-se ao computador por um cabo USB, sendo que a versão em Bluetooth ainda não está disponível.
20http://www.dismel.pt/quadrosinteractivos/292-a-forma-mais-economica-de-usar-quadros-interactivos-mimio-interactive 21http://www.imagina.pt/produtos/hardware/quadro-interativo-ebeam-edge/
Referencial Teórico
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O software de interação é o eBeam Interact, com a vantagem de permitir partilhar e interagir em tempo real, por exemplo, uma apresentação com os 25 colegas da turma da mesma escola, de diferentes escolas, do mesmo agrupamento de escolas ou de escolas de todo o mundo. Utilizando apenas o Scrapbook (caderno de notas digital) e uma ligação à Internet.
Os QI apresentam várias vantagens tanto para alunos como para professores.Vejamos os quadros 22 e 23: Quadro 22 - Vantagens dos quadros interativos para os alunos (Folhas, 2010, p. 22-23)
Vantagens dos QI para os alunos Aumenta a atenção e concentração
durante a aula
As apresentações multissensoriais aceleram e aumentam a compreensão e
atenção da plateia durante mais tempo (Yager, 1991).
A forma como a informação é apresentada, através da cor e movimento, é vista
pelos alunos como motivação e reforço da sua concentração e atenção (Levy, 2002, Wall et al., 2005).
Os professores reconhecem que o uso do QI traz mais-valias para os alunos pelo
facto de manter a sua atenção, de estimular o seu pensamento e de manter o foco nos conteúdos explorados durante a aula (Kennewell e Beauchamp, 2007). Aumenta a motivação para os conteúdos
lecionados
O uso dos QI nas aulas aumenta a alegria e motivação dos professores e alunos,
ao permitir um uso mais variado e dinâmico dos recursos (Gerard et al., 1999).
Os QI podem ser usados em salas de aula de modo a aumentar a motivação e
interesse durante o processo de aprendizagem (Beeland, 1999).
Os alunos mostram entusiasmo com a sua utilização. (GEPE/ME, 2007).
“Pode proporcionar a descoberta de novos interesses, cativando os intervenientes
no processo de ensino e aprendizagem para o conhecimento” Pereira (2008, p.112).
Aumenta a participação e colaboração Maiores oportunidades para a participação e colaboração desenvolvendo as
competências pessoais e sociais dos alunos (Levy, 2002).
A utilização do QI permite associar as vantagens de visualização, simulação e
interação em grandes grupos, aumentando assim, a participação dos alunos e o reforço da aprendizagem (Red.es, 2006; Higgins, 2007).
O QI permite mais oportunidades para interagir e discutir na sala de aula (Gerard
et al, 1999).
A criação e utilização de flipcharts digitais permitem o fomento do trabalho
colaborativo e do espírito de partilha entre professores e mesmo entre alunos (Becta, 2003).
Garante a permanência no tempo da mensagem e a sua difusão espacial libertando os alunos
da tarefa de copiar para o caderno o conteúdo do quadro
O uso do QI diminui a necessidade de tirar notas; permite diferentes estilos de
aprendizagem que podem ser usados pelos professores devido à possibilidade de usar vários recursos (Bell, 2002).
Permitem partilhar os materiais pedagógicos criados ao longo das aulas com os
alunos (Pereira, 2008, p. 111). Desenvolve o pensamento crítico dos
alunos.
O uso criativo do QI favorece o pensamento crítico dos alunos (Becta, 2003;
Red.es, 2006). Desenvolve a autonomia do
conhecimento nos alunos.
Pode proporcionar o autoconhecimento aliado à autonomia e liberdade na
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Quadro 23 - Vantagens dos quadros interativos para os professores (Folhas, 2010, p. 22-23) Vantagens dos QI para os Professores Melhora a qualidade das aulas
(interativas, com recurso a vários tipos de informação)
O uso do QI aumenta o tempo da aprendizagem ao permitir que os professores
apresentem recursos da web e outros mais eficientes (Walker, 2003).
O QI é uma boa ferramenta em contexto educativo que pode ajudar um professor a
melhorar a sua prática pedagógica (Gage, 2006).
Os professores ficam mais motivados para planear as suas aulas que consistam em
atividades interativas para toda a turma, sem ter que se preocupar com o teclado concentrando-se apenas nas respostas dos alunos” Ball (2003).
Aumenta a criatividade na preparação das aulas
O acréscimo de tempo na planificação das aulas com o QI contribui para um
aumento da criatividade dos professores que sentem a necessidade de melhorar a sua prestação profissional (Braham, 2006).
O aumento considerável de tempo despendido na construção de recursos para o QI
resulta de uma construção complexa com a integração de imagens, animações, clips de vídeo e de som, que requerem uma pesquisa alongada em bancos de dados ou na Web (Gage, 2006).
Possibilita a utilização de novas
ferramentas pedagógicas O QI inspira os professores a mudar a sua pedagogia usando mais as TIC, encorajando o seu desenvolvimento profissional (Smith, 1999).
Aumenta a partilha de recursos e colaboração entre professores
Permite aos professores partilhar e reutilizar os materiais diminuindo o trabalho de
preparação de aulas (Glover & Miller, 2001).
Com o apoio entre professores, o processo de utilização dos QI torna-se mais
rápido (Miller et al., 2005b).
O QI permite o fomento do trabalho colaborativo e do espírito de partilha entre
professores e mesmo entre alunos (Becta, 2003). Facilita a disponibilização aos alunos
dos conteúdos em diferentes formatos de apresentação, via email ou numa Plataforma de Gestão de Aprendizagem
O QI permite a criação e utilização de flipcharts digitais com a sua disponibilização
em plataformas de aprendizagem ou websites (Becta, 2003).
Possibilita ao professor registar a aula para posterior utilização
Permite aos professores guardar e imprimir o que fez/escreveu no quadro, inclusive
as notas feitas durante a aula facilitando as revisões e o esforço de repetição (Walker, 2002).
O QI permite a revisão de conteúdos e disponibilização/publicação online dos
registos da aula, observando todas as anotações feitas durante as atividades letivas para posterior consulta pelos alunos (Becta, 2003).
Síntese
Atualmente, vivemos o oitavo ano da Década. Esta surge como uma medida urgente para incutir uma educação em prol de um futuro sustentável para a Humanidade, uma vez que todas as medidas, em termos educativos, tomadas anteriormente se revelaram infrutíferas.
A Década propôs-se, portanto, impulsionar, coordenar e apoiar esforços para que a educação se constitua uma estratégia central no alcance da sustentabilidade, apesar de ainda não ter atingido todos os objetivos a que se propôs.
Com a Educação para o Desenvolvimento Sustentável visa-se desenvolver a capacidade de reflexão crítica e sistémica e pensamentos futuros, assim como, motivar para ações que promovam o
Referencial Teórico
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Desenvolvimento Sustentável.
A EDS pressupõe, portanto, uma mudança profunda a nível cultural no mundo pós-moderno, suscitando questões sobre a finalidade e a essência da educação. Deste modo, urge uma educação de qualidade, em que se transmitam “valores, conhecimentos, atitudes e competências necessários para se levar uma vida sustentável, participar na sociedade e fazer um trabalho decoroso” (UNESCO, 2009a, p. 1)
Esta educação de qualidade passa por uma efetiva mudança na própria educação (formal, não formal e informal) e nos papéis dos seus intervenientes. Ao professor exige-se uma renovação de competências; ao aluno, para além do desenvolvimento de competências, também o uso do pensamento crítico.
É de extrema importância começar a pensar no futuro para que todas as mudanças necessárias, quer a nível social, quer económico, quer ambiental, sejam possíveis. Por aí passa, claramente, a introdução da EDS nas escolas, recorrendo-se, para o efeito, a diferentes estratégias didático-pedagógicas, em que se inclui a necessidade de os professores trabalharem em grupo, aplicando nas suas práticas a inter/transdisciplinaridade, tendo a preocupação de estimular a capacidade de pensamento crítico dos alunos.
A educação não deve ser meramente transmissão de conhecimentos, mas sim de levantamento de questões para que seja possível uma constituição própria de ideias e, finalmente, numa mudança de atitude perante o mundo. Daí o processo de ensino e de aprendizagem dever ser suportado por diversificadas estratégias didático-pedagógicas, como, entre outras, o role-play, o brainstorming, os grupos de discussão, a exploração de recursos, as explicações reflexivas e o questionamento; deve igualmente adotar-se a inter/transdisciplinaridade para que os alunos percebam a inter-relação existente entre os diversos conteúdos programáticos abordados nas diferentes disciplinas, nomeadamente os temas, as questões e os problemas relacionados com o desenvolvimento sustentável, que se devem constituir como parte integrante da preparação dos alunos como cidadãos da sociedade, responsáveis e informados.
Para que o processo de ensino e de aprendizagem se concretize numa perspetiva inovadora é imprescindível que o desenvolvimento profissional dos professores se realize ao longo de toda a vida e que a mesma lhes faculte conhecimentos diferenciados (pedagógico, científico e cultural) e novas competências profissionais de modo a estarem preparados para a complexidade da sociedade do futuro; é, portanto, importante que os espaços de formação contínua permitam: a reflexão sobre e na prática docente e a integração das TIC na prática docente através, por exemplo, da criação de comunidades de prática que estimulem momentos de socialização, de reflexão e de uma nova configuração profissional.