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Anexo IV) de Agente Especial Máster LP, por ter cumprido todas as missões em

Missão 1: O quarto poder para compreender seu enredo, que tem começo, meio e

fim. Ainda que a narrativa final indique que “a próxima missão não tardará”, essa frase pode ser compreendida como um incentivo aos alunos. Mesmo a informação

sobre a atribuição da patente e do selo não atribui sentido linear, pois indica que o aluno “pode ser considerado um agente”.

O objetivo da missão é apresentado como sendo “salvar as HQs, as tirinhas e outras formas de quadrinhos do extermínio”, tendo como premissa que os

dominatoriuns ameaçam o humor. A narrativa é sustentada na “Fase 1: Nós lemos

HQ!”, que permite que os alunos apresentem seus conhecimentos sobre os gêneros e compartilhem suas referências coletivamente. Nessa fase eles também entram em contato com HQs e tirinhas digitalizados.

A fase seguinte, com quiz, propõe atividades para verificar o domínio dos alunos na compreensão de quadrinhos, visto que “os dominatoriuns pretendem se disfarçar de editores-chefes de jornal e bagunçar a seção de quadrinhos ou tirinhas de diferentes sites e empresas jornalísticas”. A “Fase 3: Treino avançado em HQ” amplia a proposta da fase anterior, permitindo o contato dos alunos com tirinha e quadrinhos digitais e impressos.

A “Fase 4: Humor a série”, “Nível 1 – Humor e crítica” inicia-se a partir de uma narrativa que motiva os alunos e, ao mesmo tempo, apresenta um novo conflito: “os dominatoriuns ainda não desistiram! Descobriram que os quadrinhos também podem ser críticos e perceberam o movimento dos agentes da AIT e dos

solidariuns na interpretação de tirinhas”, trecho que também dialoga com a fase

anterior. A “Fase 5: De leitor a produtor de HQ” apresenta as propostas de produção de tirinhas por meio de um OA e de produção de “textos em defesa das HQs para a publicação no Jornal Interplanetário e em outros jornais”. A narrativa é mantida pelos enunciados das fases, dos níveis e das atividades, como pode ser verificada no quiz da “Fase 2: Quiz de tirinhas”, “Nível 4 – Quiz”:

Figura 39 – Tela da Missão 2: SOS Quadrinhos, dos 6º e 7º anos, “Fase 2: Quiz de tirinhas”, “Nível 4 – Quiz”, Questão 1 (trecho com a narrativa).

E, também, no Arquivo secreto da proposta de produção de tirinha presente na “Fase 5: De leitor a produtor de HQ”, “Nível 1 – Produzindo HQ?”:

Figura 40 – Tela da Missão 2: SOS Quadrinhos, dos 6º e 7º anos, “Fase 5: De leitor a produtor de HQ”, “Nível 1 – Produzindo HQz?”, Arquivo secreto.

Fonte: Site oficial do Aventuras Currículo+ de Língua Portuguesa.

Para ampliar a análise em relação à proximidade da narrativa do

Aventuras à criação e à sustentação de um universo que motive os alunos e

incentive ainda mais a imersão, é necessário verificar como a narrativa acontece em todas as etapas da missão e a sua relação com o uso das diferentes mídias para a construção dessa história.

Para que isso seja possível, é necessário retomar as mídias indicadas na

Figura 14 – Quadro do Mapa das Missões (pp. 92-94) atribuídas à missão e,

também os respectivos gêneros, textos/produções e proposta de produção final, relacionando-os com as mídias e as narrativas.

De modo geral, a Missão 2: SOS Quadrinhos apresenta proposta de trabalho com tirinhas e histórias em quadrinhos, além de carta do leitor. Como propostas de produções finais, os alunos são convidados a criar uma tirinha e escrever um texto de opinião defendendo as tirinhas e os quadrinhos. Entre as mídias acessadas estão: tirinhas e quadrinhos digitais, digitalizados e impressos, além de texto escrito e de um vídeo – necessário para responder as questões propostas no Arquivo secreto da “Fase 2: Quiz de tirinhas”.

Figura 41 – Relação das narrativas com suas respectivas mídias na Missão 2: SOS Quadrinhos. Fonte: Produção a partir das narrativas do Missão 2: SOS Quadrinhos, dos 6º e 7º anos do Aventuras

Currículo+ de Língua Portuguesa.

Embora o material se encontre dentro de um AVA, que tem potencial de agregação de diversidade de mídias, esse potencial é pouco aproveitado. Conforme indicado na descrição do objeto, o Aventuras funciona quase como um repositório (ou referatório). As mídias que se encontram dentro do AVA são, de modo geral, as mesmas da Missão 2: textos escritos, imagens ou textos/produções digitalizadas, áudios e vídeos. As atividades apresentam indicações de textos/produções, OA e ferramentas digitais em forma de hiperlink, direcionando os alunos para fora do AVA86. No caso da missão verificada, tanto o vídeo do quiz sobre o homem de ferro como o OA Fábrica de quadrinhos são acessados fora do Aventuras.

Desse modo, o uso das mídias é disperso, porém, diferentemente da narrativa transmídia, a narrativa não acompanha esse movimento. Apenas as mídias presentes no AVA são contextualizadas pelos enunciados, tornando-se parte do universo criado. Nesse sentido, o Aventuras aproxima-se mais de uma narrativa multimídia, visto que as mídias em si não contam ou contribuem para a construção da narrativa – com exceção dos áudios iniciais e finais –, mas fazem parte dela, ou

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A remissão externa foi anteriormente apresentada como condição de produção do material, que deveria utilizar os OA alocados na plataforma Curriculo+. Os direitos autorais são outro motivo para que outros textos/produções e mídias não estivessem inseridos no AVA.

Narrativa final das missões (Apresentada por áudio e transcrição escrita do áudio)

Narrativas das fases e dos níveis (Comandos escritos, com arquivos em PDF, quiz e/ou hiperlinks, atividades

com vídeo)

Narrativa inicial das missões (Apresentada por áudio e transcrição escrita do áudio)

Grande narrativa (Vídeo e escrita) Convocação Missão 0 Missão 2 “SOS Quadrinhos” Fase 1 – Fase 5 (Nível 1 e 2) Mensagem final

seja, assim como a narrativa multimídia é uma narrativa que apresenta seus conteúdo com auxílio de diferentes mídias (texto escrito, imagens, áudio, vídeo etc.)

Além de apresentar diferentes mídias e textos/produções em suas narrativas, em função dos objetivos do Aventuras de Língua Portuguesa de contemplar vários gêneros, há indicações de diferentes gêneros ao longo das missões. Em alguns casos, o próprio gênero é imbricado na trama da narrativa, como é o caso da missão analisada Missão 2: SOS Quadrinhos, dos 6º e 7º anos. Presente desde o título, a missão apresenta o próprio gênero como parte da narrativa ao indicar que estão ameaçados de extinção:

O humor está ameaçado no Planeta Terra: forças retrógradas querem acabar com o riso porque acham que ele pode ser perigoso, por poder envolver uma boa dose de crítica ou mesmo por simplesmente proporcionar diversão. Povo feliz e crítico é algo que pode dificultar a escravização. Atento a esse movimento, os dominatoriuns começaram uma operação para acabar com as fontes de humor e diversão e os quadrinhos e as sessões de jornal destinadas às tirinhas estão na mira.

Sua missão: salvar as HQs, as tirinhas e outros tipos de quadrinho do extermínio. (SÃO PAULO, 2017, s/p, grifo nosso)

Os gêneros tirinhas e histórias em quadrinhos (HQ) não são apenas objetos de estudo e meio pelo qual os alunos são motivados a participar da narrativa, mas, também, fazem parte da história. Esse recurso aproxima-se da proposta da narrativa crossmídia por propor a construção de uma narrativa por meio do trabalho com conteúdos e habilidades relacionados a um gênero que é o tema da narrativa, ampliando a cada fase a relação dos alunos com essa mesma mídia.

Entretanto, se considerarmos esse mesmo movimento em outras missões, como, por exemplo, na Missão 2: Game over? ou nas Missões 4 e 5: O

poder das imagens – parte 1 e 2, dos 8º e 9º anos, é possível aproximar essa

característica de elementos da narrativa transmídia, uma vez que essas missões contribuem não apenas para a construção (ainda que episódica) da grande narrativa, como o conhecimento sobre os gêneros são construídos e/ou ampliados por meio das narrativas – que estão presente nas atividades e na produções finais. Isso nos permite pensar no uso do termo transgênero, uma vez que o gênero tem função transversal dentro da missão com o objetivo de contribuir para a contextualização, a compreensão e o cumprimento da missão.

De um ponto de vista mais macro, o mesmo termo pode ser utilizado na medida em que se leva em consideração que o Aventuras é estruturado por diferentes missões que abordam gêneros, propiciando o contato dos alunos com uma diversidade de textos/produções, inclusive multissemióticos, e que apresentam diversidade cultural – o que permite identificar o princípio da multiplicidade no contexto do Aventuras. Isso permite que as narrativas das missões estejam correlacionadas, por serem, muitas vezes, da mesma esfera, que é ampliada por meio do trabalho com os gêneros, que são objeto de estudo e foco da narrativa.

Por fim, a Missão SOS: Quadrinhos apresenta duas propostas de produção: de tirinhas e de textos escritos em defesa das tirinhas. No caso da produção de tirinhas a proposta parte do pressuposto que os dominatoriuns descobriram a fórmula para eliminar todas as tirinhas existentes no planeta. O argumento, apesar de frágil após quatro fases, propõe a produção. Enquanto que a proposta de escrita dos textos em defesa das HQs retoma a narrativa, indicando que a missão está “chegando ao fim” e que “os terráqueos precisam ser informados sobre a importância dos quadrinhos” (SÃO PAULO, 2017, s/p).

Ao propor que os alunos produzam tirinhas e elaborem um texto escrito que deve ser publicado no Jornal Interplanetário, a narrativa aproxima-se de elementos da narrativa transmídia ao incentivar a participação dos alunos de modo a contribuir para a narrativa, sobretudo no caso da segunda proposta, que deixa mais explícito que os alunos devem escrever os textos enquanto agentes da AIT e os textos devem ser publicados no Jornal Interplanetário. Embora a produção apresente a possibilidade de ampliação da narrativa da missão por parte dos alunos, como o jornal é fictício, as criações dos alunos não podem ser divulgadas ou compartilhadas – ao menos não de forma contextualizada, em seu devido suporte digital.

Diferentemente do que acontece na Missão 5: Comida na mesa – Parte

2, do Ensino Médio, que é um exemplo de participação dos alunos, que além de

apresentar a possibilidade de ampliação da narrativa a partir da produção dos alunos, permite o compartilhamento e socialização da criação. Segundo a missão, a proposta é produzir uma revista digital.

Para isso, os alunos são convidados a conhecer revistas digitais, produzir o primeiro post para a revista e produzir a própria revista utilizando o agregador

Scoop.it, conforme analisando anteriormente. A partir de propostas como essas, é

possível verificar que as produções não tratam de assunto aleatórios, mas podem incluir informações relevantes sobre a narrativa, o que implica em sua ampliação.

Ainda assim, essas propostas de produção e participação são direcionadas, além de serem contextualizadas pela narrativa, característica que se aproxima das intenções da narrativa transmídia, quando esta é pensada desde o projeto, tendo que direcionar, em certa medida, quando e como deve haver participação das audiências. Se houver a liberdade de participação por parte dos alunos é na produção de conteúdos a partir da obra87

.

E em se tratando da ampliação da narrativa, há diferentes formas de ampliar o universo narrativo do Aventuras: pelos próprios alunos, por meio propostas de produções e de criações espontâneas, por meio dos “pontos de abertura” que a grande narrativa apresenta, conforme indicado, e pela ampliação do material – elaboração que deve incluir novas informações sobre o universo, contribuindo para sua construção.

Tanto as contribuições espontâneas como a ampliação editorial do projeto precisam identificar os “pontos de abertura” na narrativa para serem produzidos. Ainda que os pontos não tenham sido criados intencionalmente, é possível identificá- los com base na falta de informações sobre o universo criado, como, por exemplo, o “buraco” que há na ausência das informações sobre o planeta de origem e as condições dos dominatoriuns ou mesmo como foi inventada a “máquina camaleoa”.

A possibilidade de expansão do universo criado é um indício de que o

Aventuras possui características que se aproximam de elementos da narrativa

transmídia, visto que ele “convida” a audiência a participar e, ao mesmo tempo, apresenta, de forma intencional ou não, “pontos de abertura”, propiciando a ampliação da narrativa.

A extensão do universo é possível, conforme indicado anteriormente, mas não apenas por meio da participação – direcionada ou espontânea – dos alunos como, também, pela própria equipe de produção e ambientação do projeto.

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É importante verificar que, embora as atividades sejam direcionadas, o material incentiva a apropriação das atividades por parte de professor e alunos, o que permite a criação e ressignificação destas para seus respectivos contextos de modo que se tornem práticas significativas. Por exemplo, essa proposta de atividade de produção de rap gravada em audiovisual, a partir das propostas da Missão 2: Ondas do rádio. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=QzzZsiY5JFs ou a customização da apresentação de caso de sucesso. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=I-PIek_Y-5Q. Acessos em: 29 out. 2018.

De modo geral, podemos considerar que o Aventuras possui, portanto, características que potencialmente se aproximam da narrativa transmídia, a começar da narrativa, que propicia a imersão de professores e alunos desde a convocatória e, nas narrativas das missões, do “Conheça sua missão” à “Mensagem final”.

No que diz respeito à serialidade, a característica episódica do Aventuras pode ser positiva no contexto do material didático porque ao mesmo tempo em que atende à proposta didático-pedagógica também propicia o contato dos alunos com diferentes mídias e gêneros, além de acrescentar algumas (poucas) informações à construção do universo.

Além desses elementos, no material também há a presença de uma

diversidade de mídias e de gêneros. No caso das mídias, elas fazem parte das

narrativas, contribuindo de forma multimídia para o que está sendo apresentado. Em contrapartida, há missões que se utilizam do gênero para contextualizar e construir a narrativa da missão, tornando-o parte essencial dessa narrativa.

Em alguns casos, os gêneros propiciam o contato com diferentes textos/produções e, nesse sentido, a diversidade de linguagens contribui para a construção da narrativa articulando-a à proposta pedagógica, sobretudo no contexto de produção de um material didático de Língua Portuguesa, em cujo qual a presença da multiplicidade de linguagens é tão importante quanto a presença de diferentes mídias.

Ainda, esses textos/produções propiciam o contato dos alunos com diferentes pontos de vistas, vozes e opiniões, que, inclusive, contemplam questões de ordem social, focando ou tematizando os excluídos. Nesse contexto, a

multiplicidade está presente no Aventuras por meio multiplicidade de linguagens e

da multiplicidade cultural.

Por fim, a participação parte da convocatória e professor e alunos são incentivados a aceitarem novos papeis, o de mestre e o de agentes. É importante destacar que a narrativa criada, para aproximar-se dos elementos da narrativa transmídia, não deve ter como foco a história de um personagem, mas o universo criado, como acontece no Aventuras que, além da apresentação da “invasão alienígena”, o material redesenhar a história do próprio planeta Terra, alterando a realidade que professor e alunos conhecem.

A presença de elementos da narrativa transmídia – ou mesmo seu uso enquanto estratégia – na produção de um material didático é uma proposta relativamente nova e, por isso, não há uma definição estabelecida de como um material didático pode se aproximar da narrativa transmídia, nem como os elementos e os princípios da narrativa transmídia devem ou poderiam ser aplicados em sua elaboração.

Uma apropriação desejável, por exemplo, seria, no caso do Aventuras, a ampliação do universo e a possibilidade de acesso não linear entre as missões. Isso seria possível, conforme indicado anteriormente, a partir de uma nova edição que contemplasse novas informações sobre o universo e seus personagens, expandindo a narrativa.

Do mesmo modo, essa ampliação poderia prever possíveis contribuições espontâneas por parte de professores e alunos, por meio de sementes e buracos, além do acesso não linear entre as missões. Neste caso, as atividades poderiam ser organizadas, por exemplo, no formato de fascículos/episódios/missões digitais, que tivessem autonomia, mas se relacionassem entre si.

Do mesmo modo, é possível apropriar-se da ideia de substituir a diversidade de mídias pela diversidade de gêneros, sobretudo na elaboração de materiais didáticos de Língua Portuguesa, adequando, assim, a lógica da narrativa transmídia ainda mais à proposta didático-pedagógica.