ww w . r e u m a t o l o g i a . c o m . b r
REVISTA
BRASILEIRA
DE
REUMATOLOGIA
Artigo
de
Revisão
A
prevalência
de
fibromialgia:
atualizac¸ão
da
revisão
de
literatura
Amelia
Pasqual
Marques,
Adriana
de
Sousa
do
Espírito
Santo,
Ana
Assumpc¸ão
Berssaneti,
Luciana
Akemi
Matsutani
e
Susan
Lee
King
Yuan
∗ UniversidadedeSãoPaulo(USP),FaculdadedeMedicina,DepartamentodeFisioterapia,FonoaudiologiaeTerapiaOcupacional, SãoPaulo,SP,Brasilinformações
sobre
o
artigo
Históricodoartigo:
Recebidoem29demarçode2016 Aceitoem25deoutubrode2016 On-lineem18dedezembrode2016
Palavras-chave: Fibromialgia Prevalência Revisão
Doenc¸asreumáticas Dorcrônica
r
e
s
u
m
o
Opresenteestudotevecomoobjetivoatualizararevisãodeliteraturasobreaprevalênciada fibromialgia(FM)publicadaem2006.Foifeitolevantamentobibliográficodoperíodode2005 a2014nasbasesdedadosMedline,WebofScience,Embase,LilacseSciELOe identificaram--se3.274registros.Cincopesquisadoresselecionaramosestudos,deacordocomoscritérios deinclusão:estudosqueobtiveramaprevalênciadaFM.ForamexcluídosestudosdaFM emdoenc¸as.Natriagempelotítuloeresumo,foramexcluídos2.073artigosirrelevantes. Foramavaliadosquanto à elegibilidadeos textos completos de210 artigos, incluíram--se nesta revisão 39 estudos, descritosem 41 artigos. Os estudos selecionados foram agrupadosemquatrocategorias:a)prevalênciadaFMnapopulac¸ãoemgeral;b) prevalên-ciadaFMemmulheres;c)prevalênciadaFMemáreasruraiseurbanas;d)prevalênciada FMempopulac¸õesespeciais.AliteraturaapontavaloresdeprevalênciadaFMnapopulac¸ão emgeralentre0,2e6,6%,emmulheresentre2,4e6,8%,nasáreasurbanasentre0,7e11,4%, nasruraisentre0,1e5,2%eempopulac¸õesespeciaisentre0,6e15%.Estaatualizac¸ãode revisãodeliteraturamostraumaumentoexpressivodeestudosdeprevalênciadaFMao redordomundo.OsnovoscritériosdoColégioAmericanodeReumatologiade2010foram aindapouco usadoseametodologiaCopcord(Programa Orientadoparaa Comunidade paraControledeDoenc¸asReumáticas)aumentouaqualidadedosestudosdeprevalência dedoenc¸asreumáticasemgeral.
©2017ElsevierEditoraLtda.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCC BY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
∗ Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](S.L.Yuan).
http://dx.doi.org/10.1016/j.rbr.2016.10.004
Prevalence
of
fibromyalgia:
literature
review
update
Keywords: Fibromyalgia Prevalence Review
Rheumaticdiseases Chronicpain
a
b
s
t
r
a
c
t
Thepresentstudyaimedtoupdatetheliteraturereviewontheprevalenceoffibromyalgia (FM)publishedin2006.Abibliographicalsurveywascarriedoutfrom2005to2014inthe MEDLINE,WebofScience,Embase,LILACSandSciELOdatabasesand3274recordswere identified.Fiveresearchersselectedthestudies,followingtheinclusioncriteria:studies thatobtainedtheprevalenceofFM.FMstudiesinassociateddiseaseswereexcluded.When screeningbytitleandabstract,2073irrelevantarticles wereexcluded.The fulltextsof 210articleswereevaluatedforeligibilityandthisreviewincluded39studies,describedin 41articles.Theselectedstudiesweregroupedintofourcategories:a)prevalenceofFMin thegeneralpopulation;B)prevalenceofFMinwomen;C)prevalenceofFMinruraland urbanareas;D)prevalenceofFMinspecialpopulations.Theliteratureshowsvaluesof FMprevalenceinthegeneralpopulationbetween0.2and6.6%,inwomenbetween2.4and 6.8%,inurbanareasbetween0.7and11.4%,inruralareasbetween0.1and5.2%,andin specialpopulationsvaluesbetween0.6and15%.Thisliteraturereviewupdateshowsa significantincreaseinFMprevalencestudiesintheworld.Thenew2010AmericanCollege ofRheumatologycriteriahavenotbeenwidelyusedyetandtheCOPCORD (Community--oriented program forcontrol of Rheumatic Diseases) methodology has increased the qualityofstudiesontheprevalenceofrheumaticdiseasesingeneral.
©2017ElsevierEditoraLtda.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-ND license(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Introduc¸ão
Fibromialgia(FM)éumasíndromedolorosacrônicade etio-patogeniamultifatorialcomplexa,nãototalmenteconhecida, que acomete preferencialmente mulheres, sendo caracte-rizada por dores musculoesqueléticas espalhadas e sítios dolorososespecíficosàpalpac¸ão–tenderpoints,associados fre-quentementeadistúrbiosdosono,fadiga,sintomassomáticos ecognitivosedistúrbiospsíquicos.1,2
Publicamos nossa primeira revisão de literatura sobre a prevalência da FM, em 2006, na Revista Brasileira de Reumatologia.3 No períodode 1990a 2005,foi identificada uma prevalência da FM na populac¸ão com valores entre 0,7e4,4%,sendomaisprevalenteemmulheresdoqueem homens.Foipossívelconstruircincocategoriaspelospadrões desemelhanc¸adosestudos:prevalênciadaFMempopulac¸ões adultas;prevalênciadaFMemmulheres;prevalênciadaFM emcrianc¸aseadolescentes;prevalênciadaFMempopulac¸ões específicase;prevalênciadedorcrônicaedifusanapopulac¸ão, segundooscritériosdoColégioAmericanodeReumatologia (ACR)de1990.4Vimosquemaisestudosdeprevalênciaeram necessários.
Apósquaseumadécada,háanecessidadedeatualizara revisãodeliteraturasobreaprevalênciadaFM,comointuito deconhecerosnovosestudossobreestetema,especialmente apósapublicac¸ãoem2010dosnovoscritériosdiagnósticosda fibromialgiadoACR.2
Metodologia
Esta atualizac¸ão de revisão da literatura foi elaborada a partirdeumabuscaeletrônicanasbasesdedadosMEDLINE,
LILACS, Embase, Web of Science e SciELO, no período de 2005 a 2014. As palavras-chave utilizadas foram “fibromi-algia” e “prevalência” e suas correspondentes em inglês, “fibromyalgia”e“prevalence”.Foifeitatambémumabuscaa partirdalistadepublicac¸õesdisponívelnositedoPrograma Orientado para a Comunidade para Controle de Doenc¸as Reumáticas(COPCORD),umainiciativadaLigaInternacional deAssociac¸õesparaaReumatologia.
Foramencontrados3274artigose992excluídosporserem duplicados.Cincofisioterapeutas,comexperiênciaclínicaede pesquisaemfibromialgia,selecionaramosestudos,deacordo comoscritériosdeinclusão:estudostransversais que obti-veramaprevalênciadafibromialgianapopulac¸ãogeraleem populac¸õesespecíficas,porexemplo,mulheres,crianc¸as, ado-lescentes e idosos.Foi critério de exclusão os estudosque obtiveramaprevalênciadafibromialgiaemoutrasdoenc¸as. Natriagempelotítuloeresumo,foramexcluídos2073artigos irrelevantesparaestarevisão.Foramavaliadosquantoà ele-gibilidadeostextoscompletosde210artigos.Aofinal,foram incluídos nestarevisão39 estudos, descritosem41 artigos (fig.1).
Cadapesquisadorrealizouoprocessodaselec¸ãodos estu-dos individualmente, sendorealizadas duas reuniões:uma após a triagem e outra após a aplicac¸ão dos critérios de elegibilidadeparadefinirconjuntamenteosartigosaserem incluídos.
Registros após remçoão de duplicados (n = 2282) Registros identificados pela busca eletrônica (n = 3273)
Registros adicionais identificados de outras fontes (n = 1)
Artigos completos avaliados
para elegibilidade (n = 210)
Artigos completos incluídos
(n = 41)
Estudos incluídos na síntese
qualitativa (n = 39)
Registros excluídos após triagen (n = 2073)
Artigos completos indisponíveis (n = 3)
Artigos excluídos (n = 166) SciELO (n = 33)
WOS (n = 1036) LILACS (n = 45)
Embase (n = 1189) MEDLINE (n = 970)
Figura1–Fluxogramadaselec¸ãodosestudosdeprevalênciadeFM.
Resultados
e
discussão
Nestabuscaatualizada,observou-seumaumentoexpressivo dosestudosdeprevalênciadaFM,obtendo-semaisdoqueo dobrodonúmerodeestudosincluídosnaprimeirarevisão.3 Apenasquatroestudosrecentesutilizaramosnovoscritérios diagnósticosdoACRde2010e/ousuaversãomodificadapara estudosepidemiológicos.5–8Emdozeestudos,ométodo utili-zadobaseou-senodelineamentoeprotocolopadronizadode altaqualidade,preconizadospeloCOPCORD(fig.2).9–20
Osartigosselecionadoscriteriosamenteforamagrupados emquatrocategorias:a)prevalênciadaFMnapopulac¸ãoem
geral;b)prevalênciadaFMemmulheres;c)prevalênciadaFM emáreasruraiseurbanas;d)prevalênciadaFMempopulac¸ões especiais.
Prevalênciadafibromialgianapopulac¸ãogeral
NacategoriaPrevalênciadaFibromialgianaPopulac¸ãoGeral, foramencontrados19artigos.Destes,doissãodeprevalência naAméricadoNorte,umdaAméricaCentral,doisdaAmérica doSul, oitodaEuropa ecincoda Ásia.Ovalormaisbaixo daprevalênciageralfoi0,2%naVenezuela,10eomaisalto6,4% nosEUA.7Osmaioresvaloresencontradosparaprevalência
BRA: 2,0% VEN: 0,2% CUB: 0,2% MEX: 0,7–0,8%
ESP: 2,3–2,4% FRA: 1,4–5,4% ESC: 1,2–5,4%
HOL: 1,3% ALE: 0,5–5,8%
ITA: 2,2–6,6% TUR: 8,8%
LIB: 1,0%
IND: 0,05%
MAL: 0,9% CHI: 0,8%
JAP: 2,1% IRA: 2,3%
EUA: 1,1–6,4% POR: 3,6%
Tabela1–Prevalênciadafibromialgianapopulac¸ãogeral
Referência País Amostra Critériosdediagnósticoda
FM
Prevalência
Salaffi(2005)21 Itália n=3664
>18anos
ACR1990 2,22%
Scudds(2006)22 China n=1467
18-65anos
ACR1990 0,82%
Veerapen(2007)14 Malásia n=2594
>15anos
Nãoespecificado Geral:0,92%
Fem:0,8%/Masc:0,08%
Loza(2008)23 Espanha n=2192
>20anos
ACR1990 2,4%
Reyes-Llerena(2009)13 Cuba n=3155 Nãoespecificado 0,22%
Branco(2010)24,25 Franc¸a,Itália, Alemanha,Espanhae Portugal
n=4517 >15anos
LFESSQ-4eLFESSQ-6 LFESSQ-4:4,7% LFESSQ-6:2,9%
Creavin(2010)26 Holanda n=2447
>18anos
Auto-relato 1,3%
Sauer(2010)27 Alemanha n=1.646.284 CID-10:M79.7 embancodedados
Geral:0,45%
Fem:0,4%/Masc:0,05% Peláez-Ballestas
(2011)12,28
México n=19213
>18anos
ACR1990 Geral:0,68%
Fem:1%/Masc:0,34%
Perrot(2011)29 Franc¸a n=3326
>18anos
LFESSQeACR1990 1,6%
Chaaya(2012)9 Líbano n=3530
15-90anos
ACR1990 Geral:1%
Fem:2%/Masc:0%
Goren(2012)30 Brasil n=12000
>18anos
Auto-relato 2%
Jones(2013)5 Escócia n=1604
>25anos
ACR1990,ACR2010eACR 2010modificado
ACR1990:1,7%/ACR2010:1,2% ACR2010mod:5,4%
Sandoughi(2013)11 Irã n=2700
>15anos
Nãoespecificado Geral:2,31%
Fem:3,66%/Masc:0,9%
Vincent(2013)7 EUA n=2994
>21anos
ACR2010modificado 6,4%
Wolfe(2013)8 Alemanha n=2515
≥15anos
ACR2010modificado 2,1%
Granados(2014)10 Venezuela n=3973 >18anos
ACR1990 0,2%
Nakamura(2014)6 Japão n=20407
>20anos
ACR2010 2,1%
FM, fibromialgia; ACR, Colégio Americano de Reumatologia; LFESSQ, The London Fibromyalgia EpidemiologyStudy ScreeningQuestionnaire; Fem,feminino;Masc,masculino.
vieramdedoisartigosqueutilizaramoscritériosmodificados de 2010 do ACR: 6,4% em estudo de prevalência em uma regiãoespecíficadosEUA7e5,4%emestudonaEscócia.5No geral,excluindoessesestudos,aprevalênciavarioude0,2%a 4,7%(tabela1).
Prevalênciadafibromialgiaemmulheres
AFMcomumenteémaisprevalenteentremulheres.31A pre-valênciadeFMnosestudosdapopulac¸ãofemininaadultafoi entre2,4%e6,8%.Foramencontradosquatroestudos,sendo metadedelesdaTurquia32,33eaoutrametadedaNoruega.34,35 Ambososartigosdapopulac¸ãodaTurquiaestudaram amos-trasdemulheresdamesmacidadedeTrabzon.Osdoisartigos dapopulac¸ãodaNoruegabaseiam-seemdadosdeumgrande estudode Saúdedodistrito deNord-Trøndelag com várias característicasdasmulheresresidentesnessedistrito,além daFM.Porestemotivopossivelmente,houvevaloresde pre-valênciapróximos(2,4%e2,6%).
Adiferenc¸a metodológicadosestudosesteveno critério usado para identificar a FM. Nos estudos da Noruega, as mulheresforamquestionadasquantoteremsido diagnosti-cadas,algumavez,comFM.NaTurquia,asmulheresforam avaliadas pormédico-pesquisadorcom os critériosdo ACR 1990nomomentodapesquisa(tabela2).
Prevalênciadefibromialgiaemáreasurbanaserurais
Desde o reconhecimento da síndrome da fibromialgia até aatualidade,umadasquestõesdacomunidadecientíficaéa compreensãodosfatoresqueinferemnoseusurgimento.36 Acredita-se que fatores socio-econômico-culturais tenham umainfluêncianasuaprevalência.37Sobesteaspecto,alguns autores optaram por um recorte acerca do local onde as pessoasresidem:áreasurbanaserurais.
Tabela2–Prevalênciadafibromialgiaemmulheres
Referência País Amostra CritériosdediagnósticodaFM Prevalência
Topbas(2005)32 Turquia n=1930
20-64anos
ACR1990 3,6%
Cakirbay(2006)33 Turquia n=1045
18-55anos
ACR1990 6,8%
Mork(2010)34 Noruega n=15990
>20anos
Auto-relatodediagnósticomédico 2,4%
MorkeNilsen(2012)35 Noruega n=12350 >20anos
Auto-relatodediagnósticomédico 2,6%
FM,fibromialgia;ACR,ColégioAmericanodeReumatologia.
Tabela3–Estudosdeprevalênciadefibromialgiaemáreasurbanaserurais
Referência País Amostra Critériosde
diagnósticodaFM
Prevalência
UrbanaxRural Características
Mas(2008)40 Espanha Ambos n=2192
>20anos
ACR1990 Rural:4,1% Urbana:1,7% Geral:2.37% Turhanoglu(2008)38 Turquia Ambos n=600
>20anos Fem:51%
ACR1990 Rural:5,2% Urbana:11,4% Geral:8,8%
Fem:12,5%/Masc:5,1% JoshieChopra
(2009)16
Índia Ambos n=8145
>16anos Fem:50,8%
ACR1990 Rural:3,77% Urbana:1,2% Geral:0,05% Rodriguez-Amado
(2011)19
México Ambos n∼5000
>18anos
ACR1990 Rural:1,3% Urbana:0,7% Geral:0,8% Haq(2005)17 Bangladesh Ambos n=2601rural+1307favela
urbana+1252urbana emergente
>15anos
Fem:98%rural,85%favela urbanae82%urbana emergente
ACR,anonão descrito
Rural:4,4%(Fem: 7,5%/Masc:1,2%) Favelaurbana:3,2% (Fem:5,3%/Masc:1,4%) Urbanaemergente:3,3% (Fem:5,8%/Masc:3,3%)
Alvarez-Nemegyei (2005)41
México Rural n=761
>18anos Fem:49,8%
ACR1990 Rural:1,3%
Davatchi(2008)14 Irã Urbana n=10291 >15anos Fem:52,6%
Nãodescrito Urbana:0,69%
Davatchi(2009)15 Irã Rural n=1565
>15anos Fem:55,1%
ACR1990 Rural:0,06%
Masudul-Hassan (2012)28
Bangladesh Rural n=5217 Fem:52%
ACR,anonão descrito
Rural:3,95%
FM,fibromialgia;ACR,ColégioAmericanodeReumatologia;Fem,feminino;Masc,masculino.
Deformageral,aprevalênciaencontradapelosautoresé variadatantonaáreaurbana,entre0,69%e11,4%,quantona rural,entre0,06%e5,2%(tabela3).Noentanto,parecehaver umatendênciade queaárearural apresentemaior preva-lênciadoqueaáreaurbana,especialmentenosestudosque avaliaramambasasregiões.
Prevalênciadafibromialgiaempopulac¸õesespeciais
A tabela4 mostra os estudos da prevalênciada
fibromial-giaempopulac¸õesespeciais.Trabalhadoresdesetediferentes instituic¸õesdeSaúdeforamconvidadosaparticipardoestudo
deToda,porémoprocessodeamostragemnãofoidescritode modoclaro.Setemulhereseapenasumhomematenderam aocritériodeclassificac¸ãodaFM.42
Eiygor etal.convidaramparaparticipar doestudotodos os 322 estudantes de medicina da Faculdade de Medicina da Universidade Ege, sendo que 11 recusaram participar e cincoforamexcluídos.Seissujeitosatenderamaocritériode classificac¸ãodeFM,sendoligeiramentemaioraprevalência emmulheresdoquehomens.43
Tabela4–Prevalênciadafibromialgiaempopulac¸õesespeciais
Referência País Amostra Critériosde
diagnósticodaFM
Prevalência
Tipo Características
Toda(2007)41 Japão Trabalhadoresde
instituic¸õesde Saúde
n=539 Fem:63,6%
ACR1990 Geral:1,48%
Fem:2,04%/Masc:0,51%
Eyigor(2008)16 Turquia Estudantesde medicina
n=306 Fem:62,4%
ACR1990 Geral:2%
Fem:2,1%/Masc:1,7% Assumpc¸ão(2009)4 Brasil Baixonível
socioeconômico
n=768 35-60anos Fem:77%
ACR1990 4,4%
Buskila(2009)7 Israel Sobreviventesde acidentegravede trem
n=53 ≥18anos
ACR1990 15%
Davatchi(2009)15 Irã Caucasianoseturcos n=7445
caucasianos+2846 turcos
≥15anos
Nãodescrito Caucasianos:0,6% Turcos:0,7%
Santos(2010)38 Brasil Idosos n=361
≥65anos Fem:64%
ACR1990 5,5%
Cobankara(2011)11 Turquia Trabalhadores têxteis
n=655 Fem:81,2%
ACR1990 Geral:7,3% Fem:9%/Masc:0,8% Kim(2012)24 CoreiadoSul Usuáriosdecentro
deatenc¸ãoprimária
n=1077 18-80anos Fem:52,1%
Diagnósticoclínico ouACR1990
ACR1990:1,7%(Fem: 2,9%/Masc:0%). Clínico:2,3% (Fem:3,9%/Masc:0,6%).
FM,fibromialgia;ACR,ColégioAmericanodeReumatologia;Fem,feminino;Masc,masculino.
Artes.Daamostra nãoprobabilísticade768 pessoas conta-tadas,somente304concordaramcomoexameclínico.Com baseemanálisebayesiana,aprevalênciadeFMde4.4%foi estimada,utilizando-seaamostramaior.44
Em2008,Buskilaetal.enviaramconvitesporcorreiopara 153sobreviventesdodesastredetremde2005emIsrael,dos quais115responderamesomente53concordaramem par-ticipar doestudo. Oito mulheres atenderam ao critério de classificac¸ãodeFM.45
Davatchietal.realizaramoestudoem22distritosdeTeerã, deacordocomosmétodosdoprojetoCOPCORD.De10291 pes-soasentrevistadas,71,4%eramcaucasianose23,1%,turcos. Nãoseobservoudiferenc¸aestatisticamentesignificanteentre asetniasparaaprevalênciadeFM.20
Combaseemcálculoamostral,Santosetal.convidaram 400indivíduos(9recusaramparticipare30foramexcluídos) daamostrade2072sujeitosdoestudotransversal“SaoPaulo Ageing&Health Study”,realizadocom todosos residentes idososde66setorescensitárioscomosmenoresÍndicesde DesenvolvimentoHumanododistritodoButantã.Noestudo deprevalênciadaFM,20mulheresatenderamaoscritérios declassificac¸ão.46
Emumapopulac¸ãode16383trabalhadorestêxteisdaregião industrial da cidadede Denizli, Cobankara et al. deveriam recrutar585sujeitos,deacordocomocálculoamostral. Den-tredezfábricastêxteis,selecionaramaleatoriamentequatro com655trabalhadores,dosquaisnenhumrecusouparticipar doestudo.Foramdiagnosticados48sujeitoscomFM,sendo maioraprevalênciaemmulheresdoquehomens.47
Kimet al.recrutaramtodos os1158indivíduosque visi-taramoCentrodeMedicinadaFamíliadoHospitalKangbuk Samsung,deAbrilaMaiode2010.Recusaramparticipardo estudo35sujeitos,enquanto46foramexcluídosporresponder inadequadamenteaosquestionáriosdeavaliac¸ão.Atenderam ao critério de classificac¸ão do ACR de 1990 18 mulheres, enquanto umnúmero maiorde 25 sujeitos(22mulherese 3homens)foiobtidocombasenodiagnósticoclínico.48
Devemseranalisadoscomcautelaosresultadosdeestudos emqueoprocessodeamostragemouoscritériosutilizados paraodiagnósticodaFMnãoforamadequados.Ataxade res-pondentesenãorespondentesdeveserdescritaeestardentro devaloresaceitáveisparaconfirmaravalidadedosdadosde prevalência.49
Implicac¸õespráticas
Estarevisãopoderácontribuir paraimplementac¸ãode dire-trizes de diagnóstico e recomendac¸ões do tratamento da fibromialgia,atualizac¸ãodosprofissionaisdesaúde,alémde estimulararealizac¸ãodefuturosestudossobreprevalência.
Limitac¸õesdoestudo
Conclusão
AliteraturaapontaprevalênciadaFMnapopulac¸ãoemgeral valores entre 0,2 e 6,6%, em mulheres valores entre 2,4 e 6,8%,nasáreasurbanasentre0,7a11,4%enasruraisentre 0,1e5,2%.Estaatualizac¸ãoderevisãodeliteraturamostraum aumentoexpressivodeestudosdeprevalênciadaFMaoredor domundo.OsnovoscritériosdoACR2010foramaindapouco utilizadoseametodologiaCOPCORDaumentouaqualidade dosestudosdeprevalênciadedoenc¸asreumáticasemgeral.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
r
e
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ê
n
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