• Nenhum resultado encontrado

Rev. bras. ortop. vol.52 número2

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Rev. bras. ortop. vol.52 número2"

Copied!
6
0
0

Texto

(1)

SOCIEDADE BRASILEIRA DE ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA

w w w . r b o . o r g . b r

Artigo

Original

Avaliac¸ão

dos

níveis

séricos

da

proteína

C

-reativa

após

artroplastia

total

do

joelho

João

Maurício

Barretto

,

Fabrício

Bolpato

Loures,

Rodrigo

Sattamini

Pires

e

Albuquerque,

Filipe

das

Neves

Bezerra,

Rafael

Vinagre

Faro

e

Naasson

Trindade

Cavanellas

InstitutoNacionaldeTraumatologiaeOrtopedia(Into),RiodeJaneiro,RJ,Brasil

informações

sobre

o

artigo

Históricodoartigo:

Recebidoem2demarçode2016 Aceitoem17demaiode2016

On-lineem30desetembrode2016

Palavras-chave:

ProteínaC-reativa PCR

Joelho Osteoartrite Artroplastia

r

e

s

u

m

o

Objetivo:Avaliarocomportamentoda proteínaC-reativa(PCR)sérica nastrêsprimeiras semanasapósartroplastia total dojoelho(ATJ) e definir os fatoresrelacionados a sua variac¸ão.

Métodos:ForamavaliadososvaloresdaPCRem103pacientessubmetidosàATJprimária.A PCRséricafoidosadanavésperadacirurgia,noterceiroeno21◦diaapósoprocedimento.

Resultados:APCRapresentouelevac¸ãosúbitanoterceirodiaapósacirurgia,atingiuovalor médiode111,9mg/L,commedianade75,9mg/L.Somenteumterc¸odospacientes apre-sentounormalizac¸ãonaterceirasemana.Nopós-operatórioimediato,nãofoiencontrada correlac¸ãoda PCRcomíndicede massa corporal(IMC), idade,gênero, hemotransfusão oucomplicac¸õesdospacientes.

Conclusão:APCRséricapermaneceelevadanaterceirasemanaapósATJnamaioriados pacienteseessaalterac¸ãoestárelacionadaessencialmenteaotraumacirúrgico.

©2016PublicadoporElsevierEditoraLtda.emnomedeSociedadeBrasileirade OrtopediaeTraumatologia.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Evaluation

of

serum

levels

of

C-reactive

protein

after

total

knee

arthroplasty

Keywords:

C-reactiveprotein CRP

Knee Osteoarthritis Arthroplasty

a

b

s

t

r

a

c

t

Objective:ToevaluatethebehaviorofC-reactiveprotein(CRP)levelsinthefirstthreeweeks aftertotalkneearthroplasty(TKA)anddefinethefactorsrelatedtoitsvariation.

Methods:WeevaluatedtheCRPvaluesin103patientsundergoingprimaryTKA.SerumCRP wasmeasuredonthedaybeforesurgery,andonthethirdandtwenty-firstdaysafterthe procedure.

TrabalhodesenvolvidonoCentrodeCirurgiadoJoelho,InstitutoNacionaldeTraumatologiaeOrtopedia(Into),RiodeJaneiro,RJ,Brasil. ∗ Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](J.M.Barretto). http://dx.doi.org/10.1016/j.rbo.2016.05.007

(2)

Results:PCRshowedsuddenincreaseonthethirddayaftersurgery,reachingthemeanvalue of111.9mg/L,median75.9mg/L.Onlyone-thirdofthepatientsreturnedtonormallevelsin thethirdweek.Intheimmediatepostoperativeperiod,CRPwasnotcorrelatedwithbody massindex(BMI),age,gender,bloodtransfusion,orcomplications.

Conclusion: SerumCRPremainshighinthethirdweekafterTKAinmostpatients,andthis changeisprimarilyrelatedtosurgicaltrauma.

©2016PublishedbyElsevierEditoraLtda.onbehalfofSociedadeBrasileirade OrtopediaeTraumatologia.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introduc¸ão

Aosteoartrite(OA)éamaiorcausadeincapacidade muscu-loesqueléticamundial1eoprincipalfatordelimitac¸ãofísica empopulac¸ãoidosa.2Essegraveproblemadesaúdepública atingecercade12,4milhõesdebrasileiros.3Devidoafatores anatômicosebiomecânicos,aarticulac¸ãomaisacometidaéo joelho.1

Amaioresperanc¸adevidaeodesejopormaioratividade têmelevadodeformaexponencialaprocurapelaartroplastia totaldojoelho(ATJ).4Esseéumdosprocedimentos ortopé-dicosmaisbem-sucedidosdoséculo. Apesardosucessoda ATJ,ainfecc¸ãopós-operatóriacontinuaaserumacomplicac¸ão devastadora.5Odiagnósticoprecoceédifícil,poisossinaisdo examefísicoeosmarcadoressorológicospodemestar altera-dospelotraumacirúrgico.6

AproteínaC-reativa(PCR)éomodelodeproteínadafase aguda.Ésintetizadaprincipalmentepelohepatócitoetema func¸ãodeativarosistemacomplementopelavia clássica.7 Após estímulo infeccioso ouinflamatório, osníveis séricos da PCR podem subir de forma abrupta, chegam a atingir 1.000vezesovalorbasalem48horas.8

Essasubstânciatemsidousadanapráticaclínicahámais de70anoscomomarcadordeinfecc¸ãoe/ouinflamac¸ão,porém seusvaloresséricosesuarespostaaosestímulosapresentam amplavariac¸ãoeosfatoresligadosàessaoscilac¸ãoaindasão poucoconhecidos.7

Aavaliac¸ãodaPCRséricafazpartedapropedêuticapara odiagnósticodeinfecc¸ãoperiprotética.9Oexameapresenta altasensibilidadeebaixaespecificidade,10podeser influenci-adoporfatorescomoidade,gênero,comorbidades9eíndice demassacorporal,11alémdotraumacirúrgico.

OobjetivodesteestudofoiavaliarocomportamentodaPCR séricanastrêsprimeirassemanasapósartroplastiatotaldo joelhoedefinirosfatoresrelacionadosasuavariac¸ão.

Material

e

métodos

Apósaprovac¸ãodoprojetopeloComitêdeÉticaemPesquisa da instituic¸ão, sob o número 804.216,avaliou-se, de forma prospectivaeporconveniência,adosagemdaPCRséricaem 103pacientessubmetidosàATJprimáriaentresetembrode 2014emarc¸ode2015.

ForamincluídostodosospacientessubmetidosàATJ pri-mária que aceitaram participar da pesquisa por meio da assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido

(TCLE).Foramexcluídospacientessubmetidosaartroplastia derevisãoeportadoresdedoenc¸asinflamatórias.

Navésperadacirurgiafoicolhidaaprimeiraamostrade 2ml de sangue venoso para a dosagem da PCR quantita-tivapré-operatória(PCR0),feitanolaboratóriodainstituic¸ão. Usou-se o métodoturbidimétrico no analisador de bioquí-micaBT3000Plus®(WienerLab,Rosário,SantaFé,Argentina), quetemcomovaloresdereferênciaemadultos5mg/Lpara doenc¸asinfecciosas.Ospacientestiveramsuaestaturaepeso corporalaferidos.Aestaturafoidocumentadaemmetroseo pesocorporalemquilogramas.Essesdadosforamusadospara ocálculodoíndicedemassacorporal(IMC)decadapaciente, afimdecategorizá-lossegundoosparâmetrosdaOrganizac¸ão MundialdaSaúde(OMS).12

Amesmamarcadeimplantefoiusadaemtodososcasos (PFCSigma®DePuySynthes)efoiescolhidoomodelo postero-estabilizado,comsubstituic¸ãopatelar.Foramusadososguias intramedularparaocortefemoraleextramedularparaocorte tibial.Ospacientesforamoperadoscomousodeisquemia peroperatória,aplicou-seomanguitononíveldacoxa,com pressãode100mm/hgacimadapressãosistólica.

A avalic¸ão pré-anestésica, arquivada no prontuário, foi usadaparadocumentac¸ãodaspatologiasdebaseedoestado clínicodospacientes.

Noterceirodiaapósaartroplastia,aindacomopaciente internado,oprocedimentodecoletadesangueparadosagem daPCRséricafoirepetido(PCR3).

Ospacientesreceberamalta,deacordocomcritérios clí-nicos, e deixaram o hospital com o retorno ambulatorial agendadoparao21◦diaapósacirurgia.Aoretornarpara

con-trole,antesdaconsultaouqualquermanipulac¸ãodaferida, tiveramumaamostradesanguecolhidaparaaterceira dosa-gemdaPCR(PCR21).

Foi criada uma planilha com iniciais dos pacientes, númerodoprontuário,idade,gênero,cordapele,patologia primáriadojoelho,lateralidade,comorbidadesclínicas,peso eestaturacorporal,IMC,dosagemdaPCR0,PCR3ePCR21.

Apartirdosdadoscoletados,construíram-sedoisarquivos queforamanalisadospeloprogramaSPSS(StatisticalPackage fortheSocialScience),versão 22.0,epeloaplicativoMicrosoft Excel2007.

(3)

Tabela1–Caracterizac¸ãodaamostra

Variável Número Porcentagem

Gênero Masculino 24 23,3 Feminino 79 76,7

Lado Direito 60 58,3

Esquerdo 43 41,7

Cor Branco 35 34

Pardo 51 49,5

Preto 17 16,5

Fonte:Dadosdainstituic¸ão.

Na análise inferencial, para verificar a associac¸ão entre

variáveis qualitativas, foi aplicado o teste qui-quadrado e

quandoessesemostrouinconclusivofoiusadootesteexato

deFisher.Paraasvariáveisquantitativas,ahipótesede

nor-malidadefoiverificadapelostestesdeKolmogorov-Smirnov

edeShapiroWilk.Quandoadistribuic¸ãoseapresentou

nor-mal,acomparac¸ãoentreosdois gruposfoifeita peloteste

tdeStudentequandonãonormalusou-seotestenão

para-métricodeMann-Whitney.Acomparac¸ãoentremaisdedois

gruposindependentesfoifeitapelotestedeKruskallWallis.As

variáveisquantitativasforamanalisadasporduasabordagens:

pelocálculodocoeficientedecorrelac¸ãolineardePearsonpara

distribuic¸õesnormaisepelocoeficientedecorrelac¸ãode

Spe-armanparanãonormais.Oníveldesignificânciade5%foi

usadopararejeic¸ãodahipótesenula.

Resultados

Foramestudados103pacientessubmetidosàATJprimáriado

joelho,24dogêneromasculinoe79dofeminino.Atabela1

demonstraadistribuic¸ãodaamostraemrelac¸ãoaogênero, ladooperadoeàcordapele.

A idade dos pacientes apresentou média de 68,9 anos (±6,4), variouentre 55 e91.Os pacientesfemininos apre-sentarammédiade69anos(±6,3)eosmasculinos68,3(± 6,9).OtestedeMann-Whitneyrevelouqueosdoisgrupossão semelhantesemrelac¸ãoàidade(p=0,910).Nãofoiencontrada associac¸ãodaidadecomosvaloresdaPCR0(p=0,688),PCR3 (p=0,455)ePCR21(p=0,831).

Os pacientes apresentaram IMC médio de 31,4 (± 5,8), 32,7(±5,8)para osfemininose27 (± 3,2)para os masculi-nos.OtestetdeStudentdemonstrouqueogrupofeminino apresentouIMCsignificativamentemaiordoqueogrupo mas-culino(p=0,000).Essadiferenc¸aencontra-sedemonstradana figura1.

Apenas15,3%dospacientesapresentaram-se normotrófi-cos.Orestantedaamostraseapresentousobrepesada(31,6%) ouobesa(53,1%).Ataxadenormalizac¸ãodaPCR21não apre-sentoucorrelac¸ãocomoIMC(p=0,516).

Todos os pacientes eram portadores de gonartrose no joelho operado, 100 com gonartrose primária e três com gonartrose secundária. Somente 10,7% dos pacientes não apresentarampatologiasistêmica.Entreos89,3%dos pacien-tescomcomorbidades,ahipertensãoarterialsistêmica(HAS) foiamaisprevalente,seguidapelodiabetesmellitus(DM), car-diopatiaehipotireoidismo.Adistribuic¸ãodascomorbidades

50

45

40

35

30

25

20

Feminino

IMC

Masculino

Figura1–Distribuic¸ãodoIMCporgênero.

HAS

0,00% 20,00%

Total Femininos Masculinos

40,00% 60,00% 80,00% 100,00%

DM Cardiopatia Hipotireoidismo

Comorbidades

Figura2–Incidênciadecomorbidades.

DM,diabetesmellitus;HAS,hipertensãoarterialsistêmica.

Fonte:DadosdaInstituic¸ão

clínicas maisfrequentes,divididaporgênero enaamostra total,estádemonstradanafigura2.

Complicac¸ões pós-operatórias ocorreram em 10 casos (9,7%), nove pacientes femininos (11,4%) e um masculino (4,2%). Anecrosedepelefoiacomplicac¸ãomaisfrequente, atingiu seis pacientes, seguida pela trombose venosa pro-funda (TVP), com três ocorrências erigidez pós-operatória (umcaso);14pacientes(13,6%)receberamtransfusão sanguí-neapós-operatória,todosconcentradodehemácias(CH).

OsvaloresdaPCRforamsubmetidosaotestede normali-dadedeShapiroWilk,querejeitouahipótesenula(p=0,000) edemonstrouadistribuic¸ãonãogaussiana.Essesvaloresna amostratotalesuasvariáveisestatísticasestãodemonstrados natabela2.

Oíndicedenormalizac¸ãodaPCRatéaterceirasemanafoi de28,2%naamostratotal,26,6%entreasmulherese33,3% entreoshomens.Nãohouvediferenc¸asignificativaentreos gêneros(p=0,520).

Atabela3demonstraoíndicedenormalizac¸ãoapósa ter-ceirasemananaamostratotaledivididosporgênero.

Aevoluc¸ãoda PCRséricamédiadopré-operatório atéo 21◦diaestádemonstradanafigura3.

(4)

Tabela2–ValoresdaPCR

Estatísticas PCR0(mg/L) PCR3(mg/L) PCR21(mg/L) 1PCR(%) 2PCR(%)

Média 15,1 111,9 27,4 3.118,6 -47,5

IC95% 10,519,6 94,2129,6 20,134,6 2.048,24189,0 -70,4-24,6

Mediana 6,4 75,9 15,4 1.051,9 -73,6

Desviopadrão 23,2 90,4 36,9 5.476,9 117,1

Mínimo 0,6 4,8 0,7 -62,8 -99,1

Máximo 132,5 384,0 263,9 25.242,5 962,5

Variac¸ãobruta 131,9 379,2 263,2 25.305,3 1061,6

Coeficientedevariac¸ão 1,5 0,8 1,4 1,8 -2,5

1PCR,variac¸ãoentrePCR0eoPCR3;2PCR,variac¸ãoentrePCR3eoPCR21.

Tabela3–Taxadenormalizac¸ãodaPCR

Classificac¸ão Gênero Global

Feminino Masculino

NormalizouaPCR21 21 8 29

26,6% 33,3% 28,2%

PCR21até10mg/L>daPCR0 29 7 36

36,7% 29,2% 35,0%

PCR21de10a20mg/L>daPCR0 14 3 17

17,7% 12,5% 16,5%

PCR21de20a50mg/L>daPCR0 8 4 12

10,1% 16,7% 11,7%

PCR21de50a100mg/L>daPCR0 4 1 5

5,1% 4,2% 4,9%

PCR21maisde100mg/L>daPCR0 3 1 4

3,8% 4,2% 3,9%

Total 79 24 103

100% 100% 100%

15 112

27

0 20 40 60 80 100 120 140

21 18 15 12 9 6 3 0

Dias após a cirurgia

Global Feminino Masculino

Valor da PCR

Figura3–Variac¸ãodaPCRmédiadopré-operatórioatéo 21◦dia.

apresentounormalizac¸ãoem14,3%doscasos. Entreosque

não receberam transfusão foi de 30,3%. Apesar da

discre-pância,o testede Fisher demonstrounão haver diferenc¸a

significativaentreosdoisgrupos(p=0,339).

A taxa de normalizac¸ão da PCR21 para os indivíduos

comcomplicac¸õespós-operatóriasfoide40%.Nogrupoque

não apresentou complicac¸ões essa taxa foi de 26,9%. Essa

diferenc¸anãofoiestatisticamentesignificativa(p=0,462).

Discussão

APCRéoexemplodeproteínadafaseaguda,éusadacomo

marcadordeinflamac¸ãoouinfecc¸ãodesde 1930.Na última

década,foialvodeespecialatenc¸ãodevidoaseupapelpreditor

deváriasdoenc¸as.1 Temimportantefunc¸ãonaortopedia,é

usadanodiagnósticoenocontroledeprocessosinfecciosos.13 Com o aumento da esperanc¸a de vida e o crescimento da obesidade, oíndicede OAtem crescido deforma expo-nencial, já que esses fatores estão diretamente ligados à gênese da doenc¸a.14 A artroplastia total é o procedimento capaz de promover o efetivo alívio da dor e melhorar a func¸ão.15Projec¸õessugeremqueosamericanosfarãocercade 3,5milhõesdeartroplastiasdojoelho,em2030.16Apesardeser umacirurgiasegura,ainfecc¸ãoéumacomplicac¸ão potencial-mentedevastadora,atingeentre0,4%e2%dospacientes.17O diagnósticonafaseagudapermiteotratamentocom debri-damento, retenc¸ão doimplante e antibioticoterapia,1 pode alcanc¸aríndicesdesucessodeaté36%,18desdequefeitoaté aterceirasemana.1

A avaliac¸ão da infecc¸ão periprotética se baseia em achados clínicose laboratoriais.13 O reconhecimentodessa complicac¸ão de forma precoce é difícil, pois os sinais do examefísiconãoestãoconfiáveiseosmarcadores sorológi-cos encontram-se elevados no pós-operatório imediato.6 A PCR podeserumaferramentaútil, apresenta sensibilidade elevada, porémbaixaespecificidade.10 Conhecero compor-tamentoda PCRnopós-operatório imediatoéfundamental paraaumentaraconfiabilidadedessemarcadornoauxílioao diagnóstico.

(5)

de3,29mulheresparacadahomem,oqueécondizentecoma literatura.4,19Nãohouvediferenc¸anavariac¸ãodaPCRquanto ao gênero (p=0,520), embora Kraus et al.20 e Choi et al.21 tenhamdemonstradovaloressignificativamentemaioresem mulheres.

Amédiadeidadefoide68,9anos(±6,4),atingepacientes nasétimadécadadevida.Aincidênciadegonartroseaumenta com o envelhecimento, atinge 49,7% das pessoas acima de 65 anos.19 O comportamentoda PRCno pós-operatório agudonãoapresentoucorrelac¸ãocomaidade,embora Par-vizietal.9 eChoi etal.21 relatem queessa influência pode ocorrer.

Amaiorpartedospacientesapresentou-sesobrepesadaou obesa,oqueconfirmaopapeldaobesidadenagênese14ena progressãodaosteoartrose.22Otecidoadiposoéumprodutor deagentesinflamatórios,incluindoaPCR.Oexcessode gor-duracorporalperpetuaumestadoinflamatóriosubclínicoque podeelevarosvaloresbasaisdaPCRnessegrupo.23Não encon-tramosdiferenc¸asnoíndicedenormalizac¸ãodaPCR21entre obesosenãoobesos(p=0,704).Porém,nossaamostrafoi com-postaporsomente15,3%depacientesnormotróficos,oque prejudicouessacomparac¸ão.Liuetal.11analisaramosvalores daPCRde1.571pacientessubmetidosàrevisãodeATJeos dividiramemquatrogrupos,quantoàpresenc¸adeinfecc¸ão e obesidade. Não encontraram diferenc¸a no valor da PCR entreosobesosenãoobesos(p=0,23),porémsugeremque oaumentodopontodecorteparapacientesobesosaumenta aespecificidadedotesteparaodiagnósticodeinfecc¸ão.Choi

etal.21encontraramumarelac¸ãodiretaentreIMCePCR,porém maiorempacientesfemininos.

A incidência das comorbidades da amostra foi coe-rentecom adistribuic¸ãonapopulac¸ãobrasileiradamesma faixa etária24 e não apresentou relac¸ão com o índice de normalizac¸ãodaPCR21(p=0,739).

Ascomplicac¸õesocorreramem9,7%dospacientesenão houverelac¸ãodiretacomanormalizac¸ãodaPCR21(p=0,462). Nenhumpacienteapresentoucomplicac¸õesinfecciosas,oque pode ter influenciado a ausência de relac¸ão. A transfusão sanguínea na nossa amostra está de acordo com a litera-turanacional25 enão influenciounacurvada PCRna fase aguda.

Nosso estudo apresentou dois achados importantes, a variac¸ão da PCR no pós-operatório imediata (PCR3), que atingiu o valor médio de 111,9mg/L (PCR0), e o índice de normalizac¸ãoapósaterceirasemana(PCR21),queéesperado somenteparaumterc¸odospacientes.Esserápidoaumento daPCR3 após alesãotecidual demonstraaparticipac¸ão da proteína nosistemade defesa dohospedeiro. Independen-tementeda normalizac¸ão,umanovasubidada PCRapós a primeirasemanaésugestivadeinfecc¸ão.26Comonão ocor-reramcasosdeinfecc¸ãonanossaamostra,esseaumentose deveexclusivamenteaodanotecidual.

Shenetal.26sugeremqueosníveisdaPCRapósartroplastia estãodiretamenteligadosàregiãoeextensãodotrauma cirúr-gico,independentementedetransfusãosanguínea,idadeou gênerodopaciente,oqueéconcordantecomanossapesquisa. Thienpont et al.27 não encontraram diferenc¸a nos valores da PCRapós ATJconvencional ouminimamenteinvasiva e demonstraramqueaelevac¸ão daproteína estárelacionada aotraumadamedulaóssea.

Conclusão

OvalordaPCRséricaapresentaumaumentosúbitonoterceiro diaapósartroplastiatotaldojoelho.Doisterc¸osdospacientes permanecemcomaPCRelevadanaterceirasemanaapósa cirurgiaeessaalterac¸ãoestárelacionadaessencialmenteao traumacirúrgico.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

r

e

f

e

r

ê

n

c

i

a

s

1.ScottWN.Insaal&Scottsurgeryoftheknee.5thed. Philadelphia:Elsevier/ChurchillLivingstone;2012.

2.CentersforDiseaseControlandPrevention(CDC).Prevalence ofdoctor-diagnosedarthritisandarthritis-attributable activitylimitation.UnitedStates,2007-2009.MMWRMorb MortalWklyRep.2010;59(39):1261–5.

3.CoimbraIB,RezendeMU,PlaperPG.Osteoartite(artrose)– CenárioatualetendênciasnoBrasil.SãoPaulo:Limay;2012. 4.LouresFB,GóesRFA,PalmaIM,LabroniciPJ,GranjeiroJM,

OlejB.Anthropometricstudyofthekneeanditscorrelation withthesizeofthreeimplantsavailableforarthroplasty.Rev BrasOrtop.2016;51(3):282–9.

5.SharkeyPF,LichsteinPM,ShenC,TokarskiAT,ParviziJ.Why aretotalkneearthroplastiesfailingtoday–Hasanything changedafter10years?JArthroplasty.2014;29(9):1774–8. 6.YiPH,CrossMB,MoricM,SporerSM,BergerRA,DellaValleCJ.

The2013FrankStinchfieldAward:diagnosisofinfectionin theearlypostoperativeperiodaftertotalhiparthroplasty. ClinOrthopRelatRes.2014;472(2):424–9.

7.AblijH,MeindersA.C-reactiveprotein:historyandrevival. EurJInternMed.2002;13(7):412.

8.GabayC,KushnerI.Acute-phaseproteinsandothersystemic responsestoinflammation.NEnglJMed.1999;340(6):448–54. 9.ParviziJ,ZmistowskiB,BerbariEF,BauerTW,SpringerBD,

DellaValleCJ,etal.Newdefinitionforperiprostheticjoint infection:fromtheWorkgroupoftheMusculoskeletal InfectionSociety.ClinOrthopRelatRes.2011;469(11):2992–4. 10.JacovidesCL,ParviziJ,AdeliB,JungKA.Molecularmarkersfor

diagnosisofperiprostheticjointinfection.JArthroplasty. 2011;266Suppl,99-103.e1.

11.LiuJZ,SalehA,KlikaAK,BarsoumWK,HigueraCA.Serum inflammatorymarkersforperiprosthetickneeinfectionin obeseversusnon-obesepatients.JArthroplasty.

2014;29(10):1880–3.

12.Obesity:preventingandmanagingtheglobalepidemic. ReportofaWHOconsultation.WorldHealthOrganTechRep Ser.2000;894,i-xii,1-253.

13.ParviziJ,GehrkeT.Consensointernacionaleminfecc¸ões articularesperiprotéticas.Acessoem18/01/2016.Disponível em:http://www.rbo.org.br/pdf/consensos/consensos ciiap.pdf.

14.FelsonDT.Theepidemiologyofkneeosteoarthritis:results fromtheframinghamosteoarthritisstudy.SeminArthritis Rheum.1990;203Suppl1:42–50.

15.ChengCK,LungCY,LeeYM,HuangCH.Anewapproachof designingthetibialbaseplateoftotalkneeprostheses.Clin Biomech(Bristol,Avon).1999;14(2):112–7.

(6)

replacement:nationalprojectionsfrom2010to2030.Clin OrthopRelatRes.2009;467(10):2606–12.

17.CarvalhoJúniorLH,TemponiEF,BadetR.Infectionaftertotal kneereplacement:diagnosisandtreatment.RevBrasOrtop. 2013;48(5):389–96.

18.OdumSM,FehringTK,LombardiAV,ZmistowskiBM, BrownNM,LunaJT,etal.Irrigationanddebridementfor periprostheticinfections:doestheorganismmatter?J Arthroplasty.2011;266Suppl:114–8.

19.CentersforDiseaseControlandPrevention(CDC).Arthritis: NationalStatistics.Acessoem20/01/2016.Disponívelem: http://www.cdc.gov/arthritis/data statistics/national-statistics.html.

20.KrausVB,StablerTV,LutaG,RennerJB,DragomirAD, JordanJM.InterpretationofserumC-reactiveprotein(CRP) levelsforcardiovasculardiseaseriskiscomplicatedbyrace, pulmonarydisease,bodymassindex,gender,and

osteoarthritis.OsteoarthritisCartilage.2007;15(8):966–71. 21.ChoiJ,JosephL,PiloteL.ObesityandC-reactiveproteinin

variouspopulations:asystematicreviewandmeta-analysis. ObesRev.2013;14(3):232–44.

22.LouresFB,GóesRFA,LabroniciPJ,BarretoJM,OlejB.Avaliac¸ão doíndicedemassacorporalcomofatorprognósticona

osteoartrosedojoelho.RevBrasOrtop.2016;51(4): 400–4.

23.NazmiA,OliveiraIO,GonzalesDA,GiganteDP,HortaBL, VictoraCG.DifferentialandcumulativeimpactofBMIand centralobesityonC-reactiveproteinlevels:findingsfroma Brazilianbirthcohort.AmJEpidemiol.2009;169Suppl11: S83.

24.SouzaARA,CostaA,NakamuraD,MochetiLN,Stevanato FilhoPR,OvandoLA.Umestudosobrehipertensa˜oarterial siste

ˆ

micanacidadedeCampoGrande,MS.ArqBrasCardiol. 2007;88(4):441–6.

25.CardozoRT,SouzaJúniorEF,AlvesWC,BarbiFilhoF. Artroplastiatotaldojoelho:indicac¸ãodetransfusão sanguíneadeacordocomavariac¸ãohematimétricaeos sintomasclínicosdehipoperfusa˜o.RevBrasOrtop. 2014;49(5):507–12.

26.ShenH,ZhangN,ZhangX,JiW.C-reactiveproteinlevelsafter 4typesofarthroplasty.ActaOrthop.2009;80(3):330–3. 27.ThienpontE,GrosuI,JonckheereS,YomiJC.C-reactive

Imagem

Tabela 1 – Caracterizac¸ão da amostra
Tabela 2 – Valores da PCR Estatísticas PCR 0 (mg/L) PCR 3 (mg/L) PCR 21 (mg/L)  1 PCR (%)  2 PCR (%) Média 15,1 111,9 27,4 3.118,6 -47,5 IC 95% 10,5 19,6 94,2 129,6 20,1 34,6 2.048,2 4189,0 -70,4 -24,6 Mediana 6,4 75,9 15,4 1.051,9 -73,6 Desvio padrão 23,2

Referências

Documentos relacionados

Objetivo: Avaliac¸ão clínica e funcional do tratamento cirúrgico da lesão aguda da inserc¸ão distal do bíceps braquial pela técnica cirúrgica por via de acesso única no

Early surgical repair of acute injury of the distal biceps through a single incision at the proximal forearm and fixation with two suture anchors in the radial tuberosity is

Todos os pacientes desarticulados por causa tumoral foram capazes de marcha com membro protético, enquanto na causa vascular apenas dois fizeram marcha com prótese e 19

Those authors observed a rate of operative wound complications of 60%, being more frequent in the group of ischemia associated with infection (in 83%).. Most common types

Objetivo: Diversos estudos demonstram que pacientes submetidos à artroplastia total do joe- lho (ATJ) tendem a manter ou a ganhar peso corporal após o procedimento, o que

As observed in the present study, there was no significant reduction in body mass after surgery, and 54% of the patients presented weight gain.. Of the three groups, only the group

O tratamento cirúrgico das lesões do manguito rotador (LMR) tem sido cada vez mais indicado e a técnica artroscó- pica é a mais difundida nos últimos anos, 1 devido à

Ultrasound evaluation of arthroscopic full-thickness supraspinatus rotator cuff repair: single-row versus double-row suture bridge (transosseous equivalent) fixation. A