SOCIEDADE BRASILEIRA DE ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA
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Artigo
original
Desarticulac¸ão
da
anca
–
Análise
de
uma
série
e
revisão
da
literatura
夽
Diogo
Lino
Moura
∗e
António
Garruc¸o
CentroHospitalareUniversitáriodeCoimbra,DepartamentodeOrtopedia,Coimbra,Portugal
informações
sobre
o
artigo
Históricodoartigo:
Recebidoem14defevereirode2016 Aceitoem1desetembrode2016
On-lineem28desetembrode2016
Palavras-chave:
Articulac¸ãodaanca Desarticulac¸ão Amputac¸ão Extremidadeinferior Infec¸ão
Tumor
r
e
s
u
m
o
Objetivo:Apresentarumestudoretrospectivoem16pacientessubmetidosadesarticulac¸ão daanca.
Métodos:Foramidentificados16pacientessubmetidosadesarticulac¸ãodaancaaolongo de16anos.Todosforamestudadospormeiodosregistosclínicosquantoasexo,idadena cirurgia,causadadesarticulac¸ão,complicac¸õesnopós-operatório,índicesdemortalidade egraudefuncionalidadeapósadesarticulac¸ãodaanca.
Resultados:Adesarticulac¸ãodaancafoifeitaeletivamentenamaioriadassituac¸õese ape-nasdeformaurgenteemtrêscasos.Asindicac¸õestiveramasseguintesorigens:infecc¸ão (n=6),tumor(n=5),traumatismo(n=3)eisquemia(n=2).Otempomédioglobalde sobre-vivênciapós-cirurgiafoide200,5dias.Osíndicesdesobrevivênciaforamde68,75%após seismeses,56,25%apósumanoede50%apóstrêsanos.Osíndicesdemortalidadeforam maiselevadosnasdesarticulac¸õesdecausatraumática(66,7%)edecausatumoral(60%).Em relac¸ãoaosoitopacientesquepermanecemvivos,metadefazmarchacomapoiodemuletas canadensesesemprótese,25%fazemmarchacommembroprotéticoe25%encontram-se acamados.Astaxasdecomplicac¸õesemortalidadeforammaiselevadasnasdesarticulac¸ões urgentesenasefetuadasemconsequênciadetraumatismosetumores.
Conclusão:Adesarticulac¸ãodaancaéumacirurgiaaltamentemutilante,comimplicac¸ões óbviasnafuncionalidadedomembroetaxaselevadasdecomplicac¸õesemortalidade.No entanto,quandoefetuadoemummomentoadequadoecomindicac¸ãocorreta,esse proce-dimentopodesalvaravidadopacienteegarantiroseuregressoaodomicíliocomalguma qualidadedevida.
©2016SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublicadoporElsevierEditora Ltda.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http:// creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
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TrabalhodesenvolvidonoCentroHospitalareUniversitáriodeCoimbra,DepartamentodeOrtopedia,Coimbra,Portugal. ∗ Autorparacorrespondência.
E-mails:[email protected],[email protected](D.L.Moura). http://dx.doi.org/10.1016/j.rbo.2016.09.001
Hip
disarticulation–case
series
analysis
and
literature
review
Keywords:
Hipjoint Disarticulation Amputation Lowerextremity Infection Tumor
a
b
s
t
r
a
c
t
Objective: Topresentaretrospectivestudyof16patientssubmittedtohipdisarticulation.
Methods:Duringtheperiodof16years,16patientswhounderwenthipdisarticulationwere identified.Allofthemwerestudiedbasedonclinicalrecordsregardingthegender,ageat surgery,disarticulationcause,postoperativecomplications,mortalityratesandfunctional statusafterhipdisarticulation.
Results: Hipdisarticulationwasperformedelectivelyinmostcasesandurgentlyinonly threecases.Theindicationshadthefollowingorigins:infection(n=6),tumor(n=6),trauma (n=3),andischemia(n=2).Themeanpost-surgerysurvivalwas200.5days.Thesurvival rateswere68,75%aftersixmonths,56,25%afteroneyear,and50%afterthreeyears.The mortalityrateswerehigherindisarticulationswithtraumatic(66.7%)andtumoral(60%) causes.Regardingtheeightpatientswhosurvived,halfofthemambulatewithcrutchesand withoutprosthesis,25%walkwithlimbprosthesis,and25%arebedridden.Complications andmortalitywerehigherinthecasesofurgentsurgery,andinthosewithtraumaticand tumoralcauses.
Conclusion: Hipdisarticulationisa majorablativesurgerywithobviousimplicationsfor limbfunctionality,aswellashighratesofcomplicationsandmortality.However,when performedatthecorrecttimeandwithproperindication,thisprocedurecanbelife-saving andcanensurethereturntothehomeenvironmentwithacertaindegreeofqualityoflife. ©2016SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublishedbyElsevierEditora Ltda.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(http:// creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Introduc¸ão
Adesarticulac¸ão daanca consistena amputac¸ãodo mem-broinferiorpormeiodaarticulac¸ãodaancaecontinuaaser umdosprocedimentosmaisradicaisnacirurgiaortopédica.1,2
Essacirurgiarepresentaapenascercade0,5%dasamputac¸ões dosmembrosinferiores.1 Assuasindicac¸õesmais
frequen-tessãotumoresdoaparelholocomotoraltamenteinvasivose irressecáveiscomconservac¸ãodaextremidade,isquemiado membro,traumatismoseinfec¸õesmusculoesqueléticas gra-vesdaregiãopélvicae/ouproximaldacoxa.1
Material
e
métodos
Osautoresapresentamumasériede16pacientessubmetidos a desarticulac¸ão da anca ao longo de 16 anos (1999 até 2015)nanossainstituic¸ão,queincluicentrosdedicadosaos tumoreseàpatologiasépticadoaparelholocomotor.Todos ospacientesforamcaracterizadoseestudados retrospectiva-mentepormeiodosregistosclínicosquantoagênero,idade nacirurgia, causada desarticulac¸ão, complicac¸ões no pós--operatório,índicesdemortalidadeegraudefuncionalidade apósadesarticulac¸ãodaanca.Essasvariáveisforamtratadas estatisticamente por meio do programa SPSSv23, usou-se
umnível de significânciade 0,05. Osvalores quantitativos sãoapresentadoscomomédia,valormínimo,valormáximo e desvio padrão, enquanto os valores qualitativos surgem como número (n) epercentagem(%). Para ascomparac¸ões de variáveis qualitativasentre grupos foi usado oteste do
qui-quadrado, enquanto para variáveis quantitativas foi usadootestedeMann-Whitney.Oestudofoiaprovadopela Comissão de Ética do CentroHospitalar e Universitário de Coimbraetodosospacientesourespetivasfamíliasassinaram oFormuláriodeInformac¸ãoeConsentimentoInformado.
Resultados
Aamostraécompostapor16pacientes,novedosexo mascu-linoesetedofeminino,commédianacirurgiade61,25anos (29-87). Acirurgiade desarticulac¸ão foiefetuada deacordo comastécnicasdescritasnaliteratura.3,4Apósisolamentoe
laqueac¸ãodofeixevasculonervosofemoral,osmúsculos da ancasãoseccionadosatéaoníveldacabec¸afemoral,quese separadoacetábulo.
Adesarticulac¸ãodaancafoifeitaeletivamentenamaioria das situac¸õeseapenasdeformaurgenteemtrêscasos.As indicac¸õesparadesarticulac¸ãotiveramasseguintesorigens: infeciosa(n=6),tumoral(n=5),traumática(n=3)eisquêmica (n=2)(fig.1etabela1).Asperdassanguíneasintraoperatórias foramavaliadasnascirurgiaseletivaspormeiodadescidada hemoglobinaentrepréepós-operatórioimediato,cujamédia foi3,37(0,7-4,3).
0
Número de pacientes
1 2 3 4 5 6
Infeção Tumor Trauma Isquémia
Figura1– Causasdedesarticulac¸õesdaanca.
Tabela1–Descric¸ãodasériededesarticulac¸õesdaanca
Causa Frequência (número)
Frequência (percentagem)
Desarticulac¸ões urgentes (percentagem)
Tempomédiodevida apóscirurgianosque
faleceram(dias)
Mortalidade (percentagem)
Complicac¸ões (percentagem)
Infecc¸ão 6 37,50 0 171,5 33,33 33,33
Tumor 5 31,25 0 416 60 60
Trauma 3 18,75 66,67 3 66,67 33,33
Isquemia 2 12,50 50 7 50 50
majoritariamentemonomicrobianaseapenas
polimicrobia-nasnumúnicocaso.Ostumoresencontradoscomocausade
desarticulac¸ãodaancaforamocondrossarcoma(n=3),o sar-comapleomórficodacoxa(n=1)eotumorbasocelular(n=1). Ostrêspolitraumatizadosdestasérieapresentavam exten-sosesfacelosda pélvisecoxa,comlesõesmultiorgânicase
necessidadedetratamentomultidisciplinar.Todos
demons-travaminstabilidadehemodinâmicaeapenasumsobreviveu
além da primeira semana de pós-operatório. As causasde
isquemia verificadas na amostra foram arterial aguda por
tromboemboliaarterialfemoralelesãoiatrogênicadaartéria
femoralcomum.Emtrêspacientes,umcomlesão
traumá-tica edois com lesão isquêmica,foi inicialmente efetuada amputac¸ãosupracondilianadofêmur,que,porevoluc¸ão des-favorávelesobreinfecc¸ão,seconverteuemdesarticulac¸ãoda anca.Foramverificadascomplicac¸õesnopós-operatórioem setepacientes(43,75%da amostra),notadamente infecc¸ões superficiais(n=5), deiscênciasda sutura(n=2),necroseda cicatrizdecotodeamputac¸ão(n=2)emetastizac¸ãodocoto deamputac¸ão (n=1). Ascomplicac¸ões ocorrerammaisnas desarticulac¸õesdecausatumoral(em60%),quecorresponde
ao grupocom maior tempo de sobrevivênciaapós a
cirur-gia (416 dias). Verificou-se tendência para maioríndice de complicac¸õesnascirurgiasurgentesemcomparac¸ãocomas eletivas(66,67%vs38,50%),noentantosemsignificado esta-tístico (p=0,55). Não se identificou uma taxa superior de complicac¸õesnosindivíduossubmetidosacirurgiasprévias àdesarticulac¸ão.
Otempomédioglobaldesobrevivênciapós-cirurgiafoide 200,5diaseatualmente,quandodesteestudo,apenasmetade dospacientesdaamostraestáviva.Osíndicesde
sobrevivên-ciaforamde 68,75%após seis meses,56,25%apósum ano
ede 50% após trêsanos. Os índicesde mortalidadeforam
maiselevadosnasdesarticulac¸õesdecausatraumática(em 66,7%)edecausatumoral(em60%).Emrelac¸ãoaosoito paci-entesquenãoestãovivosquandodestarevisão,verificou-se umatendênciaparatempodesobrevivênciainferiornas cirur-giasurgentes(4,33±3,79dias)emcomparac¸ãocomaseletivas (318,20±318,01dias),noentantosemsignificadoestatístico
(p=0,14).Emrelac¸ãoaospacientesqueestãovivos, verificou--sequeacausadedesarticulac¸ãomaisfrequenteéainfec¸ão
(50%), seguida da causatumoral (25%), houve apenasuma
causaisquêmicaeoutratraumática.
O tempomédio de vidadaquelesque sobreviverampor
um período superior a três meses após a cirurgia foi de
205,5diasparaospacientesacamadose588diasparaosque
eramcapazesdemarcha.Metadedessespacientesfaz
mar-chacomapoiodecanadianasesempróteseporintolerância
aela,25%fazemdeambulac¸ãocommembroprotéticoe25%
encontram-seacamados.Nosseispacientesquefazem
mar-cha,acausadedesarticulac¸ãomaispresenteéainfec¸ão(50%), seguidadatumoral(33,33%).Todosessespacientestêmcrises
frequentesdedorfantasma,comnecessidadedetratamento
médico.
Discussão
Adesarticulac¸ãodaancaéumacirurgiacomplexaepouco fre-quente,apenasfeitacomoúltimalinhaemcasosextremos.1,5
A literatura científica sobre essa cirurgia é escassa, há publicac¸õessobretudosobaformadecasosclínicose peque-nasséries.5Apresentamosemseguidaumarevisãodosartigos
maisrelevantesreferentesàsdesarticulac¸õesdaanca. Endeanetal.6analisaramumasériede53desarticulac¸ões
60%decomplicac¸õesdaferidaoperatória,maisfrequentesno grupodeisquemiaassociadaainfec¸ão(em83%).Ostiposmais comunsforaminfec¸õesenecrosedaferidacirúrgica.A morta-lidademédiafoide21%evariavadesde0%nacausatumoral a50%nacausaisquêmica.Foidemonstradaumarelac¸ão esta-tisticamentesignificativaentre amputac¸ão supracondiliana prévia,cirurgia urgentee índicedecomplicac¸ões da ferida operatória.Alémdisso,ataxademortalidadefoisuperiorde formasignificativanascirurgiasurgentes(taxademortalidade de33%), emcomparac¸ãocom as eletivas(taxa de mortali-dadede4%).Apresenc¸adeisquemiaassociadaainfecc¸ãodo membroedecardiopatiafoiomaiorpreditordamortalidade. DéneseTill7analisaramumasériede63desarticulac¸ões,cujas
indicac¸õesforamaisquemiaarterial(n=34),tumores(n=24) einfec¸ão(n=4).Quantoàscomplicac¸õesdaferidacirúrgica, variaramentre64,86%nacausavasculare20,83%nacausa tumoral.Amortalidadeno primeiromêsdepós-operatório variouentre43,24%nacausavasculare0%nacausa tumo-ral. Todos os pacientes desarticulados por causa tumoral foramcapazesdemarchacommembroprotético,enquanto nacausavascularapenasdoisfizerammarchacomprótesee 19ficaramdependentesdecadeiraderodas.Unruhetal.8
apre-sentaramumasériede38desarticulac¸õesdaancaaolongo de11anosdeexperiência. Quatropacientes foram desarti-culados bilateralmente e20 das desarticulac¸ões ocorreram nummembropreviamenteamputado,13dosquaisduranteo mesmointernamento.Asindicac¸õesparaasdesarticulac¸ões foramaisquemiasecundáriaaaterosclerose(n=17),a oste-omielitefemoral(n=10)eotraumatismo(n=11).Osautores registaramcomocomplicac¸ões maisfrequentes asinfec¸ões pós-operatórias (63%). Noperíodo de pós-operatório verifi-caramtambém situac¸õesde choque séptico(21%), choque hemorrágico(11%),coagulopatiadisseminada(11%), insufici-ênciarenalaguda(24%),disfunc¸ãocardíaca(26%)epulmonar (24%).Amortalidademédiafoide44%,correspondeua60%na isquemiaassociadaainfec¸ão,20%naisquemiaseminfec¸ão, 22%naosteomielitefemoral,100%notraumatismoassociado ainfec¸ãoe33%notraumatismoseminfec¸ão.Osautores afir-mamqueapresenc¸adeinfec¸ãopré-operatóriatriplicouorisco demorteapósdesarticulac¸ãodaanca.Emtermosde funciona-lidade,verificaramquedos19sobreviventesnenhumpaciente foicapazdeusaromembroprotético,apenasquatro conse-guiramfazermarchacomandador,12ficaramdependentesde cadeiraderodasetrêsacamados.Fenelonetal.9apresentaram
umasériede11desarticulac¸õessecundáriasacomplicac¸ões infeciosas de artroplastias da anca. As indicac¸ões para a desarticulac¸ãoforaminfec¸õesgravesfistulizantesdetecidos molesedofêmur,umcasodeperdaósseafemoral acentu-adaeumcasoderoturadefalsoaneurismadaartériailíaca externa.Adesarticulac¸ãofoiurgenteemseiscasos,eletivanos restantesenãohouvequalquermortenoperíodo periopera-tório.OsmicrorganismosmaisencontradosforamStafilococos aureus,PseudomonaseProteus;81,82%dospacientes desarticu-ladosjátinhamsidosubmetidosaquatrooumaiscirurgias derevisãodaartroplastiadaanca.Osautoressugeremque algumasdesarticulac¸ões poderiam ter sido evitadasse em vezde repetidas revisõesda prótesesetivesse optado por artroplastiaderessec¸ão.Emtermosfuncionaisemrelac¸ãoaos oitosobreviventesnaalturadarevisão,seispacientesfaziam
marcha,quatrocomandadoredoiscommembroprotético,e doisestavamacamados.Registaram-seaindatrêscasoscom complicac¸õesdacicatrizoperatóriaedoiscasosdedor fan-tasma.LászlóeKullmann10estudaram29desarticulac¸õesda
anca porcausa isquêmica everificaram também uma ele-vadataxadecomplicac¸õesdaferidacirúrgica.Acicatrizac¸ão porprimeiraintenc¸ãoapenasocorreuemdoiscasos,houve cicatrizac¸ãoporsegundaintenc¸ãocomnecrosesuperficialem 13casose12casosdenecroseprofunda.Ataxademortalidade doperíodoperioperatóriofoide37%.Apenasdoispacientes usaramregularmenteomembroprotético.Verificou-sequea taxa demortalidadeera maiselevadaquandoos pacientes tinhamamputac¸õesdistaisprévias.Amaioriadosseus paci-entestinhasidosubmetidaaumamédiade2,3amputac¸ões distais prévias e 2,9 cirurgias conservadoras do membro. Essesautoresconcluíramqueaagressãocirúrgicaaumenta oriscodemortalidadeequeaamputac¸ãodeveserem pri-meirainstânciaefetuadanoníveladequado,demodoanão submeter opaciente avárias cirurgias. Outroestudosobre 15 desarticulac¸ões por causa infeciosa, sete por infec¸ões necrotizanteseoitocominfec¸õespersistentesda coxa pro-ximal,verificouqueoagentepatogênicomaisfrequenteera o Stafilococos aureus, presente emoitopacientes.5 As
cirur-gias foram eletivas emoito pacientes e urgentes em sete. Todossobreviveramàcirurgiaeapenasseregistouamorte deumpacienteao29◦diaapósadesarticulac¸ão.5Osautores
concluíram queadesarticulac¸ão da ancacomo tratamento de infec¸ões graves da anca e da coxa proximal pode ter elevadosníveisdesobrevivência,mesmonoscasosde cirur-gia urgente, e atribuem esses resultados ao envolvimento multidisciplinar e à experiência no tratamento cirúrgico e pós-operatórioemunidadedecuidadosintensivosefetuado nasuainstituic¸ão.5Jainetal.11estudaram80desarticulac¸ões
exclusivamentedecausatumoraleidentificaramqueostipos histológicospredominanteseramoosteossarcoma(n=27),o condrosarcoma(n=8),oleiomiossarcoma(n=8)eo liposar-coma (n=6).Em 52,5% doscasos a desarticulac¸ão foi feita como primeira cirurgia, enquanto nos restantes foi efetu-adaporrecidivalocalapóstentativadecirurgiaconservadora do membro. A taxa de sobrevivência aos cinco anos da desarticulac¸ãoprimáriafoide32%,enquantoparaarecidiva localfoi25%.Foramregistados10casosderecidivalocalapós desarticulac¸ãocommargensderessec¸ãoinadequadas.Dos11 pacientesqueresponderamaoquestionáriosobrea funciona-lidade,apenasumécapazdeusarregularmenteummembro protéticoeoitoapresentamdorfantasma.
Na nossa amostra, verificou-se que a maior parte das desarticulac¸õesporinfec¸ãoocorreuemcontextode pacien-tescomprótesestumoraisdegrandesdimensões,oqueestá deacordocomoriscomaiselevadodeessas reconstruc¸ões desenvolverem infec¸ão, não só pela extensão e durac¸ão da cirurgia, como também muitas vezes pelo estado imu-nocomprometido dos pacientes.12 Como seria de prever,
comaindicac¸ão,oestadodopacienteeograudeurgência dacirurgia.6–10 Na nossasérie,éevidente queosmelhores
índicesdesobrevivênciaseverificaramnascirurgiaseletivas, emparticularnascausas infeciosaetumoral. Porsuavez, ospolitraumatismosgraves,quandosetratadesituac¸õesde urgênciaeassociadosmuitasvezesainstabilidade hemodi-nâmica,têmospioresresultadosemtermosdesobrevivência edetaxademortalidade.Ospoucosestudosqueanalisamos resultadosfuncionaisapósadesarticulac¸ãodaanca demons-tram queospacientes obtêm umafracaqualidade devida edificuldadesimportantesnarecuperac¸ãoda marchaeno usodeprótesedesubstituic¸ãodomembroinferior.7–9,11,13,14
Ogastoenergéticoparaconseguirfazermarchanos pacien-tessubmetidos adesarticulac¸ãodaancaaumentaem82%, comotalmuitasvezesopacienteficalimitadoacadeirade rodasoumesmoacamado.5,8,15Alémdisso,Nowroozietal.15
indicamqueamarchacomusodomembroprotéticonos paci-entesdesarticuladostem umgasto energéticosuperior em comparac¸ãocomamarchacomcanadianas.Nonossoestudo, ofatodemetadedossobreviventesfazermarchacomapoio de canadianas semuso domembro protéticoe de apenas 25%conseguiremusarapróteseestádeacordocomo refe-ridoanteriormente.DéneseTill.7referemqueosucessoda
funcionalidadedependedacausadadesarticulac¸ãoe defen-dem a tese de que em regra geral as desarticulac¸ões por causatumoraletraumáticasãomaiscapazesdemarchado queas decausa vascular.Na nossa amostra,ascausasde desarticulac¸ãomaispresentes nospacientes deambulantes atualmenteforamainfec¸ãoeostumores, oúnicopaciente decausaisquêmicavivoencontra-seacamado.Amotivac¸ão individual,aidade,oestadogeraleascomorbidadesdo paci-entesãoconsideradosfatoresdecisivosparaarecuperac¸ãoda marcha.11
Oestudopresenteapresentacomoprincipaislimitac¸õeso númeroreduzidodeindivíduosdaamostraeofatodese tra-tardeumestudoretrospectivoobservacional.Provavelmente, oaumentodadimensãodaamostrapoderiatornaralgumas dastendênciasestatísticasverificadasemdiferenc¸as estatis-ticamentesignificativas.
Conclusões
Adesarticulac¸ãodaancaéumacirurgiaaltamentemutilantee deúltimorecurso,comimplicac¸õesóbviasnafuncionalidade domembroetaxaselevadasdecomplicac¸õesemortalidade. No entanto, quando aplicada em tempo adequado e com indicac¸ãocorreta,possibilitasalvaravidadopacienteeoseu regressoaodomicílio. Éfundamental parao sucessodesse procedimentocirúrgicoreconhecerprecocementeaindicac¸ão
para desarticulac¸ão da anca, de modo a não adiar uma situac¸ão inevitáveleconsequentementeagravar o prognós-tico.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
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s
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